“Haja paz dentro de teus muros, e prosperidade dentro dos teus palácios”.
Não é necessário haver lares pobres. Todo lar pode ser próspero. Você pode provar isso se mantendo ocupado no rumo certo. Cada artigo visível da riqueza do mundo de hoje pode ser remontado à sua fonte invisível. O alimento provém do grão. O grão é plantado na terra, mas quem vê ou conhece a secreta vivificação que toca a semente e a faz produzir uma centena? Ninguém. Tudo isso se executa na fonte invisível das coisas, mas o resultado de uma força oculta atuando sobre o grão é o alimento para a multidão.
A substância física a que chamamos terra é a forma visível da substância espiritual que se difunde por todas as coisas. Põe-se o grão na terra; o pensamento vivificante que percorre todo o universo espiritual faz o germe da vida iniciar-se e tomar posse da substância física que o nutre.
A palavra é a semente. Semeia-se a palavra na substância espiritual. Ela germina. Cresce. Produz segundo a sua espécie. “Porventura se colhem uvas dos espinhos ou figos dos abrolhos?”.
Você que lavra a terra, ou que a ajardina, escolhe boa semente para o plantio do próximo ano dentre os melhores espécimes da colheita deste ano, refugando toda semente defeituosa que encontre. Se você acha que a sua colheita não lhe dá semente adequada para o plantio vindouro, manda buscar a melhor que se possa adquirir. Desse modo, certifica-se da natureza da sua próxima safra.
Se quiser prosperidade em seu lar, terá de exercer a mesma inteligente discriminação, ao selecionar a semente de sua palavra, que o agricultor usa ao escolher a dele.
Quando você fala repetidamente de “tempos difíceis”, está lançando a semente de “tempos difíceis”. Pela lei infalível de crescimento e colheita, que espécie de colheita irá ceifar? Se um fazendeiro semeia cardos e depois se queixa de que seu campo não produziu trigo, diria você: “Que tolo! Se queria trigo, por que não semeou trigo?”.
Você pode agora começar a trazer prosperidade ao seu lar. A primeira atitude é banir de seu espírito as palavras que tenham em si ideias de pobreza, e selecionar cuidadosamente as que encerram ideias de plenitude. Nunca faça uma afirmação, não importa quão verdadeira possa superficialmente parecer, que não queira seja continuada ou reproduzida em seu lar. Não diga que o dinheiro está escasso; a própria declaração de tal pensamento fará o dinheiro sair voando dos seus dedos. Nunca diga que os tempos estão difíceis para você; estas palavras apertarão os cordões de sua bolsa até que a Onipotência Se tornará impotente para afrouxá-los.
Comece agora mesmo a falar da plenitude, a pensar na plenitude, a dar graças pela plenitude.
A substância espiritual de que provém a riqueza visível nunca se esgota. É sempre reta para com você, e corresponderá à sua confiança nela. Produzirá de acordo com as exigências que você lhe fizer. Nunca é afetada pela sua linguagem impensada sobre tempos difíceis, mas você é afetado porque as suas ideias governam a demonstração. O infalível recurso está sempre pronto para dar. Não tem ele alternativa neste particular: precisa dar, pois essa é sua natureza. Derrame a sua viva palavra de fé na substância espiritual e prosperará ainda que todos os bancos do mundo cerrem as portas. Volte a energia do seu pensamento para as “ideias de plenitude” e terá a plenitude, não importa o que digam as pessoas ao seu redor.
Outra coisa: você deve tomar a sua prosperidade como algo inevitável. Deve ser tão profundamente grato por toda demonstração como o seria por algum tesouro inesperadamente posto sobre o seu colo. Deve esperar a prosperidade porque está guardando a lei e dar graças por toda bênção que alcançar. Isso manterá o seu coração renovado. A ação de graças pela beneficência recebida pode assemelhar-se à chuva que cai sobre a terra pronta, refrescando a vegetação e mantendo a produtividade do solo. Quando Jesus Cristo tinha apenas pouca provisão para alimentar a multidão, deu graças pelo que tinha e aquele pouco se tornou tal abundância que todos ficaram satisfeitos e muito sobrou.
A bênção não perdeu o seu poder desde os tempos em que Cristo a usou. Experimente-a e prove-lhe a eficácia. O mesmo poder de multiplicação nela se contém. O louvor e a ação de graças têm dentro de si o vivificante poder espiritual que produz o crescimento e o aumento.
Nunca condene coisa alguma em seu lar. Se quiser novas peças de mobília ou vestuário para tomarem o lugar daquelas que possam estar a ponto de se desmantelarem, não fale você sobre o que tenha como sendo velho ou gasto. Vigie as suas ideias; veja-se vestido como convém a um filho do Rei e a sua casa mobiliada como agrada aos seus ideais. Use a paciência, sabedoria e assiduidade que o agricultor emprega em seu plantio e cultivo, e a sua colheita será tão certa como a dele.
As verdades aqui proferidas são carregadas de energia pelo espírito vivificante. A sua mente e o seu coração estão agora abertos e receptivos para ideias que o inspirarão com o entendimento da potência dos seus próprios pensamentos e palavras. Você está apto para prosperar. O seu lar tornar-se-á um ímã, atraindo para si todo o bem do infalível inexaurível reservatório do suprimento. A sua multiplicação virá através da sua retidão.
