O Novo Nascimento

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NOVO NASCIMENTO

Mary Baker Eddy

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São Paulo refere-se ao novo nascimento como: “a espera da adoção, a redenção do nosso corpo”. O grande Profeta Nazareno disse: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”. (Mat. 5:8) nada que não seja a espiritualização—sim, a cristianização mais elevada—de pensamento e desejo, pode dar a verdadeira percepção de Deus e da Ciência divina, que resulta em saúde, felicidade e santidade.

O novo nascimento não é obra de um momento. Começa com momentos e prossegue por anos; momentos de submissão a Deus, de confiança como a de uma criança e de prazerosa adoção do bem; momentos de auto-abnegação, auto-consagração, esperança celestial e amor espiritual.

O tempo pode dar início ao novo nascimento, mas não pode completá-lo; isto é obra da eternidade, pois o progresso é a lei da infinidade. Só por meio de dolorosa agonia da mente mortal pode a alma, como sentido, ser acalmada, e o homem despertar à Sua semelhança. Que pensamento iluminado de fé! Que os mortais podem despojar-se do “velho homem”, até descobrir-se o homem como imagem do bem infinito que denominamos Deus, e apareça a plenitude da estrutura do homem em Cristo.

No homem mortal e material, a bondade parece estar só no embrião. Através do sofrimento, por causa do pecado e do gradual desaparecimento do sentido mortal e material do homem, o pensamento desenvolve-se em um cristianismo nascente, e, alimentando-se inicialmente com o leite da Palavra, ingere as doces revelações de uma nova Vida e um novo Amor mais espirituais. Estes alimentam a ávida esperança, satisfazem em grau elevado a ânsia por imortalidade e de tal forma consolam, alegram e abençoam o homem, que exclama: Nesta minha infância, isto é uma parcela suficiente do céu que desce à terra. Porém, a medida que alcancemos a maioridade no cristianismo, descobrimos quanto falta e que ainda é necessário para tornar-nos totalmente semelhantes a Cristo, que dizemos: O Princípio do Cristianismo é infinito; ele realmente é Deus; e este Princípio infinito requer infinitas exigências do homem, exigências que são divinas, não humanas; e a habilidade do homem para satisfazê-las provém de Deus, pois, sendo sua imagem e semelhança, o homem deve refletir o pleno domínio do Espírito—e com isto a sua supremacia sobre o pecado, a doença e a morte.

Isto significa, pois, o despertar do sonho da existência da vida na matéria, a grande realidade de que DEUS É A ÚNICA VIDA; em conseqüência do que, devemos admitir um conceito mais elevado tanto de Deus como do homem. Devemos reconhecer que Deus é infinitamente mais do que uma pessoa, ou uma forma finita, possa conter; que Deus é uma divina Totalidade, é tudo, uma oni-impregnada inteligência e Amor, um divino, infinito Princípio; e que o cristianismo é uma Ciencia divina. Esta recém-despertada consciência é totalmente espiritual; emana da Alma e não do corpo, e é o novo nascimento que começa na Ciência Cristã.

Agora, querido leitor, pausemos juntos por um instante para contemplarmos seriamente esta recém-nascida alteza espiritual, pois, esta afirmação requer demonstração.

Aqui estas frente a frente com as leis do Espírito, infinito, contemplando pela primeira vez o irreversível conflito entre a carne e o Espírito. Te encontras ante as horríveis detonações do monte Sinai. Ouves e registras os estrondos da lei espiritual da Vida que se opõe a lei material da morte; a lei espiritual do Amor, que se opõe ao sentido material do amor; a lei da harmonia e do bem onipotentes, oposta a qualquer suposta lei de pecado, doença ou morte. E, antes que se tenham extinguidas as chamas neste monte da revelação, te descalças, tal como o patriarca de antanho, — pões de lado os teus impedimentos materiais, opiniões e doutrinas humanas, renuncias à tua religião mais material, com os seus rituais e suas cerimonias, livras-te da tua “matéria médica” e higiene, por serem piores do que inúteis—para sentar-te aos pés de Jesus. Nesse caso, te inclinas humildemente ante o Cristo, a idéia espiritual que o nosso grande Mestre nos trouxe do poder de Deus para curar e salvar. Então acontece que contemplas pela primeira vez o Principio divino que redime o homem da maldição do materialismo, — pecado, doença e morte. Este nascimento espiritual revela à compreensão extasiada uma concepção mais elevada e mais sagrada da supremacia do Espírito, e do homem como Sua semelhança, por meio da qual o homem reflete o poder divino para curar os enfermos.

