A Quietude da Oração, A Atividade do Cristo

 

Quando eu tinha oito anos, uma amorosa vizinha ficou sabendo que nada mais poderia ser feito para aliviar a intensa dor que eu sentia, provocada por mastoidite. Ela, no entanto, fez alguma coisa. Estendeu-nos a mão. Bateu à nossa porta e perguntou à minha mãe se podia orar por mim, de acordo com os ensinamentos da Ciência Cristã. Durante a noite a inflamação dos ouvidos drenou e eu fiquei completamente curada. O Cristo havia entrado em nossa casa.

O Cristo, a Verdade, está tão ativo na consciência hoje, como estava quando João registrou a mensagem do Cristo no livro do Apocalipse: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo”.

 Com frequência lembro-me dessa carinhosa vizinha que apresentou a Ciência Cristã a uma família que, há quatro gerações, vem recebendo suas bênçãos abundantes. Admiro sua confiança no poder sanador de Deus. Mais do que tudo, porém, tenho gratidão pela oração expectante que, sem dúvida, antecedeu sua visita corajosa e abriu caminho para o coração receptivo que aguardava portas adentro.

 Quantas vezes nós também somos confrontados com o anseio clamoroso de nosso próximo, quer seja um vizinho que more em nossa rua, ou alguém que viva do outro lado do globo! Nosso coração, em silêncio, chega até lá. Queremos ajudar. No entanto, somente se vestirmos o manto do Cristo, ou seja, se vivermos as qualidades crísticas de compaixão, pureza e dedicação à espiritualidade, é que poderemos ter certeza da receptividade que abrirá a porta ao Cristo sanador.

 Sem dúvida, é verdadeira a afirmação: “Precisas ser veraz, se a verdade queres ensinar./ Teu coração tem de extravasar, se o de outrem queres tocar.”

 Como, então, podemos ser de substancial auxílio ao coração faminto que clama por ajuda? Os problemas da atualidade são de tal monta que o mero esforço humano parece desconcertantemente inadequado. Incorremos no risco de nos desgastar, sem ao menos tocar a superfície do problema.

 Podemos, no entanto, nos sentir encorajados sabendo que há, na Ciência do Cristo, uma solução prática e eficaz para cada caso. Podemos estar certos de que a resposta para todos os males da humanidade é revelada pela Mente divina.

 Por meio de nossa silenciosa comunhão com Deus, a única Mente, na doce quietude da oração que se dispõe a ouvir, o pensamento torna-se receptivo à Mente divina, ou seja, ao que é divinamente verdadeiro. Discernimos, então, a ideia espiritual de Deus, o Cristo, que demonstra a presença e o poder do bem para curar e abençoar.

 Cultivemos, portanto, a confiança na quietude eloquente da oração. Precisamos estar atentos, porém, quanto à resistência à Verdade que tenta desviar nosso rumo com um anseio de fazer alguma coisa antes mesmo de estabelecer a oração, como base de nossos atos. A Ciência Cristã prova que a mera atividade humana, por si só, não realiza necessariamente muita coisa. A autodisciplina da oração põe em prática a superioridade da metafísica e prova que o ser é domínio e autoridade expressados. Regozijemo-nos por saber que nosso inato desejo de ajudar reflete o Amor divino, que é Deus.

 Esse Amor divino cinge e abrange a todos. Com a oração feita em silêncio, o pensamento se abre e se apercebe de que a voz da Verdade cobre todo o globo e abençoa toda a humanidade. Em sua própria quietude e disposição de ouvir silenciosamente, Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, ouviu o clamor de ajuda vindo da áfrica e dos mais remotos pontos da terra e atendeu a essa necessidade com suas próprias orações e com sua ativa espiritualidade. A Sra. Eddy sabia que a Verdade sobre Deus alcança o coração receptivo com a cura, onde quer que se encontre. Ela escreveu em Retrospecção e Introspecção: “Deus está em toda parte. Por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até aos confins do mundo; e esta voz é a Verdade que destrói o erro, é o Amor que lança fora o medo.” Esse fato demonstrável está à nossa disposição para ser comprovado com alegria.

 Não deveríamos nos surpreender coma descoberta de que a oração silenciosa é eficaz. Aprendemos, na Ciência Cristã, a raciocinar a partir da realidade espiritual da totalidade de Deus. Aprendemos a aceitar a perfeição de Deus como a única causa e encontramos, assim, a consequente perfeição do reflexo de Deus, o homem e o universo.

 A oração inaudível talvez seja a coisa mais preciosa que fazemos. Essa comunhão com Deus, a única Mente, não é pensamento sonhador, nem construção de castelos no ar. É, no entanto, a compreensão consciente do fato científico sobre Deus e Sua criação espiritual.

 É encorajador saber que a oração é substantiva e eficaz. Auxilia a minorar a carência e o infortúnio humanos. A luz do Cristo projetada na consciência dissipa as trevas do desalento e do desespero. A apurada sintonia da serena comunhão com Deus traz à luz a grandiosa harmonia do Amor.

 A oração e o amor que dedicamos a nosso próximo são, portanto, ativos e específicos: nossa oração expressa-se em atos, tal como nossos atos devem ser, inevitavelmente, o resultado da oração. A Sra. Eddy escreve em “Miscellaneous Writings”: “O Amor não pode ser mera abstração, nem é bondade em atividade e poder. Como qualidade humana, o glorioso significado do afeto inclui mais do que palavras: é o terno e abnegado gesto feito secretamente; é a oração silenciosa e incessante; é o coração abnegado, que transborda; é um vulto velado que desliza em segredo numa missão humanitária e sai sem se deixar ver; são os pequeninos pés saltitantes na calçada; é a terna mão que abre a porta diante da carência e do desespero, da doença e do pesar, iluminando assim os lugares tenebrosos da terra.”

 Sim, a oração do Amor envolve atividade. O Amor alcança e inclui a todos. E essa é a atividade do Cristo, que dá provas de que a Mente divina está aqui e em todo lugar.

 A onipresença da Mente divina não necessita de fios ou de eletricidade para comunicar-se. Todo coração receptivo ouve sua mensagem. O bem está fluindo constantemente, a partir de sua fonte divina, porque o bem está sempre presente e é imediato.

 A comunicação espontânea pelo rádio e pela televisão dá um vislumbre da presença imediata da Mente divina. Nossa oração silente auxilia a assegurar que os meios de comunicação sejam usados para o bem e que os pensamentos materialistas não manipulem o pensamento desavisado. A qualidade dos meios de comunicação deve ser uma preocupação de todas as pessoas de bom senso, principalmente do metafísico que dá valor ao poder da quietude espiritual. Quão importante é reprimir a desinformação, sob a forma de informações enganosas, falsa educação ou mero sensacionalismo. Todas as pessoas, em qualquer parte do mundo, têm o direito de saber a verdade sobre Deus e o homem e de se libertar da ignorância.

 Cada um de nós pode exercer papel importante nos acontecimentos palpitantes que estão ocorrendo no mundo. Nossas orações e nossas obras sempre coincidem em atividade produtiva. Podemos ajudar a abrir a porta do pensamento do Cristo sanador.

 Nossa oração de afirmação desafia a resistência, seja sob a forma de indiferença ingênua ou ódio declarado à Verdade. A compreensão da unidade e da totalidade da Mente divina protege nosso direito divino de usar nosso próprio raciocínio.

 O homem real, o filho de Deus, possui inteligência e habilidade inatas para usar sua compreensão, sua receptividade ao bem, divinamente outorgada. Nenhuma forma de sugestão sutil pode privá-lo dessa capacidade.

 Os metafísicos que compreendem as verdades sobre a Ciência Cristã são de vital importância. Eles conhecem o poder da espiritualidade. Sabem que a semente da Verdade, inerente a cada coração, tem potencial para propagar-se. Cada um de nós possui o inestimável privilégio de gozar de liberdade e de ter o senso de oportunidade.

 Não se trata, portanto, de admitir que aqueles que têm alguma coisa dão ou partilham a imensa bondade de Deus com os que não têm. Trata-se, isso sim, da tranquila compreensão de que o sagrado plano da bondade divina infinita está sendo revelado para que todos o percebam e reconheçam.

 A essência da questão é que o cicio tranquilo e suave da Verdade está cobrindo toda a terra. Apercebemo-nos dessa evidência pela oração. Com regozijo oramos pela serenidade que ouve a Mente divina. Deixamos que a oração faça esse trabalho sagrado. O que pode ser mais glorioso do que a alegria de estender a mão a nosso próximo por meio da quietude da oração silenciosa?

 

(De O Arauto da Ciência Cristã – agosto 91)

A Missão Sanadora da Verdade

Como praticistas da Ciência Cristã, que fazer para curar com mais eficácia a nós mesmos, as pessoas de nossa família, nossos amigos e todas as pessoas que nos pedem ajuda? As respostas a essa pergunta encontram-se nos livros-texto da Ciência Cristã: a Bíblia e Ciência e Saúde, de autoria da Sra. Eddy. Esses livros fornecem as regras que nos capacitam a pôr em prática a missão sanadora da Verdade.

A obediência aos Dez Mandamentos e ao Sermão do Monte, proferido por Cristo Jesus, é fundamental para a cura na Ciência Cristã. Jesus também falou de um Consolador que viria para nos ensinar a seguir o Cristo de forma mais completa. A esse Consolador a Sra. Eddy denominou Ciência do Cristianismo, ou Ciência Divina. Essa Ciência é a Ciência de Deus, do homem e do Cristo. A Sra. Eddy recebeu a Ciência Divina de Deus e através das Escrituras. Ela a praticou, comprovou e explicou em Ciência e Saúde. Essas leis de Deus nos ensinam a viver para Deus, a conviver com nosso semelhante como filhos de Deus e amenizar o sofrimento da humanidade.

Para fortalecer nossa missão de cura devemos começar compreendendo o que Deus é. Nossos livros-texto revelam Deus como único, infinito e tudo. A Sra.Eddy nos fornece vários sinônimos para Deus, que nos ajudam a compreender Sua natureza. Entre eles temos Princípio, Mente, Espírito. Verdade e Amor. A Ciência de Deus mostra-nos que o Amor divino inspira e apoia nossas demonstrações da missão sanadora da Verdade, tal como fez com Cristo Jesus e seus seguidores ao longo dos séculos.

Também fortalecemos a nós mesmos e à nossa missão de cura, quando compreendemos o que é o homem. As Escrituras e Ciência e Saúde revelam que o homem perfeito, criado por Deus, ou seja, nossa verdadeira identidade, é feito à imagem e semelhança do Espírito perfeito. A Ciência do homem prova que a ideia de Deus, o homem, é o reflexo de Deus, genuinamente espiritual, santo e semelhante a Deus.

Para aperfeiçoar a prática da cura também precisamos compreender o que vem a ser o Cristo. Nossos livros-texto ensinam que o Cristo é a mensagem eterna da Verdade que nos é enviada por Deus, que desperta o pensamento humano para o que Deus é – a Mente única, o Espírito infinito. A Ciência do Cristo faz com que percebamos a nossa santidade, saúde e imortalidade, qualidades que têm origem em Deus e por Ele são mantidas. Esta compreensão, moldada pelo Cristo, cura.

O Cristo também ajuda o praticista a discernir e a negar o que Deus, a Verdade, não é. Portanto, o fortalecimento da missão de cura também requer que compreendamos “aquilo que não é”, ou seja, “aquilo que não existe”. E o que é “que não existe”? O erro, a ausência da Verdade. É o que não está ocorrendo na realidade espiritual. O erro é basicamente um desvio da exatidão e daquilo que é correto: é o pecado. Ciência e Saúde explica que por trás de todo pecado está a crença falsa de que a matéria tem inteligência, substância ou vida. O erro é trazido à tona e destruído de forma científica pelo Cristo, a Verdade.

 Em primeiro lugar, o praticista põe a descoberto e destrói, em seu próprio pensamento e em seu viver diário, as crenças “daquilo que não é”. O praticista, por assim dizer, limpa continuamente seu terreno mental ao analisar e purificar seu pensamento e comportamento, fazendo um autoexame diário e mantendo o pensamento voltado àquilo que é espiritual. Algumas das crenças sutis relacionadas com “aquilo que não é”, e a respeito das quais o praticista deve estar atento, são: medo ou timidez, prática desonesta ou antiética, falta de fidelidade ou consagração, além de tentações como orgulho, paixão ou sentido pessoal.

Detectamos e destruímos em nossos pensamentos e em nossa vida “aquilo que não é”, e para isso nos dedicamos ao estudo da Bíblia e das obras da sra. Eddy, à comunhão silenciosa com Deus e ao crescimento espiritual. Então o erro é discernido e destruído pelo Cristo, a Verdade, com maior facilidade e rapidez também em nossa prática pública. Cristo Jesus disse: “Tira primeiro a trave do teu olho e então verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mateus 7:5).

De que forma “aquilo que não é” se apresenta em nosso trabalho de cura? O erro pode manifestar-se como uma crença de medo, ignorância, PECADO, DOENÇA E ATÉ DE MORTE. A LUZ DA Verdade, no entanto, penetra e dispensa a névoa do pensamento, para que possamos ver a Deus perfeito, assim como Sua ideia perfeita, o homem espiritual e livre de pecado. A luz do Cristo revela que “aquilo que não é”, ou seja, o erro ou matéria, em realidade não é nada, porque aquilo que é – a Verdade, o Espírito – é Tudo-em-tudo. A compreensão da totalidade da Verdade e da nulidade do erro resulta em cura.

Deus, a Verdade todo-inteligente, não tem conhecimento “daquilo que não é”. Deus compreende apenas aquilo que fica acima do sentido material. Ele conhece somente aquilo que é espiritual. Por sua vez, o homem real, que reflete a Verdade imortal, também não é afetado por nenhum falso senso material. Portanto, quando detectamos o erro em nosso trabalho de cura, é importante que compreendamos a nulidade dessa falsa crença. O Cristo traz o erro à tona e o elimina, sabendo que se trata de uma mentira, aquilo que não está ocorrendo; e o substitui com a Verdade daquilo que está ocorrendo – a bondade de Deus.

A importância dessa atitude é destacada em Ciência e Saúde: “Põe o erro a descoberto, e ele volta a mentira contra ti. Até que apareça a verdade acerca do erro – ou seja, sua nulidade – a exigência moral não será cumprida,e tua habilidade para reduzir o erro a nada será insuficiente. Deveríamos envergonhar-nos de chamar real àquilo que não passa de engano. Os fundamentos do mal assentam, numa crença em alguma coisa separada de Deus. Essa crença tende a sustentar dois poderes opostos, em vez de insistir unicamente nas reivindicações da Verdade. O engano de pensar que o erro possa ser real, quando é meramente a ausência da verdade, leva-nos a crer na superioridade do erro.”

A “crença na superioridade do erro” pretende impedir que demonstremos a missão sanadora da Verdade. “Aquilo que não é” não vem a ser alguma coisa real, exterior ao pensamento mortal. O Cristo detecta todos os métodos secretos ou ocultos do erro que reside no pensamento mortal e mostra que o erro não passa de uma falsa crença subjetiva. O Cristo expulsa de nosso pensamento “aquilo que não é”, quando conhecemos a nós mesmos e pomos em prática a honestidade, a humildade, o amor, o arrependimento, a regeneração e a compreensão do que é verdadeiro e bom – Deus e Sua ideia. A compreensão e a demonstração da totalidade do Amor desvendam e destroem o erro. Além disso, cada cura que obtemos e cada passo de crescimento que damos preparam nosso caminho para demonstrações mais amplas da missão sanadora da Verdade.

Há situações que envolvem a família, o trabalho, a igreja, ou o governo, em que às vezes é preciso pôr a descoberto algo errado e corrigi-lo. Que fazer nesses casos? A sabedoria instruiu Moisés a pegar a serpente. Jesus, por sua vez, teve a coragem de odiar a iniqüidade. Também nós adquirimos sabedoria divina e coragem moral quando nossos pensamentos e ações estão em sintonia com a Mente de Cristo. O Cristo poderá nos orientar para que falemos a Palavra de Deus com mansidão ou com energia, para pôr a descoberto o que está errado.