Houve uma ocasião em que me propus a ajudar um amigo que estava morando na casa de sua sogra com a esposa e os filhos, sob uma situação tensa e com conflitos, devido a sérios problemas financeiros.
Em consideração à nossa amizade de longos anos, aluguei um apartamento em meu nome para que tivessem onde morar. Ele concordou em pagar o aluguel do imóvel.
O tempo passou e quando precisei ir ao Fórum da cidade para resolver um problema pessoal, tive a desagradável surpresa de ver meu nome na lista de réus.
Naquele momento, o único pensamento que me veio foi o de que jamais podemos ser condenados por fazer o bem. Mantive-me firme nesse pensamento, confiante na justiça divina. Procurei também pensar em Deus como “…socorro bem presente nas tribulações” (Salmos 46:1). Após me fortalecer nessa base espiritual, decidi averiguar o que estava de fato acontecendo.
Fui até a imobiliária onde havia alugado o imóvel e, para minha surpresa, descobri que meu amigo não pagava o aluguel há dois anos. A dívida, incluindo os juros, já estava em torno de R$40.000,00.
Fui encaminhado para o advogado que estava movendo a ação contra mim. Argumentei que, apesar de o imóvel estar em meu nome, eu nunca havia morado lá. Também esclareci que não havia sido informado da situação, mas que a descobrira por acaso. Mas ele me disse que a única coisa que poderia fazer por mim, do ponto de vista jurídico, era pedir que eu pagasse a dívida, pois como o imóvel estava em meu nome, a responsabilidade jurídica era minha.
A situação era delicada e percebi que não poderia orar sozinho. Liguei para um Praticista da Ciência Cristã, relatei-lhe o ocorrido e lhe pedi que me apoiasse por meio da oração.
O praticista me ajudou a fortalecer o conceito de Deus como Princípio harmonioso, e uma de Suas qualidades como sendo justiça. O praticista me pediu que eu mantivesse a calma e confiasse em Deus, porque Ele estava cuidando de mim e eu logo enxergaria uma solução.
Dias depois, o advogado da imobiliária marcou uma reunião em seu escritório. Ele havia averiguado os fatos e reconheceu que eu nunca havia morado no apartamento. Ele me disse que eu aguardasse um pouco, pois ele procuraria conversar com o dono do imóvel para entrarmos em um acordo que fosse justo e favorecesse a todos.
Continuei orando com o praticista para entender que, na realidade divina, o advogado, o dono do apartamento, a família que lá morava e eu habitamos na Mente divina, e expressamos somente justiça. Compreendi também que nem o dono do imóvel nem eu poderíamos ser prejudicados. Orei muito com esta frase de Mary Baker Eddy: “Que a Verdade ponha a descoberto o erro e o destrua do modo como Deus o destrói, e que a justiça humana imite a justiça divina” (Ciência e Saúde, p. 542). Afirmei mentalmente e com convicção, que a justiça humana sempre imita a divina, e que a Verdade se estabelece, pois é suprema. Reconheci ainda que Deus é meu Advogado, meu Juiz, e é Ele que julga todas as causas com amor e justiça.
Após três mêses, o advogado pediu que eu comparecesse novamente ao seu escritório. Ele me cumprimentou e disse que eu era um homem de sorte, porque a dívida havia sido perdoada. Eu lhe expliquei que eu não me considerava um homem de sorte, porque quem julga ter sorte também está sujeito ao azar, e tudo o que acontece na minha vida é divinamente natural, porque é Deus quem a conduz.
Ele me parabenizou pelo resultado do processo e me pediu que lesse atentamente e assinasse uma procuração, que daria a ele o direito de seguir com os trâmites legais de desocupação do imóvel.
Para mim, essa foi mais uma prova de que o “…Amor divino sempre satisfez e sempre satisfará a toda necessidade humana” (Ciência e Saúde, p. 494). Deus é o verdadeiro provedor de habitação, suprimento, trabalho, justiça, saúde, e de todas as necessidades de Seus filhos.
Quando Jesus disse aos seus discípulos: “…não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber” ou vestir (Mateus 6:25), ele não estava promovendo a frugalidade, nem esperava que outros trabalhassem a fim de que suprissem os discípulos do que necessitavam. Jesus recomendou a seus seguidores que primeiro buscassem “o reino de Deus e a sua justiça” (Mateus 6:33) e, naturalmente, suas necessidades diárias seriam supridas. Ele não explicou de que maneira, mas sabia que elas seriam providas.
Por que Jesus tinha tanta certeza disso? O que “…não vos inquieteis com o dia de amanhã…” (Mateus 6:34) tem a ver com tornar-se um sanador como ele esperava que seus seguidores se tornassem?
Aquilo que Jesus compreendia como sendo as riquezas do reino de Deus é a solução para recebermos o que necessitamos, exatamente quando precisamos. Por exemplo, ele pediu aos discípulos para não levarem sandálias e agasalhos a mais, quando os enviou a curar. Por conseguinte, ele e seus discípulos foram alimentados com o que restou após uma colheita; também encontraram locais para se abrigarem, oferecidos por pessoas que reconheciam a riqueza espiritual que Jesus vivia. O que possuía ele, para que os outros fossem impelidos a dar dessa maneira? Ele tinha o tesouro de todos os tesouros, a verdade que comprovava o direito inato, o valor e a liberdade do homem como filho de Deus.
