Diante dos aparentes problemas, imperfeições e dificuldades reconhecidos pela suposta “mente humana”, é comum surgir a pergunta: “Por que Deus permite que tais coisas aconteçam?” Quando viajamos por estradas asfaltadas, muitas vezes ficamos com a impressão de que a pista, à frente, se encontra molhada. Seria, então, o caso de perguntarmos: “Como a polícia rodoviária permite isto? Deixar a pista molhada em certos pontos, sem qualquer sinalização!? Logicamente, seriam perguntas descabidas, já que a pista estaria seca o tempo todo. Ilusão é exatamente isto: mostrar uma situação inexistente no lugar daquilo que verdadeiramente existe e está presente.
Deus, a Mente perfeita onisciente, não tem consciência de problemas, imperfeições e dificuldades. Melhor dizendo, Deus não possui consciência de inexistências. A mente humana é uma ilusão; aparenta estar presente no ponto exato em que a Consciência divina onipresente está de fato sozinha existindo. Por exemplo, ao escrever este texto, parece estar havendo a atuação de uma mente humana, quando, na verdade, ele é fruto da ação da Consciência divina, ou seja, é uma revelação. O mesmo se dá com cada leitor: aparentemente, ele tem a impressão de estar “assimilando” estas verdades com a mente humana; contudo, o que ocorre é uma identificação (unidade) com o que está sendo lido, o que se dá sem nenhum esforço por parte da suposta mente humana. Eis por que a leitura de temas espirituais dispensa esforços mentais para a sua “compreensão”. Não existe nenhuma mente humana; logo, não pode haver esforço empreendido por algo inexistente. A Consciência Iluminada, onisciente, é nossa atual e única Consciência, e Ela já conhece tudo o que é possível de ser conhecido.
Deus é Consciência. A Consciência está consciente somente daquilo que verdadeiramente É! A Perfeição É! Assim, Deus não permite a presença de tipo algum de imperfeição. Para que a chamada “imperfeição” pudesse existir, Deus, sendo a única Presença, teria de ser imperfeito. Além disso, Deus teria de ser a imperfeição em si, o que seria absurdo ainda maior. Em outras palavras, Deus não possui consciência de tipo algum de mal. A Bíblia revela isto no livro de “Habacuque”.
Sendo Deus a única Consciência, esta Consciência divina necessariamente é a nossa, e não temos realmente consciência alguma da presença de “males” de qualquer espécie. Quando falamos da necessidade de haver um reconhecimento total da existência única de Deus, isto não tem a conotação conhecida na ciência mentalista como “saturação da mente com a Verdade”. Trata-se, de fato, da percepção plena e direta da Presença da Consciência divina Se manifestando como a nossa Consciência individual, o que, por si, revela a inexistência da ilusória mente humana.
A questão “Por que Deus permite isto?” é supostamente formulada pela “mente inexistente”. A percepção da Consciência divina onipresente exclui a falsa possibilidade de haver “outra mente” além ou ao lado de Deus. Por “percepção” entendemos aceitação, reconhecimento e identificação.
Se levarmos em consideração as pessoas do mundo, em geral elas creem que Deus existe. Tanto é assim que, frequentemente, elas repetem a pergunta: “Como pode Deus permitir o sofrimento, as guerras, os problemas, etc.?
Uma coisa é acreditar em Deus; outra, é saber que existe somente Deus. A mente que acredita em Deus é a “mente inexistente”. A Mente que sabe que “existe somente Deus” é a Mente real, divina ou crística. E é a única Mente que existe. Portanto, a Mente que agora somos, é Mente divina. Este foi o conhecimento que permitiu a Paulo deixar-nos sua preciosa revelação: “Temos a Mente de Cristo”.
Muitas religiões tradicionais pregam a necessidade do que elas denominam “exame de consciência”. O enfoque absoluto dispensa por completo esse tipo de prática, já que reconhece unicamente a existência da Consciência iluminada. A suposta mente que para, reflete e se avalia não é mente verdadeira; portanto, durante as contemplações, não devemos nos ocupar com ela. Quem tiver tempo para fazer “exame de consciência”, o que seria analisar o que é “nada”, terá maior proveito utilizando-o para reconhecer a existência única da Mente divina como sendo a “sua” Mente, A Mente divina, perfeita e imaculada, sempre foi, é e será a Mente única em atividade como a Mente de todos.
Não podemos perceber a Realidade Espiritual com um instrumento inexistente, e que, portanto, não é nosso. Tal instrumento irreal é a chamada “mente humana”. Enquanto a julgarmos existente, ela parecerá realmente estar existindo e sendo a nossa mente verdadeira. Entretanto, tão logo a encaremos como inexistente, durante as contemplações e reconhecimento único da Mente divina como sendo a ÚNICA Mente legítima que temos, por AUTORREVELAÇÃO teremos a constatação dessa Verdade.