Marie S. Watts
II
“Na verdade vos digo que o filho não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente” (João 5: 19).
Certas pessoas se mostram contrariadas diante da exposição da nulidade das chamadas realizações humanas. Revoltam-se, quando lhes é revelado que o conhecimento da Verdade não é fazer caridade de si mesmo neste ilusório mundo das aparências! Assim dizem: “Vocês acham que a vida e ficar de braços cruzados, deixando tudo por conta de Deus!” Com o referencial de existir posto em atividades humanas, a ONIAÇÃO nunca será entendida! Nem tampouco que estarmos integrados a ela significa estarmos inativos! A Verdade deve ser conhecida! Uma análise da citação acima, de Jesus, fará com que a pessoa desperte para a real e única REALIZAÇÃO: A ETERNA REALIZAÇÃO DE QUE DEUS É DEUS COMO CADA UM DE NÓS!
Deus é Tudo! A Consciência do Universo consumado é Deus! E esta Consciência é eternamente a SUA!
Suponha, por exemplo, que você esteja desempregado. Pode inclusive parecer que não haja qualquer emprego em vista. Você talvez sinta estar treinado e qualificado para determinado tipo de trabalho ou profissão, julgando-se incapacitado para ser bem-sucedido num outro tipo de atividade. Talvez sinta que, se pudesse apenas “fazer um contato correto”, iria encontrar um emprego que lhe fosse adequado. Isso é uma armadilha, meu caro, e você não se deixará cair nessa dualidade nem aceitar limitações. Você sabe que não há Consciência separada da Consciência Universal indivisível que você é. Você sabe que NÃO EXISTE DIVISÃO EM OU COMO A CONSCIÊNCIA QUE VOCÊ É, E QUE VOCÊ NÃO PODE CONTATAR NENHUMA OUTRA CONSCIÊNCIA, POIS INEXISTE OUTRA CONSCIÊNCIA PARA VOCÊ ENTRAR EM CONTATO.
Que acontece agora? Você acaba de perceber o glorioso fato onipotente de que todo aquele que for necessário para o seu emprego – seu cumprimento de objetivo no momento – já está presente dentro da Consciência que você é, e como Ela própria. Você percebeu que não existe espaço de tempo em ou como sua percepção desta Verdade. Além disso, que não existe intervalo de “tempo” ou “espaço” capaz de atuar como barreira entre você e alguém que seja necessário à sua inteireza.
Esta mesma Verdade é real, e é ativa, no que se refere ao seu emprego atual. Exatamente agora, você está conciente de seu emprego genuíno, pois exatamente agora sua Consciência está ativamente consciente de ser completa. Tudo que você deveria saber nesse momento, você sabe. Por quê? Porque você é Consciência. Você está consciente neste exato momento; e a Consciência que você é, exatamente agora, é completa. O fato de sua Consciência ser completa implica a evidência de tudo que você devesse saber, tudo que você devesse compreender, tudo que devesse constituir o seu emprego. Sim, sua inteireza implica que você conheça toda a Verdade que devesse conhecer referente a esta situação, ou a quaquer outra. Oh! Há poder neste “conhecimento”!
Emmet Fox
Naturalmente, isso não significa que não seja bom ter um dia de descanso uma vez por semana, pois sem dúvida o é. Apesar disso, porém, devemos tentar fazer de todos os dias da semana o Dia do Senhor.
Muitas pessoas se referem ao domingo como o Sabá, mas não é assim. O domingo é justamente chamado o Dia do Senhor, porque sempre foi dedicado à glória de Jesus Cristo. O Sabá é o sábado, que significa o sétimo dia. Apesar disso, sábado, o Sabá, é um dia tão santo e sagrado quanto qualquer dos outros seis.
Dediquemos todos os dias ao serviço de Deus e busquemos viver na Sua Presença, e teremos sete Dias do Senhor todas as semanas. É isso o que Jesus teria desejado.
