Marceil DeLacy
Nenhum ataque individual ou coletivo ao nosso direito de confiar em Deus para a cura pode enfraquecer o poder da lei divina ou impedir-nos de sentir sua proteção aqui e agora. Os temores dos que estão à nossa volta (quer se originem da genuína preocupação, quer sejam em direta oposição à nossa fé em Deus) não podem, de forma alguma, nos separar da presença amorosa de Deus nem diminuir nossa confiança em Seu cuidado. Firmando-nos com convicção no fato de que o homem é imortal, tão indestrutível quanto seu Criador, podemos negar com autoridade qualquer pretensão de que o peso das opiniões dos outros possa ter impacto negativo em nossa saúde e bem-estar.
Nossa vulnerabilidade à má prática mental, aos pensamentos nocivos a nós dirigidos, seja de forma ignorante, seja intencionalmente, está em proporção à nossa crença em uma mente separada de Deus. Se formos inabaláveis em nossa defesa, se fincarmos pé em favor dos fatos espirituais do ser e do poder da cura cristã, seremos protegidos de influências opositoras. Ao manter dentro em nós aquele estado divino de consciência no qual a porta está aberta apenas para o Espírito e está fechada ao sentido material, podemos vencer a influência mental falsamente impingida a nós pelas opiniões, crenças e temores mortais. A oposição à cura pela Ciência Cristã, qualquer que seja sua forma, não tem poder para se infiltrar e enfraquecer nosso trabalho de cura, tal como o fez nosso Mestre.
Um exemplo disso, que eu testemunhei, envolvia um menino que estava sofrendo de uma doença potencialmente grave que afetava sua habilidade motora. Um vizinho que tomou conhecimento do problema e sabia que os pais eram Cientistas Cristãos, ameaçou denunciá-los às autoridades, se não levassem o filho a um hospital. O fato de que haviam solicitado a uma praticista da Ciência Cristã que orasse pelo menino não significava nada para o vizinho. Durante vários dias não houve melhora no estado de saúde da criança.
Sabendo da oposição do vizinho, a praticista voltou sua atenção para a anulação da crença de que essa resistência, no meio ambiente mental, pudesse de algum modo interferir na receptividade do menino ao toque sanador do Cristo. Ela não orou para controlar o pensamento do vizinho, mas sim para eliminar de sua própria consciência, e da do paciente, toda e qualquer sugestão de que o filho de Deus pudesse estar sujeito ao medo ignorante da mente mortal. Quase imediatamente aconteceu algo inesperado. Um conhecido dos pais do menino, que era médico e estava a par do problema da criança, tomou conhecimento da preocupação do vizinho e, por ter apreço pela Ciência Cristã, ofereceu-se para telefonar a essa pessoa e assegurar-lhe que os pais estavam fazendo a melhor coisa possível pelo filho e que não havia razão para intervenção médica. Isso acalmou o pensamento do vizinho. A cura processou-se rapidamente até que logo o menino estava completamente restabelecido.
Esse trabalho de silenciar a interferência mental pode às vezes ocorrer num momento. Outras vezes pode exigir considerável luta mental em nosso íntimo, para alcançar aquela altitude espiritual livre de obstrução, que nos permite comungar eficazmente com nosso Criador. Sabemos que o trabalho está feito quando conseguimos dar a Deus nossa total atenção, sem sermos distraídos por dúvidas e medos intrusos. Essa purificação da atmosfera mental permite ao pensamento ceder lugar ao amor sempre presente de Deus, que traz cura ao corpo.