Altitudes Celestiais
O Espírito é a Substância de todas as coisas viventes, o Espírito é a Vida em Si. É o Espírito que é Mente e pensar divinos; o Espírito é que é Amor divino e amoroso; o Espírito é que compõe, compreende e inclui toda Vida e Existência reais.
Quando a Vida é descoberta como sendo Espírito e, em vista disso, encarada como incorruptível e eterna, assim Ela se torna para nós. Quando o Amor é descoberto como sendo Espírito, e visto como eternamente puro e imutável, assim ele se torna para nós. Quando Mente e pensar são descobertos como sendo Espírito, eles se tornam nossa única Mente e nosso pensar, e somos mantidos num estado ininterrupto de felicidade, harmonia e paz.
A palavra “humano” pertence a um tipo de ser ou existência além de Deus; ela designa o impuro, imperfeito e incompleto. Nem melhoria, nem desenvolvimento e nem progresso humanos são requeridos para que experienciemos a perfeição; pelo contrário, a grande necessidade está num despertar para o Espírito, para que possamos deixar de lutar com a concepção equivocada de uma existência separada do Um, e aprendamos que tudo que há, é o “EU SOU” Autoexistente.
A ideia de tornar puro o impuro, de trazer o espiritual para o material pode, a princípio, parecer a alguém ser um degrau capaz de conduzi-lo a coisas e condições melhores; porém, se ele se estagnar nessa aceitação, ela lhe será uma verdadeira armadilha, um lugar em que terá que se esforçar e trabalhar incessantemente.
Nossa Vida, Mente, Corpo e Existência são eternamente estabelecidos nO Espírito – perfeito, completo, presente. A necessidade única reside num despertar para este fato sublime, para que alguém possa se identificar somente com o Espírito, o divino. Assim fazendo, ele tomará posse da plenitude de todo bem e coisa perfeita.
Como nossa natureza é Espírito, e não matéria, é impossível que alguém se livre da imperfeição e limitação antes que este fato supremo lhe seja revelado. Tampouco esta Revelação divina será por ele recebida, caso não esteja desejoso de deixar o imperfeito pelo Perfeito, o intelecto pelo Coração e os meios e formas do eu pessoal pela identificação com aquele “EU” que é o Eu perfeito todo-abrangente.
A Revelação de que somos Espírito cumpre a totalidade de nossos desejos. Ela vem àqueles que estão espiritualmente preparados para recebê-la, àqueles de pensamentos simples cujos corações são receptivos ao conhecimento mais pleno do Real. A Revelação é compreensão e liberdade imediatas.
É imperativo que nos voltemos dos remédios paliativos para percebermos aquilo que é supremo, não por ser mais elevado, mas por ser o Todo, a Única natureza da Vida e existência. Quando suficiente Verdade for revelada a alguém, ele deixará de tentar purificar sua mente e pensamentos; saberá que quantidade alguma de trabalho mental poderá trazer-lhe o Conhecimento de que a Mente única não tem oposto.
A regeneração pessoal deixará de ser praticada, quando alguém aceitar o Espírito como sendo agora o seu “Eu perfeito” . O “sétimo dia” está presente quando deixamos de pensar que somos seres humanos ou humanidade, destinados a dominar o mal e demonstrar o bem numa existência humana. “Quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11: 25). Quem é este “Mim”? Não é um Deus externo, ou uma Mente divina externa. Conforme registros, Jesus disse aquelas palavras; contudo, ele não as estava pronunciando como um homem, como um ser humano, como um mestre ou curador: ele as proferiu como o “EU ÚNICO EM SI”.
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Curai Os Enfermos!
Em vista de o Evangelho vir sendo pregado a partir da premissa de sermos humanidade e não Espírito, imperfeição e não Perfeição, muitos e não Um – como poderíamos escapar do mundo do pecado, da doença, da morte?
Como homem, inevitavelmente estamos sujeitos a vacilações, ilusões e erros de toda espécie; portanto, como homem, nunca nos livraremos disso tudo. Enquanto não despertarmos para a nossa identidade real, e operarmos segundo nossa natureza verdadeira, a experiência humana não terá fim.
Um enfoque verdadeiro corrige o falso, que, pela própria correção, desaparece. Analise a tremenda perda de tempo, o trabalho e esforço empreendidos atualmente para que se destruam as doenças, pecados, carências e limitações, em vez de a atenção ser voltada inteiramente ao “EU”, onde nada disso existe! Como homem, jamais você acabará com o mal; porém, se remontar à sua origem divina, o Eu Sou, sua posição humana se apagará por completo.
Querer promover melhoria ou cura em mentes ou corpos individuais veio provando ser um grande benefício à humanidade em toda parte; entretanto, a real necessidade é “ascendermos” ao estado espiritual, onde cura alguma é requerida. Definitivamente, o ponto de vista humano deve ser substituído pelo Divino; assim, a causa de toda discórdia será removida.
Guerra alguma poderia jamais existir de si mesma; nenhum pecado, doença ou morte poderiam aparecer, a não ser graças à inverdade de que somos homem e não Deus. Vejam! Ser Espírito, ser Mente, ser Vida eterna— eis a única solução universal e perfeita.
A declaração, “Eu sou Deus e não há outro ao lado de mim”, possui, por assim dizer, dois lados que levam ao mesmo sentido exato: (a)Eu sou Deus; (b) não há outro.
Na visão de que Deus, o Eu que Eu Sou, é Todo-Perfeição, Todo-Harmonia e Todo-Inteireza, temos um ponto de vista que inclui necessariamente a percepção e conhecimento de que não há outro. De igual forma, ao observarmos algum tipo de discórdia e limitação, compreenderemos a sua unidade na base de que Eu, o Eu-Sou-Vida e Inteligência, é Tudo que É. Com a total compreensão desta declaração, nós(EU) deveremos, então, “provar todas as coisas”.
Muitos gostariam de ouvir explicações sobre a causa do surgimento no mundo de doença, guerra, formas diversas de limitação, quando, na verdade, Deus enche o espaço por inteiro. Isso é impossível de ser compreendido ou elucidado sem que haja o supremo conhecimento de que Deus, o Eu Sou o que sou, é um todo; que inclui a identidade infinita.
O assim-chamado homem-genérico é o único responsável por cada guerra, doença, pecado, pobreza e limitação que temos hoje em dia. Somente ele traz tudo isso a uma quimérica existência, atribuindo nomes às formas apresentadas e fazendo com que elas se mantenham. Enquanto não despertar da morte para a vida (a exemplo do pródigo), não entenderá a inexistência plena de tudo aquilo, para se ver liberto.
De que modo é ele o causador de guerras e doenças? Julgando-se um homem, uma pessoa, um indivíduo; deixando de se considerar o Caminho, a Verdade e a Vida— o Eu sempre imaculado e perfeito.
Por causa dessa ideia imprópria, retida sobre si mesmo e os demais, ele parece se tornar um outro ser, chamado homem, de inteligência limitada e incompleta, cuja vida é mutável e insegura, e cujo mundo é finito e inconstante. Operando sob base falsa e pervertida, seus pensamentos são ilógicos e imperfeitos, ineficientes e incorretos, confusos e desordenados; assim, eles resultam em ilusórias formas de guerras ou desarmonias de todo tipo, sorte e natureza.
As expressões de seus pensamentos verdadeiramente representam seu suposto desvio do estado real. Exemplificando, muitas de suas invenções, em vez de se mostrarem como bênçãos eternas, acabam lhes retornando para destruí-los. Nenhuma de suas invenções chega a ser perfeita, sempre mostrando algum traço de imperfeição. Desse modo, há o sucessivo abandono do que ele próprio realiza, à espera sempre de algo novo que seja capaz de satisfazê-lo por completo.
Jamais ele irá conseguir produzi-lo num mundo de sua própria criação! Jamais ele encontrará sucesso permanente, segurança invulnerável, saúde perfeita ou integralidade – ENQUANTO permanecer, ele próprio, julgando-se um ser humano limitado, ou uma identidade individual separada.
Renegando sua real identidade como sendo a Mente criativa Todo-poderosa, com seu poder ilimitado para criar tudo bem e perfeito, ele se torna, segundo sua falsa crença, um mortal frágil e pecaminoso, sempre em busca de perfeição (perfeição que já existe disponível em seu próprio interior, em seu verdadeiro ser) e, em seu lugar, encontra sempre as incertezas, guerras, tribulações e morte.
Enquanto não se elevar e aceitar seu estado verdadeiro – o Todo ilimitado e livre –, jamais poderá experienciar aquilo que busca, ou seja, o Paraíso; isto porque o “Eu” e o “Paraíso” são um.
A grande realidade perdura eternamente: o Ego infinito e a identidade infinita são um todo indivisível; perfeito, absoluto e completo. Jamais estivemos sendo um homem ou alguém espiritual ou material. Jamais estivemos sujeitos a limitações de qualquer espécie. Agora, e sempre, Eu e meu Ser somos Um e idênticos.
Desperte! Renasça! Eleve-se! Manifeste-se! Que mais lhe resta fazer? Que mais restaria para ser dito? Inexiste outra direção a ser indicada, e que pudesse ter algum valor real para aquele que está em “terra distante”.