Volva-se a Deus! Observe que a Vida de Deus é que VOCÊ USA, e dizendo ser a sua! Realmente, ela é sua, mas no momento em que VOCÊ se vê UM com Deus e não como um humano cheio de contrariedades! Nada acontece por acaso! Em vez de se irritar com as supostas contrariedades da vida humana, veja em todas elas a ação espiritual subjacente! Deus é nosso ser! Deus está por trás de tudo! Se houve um atraso, não foi por acaso! Se um relacionamento terminou, não foi por acaso! E assim com tudo! Nada é por acaso! Sossegue-se e se dedique prioritariamente à percepção real de que Deus e homem são UM! Em seguida, deixe de ver nos acontecimentos visíveis motivos que se tornem contrariedades! Você é cidadão do REINO DE DEUS, e não uma vítima de míseros acontecimentos humanos!
Mesmo olhando para a Luz que somos, estes supostos “olhos humanos” apenas veem matéria! Que ocorre quando contemplamos o nosso próprio ser, inclusive o corpo, com “olhos bons”? Descobrimos Deus sendo a nossa totalidade! Eis por que está dito: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz”.
Muitos lutam para curar doenças, próprias ou de outrem; entretanto, ninguém necessita de cura, mas sim de ser “visto corretamente”, com “olhos bons”. Os “olhos bons” não são os humanos! Há, em todos nós, a Presença do Cristo de Deus!
Contemplemos, primeiramente, o Cristo sendo o nosso ser, dotado da “visão divina” capaz de discernir unicamente a Luz que somos! Permaneçamos nesta contemplação, descartando radicalmente tudo aquilo que vinha sendo “visto” pelos “olhos maus”. A crença material será desmantelada! Era “nada”!
A experiência bíblica, em que alguns discípulos viram o corpo de Jesus “transfigurado”, revela que, naquele instante, eles unicamente haviam substituído os “olhos maus”, da crença material, pelos “olhos bons”, espirituais, que possuíam desde o princípio! Faça VOCÊ o mesmo! Faça-o AGORA!
O presente é nosso; o futuro, repleto de eventos. Todo homem, toda mulher deve ser hoje uma lei para si mesmo ou para si mesma – uma lei de lealdade ao Sermão do Monte, proferido por Jesus. Os meios de pecar, secreta e impunemente, aumentaram de tal forma que, a menos que vigiemos e permaneçamos firmes no Amor, a tentação de pecar se nos multiplica por cem. A mente mortal neste período trabalha em silêncio tanto em prol do bem quanto do mal, da maneira mais incompreendida; daí a necessidade de vigiar; e o perigo de ceder à tentação proveniente de causas que não existiam em períodos anteriores da história humana. A ação e os efeitos dessa assim-chamada mente humana, em seus argumentos silenciosos, estão ainda por ser postos a descoberto e tratados de forma drástica pela justiça divina.
Na Ciência Cristã, a lei do Amor alegra o coração; e o Amor é Vida e Verdade. Tudo aquilo que manifeste qualquer outra coisa, em seus efeitos sobre a humanidade, evidentemente não é Amor. Devemos medir nosso amor a Deus pelo nosso amor ao homem; e nosso senso da Ciência será medido segundo nossa obediência a Deus, – cumprindo a lei do Amor, fazendo o bem a todos; transmitindo, na medida em que os refletimos, a Verdade, a Vida e o Amor, a todos os que se encontram no âmbito de nosso pensamento.
A única justiça da qual no momento me sinto capaz, é misericórdia e caridade para com todos – tão somente até onde cada um e todos me permitam expressar esses sentimentos, tomando o cuidado de não intrometer-me em assuntos que não me competem.
A falsidade, a ingratidão, o mau juízo, e a dura retribuição do bem com o mal – ou seja, as verdadeiras injustiças (se é que a injustiça pode ser verdadeira) que suportei nas mãos dos outros – elaboraram para mim, felizmente, a lei de amar meus inimigos. Neste momento, insto com todos os Cientistas Cristãos a que ponderem seriamente essa lei. Jesus disse: “Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam.”
Por quê?
Porque Ele chamou os que são Seus, os armou, os equipou e lhes forneceu defesas inexpugnáveis. Esse Deus não permitirá que eles se percam; e se caírem, levantar-se-ão novamente, mais fortes do que antes da queda; Os bons não podem perder seu Deus, a ajuda à qual eles recorrem nas tribulações. Se entenderem mal as ordens divinas, corrigirão seu engano, darão contraordem, retrocederão sobre seus próprios passos e restaurarão as ordens dadas por Deus, com mais certeza de poder seguir adiante em segurança. Terão aprendido a melhor lição de sua vida, havendo travado batalha contra a tentação, o medo e as investidas do mal, visto que puseram sua força à prova e venceram; visto que sua força se aperfeiçoou na fraqueza e seu medo se autoimolou.
