NUNCA TENTE MUDAR UMA PESSOA OU CONDIÇÃO

NUNCA TENTE
MUDAR UMA PESSOA OU CONDIÇÃO
Joel S. Goldsmith

Tão logo você avance na prática e, através da meditação, possa alcançar o ponto em que estará acima “deste mundo”, irá me conhecer como eu sou e irei conhecê-lo como você é. É assim que ocorrem as curas, e isso explica porque previno aos estudantes que não digam às pessoas que devam se corrigir, e que não recusem pacientes que não pareçam estar agindo conforme eles julguem ser o certo. O estudante não tem nada com isso. Cabe-lhe se voltar ao próprio interior e ver a pessoa necessitada de ajuda como sendo Deus; e então, rapidamente o paciente se amoldará ao “modelo que te foi mostrado sobre o monte” (Hebreus 8:5).

O mundo está hipnotizado a tal ponto por pessoa, local e coisa, que dispondo de boa pessoa, bom lugar e boa coisa, todos julgam isso tão agradável e confortável que, desejando desfrutar desses efeitos, não buscam nem desejam algo mais elevado do que eles. Estes prazeres e usufrutos materiais, contudo, não podem ser uma graça permanente, pois, por mais bem que a pessoa possua, ela ainda continuará flutuando entre os pares de opostos (bem e mal).

Assim, digo-lhe mais uma vez: se for levado a tratar uma pessoa na intenção de mudá-la ou aumentar-lhe os bens “deste mundo”, ou se você temer a guerra, a depressão, a bomba atômica, você estará hipnotizado. A questão será, nesse caso, simplesmente a de se saber em que data você será posto num túmulo. Entretanto, se você captar esta visão espiritual, no momento em que for deixar este mundo, passará por uma experiência de transição que será melhor e mais elevada do que esta.

Você não pode tratar uma pessoa; não pode tratar uma condição. Seria o mesmo que tentar tratar “cobras vistas no vaso”, dizendo: “Preciso escapar de minhas três cobras” (No caso de um vaso em que  flores sejam vistas como cobras, por sugestão de um hipnotizador). Assim que me livrar delas, terei condições de estudar melhor.” Pode ver que grande tolice? Não há cobra alguma presente; portanto, jamais irá conseguir escapar delas. Tudo o que tem a fazer é escapar do hipnotismo!

Quando de fato você souber disso e acreditar  – não apenas aceitar as palavras -, não terá mais que estudar a Verdade, pois o único objetivo deste estudo é aprender que o hipnotismo é a única ilusão; tendo isso sabido, não haverá mais o que estudar. Todo o restante ficará para ser vivenciado dentro de nosso próprio ser.

No instante em que tentar mudar ou melhorar um estado de doença ou condição, você próprio estará hipnotizado, uma vez que inexistem doenças ou condições apartadas do mesmerismo ou hipnotismo. Portanto, ser levado a trabalhar uma condição apenas irá torná-la inteiramente pior.

Aqueles que estão lendo ou estudando a Verdade, ou que estão empregando a Verdade para obter uma cura, suprimento ou outra coisa qualquer, logo perceberão que quanto mais fixarem suas mentes no anseio de escapar da condição ou obter uma cura, mais estarão se envolvendo com a miragem da ilusão. É preciso notar que não há nenhuma demonstração humana a ser feita. Há somente uma demonstração, e esta é obter a conscientização de Deus.

Quando você puder conscientizar Deus, conseguirá tudo: terá vida imortal; eternidade e infinitude. Você não poderá demonstrar um lar, uma companhia, um divórcio ou um trabalho: poderá apenas demonstrar a Presença de Deus, e esta inclui toda natureza da demonstração externa que deva ser feita.

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O HIPNOTISMO É A SUBSTÂNCIA DE TODA DESARMONIA

O HIPNOTISMO
É A SUBSTÃNCIA DE TODA DESARMONIA

JOEL S. GOLDSMITH

Diferença alguma há entre o inferno da pobreza e o da guerra, doença ou pecado. Nenhum é pior do que os outros. São formas diferentes de uma coisa única, e esta coisa única é o hipnotismo. Num homem, o hipnotismo aparece na forma de coisas ou pensamentos pecaminosos; em outro, aparece como pobreza. A forma específica não importa: tudo é hipnotismo. Afastado o hipnotismo, nada daquilo permanecerá. Há somente uma ilusão, que é o hipnotismo.

Se formos induzidos a dar “tratamento” a pessoas – tratá-las dos nervos, de alguma causa mental de doença física, de ressentimento, ódio, ciúme ou raiva, ou se formos tratá-las de câncer ou tuberculose – não estaremos sendo praticistas de cura espiritual: estaremos praticando medicina, por tratarmos de efeitos, sejam eles pecado, doença ou pobreza; e, mesmo que eliminemos um deles, dois outros efeitos surgirão em seu lugar.

Enquanto não dermos com o machado à raiz da árvore, que é o hipnotismo, não seremos libertos da consciência material ou mortal. Ao nos capacitarmos a ver através do hipnotismo, alheios a nomes de pecados, doenças ou carências, nosso paciente ou estudante irá experienciar harmonia, saúde, integridade e suficiência. Se o problema dele for com os nervos, ele se verá livre; se for de desemprego, ele se verá empregado; se  for de doença, ele se sentirá saudável. Por quê? Pela habilidade do praticista em “ver através do hipnotismo” e perceber a Deus sendo o Princípio de tudo aquilo que é.

Muitas vezes, porém, mesmo tendo compreendido o hipnotismo atuando como sugestão ou aparência, o estudante ainda crê na existência de uma condição real a ser destruída. Nessas situações, ouvimos frases como: “Veja o que o hipnotismo está fazendo comigo!” Entretanto, o hipnotismo não é uma condição real. O hipnotismo não pode produzir água no deserto, nem cobras num vaso de flores. O hipnotismo é, em si, sem substância: sem forma, sem causa e sem efeito. Reconhecer alguma forma ou aparência de ilusão como hipnotismo, soltando-a sem lhe dar maior importância, eis a maneira correta de lidarmos com toda ilusão. Reflita sobre esta ideia de o hipnotismo ser a substância de cada forma do universo material e mortal que lhe está aparecendo. Ao ver pecado, doença, falta e limitação, lembre-se: aquilo é hipnotismo sendo-lhe apresentado sob aquele formato de mal. Mas, também ao ver as maravilhas ao seu redor, montanhas, oceanos, o sol radiante, lembre-se: estas, igualmente, são formas de hipnotismo, mas aparecendo, dessa vez, no formato de bem.

Isto não significa que deixaremos de desfrutar os bens da vida humana; antes, nós os desfrutaremos pelo que eles são – não como algo real em si ou de si mesmos, isto é, por detrás de todo bem está o Algo espiritual que deve, portanto, ser espiritualmente discernido. Nós desfrutamos as formas do bem reconhecendo-as como temporárias, não como algo a ser estocado, algo a ser enterrado em cofres, mas como algo a ser usufruído; e então, dia a dia iremos prosseguindo, deixando que o “maná” nos caia novamente.

Frente aos aspectos negativos do hipnotismo, isto é, as formas de pecado, doença, falta e limitação, o ponto mais importante  a ser lembrado é o seguinte: não devemos ser iludidos no sentido de tentar reformar o mal ou as pessoas pecaminosas. Pelo contrário, devemos reconhecer imediatamente: “Oh, não! Isto é o hipnotismo, aparecendo em mais uma forma, hipnotismo que, em si e de si mesmo, não possui substância, lei, causa ou efeito de qualquer forma de realidade”. Esta prática é que o torna um praticista de cura espiritual.

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"PESCADORES DE HOMENS"

“PESCADORES
DE HOMENS”
Joel S. Goldsmith

Nas escrituras e literatura espiritual, muitas referências dão indicações de que você deverá modificar algo em seu modo de vida, ou  fazer alguma coisa para receber a Graça de Deus. Lembre-se do que agora lhe digo: a responsabilidade não lhe pesa sobre os ombros nem sobre os ombros de alguém. Assim, peço-lhe que se abstenha de criticar ou julgar as pessoas e, especificamente, deixe de julgar, criticar, condenar ou menosprezar a si mesmo e sua própria compreensão, pois a responsabilidade pelo seu aprimoramento não recai sobre seus ombros: recai sobre os ombros do Cristo.

