MARY BAKER EDDY
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PARTE I
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João, 1: 12,13
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Vezes sem conta escutei alguém dizendo que,
se estamos aqui, é porque ainda nãoA ilusão é a crença de que “se fôssemos perfeitos, não estaríamos aqui!” É a falsa suposição de que Deus não seja Tudo! E que, no caso, seríamos “outro” que não Ele!
Como pôr fim à ilusão? Exatamente como poríamos fim a uma nota de cem reais, achada na rua,
tão logo fôssemos informados de que ela é falsa! A ilusão some diante da Verdade! De onde havia vindo aquele
“dinheiro”? De lugar algum! Não havia, não há e nem haverá valor monetário
naquele papel! É falso! De modo análogo, a “vivência material” é ilusória!
Não veio de lugar algum! O “eu nascido”, encarnado ou reencarnado, não veio de lugar algum!” É falso! E isto será sabido pelo conhecimento da Verdade:
AQUI É O PARAÍSO! Sempre esteve sendo, é e será! A Verdade é eternamente
verdadeira, enquanto a ilusão é eternamente falsa, apenas se fazendo passar por realidade,
mas sem capacidade de ser! Enquanto você retiver em mente um “ego humano” como sendo sua identidade, será idêntico àquele, com a nota falsa em mãos, considerando-a como “dinheiro”; tudo depende de sua reação diante da Revelação! Se nela confiar, saberá que DEUS É SEU EU, e lançará fora todos os boatos ou crendices absurdas sobre quem VOCÊ É!
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Que são os frutos? São a ação espontânea de “bondade e correção” aparecendo como benefícios à coletividade! Bondade e correção! Estes dois parâmetros, unidos, definem o caráter das pessoas neste mundo dos homens. Ser “bom” é ser “correto e bom”; ser “correto” é ser “bom e correto”. Isto porque a bondade, sem correção, é no mínimo hipocrisia, e não bondade! E a mera exibição de chamados “bons frutos”, sem a causa correta geradora da presença deles, é falsidade. Exemplificando, se eu ajudar 100 pessoas, estarei sendo “bom” até ser descoberto que esta minha ajuda teve origem num negócio ilícito feito por mim, isto é, sem nenhuma correção. Portanto, o que Jesus nos ensina é que, diante de “frutos”, e não de conversa fiada de alguém, verifiquemos se eles tiveram origem total dentro da correção, sem ficarmos presos unicamente à sua exibição! A mera exibição, aprovada pela ingenuidade de incautos, dará margem a maiores e infindáveis incorreções. Mas a aprovação dos frutos, tendo em vista a origem da bondade geradora dos mesmos, nos fará descobrir os “lobos em pele de cordeiro”, e isto em quaisquer segmentos da sociedade.
Quem quiser, portanto, fazer escolhas certas, terá de avaliar os “frutos” dentro da bondade e da correção, pois o resto é folclore, enganação, ilusão!
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Quando alguém diz passar por problemas de saúde, o que ocorre, de fato, é seu apego ao “corpo carnal”, ao “morto” que ele julga ser “vivo”. Enquanto esta ilusão não for desfeita, lutará, este ser iludido, para recuperar sua suposta saúde que jamais deixou de estar perfeita. Este é o caminho material de vida: uma ilusão que gera as ilusões seguintes! As palavras de Paulo, seguidas à risca, mostram o que realmente somos: a Vida ESPIRITUAL eterna! Não existe vida na matéria! Acreditar que o corpo físico tem vida equivale a acreditar que alguém, presente em um sonho, tem ali vida real. Não tem! Aquele “ser animado” do sonho é “morto”.