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O Puramente Espiritual
Está mais que evidente que um avanço definido se iniciou rumo ao puramente espiritual. Hoje, temos aqueles que estão prontos para abandonar trabalho e esforço no sentido de demonstrar saúde, riqueza e felicidade, para aceitar a Verdade de que não somos carne (matéria), mas Espírito (Rom. 8:9).
Estas lições podem revelar Entendimento àqueles que não vieram de estudos de mentalismo, e também aos que estão preparados para uma expansão que os irá ultrapassar. Os que se autodenominam seres humanos são incapazes de encontrar uma solução aos seus problemas humanos.
Nenhuma terapia para as limitações de uma terra achatada poderia ser descoberta por aqueles que viveram como fazendo parte dela. Quando eles descobriram que a terra era redonda, concomitantemente um novo ponto de vista se lhes abriu. E então, as limitações de uma terra achatada sumiram automaticamente de vista. Ocorre exatamente o mesmo com as limitações chamadas pecado, doença. sofrimento, desejo e guerra. Todas estas, também. desaparecerão sem qualquer esforço, para aquele que reconhecer a si mesmo como Espírito.
Se medo e tribulação pudessem ser curados a cada necessidade que surgisse, jamais saberíamos que nosso Eu e nosso Mundo são completamente perfeitos aqui e agora. As promessas de segurança, proteção, paz e imunidade são vistas como certas e seguras por aqueles que recebem, ou aceitam a Luz, de que apenas um Ser está presente – o “Eu” infinito. “De seis angústias Ele (Eu) te livrará, e na sétima o mal não te tocará” (Jó 5:19).
Por que continuar a crer em mortais, quando “Eu sou o Todo de Tudo”? Por que persistir em aceitar dois poderes, dois mundos, quando não há nada ao lado de MIM? Por que prosseguir com conceitos equivocados, quando “Eu” sou a Mente única que existe? Por que lutar e se esforçar para obter ou emergir na Perfeição, quando a Perfeição é o que sozinha está presente?
“Os Vedas” declaram que a realidade não vem através de ginástica mental, mas por amor puro e devoção. Ensinam que a bênção do “Eu” está sempre conosco e que iremos descobri-la, se a buscarmos com sinceridade. Nós eternamente somos o “Eu”, o Absoluto. O objetivo essencial dos Vedas é ensinar a Natureza da Egoidade única, e declarar com autoridade que esta constitui o nosso “Eu”; que nós realizaremos perfeita Paz, Serenidade e Bem-aventurança pela devoção constante ao “Eu” que não tem oposto.
É verdade que, se continuarmos a aceitar somente o “Eu” único, esta percepção espiritual nos trará infinita calma, paz e felicidade; estaremos vendo e conhecendo, amando e existindo, como este próprio “Eu”. E prosseguindo no conhecimento de que apenas um “Eu” e um Mundo estão presentes agora, esta Realidade se tornará natural para nós – nítida e certa. Nossa Realização de Deus como nosso Ser, Mente e Mundo é Consciência Divina.
No Infinito não há nenhuma evolução de outros seres, outras mentes, outras consciências. A igualdade não pode ser encontrada em parte alguma, senão em nossa percepção de que nós somos o Infinito.
Desvincule-se da doutrina ou crença de que este Mundo não é o Mundo de Deus; que já não somos dotados agora da Mente de Deus; e que nós precisamos passar por processo evolutivo rumo à Perfeição e Realidade. A Perfeição do Um jamais foi mudada. Ela está sempre aqui.
“Confia no Senhor (no Eterno) de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e Ele endireitará as tuas veredas…o Senhor será a tua segurança” (Prov. 3: 5,6,26). Na versão de Moffat, encontramos que “se confiarmos no Eterno com todo o nosso coração, sem nos apoiarmos em nossa própria visão, conservando a Mente dele em todos os caminhos, Ele iluminará o nosso percurso…o Eterno será a nossa proteção, e nos preservará de todo perigo”.
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O Preço Da Glória
Abra agora o seu coração à Luz do Eterno – em vez de trabalhar para aperfeiçoar uma mentalidade individual, que, finalmente, terá de ser consumida pelo alvo fogo da Iluminação espiritual.
O Coração sempre simbolizou o Centro do Ser. Lao-Tze, filósofo chinês de grande Luz, aponta com aptidão a IDENTIFICAÇÃO VERDADEIRA, no seguinte versículo de O Livro da Vida:
É desnecessário correr externamente
Para melhor observar,
Ou olhar de uma janela. Melhor é permanecer
No Centro de seu ser, pois, quanto mais o abandona, menos você aprende.
Busque o Coração e observe,
Sábio é quem assume:
O Caminho da realização é ser.
Bem-aventurados são aqueles que voluntária e jubilosamente abandonam os caminhos mentais científicos para buscar a Deus unicamente com seus Corações.
“Vós me buscareis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.
”Jeremias 29: 13.
Podemos aprender Realidades espirituais e receber Luz divina com AQUELES que receberam Conhecimento através de Iluminação Divina, ou através de direta Iluminação, ou seja, por Autorrevelação.
A Autorrevelação estará presente, e permanecerá conosco, quando A aceitarmos como nossa única Luz e Caminho. Suponhamos que alguém anseie por se livrar da dor: como irá proceder? Deixando-a de lado; nada fazendo com ela. Voltando-se a Deus, ao Eu de seu próprio ser, à Mente e à sua própria Existência; voltando-se ao Ser em que inexiste qualquer dor, deixando que a atenção seja completamente absorvida por seu Eu Puro e Sagrado. Desse modo, a dor desaparecerá, tão certamente quanto se torna impossível haver treva na presença da luz.
Suponha ser seu desejo o de se livrar de um sofrimento. Identifique-se como o Eu que é agora Perfeição – o Eu que é Integralidade e Harmonia perenes – assim como o sol é sempre a luz do mundo inteiro.
O EU É NOSSO CORPO. Aceitando prontamente este Eu Perfeito, num amor e devoção todo-absorventes – não haverá nenhuma sensação de sofrimento ou aflição. Você estará no lugar em que se cumpre a promessa: “Nada vos fará dano”. Lucas 10; 19.
Questões relativas à cura, demonstração, ou tratamento, perdurarão enquanto permanecer a ideia de que exista um pensador individual separado. Tal pensador individual irá persistir, inclusive com a sensação de discórdia, limitação e desarmonia, até que finde esta FALSA IDENTIFICAÇÃO. De nenhum outro modo Deus Se tornará uma Presença vital e vibrante em nossas vidas.
Em primeiro lugar, abstraia-se das aparências. Não se esforce para curá-las, dominá-las ou destruí-las, tampouco se esforce para delas discordar silenciosamente. Os esforços do “eu pessoal” são cegueira e restrição.
Dirija o Coração, a Alma e a Existência rumo à aceitação da VERDADE EM SI, no Reino do Real. Faça, portanto, sua identificação unicamente com o Real.
Como um indivíduo, ou uma expressão, ninguém pode conhecer Liberdade, Paz, Perfeição, Integralidade. Uma coisa, apenas, é de valor, uma coisa superior a ganhar o mundo inteiro: ENTRAR NA REALIDADE IDENTIFICADO COMO O PRÓPRIO EU.
Pai, obrigado. Rejubilo-me em ver que o Infinito me inclui; que o Infinito é a TOTALIDADE de mim; que EU SOU O INFINITO.
Esta percepção, longe de ser presunção, é Suave e Poderosa. O que parecia ser pessoal é descoberto imerso no UNO. É este o PREÇO DA GLÓRIA, exigido de todos nós.
Abra o Coração e a Alma agora para a Luz do Eterno. Varra toda intenção de criar, e você mesmo, um paraíso; somente falha e fracasso estariam à sua espera.
“Vede, irmãos, que não haja em algum de vós um coração corrompido pela incredulidade, que o aparte do Deus vivo.” Hebreus 3.12.
Para os puros, todas as coisas são puras; para os impuros e infiéis, nada é puro, mas estão contaminados o seu espírito e a sua consciência. Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras.” Tito 1, 15,16.
Em nossa experiência em Revelação Divina, perdemos consciência de corpo e mente pessoais. Temos Êxtase, Bênção, Paz e Glória desconhecidos e indescritíveis àqueles que lhes estão dessintonizados. Esta Realização do Eu Real é Liberdade espontânea, possível agora a todos os que se dispuserem a pagar O PREÇO DA GLÓRIA.
Acima e além do físico, está o mental. Acima e além do mental, está o Divino e Espiritual. Identifique-se agora como o Eu Real! Conheça-se!
O Caminho é UM. Nós somos o Caminho. Debruce seu Coração na Realidade!
Enquanto alguém se identificar como CONSCIÊNCIA PESSOAL, não chegará ao ultimato das coisas! Citemos, de “A Conquista da Ilusão”:
Somente a Intuição serve de meio para conhecimento, a Intuição sendo encarada como a experiência da Realidade em nosso Ser. Somente quando abandonamos as armadilhas do mundo da relatividade, podemos penetrar no mundo do Real, e, então, experienciar a Realidade, que não dá respostas a errôneas indagações, mas que as deixa de lado, dando-nos uma percepção da Verdade viva, na luz em que as próprias perguntas se tornam absurdas. Busquemos pela Realidade, que sozinha satisfaz.
