Dárcio
Se você for visitar um amigo e ele estiver em seu quarto, você além de vê-lo na cama também verá o seu quarto. Suponha que você o deixe e que, uma hora depois, retorne à casa dele e quem o atende lhe diga que ele está dormindo. Você diz desejar apenas ir novamente ao quarto para retirar um objeto ali esquecido por você na primeira ida; assim, sem fazer barulho, você entra e o vê dormindo e se debatendo por estar sonhando. Para você, o quarto continua sendo visto, e o seu amigo também; já para ele, a visão será outra! O quarto lhe terá sumido, e você, que antes ele via, não estará mais sendo visto, enquanto o sonho, para ele, é encarado como a sua realidade daquele momento. Se em seu sonho ele estiver sofrendo, por se achar doente, e, naquele instante, você esbarrar em sua cama e o acordar, para onde teria ido parar a “doença” dele? Você o curou ou você o acordou do sonho?
O praticista da chamada “cura espiritual” não é médico, que olha a doença e se empenha em dar fim a ela! O praticista faz o que chamamos de “autotratamento”, que é uma forma de se dizer que ele mesmo, primeiramente, é quem deve estar “sem sonho”, para ver que alguém “sonhando” não tem doença alguma, não necessita ser curado, mas que deve apenas ser “acordado”. O nosso Reino NÃO É DESTE MUNDO, disse Jesus. Estava revelando que o “sonho coletivo” não é realidade, e que “acordar” significa cada um já se ver em Deus, no Reino de Deus, e sendo Deus! Aquele que tentar curar a própria doença ou a de outro, estará no mesmo pesadelo ilusório! Primeiro, ele terá de estar convicto de sua presença na Realidade perfeita, desacreditando de tudo que seja “além de Deus” existindo! Depois, sim, ele poderá acordar seu amigo, vendo-o se debater mas sem ver o que ilusoriamente o faz se debater! Se o sonhador se vir sofrendo por causa de um braço machucado, por exemplo, o praticista o verá com o braço perfeito e não participará do seu sonho, que argumenta ser real aquela dor ou situação. As chamadas “meditações de cura” requerem a dedicação que nos traga esta convicção. Os princípios precisam ser treinados e praticados e, isto sendo feito, eles mesmos nos provarão serem verdadeiros. Comece por ver com clareza a diferença entre “despertar” e “curar”; assim, saberá com nitidez qual é o seu objetivo, quando estiver meditando: jamais será para aliviar você mesmo, ou alguém, de algum suposto sofrimento, mas, será um “esbarrar na cama”, um “despertar do sonho”, uma atividade consciente que revela o verdadeiro Eu do homem, desde sempre perfeito, pleno e glorioso, por ser o próprio Deus em expressão individual.