Certa vez, o Prof.Glenn Clark, renomado metafísico, atendeu a uma mãe desesperada por estar sua filha à morte no hospital. Os médicos tiraram dela os alimentos dos quais ela gostava, e, haviam tirado da mãe todas as esperanças de vida. Ouvindo isso, o Prof. Clark disse-lhe: “Considere sua filha como morta! Vá ao hospital e dê a ela os seus alimentos preferidos, mas sempre mantendo em mente que sua filha está morta!” A mãe ficou chocada e raivosa, diante desse aconselhamento, e, achando aquilo um absurdo, negou-se a praticá-lo. Porém, quando se refez do choque e voltou a pensar sobre o que ouvira, vendo-se sem qualquer outra alternativa, decidiu-se por fazer exatamente o recomendado. Desapegou-se do anseio de que a filha se restabelecesse, considerou-a morta, enfim, seguiu todas as instruções recebidas. E logo depois a filha ficou completamente curada. Há alguns anos, uma pessoa ligou-me, dizendo que uma cadelinha de estimação estava agonizando, deixando as pessoas da casa muito tristes. Eu disse a ela que visse unicamente a “ideia-divina” referente à cadelinha, pois a “ideia” é que era a “cadelinha-real”. No outro dia, ela voltou a ligar-me e, ao dar-me notícias, disse-me: “Ela piorou e muito”. Foi quando lembrei-me do Prof. Clark, e disse à pessoa: “Deve haver muita gente sofrendo mentalmente por causa da cadelinha; conte a todos que estiverem com dó, com medo de que ela morra, etc, este caso, com o conselho dado pelo Prof. Glenn Clark. Logo depois, as pessoas atenderam, e a cadelinha saiu toda saltitante e curada.
Não existe “vida na matéria”; E O APEGO À MATÉRIA TOLHE A LIVRE MANIFESTAÇÃO DA VIDA REAL, EM TERMOS DE SUA MANIFESTAÇÃO NO PLANO VISÍVEL.
Nossa “Vida” está escondida com Cristo em DEUS! É Vida de Deus, Vida eterna, Vida que não nasce, não adoece e não morre! Afirmar que “o ser humano é morto” é o que a Bíblia chama de “Renascimento”. Quanto mais nos acostumarmos com esta Verdade, mais a Vida divina será reconhecida como VIVA, PLENA E ILUMINADA! Quanto mais nos apegarmos ao ILUSÓRIO corpo material, mais endossaremos a arcaica ILUSÃO, a crença falsa de que “existe vida na matéria”, quando, na verdade, nem matéria existe! TUDO É ESPÍRITO! TUDO É DEUS!
Não existem seres ignorantes para participar de uma maratona de aprendizado! Caso existisse um deles, Deus estaria sendo este ser ignorante, uma vez que Deus é a única Presença e Poder! Enquanto o referencial de vida se mantiver na ilusão, ficará o suposto ser humano nessa armadilha hipnótica que aparenta lhe encobrir sua real identidade.
Nenhum “mestre” poderá ensinar a Verdade a “alguém”, pois, este “mestre”, se assim se julgasse, seria meramente uma “ilusão” enxergando outra. Realmente, há um Mestre infinito, chamado “Eu Sou”; este, sim, é o Mestre, o Cristo que, em unidade com o Pai, se revela como expressão ininterrupta da Sabedoria infinita. E este fato se dá no Absoluto, e não na aparência. Que é o suposto ser humano, se mostrando a cada dia mais sábio, mais evoluído, mais consciente? Não é você! É simplesmente a “mente humana” alterando crenças e mais crenças, completamente fora da Realidade que permanece incólume e transcendente a ela. Portanto, em vez de se considerar “alguém em amplo aprendizado”, identifique-se com a Mente de Sabedoria infinita que está exatamente onde VOCÊ está! Quando confirmar Sua Presença por se contemplar “um com Ela”, terá a sua prova, ou seja, esta Verdade também será vista como “sombra” neste suposto mundo de aparências. Vista como? Como a sabedoria necessária e requerida a cada situação que aparentemente possa lhe surgir! Deus é TUDO e a Sabedoria de Deus é a única em expressão! Confie nesta Verdade, e destrone a suposta “mente carnal” e suas crenças! Medite e reconheça o Mestre infinito sendo a sua Consciência! Faça isso; abra-se internamente ao “fluxo do saber divino”, porque o Caminho iluminado é este!