Abrindo mão dos caminhos materiais, e dos caminhos mentais, naturalmente chegamos à experiência do que é Real e Eterno. Fique, agora, desejoso de pagar o PREÇO DA GLÓRIA.
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“Olha Desde Onde Tu Estás”

“Ergue os olhos e olha desde onde tu estás” (Gen. 13,14). O que vemos geralmente depende do lugar em que nos posicionamos. Permanecendo no Reino e olhando a partir do plano da Consciência divina, seríamos capazes de ver alguém doente, pecador, aflito? Quem estaria carente de Integralidade, Harmonia e Paz?
“Olha desde onde estás!” Poderia o pecado ou o pecador serem vistos na Realidade? A idade, a morte? A tristeza, a separação? O sofrimento? Que vês tu?
Em geral é bem aceito que o mundo fenomênico ou aparência material externa não passa de pensamento. Pensamento de quem? De que lugar alguém olha? Com que se identifica, para ver algo a ser feito ou alterado nele ou em outro qualquer? O texto das Escrituras deveria ser lembrado: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar”. (Habacuque 1:13).
Em iluminação, vê-se como Deus. Sem estar inspirado e iluminado, vê-se como homem. Um oriental escreveu: “O Eu que brilha como o sol dentro do coração é Real e a tudo permeia”. No mergulhar profundo da questão “Quem sou eu, de onde vim?”, some o pensamento e a Consciência de Ser aflora como EU SOU no interior do Coração. Este é o paraíso, a morada da bem-aventurança. Qual é o sentido de não se conhecer outra coisa, senão o Eu único? Que sobraria a ser conhecido por alguém, quando o Eu em Si for conhecido? Uma vez conscientizado o “Eu”, nada restará a ser conhecido. O Eu é o Todo”.
Deus é o “Eu” de todos nós. Eu, a Mente Divina, Deus, Realidade, Consciência Pura, o Absoluto, denotam o mesmo “Um”. Mente, personalidade, mentalidade, conceito finito, ego, homem e intelecto denotam a mesma coisa. A conscientização da Verdade é impossível para a mente ou intelecto.
Pela identificação como o “Eu único”, sabemos que sempre estivemos sendo “Ele próprio” — e nada mais. Despertos para o Eu Iluminado, despertamos para o Mundo Real e, despertando para o Mundo Real, estaremos despertando para a Realização e Revelação como nossa única Existência verdadeira. Isto, somente, é verdadeiro e Real referente ao que existe de Nós próprios: Autocontenedor e Autorrevelador, o Eterno e Imutável.
“Eu” sou a Verdade, você é a Verdade; “Eu” sou o Um, você é o Um; “Eu” estou no Reino, você está no Reino, mas não como um “eu pessoal humano”, não como mente ou corpo individuais. O que vemos, aquilo em que cremos, depende daquilo com que nos identificamos. Quando alguém dorme e sonha fica identificado com outro ser diferente daquele que acordado ele é, passa a ver outras coisas e condições diferentes daquelas que circundam o local em que se encontra.
O primeiro ou ligeiro impulso do coração rumo à Realidade Espiritual constitui o início do nosso despertar. Assim que ouvimos a Voz do Uno a nos chamar: “Venha a Mim como a seu Eu, seja este Mim e nenhum outro”, é como se, sonhando, ouvíssemos um chamado alto de nosso próprio nome e abríssemos a nossa visão para a Identidade Verdadeira. O ego-sonho ou o sonhador deixam de ser encontrados, eram absolutamente nada.
Apesar de o fato ser e permanecer o seguinte, ou seja, de que na Realidade somos sempre perfeitos na Mente, Ser e Forma, sem nascimento e sem morte, livres, tal fato não será lembrado enquanto estivermos nos identificando como um ser separado, desejoso de alcançar o estado de Perfeição através de próprios esforços.
Não escaparemos do senso pessoal, da mente ou pensamento pessoal, por tentar humanamente nos livrar deles. Nenhuma intenção de conquistar ou dominar tais coisas nos livrará da sensação de que somos possuidores de corpo e mente próprios, separados do Um. A Vida não é um sistema. Como, então, algum sistema de pensamento poderia interpretá-La ou explicá-La?
A crença em mente, pensamento e corpo pessoais é a consequência que encontraremos caso deixarmos de nos identificar como o Todo Indivisível. Pela identificação como a Realidade, que é a Vida como um todo, a crença na dualidade não perdurará, será absorvida pela Identificação Absoluta.
Que é responsável pelo senso finito ou pessoal? À medida que nos identificarmos como Verdade, Vida, o Ser em Si, e como nenhum outro, cessará este senso finito e os problemas pessoais desaparecerão. Estaremos conscientes somente daquilo que for Real.
“Ergue os olhos e olha desde onde estás!”
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Nenhum Outro Existe
Quem é Maria? Quem é João? Quem é Tiago? Quem é Marta? Verdadeiramente, Eu Sou Tudo, Tudo É Eu. Perfeição é tudo! Tudo é Perfeição. O Um-identidade é tudo; e tudo é o Um-identidade.
Existe alguém ao lado de Mim? Eu desconheço. Não há nenhum outro. Não há ninguém mais.
Assim, toda Maria ignorante, todo João doente, todo Tiago pecaminoso, toda Marta limitada, não está presente.
Não considere ninguém ao lado de Mim. Não acredite em nenhum outro. Não se interesse por nenhum outro.
Quem estaria presente para ser visto ao lado de Mim? Que cada leitor responda por si mesmo a esta indagação. Lembremo-nos: “Aquilo que vês, é o que és”. Por exemplo, se alguém acredita estar vendo outro em ignorância, doença, pecado ou limitação, quem necessita de ajuda? O “outro”? Ou ele próprio? Ele próprio. Tão logo alguém se envolva com um problema, sua necessidade se reduz a considerar sua própria Consciência.
Se existe uma só Seidade perfeita e completa, que ele se pergunte: “Quem está doente? Quem é ignorante? Quem é pecador? Quem está em limitação?”. A resposta é: Ninguém na perfeita Seidade divina.
Afinal, não é mais simples e mais fácil fazermos alguma correção necessária em nós mesmos do que no “outro”? Como procederemos? Em primeiro lugar, afastaremos toda a atenção da forma ou entidade chamada João ou Maria. Em seguida, entraremos em comunhão com o nosso Eu.
Façamos ao nosso Eu algumas perguntas, e elas receberão as respostas. Exemplificando: “Que estou vendo?”. A resposta será: “Existe algo ou alguém para ser visto, senão o Real e o Verdadeiro?”. Poderemos dizer: “Mas, e quanto a João ou Maria?” E o Eu responderá|: “Eu sou a totalidade de João. Eu sou a totalidade de Maria. Não há ninguém ao lado de Mim”.
Sempre, o interesse de alguém é somente por ele mesmo: que ele atua unicamente como o Um, e como nenhum outro.
O Eu nunca está em ignorância. Nunca está doente. Nunca está em pecado. Nunca está em limitação, perigo ou problema de qualquer espécie. Para você, para qualquer um, não deve existir nenhum outro “eu”, nenhum outro nome, forma ou entidade como, por exemplo, pessoal ou humano.
De acordo com o 1°. Mandamento, o Eu único deve ser sua Realidade completa: “Não terás outros deuses ao lado de Mim”. E, pelo 2°. Mandamento, cada um deve ver o próximo como a SI mesmo. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Ele deve, portanto, reconhecer a Verdade a respeito dele: Você é o Eu único e a Seidade única. Você não é humano: ignorante, doente, pecador ou carente. Não há ninguém ao lado do Um infinito, indivisível. Você é este Um.
Eu sou o Um que você busca, quando vai a outro. Eu sou o Eu de Moisés, o Eu de Jesus, o Eu de todo Ser verdadeiro. “Antes que Abraão existisse – Eu Sou”.
Ó Eu perfeito! Ó Eu Todo-glorioso, majestoso! Ó Eu adorável e sempre confiável. Eu e o Eu somos um … sempre e eternamente UM.
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Luz Do Absoluto
Nota: Este tipo de texto é inteiramente contemplativo, ou seja, requer que façamos o reconhecimento destas Verdades com o nosso posicionamento em Deus e nunca nas “aparências”. Em outras palavras, requer que as revelações sejam aceitas com cada um identificado com elas no Absoluto, sem esforços mentais da suposta mente humana e SEM CONSIDERAR MENTE HUMANA. Como diz o texto, “O ESPÍRITO É NOSSA MENTE”. Sugestão: faça a leitura e faça a contemplação imediata, linha por linha, em vez de ler tudo de uma vez para só depois contemplar os temas. Este estudo é de percepção, uma vez que estas Verdades são o que já somos! (Dárcio)
O Espírito, Deus, é uma Seidade perfeita, pura, indivisível e infinita; assim, não pode haver nenhum ego, ser, mente ou corpo de natureza pessoal. O Espírito é nossa Vida, nossa Vida é Espírito. O Espírito é nossa Mente ou Consciência. Mente ou Consciência é nosso Espírito. O Espírito é nosso Corpo, nosso Corpo é Espírito.