Quer fosse uma casa onde pudessem preparar a Páscoa ou um peixe com uma moeda na boca, o que Jesus necessitava não saía do seu bolso, mas de sua compreensão sobre sua origem espiritual. Jesus sabia que jamais poderia estar separado de seu Pai, o Princípio divino e fonte de recursos infinitos. Ele declarou repetidas vezes que ele e seu Pai eram um (ver João 10:30) e incentivava a compreensão desta unidade: “…estou no Pai e o Pai em mim…” (João 14:11).
O que Jesus compreendia como sendo as riquezas do reino de Deus é a solução para nós recebermos o que necessitamos, exatamente quando precisamos
Jesus dizia, em essência, que aquilo que seu Pai possuía, ele, igualmente, possuía também. O Pai cria infinitas ideias, que se manifestam para nós como alimento, dinheiro, amizade e oportunidades. Jesus via isso como uma lei espiritual irreversível, que o capacitava a vivenciar o reino de seu Pai-Mãe Deus. Tenho tido muitas provas dessa lei espiritual em ação em minha vida. Há alguns anos, comecei a trabalhar tão logo meu marido voltou à universidade, no mesmo ano em que nossa primeira filha nasceu. Durante minha gravidez, recebia ajuda financeira de um programa de subsídio do governo americano, o qual tinha o objetivo de garantir boa nutrição para mulheres grávidas. Fiquei chocada ao saber que fora qualificada para esse programa, uma vez que nunca havia me ocorrido que eu necessitaria de tal ajuda. Era orgulhosa demais para contar isso à minha família no Japão.
Com o passar do tempo, descobri que o curso do meu marido não terminaria em quatro ou cinco anos, mas que se estenderia por oito, nove ou dez anos, enquanto ele também trabalhava meio período. (A família dele chamava a universidade de “a escola ‘gradual’ do Mark”).
Não havia nenhuma maneira de economizar dinheiro, pois precisávamos usar, a cada mês, cada centavo do que tínhamos
Na época em que tive minha segunda filha, nós já havíamos mudado três vezes do Colorado para o Texas, de lá para a Luisiana e, finalmente, para a Pensilvânia, sempre para onde houvesse um programa de ajuda financeira disponível. Era um grande desafio, tanto emocional quanto financeiramente. De alguma maneira, conseguíamos administrar da melhor forma possível aquilo que, na melhor das hipóteses, poderia ser chamado de orçamento de baixa renda.
Na ocasião em que as crianças entraram para o ensino fundamental, muitos pais já haviam começado a economizar para que os filhos pudessem cursar uma faculdade. Eu nem sequer podia considerar tal coisa. Não havia nenhuma maneira de economizar dinheiro, pois precisávamos, a cada mês, usar cada centavo do que tínhamos. Já havíamos cortado muitas coisas, tais como: TV a cabo, lanchinhos, salgadinhos e refrigerantes. Tínhamos só o essencial. Quando quis dar às minhas filhas a oportunidade de frequentar a Escola Japonesa aos sábados, para ter aulas de música e dança, consegui pagar a mensalidade desses cursos, ajudando a professora ou trabalhando eu mesma como instrutora.
O pai continuava dizendo a elas que poderiam ir para a faculdade assim que conseguissem bolsas de estudo. Ele falava isso um pouco como brincadeira, mas acho que as meninas levaram essas palavras muito a sério.
Às vezes, ficava ressentida e zangada porque não via nenhuma saída dessa dificuldade financeira causada pelo compromisso acadêmico do meu marido. Achava isso muito injusto, ficava mentalmente desesperada e, até mesmo, sentia-me doente fisicamente.
As ideias contidas no livro Ciência e Saúde me ensinaram a ver meu ambiente familiar e minha identidade sob um ponto de vista espiritual e a espiritualizar meus pensamentos sobre tudo em minha vida
Entretanto, nessa ocasião, encontrei a Ciência Cristã. As ideias contidas em Ciência e Saúde me ensinaram a ver meu ambiente familiar e minha identidade sob um ponto de vista espiritual e a espiritualizar meus pensamentos sobre tudo em minha vida. Esse era um exercício completamente diferente, totalmente libertador.
Descobri que a Sra. Eddy havia lutado financeiramente em sua vida conjugal e, especialmente, quando começou a escrever Ciência e Saúde. O que mais me impressionou foram sua convicção e coragem inabaláveis, de compartilhar sua descoberta da Ciência Cristã com o mundo. Ela acreditava que a Ciência do Cristo, sobre a qual se fundamentava a obra de cura de Jesus, estava disponível a todos e era a forma mais consistente e confiável de fazer a humanidade progredir. Por meio de sua oração e dos passos que ela deu em sua missão contínua, adquiriu melhor saúde, um suprimento maior e realizações sem precedentes em uma época em que pouquíssimos direitos eram concedidos às mulheres na sociedade.
Quando resolvi me tornar Praticista da Ciência Cristã em tempo integral, além de minhas obrigações como mãe, eu tinha pelo menos quatro diferentes empregos de meio período. Certa manhã, quando orava com o “Pai Nosso”, esta frase saltou aos meus olhos: “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mateus 6:11). Em outras palavras, peça somente pelo suprimento do dia, não pelo de amanhã, da próxima semana ou para nossa aposentadoria. Vislumbrei que uma implicação mais profunda dessa frase estava fundamentada na compreensão de Jesus sobre a própria realidade na qual vivemos, a de que somos 100 por cento espirituais, com todas as necessidades já supridas.