Relaxe mais na conscientização de que o Cristo é quem o está conduzindo, guiando e dirigindo. Nunca creia que os santos, sábios e profetas do mundo, por alguma grandiosa ação de vontade própria, chegaram àquela posição, pois não é verdade. Mesmo atualmente, constatamos a existência de um número suficiente  de amadas luzes espirituais, mestres, líderes e praticistas, para sabermos que jamais alguém abandonou o conceito pessoal de vida para se tornar esse mestre ou líder espiritual conhecido: saíram do mundo dos negócios ou dos afazeres caseiros pela Graça de Deus, que os tornou “pescadores de homens”.

O Mestre andava pela encosta e, ao escolher seus discípulos, prometeu-lhes: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”. Você poderia pensar que eles fossem homens de elevada compreensão, pela obediência que demonstraram. Mas não, eles não possuíam poder algum para deixar de obedecer.Não possuíam maior poder para resistir ao chamado do Mestre do que o poder que temos, você ou eu, para fazer isto. Quando o Mestre disser: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”, você irá obedecê-Lo. Você já vinha fazendo isso, pelo sacrifício de tempo, dinheiro, esforço, e pelos seus estudos e meditações. Já pôde demonstrar ser incapaz de resistir à atividade do Cristo em sua consciência, mesmo que tivesse esse desejo ou vontade, o que certamente não é o caso. Mas, se fosse, e se lhe faltasse compreensão, sabedoria, coragem ou determinação, mesmo assim nenhuma diferença faria, pois há algo em você superior a qualquer ideia humana de rebelião ou de anseio por conforto material.

Realmente, o ser humano tem o desejo normal e natural de querer ficar no conforto, e são pouquíssimos os que despendem tempo, esforço e dinheiro para ampliar seus conhecimentos sobre Deus como você vem fazendo. Ah, não! O ser humano tem casamentos para comparecer, funerais, necessita de retirar jumentos caídos na vala. O ser humano dispõe de muitas coisas que lhe ocupam o tempo—teatro, reuniões, atividades esportivas–, e deixa de atender à atividade do Cristo. Mas, uma vez tocado e chamado pelo Dedo divino, esteja certo de uma coisa:  irá atender a esse chamado.

Após serem escolhidos, teriam os discípulos alguma responsabilidade por suas carreiras? Não! O Mestre os enviou. Foram mandados sem bolsa e sem alforje; seguiram o caminho determinado, e sobreviveram. Noutra ocasião, seguiram com bolsa e alforje, e também sobreviveram. O Mestre levou alguns ao topo da montanha – ele os levou. Teriam ido por conta própria? Não! Ele os levou. Tiveram poder para resistir? Não! Também você e eu não temos esse poder. Isto constitui a vida pela Graça. Tudo que hoje transpira em sua vida, e tudo que irá transpirar, a partir de agora até a eternidade, é e continuará a ser uma atividade da Graça.

Ah, eu sei que alguns, e talvez até eu mesmo  esteja aí incluído, tentarão resistir por certo tempo! Vez ou outra tentarão ficar de lado, retornando a algum senso, vontade ou ambição de cunho pessoal; mas, serão forçados a voltar, pois nenhuma condição para resistir ao Cristo lhes será concedida. Quando ocorre o chamado, somos incapazes de rejeitá-lo ou de refutá-lo. É verdade que poderemos negar o Mestre até mesmo “por três vezes”; poderemos ser acusados de traição, de estar dormindo no Jardim de Getsêmane. Que importa? Não nos deixemos ficar perturbados ou alarmados por causa disso. Que não haja autocondenação por estas nossas faltas!  Percebamos que aquilo foi a parte da ilusão que não pudemos evitar; mas que, devido à Graça divina, o ultimato da salvação nos será ainda mais inevitável.

Foi bem mais inevitável que Pedro curasse aquele homem à porta do templo Formosa, do que ele negasse o Cristo. Sua negação do Cristo foi mero incidente, daqueles pequenos exemplos em que um ser humano cai à beira do caminho, para assegurar popularidade junto às massas, ou por temer algum castigo. Não sejamos tão severos nesses julgamentos. Talvez cada um de nós fizesse o mesmo! Talvez! Neste mundo, há pessoas que, por este ou aquele motivo, renunciam temporariamente à dedicação plena ao seu seguimento ao Cristo. Sejamos bondosos, justos e compassivos com elas. São apenas traços de humanidade ainda presentes,  que pouco diferem da cena em que os discípulos caíram no sono, quando estavam no jardim. Não há nenhum dano real nisso tudo! Trata-se apenas de um lapso temporário.

O inevitável, portanto, era ocorrer o despertar dos discípulos para o Pentecoste, com a descida do Espírito Santo sobre eles, apesar de todas aquelas experiências. Passaram a ouvir em sua própria língua a linguagem do Espírito; e, a partir de então, foram cuidar “dos negócios do Pai”. Ainda assim, ainda erraram em achar que poderiam distribuir seus recursos e viver satisfeitos por dividi-los entre os membros do grupo. Concluíram, porém, que todos deveriam viver segundo o próprio estado de consciência; que deveriam demonstrar sua maior ou menor entrada de recursos; que deveriam demonstrar seu grau de conforto e de harmonia na vida, não pela força ou poder, não pela divisão daquilo que está neste mundo, não às custas de outra pessoa, mas pelo próprio grau de conscientização do Cristo em si mesmos.

No mundo quadridimensional, você vive pela Graça—“não pela força ou pelo poder, mas pelo Meu Espírito”. Cada um é responsável pela própria integridade; cada um é responsável pelo seu próprio desenvolvimento; porém, se for julgar pelo mundo das aparências, durante sua “jornada de 40 anos pelo deserto”, é possível que encontre alguns escorregando, escorregando, escorregando, por longa distância no sentido contrário ao Caminho. Talvez chegue a ficar chocado com certas coisas que saberá daqueles que aparentemente tinham já avançado boa distância da jornada. Seja caridoso: lembre-se de que tudo não passa de pequena fraqueza humana, e esteja certo de que o Cristo a dissolverá, uma vez que a atividade do Cristo é a dissolução da humanidade de alguém, de suas fraquezas e de suas ilusões.

Paciência! Paciência! Você dispõe de uma eternidade para trabalhar em sua salvação. Paciência! Seja paciente com os demais, e também consigo próprio. Perdoe a si mesmo, e com a frequência que chegar a cair, levante-se novamente. Não haverá escolha! Inevitavelmente, a Voz fará soar em seus ouvidos: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”

Ficará então ciente de que é o “Eu” quem o estará chamando. Saberá que não será sua vontade própria agindo, e isto o impossibilitará de ser bem-sucedido ou mal-sucedido. Lembre-se: você não poderá ter sucesso nem fracasso. Por quê? Porque Eu o chamei para fazer de você “pescador de homens”. Assim, haverá de ser o Meu sucesso operando em você e através de você, e isso para que se cumpra o Meu objetivo. Dessa forma, você passará a ser simplesmente um instrumento.

Em momentos de insucesso temporário, faça-se recordar que também aquilo faz parte do plano. Talvez seja a parte dele que irá ensiná-lo que você, de você mesmo, não pode ter sucesso nem fracasso, pois o Eu, que o chamou, é o único sucesso.

“Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Eu farei isto. Que é este Eu? Onde está este Eu? Este Eu do nosso ser não é Deus? Que seria mais poderoso? Eu ou um remédio material? Eu ou o dinheiro no Banco? “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Siga este Eu, que está dentro de você, o Pai interior.

Siga este Cristo, este Princípio, este Espírito que se aloja no interior de seu próprio ser, e verifique que, por se abdicar das dependências materiais da vida, terá o desenvolver de uma vida espiritual mais elevada, apurada e jubilosa, manifestada como saúde melhorada e suprimento mais abundante.