Para explicar que este mundo falso é mera crença da mente em ilusão, a Seicho-No-Ie ensina que “o mundo fenomênico é projeção da mente”, dando a esse fenômeno transitório o nome de “Verdade horizontal”. Mas, como “a Realidade transcende os cinco sentidos, transcende inclusive o sexto sentido e não se projeta à percepção do homem”, deduzimos que esta “Verdade horizontal” é meramente colocação didática, por ser ilusória. Não há Verdade vertical e Verdade horizontal! A Verdade é única, e é Tudo! A Verdade é Deus sendo o Todo de tudo! Por que aparenta existir a “Verdade horizontal”? Por um único motivo: a “Verdade vertical” não foi aceita radicalmente, isto é, o Fato verdadeiro, de que unicamente a Mente de Deus é Realidade, não foi reconhecido em sua totalidade. Quanto mais nos identificarmos com a Mente divina, menos nos identificaremos com a ilusória mente humana, que nada capta do que seja real. O Fato permanente, absoluto e real é intocável pelas falsas crenças coletivas. O Eu único é Deus, é Desperto, é Tudo, e esta totalidade abrange o Eu que somos.
A Seicho-No-Ie inclui, em seus ensinamentos, conhecimentos de terapias e ciências humanas, psicossomáticas, psicológicas, pedagógicas, etc. Por mais úteis que aparentem ser, atestam a ilusão de que somos seres humanos, e não fazem parte da Revelação divina. Por isso, escolhi para esta série o título “A Revelação da Seicho-No-Ie”, pois é na REVELAÇÃO DIVINA que devemos estar centrados, se realmente desejamos conhecer e ser a Verdade. O conhecimento absoluto, que nega por completo a veracidade de tudo quanto seja captado pelos sentidos humanos, é a “Verdade que nos liberta”. Uma vez discernido o Fato de que Deus constitui a totalidade do ser que somos, as aparências fenomênicas ficam todas reduzidas ao seu “nada originário”.Através da meditação, das afirmações dos fatos verdadeiros e negações dos fatos ilusórios, é feita conscientemente a reinterpretação do Universo: os conceitos falsos são trocados pelos verdadeiros, e cada um acaba por se ver, realmente, como a própria Automanifestação de Deus, dotado da Vida de Deus, do Espírito de Deus, da Mente de Deus, do Corpo de Deus e já estando no Reino de Deus.
As afirmações da Verdade e as negações da ilusão, ensinadas pela Seicho-no-Ie, não são, portanto, recomendadas por terem, em si mesmas, qualquer poder; antes, elas são “choques verbais” objetivando “aclarar a mente”, para que a PERFEIÇÃO PERMANENTE possa ser espiritualmente discernida como já presente; e exatamente onde fatos imperfeitos, ilusoriamente captados pelos sentidos humanos, pareciam encobrir a Realidade divina. São expedientes indispensáveis que nos auxiliam na reinterpretação dos fatos! E como eles precisam ser reinterpretados! Isto porque a “ilusão de massa” constantemente avalia tudo segundo o que captam os sentidos humanos, e, fazendo a reinterpretação, mudamos o rumo da mente, reconhecemos a Mente de Cristo como sendo o real e confiável instrumento de captação da Realidade, e, dessa maneira, as Revelações são postas em prática de modo correto. “A Realidade, por ser livre, desconhece sofrimentos”, ou seja, os chamados sofrimentos não passam de interpretações falsas dos fatos reais divinos; não passam de ilusão.