Um nascimento material ou humano é a aparição de um mortal, não da de um homem imortal. Este nascimento é mais ou menos prolongado e doloroso, de acordo com as circunstancias oportunas ou inoportunas, segundo às condições normais ou anormais que o acompanham.

Com o nascimento espiritual, a existência primitiva, impecável e espiritual do homem desponta no pensamento humano, — através da agonia da mente mortal, de uma esperança frustrada, do perecível prazer e das se acumulando dores dos sentidos, — mediante o qual se perde o conceito de si mesmo como matéria, e se adquire um sentido mais verdadeiro do Espírito e do homem espiritual.

A purificação ou a repetido batismo pelo Espírito, desenvolve, passo a passo, a semelhança original do homem perfeito, e apaga o signo da besta. “O Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe” (Hebreus 12:6); portanto, regozije-se na tribulação e acolha com alegria estes sinais espirituais do novo nascimento sob a lei e o evangelho do Cristo, a Verdade.

As proeminentes leis que ativam o nascimento na divina ordem da Ciência, são estas: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3); e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mat. 19:19).

Traduzidos para a nova língua, ao seu sentido espiritual, estes mandamentos de infinita sabedoria significam: Amarás unicamente e Espírito, em toda a sua qualidade deifica, ainda que em substancia, e não o seu oposto; te reconhecerás unicamente como filho espiritual de Deus, e reconhecerás o verdadeiro homem e a verdadeira mulher, os todo harmoniosos “macho e fêmea”, como de origem espiritual, o reflexo de Deus, — portanto, como filhos de um mesmo Pai, — no qual e pelo qual Pai, Mãe e filho são o Princípio divino e idéia divina, sim, o divino “Nós”—um no bem e o bem em Um.

Com este reconhecimento, o homem jamais poderá separa-se do bem, Deus; e abrigará, necessariamente, um amor constante para com o seu próximo. Só quando admitimos o mal como sendo uma realidade, entrando consequentemente num estado de maus pensamentos, acreditamos poder separar o bem-estar de um homem daquele de toda a família humana e, desta forma, tentar separar a Vida de Deus. Este é o equívoco que nos causa muito arrependimento e que deve ser superado. Não saber o que nos está abençoando, mas acreditar que algo que Deus envia é injusto—ou que Ele ordena aos Seus emissários a causar-nos injustiça—está errado e é cruel. A inveja, os maus pensamentos, maledicência, a avareza, a luxúria, o ódio e a malícia sempre fazem mal, quebrarão a regra da Ciência Crista e impedirão a sua demonstração; mas a vara de Deus e a obediência exigida de Seus servidores, para levar a cabo o que Ele os ensina, jamais são inclementes, jamais imprudentes.

A tarefa de curar os doentes, é muito mais fácil do que ensinar o Princípio divino e as regras da Ciência Crista de tal forma que elevem os afetos e os motivos dos homens, para que aceitem estas regras e este Princípio e os demonstrem na vida diária. Aquele que escolheu o nome de Cristo, que virtualmente aceitou as exigências divinas da Verdade e do amor na Ciência divina, diariamente se afasta do mal; e todos os esforços iníquos de supostos demônios, jamais podem mudar o curso daquela vida que flui invariavelmente a Deus, sua fonte divina.

Porém, o mais espantoso pecado que os mortais podem cometer é usar o libre do céu para come ele cobrir a iniquidade. Eu teria mais confiança em um médico honesto que, com o seu tratamento atua de acordo com as suas declarações e seus conhecimentos, segundo o seu mais alto critério, para curar-me, do que poderia ou quereria Ter em um hipócrita lisonjeiro ou um mal-praticista mental.

Entre as forças mentais centrípetas e centrífugas de gravitações materiais e espirituais, nós entramos no ou saímos do materialismo, ou seja, do pecado, e escolhemos assim o nosso rumo e seus objetivos. Qual, então, será a nossa escolha: o pecaminoso, material e perecível, ou o espiritual, proporcionador de alegria e eterno?

O sentido espiritual da Vida e seus nobres propósitos são em si mesmo um benção que proporciona saúde e inspira regozijo. Este sentido da Vida ilumina a nossa senda com o esplendor do Amor divino; cura o homem espontaneamente, moralmente e fisicamente—exalando o aroma das palavras de Jesus: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11:28).

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