Será capaz de abrir mão de todas as dependências materiais? Será capaz de abandonar a dependência à sua família, com relação ao amor, justiça e compaixão, esperando que tudo venha do Pai? Será capaz de transferir sua expectativa de justiça de um júri ou juiz para o Pai, no interior de seu próprio ser? Ou de transferir sua expectativa de gratidão, recompensa, reconhecimento ou apreciação por parte de patrão, funcionários,  membros de sua família, unicamente para o Pai dentro de você? Será capaz de seguir somente o Espírito interior, e não o senso pessoal exterior?

Onde está você , em consciência? Naquela que diz ao Mestre: “Não, aguarde um pouco mais. Devo pescar para sustentar minha família… siga em frente, enquanto aqui ficarei confiando em seres humanos para receber recompensa, reconhecimento, cooperação, gratidão.”? Ou tem alcançado aquele ponto de consciência dos discípulos, que sem questionamentos deixaram suas redes?

O Mestre não pediu àquelas pessoas que seguissem um homem de nome Jesus. Pediu-lhes que seguissem o ensinamento de que o Eu interior é o Messias. E hoje, ninguém lhe está pedindo que siga um homem ou um livro, mas que sigam a Mim, o Eu, o Espírito, no âmago de seu próprio ser.

Deixem suas “redes”, e sigam o Eu. Deixem seus meios e costumes materiais, e sigam o Eu, o Espírito dentro de vocês, o divino Cristo, depositando nEle maior confiança do que em algo ou alguém do reino exterior.

Ao menos alguns dentre vocês estão no ponto de desenvolvimento espiritual para serem chamados, hoje, a escolher a quem irão servir. Alguns não tinham ainda deixado suas “redes”; alguns não tinham ainda abandonado sua dependência ou confiança em meios materiais ou em seres humanos; alguns não tinham ainda aprendido a confiar inteiramente no Pai interior. Mas, agora, vocês estão sendo chamados para deixarem as suas “redes”.

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A VOZ DE SUA ALMA

A
VOZ DE SUA ALMA
Joel S. Goldsmith

O que você é por dentro – não o que você afirma ser – é tão aparente que você não pode escondê-lo de ninguém. Se você usa uma máscara, mais cedo ou mais tarde o mundo o verá por trás dela. Ninguém pode enganar durante muito tempo. Mas aquilo que você é finalmente terá expressão. Por isso, fique quieto. Nada diga, nada reclame, mas desenvolva a capacidade de sua Alma estudando e meditando, e deixe que Ela fale por você. Sente-se em casa e deixe que aquela parte do mundo que você pode abençoar venha a você e deixe que o resto do mundo passe ao largo. Você não precisa dele.

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"O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO" – 6 – Final

“O MEU REINO
NÃO É DESTE MUNDO”
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Joel S. Goldsmith
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PARTE 6 – FINAL
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Esta prática nos faz abandonar a busca pelo bem material. Não estamos pensando em termos de melhor corpo físico; antes, estamos “ausentes do corpo, e…presentes com o Senhor”, e toda a nossa atenção se volta em direção à harmonia espiritual, não para um melhor relacionamento humano, não para melhor saúde, não para mais dinheiro, mas para a paz e a harmonia do Meu reino:

“Meu reino impera
aqui – não um bem humano e não um mal humano – mas Meu reino, o reino de Deus.

Se existe algum mal humano aqui, algum pecado, ódio, inveja, ciúme ou malícia, o que é dele? Ele não é pessoa nem poder. Ele não pode ser manifesto; e, portanto, tem que morrer pela sua própria nulidade. Ele é temporal e impessoal; jamais possui uma pessoa em quem ou através de quem possa se manifestar. Ele é o “braço de carne”, ou o nada.

O amor divino, não o amor humano, é o único poder operando neste lugar em que Eu estou. A sabedoria divina,  não a inteligência humana, é o único poder operando em minha vida.

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Assim, mais e mais a nossa atenção vai sendo centralizada no reino de Deus e Sua graça,  em vez de na forma e efeito; e então, assim que estivermos ausentes do corpo da forma e do efeito, aquele corpo, a forma e o efeito aparecerão harmoniosamente.

F I M

"O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO" – 5

“O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO”
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Joel S. Goldsmith
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Parte 5

Ao sermos capazes de compreender a natureza do universo espiritual, as formas deste mundo começarão a desaparecer: formas de doença, pecado, falsos desejos, falta e limitação. Todas elas irão sumir, dando lugar às condições e relacionamentos harmoniosos, que serão manifestados de nosso estado de consciência mais elevado.

Nosso mundo é a exteriorização de nosso estado de consciência; o que semearmos, colheremos. Se semearmos na carne, colheremos corrupção: pecado, doença, morte, falta e limitação. Se semearmos no Espírito, colheremos a vida eterna. A palavra “semear” pode ser interpretada como “ser consciente de”. Se estivermos conscientes de que o reino espiritual é o real, enquanto aquele testemunhado pelos cinco sentidos é sem poder, temporal, o “braço de carne”, estaremos semeando no Espírito e colheremos harmonia no corpo, na mente, no bolso e nos relacionamentos humanos. Se continuarmos a temer o ”homem em cujas narinas há um sopro”, se continuarmos a temer infecção, contágio e epidemias, estamos semeando na carne; por sua vez, se percebermos que todo o poder está no invisível, estaremos semeando no Espírito, e colheremos a harmonia divina.

O Meu reino, o Cristo-reino, é o real, e ele é poder. Tudo que nós vemos, ouvimos, provamos, tocamos e cheiramos, o reino temporal, é a ilusão, e não é poder.

O caminho espiritual é o solo de treinamento onde nós adquirimos a convicção de que o mundo temporal está apresentando meramente um quadro de poder temporal, e poder temporal não é poder. O Invisível, somente, é poder; o Invisível que constitui o Eu que realmente somos.

Vamos considerar aquela ideia em relação ao nosso corpo. Porque nosso corpo é visível, não existe poder nele; ele não pode ser saudável ou doente; o poder está no Eu que nós somos. Se acreditarmos que este corpo tem poder, estaremos dando poder ao universo temporal. Olhando para o mundo finito e para o corpo finito, poderemos mudar inteiramente a nossa experiência pela conscientização:

Como você é efeito, o poder não está em você; o poder não está nesse corpo, e meu corpo não pode responder-me. Eu falo a ele, e lhe asseguro que Eu sou sua vida, Eu sou sua inteligência, Eu sou sua substância, Eu sou sua lei – aquele Eu que Eu Sou – e então, o corpo tem que obedecer.
Continua…>

"O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO" – 4

“O MEU REINO
NÃO É DESTE MUNDO”
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Joel S. Goldsmith
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PARTE 4
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Tão logo reconheçamos o mal como um poder temporal, podemos sorrir internamente e perceber o seu significado como não-poder, pois aquilo que não é de Deus não é poder. Deus nos deu o domínio sobre tudo que existe e, portanto, isto que aparece como poder é temporal. Todo poder é invisível. Este perigo que é tão aparente e visível não pode ser poder e não pode ser de Deus.

E ao sentarmo-nos ao lado de uma pessoa doente, conscientizando: “Eu não dou poder a essa doença, a esse pecado ou falso desejo. Isto é poder temporal, ou seja, não é poder, e eu não acreditarei nele”, iremos notar a sua melhora, e saberemos ter comprovado, mesmo em pequena escala, que o poder temporal não é poder sob qualquer forma.

A vida espiritual não nos leva a vencer o mal, mas ao reconhecimento da natureza do mal: o mal não tem nenhuma direção de Deus; o mal não tem nenhuma lei de Deus para mantê-lo; o mal não tem nenhuma Deus-existência, Deus-objetivo, Deus-vida, Deus-substância ou Deus-lei: ele é temporal, o “braço se carne”, ou o nada.