Quando comecei a compreender mais profundamente minha conexão com Deus como a única fonte da minha felicidade e abundância, passei a ver recursos vindos de formas variadas e tangíveis
Sobre aquela frase do “Pai Nosso”, Eddy nos deu sua interpretação espiritual: “Dá-nos graça para hoje; alimenta as afeições famintas” (Ciência e Saúde, p. 17). Isso me mostrou que o amor é a chave do verdadeiro suprimento. Comecei a ver Deus como Amor e como a ajuda, a inteligência e o provedor verdadeiros. Pude expressar também mais essa qualidade de amor em minha vida. Quando comecei a compreender de maneira mais profunda, minha conexão com Deus como a única fonte da minha felicidade e abundância, recursos vieram de formas variadas e tangíveis. Por exemplo, veio sob a forma de pagamento pela oração e cura para as pessoas que me ligavam pedindo ajuda. Veio na forma de um inesperado contrato de trabalho para meu marido. Veio também sob a forma de moradia.
Para mim, foi um processo gradual e natural com relação a ficar disponível para o trabalho de cura pela Ciência Cristã em tempo integral, comprometida 24 horas por dia, 7 dias por semana, e não dividindo meu tempo com outras ocupações. Surgiu, então, uma oportunidade de trabalho para fazer traduções para a Sociedade Editora da Ciência Cristã. Um a um, fui deixando os vários empregos de meio período que tinha. Valorizei imensamente meu trabalho como Praticista da Ciência Cristã. Era tão especial e gratificante! A transição foi suave e natural, nada drástica, e foi o resultado de uma mudança gradual em meu pensamento.
Com relação à faculdade, nossas duas filhas receberam bolsas de estudo, que cobriram a maior parte dos custos com a educação delas. Além disso, devido à nossa reduzida poupança, fomos qualificados para ajuda financeira. O suprimento que minha família necessitava começou a surgir em grande quantidade, à medida que meu amor pela Ciência Cristã e minha compreensão de Deus se aprofundavam. O que tínhamos, utilizávamos com cuidado, e partilhávamos com aqueles que tinham menos. Fomos abençoados com dois hóspedes de outro país que moraram conosco quando necessitaram de um lar. Quanto mais administrávamos nossas finanças em termos de “sabedoria, economia e amor fraternal” (ver Manual dA Igreja, p. 77), mais confiantes ficávamos para receber o suprimento, diariamente e a cada hora.
A natureza do nosso Pai divino é emitir o bem tão naturalmente como uma fonte de luz emite sua luminosidade
Depois que fiz o Curso Normal para me tornar Professora de Ciência Cristã, não tinha nenhuma ideia a respeito do local onde eu iria ministrar meu primeiro curso sobre a Ciência Cristã, chamado Curso Primário, com 12 dias de duração. Mas eu estava tão disposta a crescer espiritualmente, a fim de servir à Causa da Ciência Cristã, que confiei plenamente na promessa bíblica: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tiago 1:17).
A natureza do nosso Pai divino é emitir o bem tão naturalmente como uma fonte de luz emite sua luminosidade. Volvi-me a esse Pai em oração e me tornei mais consciente de Sua natureza como infinita, todo amorosa e fundamentada em princípios espirituais. No suprimento dessa Fonte infinita não há nenhum excesso ou carência, mas apenas o suprimento satisfatório no devido tempo.
Essas orações foram atendidas. Logo, um apartamento ficou disponível para minha filha e mim, quando precisávamos ir a Tóquio para ajudar meus pais. Finalmente, foi-me concedido aquele espaço para que eu pudesse lecionar o Curso Primário. Sempre como um resultado da minha disposição de servir, era-me concedido aquilo de que necessitava.
Não estava mais ressentida com a “universidade gradual”, nosso estilo de vida migratório ou pelo fato de não possuir uma casa própria. O lar, para mim, é aquilo que estou fazendo, não um lugar ou uma estrutura. Quando passei a verdadeiramente valorizar essa ideia, tudo quanto necessito tem se tornado visível de maneiras que têm abençoado nossa família e nossos vizinhos, uma comunidade muito maior do que jamais imaginara!
Sou abençoada à medida que dedico minha vida a ajudar outros mediante a oração e a amar a Deus de todo o meu coração e de toda a minha alma. Quão verdadeiras são estas palavras do Apóstolo Paulo: “Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra” (2 Coríntios 9:8).
Poderíamos dizer que Jesus prefigurou e suplantou em desempenho as maravilhas tecnológicas de hoje.
Mesmo com a impressionante modernidade do século XXI, as capacidades tecnológicas não podem competir com o registro que Jesus deixou de acessos instantâneos ao conhecimento necessário, da interatividade a distância, e de uma incessante e criativa fonte de resoluções de problemas. Respectivamente, por exemplo, discerniu a história pessoal de uma mulher que ele acabara de conhecer em uma fonte de água em Samaria, curou o filho de um homem sem estar frente a frente com o menino e alimentou milhares de pessoas com apenas um punhado de pães e peixes.