Esta destruição é uma quimicalização moral, na qual as coisas antigas passam e eis que se fazem novas. As tendências mundanas ou materiais dos afetos e propósitos humanos são dessa forma aniquilados; e esse é o advento da espiritualização. `céu baixa à terra, e os mortais finalmente aprendem a lição: “Não tenho inimigos”.
Mesmo na crença, tens um só inimigo (e esse não faz parte da realidade), que é o teu próprio eu – sua crença errônea de que tenhas inimigos, de que o mal seja real; de que na Ciência exista alguma coisa além do bem. Cedo ou tarde teu inimigo despertará de sua ilusão, para sofrer por sua má intenção; e descobrirá que ainda que essa má intenção não se leve a cabo, traz um castigo dez vez maior.
O amor é o cumprimento da lei: é graça, misericórdia, justiça. Eu costumava pensar que bastava cumprir as leis de nosso país; que, se um homem apontasse uma arma para meu coração, e se eu, atirando primeiro, pudesse matá-lo e salvar minha própria vida, estaria agindo corretamente. Eu também achava que, se desse aulas gratuitas aos alunos que não podiam pagar, assistindo-os depois financeiramente e, se após o término do curso, não cessasse de ensinar os que se desviassem do caminho, mas os acompanhasse, com preceito e mais preceito; que, se meu ensino os houvesse curado e lhes mostrado o caminho seguro da salvação, – eu haveria cumprido todo o meu dever para com os alunos.
O amor não proporciona justiça humana, mas sim misericórdia divina. Se nossa vida estivesse sob ataque, e só pudéssemos salvá-la em conformidade com o direito comum, tirando a vida de outra pessoa, acaso preferiríamos sacrificar a nossa própria? Temos de amar nossos inimigos em todas as manifestações pelas quais e nas quais amamos nossos amigos; precisamos até mesmo tentar não expor suas falhas, mas sim fazer-lhes o bem sempre que ocorra uma oportunidade. Proporcionar justiça humana àqueles que nos perseguem e nos caluniam, seria não deixar a Deus a prerrogativa de repreendê-los, e não bendizer os que nos maldizem. Se não tivermos nenhuma oportunidade especial de fazer o bem aos nossos inimigos, podemos incluí-los em nossos esforços gerais para beneficiar a raça humana. Como posso fazer muito de bom, de forma generalizada, àqueles que me odeiam, eu nisso me empenho com sinceridade e cuidado especiais – já que eles não me deixam nenhuma outra possibilidade, embora para tanto eu tenha lutado chorando. Quando batem numa face, ofereço a outra; tenho só duas para dar.
Porventura podes ver um inimigo a não ser que primeiro o concebas e depois contemples o objeto de tua própria concepção? O que é que te causa dano? Pode a altura, ou a profundidade ou qualquer outra criatura separar-te do Amor que é o bem onipresente, – que abençoa infinitamente a um e a todos?
Simplesmente considera como inimigo aquele que contamina, desfigura e destrona a imagem-Cristo que tu deverias refletir. Tudo aquilo que purifica, santifica e consagra a vida humana não é inimigo, por mais que soframos nesse processo. Escreve Shakespeare: “Doce é o fruto da adversidade.” Disse Jesus:
“Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós …pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.”“Amai os vossos inimigos” é idêntico a “Não tendes inimigos”. Qual é a relação entre essa conclusão e aqueles que te odiaram sem motivo? Simplesmente que aqueles desafortunados indivíduos são, virtualmente, teus melhores amigos. Antes de mais nada, e em última análise, eles estão te beneficiando de uma forma que vai muito além do conceito de bem que tu possas ter no momento.
Aqueles a quem chamamos de amigos parecem adoçar o cálice da vida e enchê-lo com o néctar dos deuses. Levamos esse cálice aos lábios, mas ele nos escapa das mãos e cai em fragmentos, diante de nossos olhos. Talvez, tendo saboreado seu vinho tentador, fiquemos embriagados; talvez nos entreguemos ao sonho letárgico, imbuídos de autossatisfação; ou então, voluntariamente ponhamos de lado, como insípido e indigno de ser humanamente almejado o conteúdo desse cálice de prazer humano egoísta, que perdeu o sabor.