Enquanto orarmos para que um poder divino vença o mal, estaremos resistindo a ele, mas se estivermos ancorados na verdade, repousamos na realização de que essa coisa que nos encara é uma miragem, não um poder, e que não precisamos temer o que o homem mortal nos possa fazer ou o que ele possa pensar ou ser. Todo o temor do poder mortal é dissolvido – poder temporal, poder material, leis de infecção ou contágio, calendários ou idade – porque sabemos que nada do reino dos efeitos é poder. Todo poder é invisível, e o que está aparecendo a nós como poder é uma imagem mental no pensamento, um quadro, um conceito errado de poder.

O conhecimento dessa verdade nos torna livres; mas, enquanto a estivermos conhecendo, nossos pensamentos e ações devem estar de acordo com a verdade que estamos conhecendo. Não podemos negar o poder do efeito e logo no minuto seguinte cedermos a ele, ou falando claramente, não podemos negar o poder do efeito e depois odiar ou temer alguém, já que ele é parte daquele efeito.

Se formos incapazes de fazer isso em cem por cento, ou se ocasionalmente falharmos, não devemos ficar desencorajados. É quase impossível alguém mudar da noite para o dia de um estado de consciência material para um estado de consciência espiritual, ou tornar-se integralmente ou totalmente espiritual após somente um ou dois anos de meditação.

Sejamos agradecidos ao fato de que, após termos posto os pés no caminho espiritual, passamos a viver dessa maneira, atingindo em alguma medida aquela “mente que estava também em Cristo Jesus”, e, nessa mesma medida, embora pequena, demonstrando externamente seus frutos. Não estamos na expectativa de atingir a Cristicidade de um único salto, mas de ir atingindo aquela Mente Crística pela dedicação diária a esse tipo de prece e meditação. Ao visualizarmos o universo temporal, deveremos conscientizar:

“Este mundo não é para ser temido,
odiado ou amado: isto é a ilusão; e, exatamente onde está a ilusão,
é o reino de Deus, o Meu reino.

Meu reino é a realidade. Isto que meus olhos veem
e meus ouvidos ouvem é uma contrafação superposta, não existente como um mundo, mas como um conceito,
um conceito de poder temporal.

O Meu reino está intacto;
o Meu reino é o reino de Deus;
o Meu reino é o reino dos filhos de Deus;
e o Meu reino está
aqui e agora.

Tudo que existe
como um universo temporal é sem poder.
Não preciso odiá-lo, temê-lo ou
condená-lo; preciso somente
compreendê-lo.

Continua…>

"O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO"

“O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO
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Joel S. Goldsmith
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Parte 3

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Como temos apontado, um dos princípios básicos da vida espiritual é que, para a consciência transcendental, o poder temporal não é poder, tanto  de natureza mental como física. Somente a Graça de Deus é poder, somente a consciência realizada da Unidade, do poder uno e do não-poder de tudo mais além de Deus. As preces falham porque tem sido uma tentativa de vencer um poder temporário que na realidade não é poder. Tais preces são o mesmo que tentar vencer uma miragem no deserto ou tentar vencer um fato em que duas vezes dois sejam cinco. Como seria possível usar um poder sobre uma não-existência?O mundo humano está repleto de poderes temporais: doença, dinheiro, política, guerra e preparativos para a guerra. Persistir na velha prece de “Ó, Deus, vença nossos inimigos!” será perda de precioso tempo e energia, pois, tais preces jamais tiveram nem terão sucesso algum.

O esforço físico e mental, e finalmente a intenção de usar Deus para dominar os males deste mundo, deve falhar, porque eles não são poder e não precisam ser vencidos. Unicamente a nossa aceitação da crença universal de que o mal é poder é que pode provocar nossa permanência prolongada nas condições malignas. No instante em que aceitamos a Deus como Onipotência, nosso problema começa a desaparecer.

Quando percebermos que o Cristo-reino não é deste mundo e ainda que aquele Reino é o único poder no mundo, então, quando formos apresentados a uma aparência do mal, não importando o que ou quem possa ser ela, nós pararemos e nos perguntaremos: “Isto é poder espiritual? Esse mal é poder de Deus? Pode haver um poder do mal vindo de Deus? Tal pretensão de poder não é, portanto, apenas poder temporal?”

O ensinamento integral do Mestre foi a revelação do não-poder do que aparecia como poder. Ao homem cego, ele disse: “Abre teus olhos”; sabia que não havia poder para mantê-los fechados. Ao homem de mão mirrada, ele foi capaz de dizer: “Estende tua mão”; sabia que não existia um poder que tolhesse a mão dele. O ministério inteiro de Jesus foi a revelação de que o chamado “este mundo”, enquanto existir, – e lhe foi dada a missão de dissolvê-lo – não existe como poder, existindo tão somente como uma aparência. Esta realização nos possibilita ficarmos sentados em quietude e em secreto, discernindo:

Deus, somente, é poder. Isso que me tem confundido, e com que venho lutando, é uma aparência que retenho em meu pensamento como uma imagem mental; não é realmente uma coisa. Eu não posso vencer uma batalha contra o nada, mas posso relaxar-me em quietude e em secreto, e perceber que esse quadro com que estou me deparando nada mais é que um quadro – não uma pessoa ou uma condição, mesmo que ele possa aparecer como pessoa ou como condição.
Continua…>
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"O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO" -2

“O MEU REINO
NÃO É DESTE MUNDO”
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Joel S. Goldsmith
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Parte 2
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Os antigos gregos diziam: “Homem, conhece-te a ti mesmo”. Esse “Ti” não é outro senão o filho de Deus em nós. Há uma parte de nosso ser, uma área de nossa consciência, que é o filho de Deus; e quantos de nós possui qualquer conhecimento dessa parte do ser, ou possui qualquer familiaridade com este nosso Ego mais íntimo? Como poderemos conhecer aquele filho de Deus em nós? Somente nos volvendo para nosso interior, onde o reino de Deus está, reservando um tempo para ficarmos a sós e buscando o reino de Deus dentro de nós. Se formos pedir algo a Deus, então peçamos a Deus que Se revele, que mostre o filho de Deus em nós, que revele a natureza de Sua graça e do reino espiritual e a natureza das riquezas celestiais das quais somos herdeiros.

Ao nos dedicarmos à busca desse reino espiritual, descobriremos nosso mundo exterior se ajustando em seu lugar por si mesmo; as coisas começam a acontecer; e, de repente, despertamos para a descoberta de que a graça de Deus nos tem trazido algo de natureza incomum na forma de cura, suprimento, companhia, ou de um instrutor para abrir os nossos olhos. Mas estes não vêm enquanto estivermos orando por eles. Surgem, não devido aos nossos pensamentos ou orações, mas pela retirada deles de nossos pensamentos, deixando Deus cuidar de nossas necessidades à Sua maneira, enquanto centralizamos nossa atenção naquilo que o reino realizado de Deus é. Todas as coisas duradouras do reino material nos são acrescentadas quando não oramos por elas, quando buscamos somente o Reino, quando nosso pensamento não está mais nas coisas “deste mundo”, mas está centralizado no reino espiritual.

Quando tivermos progredido o suficiente neste Caminho, seremos também tentados, como foi o Mestre, a usar o poder espiritual, e é quando precisaremos resistir à tentação de realizar milagres e sermos guiados pela sabedoria espiritual do Mestre, de não glorificar ou nutrir o ego. Se pudéssemos transformar pedra em pão, não precisaríamos de Deus, e nós, que trilhamos este caminho espiritual, preferimos ficar famintos a procurar nossos próprios recursos sem recorrermos a Deus. Seria trágico chegar ao ponto de acreditar termos atingido uma elevação tal em que Deus deixasse de ter mais lugar em nossa vida. Então, melhor que tentar realizar um milagre, que seria uma mostra de nosso poder, será deixarmos a tentação de orar mentalmente por pessoas, condições ou circunstâncias, e fazer de nossa vida uma prece de busca espiritual e graça espiritual e uma prece para compreensão da natureza das riquezas espirituais e preenchimento espiritual.