Qual era seu segredo? Jesus expressava o Cristo, a conexão constante e consciente que todos temos com a Mente divina, Deus. Como o Mestre disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). Qual é a natureza de tal conectividade crística? Ela tem de estar em toda parte ao mesmo tempo, prover todo o conhecimento necessário e estar instantaneamente acessível 24 horas por dia, todos os dias.
Algumas pessoas talvez digam que isso soa como a Internet! Exceto que a Mente divina é o Espírito infinito, todo o bem, enquanto que a Rede Mundial (Web: World Wide Web ou Internet), convenientemente assim chamada, inclui atrações materiais que podem enredar as pessoas. Entretanto, a conectividade tecnológica e a Mente não são mutuamente exclusivas, uma não precisa excluir a outra. A tecnologia é uma ferramenta que é útil, mas, algumas vezes, pode nos desencaminhar ou confundir. Encontrar o equilíbrio entre ficar o tempo todo conectado na tecnologia e saber quando dar um tempo dela é imperativo no mundo moderno. Como todas as coisas temporais, porém, nossa interação com os recursos tecnológicos pode ser guiada por Deus, ao invés de ser apenas uma simples expressão de preferência humana. Pode ser divinamente dosada (se estivermos imersos nela em demasia) e divinamente orientada (se estivermos hesitantes em usá-la).
Ao invés de se isolar em Atenas, o Apóstolo Paulo foi a público pregar o cristianismo
Como podemos alcançar o equilíbrio? A seguir, algumas ideias que ajudaram a ponderar minha interação com a conectividade ininterrupta dos dias de hoje:
Se, pelo uso da Internet não sobrar tempo para uma comunhão tranquila, ela está exigindo demais.
Um tempo a sós com Deus é precioso para nós como o era para Jesus. Apesar das inúmeras demandas sobre seu tempo, ele buscava isolar-se e subir a algum monte para sentir sua união com o Pai. Preservar um espaço tranquilo e tempo apropriados para a comunhão espiritual é parte vital no discipulado cristão, que não pode ser sacrificada pelo corre-corre das obrigações e oportunidades diárias, quer se esteja on-line ou off-line. Se nosso tempo conectado está excluindo nosso momento de nutrir a consciência com nossa união com Deus, provavelmente deveríamos reavaliar nossas prioridades. A competência para desempenhar muitas tarefas é uma grande habilidade, mas Deus exige um tempo diário da nossa atenção, sem distrações. Isso é para o nosso próprio bem, não para o dEle!
A oração leva à ação, e os campos de ação atuais incluem o ciberespaço
Seria possível que se manter em quietude por muito tempo possa excluir ações apropriadas que deveríamos tomar, incluindo interações on-line? Certamente que é importante ficar atento às confirmações e orientações de Deus, a fim de alcançarmos os mesmos resultados de Jesus, mas ele descia dos montes a fim de ficar disponível para a multidão que necessitava de cura.
O Apóstolo Paulo seguiu o precedente de Jesus. Em vez de se isolar em Atenas, enquanto esperava pela chegada de dois companheiros, ele foi a público pregar o cristianismo. Apresentava corajosamente seu testemunho nas sinagogas, expunha suas ideias nos mercados movimentados, compartilhava seus pensamentos com filósofos e respondia às perguntas minuciosas do Conselho no Areópago (ver Atos 17).
Podemos ficar atentos para saber se esse compartilhar deve incluir o uso de meios tecnológicos, além de interações face a face
Quem era o público de Paulo? A Bíblia o descreve como “atenienses e estrangeiros”, que eram pessoas que “…não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades” (Atos 17:21), e com quem Paulo interagia. Isso soa como muitos dos blogueiros de hoje, Twitteiros e espectadores do Youtube, e representa muito o diálogo entre os mais de 500 milhões de usuários do Facebook. Mas, se Paulo ainda estivesse presente hoje, seria difícil imaginá-lo não conectado a essa conversa global, explorando meios sociais de comunicação em busca do seu potencial, como uma ferramenta para aqueles “prontos a compartilhar, desejosos de comunicar” (ver 1 Timóteo 6:18, conforme a Bíblia King James).
As boas notícias sobre o cristianismo científico precisam ser encontradas on-line também.
Poderíamos argumentar que o empenho inabalável de Paulo o tornava um tipo único. No entanto, todos têm um propósito espiritual, uma razão sagrada para existir. Jesus deixou claro este propósito: Amar a Deus com todo o coração, alma, mente e força, e amar o próximo como a si mesmo (ver Marcos 12:30-31). Para aqueles que vivenciaram o potencial de cura da Ciência Cristã, é parte natural desse amor fraternal compartilhar com os outros as boas notícias que os abençoaram. À medida que nos esforçarmos para honrar o chamado de Jesus “de graça dai” do que recebeste gratuitamente (ver Mateus 10:8), podemos ouvir se esse compartilhar deve incluir a utilização de meios tecnológicos, além de interações face a face.
Em particular, aqueles que valorizam a Ciência Cristã devem saber que existem outros que se sentem impelidos a desacreditar do cristianismo em geral, e/ou a Ciência Cristã especificamente, e que usam frequentemente a tecnologia para promover ainda mais seus objetivos. Por que não deveria essa mesma tecnologia ampliar também “…tão grande nuvem de testemunhas…” (Hebreus 12:1) que existe para falar com eficácia da oração cientificamente cristã que cura?
Estou “conectado” pelas razões corretas?