E por que razão nós conseguimos continuar desfrutando desse conceito desvanecente, com suas deliciosas formas de amizade, com as quais os mortais aprendem a gratificar-se nos prazeres pessoais e se acostumam a uma paz traiçoeira? Porque esse conceito é o único e grande perigo na senda tortuosa que ruma para o alto. Uma noção equivocada sobre o que constitui a felicidade é mais desastrosa para o progresso humano do que tudo o que um inimigo ou uma inimizade possam impor à mente ou inocular em seus propósitos e realizações, para assim entravar as alegrias da vida e aumentar suas tristezas.
DEUS É TUDO! DEUS É ESPÍRITO! DEUS É ONIVISÃO! A natureza de Deus é a natureza do ser individual! O que é válido para Deus, é válido para cada um de nós! Deus é permanente! Suas qualidades e aspectos são eternos! O Universo infinito contém em cada ponto de Si mesmo toda a natureza de Deus! A VISÃO é uma constância eterna onipresente! Pare de achar que os olhos carnais enxergam! Você acredita que os olhos de uma estátua pública veem? Seria a mesma coisa! Matéria é NADA! Reconheça que a Visão de Deus, plena e perfeita, vê perfeitamente, aqui e agora! Entenda que exatamente onde você poderia achar que existam “olhos carnais”, o que de fato EXISTE, é DEUS SENDO DEUS MESMO COMO VISÃO ABSOLUTA!
Alguns se matriculam em “cursos da Verdade”, onde passam a vida toda almejando “iluminação”, “à espera do Cristo”, “anulando o ego”, etc. NÃO DEIXARAM O SEU CÂNTARO”. Outros veem seu emprego, seu patrão, seus parentes, suas aplicações, etc, como “fonte de suprimento”. Estão no “poço de Jacó”; não largaram o seu cântaro. Há também aqueles que, primeiramente, se dedicam a fazer caridade ou a prestar auxilio humano ao próximo obstinadamente; deixam, assim, de perceber que RIOS DE ÁGUA VIVA fluem igualmente a partir de todos. Também não deixaram o seu cântaro!
Para que “todos os cântaros” sejam deixados, basta você se identificar agora com os dizeres de Jesus: EU O SOU, EU QUE FALO CONTIGO! A ÁGUA VIVA! Este “EU SOU” é a SUA VIDA, A VIDA ÚNICA QUE DEUS É!
Somente pela aceitação incondicional e imediata de que, pelo DOM DE DEUS, a Vida DIVINA é a totalidade de SUA VIDA, pode você abrir mão de todos os “cântaros” da aparência ilusória para experienciar Deus, vivenciar a Realidade, e ter o discernimento pleno de sua real identidade crística.
O “cântaro” é a ilusão! O “cântaro” é o NADA que tenta se fazer passar por “recipiente que contém água”. O “cântaro” é o “sábio intelecto” que julga conhecer tudo, ou dar justificativa para tudo. O “cântaro” é o “iluminado” que acumula “discípulos”, ou “instrutores” que os classificam em diferentes graus de consciência. O “cântaro” é a “visão” que crê nas aparências. O “cântaro” é o ensinamento que leva em conta o tempo. O “cântaro” é a doutrina que promete uma “volta” do Cristo.
Leitor, assuma de uma vez a Identidade divina, que JÁ É SUA pela Graça! Abandone o “cântaro” da dualidade contida nos ensinamentos relativos! Beba da Água Viva diretamente da Fonte interna da Onisciência, diretamente e sem intermediários, sejam eles pessoas, livros ou cursos. Todos estes são “cântaros”, assim como este texto é “cântaro”. Volva-se AGORA à FONTE, de onde lhe jorra eternamente a ÁGUA VIVA: VOCÊ É A FONTE! Onde quer que esteja, VOCÊ É AUTOSSUPRIDO! “Deixe o seu cântaro!” Faça-o em definitivo, como a samaritana!
