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O EFEITO DO MEDO E DA IRA SOBRE
O ORGANISMO HUMANO
MASAHARU TANIGUCHI
Quando o sangue com quantidade excessiva de adrenalina chega à musculatura do estômago, este perde o tono e a sua capacidade de contração diminui consideravelmente, resultando em atonia gástrica, gastroptose, etc., doenças para as quais os tratamentos médicos não são muito eficazes. Geralmente, estas doenças têm como verdadeira causa a ansiedade, as preocupações e os temores acumulados na mente. Esse estado mental crônico provoca a secreção excessiva de adrenalina, e isso, por sua vez, causa o “afrouxamento” dos músculos do estômago, reduzindo-lhes a capacidade de contração. Certo médico realizou experiências com animais, e constatou o seguinte: extraindo uma parte do estômago de um cão, por exemplo, e colocando-o dentro de um recipiente contendo sangue “normal”, esse pedaço de estômago permanece, durante algum tempo, vivo e ativo. Mas colocando-o num recipiente contendo sangue de animal enfurecido – sangue com a quantidade de adrenalina aumentada – ele se distende e deixa de manifestar atividade. Vemos, pois, como são nocivos os sentimentos de medo e ira. O medo e a ira provocam a secreção excessiva de adrenalina; e quando o sangue com elevada quantidade de adrenalina chega ao estômago, este se distende e perde a atividade. Em outras palavras, o estômago passa a apresentar distúrbios tais como a atonia gástrica, a gastroptose etc. Quando o estômago fica inativo, ele não necessita de grande quantidade de sangue. O sangue excessivo, então, precisa ser enviado para outras partes: concentrando-se na cabeça, torna a pessoa bastante agressiva; fluindo para o coração, acelera a pulsação; e, no fígado, transforma em glicose o glicogênio ali armazenado e a envia ao sangue; aumentando o nível de açúcar no sangue, aumenta o “combustível” para ativar os músculos, e, assim, os músculos ficam tensos e prontos para reagir. Nos momentos de grande pavor ou fúria, ocorre esta alteração na secreção de adrenalina, e o nosso organismo concentra todas as energias no “preparativo” para reagir contra o agressor. No caso de reação, o excesso de açúcar no sangue é “queimado” no momento do reagir. Agora vejamos o que acontece nos casos de pequenos medos e pequenas raivas: ninguém, em sã consciência, reage violentamente contra o outro, movido por um pequeno medo ou uma pequena raiva; portanto, nesses casos, o excesso de açúcar no sangue não é eliminado. Quando uma pessoa vai acumulando dentro de si os pequenos medos e raivas, a quantidade de açúcar em seu sangue vai aumentando de modo crônico, até chegar ao ponto em que se torna necessário expelir, de alguma forma, o excesso de açúcar. Então, essa pessoa passa a sofrer de diabete, que e é uma doença muito difícil de se curar. O diabético tem de tomar injeção de insulina, seguir uma dieta rigorosa; o médico lhe proíbe todo alimento que contenha amido ou açúcar. Em virtude disso, o paciente que ficou diabético por causa do acúmulo de pequenos medos em sua mente, passa a ter medo também da doença e dos alimentos. E enquanto houver medo em sua mente, ele não ficará curado, por mais que obedeça à dieta. Como a secreção interna de seu corpo continua alterada, a quantidade de açúcar em seu sangue continua excessiva; e mesmo ingerindo alimentos comuns em pequena quantidade, logo apresentará glicosúria. Desse modo, ele nunca fica completamente curado.
Para se curar completamente do diabete, é imprescindível “curar a mente”, ou seja, modificar a atitude mental. Na Seicho-No-Ie há muitas pessoas que se curaram facilmente de diabete. Se o paciente mudar a sua atitude mental, ele ficará curado, mesmo que não faça dieta rigorosa. Mas a questão é: como mudar a atitude mental? Quando o medo ou o rancor se assomam em nossa mente, é muito difícil dominá-los. Não é fácil controlar a nossa mente apenas com nossos próprios esforços. A Seicho-No-Ie utiliza um meio muito simples de solucionar os conflitos íntimos.