Nossos problemas surgem quando declaramos a Verdade e tentamos, de alguma forma, interferir. E é quando perdemos a demonstração, pois aquilo não pode ser feito. O que é mortal constitui a “ilusão”, constitui aquilo que não tem existência. Como seria possível vincular uma Verdade espiritual com algo que não existe? Isto é impossível! Não tente fazê-lo! Como um ser humano, você não pode realizar uma cura espiritual. A substância do trabalho de cura é a realização de que não há existência humana, mas que há apenas Deus, o único ser infinito.
Se, após termos conhecido esta Verdade, imaginarmos: “Bem, por que o paciente não está reagindo?” – saiba que “nós não temos um paciente!” Se estamos com o pensamento de que temos um paciente, não temos o direito de ser praticistas,
Que significa dizer que “a ilusão é efêmera e em breve se desfaz”? A maioria das pessoas já passou pela experiência de, estando num veículo parado e próximo a outro, acreditar, pela movimentação do veículo ao lado, que fosse o seu veículo que estivesse se movendo. Quando a verdade foi percebida, ou seja, quando os fatos reais foram discernidos, a “ilusão se desfez”. Qual era o fato? O próprio veículo parado e o outro se movendo. Qual era a ilusão? A crença em fato inverídico, isto é, a aceitação de que o próprio veículo se movia, enquanto o outro permanecia parado. Tão logo a ilusão seja percebida como falsidade, ela “se desfaz” e a verdade é reconhecida. Por isso “a ilusão é efêmera e e, breve se desfaz”. A Realidade é a perfeição espiritual, incólume e onipresente! A ilusão é a crença na matéria, no bem e no mal, em imperfeição. Quem captar corretamente este mecanismo, deixará de lutar contra a ilusão e unicamente ficará alerta para poder reinterpretar o cenário de forma correta e verdadeira. Assim como o próprio veículo não havia se movido, o nosso corpo jamais nasce, adoece, envelhece ou morre. Assim como era ilusão que o próprio veículo havia se movido, igualmente é ilusão que o homem esteja vivendo na matéria, sujeito a problemas, pecados, doenças e mortes. Como acabar com a ilusão? Reinterpretando o cenário à luz da permanência dos fatos espirituais ou divinos. Isso, em outras palavras, é levarmos em conta as revelações e não mais as aparências, meras imagens fraudulentas captadas pela mente humana em ilusão. “Quando se aproxima a Luz, desaparecem as trevas. Quando se aproxima a Verdade, extinguem-se as ilusões. Extintas as ilusões, desaparecem seus frutos: pecado, doença e morte. Recebe Minha Luz sem duvidar. Sou Aquele que acende a luz nos Sete Candeeiros”; assim diz uma das Revelações divinas da Seicho-no-Ie. “Receber a Luz sem duvidar” é dar crédito unicamente à Verdade, sem “se apegar à ilusão”.
Como o Fenômeno, com “F” maiúsculo, é o próprio Deus infinito em Auto-manifestação, nada há que possa deixar de ser este próprio Deus consciente de ser o Todo de tudo. Por esse motivo, todas as “imagens fenomênicas” são falsas, meras representações ilusórias da crença infundada em “existência material ou finita, enquanto temos, por revelação, a Verdade de que é a Realidade compreende somente Deus. Por esse motivo, a negação radical do “fenômeno”, que apresenta imagens ora boas e ora más, é imprescindível! Sem o “fenômeno”, a Mente divina, que permanece incólume, recebe toda a nossa atenção, identificação e “unificação”. Se a Mente “entra em vibração e faz desenvolver o Fenômeno”, na Realidade infinita, isto significa a Onipotência estando aqui-agora disponível a cada um de nós, pois esta Mente, como não poderia deixar de ser, é a Mente real e única de todo “Filho de Deus”. Em outras palavras, quando reconhecemos algo de que necessitamos, já o vemos espiritualmente em unidade conosco, e é “quando o Fenômeno passa a ser”, ou seja, nossa identificação com a Presença de Deus, que é TUDO, faz a nossa atenção, focalizada em qualquer dos aspectos da Realidade, torna-lo manifesto. Tudo se dá no plano absoluto, que é a Verdade espiritual onipresente. Somente o “Plano Absoluto” é Realidade!
