QUE DEUS TEM DO HOMEM
Donald R. Rippherger
PARTE I
.
A luz da bondade divina ilumina a consciência humana e nos faz perceber melhor a criação do Espírito, feita à semelhança de Deus. A imagem de Deus deve ser tão invariavelmente amorosa como o próprio Amor divino. Ao considerar os parentes, amigos e vizinhos, sob um ponto de vista mais espiritual e mais amoroso, veremos que nossas afeições se tornam menos parciais ou seletivas e não acontecerá de querermos bem a uns e não a outros. Nosso amor se fará mais semelhante ao de Cristo, expressando as características do amor constante de Deus por todos nós.
A compreensão do Cristo, a ideia eterna do perfeito Amor, ideia que a vida de Jesus exemplificou plenamente, tem uma relação direta com a vista, com o modo pelo qual nós mesmos nos vemos, como vemos os outros, o lar, os negócios, o governo, a igreja. Mediante o Cristo podemos recusar-nos a criticar as pessoas, a permitir-nos abrigar ressentimentos, preconceitos, elementos estes que causam cegueira.
Ignorar as coisas erradas do mundo está longe de ser discernimento espiritual, que penetra a obscuridade do mal com a Luiz da bondade divina. Mas não se deixe enganar pelo erro, (compreendendo que este é sem base e mentiroso, desprovido da aprovação divina, e entendendo que deve ser substituído pela verdade espiritual), isso sim, ilumina a perspectiva que temos da vida. Era esse o ponto de vista de Jesus, o qual curava.
Quando o Mestre certa vez deparou-se com um homem cego, os discípulos perguntaram se tinham sido os pais ou o próprio cego que, por seus pecados, haviam causado a cegueira. Jesus respondeu que nenhum deles tinha pecado. O Mestre sabia que somente o que é causado por Deus tem o direito de se manifestar em nossa vida. A seguir, restaurou a vista do homem. Hoje, como outrora, a atuação do Cristo na consciência elimina o mal com o bem e revela que a vista é, em sua pura e verdadeira essência original, uma faculdade da Alma , do Espírito.
Não se refere a Bíblia à natureza impecável de Deus como Alma infinita, quando declara: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar?” Não existe escuridão nem cegueira na Alma ou em sua manifestação. No Espírito imortal, a Vida eterna, não pode haver mal ou depravação que levam à moléstia no homem. A luz do Cristo expõe e destrói o pecado enganador, revelando a inocência e pureza do ser do homem à semelhança de Deus, sempre satisfeito. Ver com os sentidos da Alma, isentos de luxúria e sensualismo, promove nosso total bem-estar, inclusive o funcionamento normal dos olhos.