Se nossas orações nos levam a desempenhar um papel na tecnologia de hoje, possibilitando uma conversação global, é útil considerar a razão pela qual Paulo se envolveu em um diálogo com o público de sua época. Ele não estava ali para autopromoção ou autorrealização, mas porque “…o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade” (Atos 17:16). Ele se torturava ao ver as pessoas mal orientadas sobre a natureza de Deus e cegas ao amor que Ele tem por elas. Paulo queria muito que elas enxergassem o valor de se concentrar em “coisas novas”, e isso incluía uma compreensão do cristianismo primitivo que torna possível que o “Deus desconhecido”, seja conhecido.
Por que a tecnologia não pode ser uma das formas de atender a essa demanda?
Por que não poderia o interesse entre os “atenienses e estrangeiros” antenados de hoje incluir igualmente a notícia da restauração do cristianismo primitivo, explanada em Ciência e Saúde, com sua praticidade comprovada por seus leitores? O livro inclui a avaliação de Mary Baker Eddy, de que “Milhões de mentalidades sem preconceitos — que com simplicidade procuram a Verdade, viandantes fatigados, sedentos no deserto — aguardam, atentos, o repouso e o refrigério. Dá-lhes um copo de água fresca em nome de Cristo, e nunca receies as conseqüências” (p. 570). Por que a tecnologia não pode ser uma das formas de atender a essa demanda?
A natureza mista do discurso da Internet não tem de nos tirar do rumo.
Uma razão pela qual a tecnologia talvez seja considerada inadequada para um propósito sagrado é a natureza, às vezes descortês, de seu discurso, especialmente no que diz respeito à religião. No entanto, algumas tiradas não deveriam necessariamente nos surpreender. Na verdade, Mary Baker Eddy descreveu a recepção da Verdade desta maneira: “Que importa se o velho dragão lançar um novo dilúvio para afogar a idéia-Cristo?” (Ciência e Saúde, p. 570). Entretanto, ela também falou sobre essa versão enfática daquilo que a Bíblia chama de mente carnal, o ódio materialista da Verdade, que “…não poderá abafar tua voz com o seu rugido, nem afundar novamente o mundo nas águas profundas do caos e da antiga noite” (Ibidem, p. 570).
Toda verdadeira comunicação independe da matéria
Uma forma de o “dragão” tentar abafar a voz instruída para enfatizar a verdade é intimidando-a ao silêncio. Isso é verdade tanto em espaços comunitários, perto de nossas casas, como também na comunidade eletrônica conectada em todos os cantos do globo. Não é confortável ser submetido a alguns diálogos digitais muito rudes que podem ocorrer, mas provavelmente também não deve ter sido para Paulo no Areópago. Isso não deteve seu amor, nem pode deter o amor que manifesta a voz da Verdade hoje.
Tenho um papel a desempenhar?
Este trecho de Ciência e Saúde declara: “A intercomunicação se faz sempre de Deus para Sua ideia, o homem” (p. 284). Toda verdadeira comunicação então independe da matéria, e é a Mente divina manifestando com exatidão o que precisamos saber, diretamente a cada um de nós. Cada pensador espiritual pode, em humilde oração, dar testemunho dessa realidade eterna e universal, como sendo aplicável onde as comunicações parecem vir por meio de uma infraestrutura digital complexa e desenvolvida.
Como Jesus e o Apóstolo Paulo, nossa união consciente com o Amor é a melhor coisa que temos a oferecer. Isso é verdadeiro, quer transmitamos o amor crístico, pessoalmente ou pela Internet, via celular, ou pelo Skype, quer fazendo amizade com um vizinho em nossa rua ou fazendo um amigo no Facebook, sussurrando uma verdade espiritual ao ouvido de alguém ou enviando-a por e-mail, abraçando um amigo ou enviando-lhe uma mensagem de texto. Mediante nossa união com a Mente, que tudo sabe, temos a intuição espiritual para discernir se o tempo que usamos a Internet é suficiente ou não. Pela nossa obediência à orientação que o Amor nos indica em cada situação, a cura acontecerá.
SOFRE-SE PORQUE SE ACREDITA NA REALIDADE DA MATÉRIA
Dárcio
As explanações repetitivas, de que “DEUS É TUDO”, são mais no sentido de que a CRENÇA NA MATÉRIA seja abolida de vez! Deus é ESPÍRITO; portanto, a Realidade é perfeição ESPIRITUAL infinita do Espírito divino. Ouvi uma pessoa dizendo: “Bom é que um dia veremos a Deus face a face!” Eu disse a ela: “Jamais isso se dará!” Somente DEUS vê DEUS, que é TUDO! Somente quando você deixar de se identificar como ser humano ou material, que acredita que “um dia verá a Deus”, poderá se descobrir sendo Deus e, consequentemente, “vendo Deus”.
Renascer espiritualmente é “ser Deus”, é ver UNICAMENTE Deus em Si mesmo, consciente de que inexiste “outra presença” para estar ao lado de Deus e ser capaz de vê-Lo! Este suposto “outro” não existe! De fato, Deus é TUDO! Acreditar em “outra presença”, que “um dia” verá a Onipresença, é uma ideia completamente falsa e absurda! Como poderia haver “outra presença” observando a ONIPRESENÇA? Discernir que esta crença é absurda, e que é total impossibilidade, “abre-nos” à percepção da Verdade: Deus é TUDO, e, nessa totalidade, incluem-se todos os seres vivos.