Que significa este preenchimento? Que significa “em tua presença está a alegria plena”? Como pode aquela plenitude ser interpretada e expressa? Que é a totalidade de Deus? Quando buscamos a compreensão desta sabedoria espiritual, todas as coisas nos são acrescentadas,  aparecendo em seu devido tempo, sem os nossos pensamentos; precisamos apenas realizar tudo o que nos é dado fazer a cada hora de cada dia, e realizá-lo dando o máximo de nossa habilidade, mantendo a nossa mente centralizada em Deus, nas coisas de Deus e no reino de Deus.

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"O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO" – 1

“O MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO”
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Joel S. Goldsmith
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PARTE 1


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Viver no Meu reino significa viver no círculo da eternidade. “Este mundo” é o mundo da humanidade, mas o Meu reino é de natureza completamente diferente. O Meu reino não é o reino da saúde física. O Meu reino não é o reino das riquezas materiais. Todos sabemos o que constitui a saúde física, mas o que vem a ser a saúde do Meu reino? Que vem a ser a saúde do Reino espiritual? Que é o estado de saúde de Deus e o estado de saúde do filho de Deus?

Nós sabemos do que são constituídos o suprimento e a saúde materiais, mas que são as riquezas celestiais? Quais são as riquezas celestiais de que somos herdeiros e ainda não estamos compartilhando no cenário humano? Elas nada podem ter a ver com coisas tais como dinheiro, investimentos ou propriedades, porque “o Meu reino não é deste mundo”.

No caminho espiritual, portanto, não há sentido irmos ao “Meu reino” para obter algo para este mundo. Devemos, primeiramente, buscar o reino de Deus; devemos aprender a orar de forma que orando a Deus do Espírito, estaremos orando apenas por riquezas celestiais, saúde espiritual e companhia espiritual.

Enquanto estivermos tentando obter riquezas materiais, saúde física ou companhia humana, estas coisas poderão ser conquistadas, e serão às vezes bem e às vezes mal, pois, toda materialidade é feita da crença em dois poderes – o bem e o mal. Porém, se mantivermos nossa consciência afinada com a Realidade espiritual e conservarmos nossos desejos no plano do ser e da forma espirituais, iremos experienciar a alegria e a paz da unidade espiritual.

Procurar conhecer a natureza das riquezas celestiais, da saúde espiritual e da companhia espiritual, não significa buscar algo de natureza humana ou material; antes, significa repousar na Graça do Reino espiritual. A palavra “Graça” não pode ser traduzida por coisas como dinheiro, lar ou família. Precisamos manter o sentido da palavra “Graça” em seu devido lugar, e se este significado não estiver sendo entendido por nós, podemos sempre orar para que Deus revele Sua Graça para nós.

A libertação de problemas antes que tenhamos atingido a sabedoria espiritual meramente abre caminho para outro problema, ou sete problemas, até que sejamos compelidos a orar corretamente. Por exemplo, se uma dor de cabeça ou outro mal qualquer puder ser removido, sem nos exigir um avanço em compreensão espiritual, o que teremos ganho, senão apenas um período sem uma dor de cabeça? Mais cedo ou mais tarde, uma outra surgirá, e eventualmente, seremos forçados a parar e perceber que este problema permanecerá conosco sempre, a menos que seja encarado com a sabedoria necessária. Da mesma forma como Jacó discutiu a noite toda com o anjo, rogando que não o deixasse sem que ele antes recebesse sua iluminação ou a verdade espiritual necessária para vencer, assim também nós devemos permanecer em oração.

Somente os nossos problemas nos compelem a buscar o bem espiritual. Em sua maioria, os seres humanos estão satisfeitos com boa saúde, uma provisão suficiente e uma moderada felicidade na vida familiar, e quando tais necessidades são atendidas, muitos sentem que resta muito pouca coisa a ser desejada na vida. Mas, aqueles a quem foram confiados problemas , não por Deus, mas pela ignorância de Deus, e se veem forçados a passar por várias experiências, sabem que sem elas nunca teriam se erguido acima do nível de bons seres humanos.

Viver a vida espiritual e orar de modo correto significa  pormos de lado o problema e começarmos com a realização de que o reino de Deus não é deste mundo, e assim se tornará inútil orar por algo que seja deste mundo. Vamos, portanto, aprender a orar por aquelas coisas que são do Meu reino, e buscar unicamente a graça daquele reino.

Nossa função, no caminho espiritual, é aprender em que consiste o reino de Deus. Isaías disse: “Cessai, pois, de confiar no homem, em cujas narinas há um sopro, porque somente Deus é que é o Excelso”. O ser humano é aquele homem “em cujas narinas há um sopro”. Por que deveríamos, então, pensar em formas de tornar aquele homem melhor, mais saudável ou mais rico? Por que pensar sobre ele, quando podemos pensar sobre o filho de Deus? Mas antes, precisamos saber o que é o filho de Deus.

Continua…>

SILÊNCIO: O GRANDE SEGREDO DA MEDITAÇÃO

SILÊNCIO:
O GRANDE SEGREDO DA MEDITAÇÃO
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JOEL S. GOLDSMITH
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O grande segredo da meditação é o silêncio: não repetições, não
afirmações, não negações – apenas o reconhecimento da totalidade de
Deus, seguido de profundo e profundo silêncio, que anuncia a presença de
Deus. Quanto mais profundo o silêncio, mais poderosa se torna a meditação.
As coisas sagradas, que sejam mantidas em sua sacralidade: conservem-nas
sagradas e secretas. Nada há, de natureza sagrada, que se deva
compartilhar com alguém. Todos são livres para buscar Deus à sua própria
maneira, e, a cada um, cabe se esforçar para achar o que está buscando.

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Não há ocasiões para compartilharmos as experiências mais profundas, as
nossas descobertas mais sagradas de nosso relacionamento com Deus,
porque cada um é livre para seguir e fazer o mesmo. As coisas profundas e
sagradas devem permanecer ocultas em nossa própria consciência. Quanto
mais as mantivermos secretas e sagradas dentro de nós, maior será o poder.

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Contínuas meditações interiores, contínuas investidas ao centro de
nosso ser, acabarão por nos levar à experiência do Cristo. Naquele instante,
perceberemos o mistério da vida espiritual: deixaremos de nos preocupar
com o que comer, com o que beber, com o que vestir. Deixaremos de fazer
planejamentos; abandonaremos todos os esforços. Somente o Cristo pode
viver Sua vida para nós, e encontraremos o Cristo dentro de nós mesmos,
em meditação. O grau em que atingirmos a experiência do Cristo, a presença
do Espírito de Deus em nós, determinará o grau de nosso desenvolvimento
individual.
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Quando, em meditação, alcançamos a percepção do Espírito de Deus,
e nEla habitamos, retiramo-nos ao centro de nosso ser, dia após dia, de
forma a jamais fazermos um movimento sem Sua certeza interna; a atividade
do Cristo nos alimenta, nos supre, nos enriquece, nos cura, e nos conduz à
plenitude da vida. E então, com toda
certeza, saberemos: “Eu vim para que
todos tenham vida com abundância.”