O Espírito é nosso único Ser, Eu ou MIM — incorpóreo, imensurável, sem fronteiras, sem tempo e sem espaço. Não há nenhum ego, corpo, mente, ser material ou humano, e nenhum mortal. Existe unicamente “MIM” — EU SOU o UM que é Real e Presente.
Quando esta nova Revelação é vista e aceita, não mais há doença, sofrimento, dor ou morte. Tão logo se desvaneçam as crenças e ensinamentos que nos veem como mortais, humanos ou humanidade, não mais existirão as distorções e concepções errôneas, nem ensinos falhos ou pensamentos errôneos.
A visão de que o Eu Único, “EU”, ou “MIM, reina sozinho, e de que não pode haver nenhuma outra identidade — seja como mente, consciência ou corpo — deve fazer com que se rejeitem e se descartem crenças e ensinamentos que identifiquem alguém como sendo homem ou humanidade; pois, no âmago desse tipo de identificação, está a sujeição ao sofrimento, doença e limitação.
Nosso livramento, portanto, não é do sofrimento, da preocupação, do medo ou da velhice, mas o livramento em que alguém para de acreditar ou de aceitar que ele é um ser humano ou um mortal, e que seu corpo é material ou físico.
A cura da doença jamais porá fim à doença, nem poderá a cura do sofrimento dar fim ao sofrimento; tampouco a negação da matéria fará algo além de manter alguém na crença de que ele é um mortal, e que seu corpo é material, prolongando, desse modo, sua associação com a doença, carência e sofrimento.
Esta nova Revelação está destinada a vir universalmente. O tempo é aqui, não somente para que conheçamos a Verdade inadulterada, mas, para que a anunciemos em alto e bom som. O Espírito é nosso Único Eu, o Espírito é nosso único Corpo, o Espírito é nosso único Mundo – Completo, Perfeito, Presente. O Espírito é o único “Eu”, ou “Mim”.
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O Corpo Do Espírito
A crença de que podemos controlar, curar ou melhorar o corpo deve ser substituída pelo conhecimento espiritual de que o corpo é Espírito, assim como a Vida, Mente e Ser são Espírito. A Vida não poderia ter uma Natureza e o Corpo outra! Quando estivermos conscientes de que o Espírito é Uma “Infinitude”, Uma Existência, somente então, veremos o fim de nossa crença em seres humanos e corpos humanos.
O Espírito não pode apresentar variados graus ou estados de existência. O Espírito é sempre Espírito—Todo-abrangente. A compreensão de que somos Espírito coloca ponto final em todos os pontos de vista contrários. No Espírito – Consciência Cósmica-, todos se tornam vivos, ou seja, tudo é visto e compreendido com base no Princípio e Natureza únicos. O Espírito não é causa nem efeito. Enquanto não rompermos com a crença tríade em mente, matéria e personalidade, não compreenderemos o Reino do ESPÍRITO. Na Consciência espiritual, há Perfeição e Integralidade incólumes, não algo chamado “cura temporária”.
De fato, pouco ou nada sabemos da Verdade ou da Realidade, a menos que nos seja revelado “não pela força, não pelo poder, mas por Meu Espírito, disse o Senhor” (Zacarias 4:6). Uma forma de Vida não é coisa inferior ou diferente da própria Vida. Não existe nenhuma vida mortal. Falando como homem, falamos de um conceito material, de uma vida material; porém, sabendo de Deus que TUDO É ESPÍRITO, e que a Vida espiritual e a Formas são UNIDADE, ficamos sabendo que é impossível existir qualquer forma material de vida.
O Espírito é supremo, nada vendo para ser curado ou melhorado, apenas conhecendo a Si próprio como INFINITO! O Ser Perfeito não pode ter pesar, ressentimento, sofrimento ou desejo por algo. O Espírito não pode ser corrompido nem contaminado. O coração que glorifica o ÚNICO Ser, consciente de que inexiste outro, é independente de dogma ou credo. Ele é uma emanação de Luz dentro de Si mesmo!
Diante da pergunta: “O corpo material, que uso para caminhar, é este corpo espiritual?”, a resposta será em função do ponto de vista de quem a formulou. Houve época em que se acreditou que a Terra fosse plana. Que resposta daríamos à pergunta “esta terra achatada é a redonda?” Impossível uma resposta racional, já que existe somente uma Terra; de igual modo, existe somente um Corpo, apenas um Corpo está presente.
Se alguém acreditar que a terra redonda é achatada, todas as suas perguntas serão incompreensíveis. Somente a Verdade entende a Verdade. Para que haja uma resposta verdadeira, teremos de atuar como a Mente divina e Seu Conhecimento. Uma autoidentificação com o não existente faz com que pareçamos ter “mente dupla”; o Espírito da Verdade, nesse caso, não estará conscientemente em nós.
Não há situações, mentes, corpos nem pensamentos para serem trabalhados ou tratados. Não existe nenhuma personalidade (humana) a quem um tratamento espiritual possa ser endereçado. A Mente divina vê a Mente divina, perfeita e completa, de nada carente, consciente sempre de Si mesma como sendo Espírito -o “EU” único!
Onde devemos ir para ver e conhecer a Realidade? A Verdade? Geralmente é aceito que alguém terá de morrer, deixar este mundo, para entrar em outro mundo em que a Verdade fosse mais plenamente conhecida. Em certo sentido, isto é verdadeiro, mas nunca da forma mencionada. DEIXAREMOS A CRENÇA de que somos mortal, matéria, mente ou personalidade humanas; e DESPERTAREMOS para a Verdade de que somos Espírito, exatamente AQUI e AGORA; e que nenhum outro mundo existe. Esta Consciência é verdadeiramente O REINO DO ESPÍRITO.
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O Dia Eterno
Quando experienciamos o Mundo, o Corpo e a Mente perfeitos, não significa termos trocado um mundo por outro. Já não mais consideramos “este” mundo e “aquele mundo”. Nossa experiência diária consistirá em reconhecermos que somente existe um Mundo, que é este em que estamos, pois “Eu” e o “Mundo” são idênticos. O Mundo perfeito está presente agora, como nossa própria Consciência espiritual.
A chamada “consciência humana” não existe. Portanto, ela não pode ser desenvolvida nem estar em “estados” ou “estágios” de consciência. Sem qualquer existência, uma consciência ou mente humana não pode ser iluminada nem não-iluminada; não pode conter conceitos verdadeiros nem falsos. Todas as crenças ligadas a outra mente, consciência ou mundo, ao lado do Uno espiritual, devem ser abandonadas, pois a Verdade, e somente a Verdade, reina.
É dito com frequência: “Eu conheço a Verdade; se eu somente conseguisse manifestá-La…!” Verdade é Manifestação. Verdade não é uma coisa e manifestação outra coisa. Não existe causa ou efeito na Verdade. A Verdade é um Inteiro, uma TOTALIDADE todo-inclusiva, é um EU-SOU-ESTADO-DE-SER. Ninguém poderá deixar de lado a crença e ensinamento de outra mente, corpo e mundo como humano e material, a não ser estando pronto e desejoso de ver e aceitar a DEUS como UM, sem qualquer oposto.
O Espírito, a Verdade, somente pode ser conhecida pelo “Coração”, que entende que a crença na dualidade não tem verdade nela, e que a ideia de dualidade se baseia integralmente na crença de separação de Deus. Como jamais nos separamos do Espírito, não somos seres caídos, nem somos humanidade. O Dia Eterno, portanto, é este dia, este Agora, e Aqui.
Através de nosso Amor espiritual e profundo pelo “Um”, que O reconhece como Único, a Vida cessa de ser um mistério para nós; não mais a consideraremos como um problema a ser resolvido, mas uma realidade a ser experienciada. Nós somos jubilosos com nova Alegria, nova Luz e nova Liberdade.
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O Universo Real
O Universo espiritual é o Corpo ou Reino das identidades e ideias espirituais infinitas; formas de expressão e pensamentos espirituais infinitos da Mente ou Consciência Universal única.
A Consciência perfeita possui perfeita inspiração, perfeita sabedoria, bondade, beleza e amorosidade, e o poder de expressá-las; qualidades, faculdades e atividades perfeitas.
Quando captamos esta luz, e continuamos a viver e expandi-la, nós discernimos as realidades espirituais de uma nova maneira; e a REVELAÇÃO desce sobre nós continuamente. Começamos a aprender mais e mais sobre nosso Eu como Espírito, o Perfeito e Divino, como nosso mais amado instrutor; nosso Eu como Vida, Verdade e Amor: imortal, infinito, indivisível. E então, vemo-nos face a face com a percepção do Corpo espiritual como puro, imortal, imutável e todo harmônico.
Uma visão desse tipo descarta a posição de mudar mentalmente, corrigir, curar, desmaterializar ou espiritualizar uma forma espectral ou insubstancial; e, em vez disso, procura com luz e glória contemplar, discernir e tomar posse do Corpo único do Espírito, que pertence a todos, e proclamá-lo como o nosso próprio Corpo. “E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira”. (Apoc. 21:27).
