Marvin J. Charwat
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Certamente, há coisas que nos fazem felizes e que são normais, apropriadas e expressam algo do cuidado de Deus por Sua criação, como, por exemplo, um bom emprego que traz satisfação, um local adequado para viver ou amigos queridos.
Mas, à medida que progredimos em nossa compreensão espiritual de Deus, começamos gradualmente a deixar de buscar em pessoas, lugares e coisas a razão para a nossa felicidade, buscando-a em nosso Criador, a fonte da verdadeira e permanente alegria e satisfação.
Estaremos discriminados por não termos alcançado um certo objetivo? Será necessário que ele se concretize para ficarmos felizes? Então, talvez precisemos adquirir um melhor conceito da alegria que já pertence ao homem como semelhança de Deus. A nossa alegria, no momento, deve ser natural e contínua.
As circunstâncias não nos podem dar satisfação permanente, pois estão sujeitas a mudanças, por vezes bruscas – agradáveis agora e desagradáveis daqui a pouco. Elas estão baseadas na avaliação da mente humana mortal, que as considera boas e agradáveis ou más e desagradáveis. Mas a única fonte genuína e permanente do pensamento é a Mente divina, Deus, o Amor perfeito.
Em última análise, a verdadeira felicidade está baseada numa compreensão espiritual de sermos inseparáveis do Amor divino. À medida que espiritualizamos nosso pensamento através da oração, de um estudo profundo da mensagem inspirada da Bíblia, de uma compreensão crescente do livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de autoria da Sra. Eddy, e de uma crescente expressão de pureza e amor, cultivamos esta compreensão e nossa vida é regenerada. Buscar a Deus em primeiro lugar, fazê-lo nossa primeira opção, torna-se nosso primeiro desejo e objetivo na vida. Lentamente, mas com segurança, abandonamos o sentido limitado e deprimente de que o bem tem sua origem nas pessoas, lugares ou coisas. Em vez disso, apercebemo-nos de que, como reflexo de Deus, incluímos todo o bem e que Deus é a sua fonte. Então, uma vez abandonada a visão limitada e materialista, tudo o que é normal e correto começa a aparecer. Cristo Jesus disse-o de modo sucinto:
“Buscai, pois, em primeiro lugar, o Reino e sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.Apesar disso, o pensamento materialista declara o oposto. Ele diz:
“Preciso de algo ou de alguém para me fazer feliz ou, pelo menos, satisfeito. Talvez eu possa sair dessa profunda depressão, tomando drogas ou bebendo. Talvez eu precise de prazeres sensoriais ou de um grande divertimento. Pelo menos isso pode servir como alívio temporário para a minha depressão”.No entanto, permanece o fato de que a felicidade tem uma fonte divina. Como a Sra. Eddy diz em Ciência e Saúde: “A felicidade é espiritual, nascida da Verdade e do Amor. Não é egoísta; por isso, não pode existir sozinha, mas exige que toda a humanidade dela compartilhe”.
Sim, a felicidade é uma qualidade da Verdade e do Amor. E quando expressa num viver cristão e cheio de amor, ela brilha com alegria e aumenta dentro de nós. Ela satisfaz nossa necessidade e a do nosso próximo na proporção em que a expressamos. Ela satisfaz, em certa medida, a necessidade do próprio mundo, porque sua origem é a própria fonte luminosa e rejuvenescente da Vida divina!
Essa maravilhosa qualidade espiritual torna-se mais natural para nós à medida que percebemos que ela é inerente à nossa própria individualidade que faz parte da nossa herança divina. Podemos perceber assim que é da vontade de Deus que nós expressemos alegria.
E que dizer da depressão? Não será ela realmente o resultado de não nos sentirmos amados? Isso pode parecer muito legítimo, mas não é um sentimento que vem de Deus, pois Ele está sempre a amar-nos, envolvendo-nos na Sua amorosa e terna totalidade. Então, se queremos sentir-nos amados e despir o manto preto da depressão, podemos fazê-lo. Como? Voltando-nos para o Amor divino em oração, permitindo que os pensamentos amorosos de Deus encham nossa consciência com sua luz e poder vitalizantes.
Mas, uma vez cheio nosso “celeiro” mental”, não podemos deixar que o “cereal” estrague. Temos de partilhar o amor espiritual que sentimos, expressá-lo a outros na forma de interesse pelo seu bem-estar, num sorriso, numa palavra simpática ou numa boa ação. E, acima de tudo, podemos vê-los como filhos de Deus – espirituais, completos, inteligentes e amados. Podemos saber que eles não são, na verdade, personalidades físicas sujeitas aos altos e baixos das circunstâncias, mas descendentes incorpóreos da única Mente amorosa, divina e imortal. Essa correta perspectiva é cristãmente científica e traz cura.