Enquanto Jesus passava seus ensinamentos na Judeia, vieram os fariseus fazer-lhe esta pergunta: “É lícito ao homem repudiar sua mulher?” Respondendo, ele disse-lhes: “Que vos mandou Moisés?” E eles disseram: “Moisés permitiu escrever cartas de divórcio e repudiar”. E Jesus lhes respondeu: “Pela dureza de vossos corações, vos deixou ele escrito esse mandamento; porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher. E serão os dois uma só carne; e, assim, já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus juntou, não o separe o homem”.
O erro de interpretação destas passagens sobre relacionamentos conjugais , pode-se dizer, foi dos que mais geraram sofrimentos e sentimentos de culpa na humanidade. As religiões partiram da crença de que, se algum casal ali aparecesse, desejoso de se casar, seus ministros fariam o papel de Deus, ou seja, uniriam os dois para a vida toda! A partir disso, todo casamento seria considerado “a vontade de Deus”, fazendo com que o casal se visse obrigado a mantê-lo pelo resto da vida!
A vontade de Deus se manifesta àquele que ora e confia estar sendo guiado e inspirado por Ele! Não é a “vontade” que aqueles de “coração endurecido” sentem, quando buscam se relacionar com alguém! E isto é mais do que evidente, apesar das “vistas grossas” da sociedade e de seu mundo religioso! Alguém poderia acreditar que, se um rapaz se visse encantado pela beleza física de uma jovem, buscasse conquistá-la, até levá-la ao altar, e que isto seria “o que Deus uniu”? Ou que uma jovem conquistasse um rapaz rico, pensando em poder viajar e conhecer o mundo, às custas dele, e que isto seria “o que Deus uniu”? É óbvio que não! E há inúmeros exemplos, além destes, que provam que “o que Deus une” nada tem a ver com o que “o ego une”, movido por interesses carnais, materiais, familiares, enfim, destituídos da unção divina!
Jesus disse aos fariseus que “Moisés deixou o mandamento de divórcio” por causa do “coração endurecido do povo”! Citou o “princípio da criação”, em termos humanos, ciente de que as pessoas que ali estavam, não iriam compreender sua visão crística, que citava a “criação espiritual”, subjacente a “este mundo”, onde a Vontade de Deus estava realmente manifesta! Assim, o “coração endurecido”, em sua visão iluminada, não era somente a “vontade de se repudiar a mulher”! Isto seria o efeito! O “coração endurecido” seria a causa dos relacionamentos fadados a não durar, por terem se realizado segundo critérios humanos, partindo do ego agindo de si próprio na suposta “escolha do cônjuge”, sem que a Vontade de Deus fosse ouvida ou consultada! Portanto, casamentos assim constituídos, longe de serem “uniões feitas por Deus”, não passavam de manifestação da ilusória “mente humana”; uniões, portanto, carentes da presença do Amor divino!
Em muitos casos, era a família que “juntava o casal”, dentro de humanos interesses; assim, o “noivo” só iria conhecer a “noiva” praticamente do dia do “casamento”. Haveria Deus nisto? Claro que não! Infelizmente, as religiões assim não entenderam, oficializaram, e em nome de Deus, estas uniões, decretando que “teriam de ser para sempre”, justificando tais atitudes absurdas com a Bíblia nas mãos, dizendo: “O que Deus juntou, não o separe o homem”.