O ÚLTIMO INIMIGO

Joel S. Goldsmith
( II )
Progresso ou Retrocesso
Quando as pessoas na corrida normal da vida morrem, ocorre apenas momentâneo lapso de consciência, do qual elas despertam praticamente nesse mesmo grau de mortalidade ou sentido material. Não se tornam mais avançadas ou mais espiritualizadas por causa da “passagem”; sua materialidade não se converte em espiritualidade. Talvez possam se livrar de uma dor imediata, ou de uma doença imediata, mas tal libertação se assemelha à trazida pela medicina. A ajuda médica poderia livrá-las da dor ou da doença, mas nunca as faria avançar espiritualmente. Do mesmo modo, mesmo que o fenômeno da morte possa aliviá-las de alguma doença ou calamidade, isso não alterará o nível de consciência delas; e irão permanecer no mesmo nível material ou mortal, e com a mesma oportunidade de, em dado momento, avançar no caminho espiritual ou retroceder. A escolha é delas, tanto aqui como no depois. Isso tudo, naturalmente, se aplica àqueles que no nível comum da existência humana morrem por acidente, doença ou pela comumente chamada “morte natural”
Os que deixam este plano de existência enquanto estão nas baixas esferas da vida, ou seja, como um alcoólatra, um viciado em drogas, um criminoso ou qualquer outro estado grosseiro da materialidade, irão permanecer no mesmo nível após a sua “passagem”. A materialidade deles se tornará ainda mais densa, embora em alguma época, despertando para a verdadeira identidade, possam mudar o curso e iniciar a ascensão espiritual.
O estudante de religião ou metafísica, que experiencia a morte ou “passagem” quando em ascensão espiritual, enquanto se eleva em sua trajetória, não somente desperta bem avançado no caminho, mas, em muitos casos, se for ampla a sua proximidade com relação à verdade espiritual, sua “transição” poderá significar uma libertação completa da experiência física ou mortal. É esta a libertação contida na mente dos seguidores de certas religiões ocidentais que, ao lado de seus ensinamentos sobre a reencarnação, fazem referência ao estado que almejam atingir para se livrarem de voltar à terra. Em outras palavras, alguns indivíduos atingem tal nível de consciência espiritual, que têm pleno conhecimento de sua verdadeira identidade, e de que o chamado corpo físico não constitui o ser e não possui inteligência por si mesmo, mas é um veículo ou instrumento pelo qual eles aparecem como forma. A estes, a experiência da “passagem” pode encerrar o envolvimento com a consciência de sentido mortal ou material, fazendo com que eles passem à plenitude do viver espiritual.

O ÚLTIMO INIMIGO

Joel S. Goldsmith
( III )
Vencendo o Mundo
Temos a oportunidade de dominar a morte por completo, no sentido de permanecermos aqui na terra em nossa forma presente e nas contínuas e progressivas aparências que esta forma venha a assumir. Não sei se isso vem sendo feito ou não, mas há esta oportunidade. Contudo, o ponto importante não é este. Se iremos aqui permanecer por duzentos ou por dois mil anos, não tem maior importância do que se viajarmos para Nova York, para a Califórnia ou Europa. Não tem importância alguma o lugar em que iremos viver. O importante é como vivemos e porque vivemos. O ponto importante é em que nível de consciência estamos vivendo. Estamos vivendo de forma tal que, seja qual for o local ou plano de existência, dominamos os obstáculos da mortalidade e da materialidade?
Uma das últimas declarações de Jesus foi a seguinte: “Eu venci o mundo”. Mas era ainda Jesus que estava dizendo aquilo, enquanto estava no mesmo corpo. “Eu venci o mundo”. Também nós “vencemos o mundo”, à medida de nossa conscientização:
Este corpo não é um poder sobre mim. Eu sou a vida, a mente, a inteligência e o poder que governam este corpo. Não eu, um ser humano, mas Eu, a divina consciência do Ser, dirijo este corpo, este negócio, este lar, este ensinamento e este algo mais dentro da faixa da minha consciência.
O grau de nossa conscientização de que esta Consciência nos governa é o grau com que “vencemos o mundo”. E poderemos caminhar sobre as águas, caminhar entre os micróbios, caminhar entre campos de batalha ou catástrofes, sem que nenhuma dessas condições tenha grande efeito ou poder sobre nós, pois, dentro de cada um de nós, estou Eu, e Eu sou o poder que rege toda a nossa experiência. Onde quer que estejamos, seja qual for a condição ao nosso redor, iremos nos achar diariamente alimentados, vestidos e abrigados. Se preciso for, encontraremos o maná caindo do céu; se preciso for, acharemos ouro na boca de um peixe; se preciso for, veremos pães e peixes serem multiplicados. De uma forma ou outra, seremos supridos diariamente com tudo o que se fizer necessário, seja na forma de pessoa, lugar, coisa, circunstância ou condição. Mas esta nossa experiência ocorrerá somente quando vencermos o mundo.
O processo para vencer o mundo tem início com a nossa compreensão da unidade, da nossa união com Deus, com a nossa conscientização de que “eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma”, tudo que está fluindo através de mim é a vida, a saúde e a plenitude, que Deus é.
Isto disse o Senhor: Não se glorie o sábio no seu saber, nem se glorie a fonte na sua força, nem se glorie o rico nas suas riquezas; porém, aquele que se gloria, glorie-se em me conhecer, e em saber que eu sou o Senhor que exerce a misericórdia, a egoidade e a justiça sobre a terra.
MALAQUIAS 9; 23,24
No momento em que começamos a perceber que tudo que temos é do Pai, que é universal, impessoal, imparcial e, portanto, que não temos direitos nem patentes, estaremos abrindo nossa consciência ao fluxo; e, é quando aquele governo se responsabiliza por nosso corpo, nossos negócios, nosso lar, onde quer que estejamos.