Exemplificando, aquilo que chamamos de dedos, olhos, pés, etc.; rosa, pássaro, leão; tudo existe como identidades espirituais distintas: onipresentes, imutáveis, imperecíveis, imortais e tangíveis. O Corpo infinito do Espírito, incluindo suas ideias e identidades, jamais pode ser corrompido, contaminado, perdido ou prejudicado de algum modo.
Não tente controlar alguma suposta forma material por meio de algum tipo de maneira de pensar. Afaste-a total e inteiramente de sua atenção. Focalize-a no Reino da Verdade, Vida e Amor, contemplando o Imutável, o Infalível e o Absoluto.
No Reino da Consciência, em seu íntimo, existe o Corpo espiritual eterno, que é seu eternamente: onipresente, incontaminável, invariável, eterno, espiritual, real e tangível. Está pronto para assumi-lo?
Olhe, agora, para o conceito de Paraíso como o Universo perfeito e sempre presente, e determine a si mesmo o que nele é para ser visto, pronto para ser descoberto como já pertencente a você. Que pensamentos, ideias, identidades vê você? Diga a si mesmo; e então, permaneça nessa realização flamejante e intuitiva. Você não sente e aprecia Harmonia, Perfeição, Imutabilidade, “Completeza”, Pureza, Beleza, Alegria, Paz, e qualidades similares de Ser? Tome todas elas! Já são suas! Elas são você!
O Reino do Espírito-Vida-Mente, que você está contemplando, é a Cidade Santa, o Reino que Jesus chamou de Paraíso, e no qual ele se baseou para citar diversas de suas maravilhosas parábolas. Ele sempre o mantinha como Consciência, rogando para que deixássemos e abolíssemos todos os passos humanos que se mostrassem como obstáculo para que nós o aceitássemos.
Vividamente, animadamente, dinamicamente, ele reforçava a importância de nossa aceitação do Paraíso – a Cidade Santa – como acima de todas as posses materiais. Ele antecipou que nenhum trabalho faria obtê-lo…e que personalidade alguma o alcançaria. Pureza, somente, pode perceber e possuir o Paraíso.
Por que alguém deveria continuar lutando em treva, com inconsistências e confusões, quando a alegria e glória do conhecimento de que somos Espírito nos aguarda a todos? Quão simples e fácil é aceitar o Espírito imensurável e imaculado como a totalidade de todos nós! E aceitar que somos integralmente isto! Iluminados pela Luz de nosso próprio Ser, sabemos que nós somos Autoexistentes e Autocompletos.
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O “Fim do Mundo”
Nada em Deus ou de Deus é humano, mortal, material, irreal ou ilusório. Deus é o Inteiro, a Totalidade. Para assim ser, precisamos ser este UM. Deus é integral – o Integral, Deus é a Íntegra da Vida, Ser, Mundo e Existência. Nesta Integralidade, não há separação; nenhum sofrimento; nenhuma luta ou destruição; nenhuma morte. Nesta Integralidade existe Luz, Visão, Revelação – constante e infindável.
Aqueles que volverem seus corações a Deus, total e completamente – abandonando e abolindo todos os ensinamentos atuais, que prendem o mundo à crença de que estamos separados do Espírito, Deus, o Um (ou que somos algum outro, que não o Espírito) – saberão de Deus que o Espírito e a Existência espiritual são a única Presença. Eles viverão em sua própria Consciência ou Percepção perfeita e pura de que o Espírito é tudo, e de que nós nada podemos ser, senão Espírito.
O fim do mundo significa dar fim à diabólica crença de que somos mortais ou humanidade. Veremos este mesmo Eu, este mesmo Corpo, e este mesmo Mundo como o Real e Verdadeiro – verdadeiramente, o próprio Reino dos Céus. E então, não haverá doença, guerra, sofrimento nem morte; pois, a primeira crença em pecado e separação terá sido banida pela Luz e Revelação resplandecentes e gloriosas de que o EU SOU permanece Total e Único; de que “Eu” sou o único UM – não há ninguém além de “MIM”.
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Jamais separados de Deus!
A Verdade não pode ser revelada, a não ser quando você estiver desvinculado de crenças e ensinamentos que o associem com algum outro ser, que não o Espírito. Uma vez que você encare a Deus, e volte seu coração unicamente a Ele, deixando de lado todo pensamento de “outro mundo” de pessoas e coisas, você estará na Luz imediata, que lhe revela tudo o que deva saber. Como o Ser Único é sua Vida e seu Eu, e como não pode haver nenhum outro, deve haver, portanto, uma renúncia à sua crença nesse outro.
O Deus infinito é nosso próprio Ser infinito, Mente e Vida perfeita. Esta Egoidade exclui qualquer outro eu ou existência. A Onisciência exclui a presença de qualquer outra mente. A Onipotência exclui a presença de qualquer outro poder. O UM perfeito, Infinito, conhece a Si mesmo como o Infinito “Tudo em Tudo”.
A Resposta aos problemas do mundo não será achada na cura de doenças ou na superação de guerras. O profundo significado desta hora é o de que devemos volver nossos corações de tudo mais rumo a Deus diretamente, para que haja Luz, Visão e Revelação.
Nenhum tratamento ou demonstração será prova suficiente para esta hora crucial. A Luz, somente, poderá revelar o Caminho. Os velhos ensinamentos e crenças serão, aqui e agora, abolidos completamente. Eis que”Eu” faço NOVAS todas as coisas!
Esta Nova Luz vem bem abaixo da superfície. Ela atinge as próprias profundezas do coração, onde descobre a crença e o ensinamento profundamente arraigados de que somos mortais, ou seres humanos com corpos materiais, vivendo numa existência humana. Nada disso é verdadeiro. Precisa ser derrubado, abolido e banido.
O ensinamento e a crença básica de todas as religiões é que nós estamos agora separados de Deus: que Deus é Espírito, mas nós somos mortais ou humanidade. A Luz revela que não somos humanos ou mortais; que não há mortal algum para ser regenerado, nem corpo necessitado de cura, e nenhum mundo passível de ser destruído. A Luz revela que jamais estivemos separados de Deus!
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Ponto de Vista
A cura nada tem a ver com as aparentes formas materiais; tampouco tem a ver com o Corpo espiritual. Em nada se relaciona com condições ou sintomas físicos, nem com desarmonias de qualquer espécie. Ela somente tem a ver como o nosso ponto de vista.
Com frequência, a cura é simples como o é para alguém decidir se ele possui uma forma material desarmônica, portanto, necessitada de cura… ou um Corpo Espiritual perfeito, em que desarmonia alguma possa surgir.
Descartando toda alegação referente à forma material e tomando posse espontânea do Corpo Espiritual, que é nosso de Eternidade a Eternidade, não podemos deixar de experienciar a glória e a saúde que lhes são inerentes.
Declarando posse do Corpo espiritual, que não necessita de cura por sempre ser imaculado, perfeito e completo, nós provamos que nosso Eu é o Ser único, e nenhum outro. Verdadeiramente, nosso corpo é maravilhoso como a estrela da manhã, e radiante como o sol. Contudo, apenas crer que ele seja espiritual, perfeito e sempre harmonioso, não nos basta. Precisamos tomar posse dele como sendo o nosso próprio corpo.
“Como?” —você perguntaria. Através do amor e da devoção…tal como chama flamejante. Assim como alguém declara fidelidade ao seu País, com todo ardor, adoração, lealdade e fervor de seu ser, proclame seu EU como Espírito, Verdade, Inteligência; e seu corpo como perfeito, integral e todo-harmonioso.
As formas são múltiplas, e são proclamadas por aqueles que chamam a si mesmos de “pessoas” ou “indivíduos”. O Corpo é um, e pertence a todos que dele tomam posse como o corpo da Perfeição…o corpo de Vida, Verdade e Amor.
Quando você vislumbra o real e verdadeiro estado do Ser, Corpo e Universo, não pense que poderá ficar quieto e descansado. Não! Este não é momento de letargia ou desleixo mental. Você terá de ser a chama viva…expressando, cada vez mais, as ideias e atividades divinas intrínsecas ao seu Ser; sempre recordando que o corpo expressa você, a Vida e o Ser perfeitos.
Uma aceitação intelectual desta nova Ideia, sem a atividade espiritualmente jubilosa de nela permanecer, adorando, amando e continuamente se elevando às altitudes máximas de luz, poder e ação, pouquíssimo benefício lhe trará…talvez, até nenhum.
A crescente tendência de se abolir a ideia de tratamento mental ou metafísico, sem nada colocar em seu lugar, limita e compromete a atividade espiritualmente progressiva e a luz de alguém. Uma vez face a face com o “Eu”, teremos de “provar todas as coisas e permanecer firmes”.
Que nos ajudará em nosso desvínculo com as desarmonias e limitações? Resposta: Nossa aceitação e nossa dependência à Consciência espiritual que somos…a Consciência que conhece o Eu, o Universo e o Corpo como sendo o Integral espiritual perfeito. Com efeito, nossa visão inteira deve ser espiritual.