A Revelação da Seicho-no-Ie, sobre a qual escrevi e postei aqui, e com este título, uma longa série, que foi depois republicada no Blog do Facho de Luz, entre outros pontos, enfatiza 0 seguinte: “Sofre-se porque se acredita que a matéria é real e sólida!” Também a Ciência Cristã deixa bem claro que, enquanto a matéria for acreditada como presente e dotada de realidade, não teremos princípio algum a nos apoiar no reconhecimento e entendimento de que DEUS É TUDO! Portanto, as “contemplações da Verdade” devem sempre ser vistas como “momentos escolhidos” para realmente reconhecermos que DEUS, ESPÍRITO, É TUDO, enquanto a chamada “MATÉRIA” é NADA! Você diz que busca e estuda a Verdade? Então não se desvie jamais destes pontos essenciais! Não deixe jamais “a casa dividida”. Parta sempre da totalidade de Deus, e, de olhos ao mundo, encare-o bem de frente, dizendo a si mesmo: “Eu venci o mundo! Este suposto mundo material é nada!”
Na opinião da maioria, meu nariz era igual ao de minha tia-avó Dorothy. Esse foi o consenso geral de uma daquelas conversas sem muita coerência durante reuniões de família, quando eu era ainda criança. Não que esse fosse um tópico importante para se tratar à mesa, devo admitir. Entretanto, parecia haver um interesse coletivo na razão pela qual esse meu traço fisionômico arrebitado, em particular, fosse tão diferente do perfil de meus pais. Portanto, de forma imprecisa, e em meio a fugazes lembranças e uma ou duas fotos antigas, minha individualidade foi explicada como hereditária.
O nariz de minha tia, as mãos iguais às do meu avô, as sardas de alguém que havia vindo de navio da Inglaterra séculos atrás. Eu parecia um prato onde juntaram todas as várias sobras depois de um piquenique em família.
Essa não é uma perspectiva muito gratificante, mas é muito frequente.
A ascendência tem sido há muito tempo uma maneira de identificar os traços dos indivíduos, das famílias, das tribos e das nações. Ao longo do tempo, a teoria por trás dela tem se expandido, retraído, sido revisada e reelaborada, a fim de acompanhar a maneira como pensamos sobre nós mesmos. Extensos pergaminhos de linhagem real, escritos à mão, deram lugar a sequências de códigos bioquímicos gerados por computador. Os registros de escribas sacerdotais foram transferidos a geneticistas com seus jalecos de laboratório.
No entanto, as premissas subjacentes à hereditariedade vieram para ficar e estamos presos a uma extensa linhagem de progenitores humanos, cada um passando adiante não apenas suas habilidades, mas também suas deficiências. Virtualmente, todas as disfunções, atrasos no desenvolvimento e doenças são hoje definidos em termos de um elo genético. Consequentemente, enquanto a origem de nossa identidade for buscada na matéria física, a panaceia permanece elusiva. Talvez toda a premissa de sofrimento humano deva ser reexaminada.
“A base das discórdias dos mortais é um conceito errado acerca da origem do homem”, escreveu Mary Baker Eddy, que foi a pioneira do sistema espiritual de cura na Ciência Cristã. “Começar certo é acabar certo” (Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 262).
Temos uma escolha a fazer. Começar pela matéria ou começar pelo Espírito. É como ficar entre dois trilhos de trem. Uma linha que chega e a outra que parte. A divergência não poderia ser mais extrema.
O homem não é uma constituição física limitada com uma vida útil limitada, mas é uma ideia eterna
Tomemos as palavras genética e gênesis. Ambas provêm da mesma raiz grega para “origem” ou “começo”. Entretanto, enquanto a genética se aprofunda na matéria em busca de uma sinopse física da nossa identidade, o gênesis nos conduz à Bíblia e suas palavras de abertura, elevando o pensamento para cima e para fora da matéria: “No princípio, criou Deus [Espírito] os céus e a terra” (Gênesis 1:1).
Será que estamos de volta à discussão infindável sobre evolução versus criacionismo?
Não. Nós não estamos diferenciando duas teorias sobre a origem de um universo material. O primeiro capítulo do Gênesis é uma bela e poética expressão da grandeza e inteligência de uma criação consistente com a natureza de Deus. Revela uma progressão do simples ao complexo, dentro do contexto do Espírito. É inteiramente boa e o homem (tanto macho quanto fêmea) é a imagem e semelhança de Deus. Portanto, como o semelhante produz o semelhante, o Espírito produz o homem espiritual. O homem não é uma constituição física limitada, com uma vida útil limitada, mas é uma ideia eterna, a expressão perpétua da sabedoria e amor infinitos de Deus.
Ao identificarmos a nós mesmos como o efeito espiritual de uma causa espiritual, podemos encontrar cura e restauração das condições e circunstâncias materiais, mesmo nas mais inflexíveis. Há uma bela ilustração disso no Evangelho de João, quando Jesus e seus discípulos se defrontam nas ruas de Jerusalém com um homem cego de nascença. Segundo a teoria amplamente aceita da época, somente uma ofensa contra Deus poderia causar defeitos congênitos.