“Deixou pois a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens: Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito; porventura não é este o Cristo? Saíram pois da cidade. E FORAM TER COM ELE” (João 4: 28-30). O mesmo DOM DE DEUS é igualmente para todos. DEUS é a Fonte de ÁGUA VIVA ONIPRESENTE! Todos podem, portanto, “sair da cidade” (aparência) para beber da Fonte única (Consciência). Não vacile: DEIXE O SEU CÂNTARO!
“Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra; cale-se diante dele toda a terra” (Habacuque 2:20). Eis o processo de “buscarmos o Reino de Deus”. Contemplarmos que “somos o Templo de Deus” e que este Deus Se encontra em nós mesmos como a Consciência iluminada que somos. Que toda a ILUSÃO de mundo terreno seja calada! Que a crença em existências humana seja calada! Que a dualidade que considera “dois mundos”, espiritual e material, seja calada!
Contemple-se em unidade com o Eu Sou Infinito! Não admita qualquer outra presença ou poder além de Deus! Glorifique a Deus como TUDO! Faça com que “toda a terra se cale”. O Reino de Deus é TUDO! “Nele vivemos, nos movemos e existimos”.
Entre em contemplação, e medite:
QUE TODA A TERRA SE CALE DIANTE DE MIM!Há séculos que a humanidade vem se perdendo em autocríticas, autoanálises, exames de consciência, por acreditar possuir a mente ilusória que pode errar e acertar; desse modo, justamente a Verdade que a libertaria é deixada de lado! Se as pessoas a buscam, fazem-no exatamente ao contrário do recomendado, ou seja, aceitam que a Verdade, Deus, esteja em qualquer parte, menos SENDO elas próprias.
Os fracassos na percepção da Verdade podem ser explicados, em suma, da seguinte forma: não podemos buscar a Verdade fora do nosso ser; não podemos nos tornar algo que já somos.
“Disse-lhe pois a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (João 4: 9-10).
Você, que lê este texto, conhece o DOM DE DEUS? Quando falamos da VIDA PELA GRAÇA, não falamos de um conto de fadas! A samaritana, ao perceber que a “água viva” estava jorrando eternamente da FONTE DIVINA e dela própria, percebeu também que jamais voltaria a ter sede. Que fez ela? DEIXOU O SEU CÂNTARO! Isso mesmo: DEIXOU O SEU CÂNTARO! “Deixou pois a mulher o seu cântaro e foi à cidade…”(João 4: 28).
A Verdade faz com que cada um “deixe o seu cântaro”. Teria Jesus dito à samaritana que a acompanharia pessoalmente até ser ela capaz de receber a “água viva”? Não! Ela lançou fora o cântaro por ter discernido A QUEM Jesus pedira de beber, quando ELA estava no poço de Jacó. “A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias vem; QUANDO ELE VIER, nos anunciará tudo. E Jesus disse-lhe: EU O SOU, EU QUE FALO CONTIGO” (João 4: 25-26). Revelava o “EU SOU” onipresente.
Descarte a ilusão! Pare de lutar para recuperar o que jamais perdeu! A chamada “cura” é uma anulação da ILUSÃO! Contemple Deus sendo o Corpo! Contemple “rios de água viva” fluindo de “cada suposta celula” de seu Corpo! As chamadas células corporais não são o que parecem ser! São o “Verbo feito carne”, isto é, são Deus sendo visto como “células” pela mente humana! Contemple calmamente esta ação de Deus em SER DEUS como cada suposta célula; contemple esta ação como sendo a “saúde permanente” de cada uma delas! Atenha-se ao “sol” e não às “nuvens” que parecem tolher seu brilho! Contemple a ONIAÇÃO sendo “saúde onipresente”; sua saúde eterna é a espontânea oniação divina em SER O TEMPLO DE DEUS. Este Templo é o que constitui o “seu” CORPO.
O Cristo, o Eu espiritual perfeito, JÁ É onisciente. Por esse motivo, em todas as nossas meditações, partimos dessa Verdade. Nada iremos informar a Deus; nada iremos pedir a Deus: na quietude da contemplação, perceberemos “a descida do Espírito Santo”, ou seja, a espontânea Autorrevelação: EU SOU O QUE SOU. Com o hábito, perceberemos, após meditarmos, que certos “impulsos interiores” nos dão as diretrizes para a vida cotidiana. Que são eles? A Onisciência aparecendo como conceito humano de sabedoria. Tais impulsos, quando percebidos e seguidos, promovem o que chamamos de “solução espiritual dos problemas humanos”. Estaremos manifestando visivelmente a HARMONIA ETERNAMENTE MANIFESTA DA REALIDADE DIVINA TRANSCENDENTAL.
