Encontro Consigo Mesmo-26

ENCONTRO
CONSIGO MESMO
Dárcio
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PARTE XXVI
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O conjunto de informações e princípios que o estudo da Verdade propicia dá-nos as diretrizes para encararmos a Realidade em contraste com o “mundo das aparências”. Tanto as aparências boas quanto as más são ilusórias; porém, como são as “más” que nos incomodam, são as que mais nos chamam a atenção. Se nos fosse fácil encarar as “aparências ruins” como meros pesadelos, falsidades temporais que, como nevoeiro, nublam a visão da perfeição que “sempre é”, não haveria a necessidade deste estudo! Entretanto, ele parte destes princípios: Deus é Tudo, e as “aparências”, boas e más, são todas ilusórias.

Jesus levava muito em conta as revelações de Isaías. Nelas encontramos a Verdade de que cada um deve “ir a Mim”, que, como já vimos, significa cada um se volver unicamente a Deus que constitui o seu próprio “Eu Sou”. No versículo 33: 15, de Isaías, inicia-se a seguinte revelação:

“O que anda em justiça e fala com retidão; o que arremessa para longe de si o ganho de opressões; o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal. Este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado, as suas águas lhe serão certas. Os teus olhos verão o Rei na sua formosura e verão a terra que está longe. O teu coração considerará em assombro, dizendo: Onde o escrivão? Onde o pagador? Onde o que conta as torres? Não verás mais aquele povo cruel, povo de fala tão profunda, que não se pode perceber, e de língua tão estranha, que não se pode entender. Olha para Sião, a cidade das nossas solenidades, os teus olhos verão a Jerusalém, habitação quieta, tenda que não será derrubada, cujas estacas nunca serão arrancadas, e das suas cordas nenhuma se quebrará. Mas o Senhor ali nos será grandioso, lugar de rios e correntes largas; barco nenhum de remo passará por eles, nem navio grande navegará por eles. Porque o Senhor é o nosso Juiz; o Senhor é o nosso Legislador; o Senhor é o nosso Rei; ele nos salvará. As tuas cordas estão frouxas; não puderam ter firme o seu mastro, e vela não estenderam; então a presa de abundantes despojos se repartirá; e até os coxos roubarão a presa. E morador nenhum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolvido da sua iniquidade”.

Revelação não é profecia, no sentido de que “algo esteja para acontecer”. A Revelação diz o que “já É”, motivando-nos a deixar de lado o suposto “mundo de aparências”, que “não É”, e discernir a Verdade permanente. Isaías fala da Verdade eterna, subjacente às aparências! O “Rei” é o “Cristo em todos”, a presença do Pai individualizado como cada um de nós. O trecho explica que, para vermos “o Rei na sua formosura”, necessariamente teremos de “fechar os olhos para não ver o mal”. Quantos não vemos, iludidos pela falsa solidariedade, chorando e lamentando supostos “acontecimentos trágicos” do ilusório “mundo das aparências”! Entretanto, a verdadeira solidariedade está em “permanecermos em MIM”, em reconhecermos a Onipresença do Amor divino oniativo, para, de fato, prestarmos o verdadeiro auxílio que é “estarmos erguidos às Alturas da Realidade, para atrairmos todos “a Mim”. A solidariedade relativa, que se constitui da suposta ajuda material, pode e deve ser praticada; porém, sem que nós também acreditemos nestas aparências como se fossem, de fato, realidades! Caso contrário, a Verdade estaria sendo negada, e a “ilusão” sendo endossada! Jesus distribuiu “pães e peixes”, quando assim julgou ser necessário; entretanto, àqueles que o seguiam na expectativa de assim serem continuamente nutridos, ele repreendeu com severidade! O “Pão da Vida” é o que deve ser buscado, e não  “sombras” nesta “aparência de mundo”.

Logo que conheci estes ensinamentos, uma pessoa da família, que morava no interior, escreveu-me falando sobre como poderia ajudar uma vizinha cujo marido bebia muito, judiava dela e aprontava escândalos na casa, sempre que voltava embriagado. Como sabia que seria difícil indicar volumosa literatura metafísica àquela vizinha sofredora, veio-me à ideia preparar um “Autotratamento” bem simples, objetivo, direto, prático, e que contivesse esta Verdade. Desse modo, escrevi o seguinte:

“ (Nome da pessoa)…………..: perdoe-me por tê-lo visto como pessoa problemática! Percebo agora que a falha estava na minha maneira de vê-lo. Você é um ser espiritual perfeito! Você é a Vida de Deus, vivendo a meu lado para dar-me felicidade! Desejo-lhe, agora, toda a felicidade do mundo. Agradeço-lhe por ter-me ajudado a abrir os olhos para a verdadeira EXISTÊNCIA, que é divina, espiritual e perfeita!”

Assim que terminei de escrever,  enviei a “mentalização” para ser encaminhada à vizinha, com a recomendação de que deveria ser feita duas vezes por dia,  cada uma com a duração de 15 minutos. E expliquei também a “quimicalização”,  ou seja, que, de início, o quadro poderia parecer piorar, pela ação da Verdade sobre o erro, até ser todo ele reduzido ao “nada originário”. Após cerca de três meses, recebi a notícia de que aquele marido havia se livrado completamente do vício, e que a harmonia havia sido restabelecida naquele lar. Tempos depois, um vizinho meu, que aparentemente havia vindo me visitar para tratar de um assunto do prédio, comentou, abatido, que não sabia mais o que fazer com o caso do filho dele. O problema era o mesmo: alcoolismo. O rapaz bebia demais, perdia a noção do que fazia, andava pelos corredores e escadas do edifício em trajes menores, e, este pai vivia desolado! Então eu contei a ele sobre este caso de cura ocorrido; ele deu-me atenção com um ar de pouco interesse, e eu cheguei a pensar que ele levaria a “mentalização” somente por educação. Porém, tempos depois, ele veio dizer-me, com um semblante de profunda alegria, que havia feito como eu lhe havia dito, e que seu filho havia deixado de beber! A frase  dele que me marcou foi a seguinte: “Corri por toda parte, tentando encontrar uma solução,e ela estava bem diante de minha porta!”. Morava, na época,  no mesmo andar que eu.

Quando  soube deste segundo relato de cura, dei à mentalização o nome de “Fórmula Mágica”, e, com este título eu a publiquei mais de uma vez no boletim do Facho de Luz, que, antes da existência do site, eu costumava imprimir mensalmente e enviar às pessoas.  Quando passei a divulgar esta “Fórmula Mágica”, incluí os seguintes esclarecimentos:

“A grande dificuldade inicial, quando alguém estuda a Verdade, está em se convencer de que “o problema está na mente humana”, e não lá fora, no mundo. Para facilitar, a princípio sugerimos a preparação mental a que chamamos de “Fórmula Mágica”, em vista de a mesma ter apresentado resultados surpreendentes em casos nos quais supostamente uma pessoa “exterior” parecia constituir o problema”.

Continua..>

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