“Aquilo que não é” pode apresentar-se de forma sutil ou agressiva. Nossos livros-texto, no entanto, nos ensinam que um engano precisa ser trazido à luz no abstrato – sem referência a pessoas, lugares ou coisas, como numa parábola; ou então, de forma direta – com franqueza, honestidade e sinceridade; ou de forma enérgica, ou seja, com força, energia e poder espirituais; mas sempre sob o impulso do Amor divino. Em todos os casos, porém, precisamos deixar de acreditar no erro, precisamos desarmá-lo e destruí-lo com a compreensão da Verdade, provando que o mal se vence com o bem.

Por outro lado, será que existem ocasiões em que seria mais aconselhável não apontar um erro? Sim. Por exemplo, no caso de alguém que porventura possa reagir de forma violenta contra si mesmo ou contra outrem. Também não nos sentiremos inclinados a trazer um erro à tona enquanto ele parecer real para nós. Em alguns casos a sabedoria divina talvez leve o praticista a manter silêncio e deixar que a crença “daquilo que não é” se destrua a si mesma. Houve momentos em que Jesus permaneceu em silêncio, permitindo que a mensagem sanadora do cristo falasse por si mesma. Se o praticista deve ou não apontar o erro de forma audível, será determinado por uma honesta demonstração da Verdade e do Amor. É evidente que o praticista estará sempre afirmando a verdade, mesmo que não a expresse de viva voz. A palavra de Deus somente pode ser expressa com autoridade, quando for proferida com base na sabedoria, compreensão espiritual e na demonstração. Um praticista tem o poder de dar voz à Verdade divina de forma eficaz na prática, quando ele compreende o que Deus sabe e quando demonstra a Verdade em sua própria vida. É então que a voz do Cristo se faz ouvir.

O que cura não é o que se sabe de uma pessoa ou de um problema, sob o ponto de vista humano, mas o que se compreende da totalidade de Deus e da perfeição do homem como Sua ideia. Quando a Verdade divina inunda o pensamento do praticista com o amor e a bondade da criação espiritual e pura de Deus, o erro inevitavelmente cede. O importante é não aceitar essa crença, não temer e tampouco lutar contra “aquilo que não é”, como se fosse uma realidade. Quando tranquila e firmemente substituímos o erro pela realidade da perfeição de Deus, a lei da Verdade desmascara o erro como sendo o nada e o destrói.

A história bíblica da cura de uma mulher que tinha uma hemorragia ilustra a ação da Ciência da cura cristã. Depois de sofrer doze anos e de haver despendido todos os seus recursos com os médicos de sua época, essa mulher procurou com toda a sua fé tocar Cristo Jesus em busca de cura.

A Sra. Eddy escreve esse incidente: “Quando Jesus voltou-se e perguntou “Quem me tocou? Ele deve ter sentido a influência do pensamento da mulher; pois está escrito que ele reconheceu que dele saiu poder. Sua consciência pura discernira o que havia acontecido e proferiu o veredicto infalível; no entanto, ele não aceitou o erro da mulher por afinidade nem por enfermidade, pois ele o detectou e destruiu.” Jesus atendeu à exigência da Verdade e deixou que o Cristo detectasse “aquilo que não é” e o destruísse. A consciência do Cristo, que Jesus expressava, sabia que Deus é a única perfeita e o Princípio da Perfeição que a tudo governa. Jesus não associou o erro à mulher nem a si mesmo, pois a lei do Amor na destruição do erro manda que despersonalizemos o erro, considerando-o nada e ninguém, ao mesmo tempo que destruímos o pecado. A mulher foi curada.

Nosso Mestre mostrou-nos, e Ciência e Saúde nos explica, como deixar que o Cristo, a Verdade, detecte e destrua “aquilo que não é”, para que aquilo que é – a bondade e a harmonia espirituais – brilhe para todos. Mesmo que estejamos apenas iniciando na prática da Ciência Cristã, podemos discernir e expressar a sabedoria, a verdade e o amor de Deus, que fortalecem e protegem nossa demonstração da missão sanadora da Verdade.

 

(Extraído de O Arauto da Ciência Cristã – Dezembro 1994)

Uma Solução Duradoura…

Ao longo dos anos, aprendi duas coisas importantes sobre a solidão: 1) que estar com pessoas não é a solução e 2) que ser forte e independente sozinho, também não resolve o problema.

A única solução é alcançar um senso sólido e profundo de que vivemos no universo de Deus, somos acalentados pelo Amor divino e mantidos em relacionamentos harmoniosos com os outros.

Quando Deus deu domínio à Sua criação “sobre toda a terra”, não foi apenas sobre forças físicas, doenças ou sobre as surpresas de uma economia humana. O domínio inclui também autoridade sobre nossos sentimentos.

 

Deus abençoa a vida com o bem que satisfaz ao coração

Por mais que cada dia pareça um convite a nos deixar levar de roldão pelos devaneios do pensamento humano, nossos sentimentos verdadeiros correspondem ao amor benevolente e onipresente de Deus. Deus abençoa a vida com o bem que satisfaz ao coração. A Ciência Cristã ensina que temos a liberdade para desafiar as emoções destrutivas, assim como nos ensina que temos o domínio sobre as outras sensações físicas.

A solidão pode se manifestar sob a forma de uma tristeza sutil, que faz com que a pessoa se retraia, ou sobrevir como um touro indomável, induzindo-nos, de forma imprudente, a todo tipo de ação errônea. Mas, seja qual for sua forma, a solidão deve ser expurgada, a fim de que se descubra a paz verdadeira da vida.

A decepção, que repete em nossa mente as razões para sermos infelizes, está muito distante do espírito de louvor e adoração que revela nosso relacionamento com Deus e os outros. É a partir do ponto de vista da gratidão e da satisfação que podemos trazer a paz aos relacionamentos, sabendo que temos algo a oferecer, ao invés de ficar na expectativa, aguardando que alguém nos dê aquilo de que pensamos necessitar.

 

Fiquei surpresa diante do grande ajuste emocional que essa mudança exigia

Uma das maiores batalhas contra a solidão que travei surgiu logo depois que meu filho mais novo aprendeu a dirigir. Meus filhos cresceram com interesses amplos, o que, para uma pessoa que é mãe e viúva, e que os criava sozinha, significava que quando eu não estava trabalhando, ocupava a maior parte do meu tempo em levá-los a reuniões, aulas de música, ensaios e eventos sociais. Estava pronta para deixar de ser a motorista da família, mas fiquei surpresa diante do grande ajuste emocional que essa mudança exigia.

Repentinamente, precisava encontrar algum tipo de companheirismo fora da companhia dos meus próprios filhos. Para mim, foi uma enorme mudança passar longas horas sozinha, à noite, principalmente, nos finais de semana. Sentia-me muito constrangida e confusa, e orei para saber como fazer um melhor uso do meu tempo. Mas, muito frequentemente, a escuridão mental e a ociosidade interferiam em minhas orações.

O momento decisivo veio em uma noite de sexta-feira, enquanto cochilava na sala; um sono estranho que acompanha o tédio. De repente, estava de pé e quase gritando: “Solidão, vá embora!”

Fiquei surpresa com a veemência das minhas palavras, mas sabia que não poderia ficar sentada nem mais uma hora afundada em autopiedade e me sentindo inútil. Em pé, no meio da sala, orei para compreender a autoridade inerente ao meu ser.

 

Deus, o Espírito, definia o meu ser

Percebi que, ao pensar sobre mim mesma como solitária, eu não estava compreendendo quem eu era. Minha identidade real não era a de uma “mulher sozinha, com o ninho vazio e um calendário social vazio também”. Minha unidade com Deus me colocava em um perfeito e correto relacionamento com cada um dos filhos dEle. O Espírito, Deus, definia o meu ser, não uma localização física. O Espírito divino preenchia cada hora com bondade, propósito e alegria.

Pude constatar que o sentimento de solidão era uma ilusão imposta pelos sentidos físicos. Não era diferente de nenhuma outra atração sensual que direciona o pensamento de forma excessiva para o corpo. Da mesma maneira que minha identidade não depende dos padrões variáveis das condições climáticas, minha felicidade não dependia das alterações das circunstâncias humanas.

O firme fundamento da felicidade estava em saber que minha expressão da natureza de Deus era ininterrupta. Da mesma maneira que eu esperava que meus filhos buscassem novos horizontes de pensamento e experiência, eu também precisava cultivar uma expectativa maior a respeito do próximo capítulo de minha vida.

 

Aquela foi a última vez em que aceitei sentimentos de solidão

Não tenho certeza do que aconteceu depois que saí da sala naquela noite, se liguei para uma amiga ou se saí para fazer uma caminhada, mas aquela noite ainda permanece como a última vez em que aceitei sentimentos de solidão. O sentimento havia se tornado crônico e me entregava a ele facilmente. Depois daquela noite, ele se tornou raro e rapidamente descartado por meio da oração. Eu não era mais enganada por sentimentos hipnóticos que argumentavam contra a plenitude do Amor divino em minha vida.

Logo após aquela cura, uma amiga da igreja e eu estávamos comentando sobre um filme ao qual havíamos assistido separadamente. Ela me perguntou quem estava comigo no cinema. Respondi-lhe que havia encontrado a liberdade de ir ao cinema sozinha.

Ela me repreendeu e disse: “É absurdo você ir ao cinema sozinha. Você tem alguma ideia de quantas pessoas gostariam de sair com você”? Fiquei surpresa com o tom forte que ela usou e compreendi que tinha de trabalhar meu pensamento um pouco mais.

Será que eu realmente concordava com seu ponto de vista, o de que eu poderia ser uma boa companhia? Haveria um sentimento sutil de baixa autoestima que me impedia de acolher outras pessoas em minha vida? Com um senso mais seguro de identidade, firmado nas qualidades espirituais que Deus expressa em mim, não seria natural ver as qualidades de Deus nos outros?

De imediato constatei que precisava de um sentimento maior de hospitalidade em minha casa. Refeições simples se tornaram oportunidades para incluir vizinhos e amigos. Algumas pessoas diziam não aos meus convites, mas isso não me desencorajou. Outras ideias surgiram para incluir pessoas nas caminhadas e nas idas ao cinema. Despertei para uma confiança crescente de que eu podia oferecer um companheirismo que era genuíno e divertido.

 

Estava sendo preparada para amar de uma forma mais universal

De maneira geral, podia me sentir como se estivesse sendo preparada para amar a humanidade de uma forma mais universal. Logo alguém me pediu para representar minha igreja em um conselho ecumênico local, o que levou a um envolvimento ativo na distribuição de sopa em minha comunidade.

Em seguida, outra amiga na igreja comentou sobre um viúvo que estava com dificuldades de colocar sua vida em ordem. Senti que tinha algo a compartilhar do período de quase uma década desde o falecimento do meu marido. Começamos como amigos e depois tivemos um namoro adorável por quase três meses. Então, ficou claro para ambos que nosso relacionamento devia terminar, pois havíamos dito tudo o que precisávamos dizer um ao outro.

Ao longo dos cinco anos seguintes, houve outras oportunidades de companheirismo e descobri que tinha muito a aprender com pessoas da minha faixa etária, tanto com homens como com mulheres. Tendo descoberto o ritmo e o equilíbrio de ser sozinha e feliz, fiquei surpresa quando conheci um homem notável na igreja, de quem logo me tornei noiva e com quem me casei. Estamos agora aprendendo a compartilhar juntos nosso novo lar com outras pessoas.

O casamento, no entanto, não é a solução para a solidão. Na verdade, há momentos em que pessoas casadas estão tão distantes de seus cônjuges, que precisam lutar contra a solidão, tanto quanto se não fossem casadas. Parte do exercício de se manter mentalmente ativo sobre relacionamentos significa cultivar um senso de acolhimento e aprovação, ou seja, valorizar a bondade de cada homem e mulher da criação de Deus. Não é possível praticar essas qualidades a partir do ponto de vista da autoabsorção, do egotismo.

 

Jesus nos mandou amar a Deus e ao nosso próximo

Aprendi que o principal a respeito da experiência humana é que ela é um laboratório para se descobrir o quão perfeitamente estamos encaixados na criação de Deus e como nos relacionamos uns com os outros dentro dessa criação. Jesus nos legou dois grandes mandamentos: amar a Deus e ao nosso próximo.

A disciplina espiritual na oração e no estudo exige que encontremos a paz de estarmos sozinhos com nossos pensamentos. Essa disciplina tem o efeito colateral natural de nos lançar em relacionamentos construtivos que abençoam, inspiram e curam.

Mary Baker Eddy escreveu sobre a luta para “entrar no perfeito amor de Deus e do homem” e nos encorajou a alcançar este equilíbrio na vida: “O infinito não será enterrado no finito; o pensamento verdadeiro escapa do interior para o exterior, e esta é a única atividade correta, por meio da qual alcançamos nossa natureza mais elevada” (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Vários Escritos], p. 159).

É poderosamente reconfortante saber que, como filhos de Deus, “o pensamento verdadeiro escapa do interior para o exterior”. A promessa de encontrar nossa libertação espiritual é que estaremos cada vez menos retraídos e conscientes de nós mesmos, e cada vez mais centrados em Deus, de maneira que preservamos nossa paz, bem como nossos relacionamentos com os outros.

Artigo originalmente publicado na edição de 2 de janeiro de 2006 do Christian Science Sentinel.

Sentimentos Mais Puros

 

A escravidão do homem aos mais implacáveis senhores – a paixão, o egoísmo, a inveja, o ódio e a vingança – só é vencida por uma luta tremenda. Cada hora de atraso torna a luta mais dura. Se o homem não triunfa sobre as paixões, elas lhe arruínam a felicidade, a saúde e o valor humano. Então a Ciência Cristã é a panacéia soberana, que dá força à fraqueza da mente mortal – força que provém da Mente imortal e onipotente – e eleva a humanidade acima de si mesma, a desejos mais puros, ao poder espiritual e à boa vontade para com os homens.

Que o escravo de desejos errôneos aprenda as lições da Ciência Cristã, e levará a melhor sobre esses desejos, subindo um grau na escala da saúde, da felicidade e da existência.

A Luz Que Cura

.Em cada ser humano acha-se latente sua semelhança divina. A fim de descobri-la e trazê-la à tona necessitamos a luz da compreensão espiritual, que ilumina a realidade.

Essa luz manifestou-se em minha vida pelo estudo e prática da Ciência Cristã. Durante alguns anos fui a uma Sala de Leitura da Ciência Cristã todas as semanas para ler e estudar. Cristo Jesus muitas vezes retirava-se para lugar tranquilo a fim de orar, e achei que a Sala de Leitura era o lugar sossegado em que eu podia elevar meu pensamento a Deus. Aí achei-me cercada de Amor. Os bibliotecários ajudaram-me na escolha de boa leitura. Aprendi a estudar as lições bíblicas, a encontrar nelas a mensagem espiritual e praticar na minha vida diária o que aprendia.

Uma das minhas primeiras curas foi a de solidão profunda, que se refletia numa saúde muito delicada. Frequentes resfriados forçavam-me a permanecer acamada e a faltar ao emprego. Ainda quando eu estava em condições de ir ao emprego, não tinha apetite algum e achava-me constantemente mal nutrida. Tudo isso tornava-me muito infeliz. A minha pesquisa sincera e honesta na Sala de Leitura foi, porém, abençoada com uma progressiva compreensão espiritual, com a luz que eu procurava.

Graças à Ciência Cristã comecei a ver-me como filha de Deus e a reconhecer nEle o meu Pai-Mãe. Deus é causa, é Princípio, é Tudo. Ele é o bem e é Amor. Cada um dos seus filhos reflete as qualidades que Ele possui. Sua progênie manifesta poder, porque Deus é Espírito; inteligência e sabedoria, porque Deus é Mente; beleza e harmonia, porque Deus é Amor.