O ÚLTIMO INIMIGO

Joel S. Goldsmith
( IV )
(Final)
Ressurreição e Ascensão
Na consciência de Deus., não existe morte. Deus não pode morrer. Deus é vida eterna e a Consciência infinita não pode morrer ou ficar inconsciente. Deus, a divina Consciência, está sempre Se expandindo, Se revelando, manifestando e expressando a Si mesmo como consciência individual. Deus é a sua consciência individual e esta consciência não pode morrer. Se Deus pudesse morrer, ou ficar inconsciente, então, e somente então, poderia você morrer. Como Deus é a vida individual, poderia esta vida morrer? Poderia esta vida, que aparece como sua forma ou corpo, desaparecer da terra? Não; pode somente sair do campo de visão da mortalidade, através do processo da “ascensão”.
Quando nós, por nós mesmos, elevamos a nossa consciência acima da crença de que a vida está no corpo, e que o corpo controla a vida, experienciamos a ressurreição; obtemos a convicção de Jesus, ao dizer: “Derrubai este templo, e em três dias o levantarei” (corpo). Quando estamos imbuídos da compreensão de que a divina Consciência, que é a consciência individual, governa e controla nosso corpo, e quando percebemos individualmente a verdade de que a nossa própria consciência é o poder da ressurreição, de reconstrução, temos a nossa experiência da ressurreição. E então, virá a ascensão.
A ascensão vem da conscientização de que Deus está revelando a Si próprio como o nosso ser individual, e como o Espírito deve aparecer ou Se manifestar como forma, então este corpo é tão espiritual, imortal e eterno quanto a Espírito-substância com que é formado. Com a luz dessa conscientização, virá a nossa ascensão.
Existe um significado espiritual trazido a nós pelo nascimento, crucifixão e ascensão do Mestre: se existe uma progressiva expansão da consciência, até que o nascimento e a crucifixão se cumpram em nós e tenhamos atingido a ascensão, não mais no corpo, mas como uma lei sobre o corpo, nunca mais teremos de retornar àquelas experiências. A ascensão é o estado de consciência que sabe que o corpo não controla a vida, mas que a vida, sim, controla o corpo. O Mestre provou ter atingido este estado de consciência quando, referindo-se à sua vida, disse: “Eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la”, e disse também: “Derrubai este templo (corpo), e em três dias o levantarei”; ou, em outras palavras, “Eu, Consciência, controlo este corpo. A Consciência controla o corpo pelo deixar que a Consciência do Eu Sou forme, de Si mesma, as maravilhas e belezas que nós denominamos aqui e agora.
FIM