Certas pessoas dizem não perceber estes “impulsos” com nitidez. Mesmo assim, se elas se dedicarem corretamente à contemplação da Natureza do Todo, vendo-se INCLUSA nesse Todo, assim como um ponto se vê incluso na reta que ajuda a formar, certamente os fatos e seu dia a dia se desenrolarão em harmonia, com as coisas tomando naturalmente o rumo certo.
Dissemos não haver “aprendizado”, e sim “constatação” de que a Onisciência é onipresente. O estudo da Verdade não pode ser encarado como os chamados “estudos humanos”. A mente humana almeja ampliar seus limitados conhecimentos; a Mente onisciente já é Todo-sapiente: nada lhe resta a “aprender”. Se discernirmos o real sentido do chamado “estudo da Verdade”, passaremos a viver a vida pela Graça, propagada pela mensagem de O Sermão Da Montanha:
“NÃO ANDEIS CUIDADOSOS QUANTO À VOSSA VIDA (…) DE CERTO VOSSO PAI CELESTIAL SABE QUE NECESSITAIS DE TODAS ESTAS COISAS”.“Por que é preciso POSITIVAR esta identidade que já sou, se ela já é quem sou?” Assim me perguntam! Por que me perguntam? Por não a terem positivado! “Positivar” é SER! A manutenção desta avaliação humana, se a afirmação é legítima ou espiritual, e não feita mentalmente pela mente humana, precisa acabar! Entenda, de uma vez por todas, que VOCÊ É DEUS! Jamais sua vida esteve sendo outra, senão Deus vivendo! Não alimente crenças que deixem esta Verdade encoberta! Não analise se a frase EU SOU DEUS está sendo aceita espiritualmente ou mentalmente! Não questione a Verdade! Este é o DUALISMO que você pode estar nutrindo sem perceber!
Afirme, positive, assuma e viva a Verdade: EU SOU DEUS! Não há OUTRO ao lado de MIM! Não permita nada, agindo ou pensando em VOCÊ, que possa ser discordante desta Verdade Absoluta! POSITIVE SUA IDENTIDADE ÚNICA! E mais: estenda esta percepção de modo a abranger o INFINITO! Desse modo, estará sendo PERFEITO EM UNIDADE, como orava Jesus para cada um ser!
Crença alguma pode afetar o “Eu”; fogo não O pode queimar, água não O pode afogar. “Maior é AQUELE que está em MIM do que “aquele” que está no mundo”. Por que é assim? Porque o “Eu”, em todos nós, é DEUS. “EU SOU” Onipotente. Esta é a Verdade que no divino silêncio nos é revelada. O sonho mortal tenta nos fazer crer em personalidades de vida temporal, sujeitas a nascimento, mudança, morte, reencarnação, etc. Todas estas crendices falsas se anulam pela percepção direta da Realidade divina, em que o EU UNIVERSAL é permanentemente a nossa ÚNICA identidade. O chamado “tempo” não existe! Há somente o AGORA. Percebamos a Verdade: jamais fomos algum “outro eu”, senão o Eu Sou Divino que AGORA somos! Coloquemos nesta Verdade Absoluta o nosso REFERENCIAL DE SER; assim, ficará realmente simples discernirmos que “Eu Sou Onipresente”, e que, igualmente, “Eu Sou Onipotente”.
Enquanto alguém insistir em se aceitar como “ser humano”, dificilmente conseguirá se ver livre dos “pares de opostos”, os conceitos de bem e de mal e seus consequentes sentimentos de culpa, ressentimento, pecado, inferioridade e superioridade. CONTEMPLEMOS UNICAMENTE A VERDADE! Esta é a forma que nos permitirá “vencer o mundo”. Para que um pesadelo desapareça, basta que ocorra o DESPERTAR! Mantenha-se em quietude e silêncio, até discernir com clareza “este” AGORA, o AGORA em que resplandece o Cristo, o Verbo, a identidade espiritual eterna, que sempre esteve sendo o “seu” verdadeiro, imutável e único Ser.