Sob a luz da Verdade vi que os meus parentes, meus amigos, os colegas de trabalho, os habitantes do meu país e o mundo inteiro vivem, em realidade, numa única Mente como filhos de um mesmo Pai, que nos ama a todos igualmente. Senti-me unida ao mundo infinito e eterno do Espírito, onde somente o bem existe.

Esta maneira iluminada de ver-me a mim e ao meu próximo causou-me grande alegria e desejos de viver. Os problemas físicos desapareceram, as relações melhoraram. Pouco tempo depois encontrei o homem que seria meu marido. Juntos, partilhamos do estudo estimulante da Ciência Cristã, pois sabíamos que esta revela a fonte da verdadeira felicidade e o caminho para o progresso infinito.

A percepção espiritual é a luz que cura, que ilumina todo o nosso ser e descobre a imagem divina. Esta luz espiritual revela a totalidade de Deus e o homem feito à Sua imagem. Mostra-nos que o Espírito é a única substância verdadeira e que o verdadeiro universo e o homem verdadeiro são ideias completas. Isto nos ajuda a abandonar toda a crença errônea como solidão, desespero, carência e doença, porque sabemos que são irreais. A Sra. Eddy declara o seguinte em seu livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “Se corrigires a crença material pela compreensão espiritual, o Espírito formar-te-á de novo”.

Deus outorga a cada um de nós a capacidade de pensar corretamente. Quando tomamos posse de nosso pensamento e permitimos refletirem-se aí somente pensamentos da Mente única, a qual é toda inteligência e sabedoria, governamos cientificamente nosso corpo e toda a nossa vida humana. Ciência e Saúde diz-nos claramente: “A Mente exerce autoridade sobre os sentidos corpóreos e pode vencer a doença, o pecado e a morte. Exerce tu essa autoridade conferida por Deus”.

A compreensão espiritual não se adquire da noite para o dia. Torna-se necessário um esforço inteligente. Através de oração sincera, paciência e inspiração, a mudança de consciência realizar-se-á. A luz nos chega a cada momento se humildemente formos persistentes no estudo e na prática da Ciência Cristã e a compreensão do que é Deus e o homem se irá revelando.

Expressar amor aos nossos semelhantes é uma forma de desenvolver nossa compreensão. Recebemos inspiração divina se praticamos as qualidades do Amor em nossa vida diária. Paulo explanou muito bem as qualidades que estão imbuídas de Amor: “O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade”.

Constantemente nos redimimos ao viver essas qualidades. Isso nos deixa repletos da luz que cura.

(Extraído de O Arauto da Ciência Cristã – Outubro 1982)

Seja Veemente com o Erro

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Um Cientista Cristão descreveu da seguinte forma a maneira como tratava do erro, ou da crença falsa: “Quanto trato do erro, trato-o rudemente!” Com frequência precisamos agir dessa maneira, a fim de que os sentidos materiais abandonem o seu testemunho. Conforme a sra. Eddy escreve, acredita-se ter certo magistrado feito o seguinte comentário a respeito de Jesus: “Sua repreensão é terrível”. E ela acrescenta: “A linguagem enérgica de nosso Mestre confirma essa descrição.” Adiante, escreve: “Se for necessário sacudir a mente mortal para lhe destruir o sonho de sofrimento, dize com veemência a teu paciente que ele precisa despertar”.

Por mais de dois anos servi na Marinha, à bordo de uma corveta. Os mares tempestuosos do Atlântico Norte sacudiam a embarcação como se ela fosse feita de cortiça, o que faziam com que eu sofresse enjoo crônico. Embora me tivesse sido possível pedir transferência para terra firme, eu sabia que o problema poderia ser resolvido através da Ciência Cristã. Solicitei ajuda a um praticista.

Certo dia, depois de alguns meses de infortúnio, como a tempestade rugisse e o navio jogasse violentamente, senti-me inspirado a me rebelar contra o erro com bastante veemência. Por diversas vezes cheguei a gritar: “Exatamente aí onde essa crença falsa parece estar, está apenas Deus, o Bem, ocupando todo o espaço!” Foi como se uma nuvem se tivesse retirado de mim e a luz apareceu. Eu estava curado. Desde então gostei de estar no mar, mesmo durante fortes tempestades.

Esta me foi uma boa lição. Percebi a importância de estarmos firmes na verdade. logicamente, o esforço de diversos meses tinha conduzido a esta cura, mas compreendi que, muitas vezes, um conhecimento superficial das verdades não é o suficiente para produzir a cura. Precisamos de grande certeza e convicção espiritual quando especificamente reivindicamos a verdade e nos atemos a ela, a fim de dissipar as pretensões mesméricas do mal.

Cristo Jesus falava com autoridade. Quando um pai lhe trouxe o filho epiléptico, para que Jesus o curasse, o Mestre disse: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais turbes a ele.” Graças â firmeza, sustentada pela compreensão da supremacia de Deus, Jesus destruía as pretensões do mal, cujas afirmações não eram toleradas por ele, mas refutadas severamente, mesmo naqueles que lhe eram mais chegados – os seus discípulos.

Um centurião, cujo servo estava doente, sabia que, da mesma maneira em que os soldados sob suas ordens tinham de obedecer-lhe, assim também as reivindicações do mal estavam sujeitas à repreensão e autoridade espiritual do Mestre. Jesus louvou-lhe a perspicácia: “Afirmo-vos que nem mesmo em Israel achei fé como esta.” E o servo do centurião foi curado.

Reconhecendo a onipotência de Deus, Jesus via o mal como um mito a ser denunciado e destruído. As pessoas sentiam o poder subjacente aos feitos de Jesus. Em comparação, a doutrina dos escribas e fariseus – baseada amplamente na letra da lei mosaica – parecia estéril.

Muitas vezes as crenças mesméricas e mortais estão tão enraizadas que se requer um esforço vigoroso para desalojá-las. Quanto mais rápida, vigorosa e persistentemente denunciarmos o erro, tanto mais rapidamente suas reivindicações ilusórias desaparecerão. Se nos recusamos a dar crédito ou autoridade a uma crença errônea, automaticamente colocamo-la no seu caminho de retirada e bastará uma expulsão enérgica para completar a ação. A Sra. Eddy afirma: “Insiste com veemência no grande fato, que tudo domina, de que Deus, o Espírito, é tudo, e que não há outro fora dEle. Não existe moléstia”.

O tratamento resoluto, mantido continuamente, é o golpe mortal para o erro e o força a desaparecer. Não sendo do tipo que se perde em cuidados e futilidades, esse tratamento é firme e definitivo, não deixando espaço ou terreno para nada além da verdade.

Quando nos recusamos a admitir a crença de que o erro é real ou tem lugar e a negamos persistentemente, destruímos qualquer fundamento que o erro pretende ter, quer seja com relação a tempo, matéria ou lei material. Dessa maneira, as decepções originadas no erro são postas a descoberto e anuladas pela ação da Verdade divina na consciência humana, através da lei suprema de Deus. O paciente tem de ser libertado da evidência mesmérica que os sentidos materiais lhe estão apresentando. Isso pode implicar em despertá-lo para os fatos espirituais e verdadeiros do ser – saúde,, santidade e harmonia. Então a luz do Cristo, a Verdade – dissipando o erro e o mesmerismo que o ofuscaram – passa a ocupar a consciência humana e a cura se manifesta.

Bem no início do meu estudo da Ciência Cristã, eu pensava que bastava proclamar a supremacia de Deus para vencer o erro. Entretanto, percebi logo que  normalmente era preciso também denunciar o erro vigorosamente, a fim de me libertar de suas pretensões insidiosas. É mais ou menos como impulsionar um barco. A fim de progredir precisamos usar ambos os remos; assim, a fim de progredir mentalmente, temos de negar o falso, bem como afirmar o verdadeiro.

A Bíblia nos confirma que a vitória está sempre com Deus: “Tua, Senhor, é a grandeza, o poder, a honra, a vitória”. Sendo assim, devemos ater-nos aos fatos espirituais do ser e rejeitar completamente qualquer outro testemunho. Dessa maneira, estamos lado a lado com Deus, superando as pretensões do erro e conquistando a vitória.

(Transcrito de O Arauto da Ciência Cristã – Março 1982)

 

 

O Cordeiro de Deus Destrói o Magnetismo Animal

 Na Ciência, não temos motivo para temer o magnetismo animal. Em nenhum momento e em nenhum lugar, jamais foi real, poderoso ou substancial. Alguém, talvez, tenha-lhe dito: Você tem de trabalhar. Tem de negar o magnetismo animal.” Isso o preocupou? Sim, temos trabalho a fazer. Precisamos enxergar através das imposições do erro e provar que são irreais. Isso, às vezes, requer muito trabalho.

Não há, porém, nenhuma razão verdadeira para nos alarmarmos, porque, do ponto de vista do raciocínio sadio da Ciência Cristã, o magnetismo animal não pode ser nada mais que o erro ou mente mortal. Na supremacia do Espírito que tudo permeia, nada dessemelhante do bem espiritual está presente nem em ação. A totalidade absoluta de Deus torna impossível que qualquer ação ou presença opostas – de substância material, inteligência demoníaca ou vida mortal – sejam verdadeiras.

O magnetismo animal, então, é apenas uma crença, um estado ilusório do pensamento. Efetivamente, há só uma consciência, a Mente divina ininterrupta e livre, que é Espírito. E o homem espiritual, a verdadeira individualidade de cada um de nós, é o reflexo dessa Mente para sempre consciente. Portanto, herda só as qualidades de seu Criador eterno, o único Deus, o bem.

Ora, se assim é, por que a Ciência Cristã nos diz que temos de tratar o magnetismo animal como algo a ser destruído? Por que não nos detemos, simplesmente, nos bons pensamentos? Esse modo de ver é falaz, porque o magnetismo animal parece ser um poder ao nosso sentido atual das coisas, e nos busca impedir de estar conscientes só do bem. Essa ação magnética, agindo sobre a natureza animal e por meio dela, pretenderia substituir nossa mentalidade verdadeira que reflete Deus, pela sugestão hipnótica de haver outra mentalidade: fraca, voluntariosa, desobediente, sensual e, consequentemente, suscetível às mentiras do erro. Esta ação magnética pretenderia atrelar sua natureza animal a nós, identificando a matéria como sendo nossa substância e o medo como sendo nossa atitude. Temos de adaptar nosso modo de pensar à realidade divina do bem sem fim e recusar sermos enganados por falsas sugestões. Contudo, não conseguiremos nada se perpetuarmos o magnetismo animal desde o ponto de vista de sua própria autoavaliação. Nossa base para enfrentar o mal deve ser a infinidade da única Mente onipotente e a consequente nulidade de toda alegação de uma mentalidade falsa.

Sim, precisamos defender nosso pensamento das imposições mesméricas do magnetismo animal, sempre, porém, com a arma da certeza da totalidade do bem divino. Seguimos adiante com confiança, não com medo. É importante manter em pensamento o fato de que não há mal real, não há verdadeiro magnetismo animal, há apenas uma crença nele, a ser destruída.

Na Bíblia, o mal recebeu vários nomes diferentes: serpente falante que engana e desmoraliza, “Satanás”, “diabo”, “Belzebu”, e, finalmente, “grande dragão vermelho” – o mal pronto para destruir-se a si mesmo. As narrativas bíblicas descrevem o triunfo do bem sobre o mal e a virtude daqueles que, com a ajuda de Deus, conseguiram vencer. Os nomes dados ao mal indicam sua natureza lendária, uma ficção a ilustrar uma lição moral.

Jesus demonstrou o Cristo, ao vencer o mal. Em Ciência e Saúde, a Sra. Eddy diz: “O autor do Apocalipse se refere a Jesus como o Cordeiro de Deus, e ao dragão como o que guerreia contra a inocência.” A Sra. Eddy também escreve: “contra o Amor, o dragão não luta por muito tempo, pois o dragão é morto pelo princípio divino. A Verdade e o Amor prevalecem sobre o dragão, porque o dragão não os pode guerrear.” O autor do Apocalipse também mostra como enfrentar e vencer a soma total da maldade: “Então ouvi grande voz do céu, proclamando: Agora veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia, e de noite, diante de nosso Deus. Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro” significa o sacrifício indispensável de um falso sentido do eu, a fim de despertarmos para a realidade. “Em face da morte, não amaram a própria vida” pode significar uma dedicação total ao nosso estado espiritual, imortal, e real, enquanto passo a passo renunciamos ao eu aparentemente mortal e material em troca do reflexo divino.

Os requisitos para a vitória sobre o magnetismo animal apresentados nesse trecho do Apocalipse nos alertam para a diferença que há entre a oração perfunctória (ritual de palavra) e o espírito do Cordeiro, que cura. Redenção individual, ao invés de mera repetição de palavras, é o que destrói a crença nas mentiras do magnetismo animal. Tais mentiras nunca foram reais, mas nossa crença nelas precisa ser extirpada. Um esforço obstinado de mudar o pensamento por presumirmos que vivemos aquilo que pensamos – apoiarmo-nos num tipo de profecia autorrealizadora – é fútil e não é redenção real, pois falta-lhe a inocência do Cordeiro.

No seu Sermão do Monte, o Mestre, Cristo Jesus, apresenta os requisitos para a oração curativa eficaz. Nossa motivação para amar, obedecer e abençoar tem de ser profunda. De fato, vivemos o bem que conhecemos, quando nossos pensamentos provêm de uma humilde sujeição à onisciência de Deus e à realidade daquilo que Deus conhece. Mantemo-nos despertos para a realidade quando aderimos persistentemente à verdade e, assim, podemos ajudar outros a despertarem também. O Cordeiro age quando temos desejos puros de glorificar a Deus e elevamos os conceitos que entretemos a respeito de nosso próximo, ao sermos receptivos sem restrições à orientação da luz da Verdade; ao confiarmos implicitamente na onipotência da vontade divina de prevalecer sobre toda forma de mal. Esses estados de pensamento são algumas das evidências da ação do Cordeiro no pensamento consciente.

 Jesus estava sempre consciente da falta de base de qualquer argumento da crença mortal.  Sabia muito bem que o mal nunca é uma entidade; é apenas uma negação. Uma negação não pode tomar a iniciativa. Só pode parecer inverter a realidade do bem. Por isso, o magnetismo animal é sempre o inverso do bem existente e real e é assim que devemos mantê-lo já tragado pela ação ininterrupta de Deus, através de Seu Cristo.

Em sua luta contra o diabo no deserto, Jesus rejeitou a sugestão do magnetismo animal de que o sonho do sentido mortal fosse real. Disse: Retira-te, Satanás.” Sua inocência espiritual, sua devoção ao Cristo, não deixaram espaço para a animalidade, o orgulho ou a negligência, que o tornariam vulnerável às imposições do dragão. Jesus nos deu a preparação específica necessária para destruir o dragão, quando disse a Satanás: “Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto”. O Cordeiro de Deus requer que adoremos e sirvamos a Deus com a inspiração da santidade.

O Cordeiro de Deus, agindo em nós, atinge o alvo: o pecado da adoração mundana, e o derruba de sua aparente entronização no pensamento. O poder e a presença do próprio Deus sustentam o Cordeiro e, por conseguinte, a oração genuína alcançará o erro básico em toda situação,  naquilo que parece ser e no que alega fazer – nada mais do que uma farsa ridícula. Então, regozijar-nos-emos insensatamente, quando a carnalidade da besta for rechaçada pela inocência de nossa verdadeira natureza dada por Deus. O que procurou subverter o bem naquilo que é semelhante ao Cristo pode ser visto em sua estupidez negativa, e a harmonia universal do Cordeiro do Amor reinará.