A RELAÇÃO MENTE E ESPÍRITO

Dárcio
( IV )
Um “Não” à Dualidade
Jamais devemos aceitar a existência de um Universo espiritual, perfeito e invisível, e aceitar, paralelamente, um “outro” Universo visível e imperfeito, que evolui pouco a pouco rumo à perfeição. Tal dualidade compromete toda a realização da Verdade. HÁ SOMENTE UM UNIVERSO! ESPIRITUAL, INFINITO E PERFEITO. NELE ESTAMOS AGORA! A SUPOSTA MENTE HUMANA NÃO O PODE VER, MAS ELE AQUI SE ENCONTRA, E ESTAMOS TODOS NELE, EXATAMENTE AGORA.
A ilusória aceitação de “dois” Universos se deve ao “julgamento segundo as aparências”. “Aparências” são conceitos finitos e distorcidos que a mente humana cria sobre o Universo, pois ela não consegue vê-lo tal como realmente ele é. Portanto, estes conceitos devem ser reconhecidos como NADA! O “progresso”, neste estudo, é proporcional ao nosso radical abandono do conceito ilusório de Universo, para que se dê a revelação de nossa atual presença no perfeito Universo divino, que é único. “Em Deus vivemos, nos movimentamos e temos o nosso ser” (Atos 17; 28).
Caso continuarmos crendo num mundo humano e imperfeito, olhando-nos e ao nosso próximo com os ilusórios “olhos” da mente humana, estaremos, certamente, dentro da lógica do mundo, mas isto em nada contribuirá para o nosso Despertar espiritual. Poderia a lógica humana entender o perdão ou o amor incondicionais? Poderia entender que “o Reino não é deste mundo”? Sabemos as respostas.
Sejam quais forem os aspectos visíveis “deste mundo”, sejam quais forem os aspectos visíveis de nosso ser, é preciso que os encaremos como NADA: são pura ILUSÃO! Tanto os bons como os maus aspectos do cenário visível são ilusórios: o “quadro todo” deve ser visto como ilusório! Fazendo uma analogia, seria como se alguém estivesse vendo uma novela pela TV, envolvido com ela, e repentinamente outra pessoa desligasse o fio da tomada para que, com o sumiço da imagem da tela, ele se desse conta de que a “realidade” estava sendo o cenário de sua casa. Não somos “pessoas deste mundo”; somos Deus manifesto como seres individuais. Se deixarmos o envolvimento com o “quadro humano”, ficando com a “mente transparente à Verdade”, e SOMENTE à Verdade, surgirá o chamado “paraíso terrestre”, um harmônico conceito tridimensional, que será meramente um “reflexo visível” do VERDADEIRO E ÚNICO UNIVERSO AQUI PRESENTE, QUE É PURAMENTE ESPÍRITO.

Mensagens de Joel – Parte 02

SOBRE A NATUREZA DO ERRO

     Quando buscamos a Verdade com fervor, o caminho se abre. Tempo e dinheiro aparecem para garantir nosso estudo. O mesmo Espírito que nos aumenta o suprimento também nos liberta de todo tipo de erro.

     Não faça da crença uma realidade, pensando sobre ela ou condenando-se, ou aos demais: não lute como se ela fosse real. Lembre-se: é pura ilusão, mito ou crença. Não crença sua, mas o pensamento coletivo. Não lute contra ela, não a enfrente; sente-se tranqüilamente e volte-se ao Amor divino. Perceba que este espírito do Amor Divino está atendendo agora a cada necessidade humana. Sempre que dispuser de alguns minutos, volte-se ao Cristo, o Ideal divino, e sinta a Sua proximidade. Não pense em erro, pecado, doença ou qualquer outra desarmonia: preencha seu pensamento com a presença de Deus, e isto dissolverá o erro.

     Se, às vezes, o problema parece se agravar, é porque você o está considerando como algo a ser dominado e destruído! Um erro não é uma coisa ou condição, mas uma simples crença; assim, é claro que se o encarar como sendo alguma coisa, estará tornando real aquilo que é puro nada.

     Recorde sempre que você é Espírito, Vida eterna. Você não necessita de cura. “O homem é a expressão do Ser de Deus”, escreve Mary Baker Eddy, sendo integral e harmonioso. Por outro lado, o erro alega ser o homem; alega usá-lo como canal de sua expressão; apesar disso, ele não é pessoa, lugar nem coisa. O erro não é identidade nem entidade. É desprovido de vítima, canal, saída, alvo, lei, causa ou efeito. Eis um bom motivo para que deixe de temer evidências falsas de doença ou discórdia: a certeza de que “Deus criou o homem à Sua própria imagem”, e, portanto, o homem é espiritual.

     O que vem recebendo o nome de matéria, corpo físico, condição física, não tem existência alguma, exceto como argumento mental ou aparência falsa. Não há órgãos ou funções físicas no Espírito. Deus Se manifesta como Mente; o que surge como materialidade é mero conceito equivocado daquilo que é espiritual e eternamente bom.