SUPRIMENTO ESPIRITUAL

SUPRIMENTO
ESPIRITUAL
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Joel S. Goldsmith
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No campo do mentalismo, é comum a pessoa querer demonsntrar suprimento,
companhia, lar ou transporte. Já numa mensagem mística como a do Caminho Infinito,
esta seria uma base incorreta de se trabalhar, pois, estaríamos partindo da premissa de
que “eu não tenho”.Isto seria uma lástima, pois estaríamos endossando um senso de
separação de Deus, do Bem, da “completeza” e da infinitude. Não iremos sair de nossa
Consciência para demonstrar coisa alguma, uma vez que a infinita Consciência divina é a
nossa Consciência individual, e ela incorpora a infinitude.Portanto, nada teremos de fazer para
atrair o suprimento;antes, ele deverá surgir expressado de nosso próprio ser.
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Enquanto vivermos neste conceito material de
mundo, pensaremos em suprimento como puramente
material, sempre consistindo de algo externo a nós, e que
devêssemos obter: dinheiro, casa, carro, etc. No mundo
real, do Espírito, o suprimento nunca está fora de nós, nem é
algo a ser adquirido, alcançado ou recebido
posteriormente. Isto porque suprimento, no reino
espiritual, é aquilo que Eu sou: Eu sou o pão; Eu sou o
alimento; Eu sou a água. Sem qualquer pensamento
voltado a algo ou alguém do mundo externo, voltamo-nos interiormente e comungamos
com nosso ser interior, habitando na percepção de uma “completeza” inerente a esse
nosso Eu.
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Isto compreendido, poderemos olhar qualquer pessoa e notar sua completa
independência com relação às demais, graças a este princípio de Autocompleteza. A Vida
única cuida de nós, fazendo surgir tudo o que se faça necessário ao nosso
desenvolvimento. Esta Autocompleteza que somos, e que tão fartamente nos supre, não é
de fato nossa: ela flui em nós, através de nós, como fruto a ser compartilhado.
Antes, porém, de o colocarmos em circulação, devemos nos elevar acima do conceito
material de vida, que acredita necessitarmos de obter coisas externas. Não necessitamos
de lutas, esforços nem de aquisições: basta-nos ficarmos quietos, na percepção de nosso
Eu que é completo, de nosso Eu que engloba a tudo.
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UNIDADE: UM RELACIONAMENTO ETERNO

UNIDADE:

UM RELACIONAMENTO ETERNO

Joel S. Goldsmith

Diariamente somos tentados a acreditar em uma separação de Deus. Uma pessoa pode ter um pecado grande ou pequeno na sua vida e estar certa de que é o bastante para afastá-la de Deus. Uma outra sente que cometeu um erro de um certo tipo, alguma ação ou omissão que vai afastá-la. Uma outra pessoa ainda torna-se vítima de uma grave enfermidade e pensa que isso é um sinal do afastamento de Deus. Outra pessoa também atravessa um período de carência ou limitação e aceita isso como evidência de que está isolada e separada de Deus, e, nessa aceitação reside a continuidade de sua dificuldade. A identidade com o Pai é um relacionamento eterno. Tudo que você pode manter é a sensação de afastamento de Deus, nunca um afastamento de Deus. A sensação de afastamento de Deus pode ser superada pelo conhecimento da Verdade.

Eu nunca estou afastado de Deus. Todos os pecados que eu já cometi ou que possa cometer nunca me afastarão do amor de Deus. Nem toda necessidade ou limitação me convencerão de que eu me separei do Pai ou de que estamos à parte um do outro. E nem todas as enfermidades, até mesmo a morte, me farão acreditar que Deus se afastou de mim. Apesar do fato de que neste momento eu estou mantendo uma sensação de afastamento de Deus. Deus existe e habito em Sua existência.

Rompa essa sensação de afastamento não tentando fazer uma demonstração no espaço ou no tempo, mas recolhendo-se para aquele santuário interior, tornando-se muito calmo e começando novamente com tudo que você aprendeu, para se reassegurar da natureza permanente de seu ser e verdadeira identidade.

Antes que Abraão existisse, eu sou. Eu viverei até a eternidade. Eu nunca serei abandonado ou esquecido. Eu nunca estarei sem a vida e o amor de Deus, o Espírito e a Alma de Deus. Se por qualquer razão eu tenha manchado ou estou manchando o templo de Deus, há muito sabão e muita água. Eu limparei isso com a compreensão de que a verdadeira natureza de meu ser é Deus.

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DEUS É – Parte 4 (Final)

DEUS É

Joel S. Goldsmith

Parte 4 – Final

Este é o momento em que devemos olhar para toda condição, seja de prisão em cárcere, em corpo doente, em falta ou limitação, sem lançarmos opinião de bem e mal. Devemos poder encarar qualquer situação e circunstância com a conscientização de que DEUS É . Ser-nos-á requerido um elevado grau de consciência espiritual, para olharmos uma doença séria e sermos capazes de contemplar o Cristo. Isto não quer dizer que olharemos para o pecado, a doença, a pobreza, o cárcere, para rotularmos tudo aquilo de “bom”. Não significa que faremos afirmações mentais de que aquilo é espiritual ou harmonioso; tampouco consideraremos que algo seja “mau”, munidos da intenção de superá-lo, melhorá-lo ou curá-lo. Não, não, não. Falamos de um abandono de todo julgamento humano, na conscientização de que somente DEUS É, DEUS, SOMENTE, É .

Talvez você pergunte: “Que princípio está aqui envolvido?” No reconhecimento de Deus como infinito, poderia você admitir um doente, um pecador, uma condição de pecado ou de doença? Poderia você aceitar uma pessoa ou condição necessitada de cura, mudança ou melhoria? Não, não poderia. Que ocorre quando você testemunha o que o sentido humano chama de “erro”, e ora para removê-lo? A resposta é uma só: ocorre o fracasso.

Lembre-se: você não foi chamado para olhar pessoas e condições errôneas e chamá-las de boas ou espirituais, nem para dizer que uma pessoa em erro é o Filho de Deus. Uma pessoa assim não é o Filho de Deus. Você foi chamado para eliminar toda opinião, teoria ou crença, deixando de lado todo julgamento. Não declare que algo ou alguém seja bom. Disse Cristo: “Por que me chamas bom? Não há ninguém bom, exceto Deus.”

Não vamos chamar nada nem ninguém de bom, mas também não chamaremos de mau. Aprenderemos a olhar para qualquer pessoa e condição com apenas duas palavrinhas: DEUS É, ou ELE É . É— É— É: … nunca “será” curado, melhorado, removido. DEUS É . Harmonia É. Ele É! ELE É AGORA!

Na percepção de que DEUS É, será revelada toda entidade e perfeição espiritual. E então, você não estará vendo o mal humano transformado em bem; não estará vendo pobreza humana transformada em riqueza; não estará vendo doença humana transformada em saúde; não estará vendo culpa humana transformada em virtude; entretanto, estará percebendo a atividade e Lei de Deus presentes exatamente onde parecia existir uma pessoa boa ou má, uma condição boa ou má.

Não buscamos transformar humanidade má em humanidade boa. O objetivo deste trabalho e estudo é alcançar “aquela Mente que estava em Cristo Jesus”, isto é, alcançar o mesmo estado de consciência espiritual manifestado por ele, a fim de contemplarmos o mundo espiritual, o homem espiritual, o Filho de Deus. “O Meu reino não é deste mundo”. O reino de Deus é um reino espiritual, um universo espiritual, governado por lei espiritual. Ele é uma SUBSTÂNCIA espiritual sem começo e que não terá fim.

Podemos compreender melhor esse fato se analisarmos que jamais houve um tempo em que duas vezes dois não fosse quatro. Nunca houve tempo em que uma semente de roseira deixasse de produzir rosa. A lei “semelhante produz semelhante” vem vigorando desde antes que o tempo existisse. Ela sempre foi, é e será. A oração, no sentido comum de prece, não irá provocar esse efeito. Todo “bem” JÁ É.

Mesmo no âmago das chamadas “depressões econômicas”, a terra continuava abarrotada de frutos, os oceanos repletos de peixes, os céus repletos de pássaros. Deus não tem poder para aumentar o Seu suprimento. JÁ É INFINITO! É maior do que a terra possa usar. Ele ainda é, apesar da aparente falta de provisão e dos preços elevados que somente a ignorância é capaz de explicar. O mundo está produzindo mais do que pode consumir ou utilizar. Orar a Deus por aumento de suprimento irá realmente fazer crescer a quantidade de produtos ou benefícios? NÃO! Já existe mais que o suficiente para o mundo todo!

