VIVA DESPREOCUPADAMENTE O AGORA ÚNICO

VIVA
DESPREOCUPADAMENTE
O AGORA ÚNICO
Dárcio
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Se parar para analisar, qualquer pessoa concluirá que preocupações jamais contribuem para melhorar ou resolver qualquer situação. Muitos dizem não conseguir parar de se preocupar. Realmente, humanamente falando, viver despreocupadamente não parece ser algo fácil de se conseguir; mas, espiritualmente, a coisa muda de figura, uma vez que, de fato, a Verdade liberta o homem. O conhecimento da real natureza de Deus e da ilusória natureza do mundo das aparências é fundamental para que possamos viver a chamada “vida pela Graça”.

Em nosso convívio, podemos encontrar pessoas que demonstram viver bem mais despreocupadamente do que outras. Pela lógica, os maiores exemplos deveriam ser da parte daqueles que se dizem “estudantes da Verdade”. Porém, nem sempre constatamos isso na prática. Por quê? Devido à insuficiente aceitação ou compreensão de que este mundo é uma “miragem”, puríssimo “nada”. Tal percepção limitada, muitas vezes somente teórica, faz com que estes estudantes se julguem “escolhidos por Deus” para salvar a humanidade, para resolver os problemas do mundo, etc. O que deve ser salientado é que a Verdade liberta o homem. Ninguém é escolhido para nada! A percepção de que DEUS É TUDO nos liberta e nos faz viver em UNIDADE COM DEUS, exatamente AGORA! E, esta Vida de Deus, “vivida” conscientemente por cada um, é que é a “nossa” VIDA PELA GRAÇA.

A ideia de que as pessoas que despertaram espiritualmente devem  viver exclusivamente em função de “pregar a Verdade” não passa de outra crença errônea. A vida pela Graça é a Vida em que cada um reconhece a existência única deste AGORA. Não existe “outro agora”, senão este em que estamos vivendo. E não existem “dois agoras”. Esta percepção valoriza o AGORA REAL, em que DEUS ESTÁ SENDO A TOTALIDADE DA EXISTÊNCIA, e todas as preocupações, que aparentavam estar presentes, são vistas como INEXISTENTES.

O conhecimento da Verdade faz com que vivamos naturalmente a “vida pela Graça”. Se cada um viver descontraidamente o seu AGORA, consciente de que TUDO É DEUS, consciente de que DEUS É AMOR ONIPRESENTE, e que a SABEDORIA DIVINA CUIDA DE TUDO, deixará a crença ilusória de que ele, humanamente, tem por missão “iluminar o mundo”, ou viver em função de “divulgar a Verdade” durante vinte e quatro horas por dia.

A divulgação da Verdade se dá naturalmente, quando vivemos o AGORA sendo a Verdade, e sem preocupação alguma  de ter que divulgá-la. Deus é a Verdade! Deus é Tudo! E, esta Verdade é válida exatamente AGORA! O ego ilusório, na tentativa de se manter como entidade real, muitas vezes escraviza os próprios estudantes da Verdade, através da crença errônea de que “ele deve viver em função de iluminar o próximo”. Deus vive desse modo? Não! Deus simplesmente É! Aquele que conhece a Verdade, por ser UM COM DEUS, simplesmente É!

O  ensinamento verdadeiro  diz o seguinte: “Ama ao próximo COMO a ti mesmo”. Em outras palavras, aquilo que gostamos de ter, devemos dar ao próximo o direito de possuir. Gostamos de ser livres? Concedamos ao próximo o direito à liberdade! Deus é o EU em todos! “Ninguém vem a MIM se o Pai não o trouxer”, disse Jesus. Estava revelando que a Verdade vem a cada um por caminhos divinos e não por resoluções humanas! Esta entrega de tudo a Deus, na percepção de que Deus é realmente a identidade nossa e a de todos, é a própria liberdade total. O suposto mundo material é “nada”, ou seja, não existe para “ser salvo”. “Pregar o Evangelho a toda criatura”, como foi determinado por Jesus, não é para ser visto como missão ou dever do ego de alguém. Trata-se, na verdade, de uma decorrência natural da “vida pela Graça”. Que é a “vida pela Graça”? É a percepção de que vivemos ESTE AGORA despreocupadamente, pois, a Vida de Deus é conscientemente o reconhecida como sendo a “nossa” Vida.

“Quem quiser perder a vida, acha-la-á”, diz a Bíblia. A crença errônea de que devemos viver nos anulando para “viver a Verdade” pode ter surgido de um entendimento dualista e equivocado desse tipo de frase. Assim, encontramos várias pessoas que se anularam, aparentemente falando, e acabaram se tornando, com o ego, escravas do próprio mundo ilusório, ou seja, acabaram se convencendo de que o mundo ilusório existe, de tanto saturar a mente com a crença de que sua missão é passar a vida toda afirmando, ensinando ou convencendo alguém de que ele não existe! Em outras palavras, acabaram aceitando a ILUSÃO por  tanto ficarem se dedicando  a dar fim a ela.

“Achamos nossa VIDA” quando a encontramos em Deus, quando a discernimos sendo o EU que desconhece o ilusório mundo de aparências. Não precisamos pensar humanamente em fundar religiões, seitas ou denominações para difundir a Verdade. Jesus Cristo é prova disso! Ele percebeu SER A VERDADE, e passou a VIVER PELA GRAÇA! Não fundou religião nem movimento algum! Não anulou sua Vida em função de crenças errôneas. Pelo contrário, vivificou-A ao máximo, razão pela qual seu nome é hoje dos mais respeitados em todo o mundo.

A Vida pela Graça é a Vida em que a Inteligência divina opera COMO cada um de nós. Isto dispensa o “ego benfeitor”, aquele que diz  “se sacrificar” pelo próximo, e que, às vezes, acaba se tornando mais um ser problemático, em vez de solucionar a vida do “resto do mundo”. Quem vive a Verdade é posto naturalmente onde deve estar! Exemplificando, caso alguém se decida humanamente por “propagar a Verdade”, a partir de um pensamento seu, poderá, ao fazer aquilo, estar indo a algum local em que o seu conhecimento não irá ser bem recebido, e, exatamente naquela hora, uma outra pessoa, talvez, o pudesse estar procurando para que espontaneamente ele lhe passasse algo de que tenha conhecimento. As ações visíveis de propagação da Verdade se dão “sem ego”, espontaneamente, e onde quer que estejamos, pois, é assim que se manifesta visivelmente a “vivência pela Graça”. Se esta manifestação surgir naturalmente como a criação de um movimento espiritual, como um livro, como uma palestra, ou mesmo como um simples bate-papo pelas ruas, sem que tenha existido um “ego” a programá-la antecipadamente, daí sim, teremos o cumprimento do que disse Jesus, no sentido de que pregássemos o Evangelho a toda criatura. Em resumo, devemos “permanecer na Verdade”, e, decorrente desta nossa permanência nela, as supostas situações humanas de propagação do que conhecemos haverão de  ser criadas espontaneamente, em nosso dia-a-dia da aparência.
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