Se o Céu está à mão, onde é que Ele está? Nos Estados Unidos? Noutro país? Jesus nos deixou bem claro: “O Reino de Deus está dentro de vós”. Quão distante está “você”? Está exatamente à mão, não está? Assim, se você parece estar nos Estados Unidos, aí é o Céu! Ou, em outro local qualquer, aí é o Céu!
Como pode ver, o Céu está em você; não é preciso que “caminhe até Ele”. A Consciência é Vida, é Ser, é Corpo, é Universo, é Céu. Ela está exatamente à mão…dentro de você…você.
Quanto mais permanecermos no verdadeiro estado e natureza de nosso Eu, Corpo e Universo, mais garantidas serão nossa segurança, nossa paz e nossa prosperidade. O reconhecimento de nossas atividades como espirituais e perfeitas, sem limites de qualquer espécie, à mão, e dentro de nossa Consciência, propicia nossa emancipação de um mundo-espectral chamado “existência humana”.
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“Expulsai os Demônios”
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A ordem “Expulsai os demônios” já pode ser posta em prática, pois agora estamos capacitados a executá-la com visão espiritual e autoridade divina.
Os “demônios” são as falsas crenças genéricas que têm perpetuado desde o início dos tempos; e, a principal delas chama-se “individualismo”. Cristo ensinou que toda realidade é una, sem partes ou diferenças, ou seja, ensinou ser impossível reconciliar o nosso “Eu” com uma mente humana ou individualidade. Pelo contrário, o homem genérico prega a doutrina da apoteose, isto é, a deificação da mente humana.
A renúncia a toda obediência a personalidades ou doutrinas humanas nos conduz à iluminação flamejante e à convicção de que inexiste qualquer “outro” ao lado do Eu Universal. Este Uno exige nossa total atenção. Verdadeiramente, teremos de clarear nossa visão até que nada nada mais seja posto diante dela, a não ser o Eu perfeito e Sua perfeita expressão.
Por outro lado, isto é, do ponto de vista de que nada mais existe, se torna fácil entender que as formas discordantes chamadas doença, pobreza ou desarmonia de toda espécie, não possuem nelas Deus algum ; portanto, não têm nenhuma vida , nenhuma ação, e nenhum poder.
Porém, que daria origem àquelas aparências? Podemos atribuí-las diretamente aos pensamentos e sentimentos errôneos; eis o porquê delas assumirem forma. Entretanto, tais pensamentos são inteiramente falsos, por terem sido construídos sobre a errônea premissa de que existe outra mente, ou consciência, além daquela que é Deus; e de que estes pensamentos malignos possuam poder.
O grande realismo permanece intacto. A Mente ou Consciência única que temos, é aquela que é Deus. Logo não pode haver, e não há mesmo, nenhuma forma real discordante; nenhum pensar errôneo; nenhuma outra mente, vida ou existência.
Em virtude do fato de que Deus é tudo, e de que inexistem outros pensadores pessoais, conclui-se que todos os resultados atribuídos àqueles pensamentos são míticos e espectrais: vazios de existência.
Consideremos a reinante praga dos pulgões japoneses. Analisemos, neste exemplo específico, o que deve ser expulso. Tais pulgões expressam ou representam vida? São unos com a Vida que é Deus, o Todo? Não. Por certo eles voam, têm bonitas cores, e, aparentemente, têm a mesma vida que nós temos. Porém, que estariam representando? Eles retratam os pensamentos, ações e sentimentos dos povos e nações em guerra, uns com os outros. Aqui se cumpre a profecia de Jesus, quando disse: “Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá terremotos em diversos lugares, além de fomes e pestilências”.
Alegar que a vida-Divina inclui, de alguma maneira, uma forma de vida que seja uma peste, significa interpretar erroneamente a Existência. Além disso, em vez de atribuirmos a tais insetos a mesma vida que somos, iremos expulsar a forma de vida que eles aparentam possuir; e negar qualquer realidade nela. Sendo descartado o seu semblante de vida, pelo entendimento de que eles simbolizam ignorância, desobediência, treva e engano, que não existe vida ou realidade neles, desaparecerão em sua própria nulidade.
Pondo em prática este princípio, recentemente a autora pôde presenciar esse tipo de demonstração. Os pulgões, que vinham atacando as plantas no jardim, foram encontrados sem vida em consequência disso. Um leve toque, dado nos ramos, e eles caíram das folhas ao chão, pó a pó.
Disse Jeremias: “Todo ourives é envergonhado pela imagem que ele esculpiu; pois as suas imagens são mentira, e nelas não há fôlego.” (Jer. 10:14). Ezequiel teve uma visão similar, quando escreveu: “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e criai em vós coração novo e espírito novo; pois, por que morreríeis, ó casa de Israel? … Eles criaram as imagens de suas abominações, e de suas coisas detestáveis.”
Uma praga ou pestilência retrata avareza, destruição, guerra, luta, mesquinharia: tudo baseado no erro primário de que a Mente pode ser múltipla; de que a Vida possa estar separada e, seres humanos sejam capazes de entrar em guerra, uns com os outros.
Alguém preso a uma mente pessoal ou intelectual humana se desgasta com suor e lágrimas; ele caminha em trevas, dorme em trevas e produz em trevas. Esta é a “terra distante” em que, em crença, ele atua afastado de sua Mente real e de seu verdadeiro estado de Ser, até que, finalmente, lhe chegue a compreensão que uma mente pessoal, ou mentalidade individual, não é para ser transformada ou treinada de nenhuma maneira: ela é para ser abandonada por meio de uma renúncia completa.
A Bíblia nos incita a volver nossos corações para a luz, pois o “coração” denota as aspirações e afeições puras e espirituais. Jesus procurou os puros e simples de coração para semear seu ensinamento. Sabia da dificuldade que os intelectualmente ricos teriam para entrar no Reino do Espírito.
Estabelecidos como o Um, nós assumimos nossa prerrogativa de ser uma lei para o nosso Eu; que nada pode estar conosco sem que seja saudável, perfeito e puro.
“Não vos alegreis porque se vos sujeitam os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.” Lc: 10;20. Assim falou Jesus àqueles que por ele foram enviados para pregar e curar. A alegria não deve estar ligada à demonstração; devemos nos alegrar por termos descoberto que nós próprios, e todos os demais, somos a Verdade e a Vida. Como devemos ficar alegres e felizes!
O tratamento de Jesus era administrado como Palavra Falada: a Palavra de poder; a Palavra de ordem. O Eu fala ao Eu, com poder e autoridade, dizendo: Saia! Jubilosamente, o Eu ouve e o Eu responde.
Das profundezas do Amor divino, a Palavra sai; e é cumprida. Ela não leva em conta personalidades ou bloqueios mentais; tampouco busca modificar alguma assim chamada consciência. A Palavra emana do Eu; Ela é o Eu; e é a própria autoridade.
O Eu é isento de todo tipo de limitação; sem discrepância ou discriminação. Ele é poder, Todo-poderoso. Ele vê a Si próprio como o Incondicionado — o livre e irresistível, sempre.
Conheça seu Eu! Ame seu Eu! Quem está em todo o céu e a terra, senão seu Eu? Não diga “Eu Sou”, exceto em nome do Uno: o Eu que era; que é, que sempre será; em quem não há sonho nem oposição de qualquer espécie.
Eu sou Amor, Eu sou Entendimento, Eu sou Paz, Eu sou Abundância; igualmente presente em todo ponto. Eu sou a demonstração do bem eterno, sempre. Nada Me pode ser acrescentado; nada Me pode ser tirado. Eu e a minha criação somos Um; e preencho a Infinitude.
“O Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia um só será o Senhor, e um só será o seu nome.” Zacarias 14: 9. O Senhor é o Ser infinito. Seu nome é um; e Sua identidade é uma. Sua harmonia é uma; Sua atividade é uma.
“Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Rom. 8; 31. Ninguém! Nada! Nada existe para se-Lhe opor! Nada para ser contrário! Nada para estar separado! A divina Consciência reina, e é tudo- em-tudo.
Conhecedor deste sempre-existente Fato da Existência, Cristo ordenou: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.” Mc 16; 15. Amados, obedeçamos ao nosso Redentor! Passemos a pregar o Evangelho da Unicidade e Totalidade a todo aquele que possa ouvi-lo. Passemos a ensinar a Mensagem da Ontologia: Perfeição indivisível, Completeza, o Eu-Sou-estado-de-ser. Previnamos a todos que deixem de pensar a partir da premissa de um homem em busca de seu bem; em vez disso, assumamos o correto estado do Ser, vivo por toda a Eternidade.
Uma vez aceito nosso verdadeiro estado, estaremos prontos para seguir crescentemente rumo à plena luz e revelação, ou seja, “contemplarão a sua face, e nas suas frontes estará o nome dEle. Então já não haverá mais noite, nem precisarão eles de luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos”. Apoc. 22: 4-5.
F I M
O Caminho Eterno-2 (Final)

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.– 2 –
É possível que alguém tenha empreendido enorme esforço, objetivando sobrepujar hábitos, emoções ou características indesejáveis, mas sem ter tido sucesso algum. Entretanto, quando passar a dedicar seu mais profundo e puro amor ao Um Infinito, repentinamente, sem esforço algum, se verá liberto de seu fardo, seja ele de natureza física, mental ou emocional.
