Richard C. Bergenheim
Em épocas de modificações, é comum que nossa atenção se prenda a questões de identidade. Mudar de emprego, mudar-se para outro lugar, o casamento, o divórcio, são eventos que nos forçam definições. Às vezes deixam-nos inseguros. Gostaríamos que nossa identidade não fosse transitória. As pessoas querem ter raízes, estabilidade, segurança.
Embora vivamos numa era científica, as ciências naturais não oferecem grande ajuda na questão da identidade. Pensar que sou feito de 70% de água não me faz dormir melhor. Crer que sou um padrão genético casual não me dá maior segurança. A noção de que sou um mamífero, da espécie Homo sapiens, não ajuda a pôr o assunto de lado.
No curso deste século, algumas pessoas pensaram que a ciência suplantaria a religião, mas não foi assim, porque a ciência não dá respostas a questões básicas, como essa de que falamos. Queremos algo mais. Sabemos que nossa identidade significa mais do que acabar preso por um alfinete numa caixa como as borboletas.
Note-se que o termo “identidade” é derivado da raiz latina “idem”, que significa “o mesmo”. Esse conceito de “idêntico” é vital para descobrir quem somos. Se acreditarmos que a causa primária do ser é material ou biológica, creremos que somos “o mesmo”: materiais e biológicos. Aceitando que a causa primária é Deus, isto é, o Espírito, cremos que somos assim, semelhantes a Deus e espirituais. Refletimos a causa de nosso ser.
Quando reconhecemos o Espírito como a causa primária, declaramos que são espirituais a natureza e o caráter de tudo o que existe. Alguém poderá pensar que isso é “coisa do além”, mas não é nada disso. Espiritual denota bondade, imutabilidade, integridade, perfeição, beleza, harmonia, saúde, atividade. Ao encontrarmos no Espírito nossa identidade, manifestamos esses atributos, vemos sinais mais positivos da identidade que o Espírito cria e mantém.
O Espírito, Deus, não tem sociedade nem relação com a matéria. O divino não se manifesta por intermédio da matéria nem com o auxílio desta. O Espírito e a matéria não coincidem em ponto algum. Jesus certa vez explicou a um visitante, Nicodemos: “O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito, é espírito”. Se pararmos um momento para pensar, veremos que aí está algo que tem implicações radicais na questão da identidade. Quando o cristão reconhece plenamente as implicações das palavras de Cristo Jesus e as aceita, começa a nascer de novo, a encontrar sua nova e permanente noção de identidade.