Quem parte do ilusório mundo visível, parte sempre da crença nos pares de opostos: bem e mal, saúde e doença, alegria e tristeza, etc. Mas este “mundo fenomênico” é irrealidade! Não tem Mente divina a sustentá-lo, e não tem Substância divina! Por esse motivo, logo após o “Canto Evocativo de Deus”, na Meditação Shinsokan, a Seicho-no-Ie nos ensina a mentalizar: “Neste momento, deixo o mundo dos cinco sentidos e entro no mundo da Imagem Verdadeira.(Visualizar e contemplar um mundo infinitamente vasto e esplendoroso”. O sentido é o seguinte: “Tiro toda a atenção da Ilusão, do “fenômeno” e da “mente fenomênica” e concentro-a na Realidade divina da qual faço parte neste Agora que é Eterno, isto é, concentro-a integralmente em Mim”.
Enquanto alguém estiver olhando “mundo material”, para nele acreditar estar VIVENDO, a ILUSÃO estará aparentando existir. Mas assim que ele descartar as imagens refletidas na suposta mente humana (espelho), reconhecendo em todas elas a ILUSÃO SEM SUBSTÂNCIA, o que “sobrará”, será seu EU REAL E ÚNICO, o perfeito, harmonioso e indestrutível FILHO DE DEUS que a Seicho-no-Ie está revelando. Portanto, sem que você crie nada, sem que você mude nada ou cure alguma coisa, a Mente já é a Substância única “formadora” de sua identidade. Quando meditar, vá testemunhar unicamente a Verdade: DEUS ESTÁ EMANANDO, AQUI E AGORA, DE SUA MENTE ABSOLUTA, A SUA EXPRESSÃO INDIVIDUAL: O FILHO DE DEUS PERFEITO, QUE VOCÊ É! Afirme isto, negue o contrário disso e, tranquilamente, contemple DEUS SENDO VOCÊ! Esta é a meditação correta, durante a qual a Seicho-no-Ie nos ensina a repetir várias vezes as seguintes frases:
“Deus, ao criar todas as coisas, não usa barro,não usa madeira, não usa martelo, não usa cinzel, não usa ferramenta nem matéria-prima de espécie alguma; cria unicamente com a Mente”.
Aquele que se dedicar a contemplar em SI MESMO esta Revelação, tomando-a literal e radicalmente, poderá intuir espiritualmente que a “matéria não existe”, o que explica a sua própria natureza como puramente divina, fruto da Mente, uma existência atemporal que jamais nasce, jamais adoece, jamais envelhece e jamais morre. Nenhuma destas crenças faz parte da Verdade ou do “Eu divino” que constitui o “Filho de Deus perfeito” que somos.
Consta, na abertura da Meditação Shinsokan, um “Canto Evocativo de Deus” que, em sua tradução para o português, diz o seguinte:
Eu vivo, não pela minha própria força, mas pela Vida de Deus-Pai, que permeia os céus e a terra.