Precisamos aprender a depender de nosso próprio Ser para tudo. Ele é a realidade única que inclui a TOTALIDADE. Nosso pensamento, visão e atividade se tornam espontâneos e livres de esforços, quando atuamos sob Inspiração. Quando alguém se julga como sendo humano, dotado de mente, vontade e escolha próprias, naturalmente se vê limitado em todas as direções.
Na crença da dualidade, nunca alguém poderá saber o que é Liberdade, Integralidade ou Inteireza. Grande é o mistério da Vida, enquanto alguém se coloca dependente de seu próprio modo pessoal de pensar. Desigualdade, injustiça, falta de inteireza lhe parecerão existentes por toda parte. A existência humana é um paradoxo àqueles que acreditam nela.
Quando vemos as coisas como elas realmente são, descobrimos que jamais houve uma criatura chamada “homem”, com uma mentalidade chamada “mente” ou num corpo chamado “matéria”. Experienciando a realidade, conhecemos as coisas como elas são; e descobrimos a realidade de nosso Eu como sendo o Caminho, a Verdade e a Vida.
Sob a Luz da realidade, nosso Mundo todo, radiante de amor e beleza, tem inteiramente um novo significado e glória.
FIM
O Caminho Eterno-1
Lillian DeWaters
– 1 –
Nunca se conforme com um conceito material de coisas e de pensamentos; antes, seja iluminado, encontrando e experienciando o Reino do Céu dentro do Coração. A Realidade não pode ser criada; tampouco pode ser determinada por pensamentos, sentimentos e ações. Em vista disso, onde depositaremos nossa esperança? Onde acharemos o que é eternamente certo e digno de confiança? Naquilo que é atemporal, imensurável e incondicionado – o Céu, a nossa Consciência pura.
Colocar saúde e integralidade em corpos, a felicidade em indivíduos, o sucesso em coisas, e a compreensão no pensamento e razão é o que retém alguém em perpétua busca, luta, esforço e argumentação. Quando nos voltamos ao “Mundo das Incorporealidades”, vendo-o como único Mundo que existe, experienciamos intuição e iluminação. Ficamos conhecendo a Verdade sem esforço ou tensão. É este o Caminho Eterno.
A mente influenciando o corpo, ou o corpo influenciando a mente, é o que parece acontecer àqueles que olham externamente ao Reino do Real. Se olharmos internamente, tão próximo o encontraremos, que a própria contemplação trará a gloriosa experiência de sua presença. Nossa decisão de abandonar as batalhas mentais, seja conosco ou com suposto opositor, estabelece o reconhecimento imediato da Total-Presença do Um.
Tem-se falado que o intelecto é apenas um esqueleto, mas que a muitos o seu estalar de ossos é uma linguagem tão agradável quanto a voz da intuição. Parece que muitos não conseguem discernir o que são os pensamentos pessoais e o que são os pensamentos da Mente divina. Por outro lado, é certo que existem outros que estão rapidamente se expandindo em percepção espiritual, deixando para trás o físico-mental e buscando avidamente a Verdade Absoluta, que sozinha preenche e satisfaz.
O Mundo da Realidade não pode ser conhecido de nenhuma outra forma, senão a da Luz e Experiência espirituais. É bom manter isso em mente. Exemplificando, sentei-me com lápis e papel nas mãos para formular algumas ideias importantes sobre certo assunto. Havia uma sensação de hesitação, como se sentisse que o assunto requeresse algum pensamento específico. Mal eu comecei a escrever a primeira palavra, e repentinamente uma rajada de palavras jorrou sobre mim. Escrevi-as rapidamente, e quando encerrei o texto, era como se a totalidade da Verdade me tivesse sido revelada naquelas poucas sentenças.
Eu não buscava aquela iluminação, especificamente. Ele me veio inteiramente de Si mesma, e era toda maravilhosa e arrebatadora. E o tema? Era este: PERFEIÇÃO É O NOSSO SER, E O NOSSO SER É PERFEIÇÃO. Sempre, em iluminação, alguém perde a noção de si mesmo como individualidade, e experimenta a Realidade como o Ser Único em Si.
Continua..>
O Filho de Deus
FILHO DE DEUS
Lillian DeWaters
Qual foi o grande e oculto mistério na vida e no ensinamento de Jesus? Que lhe atribuía poder todo-poderoso, luz infalível e sucesso triunfal em toda iniciativa e em todas as vezes? Somente a REVELAÇÃO DIVINA poderá responder.
Jesus teria dito que seu conhecimento perfeito provinha de seu pensamento pessoal ou de sua aplicação da Verdade? Deixou declarações para serem usadas com o objetivo de demonstrar ou praticar a Verdade? Teria ensinado que somos imagens, ideias ou pensamentos de Deus? Ou mentes ou consciências individuais? Teria dito que somos diferentes dele, ou que chegaríamos ao conhecimento da Verdade de alguma outra maneira? As respostas são todas uma só: Não. Jesus não fez nada disso.
No decurso do Novo Testamento, inúmeros versículos nos garantem que o FILHO DE DEUS é nosso único Salvador, nosso único libertador do pecado, sofrimento e morte. Enfaticamente, eles declaram que temos a Vida eterna somente pelo conhecimento do FILHO. Consideremos o seguinte:
“E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho não tem a vida.” (João 5: 11,12).
Como são taxativas e definitivas estas frases! Quando por Revelação Divina temos seu sentido místico exposto, elas se mostram contenedoras de Luz e Glória tão impressionantes, tão todo-transcendentes, que nada será capaz de contradizê-las.
Em termos inequívocos, estas palavras declaram que nossa Vida Eterna está no Filho. Como a ideia geralmente aceita do Filho (que o vê como um homem-salvador, ou mente-salvadora), jamais trouxe ao mundo uma compensação plena, ainda resta um entendimento místico bem mais profundo para ser discernido espiritualmente.
Quando nos capacitarmos a traduzir as palavras “esta vida está em seu Filho” para a linguagem do Absoluto, saberemos o segredo do sucesso de Jesus: quem ele era, quem nós somos—e o que faremos para segui-lo.
De todos os personagens bíblicos, Jesus foi o único a se identificar como o PAI! Disse ele: “Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto… quem me vê a mim vê o Pai”. (João 14:7, 9). O FILHO DE DEUS identificou-se verdadeira, perfeita e espiritualmente como o PAI. Portanto, na linguagem do Absoluto, este é o significado de Filho: Auto-Identificação.
AUTO-IDENTIFICAÇÃO é ABSOLUTA-Identificação—o Eu conhecendo a Si mesmo em cada um—“o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29).
A maneira, e a maneira única, de nos conhecermos verdadeiramente é através da Auto-revelação, AUTO-ILUMINAÇÃO, Auto-Conhecimento—AUTO-IDENTIFICAÇÃO—apagando o sonho de existência humana, juntamente com todo o seu conteúdo de pecado, doença e morte.
“Se, pois, o Filho (Auto-Identificação) vos libertar (revelar a você a Luz plena da Existência), verdadeiramente sereis livres.” (João 8:36). Qualquer que nega o Filho (rejeita a Identificação Absoluta), também não tem o Pai (não é iluminado): e aquele que confessa o Filho (identifica-se como o próprio Caminho, como fez Jesus), tem também o Pai (penetra no mistério do Reino).” (I João 2:23).
Quando, de Coração e Alma, somos capazes de dizer: “Eu e Meu ser somos UM, EU SOU o Eu perfeito; EU SOU Consciência Pura; EU ESTOU no Reino; EU SOU o Infinito; EU SOU AQUELE QUE SOU”, então nós TEMOS o FILHO DE DEUS, e a Vida eterna.
Um só Caminho irá ficar—o Caminho do Verbo feito carne, o Caminho do Filho no seio do Pai, o Caminho do Pai e Filho sendo o mesmo Um, o Caminho de manifestarmos a NÓS mesmos como NÓS PRÓPRIOS. Nenhuma outra prece pode dizer: “Eu sei que Tu sempre me ouves”.
Os caminhos do mundo serão transcendidos, um só Caminho irá permanecer: o Caminho “EU SOU”. Este Caminho-Único é nossa própria Vida—não a Vida como uma emanação, não a Vida como uma expressão, não a Vida como uma imagem ou um reflexo, mas a Vida como a própria Vida em Si!
Somente a Auto-Identificação satisfaz. Auto-Identificação é o Eu-Único conhecendo a Si mesmo como todas as identidades. Quando passamos a ver e aceitar nossa única Realidade como sendo o Eu em Si, assim como os raios de luz são o sol em si, tal como Jesus, nós nos identificamos verdadeiramente como o Filho de Deus, a Luz Auto-reveladora.
A Auto-Identificação anula simultaneamente o senso de separatividade e de dualidade—assim como o despertar simultaneamente põe fim ao sono e ao sonho.
A Auto-Identificação interpreta os mistérios ocultos, “coisas ocultas desde a fundação do mundo”. (Mateus 13:35). A Bíblia pode ser aceita literal, simbólica e metafisicamente; porém, somente quando a Auto-revelação nos envolve em Sua Luz, podemos compreender o real, o vital sentido da expressão O FILHO DE DEUS.
