– 9 –
Quando algum ensinamento místico ou absolutista afirma que “a mente humana não é poder”, que “a mente humana não é criadora”, ou que “aceitar o contrário” significa negar a Verdade de que “unicamente Deus é poder”, tal ensinamento está correto e coerente em termos teóricos e absolutos, isto é, quando não admite levar em consideração o suposto “mundo de aparências”. É evidente que, se consideramos o princípio básico, DEUS É TUDO, somente poderíamos admitir que DEUS É O ÚNICO PODER, Verdade irrefutável com a qual sempre devemos iniciar as nossas “contemplações absolutas”.
Onde estes ensinamentos erram? Eles erram quando pressupõem que a Verdade Absoluta, dedicadamente “contemplada”, irá permanecer “aflorada cem por cento” enquanto aparentemente nos virmos obrigados a lidar com este ilusório “mundo fenomênico”! Todos estes autores que conheci, e que partiram deste desprezo ao que chamam de “mentalismo”, confiando que suas “contemplações” lhes bastariam em suas vivências diárias, deixaram claros sinais, em suas próprias obras, do mau uso da suposta mente humana e, em vista disso, de terem suportado “problemas aparentes” , por não se mostrarem interessados em “programar a mente” para uma atividade seletiva, ou seja, reconhecendo como “presença” unicamente o bem e o lado positivo das “crenças coletivas”.
Teoricamente eles estão certos: DEUS É O ÚNICO PODER! Entretanto, há uma CRENÇA COLETIVA DE EXISTÊNCIA, chamada de “mundo fenomênico”, que não desaparecerá de vista coletivamente só por “estarmos contemplando DEUS COMO TUDO”. Jesus, por exemplo, passava horas e mesmo dias em oração, para depois “lidar com este mundo”! E, mesmo assim, em várias passagens bíblicas, está relatado que “ele se turbara em espírito”, entrando em contato com esta CRENÇA FRAUDULENTA de “mortais” e de “mundo material”.
Se “Deus é o único poder”, por qual razão estes místicos recomendam as meditações diárias tão enfaticamente? Eles diriam que é para “reconhecermos a Mente divina como única”! E eu lhes diria que a Ciência Mental é empregada com o mesmo objetivo: RECONHECER A MENTE DIVINA COMO ÚNICA! Se eles se recusam a “usar seletivamente a mente”, estão dando realidade a ela, uma vez que ninguém desprezaria algo tomado como certo ser inexistente!
A Ciência Mental assim define o que ela chama de “Lei de manifestação do fenômeno”:
“RECONHECENDO, APARECE; NÃO RECONHECENDO, NÃO APARECE”.
Aquele que assim reconhece: “Eu sou Filho de Deus! O mal não existe! Somente o melhor me acontece!” – repetindo esse tipo de reconhecimento pausadamente ao subconsciente, ele irá acumulando o “fermento” até levedar “a massa toda”. E então, diante de algo negativo, automaticamente saltará, à pessoa, este reconhecimento programado, o que evitará que ela “reconheça” o suposto “mal” repentinamente sugerido a ela pelo “hipnotismo de massa”. Os melhores momentos, para serem feitas as programações, são aqueles pouco antes de pegarmos no sono e assim que acordarmos pela manhã. São momentos em que o consciente humano se mostra sonolento, facilitando a passagem das ideias ao subconsciente.
Há, na literatura metafísica, a seguinte parábola: “A Peste informou a todos que iria a Bagdá matar cinco mil pessoas. Quando voltou, disseram a ela: – Você mentiu: disse que iria matar cinco mil, entretanto, as notícias são de que você matou cinquenta mil pessoas! E a Peste respondeu: – Nada disso! Eu só matei as cinco mil; as demais morreram todas de medo!”
É desse modo que atua a “Lei de manifestação do fenômeno”: pelo nosso reconhecimento ou não reconhecimento das coisas e dos fatos. Este mundo é puramente de CRENÇAS! Não há realidade alguma, nem nele e nem nelas! São mesmo como “miragens”; assim, quando usamos a Ciência Mental para negar o mal ou o negativo, e para afirmar o bem ou o positivo, estamos simplesmente desprezando as “aparências” e endossando a Perfeição Absoluta, subjacente a elas. Esta prática, portanto, nada tem a ver com “dar poder autônomo” à suposta mente humana; antes, ela é uma importantíssima aliada em nosso reconhecimento único do “bem”, que é a Verdade Absoluta!
Continua..>
