ENCONTRANDO O CRISTO EM NÓS MESMOS-2

ENCONTRANDO O CRISTO
EM NÓS MESMOS
H. Emilie Cady
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PARTE II
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Suponhamos que uma linda fonte seja suprida por um manancial oculto e inesgotável. Em seu centro está ela cheia de vida, forte, vigorosa e borbulhando continuamente, com grande atividade; mas em sua superfície a água está quase parada a ponto de se tornar impura e coberta de espuma. Isso representa exatamente o homem. Ele é composto de uma substância infinitamente mais sutil, mais real do que a água. “Porque dele também somos geração”. O homem é o descendente – ou o trazimento à visibilidade – de Deus, o Pai. No fundo ele é puro Espírito, feito à imagem e semelhança de Deus, Substância do Pai, um com o Pai, alimentado e renovado continuamente pelo inexaurível Bem, que é o Pai. “Nele vivemos, nos movemos e existimos”. A superfície onde a estagnação tem lugar (que é o corpo do homem) não há muito que se assemelhe à Divindade, sob qualquer aspecto. Fixamos nossos olhos na periferia ou na parte externa do nosso ser; perdemos a Consciência de Deus, que habita em nós, sempre ativa, imutável em nosso íntimo e por isso vemo-nos doentes, fracos e infelizes. E até que aprendamos a viver no centro e conhecer que temos poder para irradiar paz desse centro, essa vida incessante e abundante, não estaremos bem e fortes.

Jesus conservava os Seus olhos longe da exterioridade, e mantinha os Seus pensamentos voltados para o íntimo do Seu ser, que era o Cristo. “Não julgueis pela aparência”, disse Ele, isto é, de acordo com o exterior, “MAS JULGAI SEGUNDO A RETA JUSTIÇA”, de acordo com a Verdade real ou do Espírito. Em Jesus Cristo, a Centelha Interior, que era Deus, a mesma que vive em cada um de nós, hoje, foi exteriorizada para se mostrar perfeitamente, sobre e acima do corpo, ou homem carnal. Ele operou todas as Suas poderosas obras não porque Lhe foi dado algum poder maior ou diferente daquele que Deus nos deu – não porque Ele era de alguma forma diferente, um Filho de Deus, e nós apenas criaturas de Deus – mas porque essa mesma Centelha Divina que o Pai implantou em cada nascituro, fora bafejada numa flama resplandecente, pelas Suas influências pré-natais, primeiras ambiências e pelos Seus esforços posteriores em manter-Se em constante e consciente comunhão com o Pai, a Fonte de todo o amor, vida e poder.

Ser tentado não significa que as coisas lhe advenham e que embora possam afetar os outros em muito, não lhe afetem de nenhum modo, por causa de alguma superioridade sua. Significa ser experimentado, sofrer e ter que fazer esforço para resistir. Paulo refere-se a Jesus como “alguém tentado em todas as coisas à nossa semelhança”. E o próprio Jesus confessou haver sido tentado quando disse aos seus discípulos: – “Vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas tentações” (Lc. 22: 26). A humanidade do Nazareno “sofreu tentação” ou experiência, do mesmo modo que você ou eu sofremos hoje, por causa das tentações ou sofrimentos e por igual maneira.

Sabemos que, durante o Seu ministério público Jesus dedicou horas, em cada dia, a sós com Deus; e nenhum de nós sabe o que Ele passou nos anos de Sua pré-maturidade – como você e eu estamos fazendo hoje – superando o mortal, os Seus desejos carnais, as Suas dúvidas e medos, até que atingiu o perfeito conhecimento dessa íntima Presença, esse “Pai em mim”, ao qual Ele atribuiu a autoria de todos os seus maravilhosos feitos; Ele teve que aprender como temos de aprender, Ele teve de se manter firme como nós o temos de fazer hoje; Ele teve de tentar muitas e muitas vezes, como nós o temos, ou então Ele não foi “tentado em todas as coisas à nossa semelhança”.

Continua..>


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