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Luz-3
Lillian DeWaters

A Verdade não pode ser revelada, a menos que você esteja desvinculado de crenças e ensinamentos que o associem com algum outro ser, que não o Espírito. Uma vez que você encare a Deus, e volte seu coração unicamente a Ele, deixando de lado todo pensamento de “outro mundo” de pessoas e coisas, você estará na Luz imediata, que lhe revela tudo o que deva saber. Como o Ser Único é sua Vida e seu Eu, e como não pode haver nenhum outro, deve haver, portanto, uma renúncia à sua crença nesse outro.
O Deus infinito é nosso próprio Ser infinito, Mente e Vida perfeita. Esta Egoidade exclui qualquer “outro” eu ou existência. A Onisciência exclui a presença de qualquer outra mente. A Onipotência exclui a presença de qualquer outro poder. O UM perfeito, Infinito, conhece a Si mesmo como o Infinito Tudo-em-Tudo.
A Resposta aos problemas do mundo não será achada na cura de doenças ou na superação de guerras. O profundo significado desta hora é o de que devemos volver nossos corações de tudo mais rumo a Deus diretamente, para que haja Luz, Visão e Revelação.
Nenhum tratamento ou demonstração será prova suficiente para esta hora crucial. A Luz, somente, poderá revelar o Caminho. Os velhos ensinamentos e crenças serão, aqui e agora, abolidos completamente. Eis que”Eu” faço NOVAS todas as coisas!
Esta Nova Luz vem bem abaixo da superfície. Ela atinge as próprias profundezas do coração, onde descobre a crença e o ensinamento profundamente arraigados de que somos mortais, ou seres humanos com corpos materiais, vivendo numa existência humana. Nada disso é verdadeiro. Precisa ser derrubado, abolido e banido.
O ensinamento e a crença básica de todas as religiões é que nós estamos agora separados de Deus: que Deus é Espírito, mas nós somos mortais ou humanidade. A Luz revela que não somos humanos ou mortais; que não há mortal algum para ser regenerado, nem corpo necessitado de cura, e nenhum mundo passível de ser destruído. A Luz revela que nós jamais estivemos separados de Deus!
O Espírito não poderia estar presente num eu mortal, numa mente humana, num corpo, mundo ou existência material. O Espírito, o Único EU SOU, o “Eu” ou Identidade para todos, é aqui e agora, sempre o mesmo — sem alteração, sem transformação, absoluto. Para o Espírito, tudo é Ele próprio, tudo é Espírito.
A Nova Luz de hoje revela que não somos uma raça de humanidade, não somos mente humana nem corpo humano. Sempre que alguém alega ter que largar ou assumir outra mente, sempre que ele pensa que é um mortal, e que este corpo é humano ou material, e este mundo é uma ilusão, ele está proclamando uma existência que não existe. Apartada do Espírito, Deus, não há existência. Ao lado de “MIM” não há outro, nunca houve e nunca haverá.
Nada em Deus ou de Deus é humano, mortal, material, irreal ou ilusório. Deus é o Inteiro, a Totalidade. Para assim ser, precisamos ser este UM. Deus é integral — o Integral, Deus é a Íntegra da Vida, Ser, Mundo e Existência. Nesta Integralidade, não há separação; nenhum sofrimento; nenhuma luta ou destruição; nenhuma morte. Nesta Integralidade existe Luz, Visão, Revelação — constante e infindável.
Aqueles que volverem seus corações a Deus, total e completamente – abandonando e abolindo todos os ensinamentos atuais, que prendem o mundo à crença de que estamos separados do Espírito, Deus, o Um (ou que somos algum outro, que não o Espírito) — saberão de Deus que o Espírito e a Existência espiritual são a única Presença. Eles viverão em sua própria Consciência ou Percepção perfeita e pura de que o Espírito é tudo, e de que nós nada podemos ser, senão Espírito.
O fim do mundo significa dar fim à diabólica crença de que somos mortais ou humanidade. Veremos este mesmo Eu, este mesmo Corpo, e este mesmo Mundo como o Real e Verdadeiro — verdadeiramente, o próprio Reino dos Céus. E então, não haverá doença, guerra, sofrimento nem morte; pois, a primeira crença em pecado e separação terá sido banida pela Luz e Revelação resplandecentes e gloriosas de que o EU SOU permanece Total e Único; de que “Eu” sou o único UM — não há ninguém além de “MIM”.
Luz-2
L U Z
Lillian DeWaters
O Espírito, a Egoidade ou Eu Sou, permanece absoluto como nosso único Eu, Ser, Corpo e Mundo — presente exatamente aqui e agora. Nesta Verdade Absoluta e Conhecimento perfeito de que o Espírito é TUDO – sem começo, mudança ou fim – não há lugar para contradição, discernimento equivocado, oposição ou hipótese secundária. Durante todo o tempo, Deus é Tudo — permanecendo Um e Absoluto.
Deixando de lado a crença na dualidade, personalidade e mortalidade, e também a crença de que nosso corpo é humano e material, descobrimos que não somos outro nem diferente daquele Um que é Real, Perfeito e Presente. Não pode haver nenhum eu, mente, forma ou mundo que esteja apartado daquele que é o Eu presente e Eterno.
Que cada um ponha de lado como algo inútil e sem valor, o ensinamento que prega a separação, a evolução, a mudança ou reintegração, se é que deseja realmente se libertar de doença, dor, carência e tribulação. Emergir da matéria ao Espírito é impossível. A matéria jamais existiu. Ninguém pode construir pontes com distância entre Deus e nós – não há distância alguma. Ninguém pode fazer caminhada rumo a Deus – Deus está dentro de nosso próprio coração. Nenhum tempo futuro ou outro lugar poderá jamais existir — Deus é infinito, sempre presente, sem tempo e sem espaço.
Faça perguntas ao seu Eu. Considere os seguintes exemplos: Há somente uma Mente? Ao lado da Mente de Deus existe mente humana ou mortal? Deus é o único Poder? Ou também há outro poder chamado mal, ilusão ou mente mortal? Encare estas questões com honestidade, respondendo-as com um sim ou com um não. Enquanto não abrir mão de sua crença em duas mentes, dois corpos e dois mundos, você não poderá experienciar a alegria e a glória da Auto-Luz e Auto-Percepção, pois ninguém, senão o Um Infinito, a Mente divina, tem conhecimento de Si mesma.
Não existe coisa alguma, senão o Um Indivisível e Infinito. A Vida única é a nossa Vida, a Mente única é a nossa Mente, a Existência única é a nossa Existência. É impossível que algo ou alguém exista, a não ser como o Um que existe sozinho.
Tudo que é deste Um Total, ou que nEle está, é o Um Total em Si. Ninguém nem coisa alguma possui mente ou existência de si próprio. Deus não somente é nossa Vida, Mente e Ser, mas a nossa totalidade é Deus, o Ego, o Eu Sou. De nenhuma outra forma poderia verdadeiramente ser dito que Deus é Tudo!
Conheça seu próprio Eu, e você será Auto-iluminado. Veja o seu Eu, e você verá a Deus. Renuncie à crença em outro eu, outra mente, outro corpo e mundo ao lado do Um Presente, Imaculado e Imutável, e a Iluminação será imediata e direta. Você será, então, livre em Espírito, Mente e Corpo. Se você aceitar a crença enganosa de que a Mente e o Corpo são humanos ou materiais, não estará consciente da Verdade de que Mente e Corpo têm sido sempre Espírito. A aceitação do Espírito como única presença, aqui e agora, faz com que sejam abolidos os esforços, fadigas e lutas.
Temor algum se relaciona com essa reviravolta e aceitação deste iluminado ponto de vista. Toda interpretação, doutrina ou prática que nos vincule a seres degenerados — humanidade ou mortais — será varrida pela Luz resplandecente e Conhecimento perfeito de que o Infinito EU SOU permanece inseparável e único, e que EU SOU este “EU SOU”.
Se você observar seus pensamentos com a ideia de corrigi-los, purificá-los ou controlá-los, estará, então, se identificando com uma mente que não existe. Não há mente alguma ao lado da Mente divina ou espiritual; e, não há nenhum ser, senão a Egoidade una infinita. Se pretende conhecer a Verdade, e experienciar o Eu Real aqui e agora, deve parar de acreditar ou de ensinar a prática da correção, evolução ou transformação de seres mortais ou de mentes humanas. Todo esse trabalho e esforços nesse sentido seriam em vão.
Para ter consciência da Verdade, é preciso que alguém seja a Verdade, e para conhecer o que é real e verdadeiro, alguém terá de conhecer identificado como a Consciência única. Aceite apenas a Mente única – consciente de inexistir qualquer outra -, e então, seus pensamentos serão satisfatórios e inspiradores.
Desligue-se de sistemas e métodos que o impeçam de saber que há somente um Eu, uma Mente e um Pensar. Descarte todas as práticas que o identifiquem com um mortal ou ser humano, com mente, pensamento e vontade próprios seus, e que o manteriam preso à errônea crença de que você está separado da Perfeição. A Verdade é que existe somente um Eu, uma Mente, uma Consciência ou Percepção: e , este Um é VOCÊ.
















