CONSIGO MESMO
DÁRCIO
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PARTE XXVIII
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Embora cada autor, escola mística ou metafísica conserve um estilo próprio de explanação da Verdade, a base de todos está realmente nos “Autotratamentos”, ou seja, em cada um corrigir a si mesmo, quanto a aceitar unicamente a Verdade e descartar o que é ilusório, seja em relação a si mesmo ou em relação ao universo. Por isso, a Natureza de Deus é reconhecida para que, por saber de sua unidade com Deus, ele saber estar conhecendo a si mesmo.
Deus é infinito e, portanto, igualmente infinita é a natureza de todos nós. Não há “intelecto” que alcance as dimensões do Absoluto, para que possa revelar “o que somos”. E, o que somos, nós JÁ SOMOS, o que faz deste assim chamado “estudo” um “aquietar intelectual”, para que “o que somos” possa ser conhecido por intuição direta ou Autorrevelação. “Aquieta-te e sabe, eu sou Deus”, diz o Salmo 46: 10, bem retratando este procedimento. É importante partirmos desse conhecimento de que “o que somos, já somos”, e que as “meditações contemplativas” são meramente expedientes para o Autoconhecimento absoluto! Nada em nós muda! Já vimos antes: “As obras de Deus são permanentes”, como registra o livro “Eclesiastes”. O que sempre muda, é a crença ilusória, mas crença ilusória é nada! A cada meditação, devemos ter em mente que “o que somos está pronto e se expressando”, e esta “expressão” é Deus sendo o nosso “Eu” individual.
Em cada “Autotratamento” que fizermos, quando com mais tempo disponível, será bom reconhecermos, passo a passo, a Natureza de Deus como Onipotente, Onipresente, Onisciente e Oniativo, a que damos o nome de “Quatro ‘O’s”. Repassemos mentalmente cada um destes aspectos da Natureza divina, intuindo o seu sentido espiritual e absoluto e, ao mesmo tempo, vendo que “ali estamos inclusos”. Reconhecer a Natureza de Deus e aceitar que “dela fazemos parte” nunca poderá ser visto como apenas “prática de iniciante” . Há autores que falam em “ alunos novos” e em “alunos avançados”. Eu nunca fui a favor do “referencial humano”, como já expliquei aqui. O “estudo” parte sempre do “Referencial da Luz”, o referencial da UNIDADE PERFEITA, revelada por Jesus, que é a Verdade atual, aqui e agora, para todos nós. Certa vez li um comentário de Allen White, onde ele dizia: “Escrevem-me pedindo “Verdades mais avançadas”, e respondo, dizendo-lhes: “Já dominaram as básicas?” Estas “básicas” são estes “Quatro ‘Os’”: Onipotência, Onipresença, Onisciência e Oniação. A crença em “estudantes novos e avançados” é perigosa e deve ser desmantelada! DEUS É TUDO! Não há, realmente, estudantes da Verdade! Por outro lado, “estudar a Verdade” é partir da TOTALIDADE DE DEUS! Os aparentes paradoxos precisam ser entendidos, ou, um suposto “ego” continuará presente e se julgando “conhecedor cada vez maior da Verdade”, o que é ILUSÃO. Disse, há pouco, que não há “intelecto” que nos possa revelar “o ser que JÁ somos”. Nunca se identifique como “estudante da Verdade”, mas sim com a Verdade! Jesus, por exemplo, nunca disse ter estudado a Verdade, mas disse: “Vim ao mundo para dar testemunho da Verdade”,… “Eu sou a Verdade”. Este “Eu Sou”, é impessoal, universal e infinito! O “Autotratamento” existe unicamente para este fim: para que reconheça e intua este “Eu Sou” , presente e manifesto aqui e agora, como o “Eu absoluto” que
VOCÊ É.A crença em estudantes iniciados ou avançados, além de nos posicionar no “referencial da ilusão”, ainda dá margem a que acreditemos no engodo chamado “estágios de consciência”. E este engodo muita vezes leva alguém à crença de que “esta parte”, ou “aquela parte” do ensinamento é destinada somente aos “novos”, uma vez que “ele”, por se julgar “veterano”, se julga capaz de dispensar muitos “ensinamentos básicos”. Entenda bem: não há “eu” que seja estudante “neófito” ou que seja “mestre”. Estas crenças são verdadeiros entraves à percepção do EU ÚNICO, que todos já somos! Todo julgamento pelas “aparências” conduz ao erro! Parta sempre de DEUS sendo TUDO! Conserve-se no “Referencial da Luz”, não se meça pelas “aparências” nem tampouco por supostos “conhecimentos intelectuais”. O “Eu”, em todos, é expressão plena da Onipotência, Onipresença, Onisciência e Oniação! Contemple esta Verdade absoluta Se expressando como o “Universo”, e, seguindo a “ordem de contemplação”, como sua “Identidade específica”, e como seu “Corpo”. Por mais que didaticamente falemos em “estudar a Verdade”, o que primeiro deve ser lembrado, é que “este mundo” é pura MIRAGEM! Portanto, não há “estágios de consciência”, não há “seres em evolução”, e não há “alunos e mestres” da Verdade: HÁ UNICAMENTE DEUS!
