Estando Jesus sendo apedrejado, fez a seguinte pergunta: “Por qual de minhas obras me apedrejais”: E os judeus responderam: “Não é pelas obras, mas pela blasfêmia, porque, sendo homem, te fazes Deus!” E Jesus, citando o Salmo 82, disse-lhes: “A vossa Lei não diz: ‘sois deuses’?, (e a Escritura não pode ser anulada”(João 10:34).
O sentido de “deuses”, portanto, está nítido e claro pelo emprego do termo por Jesus. Ele sabia que Deus é Tudo, e sabia que em Sua totalidade, era a Vida e a Luz dos homens, como João revela em seu Evangelho.
“Até quando julgareis injustamente e respeitarei a aparência das pessoas dos ímpios?” (Sl. 82: 2). O Salmo explica que quem estuda e conhece a Verdade são deuses, no exato sentido empregado por Jesus, isto é, mesmo aparentando ser “humano”, sabe que é Deus. Sua resposta cobrava dos judeus este respeito, mas eles agiam como ímpios, lançando sobre ele as pedras de sua ignorância.
Jesus não apenas se fazia Deus: sabia que era Deus! E empregou o plural para que os judeus também acordassem para a Verdade que desconheciam, e revelada em sua própria Escritura.
O Salmo 82 explica a obrigação que temos de “não julgar pelas aparências”. “Até quando julgareis injustamente e respeitarei a aparência das pessoas dos ímpios?” (Sl. 82) A palavra “ímpio” quer dizer “incrédulo”, “alguém que não vive segundo a Palavra da Verdade”. O Salmo explica que, caso assim enxergarmos os “ímpios”, estaremos iludidos pelas “aparências”, julgando injustamente.
“Defendei o pobre e o órfão; fazei justiça ao aflito e necessitado. Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios.Eles nada sabem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam. Eu disse: vós sois deuses, e vós outros sois todos filhos do Altíssimo” (Sl. : 3-6).
Ao mesmo tempo que “não julgamos os ímpios pelas aparências”, devemos ter olhos para livrar os “aflitos e necessitados” , tirando-os das aparentes mãos dos ímpios.
Aqueles que já tem o discernimento pela Consciência, e não pela suposta “mente humana”, andam na Luz, e mais ainda, têm o dever de ver “além das aparências”, com visão de compreender os que “nada sabem, nem entendem”! Andam nas “trevas” da visão material, sem noção alguma da Verdade de que “mundo terreno é ilusão”. Por isso é dito que “os fundamentos da terra vacilam”!
A justiça do mundo é vã! Por isso, Jesus disse: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça”, e “todas as demais coisas vos serão acrescentadas”.
O Salmo chama de “deuses” os já despertos, e chama de “filhos do Altíssimo” aqueles ainda identificados com “eu nascido”. Requer que os “despertos” os avaliem pelo “juízo justo”, como “filhos do Altíssimo”, e jamais como “ímpios”, que são meras “aparências fraudulentas”.
Somos uma UNIDADE ESPIRITUAL PERFEITA, e, caso a “dividíssemos” pelo “juízo segundo a carne”, acreditando em “deuses” e também em “ímpios”, estaríamos dando crédito à “mente em ilusão”, e maculando a percepção plena da Verdade.
O Salmo assim se encerra: “Todavia, como homens morrereis, e caireis como qualquer dos príncipes. Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois te pertencem todas as nações”. Deus é chamado para mostrar-se evidenciado, e, com Sua Mente sendo a nossa, a “terra é julgada”, isto é, reinterpretada corretamente, vista e discernida como o Reino perfeito do Absoluto!