Naturalmente, uma pergunta poderá surgir: “Como nos valeremos desta suficiência?” Resposta: “Através da prece.”Que é prece? A prece é este sentimento, esta convicção, este saber interno que estas palavras são verdadeiras. DEUS É. Você mudaria esse fato? Mudaria algo feito por Deus? Pediria melhorias no universo de Deus? Pediria a Deus para deixá-lo influenciar as leis, a substância e a atividade de Sua própria criação? “Sim, mesmo que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo.”(Salmo 23:4.) DEUS É. Teríamos de orar por algo mais? O sentimento de certeza da declaração “DEUS É”, constitui a sua prece. Exatamente agora, ela lhe será o bastante, desde que possa você abrir mão de todos os seus desejos, vontades e mesmo esperanças, para deixar este sentimento, esta realização, conduzi-lo a planos mais profundos de consciência, fazendo-o penetrar nos reinos mais profundos da prece. DEUS É. Isto não basta?

Agora eu reafirmo: não julgue pelas aparências. Olhe para cada pessoa, cada coisa, cada situação, munido somente desta compreensão: DEUS É! A partir daí, deixe a Realidade Espiritual se tornar visível pela ação de seu Pai interior.

F I M

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DEUS É – Parte 3

DEUS É

Joel S. Goldsmith

Parte 3

Deus É; A Vida É. Não nos é permitido fazer qualquer julgamento que ultrapasse esse ponto. Deus É. Trata-se de um treinamento para deixarmos de emitir opiniões. É muito fácil e agradável, para o ego de alguém, ser um bom juiz da natureza humana, ser humanamente capaz de avaliar aqueles que encontra; e, humanamente, talvez ele até esteja julgando certo. Entretanto, se ficarmos olhando o mundo e julgando a humanidade, colocando rótulos nas pessoas, e permanecendo no âmbito das opiniões e análises humanas, somente atrairemos confusão. Há uma só forma de escaparmos disso tudo e ficarmos apartados: concordando que Deus fez tudo que foi feito, e que tudo que Deus fez é bom; concordando que Deus, Espírito, é a vida, a Alma, e a mente do ser individual. Como poderíamos aceitar um ensinamento que revela Deus como a Vida de toda a existência, como o Princípio criativo de todo ser, e, paralelamente, ficarmos classificando alguma coisa como boa ou como má?

A mulher flagrada em adultério não foi rotulada pelo Mestre: “Mulher, onde estão os teus acusadores?… nem eu, também, te condeno”. E ao cego de nascença, “Nem este homem pecou nem seus pais.” Você está percebendo a necessidade de se abandonar toda censura, toda condenação que se fundamenta em aparências? Toda revelação ou ensinamento espiritual registrado desde 1500 AC. está baseado nos postulados: “Ame a seu próximo como a si mesmo”, e “Faça aos outros o que gostaria que lhe fizessem”. A prece é nosso contato com Deus, e não teremos contato algum com Ele, a menos que amemos nosso próximo como a nós mesmos.

Esta prática, logicamente, nos irá tirar de muitas das nossas discussões de cunho político ou social, pois não seremos mais capazes de culpar familiares, amigos, sócios ou lideranças políticas pelos nossos problemas, circunstâncias e depressões. Isto nos exigirá disciplina, e irá nos exigir mais o seguinte: um profundo e grandioso amor a Deus. Ninguém poderá penetrar na sagrada atmosfera de Deus exalando críticas, julgamentos e condenações referentes ao próximo. “Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti; deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua oferta” (Mt.5:23-24.)

Não é possível que haja demonstração espiritual enquanto continuamos presos às opiniões humanas de bem e mal. Quando olhamos para o mundo sem opiniões, julgamentos ou rótulos— mesmo os bons—, conscientizando que DEUS É, criamos uma espécie de vazio interior. Neste vazio aflora a sabedoria espiritual capaz de definir e avaliar o que está diante de nós, e isto se mostrará inteiramente diferente de nossa estimativa humana. Chega-nos à consciência uma espécie de calor, uma sensação de amor pela humanidade, e a percepção de que Deus é a totalidade da Existência. Quando alguém contempla esta revelação da verdade espiritual, encontra-se pronto para dar o passo seguinte: o passo que o torna um praticista de cura espiritual, um salvador, um reformador, um supridor no universo aparente.

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DEUS É – Parte 2

DEUS É

Joel S. Goldsmith

Parte 2

Temos nos dedicado a ver com os olhos e a ouvir com os ouvidos, quando deveríamos estar vendo com os olhos interiores e ouvindo com os ouvidos interiores, com aquela percepção espiritual que não julga pelas aparências, mas pelo julgamento espiritual. E então, saberíamos que todo pecado, doença, morte, carência, limitação e caos, reinantes no mundo de hoje, surgem por um só motivo, e surgem àqueles que vivem pelo sentido material; àqueles que ainda estão voltados a querer ou desejar obter, adquirir e buscar alguma coisa; àqueles que desconhecem a natureza infinita de seu próprio ser, bem como o fato de que, devido a ser infinita esta natureza, eles deveriam deixá-la se expressar a partir deles próprios, em vez de viverem tentando acrescentar algo à infinitude.

A prece comumente aceita, ortodoxa ou metafísica de cunho mental, deve falhar por ser na maioria tentativa de se obter algo, acrescentar algo, realizar algo ou receber algo, quando a natureza infinita de nosso ser, um com Deus, implica em estarmos com nossos “recipientes” já lotados. Tudo que é do Pai é nosso. Algo mais nos poderia ser acrescido? Browning, o grande poeta, registrou em seus versos o segredo maravilhoso: “A Verdade está dentro de nós mesmos… e o conhecimento… consiste em abrirmos espaço para que escape o esplendor aprisionado…”.

Quando julgamos pelas aparências, submetemo-nos à crença causadora de toda confusão e discórdia da existência humana: o julgamento do bem e mal. Isto é bom; aquilo é mau; assim rotulamos tudo! Naturalmente, aquilo que hoje é chamado de bom, pelas mudanças de regras sociais poderá ser chamado de mau amanhã. E coisas hoje ditas muito más, talvez se tornem normais, naturais e comuns a todos no amanhã. Porém, não estaremos vendo assim enquanto estivermos julgando pelas aparências. Estaremos julgando segundo os padrões atuais da sociedade ou tradições do momento, regras a nós impostas; desse modo, instantaneamente rotulamos tudo como coisa boa ou má, julgando tudo com base em opinião, crença e teoria humanas. Enquanto estivermos encarando o mundo com olhos humanos, sempre estaremos achando algo bom e algo mau, muito embora essa classificação se altere a cada geração que passa.

Para que haja uma compreensão correta da natureza da prece, precisamos, neste instante, abandonar nosso julgamento humano em termos de bem e mal. Não podemos continuar a enaltecer nosso senso de sabedoria psicológica, permitindo-nos julgar as pessoas de nossa família, do círculo profissional ou de nossa comunidade. Deveremos deixar de lado nossas opiniões de bem e de mal, de inteligência ou de ignorância, de honestidade e desonestidade, de moralidade e imoralidade, para termos condição de ver cada indivíduo sem qualquer condenação, sem qualquer crítica e sem qualquer julgamento, unicamente estabelecidos na percepção de que Deus É!

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DEUS É – Parte 1

DEUS É

Joel S. Goldsmith

PARTE 1

A prece é nosso contato com Deus, a Fonte infinita de nosso ser, da qual não podemos ter nenhum conhecimento intelectual, e que temos chamado de Mente, Vida, Verdade, Amor, Espírito ou Infinito Invisível. Deus é o único princípio criativo do universo, o princípio criativo de tudo que É; e, como esse princípio opera a partir da Inteligência suprema, sem começo e sem fim, precisamos aprender a fazer contato ou a nos tornar um com Ele. A menos que aprendamos como fazer isso, não poderemos nos valer da Onipresença, Onipotência e Onisciência de Deus.

A prece, às vezes chamada de comunhão, é a via de acesso ao contato com Deus; através dela, descobrimos nossa unicidade com Deus, nós conscientizamos Deus. Ela é o meio de se trazer à experiência individual a atividade, a lei, a substância, o suprimento, a harmonia e a totalidade de Deus. Este é um dos pontos mais importantes que um estudante de sabedoria espiritual deve saber, praticar, compreender e vivenciar.

