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A RELAÇÃO ENTRE A SEICHO-NO-IE
E A MEDICINA
A medicina atual está voltada à pesquisa das “condições oportunas”, ao passo que nós pesquisamos o lado das “causas”. Na coleção citada há explicações detalhadas de como determinadas atitudes mentais formam “causas” que, acumuladas, acabam por se manifestar sob a forma de certas doenças. Eliminando-se a “causa” respectiva, desaparece a doença. Como já disse, a atitude mental errônea é a “causa” das doença. Porém, da mesma forma que o acúmulo do vapor de água, que é a “causa”, na atmosfera não resulta em precipitação de chuva enquanto não houver uma “condição oportuna” como, por exemplo, a presença de ar frio, os pensamentos errôneos acumulados na mente também não se manifestam sob a forma de doença enquanto não surgir uma “condição oportuna”. Os médicos procuram eliminar as “condições oportunas” que fazem surgir as doenças, dando-nos conselhos tais como: “Não se exponha ao vento frio, para não apanhar um resfriado…”, “Evite contato com os tuberculosos” etc. Sendo esse o papel do médico, cumpre a ele evitar a concretização do “efeito” que é a doença – eliminando a “condição oportuna” que, quando presente, faz a “causa” produzir o “efeito”. Porém, as religiões, os disciplinamentos e aprimoramentos morais cuidam do aspecto da mente e ensinam que o acumular das “causas”, no caso de estas entrarem em contato com as “condições oportunas”, se manifestarão como infelicidade, catástrofe ou doença. O vapor de água, sozinho, não resulta em chuva; é da ação conjunta do vapor de água e do ar frio – “causa” e “condição oportuna” – que resulta a chuva. Da mesma forma, a doença, a infelicidade e a catástrofe ocorrem como consequência da ação conjunta das “causas” acumuladas na mente e das “condições oportunas”. Portanto, eliminando-se uma ou outra, a doença desaparece.
Se com a eliminação de uma delas, a doença desaparece, devemo-nos sentir gratos pelos esforços da medicina que, pesquisando a “oportunidade” que faz eclodir a doença, procura eliminar essa “oportunidade”. Entretanto, o que veio sendo até agora pensado pela medicina como a causa primeira da doença nada mais é que um fator coadjuvante da doença. Se o vento frio fosse a causa primeira do resfriado, todas as pessoas que se expusessem ao vento frio deveriam necessariamente ficar resfriadas. Mas, nem sempre acabam resfriadas as pessoas que se expõem ao vento frio. Por quê? Porque o vento frio é apenas o fator desencadeante do resfriado, e não a causa primeira. Se o bacilo de Koch fosse a verdadeira causa da tuberculose, todas as pessoas que mantivessem algum contato com esse bacilo deveriam contrair essa doença, infalivelmente; mas nem sempre ocorre o contágio. Por quê? Porque o bacilo de Koch não é a causa primeira da tuberculose.
“Então, qual é a causa primeira?” – perguntará o leitor. A verdadeira causa está na “mente”. Quando uma pessoa que alberga tal “mente” entra em contato com a “condição oportuna”, constituída pelo bacilo da tuberculose, faz eclodir a referida doença no mundo das formas. Por isso, desde que exista a “causa” alojada no mundo da mente, a qualquer momento ela poderá entrar em contato com a “condição oportuna” e produzir o “efeito”. Este mundo está sujeito a uma infinidade de acontecimentos, e nós, que nele vivemos, deparamos com toda a sorte de fatores que constituem as “condições oportunas”. Assim sendo, se houver em nossa mente a “causa”, será inevitável que esta deixe de produzir o “efeito”, ao entrar em contato com a “condição oportuna”. Por mais que cuidemos de nossa higiene, por mais que tomemos fortificantes e vitaminas, não estamos totalmente livres de entrar em contato com as “condições oportunas” provocadoras das doenças. Eis por que a Seicho-No-Ie exorta as pessoas para que façam o possível para não criar no mundo da mente as “causas” provocadoras das doenças, e, destruir as que tenham sido criadas.
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