Quando as qualidades do Cordeiro de Deus ficam estabelecidas no pensamento, já temos os ingredientes neutralizadores para obter a vitória sobre qualquer mentira agressiva. Quando incorporamos a ideia do Amor divino como o nosso ideal, em nossas relações com outros, não podemos prejudicá-los nem ficamos ao alcance da maldade mortal. A doença desaparece ante o pensamento  que não se deixa mesmerizar pelas aparências materiais. Tal pensamento, calmamente controlado pela inocência que é dada por Deus e é tudo o que Ele conhece, brande a espada do espírito da Verdade sempre que há receptividade, banindo a crença na moléstia. Na ideia perfeita do Amor, não há medo e nada que possa engendrá-lo ou responder-lhe.

Saber que o homem está envolvido pelo Amor do Pai-Mãe nos torna corajosos e mantém-nos livres. E esse conhecimento é nossa única mentalidade real. Não traz indiferença à angústia do sofredor, mas seu oposto: compaixão que cura, pois reconhece na saúde o único efeito da Mente divina.

O que o Cordeiro pode fazer no clima aparentemente desarmonioso e sombrio do mundo de hoje? Pode despertar, e eventualmente despertará, cada indivíduo do sonho mortal de haver uma mente má – de haver na matéria poder para degradar, para acusar o inocente e exaltar o culpado, para seduzir o imprudente e roubar o pobre. Tudo o que é desprezível e corrupto tem de, por fim, fracassar. A fúria do magnetismo animal parece estar à solta em seu ódio contra tudo o que é bom; mas, espere-se um momento, ele não é real! A Ciência ajuda cada um de nós a demonstrar a consciência crística, o pensamento verdadeiro, ajuda-nos a não sermos nunca enganados pelo dragão que se propõe a fazer parecer real o que nunca foi real.

A matéria, o conceito errôneo do magnetismo animal sobre a realidade, é apenas a crença numa suposição impossível de que o Espírito infinito, a Vida real, a substância e a inteligência reais estejam ausentes. Assim podemos estar certos de que ele não exerce nem tem influência, seja como idolatria, imoralidade, infidelidade, seja como oportunismo cínico. A devoção ao Cordeiro nos manterá despertos para a verdade pela qual ajudamos a curar situações mundiais, ao invés de ficarmos perturbados por elas ou indiferentes a elas. O Cristo está em toda parte, a todo instante, e nosso conhecimento correto conta com sua força em favor de todo ponto de perturbação no mundo.

Há diferença entre ir ao encontro da besta assassina do Apocalipse no próprio nível dela e entre anulá-la desde a posição superior de se refletir a inocência do Cordeiro. As seguintes palavras de Ciência e Saúde são relevantes: “Cordeiro de Deus. A ideia espiritual do Amor; imolação de si mesmo, inocência e pureza, sacrifício”. Conhecer conscientemente o bem e estar firmemente convicto de que não há outra realidade a ser conhecida, permite-nos manter o pensamento livre de ser hipnotizado pelo magnetismo animal. E, ao progredirmos espiritualmente, aprendemos a permanecer cada vez mais no estado espiritual do ser, onde nossos pensamentos e vidas são uma transparência para o Cordeiro de Deus. Então, a exterminação do dragão tornar-se-á mais espontânea.

(Extraído de O Arauto da Ciência Cristã – Maio 1983)

Como Vencer a Carência

Sharon Slaton Howell

É perfeitamente possível alguém atravessar, sem perturbar-se, esta época de desafios econômicos, tendo tudo o de que necessita. Na verdade, qualquer pessoa pode começar a eliminar a carência de seu pensamento e de sua vida agora mesmo. Todos têm o mesmo direito de estarem livres da pobreza, bem como do pecado e da doença. E essa libertação é possível pela compreensão de que o homem é a criação espiritual de Deus, o bem ilimitado, e que temos o direito de irradiar o bem infinito de nosso verdadeiro ser aqui e agora.

 A despeito da crença do mundo de que somos mortais com necessidades materiais, as quais terão, de alguma maneira, que ser supridas de fora de nós, somos, na verdade, os descendentes perfeitos e espirituais de Deus, mantidos por Deus num eterno estado de inteireza.

Encontramos na Bíblia inúmeras afirmações que mostram ser a carência ilegítima. Por exemplo, no primeiro capítulo do Gênesis é-nos revelado claramente que Deus deu ao homem que ele criou, domínio sobre toda a terra. Mas quão pequeno domínio há ao labutarmos por ganhar com árduo esforço o dinheiro suficiente para despesas com alimentação e aluguel! A solução é compreender que não somos mortais, que nosso Pai-Mãe nos criou como Sua expressão espiritual, para expressarmos a Sua abundância—não para rastejarmos pelo bem. “A Ciência Cristã revela a possibilidade de se conseguir todo o bem, e põe os mortais a trabalhar para descobrir o que Deus já fez…”, escreve a Sra. Eddy. O Princípio divino concluiu o seu trabalho. Quando Deus nos criou, não deixou faltar coisa alguma, nem mesmo um til, a tudo o de que Lhe temos de prestar alegre e perfeito testemunho. Tudo o que os falsos sentidos físicos podem fazer é fechar nossos olhos -segundo a crença – para o bem espiritual infinito que sempre tivemos.

 Cristo Jesus mostrou à humanidade como dominar o receio de não ter o suficiente. Revelou o lugar exato de todo o bem verdadeiro  –  sua infinidade – quando declarou: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro em vós”.(Lc 17:20-21).

Jesus também revelou o cuidado magnânimo de Deus por Seus filhos na parábola do filho pródigo, que dissipara a sua herança. Recobrando finalmente o bom senso, o jovem retornou à casa, conta-nos Lucas. Para aquele pecador maltrapilho, quaisquer roupas velhas serviriam, mas, não! O pai amável e generoso mandou que preparassem para o filho a melhor roupa, um anel, sandálias e uma festa suntuosa. Disse-nos o Mestre que é desta maneira que nosso Pai celeste nos trata quando recuperamos a consciência e voltamos para casa—quando despertamos por meio do Cristo, a Verdade, para nossa verdadeira condição de descendentes espirituais de Deus e para o bem que nos pertence eternamente. Jesus também nos ensinou como demonstrar abundância continuamente: “Dai, e dar-se-vos-á: boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também”.  Qualquer que seja o nosso campo de trabalho, colocando em prática nossa verdadeira identidade através de atividades altruísticas, através de ações amáveis para com outros, recebemos, em troca, o suprimento de nossas próprias necessidades.

Alguém pode não estar conseguindo demonstrar a abundância de seu ser verdadeiro porque, como o incrédulo Tomé, está pensando: “Mostre-me o dinheiro e então acreditarei que Deus pode me suprir com o suficiente para o pagamento do aluguel”. Mas Deus exige que tenhamos igual confiança radical nEle quando estamos passando por necessidades financeiras como quando temos dificuldades físicas. A pessoa deve olhar além do que os sentidos materiais estão dizendo a seu respeito e acerca de sua situação financeira e reconhecer-se como a idéia completa do bem inexaurível, incapaz de experienciar limitação de qualquer espécie. Para curar a crença de carência precisamos compreender que a onipresença do Espírito é a única substância verdadeira. “Não acreditar no erro destrói o erro, e leva ao discernimento da Verdade”, é afirmado em Ciência e Saúde. Sendo a carência uma forma de erro, sabemos, então, que descrer da carência a destrói, e faz com que a afluência imutável do homem seja reconhecida e demonstrada.

 Quando alguém supera o pensamento limitado e recesso, deixa de delinear a maneira pela qual Deus vai suprir às suas necessidades. Desenvolve uma condição de naturalidade em relação ao suprimento e identifica os recursos infinitos do Amor divino. Se Jesus pôde encontrar na boca de um peixe os recursos necessários para o pagamento de impostos, será que precisamos nos preocupar com a maneira pela qual Deus satisfará às nossas necessidades?

 Quando a prosperidade se manifesta, a pessoa deve vigiar para que não venha a adorar no santuário de sua própria capacidade e engenho. A abundância deve fazer com que nos tornemos mais humildes, reverenciemos o trabalho maravilhoso de Deus, atentos para o fato de que somente Deus é a fonte do bem.

Às vezes, um indivíduo pode sentir-se mais do que simplesmente limitado de um ponto de vista financeiro. Perda de emprego, dívidas acumuladas e nenhuma forma visível de superar a situação podem mesmo fazer com que alguém fique tentado a desistir. Entretanto, tais condições não existem no reino de Deus, o reino do real. O bem nunca cessou para o filho de Deus: assim, não tem de ser arduamente reavido. Compreendendo-o, a pessoa verá que sua saúde financeira é restaurada na maneira incomparável da Mente.

É correto ter tudo o de que necessitamos – ter abundância. É impossível não tê-la quando alguém entende o fato de que, como ideia de Deus, reflete continuamente a abundância do Espírito infinito. A Ciência Cristã esclarece o mal-entendido de muitas pessoas tementes a Deus, que imaginam que, de alguma maneira, alguém se chega mais ao Pai quando está carente de bens mundanos. Quando alguém percebe que o seu verdadeiro ser é a própria ideia do bem ilimitado, simplesmente não pode continuar tendo carência.

 Um dos alunos da Sra. Eddy lembra suas palavras: “Quando comecei a estabelecer a Causa precisava de dinheiro, mas agora aprendi que Deus está comigo, que Ele me proporciona tudo e que não posso sentir falta de nada”.Ela também disse: “Quando você se coloca diante de um espelho e olha para o seu reflexo, este é o mesmo que o original. Ora, você é o reflexo de Deus. Se as mãos dEle estão cheias, as suas mãos também estão, se você O reflete. Você não pode conhecer a carência”. Manter persistentemente em nosso pensamento que o homem, como reflexo espiritual de Deus, tem tudo o que Deus tem, agora, transformará a experiência de qualquer pessoa, mantendo-a em linha com a Lei Divina do Bem Ilimitado.

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Atração, Amor e Sexo

.A revista TIME recentemente publicou o seguinte comentário de um jovem: “Os meios de comunicação tratam do assunto como se não tivesse nada a ver com amor….Hoje em dia, sexualidade é aparência física, o penteado. É tudo físico, não o que está dentro da pessoa.” (24 de maio de 1993). Alguma vez, já pensou na enorme diferença entre atração sexual e estar de fato apaixonado por alguém? É comum a atração baseada unicamente no corpo e na aparência tornar-se o centro da atenção, mas existe algo verdadeiro, algo significativo, num relacionamento que se desenvolve a partir de um fundamento mais espiritual. Desde a primeira vez em que você repara numa certa pessoa, até o momento em que dizem alguma coisa um ao outro, partilham atividades, desfrutam de coisas que têm em comum, é muito agradável explorar o que significa ter um relacionamento chegado com outra pessoa.

Há a alegria da descoberta, da compreensão mútua, de respeitar os sentimentos um do outro. As qualidades de fato boas, como honestidade, respeito, força, ternura, etc., têm base espiritual. Quando a atenção se focaliza nelas, e não na matéria, a espiritualidade torna-se a estrutura de um relacionamento que vai adiante. Como Deus criou todos de modo espiritual, essa espiritualidade genuína, essa realidade de nossa natureza como criação de Deus, é o que cada um de nós está descobrindo.

Você tem grande valor espiritual. Sua inteireza e autoestima são produtos de sua identidade como a expressão muito amada de Deus. As qualidades que Deus, o Amor divino, expressa em você, são, no mínimo, belas e atraentes. Vale a pena oferecê-las e desenvolvê-las.

É natural e apropriado mostrar afeto. Homens e mulheres são atraídos pelos outros e nem é preciso dizer que um beijo ou um abraço é uma maneira de expressar afeto. Também é natural e importante, para explorar e desfrutar de sua espiritualidade inata, controlar a atração sexual, e não se deixar arrastar por ela, e assim destruir aquilo que estão a construir juntos.

Como proteger uma boa relação? Deus, o Amor divino, é também Princípio e, na proporção em que a atividade sexual for governada por motivos altruístas e honrados, a relação progredirá e trará alegria. O Princípio não se expressa em luxúria ou em motivos egoístas e imediatistas. Pelo contrário, o Princípio manifesta respeito e assim por diante. Um aspecto de uma boa relação é o das pessoas envolvidas serem governadas pelo bom senso, a disciplina e a espiritualidade que a oração proporciona.

Por mais incrível que pareça, se o centro de atenção for o corpo, podemos perder de vista a pessoa verdadeira que tanto amamos. Isso porque a concentração no físico deixa de lado a identidade espiritual do homem, a única identidade verdadeira, nossa e de nossos companheiros (as qualidades que realmente contam). O físico perverte a intimidade genuína, na qual há estima mútua, encorajamento recíproco para o crescimento, progresso individual e interesse pelo bem-estar um do outro, e a tensão sexual passa a constituir quase 100% do relacionamento. Talvez você já tenha visto acontecer isso, ou até já tenha passado por isso.

Se assim for, sabe que passado um tempo, a obsessão física transforma o relacionamento num turbilhão emocional que não leva a lugar nenhum. A paixão sexual não deveria caracterizar relação alguma. No seu livro Ciência e Saúde, a Sra. Eddy escreve: “Ambos os sexos deveriam ser afetuosos, puros, ternos e fortes. A atração entre qualidades inatas será perpétua somente enquanto for pura e verdadeira, trazendo doces temporadas de renovação, como a volta da primavera.” Essas palavras são do capítulo “O Matrimônio”. Mesmo que você não esteja a pensar em casamento para já, esse é um excelente capítulo para ler, pois apresenta coisas importantes para uma boa relação e para que “vos ameis uns aos outros”, como Cristo Jesus encorajou as pessoas a fazerem.

Amar-se verdadeiramente um ao outro é o mais importante de uma relação. Se você ama de verdade, então quer o melhor para aquele ou aquela que tanto significado tem para você. Sim, o afeto humano é um componente normal dessa relação especial, mas nunca está certo deixar que a sexualidade seja a razão principal pela qual a outra pessoa quer estar na sua companhia. Se houver sexo antes do casamento, estará faltando uma coisa importante: compromisso permanente e total, o tipo de compromisso que o casamento proporciona. O casamento é a moldura moral e saudável para as relações íntimas e protege, de modo eficaz, sua preciosa identidade espiritual.

Às vezes, é difícil examinar a vida e decidir o que é apropriado e o que não é. Você pode achar que já foi muito longe num certo relacionamento. Mas não existe razão para não procurar no Princípio divino seus padrões e se firmar neles , neste exato momento. O que realmente interessa é o que você pensa e faz agora. A curto prazo, isso pode requerer muita determinação e coragem, mas todas as pessoas envolvidas serão beneficiadas, a longo prazo. E o que é maravilhoso é que você pode ser bem-sucedido, ao colocar a disciplina espiritual à frente dos desejos físicos, porque Deus, o Espírito, na realidade o governa. E Deus o ajudará a fazer aquilo que é bom e correto.

Estar apaixonado é maravilhoso. E quando você está apaixonado por Deus, o Amor divino, primeiro – e por sua espiritualidade como a expressão de Deus – qualquer outra relação será verdadeiramente satisfatória, produtiva e duradoura. Você determinará seus objetivos e o que é melhor para você e seu parceiro, a partir de uma base espiritual.

(Transcrito do The Christian Monitor, Boston, E.U.A)

A Cura com Base no Cristo

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A CURA COM BASE NO CRISTO

A fim de seguir o mestre e curar, nós necessitamos ponderar o significado espiritual de seus ensinamentos com profundidade.
Há muitos anos, quando eu comecei minha carreira de executivo, trabalhei na indústria de petróleo. Eu aprendi logo que, quando alguém nessa indústria referia-se a seu empregador, era habitual encurtar o nome da companhia para uma palavra. Normalmente se dizia: “eu trabalho para a “Gulf” ou para a “Shell” em vez de Gulf Companhia de Petróleo ou Shell Companhia de Petróleo. Nesse tempo havia diversas companhias de petróleo proeminentes com os nomes identificados geralmente com qualidades morais – companhias tais como o Cia. “Humilde” de Petróleo ou Cia. “Puro” de Petróleo ou Cia. “Plácido” de Petróleo. Seus empregados identificavam seu empregador como “Plácido” ou “Puro” ou “Humilde”…

Quando foi descoberto petróleo no Texas, os poços eram perfurados extensivamente. Os donos de terras ficaram muito excitados com a perspectiva de que pudesse ser encontrado algum poço em suas propriedades.