“De tudo aquilo que há, nada há que não tenha sido criado por Deus”. A crença em existência material é desfeita através da prática assídua da meditação correta. Será meditando que a pessoa se verá una com a própria Revelação. A Seicho-no-Ie explica que não devemos meditar para solucionar problemas do mundo fenomênico, mas para discernirmos que “o fenômeno não existe”. Por isso, faz parte do ensinamento que, se alguém visitar um suposto “doente” e deixá-lo saudável com a prática da revelação, caso deixe com ele a ideia de que ele “foi curado”, esta orientação será errônea e não de acordo com a revelação da Seicho-no-ie. “A doença não existe”, e o homem é “Filho de Deus perfeito”! Se, até então, a pessoa se mostrava doente, passando a se mostrar saudável, o que houve foi o sumiço da ILUSÃO da mente, pela manifestação de seu “Aspecto Verdadeiro”, que sempre e eternamente é imutavelmente saudável. “O homem é Filho de Deus – perfeito e harmonioso”. Esta Verdade, afirmada e contemplada, faz com que as nuvens da Ilusão, que encobriam este fato perene, sejam dissipadas pelo “Sol da Verdade”. Quem entender este ponto, saberá o motivo pelo qual a Seicho-no-Ie revela que “milagre seria ficar doente”. O mesmo se aplica a todas as chamadas imperfeições do “fenômeno”, ou seja, do suposto “mundo visível”. A Seicho-no-Ie, em sua Revelação, faz com que este mundo de aparências ilusórias seja negado, faz com que a pessoa mentalize já estar, realmente, vivendo no Mundo da Imagem Verdadeira, onde não existe “nada além de Deus”. E a Meditação Shinsokan constitui o meio recomendado para esta convicção absoluta ser obtida.
À primeira vista, alguém poderia deduzir que “Deus ainda não estivesse Se revelando”, por estar escrito: “Sendo esta a natureza verdadeira de Deus absoluto, QUANDO DEUS SE REVELA, realizam-se o bem, a justiça, a misericórdia…”.O sentido real, entretanto, será discernido unicamente pelo nosso posicionamento no referencial divino, ou seja, “Deus Se revela”, para mim ou para você, quando for aceito como TUDO, pois graças à totalidade de Deus, a Verdade absoluta de que nossa natureza é puramente espiritual, absoluta, perfeita e divina automaticamente é percebida. Quem permanecer no patamar ilusório da percepção humana, poderá ver imagens fenomênicas se alterando, que parecerão ser “Deus Se revelando” e fazendo a harmonia se instalar por si, mas quem estiver identificado com seu “Eu divino” não incidirá nesse erro. Avaliar “acontecimentos” pelas aparências seria retornar ao ilusório referencial humano, em que ora realiza-se o bem, ora realiza-se o mal. Onde é que “não há dissensões, não há quem lese o próximo, não há quem adoeça e não há quem seja miserável? Unicamente no “Jisso”, isto é, em Deus, na Realidade, na Imagem Verdadeira, no Absoluto, que é Deus sendo o Todo de tudo. Enquanto alguém estiver de olhos em aparências, buscando vê-las melhores, buscando ver curas, em suma, “esperando que Deus Se revele”, estará unicamente sendo mais um iludido pela suposta mente humana. Como são poucos os que captaram esta Revelação da Seicho-no-Ie! E que é a mesma da Ciência Cristã! Cansei de ver artigos comentando esta Verdade pregada pela Seicho-no-Ie; a maioria dos seus autores sequer relou na profundidade que ela encerra! Enquanto o “mundo visível” for visto como existente, mesmo que temporariamente, a pessoa estará com a “ilusão” e não com a Revelação. É por isso que eu sempre enfatizei que “trabalhamos com princípios e não com a aparências”. E este “trabalhar” significa meditar e permanecer na Verdade: Deus é, de fato, o Todo de tudo.
