Rompendo Grilhões-6

– VI –

Já vimos a diferença entre as “nuvens” da ilustração, que surgiram entre o observador e o sol por ele observado, em dia ensolarado, e as “nuvens ilusórias”, que somente aparentam surgir e nublar a visão da Realidade divina resplandecente. Foi dito que, se na ilustração, as nuvens eram presenças, no caso real,  em que elas “aparentam existir”, tais “nuvens”  são, de fato, “ausências”, uma “ilusão”, uma vez que Deus é TUDO e, por instante algum, deixaria de ser TUDO. Esta percepção, de que a “ilusão é nada”, praticada durante as “contemplações”, é o que Goldsmith chama de “Princípio de nadificação do erro”. Ele atua juntamente com o “Princípio de impersonalização do erro”,  e o entendimento pleno desta analogia do Sol em dia nublado faz com que estes princípios possam realmente ser empregados eficazmente, deixando de apenas serem lidos teórica e intelectualmente, o que, no caso, não teriam valor algum!

Há autores absolutistas que não aceitam estes princípios,  afirmando que “não existe erro”, e, portanto, nada há para se “impersonalizar” ou “nadificar”. No meu entender, apesar de estarem eles corretos, uma vez que DEUS É REALMENTE TUDO, estes princípios somente endossam o Absoluto, pois, em instante algum dão a entender que “ilusão” não seja “ilusão”. Pelo contrário, diante da “ilusão” – e que é ilusão mesmo – eles facilitam-nos  a fazer este reconhecimento, conduzindo-nos serenamente à prática da Verdade Absoluta de que “somente existe Deus”.  É evidente que, se alguém encontra facilidade em descartar a “ilusão” sem precisar destes princípios,  não haverá razão alguma para utilizá-los.  Mas, em minha opinião, acho fundamental conhecê-los e entendê-los a fundo, principalmente quando estamos realmente decididos a resolver as questões da vida por meios espirituais.

Voltando à nossa analogia, se as “nuvens” deste mundo deixam o “dia nublado”, as “nuvens da ilusão” não têm o mesmo efeito, no que diz respeito ao “Dia Absoluto”, que é eterna e constantemente LUZ!  Nós vivemos sempre o “Dia absoluto”, invisível aos supostos sentidos humanos. Que faz “parecer” que as “nuvens da ilusão” escondam-nos a Perfeição permanente, levando-nos a crer que “imperfeições existam”?  NADA! Esta é a resposta! Por que O Caminho Infinito diz para jamais levarmos às meditações nomes de pessoas, de supostas doenças ou de problemas?  Porque seria “arrastar nuvens inexistentes” à nossa percepção, enquanto o que deveríamos fazer seria “contemplar”  a presença de DEUS sendo o Eu que somos, o Eu que o suposto “outro” igualmente é, e o que existe” entre os dois – que na verdade são um – como temos  visto aqui. Em outras palavras,  deveríamos contemplar a ONIPRESENÇA DIVINA,  a UNIDADE , única Realidade permanente em expressão indivisível, iluminada e infinita!

Continua..>