Na compreensão da infinita natureza de Deus, entendemos a infinita natureza de nosso próprio ser. “Eu e o Pai somos um” é o fato a nos garantir a natureza infinita do seu e do meu ser. Isto independe de sermos ou não estudantes da Verdade; depende de nosso relacionamento com Deus, pela natureza de unicidade desse relacionamento—- unicidade. Em proporção ao nosso progresso, iremos cada vez mais ouvir a respeito da palavra “unicidade”.

Qualquer coisa espiritualmente válida a certo indivíduo, seja santo ou pecador, deverá ser aceita como válida para mim e para você, porquanto o relacionamento entre Deus e Sua Criação é de uma unidade universal. Ao nos ensinar que “Eu e o Pai somos um”, Cristo foi muito cuidadoso em nos assegurar que falava de meu Pai e de seu Pai. Estava revelando a Verdade espiritual universal. Que diferenciava a demonstração de Cristo Jesus da apresentada pelos rabis hebraicos da época? Que diferenciava a demonstração do Mestre daquela de seus alunos ou discípulos? Era o mesmo relacionamento! “Eu e o Pai somos um”—- meu Pai e seu Pai! Neste relacionamento em Cristo Jesus, somos todos um, em termos de Verdade ou de Realidade espiritual; logo, a diferença residia na diferença de conscientização.

O Mestre conscientizou sua identidade verdadeira. Reconheceu sua relação com o Pai, com Deus, como a Fonte de seu ser. Reconheceu Deus como sua vida— pão, vinho, água. Reconheceu, portanto, sua substância ou suprimento como infinito, sua vida como eterna, sua saúde como perfeita. Todos estes fatores, como tinham origem no Pai, passaram a lhe pertencer por herança divina; revelavam o direito, o privilégio e a experiência do elo Pai-Filho. “Filho, tu estás sempre comigo,e tudo que é meu é teu.” O Mestre, em seu reconhecimento pleno dessa Verdade, podia demonstrá-la. Os discípulos, não tão convictos, não tão conscientizados, chegaram a demonstrar certo poder de cura e certo suprimento, embora em escala menor. O motivo: a diferenciação no grau de conscientização da unicidade.

O fato de você ouvir com seus ouvidos, ver com seus olhos, não constitui prece e não fará a sua demonstração; porém, se algo profundo em seu coração, uma certeza confortadora no íntimo de sua consciência lhe disser: “Sim, isso é a Verdade! Eu sei que somente nessa conscientização sou um com o Pai”, então será esta a medida de sua percepção da natureza da prece. A prece é a certeza da Verdade dentro de você. Ela nunca significa ir a Deus por alguma coisa; nunca significa desejar algo, exceto o desejo de conhecer Deus, ou tomar maior consciência de Sua Presença. Muitos estudantes, tão plantados na velha teologia ou na metafísica mental moderna, vivem, na crença de que podem ir a Deus em busca de algo: saúde, suprimento, emprego, companhia ou cura; e acabam, em vista disso, adiando a própria demonstração de harmonia.

Nenhum bem lhe fará ficar a pensar em sua vida, sua saúde, seu suprimento; nenhum bem lhe fará dirigir-se a Deus munido de alguma requisição, pedido ou desejo, pois Deus nada possui que nEle possa estar retido, e Deus não retém coisa alguma que faça parte de Sua posse; Deus é ser ativo infinito. Tudo que Deus É, e tudo que possui, está fluindo constantemente em manifestação, expressão e forma. Será tolice alguém julgar que sua prece poderá influenciar Deus a acelerar a vinda de algo, ou fazer com que Ele lhe traga algum benefício.

A harmonia vem rapidamente à sua experiência, tão logo concorde que não há sentido algum em se dirigir a Deus em busca de algo. Lembre-se: quando digo “concordar”, falo de uma sensação de certeza, de uma concordância interna ou profunda convicção, e não de um mero falar superficial do tipo: “Sim, eu acredito, concordo com o Mestre. Sou cristão e aceito o seu ensinamento.” Esse tipo de aceitação é o mesmo que nada! Você pode sentir a veracidade desse fato? É capaz de sentir a verdade desta tremenda revelação do Mestre, de que “o Pai sabe que necessitais de todas estas coisas…que é de Seu agrado dar-vos o Reino”? Caso não se sinta convicto, não vá a Deus em busca de alguma coisa. Trabalhe dentro de você mesmo; ore no interior de seu próprio ser; realize uma comunhão interna, até perceber uma concordância, um sentimento de que o Mestre realmente sabia que o Pai conhece todas as suas necessidades, e que, antes que Lhe peça, é de Seu agrado dar-lhe o Reino.

A prece é um reconhecimento desta Verdade do amor de Deus por Sua própria Criação; é um conhecimento interior de que jamais o Pai abandonou a Sua Criação. Quando olhamos para o mundo e vemos doença, pecado, morte e calamidade, ficamos prontos para questionar tudo isso; porém, nesse procedimento, estaremos desconsiderando a sabedoria de João, quando nos adverte: “Não julgueis pelas aparências, mas segundo julgamento justo”.

Continua…>

DEUS NÃO É UM PODER A SER USADO

DEUS NÃO É

UM PODER A SER USADO

Joel S. Goldsmith

O poder de Deus não é para ser evocado pelos humanos e não é alcançado pela tentativa de influenciar Deus em causa própria. Não se trata de um poder contra o pecado, contra a doença ou contra a morte, tanto quanto a luz não é um poder contra as trevas. A verdade é que não há trevas: elas são apenas ausência de luz. Não constituem uma presença, nem uma entidade, nem uma substância que se possa examinar ao microscópio. Não é possível captar um pedaço de escuridão e examiná-lo, porque não existe essa coisa chamada escuridão. A escuridão é unicamente ausência da luz.

Pecado, doença e morte – como a escuridão – não existem, pois aquilo que Deus não criou não existe. Ele é o único poder criador, é o que mantém a criação. No Gênesis, lemos: “Deus contemplou tudo o que fizera e viu que era bom”. Não está em Sua natureza contemplar o pecado, a doença e a morte e considerá-los bons; por isso, não pode tê-los criado.

Há outro ponto: o que Deus criou, criou para sempre, e não permitiria que alguém aniquilasse qualquer coisa que haja criado. Se houvesse criado o pecado, a doença e a morte, não teríamos nenhuma esperança de vencê-los.

Não precisamos do poder divino para vencer algo que não foi feito no princípio, nunca teve existência e apenas representa a nossa ignorância da Verdade. O nosso poder de cura, então, que é o nosso poder espiritual, repousa unicamente no conhecimento da verdade de que Deus é o Supremo Poder Criador, mantenedor e sustentador, e de que aquilo que Ele não criou não existe. Aí reside o nosso único poder espiritual.

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A visão de Daniel revelou quatro reinos temporais destruídos por uma pedra “arrancada da montanha sem o auxílio das mãos”. Quando “vir” esta pedra sendo retirada da montanha “sem as mãos”, poderá observar que ela é a Palavra.

A Consciência, a percepção daquilo que É, é a “pedra”, que tudo vence, sem poder ou força, mas pela graça que É.

Esteja em paz.

Joel S. Goldsmith

TODO MAL É IMPESSOAL

TODO

MAL É IMPESSOAL

Joel S. Goldsmith

Todo mal é impessoal: não há pessoa em quem, sobre quem, ou através de quem ele possa operar. Seja uma alegação de tempo, de doença, ou de carência – seja qual for o nome ou a natureza do mal – o mal é impessoal. Não teve sua origem em mim, em você ou em qualquer pessoa, lugar, coisa ou condição. A raiz do mal é a mente carnal, ou a crença em dois poderes; e a crença de que existe poder na doença, no pecado, na carência, é o hipnotismo causador de toda a discórdia no mundo.

Ficaremos sem “mente carnal” à medida que conscientizarmos que, neste mundo todo, o bem e o mal não existem como entidades. Portanto, mesmo pensar ou dizer que tal pessoa, coisa ou condição sejam boas, significa permitir que a mente carnal nos controle. Há somente um Ser, uma Essência, um Poder, e este é Consciência – Deus. A Consciência não é boa nem má: Ela simplesmente É.

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