Quem deixar de lado as conceituações sobre o próprio “Eu”, ciente de serem falaciosas impressões da ilusória mente humana, poderá entender o sentido real da afirmação básica da Seicho-no-Ie: “O HOMEM É FILHO DE DEUS, PERFEITO E HARMONIOSO”. A Verdade somente pode ser aceita quando a ilusão for descartada! Por isso, quem estuda a Verdade jamais se avalia pelas aparências, mas sim por princípios espirituais que atuam como bússolas na Autocontemplação. Se formos meditar trazendo junto as imagens fenomênicas geradas pela mente humana, para afirmarmos que “Deus é nosso Eu”, obviamente surgirão conflitos mentais internos, pois a mente rejeitará a Verdade. A Seicho-no-Ie resolve esta questão pela negação total do chamado “mundo visível”: O FENÔMENO NÃO EXISTE! A MATÉRIA NÃO EXISTE! O CORPO CARNAL NÃO EXISTE! A MENTE FENOMÊNICA NÃO EXISTE! Estas ousadas afirmações, que desafiam o intelecto ou a sua lógica, esperam, da parte do estudante, uma aceitação com o “coração”, plena e radical. Nunca a Verdade será lógica para a mente ilusória! Por outro lado, a Verdade já é a Verdade agora, e não tem nada a ver com o que a mente humana diz aceitar ou não do que nos é revelado. Isto sendo admitido, a colocação também empregada pela Seicho-no-Ie, de que O HOMEM É A SUPREMA AUTOMANIFESTAÇÃO DE DEUS, poderá realmente ser aceita de imediato, pois terá sido entendida em seu patamar absoluto e transcendente. E será a partir disso que a Meditação Shinsokan poderá mostrar sua eficácia, fazendo com que a pessoa a realize e a encerre com o conhecimento absoluto: “Já não sou mais eu quem vive; é a Vida de Deus que aqui vive”. O folheto explicativo da meditação ensina que esta frase deve ser repetida várias vezes, em seu final, para que a Verdade possa ser real e plenamente discernida.
Disse um poeta: “Mais prefiro sentir o amor do que defini-lo”. Realmente, como podemos definir o que não vivenciamos? Como podemos amar o que não compreendemos? Enquanto não experienciamos o amor, ele continua a ser mera ideia abstrata. Ao contrário, quanto mais o vivenciamos, tanto mais amorosos nos tornamos: o amor cresce com o amor.
Rompa as suas relutâncias e limitações. Procure compreender e apreciar, para amar as pessoas, as situações, lugares etc., que antes detestava gratuitamente, por tolas conotações. Não condicione o amor: ame, mesmo que não pareça correspondido. Ame porque Deus deseja exprimir-Se em e por você. Ele é amor. Aqueles que parecem mais frios, indiferentes e exigentes, no fundo são os que mais necessitam de amor e não de condenação. Abençoe-os silenciosamente, amando-os pela compreensão, mas não por piedade. O Cristo, neles, ouvirá e os impelirá a responder.
Mesmo em relação àqueles que parecem ameaçar-lhe a segurança e felicidade, não os tema e nem os hostilize: deixe que o amor transubstancie a inarmonia em amizade. O amor tem efeito poderoso! Ele transmuta tudo o que é falso (que Deus não criou) em harmonia, colaboração e alegria.
“O amor é o cumprimento da Lei”.
Romanos, 13: 10
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“Deus é Verdade, Luz, Sabedoria, Amor absoluto”; logo, ao meditarmos, estaremos já na posição transcendental com relação aos “seis sentidos”, quando, então, testemunharemos a Presença de Deus sendo a Verdade que somos, a Luz que somos, a Sabedoria que somos, o Amor absoluto que somos. Será preciso lidar com cada aspecto de Deus separadamente? O ideal é fazermos isso, pois a mente que somos, sendo a Mente divina que engloba em unidade todos os atributos de Deus ao mesmo tempo, poderá ser discernida com ênfase para o aspecto que, aparentemente, mais nos parecer necessário em dado instante. O mais importante é sempre estarmos conscientes de que “o que é válido para Deus, é igualmente válido para o Eu que individualmente somos”.
“O homem é Filho de Deus, perfeito e harmonioso” – assim ensina a Seicho-No-Ie. A resposta de cada um à Verdade sobre ele, assim revelada, é o que determinará seu maior ou menor aproveitamento desta gloriosa revelação. Se a mente estiver totalmente aberta e receptiva, com o “coração de criança” que, sem reservas ou filtros mentais, acata a Verdade e com Ela se identifica e se “unifica”, com facilidade será discernido, espiritualmente, que já somos o “Eu transcendental”, aqui e agora. Por que é dito que somos “Filhos de Deus” e não o próprio Deus, uma vez que a revelação diz que Deus é a “Vida que permeia o Universo”?