Um domingo em uma igreja local, um pastor, durante o sermão, falando das virtudes e qualidades morais do homem, disse em sua prece: “Senhor, lembra-te do puro e do humilde…” Nesse ponto alguém na congregação interrompeu gritando: “E não se esqueça da Shell; tenho um contrato com eles na minha propriedade!”

Obviamente, para o pastor, as palavras “puro” e “humilde” tinham um significado decididamente diferente da interpretação que o latifundiário tinha colocado nelas… Frequentemente esse é o caso com muitas palavras empregadas no nosso dia a dia.

Eu disse certa vez a uma repórter de um jornal, que a Christian Science ensina que nós não somos realmente materiais como parecemos ser. Ela ficou confusa, porque para ela a palavra material significava a substância usada para fazer roupas, por exemplo. O uso de algumas outras palavras em explicar a teologia da Christian Science conduz frequentemente a mal entendidos, e mesmo ao ridículo, aqueles que não entendem o significado pretendido por essas palavras em um contexto particular. Por exemplo, a palavra real, nesta Ciência, mais frequentemente se refere ao que é indestrutível e eterno; a Deus e ao que é derivado d’Ele.

O livro texto da Christian Science, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy, explica: “Toda realidade está em Deus e Sua criação, harmoniosa e eterna. O que Ele cría é bom, e ele fez tudo o que está feito.” Com base nisso, os Cientistas Cristãos insistem que a doença não é real, significando que Deus não a criou nem a causou. Não negam cegamente que as pessoas fiquem doentes, às vezes; mas os Cientistas Cristãos estão convencidos que Deus não produziu a doença, e certos de que ela não é parte de sua criação espiritual. Neste sentido não é real. E porque não tem nenhuma realidade dada por Deus, nós podemos ser livres dela.

Nosso grande Mestre, Cristo Jesus, disse: “Por que não reconheceis minha linguagem? É porque não podeis escutar minha palavra.” Ele usou muitas parábolas e ilustrações para esclarecer o significado espiritual de seus ensinamentos. Contudo aqueles a quem faltava a inspiração espiritual necessária para compreender o que Ele queria dizer, frequentemente O insultavam. Sem dúvida, nós precisamos ainda perceber o significado espiritual das palavras de Jesus a fim de compreender e demonstrar seus ensinamentos.

Em meu próprio esforço para seguir os ensinamentos de nosso Mestre, eu aprendi que é imperativo ponderar profundamente o significado espiritual das palavras que Ele usou. Por exemplo, em uma de suas afirmações que eu frequentemente revejo, diz: “Em verdade, em verdade, vos digo: o Filho, por si mesmo, nada pode fazer, mas só aquilo que vê o Pai fazer; tudo o que este faz o Filho faz igualmente. Porque o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo que faz.”
Ponderando isto seriamente, percebi que, nestas relativamente poucas palavras, Jesus resumiu a Ciência Divina de nossa relação com Deus.

Quanto mais eu compreendo espiritualmente o que Ele disse, melhor equipado estou para demonstrar a autoridade de seus ensinamentos em resolver os problemas humanos.

No meu entendimento, Jesus explicava, nesta afirmação, a base espiritual de seu trabalho de cura. Mas estava também ensinando a seus seguidores que deveriam trabalhar na mesma base. Todos os indivíduos, em sua natureza verdadeira, espiritual, são descendentes de Deus. Reconhecendo isto, João escreveu: “Vede que prova de amor nos deu o Pai: sermos chamados filhos de Deus.” E Paulo escreveu: “Todos os que são conduzidos pelo espírito de Deus, são os filhos de Deus.”

Ao afirmar: ” o Filho, por si mesmo, nada pode fazer”, Jesus declarava um fato espiritual. Isto é, nem mesmo Ele poderia não fazer nada por si mesmo, independente de Deus. Se isso era verdadeiro nele, certamente tem que ser verdadeiro em todos os filhos de Deus. Na realidade, ninguém pode fazer nada, ou ser qualquer coisa, separado de Deus, porque cada um de nós existe eternamente como uma ideia espiritual de Deus, uma ideia na Mente divina, sempre “em unidade” com o Pai. Nenhum filho de Deus pode desenvolver um atributo ou qualidade que não tenha origem no Pai. Não podemos ser feitos para agir de uma maneira que não esteja em conformidade com o controle perfeito que Deus tem de Sua criação. Nós nem mesmo existimos como identidades separadas da Mente divina. Tudo que é verdadeiro em nós, deve estar em perfeita harmonia com o que o Pai expressa do Seu próprio ser infinitamente perfeito.

Foi com este princípio que o Mestre demonstrou a saúde e a harmonia nos assuntos humanos. E instruiu-nos a fazer como Ele fez. Através da oração nós necessitamos elevar o pensamento acima do que parece ser o estado de humanidade, e olhar para ver o que o Pai está fazendo, “porque o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo que faz.” O filho deve ser compreendido somente como expressão do que é verdadeiro no Pai.

Aqui, em poucas palavras, Jesus nos estava dizendo, essencialmente, que o homem – e o termo homem é usado genericamente para referir-se à verdadeira identidade de ambos, homem e mulher, criados por Deus – reflete a Vida, que é Deus. A substância do homem é espiritual, refletindo a substância divina do Espírito. A individualidade, a consciência, a inteligência, a ação, e a identidade total do homem refletem perfeitamente a própria integralidade de Deus. No fato científico, então, nada pode ser atribuído ao filho exceto aquilo que expressa a perfeição do Pai.

Não nos instruía Jesus que, para sermos eficazes em curar com a oração, nós devemos saber que tudo que pode ser verdadeiro no homem é o que é verdadeiro em Deus? Ciência e Saúde explica que “Deus nunca poderia transmitir um elemento do mal, e o homem não possui nada que não lhe provenha de Deus.” Se este é o fato científico, a evidência da doença e da discórdia tem que ser uma má representação dos fatos. Compreender nossa relação espiritual com Deus elimina a má representação e produz a cura.

Então, o que fazer quando a evidência física é de doença e discórdia? Você está convencido que o filho pode fazer somente aquilo que expressa o que o pai está fazendo? Se assim é, então você percebe que todas as formas de discórdia são mentiras sobre você e suas possibilidades. E estão apresentando uma visão falsa de identidade. A assim chamada mente mortal, reivindicando insistentemente que a identidade é separada de Deus, e capaz de experimentar os efeitos de uma causa à parte do pai, nos levaria a ver-nos e aos outros como seres materiais, governados por uma mente na matéria. Mas, o conceito mortal de nossas identidades e possibilidades é uma farsa. O homem é espiritual, imortal, nunca separado de Deus. Cada um de nós tem a obrigação de testemunhar o que o pai está fazendo, e a nada mais.

Parece difícil entender o significado deste grande fato científico? Você é deixado sozinho para fazer tudo por você mesmo no seu esforço para compreender a realidade espiritual? Absolutamente não! Nós temos esta garantia do Mestre, que pode certamente ser visto nos estimulando a todos: “… o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo que faz.” E em Miscellaneous Writings, Mrs. Eddy diz, “é a finalidade do Amor divino ressuscitar a compreensão, e o reino de Deus, o reino da harmonia já dentro de nós.” Deus o ama. Nunca o deixa desamparado. Ele lhe permite compreender a Ciência divina pela qual Ele tudo governa. Mantenha-se fielmente voltado a Ele, “grudado” à Sua revelação, e você perceberá que Ele está trabalhando com você. Ele lhe comunicará pensamentos puros, mensagens dos anjos, que você necessita a fim de compreender o que é verdadeiro e para experimentar a cura. Se você aderir firmemente ao que você compreende que o Pai está fazendo, você perceberá que o Amor cumpriu sua finalidade de fazer ressurgir a compreensão e a harmonia já existentes dentro de você.

(David E. Sleeper – Journal of Christian Science, Junho 2000)

Mensagem de Ação de Graças

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MENSAGEM DE AÇÃO DE GRAÇAS

Prof. Orlando Trentini

“Louvarei a Deus com uma canção; anunciarei com gratidão a sua grandeza.” Salmo 69:30

Ação de Graças é mais do que palavras. É gratidão que brota no mais profundo interior,
no âmago do cristão, e se traduz em uma oração de louvor e gratidão.
Um poema traduz este sentimento com esta mensagem de inspiração:

“Louvai o Criador, Mente que tudo fez; glória, poder, são só de Deus;
o sol e os céus criou, os montes Deus formou; cantemos hoje em Seu louvor.
Eterno é Seu poder, nós O chamamos Pai, sombras, tristezas, dissipou.
Brilhante luz raiou, alegres, nos tornou, e Deus, o Amigo, veio a nós.
… E vida nos legou, nos guia com bondade e amor.
O Cristo ressurgiu, conosco se uniu, e ao Amor nos confiou.” Hino 275

“E, Deus, o Amigo, veio a nós.” Esse Amigo dedicado, que é Amor incondicional, em todas as horas está à mão.
Nunca está longe que não possa ouvir, sua resposta é AGORA. Não depende de tempo como nós o contamos.
Seu poder onipotente está operando maravilhas na consciência e na vivência de todos os sinceros buscadores do Amor divino.
Um “Amor divino que sempre satisfez e sempre satisfará a toda necessidade humana.” (Ciência e Saúde, p. 494.)

Onde quer que você esteja sinta-se incluído neste IMENSO, infinito Amor que envolve a cada um, e a todos,
de modo completo em total proteção, provisão e saúde constante.
Sentir gratidão é estar feliz. É confiar inteiramente no Amor, Pai-Mãe. É na gratidão que fazemos a entrega do eu humano e
suas angústias, preocupações, medos, estresses, pressões, limitações. Esses, em presença do Amor oni-ativo se dissipam e desaparecem.

A eterna presença do grande “AMIGO” ocupa todo o espaço e nos circunda de modo completo e se constitui na
única Mente que podemos ter. Deus é o centro e a circunferência do ser, agora mesmo, para sempre e para todos.

Faça o dia de Ação de Graças uma comemoração de louvor a Deus, o Amigo fiel em todas as horas.
Seja uma expressão autêntica do grande “AMIGO ETERNO, AMOR”.
Deus, o teu Amigo eterno te ama muito, agora mesmo e para sempre.

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Que é a Mente?- 2

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QUE É A MENTE?

Mary Baker Eddy

– II –

Deus é o criador do homem, e como o Princípio divino do homem permanece perfeito, a ideia divina ou reflexo, o homem, permanece perfeito. O homem é a expressão do ser de Deus. Se alguma vez tivesse havido um momento em que o homem não expressasse a perfeição divina, então teria havido um momento em que o homem não teria expressado Deus, e, por conseguinte, um momento em que a Divindade teria deixado de ser expressa – isto é, teria ficado sem entidade. Se o homem perdeu a perfeição, então perdeu o seu Princípio perfeito, a Mente divina. Se o homem alguma vez tivesse existido sem esse Princípio perfeito, ou Mente, então a existência do homem teria sido um mito.

As relações entre Deus e o homem, o Princípio divino e a ideia divina, são indestrutíveis na Ciência; e a Ciência não concebe um desgarrar-se da harmonia, nem um retornar à harmonia, mas sustenta que a ordem divina ou lei espiritual, na qual Deus e tudo o que Ele cria são perfeitos e eternos, permaneceu inalterada em sua história eterna.

A dessemelhança da Verdade – chamada erro – o oposto da Ciência, e a evidência que se apresenta aos cinco sentidos corpóreos, não fornecem indício dos movimentos da terra ou da ciência da astronomia, baseados na autoridade das ciências naturais.

As verdades da Ciência divina devem ser admitidas – muito embora a prova relativa a essas verdades não seja sustentada pelo mal, pela matéria ou pelo sentido material – porque a prova de que Deus e o homem coexistem, é plenamente sustentada pelo sentido espiritual. O homem é, e sempre foi, o reflexo de Deus. Deus é infinito, portanto sempre presente, e não há outro poder ou outra presença. Eis por que a espiritualidade do universo é a única realidade da criação. “Seja Deus verdadeiro, e mentiroso todo homem [material].”

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F I M


Que é a Mente?

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QUE É A MENTE?

Mary Baker Eddy

A Mente é Deus. O exterminador do erro é a grande Verdade de que Deus, o bem, é a Mente única e que o suposto contrário da Mente infinita – chamado diabo, ou o mal – não é Mente, não é a Verdade, mas é o erro sem inteligência nem realidade. Só pode haver uma Mente, porque há um só Deus; e se os mortais não pretendessem ter outra Mente, e não aceitassem nenhuma outra, o pecado seria desconhecido. Só podemos ter uma Mente, se esta é infinita. Sepultamos o conceito de infinidade quando admitimos que, embora Deus seja infinito, o mal ocupa espaço nessa infinidade, pois o mal não pode ocupar lugar, porquanto todo o espaço está preenchido por Deus.

Perdemos o alto significado de onipotência quando, depois de admitirmos que Deus, ou o bem, é onipresente e tem todo o poder, ainda cremos que haja outro poder, chamado o mal. Essa crença de que haja mais de uma mente é tão perniciosa para a teologia divina, como o são a mitologia antiga e a idolatria pagã. Com um só Pai, isto é, Deus, toda a família humana consistiria de irmãos; e, com uma Mente só, ou seja, Deus, ou o bem, a fraternidade dos homens consistiria de Amor e Verdade, e teria a unidade do Princípio e o poder espiritual que constituem a Ciência divina. A suposta existência de mais de uma mente foi o erro básico da idolatria. Esse erro faz supor a perda do poder espiritual, a perda da presença espiritual da Vida, na sua qualidade de Verdade infinita sem nenhuma dessemelhança, e a perda do Amor, na sua qualidade de presença eterna e universal.

A Ciência divina explica a declaração abstrata de que há uma Mente só, pela seguinte proposição evidente por si mesma: se Deus, ou o bem, é real, então o mal só pode parecer real, atribuindo-se realidade ao irreal. Os filhos de Deus têm uma Mente só. Como pode o bem converter-se em mal, se Deus, a Mente do homem, nunca peca? A norma da perfeição foi originariamente Deus e o homem. Teria Deus rebaixado Sua própria norma, e teria o homem decaído?

Continua..>

“Monta Guarda”

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“MONTA GUARDA”

Mary Baker Eddy

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Monta guarda à porta do pensamento. Admitindo somente aquelas conclusões cujos resultados desejas ver concretizados no corpo, tu te governas harmoniosamente. Quando se apresenta a condição que, segundo dizes, causa moléstia, quer seja ar, exercício, hereditariedade, contágio ou acidente, então desempenha tua função como porteiro e veda a entrada a esses pensamentos e temores doentios. Exclui da mente mortal os erros nocivos; então, o corpo não poderá sofrer por causa deles. As alternativas de dor ou de prazer têm de provir da mente, e, como um guarda que abandona seu posto, admitimos a crença intrusa, esquecendo que com o auxílio divino podemos proibir-lhe a entrada.

O corpo parece agir por si mesmo só porque a mente mortal sabe a respeito de si mesma, de suas próprias ações e de seus resultados—não sabe que a causa predisponente, remota e excitante de todos os maus efeitos, é uma lei da assim chamada mente mortal, não da matéria. A Mente exerce autoridade sobre os sentidos corpóreos e pode vencer a doença, o pecado e a morte. Exerce tu essa autoridade conferida por Deus. Toma posse de teu corpo e governa-lhe a sensação e a ação. Eleva-te na força do Espírito para resistir a tudo que é dessemelhante do bem. Deus fez o homem capaz disso, e nada pode invalidar a faculdade e o poder divinamente outorgados ao homem.

Mantém-te firme na compreensão de que a Mente divina governa e de que na Ciência o homem reflete o governo de Deus. Não receies que a matéria possa doer, inchar e inflamar-se como resultado de uma lei de qualquer espécie, quando é evidente por si mesmo que não pode haver dor nem inflamação na matéria. Se não fosse a mente mortal, teu corpo sofreria tão pouco de tensão ou de feridas, como o tronco de árvore que golpeias ou o fio elétrico que esticas.