     O erro alega estar se apresentando como pessoa, ou como condição física, mas jamais é algo além de mera sugestão mental, aparecendo ao sentido humano como matéria ou condição material. Sendo apenas sugestão, ele está sujeito ao conhecimento da Verdade. A condição não é modificada, mas o conceito é mudado ou corrigido, dando lugar àquilo que sempre esteve existindo: a perfeição.

     “Cristo, ou Idéia espiritual, apareceu à consciência humana como o homem Jesus”, escreve Mary B. Eddy. Assim, hoje o Cristo aparece ao pensamento humano como você e eu, sendo sempre o Cristo indestrutível, imperecível, o divino Filho, o Ser perfeito.

     O erro da crença humana, individual ou coletiva, que alega existir alguma doença, não tem o poder da Verdade. Ele é, portanto, sem causa, e é incapaz de produzir algum efeito como pecado, doença, falta ou limitação.

     Por trás de toda manifestação de doença ou discórdia, está o errôneo conceito mental que proclama operar na mente humana como lei, como poder ou autoridade de lei. É de máxima importância percebermos que estes estados mentais errôneos não têm origem na Mente ou Inteligência divinas. Não têm base alguma: são desprovidos de causa e, desse modo, são sem efeito.

     Fiquemos alerta quanto à natureza do erro. Senão, seremos iludidos por ele, acabaremos por nos ver aceitando como real o que é ilusão, miragem, sugestão. Lembre-se: o erro nunca é uma condição, pessoa, lugar ou coisa: ele é sempre uma ilusão.

Mensagens de Joel – Parte 01

OS PUROS DE CORAÇÃO SÃO INSENSÍVEIS AO MAL

     Ninguém pode desafiar a Deus, e mais especialmente, ninguém pode desafiar a Deus uma vez que tenha tido contato com alguém que conheça a Verdade. É bem verdade que a pessoa errada aparentemente parece prosperar durante certo tempo, e instituições maléficas parecem dominar o mundo humano. E por quê? Porque não há a compreensão deste princípio espiritual. Mas deixe que alguém tente maquinações maléficas contra uma pessoa de mente pura, e cedo se notará que não só seu poder do mal é destruído, mas, se ele não se emendar em seus caminhos, destruir-se-á a si mesmo, ao final. O mal sempre anda às soltas, até o momento em que se choca contra o puro de coração.

      Este ponto está bem ilustrado no caso de um hipnotizador que estava tentando divertir os membros de uma família de metafísicos, hipnotizando-os, e que constatou não estar podendo hipnotizar ninguém do grupo, mas que, numa tentativa final de exibir seus poderes, decidindo-se por hipnotizar a sua própria esposa, com quem sempre tinha sido bem sucedido, também fracassou. Tinha ele encontrado em seu caminho os puros de coração, aqueles que conscientemente sabiam que havia somente a Mente única atuando naquela sala. Isso anulou a crença de que uma pessoa possuía uma mente que pudesse ser utilizada para dominar outra pessoa. Enquanto todos os que estavam na sala acreditavam que havia duas mentes, o grupo podia ser hipnotizado; mas, quando surgiu uma pessoa que tinha uma convicção suficientemente forte de que havia uma só mente na sala, uma mente que não podia destruir a si mesma, o hipnotizador já não podia mais atuar com sucesso.

     É assim que se dá na sua experiência individual, e na minha, quando nos tornamos puros de coração, isto é, no momento em que chegamos à convicção de que Deus é a Mente de cada um de nós, e que nenhum de nós possui qualidades ou atividades separadas, ou à parte da atividade daquela Mente única, e que inexiste outra mente que estivesse operando, ou que pudesse vir a operar. Somente as atividades e qualidades que emanam da Mente única estão se manifestando, e estas são qualidades de inteligência, qualidades de amor e vida, qualidades do puro ser. Se surge, então, alguém em nossa experiência, que se proponha a nos prejudicar, ou hipnotizar, suas tentativas serão anuladas, e ele não terá nenhum poder sobre nós.

     Tratemos de nos tornar puros de mente, de chegar à compreensão de Deus como Mente, Vida e Alma individual. Só então, as qualidades de Deus podem fluir para fora de nós, e envolver o mundo.

     Contemplemos o Cristo sentado entre os olhos de cada indivíduo; contemplemos somente o Cristo como a Substância e a lei de cada condição; e não haverá nenhum dualismo em nossa consciência, e nenhum dualismo poderá voltar-se contra nós. Assim, anulamos ou invalidamos a atividade do mal no indivíduo, como fez Jesus com Pilatos: “Tu não terias nenhum poder contra mim, exceto se te fosse dado de cima”. (João 19:11).