A “mudança de referencial” é a base de nossa “permanência em Mim”, uma vez que nos obriga a excluir toda errônea identificação com o mundo e suas crenças em mortalidade. Jesus passava um tempo enorme em oração, para se perceber “em Oniação”, “em unidade com o Pai”, e completamente “fora da crença em mundo material”. Sabia que as crenças são pegajosas e que, para não se influenciar por elas, teria de se manter em contemplação absoluta. Encerradas as orações contemplativas, só tinha em mente “divulgar a Verdade” ao próximo.
Quando alguém se percebe motivado a realmente “vencer o mundo”, naturalmente lhe surgem condições que lhe possibilitem meditar mais, e, com isto, atrair pessoas e situações ligadas ao mesmo objetivo espiritual que ele. “Os semelhantes se atraem”, diz a lei mental; assim, sejam quais forem os motivos que o levem a precisar de algo, de viajar, ou de se ocupar, estas atividades, aparentemente “do mundo”, trazem em seu âmago a Oniação, a Autorrevelação divina,um propósito espiritual.Por isso, todos deveriam levar consigo folhetos ou cópias de artigos da Verdade, para, estando em suas atividades cotidianas, terem algo de valor eterno para deixar com as pessoas de seu contato, cientes de que “nada é por acaso”.
Há pessoas que recebem os ensinamentos e logo se preparam para repassá-los ao próximo. Há, porém, aquelas que somente se beneficiam com eles, sem ter em mente um firme propósito de divulgá-los aos demais. Não percebem que este desinteresse igualmente as afetam, pois, unicamente os “assuntos humanos” são levados em conta em seus relacionamentos e, com isso, grandes oportunidades de as Verdades serem relembradas ficam perdidas!
Na década de 80, ao encerrar uma série semanal de palestras na Unidade, que teve a duração de seis meses, as pessoas me perguntaram: “Você irá repetir as aulas no próximo ano”? Eu disse a elas: “Não, os princípios e as formas de meditar já foram mais que repetidos, e cada um, agora, deverá “trabalhar em si mesmo”, reconhecendo a própria divindade e deixando de se identificar com o mundo ilusório e suas crenças. Aqueles que o desejarem, poderão assinar uma lista e, regularmente, enviarei artigos relembrando estes estudos”.
Assim foi feito, ou seja, mensalmente eu redigia um artigo e o enviava a todos da lista. Eu acreditava que, recebendo-os regularmente, iriam se manter no foco do estudo e, além disso, iriam fazer cópias para repassá-los às pessoas conhecidas. Meses depois, sem que ninguém acusasse ter recebido os artigos, cheguei a pensar que não os estavam recebendo; assim, quando me ligavam para falar de algum problema, passei a perguntar a cada um. A resposta é que estavam recebendo, e foi quando pude notar que, além de nunca acusarem os recebimentos, não os estavam divulgando, a não ser com raríssimas exceções.
Quem somente lê os artigos por alto, sem se envolver com o máximo que eles propiciam, em termos de serem realmente estudados, contemplados e repassados, não perceberá o objetivo real de ter entrado em contato com eles! Desse modo, não se verá motivado a viver em função da Verdade, fazendo dela, como muitos fazem, apenas um componente a mais de seu dia a dia.
Hoje, na “era da informática”, a divulgação dos ensinamentos foi tremendamente facilitada; mesmo assim, há pessoas que sequer repassam os endereços dos Blogs contendo os artigos. Desconhecem o fato de que esta negligência para com o próximo se reflete na própria vida delas, que, nesta forma de agir, anulam os reais objetivos espirituais que lhes surgem, camuflados de meras “obrigações terrenas”.
É também “mudança de referencial” estarmos em nossas atividades cotidianas corriqueiras, porém, mantendo-nos ligados aos “propósitos espirituais” subjacentes, entendendo-os como muito mais importantes do que aqueles que se mostram superficialmente como “propósitos do mundo”.