Quando Jesus declara que “são os olhos a lâmpada do corpo”, decerto quer dizer que a luz depende da mente não de um complexo de humores, não do cristalino, dos músculos, da íris e da pupila, que constituem o órgão visual.

O homem nunca está doente, pois a Mente não está doente, e a matéria também não pode estar doente. Uma crença errônea é ao mesmo tempo o tentador e o tentado, o pecado e o pecador, a moléstia e sua causa. É bom ficar calmo na doença; ter esperança é ainda melhor; mas compreender que a doença não é real e que a Verdade lhe pode destruir a aparente realidade, é o melhor de tudo, pois essa compreensão é o remédio universal e perfeito.

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Como Perder Peso

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COMO PERDER PESO

Jill Gooding

Em oração e com humildade vou rejeitar aquelas colheradas atraentes de

impaciência, indiferença, intolerância, crítica; recusar-me a participar de períodos de depressão, ingratidão, egoísmo. Em vez disso, meu regime inclui quantidades ilimitadas de serena paciência, verdadeira compaixão, alegria esfuziante, profunda compreensão, interminável perdão, amor incondicional.

Estes podem ser ingeridos a qualquer hora do dia, e em quantidades tão grandes quanto possível.

Vou também fazer exercício…

na autoridade que me foi dada por Deus – para ver, sentir e agir corretamente. Não somente dez minutos de exercício, mas continuamente, a toda hora, a cada minuto, um esforço de estiramento mental de todo momento … cada dia maior do que fiz no dia anterior.

Deste modo, a verdadeira silhueta, a concretização do equilíbrio elegante, em perfeita proporção, a harmonia completa da Alma do ser de Deus serão percebidos em mim.

 

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A Justiça Divina é Suprema

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A JUSTIÇA DIVINA É SUPREMA

Claudio França Calixto

Houve uma ocasião em que me propus a ajudar um amigo que estava morando na casa de sua sogra com a esposa e os filhos, sob uma situação tensa e com conflitos, devido a sérios problemas financeiros.

Em consideração à nossa amizade de longos anos, aluguei um apartamento em meu nome para que tivessem onde morar. Ele concordou em pagar o aluguel do imóvel.

O tempo passou e quando precisei ir ao Fórum da cidade para resolver um problema pessoal, tive a desagradável surpresa de ver meu nome na lista de réus.

Naquele momento, o único pensamento que me veio foi o de que jamais podemos ser condenados por fazer o bem. Mantive-me firme nesse pensamento, confiante na justiça divina. Procurei também pensar em Deus como “…socorro bem presente nas tribulações” (Salmos 46:1). Após me fortalecer nessa base espiritual, decidi averiguar o que estava de fato acontecendo.

Fui até a imobiliária onde havia alugado o imóvel e, para minha surpresa, descobri que meu amigo não pagava o aluguel há dois anos. A dívida, incluindo os juros, já estava em torno de R$40.000,00.

Fui encaminhado para o advogado que estava movendo a ação contra mim. Argumentei que, apesar de o imóvel estar em meu nome, eu nunca havia morado lá. Também esclareci que não havia sido informado da situação, mas que a descobrira por acaso. Mas ele me disse que a única coisa que poderia fazer por mim, do ponto de vista jurídico, era pedir que eu pagasse a dívida, pois como o imóvel estava em meu nome, a responsabilidade jurídica era minha.

A situação era delicada e percebi que não poderia orar sozinho. Liguei para um Praticista da Ciência Cristã, relatei-lhe o ocorrido e lhe pedi que me apoiasse por meio da oração.

O praticista me ajudou a fortalecer o conceito de Deus como Princípio harmonioso, e uma de Suas qualidades como sendo justiça. O praticista me pediu que eu mantivesse a calma e confiasse em Deus, porque Ele estava cuidando de mim e eu logo enxergaria uma solução.

Dias depois, o advogado da imobiliária marcou uma reunião em seu escritório. Ele havia averiguado os fatos e reconheceu que eu nunca havia morado no apartamento. Ele me disse que eu aguardasse um pouco, pois ele procuraria conversar com o dono do imóvel para entrarmos em um acordo que fosse justo e favorecesse a todos.

Continuei orando com o praticista para entender que, na realidade divina, o advogado, o dono do apartamento, a família que lá morava e eu habitamos na Mente divina, e expressamos somente justiça. Compreendi também que nem o dono do imóvel nem eu poderíamos ser prejudicados. Orei muito com esta frase de Mary Baker Eddy: “Que a Verdade ponha a descoberto o erro e o destrua do modo como Deus o destrói, e que a justiça humana imite a justiça divina” (Ciência e Saúde, p. 542). Afirmei mentalmente e com convicção, que a justiça humana sempre imita a divina, e que a Verdade se estabelece, pois é suprema. Reconheci ainda que Deus é meu Advogado, meu Juiz, e é Ele que julga todas as causas com amor e justiça.

Após três mêses, o advogado pediu que eu comparecesse novamente ao seu escritório. Ele me cumprimentou e disse que eu era um homem de sorte, porque a dívida havia sido perdoada. Eu lhe expliquei que eu não me considerava um homem de sorte, porque quem julga ter sorte também está sujeito ao azar, e tudo o que acontece na minha vida é divinamente natural, porque é Deus quem a conduz.

Ele me parabenizou pelo resultado do processo e me pediu que lesse atentamente e assinasse uma procuração, que daria a ele o direito de seguir com os trâmites legais de desocupação do imóvel.

Para mim, essa foi mais uma prova de que o “…Amor divino sempre satisfez e sempre satisfará a toda necessidade humana” (Ciência e Saúde, p. 494). Deus é o verdadeiro provedor de habitação, suprimento, trabalho, justiça, saúde, e de todas as necessidades de Seus filhos.

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Alimentados Pelo Teu Amor

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ALIMENTADOS PELO TEU AMOR

Fujiko Signs

Quando Jesus disse aos seus discípulos: “…não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber” ou vestir (Mateus 6:25), ele não estava promovendo a frugalidade, nem esperava que outros trabalhassem a fim de que suprissem os discípulos do que necessitavam. Jesus recomendou a seus seguidores que primeiro buscassem “o reino de Deus e a sua justiça” (Mateus 6:33) e, naturalmente, suas necessidades diárias seriam supridas. Ele não explicou de que maneira, mas sabia que elas seriam providas.

Por que Jesus tinha tanta certeza disso? O que “…não vos inquieteis com o dia de amanhã…” (Mateus 6:34) tem a ver com tornar-se um sanador como ele esperava que seus seguidores se tornassem?

Aquilo que Jesus compreendia como sendo as riquezas do reino de Deus é a solução para recebermos o que necessitamos, exatamente quando precisamos. Por exemplo, ele pediu aos discípulos para não levarem sandálias e agasalhos a mais, quando os enviou a curar. Por conseguinte, ele e seus discípulos foram alimentados com o que restou após uma colheita; também encontraram locais para se abrigarem, oferecidos por pessoas que reconheciam a riqueza espiritual que Jesus vivia. O que possuía ele, para que os outros fossem impelidos a dar dessa maneira? Ele tinha o tesouro de todos os tesouros, a verdade que comprovava o direito inato, o valor e a liberdade do homem como filho de Deus.

Quer fosse uma casa onde pudessem preparar a Páscoa ou um peixe com uma moeda na boca, o que Jesus necessitava não saía do seu bolso, mas de sua compreensão sobre sua origem espiritual. Jesus sabia que jamais poderia estar separado de seu Pai, o Princípio divino e fonte de recursos infinitos. Ele declarou repetidas vezes que ele e seu Pai eram um (ver João 10:30) e incentivava a compreensão desta unidade: “…estou no Pai e o Pai em mim…” (João 14:11).

O que Jesus compreendia como sendo as riquezas do reino de Deus é a solução para nós recebermos o que necessitamos, exatamente quando precisamos

Jesus dizia, em essência, que aquilo que seu Pai possuía, ele, igualmente, possuía também. O Pai cria infinitas ideias, que se manifestam para nós como alimento, dinheiro, amizade e oportunidades. Jesus via isso como uma lei espiritual irreversível, que o capacitava a vivenciar o reino de seu Pai-Mãe Deus. Tenho tido muitas provas dessa lei espiritual em ação em minha vida. Há alguns anos, comecei a trabalhar tão logo meu marido voltou à universidade, no mesmo ano em que nossa primeira filha nasceu. Durante minha gravidez, recebia ajuda financeira de um programa de subsídio do governo americano, o qual tinha o objetivo de garantir boa nutrição para mulheres grávidas. Fiquei chocada ao saber que fora qualificada para esse programa, uma vez que nunca havia me ocorrido que eu necessitaria de tal ajuda. Era orgulhosa demais para contar isso à minha família no Japão.

Com o passar do tempo, descobri que o curso do meu marido não terminaria em quatro ou cinco anos, mas que se estenderia por oito, nove ou dez anos, enquanto ele também trabalhava meio período. (A família dele chamava a universidade de “a escola ‘gradual’ do Mark”).

Não havia nenhuma maneira de economizar dinheiro, pois precisávamos usar, a cada mês, cada centavo do que tínhamos

Na época em que tive minha segunda filha, nós já havíamos mudado três vezes do Colorado para o Texas, de lá para a Luisiana e, finalmente, para a Pensilvânia, sempre para onde houvesse um programa de ajuda financeira disponível. Era um grande desafio, tanto emocional quanto financeiramente. De alguma maneira, conseguíamos administrar da melhor forma possível aquilo que, na melhor das hipóteses, poderia ser chamado de orçamento de baixa renda.

Na ocasião em que as crianças entraram para o ensino fundamental, muitos pais já haviam começado a economizar para que os filhos pudessem cursar uma faculdade. Eu nem sequer podia considerar tal coisa. Não havia nenhuma maneira de economizar dinheiro, pois precisávamos, a cada mês, usar cada centavo do que tínhamos. Já havíamos cortado muitas coisas, tais como: TV a cabo, lanchinhos, salgadinhos e refrigerantes. Tínhamos só o essencial. Quando quis dar às minhas filhas a oportunidade de frequentar a Escola Japonesa aos sábados, para ter aulas de música e dança, consegui pagar a mensalidade desses cursos, ajudando a professora ou trabalhando eu mesma como instrutora.

O pai continuava dizendo a elas que poderiam ir para a faculdade assim que conseguissem bolsas de estudo. Ele falava isso um pouco como brincadeira, mas acho que as meninas levaram essas palavras muito a sério.

Às vezes, ficava ressentida e zangada porque não via nenhuma saída dessa dificuldade financeira causada pelo compromisso acadêmico do meu marido. Achava isso muito injusto, ficava mentalmente desesperada e, até mesmo, sentia-me doente fisicamente.

As ideias contidas no livro Ciência e Saúde me ensinaram a ver meu ambiente familiar e minha identidade sob um ponto de vista espiritual e a espiritualizar meus pensamentos sobre tudo em minha vida

Entretanto, nessa ocasião, encontrei a Ciência Cristã. As ideias contidas em Ciência e Saúde me ensinaram a ver meu ambiente familiar e minha identidade sob um ponto de vista espiritual e a espiritualizar meus pensamentos sobre tudo em minha vida. Esse era um exercício completamente diferente, totalmente libertador.

Descobri que a Sra. Eddy havia lutado financeiramente em sua vida conjugal e, especialmente, quando começou a escrever Ciência e Saúde. O que mais me impressionou foram sua convicção e coragem inabaláveis, de compartilhar sua descoberta da Ciência Cristã com o mundo. Ela acreditava que a Ciência do Cristo, sobre a qual se fundamentava a obra de cura de Jesus, estava disponível a todos e era a forma mais consistente e confiável de fazer a humanidade progredir. Por meio de sua oração e dos passos que ela deu em sua missão contínua, adquiriu melhor saúde, um suprimento maior e realizações sem precedentes em uma época em que pouquíssimos direitos eram concedidos às mulheres na sociedade.

Quando resolvi me tornar Praticista da Ciência Cristã em tempo integral, além de minhas obrigações como mãe, eu tinha pelo menos quatro diferentes empregos de meio período. Certa manhã, quando orava com o “Pai Nosso”, esta frase saltou aos meus olhos: “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mateus 6:11). Em outras palavras, peça somente pelo suprimento do dia, não pelo de amanhã, da próxima semana ou para nossa aposentadoria. Vislumbrei que uma implicação mais profunda dessa frase estava fundamentada na compreensão de Jesus sobre a própria realidade na qual vivemos, a de que somos 100 por cento espirituais, com todas as necessidades já supridas.

Quando comecei a compreender mais profundamente minha conexão com Deus como a única fonte da minha felicidade e abundância, passei a ver recursos vindos de formas variadas e tangíveis

Sobre aquela frase do “Pai Nosso”, Eddy nos deu sua interpretação espiritual: “Dá-nos graça para hoje; alimenta as afeições famintas” (Ciência e Saúde, p. 17). Isso me mostrou que o amor é a chave do verdadeiro suprimento. Comecei a ver Deus como Amor e como a ajuda, a inteligência e o provedor verdadeiros. Pude expressar também mais essa qualidade de amor em minha vida. Quando comecei a compreender de maneira mais profunda, minha conexão com Deus como a única fonte da minha felicidade e abundância, recursos vieram de formas variadas e tangíveis. Por exemplo, veio sob a forma de pagamento pela oração e cura para as pessoas que me ligavam pedindo ajuda. Veio na forma de um inesperado contrato de trabalho para meu marido. Veio também sob a forma de moradia.

Para mim, foi um processo gradual e natural com relação a ficar disponível para o trabalho de cura pela Ciência Cristã em tempo integral, comprometida 24 horas por dia, 7 dias por semana, e não dividindo meu tempo com outras ocupações. Surgiu, então, uma oportunidade de trabalho para fazer traduções para a Sociedade Editora da Ciência Cristã. Um a um, fui deixando os vários empregos de meio período que tinha. Valorizei imensamente meu trabalho como Praticista da Ciência Cristã. Era tão especial e gratificante! A transição foi suave e natural, nada drástica, e foi o resultado de uma mudança gradual em meu pensamento.

Com relação à faculdade, nossas duas filhas receberam bolsas de estudo, que cobriram a maior parte dos custos com a educação delas. Além disso, devido à nossa reduzida poupança, fomos qualificados para ajuda financeira. O suprimento que minha família necessitava começou a surgir em grande quantidade, à medida que meu amor pela Ciência Cristã e minha compreensão de Deus se aprofundavam. O que tínhamos, utilizávamos com cuidado, e partilhávamos com aqueles que tinham menos. Fomos abençoados com dois hóspedes de outro país que moraram conosco quando necessitaram de um lar. Quanto mais administrávamos nossas finanças em termos de “sabedoria, economia e amor fraternal” (ver Manual dA Igreja, p. 77), mais confiantes ficávamos para receber o suprimento, diariamente e a cada hora.

A natureza do nosso Pai divino é emitir o bem tão naturalmente como uma fonte de luz emite sua luminosidade

Depois que fiz o Curso Normal para me tornar Professora de Ciência Cristã, não tinha nenhuma ideia a respeito do local onde eu iria ministrar meu primeiro curso sobre a Ciência Cristã, chamado Curso Primário, com 12 dias de duração. Mas eu estava tão disposta a crescer espiritualmente, a fim de servir à Causa da Ciência Cristã, que confiei plenamente na promessa bíblica: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17).

A natureza do nosso Pai divino é emitir o bem tão naturalmente como uma fonte de luz emite sua luminosidade. Volvi-me a esse Pai em oração e me tornei mais consciente de Sua natureza como infinita, todo amorosa e fundamentada em princípios espirituais. No suprimento dessa Fonte infinita não há nenhum excesso ou carência, mas apenas o suprimento satisfatório no devido tempo.

Essas orações foram atendidas. Logo, um apartamento ficou disponível para minha filha e mim, quando precisávamos ir a Tóquio para ajudar meus pais. Finalmente, foi-me concedido aquele espaço para que eu pudesse lecionar o Curso Primário. Sempre como um resultado da minha disposição de servir, era-me concedido aquilo de que necessitava.

Não estava mais ressentida com a “universidade gradual”, nosso estilo de vida migratório ou pelo fato de não possuir uma casa própria. O lar, para mim, é aquilo que estou fazendo, não um lugar ou uma estrutura. Quando passei a verdadeiramente valorizar essa ideia, tudo quanto necessito tem se tornado visível de maneiras que têm abençoado nossa família e nossos vizinhos, uma comunidade muito maior do que jamais imaginara!

Sou abençoada à medida que dedico minha vida a ajudar outros mediante a oração e a amar a Deus de todo o meu coração e de toda a minha alma. Quão verdadeiras são estas palavras do Apóstolo Paulo: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra” (2 Coríntios 9:8).

 

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Conexão Ininterrupta com Deus

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Conexão ininterrupta com Deus

Tony Lobl

Poderíamos dizer que Jesus prefigurou e suplantou em desempenho as maravilhas tecnológicas de hoje.

Mesmo com a impressionante modernidade do século XXI, as capacidades tecnológicas não podem competir com o registro que Jesus deixou de acessos instantâneos ao conhecimento necessário, da interatividade a distância, e de uma incessante e criativa fonte de resoluções de problemas. Respectivamente, por exemplo, discerniu a história pessoal de uma mulher que ele acabara de conhecer em uma fonte de água em Samaria, curou o filho de um homem sem estar frente a frente com o menino e alimentou milhares de pessoas com apenas um punhado de pães e peixes.

Qual era seu segredo? Jesus expressava o Cristo, a conexão constante e consciente que todos temos com a Mente divina, Deus. Como o Mestre disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Qual é a natureza de tal conectividade crística? Ela tem de estar em toda parte ao mesmo tempo, prover todo o conhecimento necessário e estar instantaneamente acessível 24 horas por dia, todos os dias.

Algumas pessoas talvez digam que isso soa como a Internet! Exceto que a Mente divina é o Espírito infinito, todo o bem, enquanto que a Rede Mundial (Web: World Wide Web ou Internet), convenientemente assim chamada, inclui atrações materiais que podem enredar as pessoas. Entretanto, a conectividade tecnológica e a Mente não são mutuamente exclusivas, uma não precisa excluir a outra. A tecnologia é uma ferramenta que é útil, mas, algumas vezes, pode nos desencaminhar ou confundir. Encontrar o equilíbrio entre ficar o tempo todo conectado na tecnologia e saber quando dar um tempo dela é imperativo no mundo moderno. Como todas as coisas temporais, porém, nossa interação com os recursos tecnológicos pode ser guiada por Deus, ao invés de ser apenas uma simples expressão de preferência humana. Pode ser divinamente dosada (se estivermos imersos nela em demasia) e divinamente orientada (se estivermos hesitantes em usá-la).

Ao invés de se isolar em Atenas, o Apóstolo Paulo foi a público pregar o cristianismo

Como podemos alcançar o equilíbrio? A seguir, algumas ideias que ajudaram a ponderar minha interação com a conectividade ininterrupta dos dias de hoje:

Se, pelo uso da Internet não sobrar tempo para uma comunhão tranquila, ela está exigindo demais.

Um tempo a sós com Deus é precioso para nós como o era para Jesus. Apesar das inúmeras demandas sobre seu tempo, ele buscava isolar-se e subir a algum monte para sentir sua união com o Pai. Preservar um espaço tranquilo e tempo apropriados para a comunhão espiritual é parte vital no discipulado cristão, que não pode ser sacrificada pelo corre-corre das obrigações e oportunidades diárias, quer se esteja on-line ou off-line. Se nosso tempo conectado está excluindo nosso momento de nutrir a consciência com nossa união com Deus, provavelmente deveríamos reavaliar nossas prioridades. A competência para desempenhar muitas tarefas é uma grande habilidade, mas Deus exige um tempo diário da nossa atenção, sem distrações. Isso é para o nosso próprio bem, não para o dEle!

A oração leva à ação, e os campos de ação atuais incluem o ciberespaço

Seria possível que se manter em quietude por muito tempo possa excluir ações apropriadas que deveríamos tomar, incluindo interações on-line? Certamente que é importante ficar atento às confirmações e orientações de Deus, a fim de alcançarmos os mesmos resultados de Jesus, mas ele descia dos montes a fim de ficar disponível para a multidão que necessitava de cura.

O Apóstolo Paulo seguiu o precedente de Jesus. Em vez de se isolar em Atenas, enquanto esperava pela chegada de dois companheiros, ele foi a público pregar o cristianismo. Apresentava corajosamente seu testemunho nas sinagogas, expunha suas ideias nos mercados movimentados, compartilhava seus pensamentos com filósofos e respondia às perguntas minuciosas do Conselho no Areópago (ver Atos 17).

Podemos ficar atentos para saber se esse compartilhar deve incluir o uso de meios tecnológicos, além de interações face a face

Quem era o público de Paulo? A Bíblia o descreve como “atenienses e estrangeiros”, que eram pessoas que “…não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades” (Atos 17:21), e com quem Paulo interagia. Isso soa como muitos dos blogueiros de hoje, Twitteiros e espectadores do Youtube, e representa muito o diálogo entre os mais de 500 milhões de usuários do Facebook. Mas, se Paulo ainda estivesse presente hoje, seria difícil imaginá-lo não conectado a essa conversa global, explorando meios sociais de comunicação em busca do seu potencial, como uma ferramenta para aqueles “prontos a compartilhar, desejosos de comunicar” (ver 1 Timóteo 6:18, conforme a Bíblia King James).

As boas notícias sobre o cristianismo científico precisam ser encontradas on-line também.

Poderíamos argumentar que o empenho inabalável de Paulo o tornava um tipo único. No entanto, todos têm um propósito espiritual, uma razão sagrada para existir. Jesus deixou claro este propósito: Amar a Deus com todo o coração, alma, mente e força, e amar o próximo como a si mesmo (ver Marcos 12:30-31). Para aqueles que vivenciaram o potencial de cura da Ciência Cristã, é parte natural desse amor fraternal compartilhar com os outros as boas notícias que os abençoaram. À medida que nos esforçarmos para honrar o chamado de Jesus “de graça dai” do que recebeste gratuitamente (ver Mateus 10:8), podemos ouvir se esse compartilhar deve incluir a utilização de meios tecnológicos, além de interações face a face.

Em particular, aqueles que valorizam a Ciência Cristã devem saber que existem outros que se sentem impelidos a desacreditar do cristianismo em geral, e/ou a Ciência Cristã especificamente, e que usam frequentemente a tecnologia para promover ainda mais seus objetivos. Por que não deveria essa mesma tecnologia ampliar também “…tão grande nuvem de testemunhas…” (Hebreus 12:1) que existe para falar com eficácia da oração cientificamente cristã que cura?

Estou “conectado” pelas razões corretas?

Se nossas orações nos levam a desempenhar um papel na tecnologia de hoje, possibilitando uma conversação global, é útil considerar a razão pela qual Paulo se envolveu em um diálogo com o público de sua época. Ele não estava ali para autopromoção ou autorrealização, mas porque “…o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade” (Atos 17:16). Ele se torturava ao ver as pessoas mal orientadas sobre a natureza de Deus e cegas ao amor que Ele tem por elas. Paulo queria muito que elas enxergassem o valor de se concentrar em “coisas novas”, e isso incluía uma compreensão do cristianismo primitivo que torna possível que o “Deus desconhecido”, seja conhecido.

Por que a tecnologia não pode ser uma das formas de atender a essa demanda?

Por que não poderia o interesse entre os “atenienses e estrangeiros” antenados de hoje incluir igualmente a notícia da restauração do cristianismo primitivo, explanada em Ciência e Saúde, com sua praticidade comprovada por seus leitores? O livro inclui a avaliação de Mary Baker Eddy, de que “Milhões de mentalidades sem preconceitos — que com simplicidade procuram a Verdade, viandantes fatigados, sedentos no deserto — aguardam, atentos, o repouso e o refrigério. Dá-lhes um copo de água fresca em nome de Cristo, e nunca receies as conseqüências” (p. 570). Por que a tecnologia não pode ser uma das formas de atender a essa demanda?

A natureza mista do discurso da Internet não tem de nos tirar do rumo.

Uma razão pela qual a tecnologia talvez seja considerada inadequada para um propósito sagrado é a natureza, às vezes descortês, de seu discurso, especialmente no que diz respeito à religião. No entanto, algumas tiradas não deveriam necessariamente nos surpreender. Na verdade, Mary Baker Eddy descreveu a recepção da Verdade desta maneira: “Que importa se o velho dragão lançar um novo dilúvio para afogar a idéia-Cristo?” (Ciência e Saúde, p. 570). Entretanto, ela também falou sobre essa versão enfática daquilo que a Bíblia chama de mente carnal, o ódio materialista da Verdade, que “…não poderá abafar tua voz com o seu rugido, nem afundar novamente o mundo nas águas profundas do caos e da antiga noite” (Ibidem, p. 570).

Toda verdadeira comunicação independe da matéria

Uma forma de o “dragão” tentar abafar a voz instruída para enfatizar a verdade é intimidando-a ao silêncio. Isso é verdade tanto em espaços comunitários, perto de nossas casas, como também na comunidade eletrônica conectada em todos os cantos do globo. Não é confortável ser submetido a alguns diálogos digitais muito rudes que podem ocorrer, mas provavelmente também não deve ter sido para Paulo no Areópago. Isso não deteve seu amor, nem pode deter o amor que manifesta a voz da Verdade hoje.

Tenho um papel a desempenhar?

Este trecho de Ciência e Saúde declara: “A intercomunicação se faz sempre de Deus para Sua ideia, o homem” (p. 284). Toda verdadeira comunicação então independe da matéria, e é a Mente divina manifestando com exatidão o que precisamos saber, diretamente a cada um de nós. Cada pensador espiritual pode, em humilde oração, dar testemunho dessa realidade eterna e universal, como sendo aplicável onde as comunicações parecem vir por meio de uma infraestrutura digital complexa e desenvolvida.

Como Jesus e o Apóstolo Paulo, nossa união consciente com o Amor é a melhor coisa que temos a oferecer. Isso é verdadeiro, quer transmitamos o amor crístico, pessoalmente ou pela Internet, via celular, ou pelo Skype, quer fazendo amizade com um vizinho em nossa rua ou fazendo um amigo no Facebook, sussurrando uma verdade espiritual ao ouvido de alguém ou enviando-a por e-mail, abraçando um amigo ou enviando-lhe uma mensagem de texto. Mediante nossa união com a Mente, que tudo sabe, temos a intuição espiritual para discernir se o tempo que usamos a Internet é suficiente ou não. Pela nossa obediência à orientação que o Amor nos indica em cada situação, a cura acontecerá.

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Uma Herança Digna…

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UMA HERANÇA DIGNA DE SER REIVINDICADA

Robin Hoagland

Na opinião da maioria, meu nariz era igual ao de minha tia-avó Dorothy. Esse foi o consenso geral de uma daquelas conversas sem muita coerência durante reuniões de família, quando eu era ainda criança. Não que esse fosse um tópico importante para se tratar à mesa, devo admitir. Entretanto, parecia haver um interesse coletivo na razão pela qual esse meu traço fisionômico arrebitado, em particular, fosse tão diferente do perfil de meus pais. Portanto, de forma imprecisa, e em meio a fugazes lembranças e uma ou duas fotos antigas, minha individualidade foi explicada como hereditária.

O nariz de minha tia, as mãos iguais às do meu avô, as sardas de alguém que havia vindo de navio da Inglaterra séculos atrás. Eu parecia um prato onde juntaram todas as várias sobras depois de um piquenique em família.

Essa não é uma perspectiva muito gratificante, mas é muito frequente.

A ascendência tem sido há muito tempo uma maneira de identificar os traços dos indivíduos, das famílias, das tribos e das nações. Ao longo do tempo, a teoria por trás dela tem se expandido, retraído, sido revisada e reelaborada, a fim de acompanhar a maneira como pensamos sobre nós mesmos. Extensos pergaminhos de linhagem real, escritos à mão, deram lugar a sequências de códigos bioquímicos gerados por computador. Os registros de escribas sacerdotais foram transferidos a geneticistas com seus jalecos de laboratório.

No entanto, as premissas subjacentes à hereditariedade vieram para ficar e estamos presos a uma extensa linhagem de progenitores humanos, cada um passando adiante não apenas suas habilidades, mas também suas deficiências. Virtualmente, todas as disfunções, atrasos no desenvolvimento e doenças são hoje definidos em termos de um elo genético. Consequentemente, enquanto a origem de nossa identidade for buscada na matéria física, a panaceia permanece elusiva. Talvez toda a premissa de sofrimento humano deva ser reexaminada.

“A base das discórdias dos mortais é um conceito errado acerca da origem do homem”, escreveu Mary Baker Eddy, que foi a pioneira do sistema espiritual de cura na Ciência Cristã. “Começar certo é acabar certo” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 262).

Temos uma escolha a fazer. Começar pela matéria ou começar pelo Espírito. É como ficar entre dois trilhos de trem. Uma linha que chega e a outra que parte. A divergência não poderia ser mais extrema.

O homem não é uma constituição física limitada com uma vida útil limitada, mas é uma ideia eterna

Tomemos as palavras genética e gênesis. Ambas provêm da mesma raiz grega para “origem” ou “começo”. Entretanto, enquanto a genética se aprofunda na matéria em busca de uma sinopse física da nossa identidade, o gênesis nos conduz à Bíblia e suas palavras de abertura, elevando o pensamento para cima e para fora da matéria: “No princípio, criou Deus [Espírito] os céus e a terra” (Gênesis 1:1).

Será que estamos de volta à discussão infindável sobre evolução versus criacionismo?

Não. Nós não estamos diferenciando duas teorias sobre a origem de um universo material. O primeiro capítulo do Gênesis é uma bela e poética expressão da grandeza e inteligência de uma criação consistente com a natureza de Deus. Revela uma progressão do simples ao complexo, dentro do contexto do Espírito. É inteiramente boa e o homem (tanto macho quanto fêmea) é a imagem e semelhança de Deus. Portanto, como o semelhante produz o semelhante, o Espírito produz o homem espiritual. O homem não é uma constituição física limitada, com uma vida útil limitada, mas é uma ideia eterna, a expressão perpétua da sabedoria e amor infinitos de Deus.

Ao identificarmos a nós mesmos como o efeito espiritual de uma causa espiritual, podemos encontrar cura e restauração das condições e circunstâncias materiais, mesmo nas mais inflexíveis. Há uma bela ilustração disso no Evangelho de João, quando Jesus e seus discípulos se defrontam nas ruas de Jerusalém com um homem cego de nascença. Segundo a teoria amplamente aceita da época, somente uma ofensa contra Deus poderia causar defeitos congênitos.

A cegueira do homem era inconsistente com a natureza de Deus que tudo sabe e tudo vê

Em seguida, seus seguidores perguntaram: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego”? (João 9:2). De fato, eles estavam perguntando: “Qual a origem da deficiência desse homem”?

Jesus não lhes deu a resposta que esperavam, mas disse: “Nem ele pecou, nem seus pais” (João 9:3). A situação não era sobre a culpa (nem sobre os subsequentes sentimentos de culpa que podiam ter oprimido aquela família). Era simplesmente uma oportunidade, disse Jesus, para que fosse constatado o poder sanador de Deus.

De uma perspectiva espiritual, a cegueira do homem era inconsistente com a natureza de Deus, que tudo sabe e tudo vê. O homem, como a imagem e semelhança divinas, reflete a natureza de Deus. O que definia o homem, a matéria ou o Espírito? Para demonstrar qual origem deveria ser reverenciada, Jesus cuspiu na terra, passou a mistura barrenta nos olhos do homem e lhe pediu que os lavasse bem. Quando o homem obedeceu, descobriu que podia ver.

Não demorou para que esse homem compreendesse que a autoridade de Deus estava em ação no ministério de Jesus. Quando o homem confessou isso publicamente, foi ridicularizado e rejeitado pelas autoridades do Templo. Uma maravilhosa cura havia ocorrido: “Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença” (João 9:32). Entretanto, o sistema em vigor da época desconsiderou a explicação espiritual da cura do homem e repudiou o que Jesus oferecia à humanidade.

Nada da bondade e do poder de Deus se perdeu nas gerações seguintes desde Jesus

A cegueira pode assumir muitas formas. Ela pode rejeitar a evidência que não está de acordo com suas próprias teorias. A ascendência é uma área de especulação que revela nossos mais acalentados preconceitos. A própria linhagem de Jesus era controversa no meio dos judeus, que estavam esperando pelo Messias prometido. Seria ele um nazareno? O filho de um carpinteiro? Poderia ele realmente reivindicar que era da semente de Davi e assim cumprir a profecia?

O próprio Jesus instou uma redefinição radical de linhagem, quando recomendou: “A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus” (Mateus 23:9). Reconhecer Deus como o único Pai-Mãe verdadeiro, recoloca a herança junto às linhagens espirituais, e descobrimos que todos nós somos “co-herdeiros com Cristo” (ver Romanos 8:17), com todas as bênçãos e glórias que esse fato traz.

Nada da bondade e do poder de Deus se perdeu nas gerações seguintes, desde que Jesus caminhou pelas empoeiradas ruas de Jerusalém. Purificar a nós mesmos de um senso material acerca da nossa própria história, como fez o homem cego, traz cura para as condições hereditárias de hoje também.

Comecei a compreender o que significava reivindicar a Deus como meu Pai-Mãe

Em minha própria vida, não foram apenas as características físicas que foram levadas em conta entre as coisas que eu havia herdado. Como muitos parentes antes de mim, comecei a sofrer desde a adolescência de sintomas do que hoje é conhecido como distúrbio bipolar. Essa debilidade trouxe um grande problema para toda minha família. O alcoolismo e o suicídio faziam parte de seu trágico legado. Não havia cura pela medicina para esse mal. Disseram-me que ele fazia parte de quem eu era, algo com o qual teria de conviver e que podia, até certo grau, ser abrandado por meio de terapias diversas.

Ao saber disso, minha mãe sugeriu que eu pesquisasse a cura pela Ciência Cristã. Na ocasião, eu não via como a oração poderia mudar a identidade de alguém. Mas eu gostava muito das histórias de redenção e restauração na Bíblia e do modo como a Ciência Cristã as explicava, explicação essa fundamentada na lei divina, desconsiderando o que as pessoas simplesmente supunham que fosse lei. Com Deus, todas as coisas são possíveis.

No terceiro ano da faculdade, enquanto pesquisava essas ideias metafísicas em maior profundidade, comecei a compreender o que significava reivindicar a Deus como meu Pai-Mãe, minha origem, meu princípio, meu gênesis. Toda a plenitude, equilíbrio, inteireza, beleza, paz e a alegria inabalável que pertencem a Deus, pertenciam a mim como Sua filha. O semelhante produz o semelhante. Essa era a minha verdadeira herança e foi uma conclusão tão natural que eu realmente não notei a mudança que estava ocorrendo em mim. Entretanto, sentia esse profundo amor por Deus como meu verdadeiro Pai-Mãe, gentilmente me reorientando de muitas maneiras construtivas.

Na Ciência Cristã, o DNA perde seu terror como o árbitro de nossas capacidades e incapacidades

Quinze anos mais tarde, eu estava conversando com uma vizinha, cuja filha adotiva, uma de nossas babás favoritas, acabara justamente de receber o diagnóstico de distúrbio bipolar. Os sintomas que ela descreveu pareciam completamente estranhos para mim, e eu simplesmente acenei a cabeça com compaixão. Foi somente quando entrei em casa que me lembrei de repente que eu certa vez fora identificada com esse problema. Fiquei perplexa ao perceber que eu não havia pensado nisso nenhuma vez, desde a faculdade. O distúrbio tinha simplesmente desaparecido e nunca mais retornara. Alguém que tivesse me conhecido nos anos seguintes acharia absurdo que eu pudesse alguma vez ter sofrido disso. Rapidamente compartilhei tudo isso com minha vizinha que, pela primeira vez, sentiu-se encorajada pela possibilidade de libertação para sua filha também.

“Na Ciência o homem é o descendente do Espírito”, explica Ciência e Saúde. “O belo, o bom e o puro constituem sua ascendência” (p. 63). Que antídoto para uma sentença de condenação perpétua devido a um distúrbio genético! Na Ciência Cristã, o DNA perde seu terror como um árbitro de nossas capacidades e incapacidades. Por meio do raciocínio espiritual, podemos redefinir essa sigla em inglês como “Does Not Apply” (cuja tradução é “Não se aplica”) e em português talvez pudéssemos redefini-la como Deus Não Admite. Os filhos do Espírito não têm nenhum código material para limitá-los.

Será que isso significa que nós descartamos tudo o que recebemos dos nossos pais humanos? Se fizéssemos isso, correríamos o risco de violar o Quinto Mandamento: “Honra teu pai e tua mãe” (Êxodo 20:12). Ao contrário, o reconhecimento da herança espiritual de cada um de nós, incluindo nossos pais, concede-nos o maior tributo de todos. Ao levar avante o exemplo deles, ou seja, nada a não ser o melhor que sabemos deles, “o belo, o bom e o puro”, asseguramos um legado de honra duradoura, de geração a geração. Aquilo que não pertence primeiro a Deus, não pertence a eles também. Tem de ser deixado para trás sem nenhum nome e sem ninguém para reivindicá-lo agora … ou em alguma data futura.

Recebemos nossa herança diretamente de Deus

Aquelas árvores genealógicas, que traçam uma repetição interminável da vida humana e da morte, são substituídas pela árvore espiritual da única Vida. As folhas dessa árvore, explica o livro do Apocalipse: “são para a cura dos povos” (ver Apocalipse 22:2).

Tantos dos conflitos do mundo têm suas raízes em feudos tribais, ou seja, disputas entre famílias, e continuam ao longo dos séculos. Com um único Deus, uma única Origem ou Pai-Mãe, essas antigas disputas entre nós desaparecem. Recebemos nossa herança diretamente de Deus. Ela não fica diluída, deslocada nem desonrada, ao longo do caminho. Está intacta e não diminuída. Todos recebem a porção completa do Amor infinito, inexaurível.

A igreja cristã primitiva se deleitava com um senso de família não mais fundamentado no parentesco humano, na cidadania ou cultura. Os participantes se davam conta de que reivindicavam uma herança espiritual que os libertava de um extenso espectro de deficiências físicas, injustiças sociais e fraquezas morais. O Apóstolo Paulo escreveu exuberantemente: “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus. … Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gálatas 3:26–29).

Essa é a herança que não pode ser definida pelas gerações ou confinada pela genética. Ela oferece abundância espiritual ilimitada que libera todo o nosso potencial. Portanto, o que minha tia-avó Dorothy e eu realmente temos em comum é o mesmo Pai-Mãe, o Amor divino, e um legado em comum de Vida espiritual que individualiza para sempre cada um de nós como a expressão única do único Deus infinito!

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O Novo Nascimento

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NOVO NASCIMENTO

Mary Baker Eddy

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São Paulo refere-se ao novo nascimento como: “a espera da adoção, a redenção do nosso corpo”. O grande Profeta Nazareno disse: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”. (Mat. 5:8) nada que não seja a espiritualização—sim, a cristianização mais elevada—de pensamento e desejo, pode dar a verdadeira percepção de Deus e da Ciência divina, que resulta em saúde, felicidade e santidade.

O novo nascimento não é obra de um momento. Começa com momentos e prossegue por anos; momentos de submissão a Deus, de confiança como a de uma criança e de prazerosa adoção do bem; momentos de auto-abnegação, auto-consagração, esperança celestial e amor espiritual.

O tempo pode dar início ao novo nascimento, mas não pode completá-lo; isto é obra da eternidade, pois o progresso é a lei da infinidade. Só por meio de dolorosa agonia da mente mortal pode a alma, como sentido, ser acalmada, e o homem despertar à Sua semelhança. Que pensamento iluminado de fé! Que os mortais podem despojar-se do “velho homem”, até descobrir-se o homem como imagem do bem infinito que denominamos Deus, e apareça a plenitude da estrutura do homem em Cristo.

No homem mortal e material, a bondade parece estar só no embrião. Através do sofrimento, por causa do pecado e do gradual desaparecimento do sentido mortal e material do homem, o pensamento desenvolve-se em um cristianismo nascente, e, alimentando-se inicialmente com o leite da Palavra, ingere as doces revelações de uma nova Vida e um novo Amor mais espirituais. Estes alimentam a ávida esperança, satisfazem em grau elevado a ânsia por imortalidade e de tal forma consolam, alegram e abençoam o homem, que exclama: Nesta minha infância, isto é uma parcela suficiente do céu que desce à terra. Porém, a medida que alcancemos a maioridade no cristianismo, descobrimos quanto falta e que ainda é necessário para tornar-nos totalmente semelhantes a Cristo, que dizemos: O Princípio do Cristianismo é infinito; ele realmente é Deus; e este Princípio infinito requer infinitas exigências do homem, exigências que são divinas, não humanas; e a habilidade do homem para satisfazê-las provém de Deus, pois, sendo sua imagem e semelhança, o homem deve refletir o pleno domínio do Espírito—e com isto a sua supremacia sobre o pecado, a doença e a morte.

Isto significa, pois, o despertar do sonho da existência da vida na matéria, a grande realidade de que DEUS É A ÚNICA VIDA; em conseqüência do que, devemos admitir um conceito mais elevado tanto de Deus como do homem. Devemos reconhecer que Deus é infinitamente mais do que uma pessoa, ou uma forma finita, possa conter; que Deus é uma divina Totalidade, é tudo, uma oni-impregnada inteligência e Amor, um divino, infinito Princípio; e que o cristianismo é uma Ciencia divina. Esta recém-despertada consciência é totalmente espiritual; emana da Alma e não do corpo, e é o novo nascimento que começa na Ciência Cristã.

Agora, querido leitor, pausemos juntos por um instante para contemplarmos seriamente esta recém-nascida alteza espiritual, pois, esta afirmação requer demonstração.

Aqui estas frente a frente com as leis do Espírito, infinito, contemplando pela primeira vez o irreversível conflito entre a carne e o Espírito. Te encontras ante as horríveis detonações do monte Sinai. Ouves e registras os estrondos da lei espiritual da Vida que se opõe a lei material da morte; a lei espiritual do Amor, que se opõe ao sentido material do amor; a lei da harmonia e do bem onipotentes, oposta a qualquer suposta lei de pecado, doença ou morte. E, antes que se tenham extinguidas as chamas neste monte da revelação, te descalças, tal como o patriarca de antanho, — pões de lado os teus impedimentos materiais, opiniões e doutrinas humanas, renuncias à tua religião mais material, com os seus rituais e suas cerimonias, livras-te da tua “matéria médica” e higiene, por serem piores do que inúteis—para sentar-te aos pés de Jesus. Nesse caso, te inclinas humildemente ante o Cristo, a idéia espiritual que o nosso grande Mestre nos trouxe do poder de Deus para curar e salvar. Então acontece que contemplas pela primeira vez o Principio divino que redime o homem da maldição do materialismo, — pecado, doença e morte. Este nascimento espiritual revela à compreensão extasiada uma concepção mais elevada e mais sagrada da supremacia do Espírito, e do homem como Sua semelhança, por meio da qual o homem reflete o poder divino para curar os enfermos.

Um nascimento material ou humano é a aparição de um mortal, não da de um homem imortal. Este nascimento é mais ou menos prolongado e doloroso, de acordo com as circunstancias oportunas ou inoportunas, segundo às condições normais ou anormais que o acompanham.

Com o nascimento espiritual, a existência primitiva, impecável e espiritual do homem desponta no pensamento humano, — através da agonia da mente mortal, de uma esperança frustrada, do perecível prazer e das se acumulando dores dos sentidos, — mediante o qual se perde o conceito de si mesmo como matéria, e se adquire um sentido mais verdadeiro do Espírito e do homem espiritual.

A purificação ou a repetido batismo pelo Espírito, desenvolve, passo a passo, a semelhança original do homem perfeito, e apaga o signo da besta. “O Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe” (Hebreus 12:6); portanto, regozije-se na tribulação e acolha com alegria estes sinais espirituais do novo nascimento sob a lei e o evangelho do Cristo, a Verdade.

As proeminentes leis que ativam o nascimento na divina ordem da Ciência, são estas: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3); e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mat. 19:19).

Traduzidos para a nova língua, ao seu sentido espiritual, estes mandamentos de infinita sabedoria significam: Amarás unicamente e Espírito, em toda a sua qualidade deifica, ainda que em substancia, e não o seu oposto; te reconhecerás unicamente como filho espiritual de Deus, e reconhecerás o verdadeiro homem e a verdadeira mulher, os todo harmoniosos “macho e fêmea”, como de origem espiritual, o reflexo de Deus, — portanto, como filhos de um mesmo Pai, — no qual e pelo qual Pai, Mãe e filho são o Princípio divino e idéia divina, sim, o divino “Nós”—um no bem e o bem em Um.

Com este reconhecimento, o homem jamais poderá separa-se do bem, Deus; e abrigará, necessariamente, um amor constante para com o seu próximo. Só quando admitimos o mal como sendo uma realidade, entrando consequentemente num estado de maus pensamentos, acreditamos poder separar o bem-estar de um homem daquele de toda a família humana e, desta forma, tentar separar a Vida de Deus. Este é o equívoco que nos causa muito arrependimento e que deve ser superado. Não saber o que nos está abençoando, mas acreditar que algo que Deus envia é injusto—ou que Ele ordena aos Seus emissários a causar-nos injustiça—está errado e é cruel. A inveja, os maus pensamentos, maledicência, a avareza, a luxúria, o ódio e a malícia sempre fazem mal, quebrarão a regra da Ciência Crista e impedirão a sua demonstração; mas a vara de Deus e a obediência exigida de Seus servidores, para levar a cabo o que Ele os ensina, jamais são inclementes, jamais imprudentes.

A tarefa de curar os doentes, é muito mais fácil do que ensinar o Princípio divino e as regras da Ciência Crista de tal forma que elevem os afetos e os motivos dos homens, para que aceitem estas regras e este Princípio e os demonstrem na vida diária. Aquele que escolheu o nome de Cristo, que virtualmente aceitou as exigências divinas da Verdade e do amor na Ciência divina, diariamente se afasta do mal; e todos os esforços iníquos de supostos demônios, jamais podem mudar o curso daquela vida que flui invariavelmente a Deus, sua fonte divina.

Porém, o mais espantoso pecado que os mortais podem cometer é usar o libre do céu para come ele cobrir a iniquidade. Eu teria mais confiança em um médico honesto que, com o seu tratamento atua de acordo com as suas declarações e seus conhecimentos, segundo o seu mais alto critério, para curar-me, do que poderia ou quereria Ter em um hipócrita lisonjeiro ou um mal-praticista mental.

Entre as forças mentais centrípetas e centrífugas de gravitações materiais e espirituais, nós entramos no ou saímos do materialismo, ou seja, do pecado, e escolhemos assim o nosso rumo e seus objetivos. Qual, então, será a nossa escolha: o pecaminoso, material e perecível, ou o espiritual, proporcionador de alegria e eterno?

O sentido espiritual da Vida e seus nobres propósitos são em si mesmo um benção que proporciona saúde e inspira regozijo. Este sentido da Vida ilumina a nossa senda com o esplendor do Amor divino; cura o homem espontaneamente, moralmente e fisicamente—exalando o aroma das palavras de Jesus: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11:28).

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