A cegueira do homem era inconsistente com a natureza de Deus que tudo sabe e tudo vê
Em seguida, seus seguidores perguntaram: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego”? (João 9:2). De fato, eles estavam perguntando: “Qual a origem da deficiência desse homem”?
Jesus não lhes deu a resposta que esperavam, mas disse: “Nem ele pecou, nem seus pais” (João 9:3). A situação não era sobre a culpa (nem sobre os subsequentes sentimentos de culpa que podiam ter oprimido aquela família). Era simplesmente uma oportunidade, disse Jesus, para que fosse constatado o poder sanador de Deus.
De uma perspectiva espiritual, a cegueira do homem era inconsistente com a natureza de Deus, que tudo sabe e tudo vê. O homem, como a imagem e semelhança divinas, reflete a natureza de Deus. O que definia o homem, a matéria ou o Espírito? Para demonstrar qual origem deveria ser reverenciada, Jesus cuspiu na terra, passou a mistura barrenta nos olhos do homem e lhe pediu que os lavasse bem. Quando o homem obedeceu, descobriu que podia ver.
Não demorou para que esse homem compreendesse que a autoridade de Deus estava em ação no ministério de Jesus. Quando o homem confessou isso publicamente, foi ridicularizado e rejeitado pelas autoridades do Templo. Uma maravilhosa cura havia ocorrido: “Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença” (João 9:32). Entretanto, o sistema em vigor da época desconsiderou a explicação espiritual da cura do homem e repudiou o que Jesus oferecia à humanidade.
Nada da bondade e do poder de Deus se perdeu nas gerações seguintes desde Jesus
A cegueira pode assumir muitas formas. Ela pode rejeitar a evidência que não está de acordo com suas próprias teorias. A ascendência é uma área de especulação que revela nossos mais acalentados preconceitos. A própria linhagem de Jesus era controversa no meio dos judeus, que estavam esperando pelo Messias prometido. Seria ele um nazareno? O filho de um carpinteiro? Poderia ele realmente reivindicar que era da semente de Davi e assim cumprir a profecia?
O próprio Jesus instou uma redefinição radical de linhagem, quando recomendou: “A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus” (Mateus 23:9). Reconhecer Deus como o único Pai-Mãe verdadeiro, recoloca a herança junto às linhagens espirituais, e descobrimos que todos nós somos “co-herdeiros com Cristo” (ver Romanos 8:17), com todas as bênçãos e glórias que esse fato traz.
Nada da bondade e do poder de Deus se perdeu nas gerações seguintes, desde que Jesus caminhou pelas empoeiradas ruas de Jerusalém. Purificar a nós mesmos de um senso material acerca da nossa própria história, como fez o homem cego, traz cura para as condições hereditárias de hoje também.
Comecei a compreender o que significava reivindicar a Deus como meu Pai-Mãe
Em minha própria vida, não foram apenas as características físicas que foram levadas em conta entre as coisas que eu havia herdado. Como muitos parentes antes de mim, comecei a sofrer desde a adolescência de sintomas do que hoje é conhecido como distúrbio bipolar. Essa debilidade trouxe um grande problema para toda minha família. O alcoolismo e o suicídio faziam parte de seu trágico legado. Não havia cura pela medicina para esse mal. Disseram-me que ele fazia parte de quem eu era, algo com o qual teria de conviver e que podia, até certo grau, ser abrandado por meio de terapias diversas.
Ao saber disso, minha mãe sugeriu que eu pesquisasse a cura pela Ciência Cristã. Na ocasião, eu não via como a oração poderia mudar a identidade de alguém. Mas eu gostava muito das histórias de redenção e restauração na Bíblia e do modo como a Ciência Cristã as explicava, explicação essa fundamentada na lei divina, desconsiderando o que as pessoas simplesmente supunham que fosse lei. Com Deus, todas as coisas são possíveis.
No terceiro ano da faculdade, enquanto pesquisava essas ideias metafísicas em maior profundidade, comecei a compreender o que significava reivindicar a Deus como meu Pai-Mãe, minha origem, meu princípio, meu gênesis. Toda a plenitude, equilíbrio, inteireza, beleza, paz e a alegria inabalável que pertencem a Deus, pertenciam a mim como Sua filha. O semelhante produz o semelhante. Essa era a minha verdadeira herança e foi uma conclusão tão natural que eu realmente não notei a mudança que estava ocorrendo em mim. Entretanto, sentia esse profundo amor por Deus como meu verdadeiro Pai-Mãe, gentilmente me reorientando de muitas maneiras construtivas.
Na Ciência Cristã, o DNA perde seu terror como o árbitro de nossas capacidades e incapacidades
Quinze anos mais tarde, eu estava conversando com uma vizinha, cuja filha adotiva, uma de nossas babás favoritas, acabara justamente de receber o diagnóstico de distúrbio bipolar. Os sintomas que ela descreveu pareciam completamente estranhos para mim, e eu simplesmente acenei a cabeça com compaixão. Foi somente quando entrei em casa que me lembrei de repente que eu certa vez fora identificada com esse problema. Fiquei perplexa ao perceber que eu não havia pensado nisso nenhuma vez, desde a faculdade. O distúrbio tinha simplesmente desaparecido e nunca mais retornara. Alguém que tivesse me conhecido nos anos seguintes acharia absurdo que eu pudesse alguma vez ter sofrido disso. Rapidamente compartilhei tudo isso com minha vizinha que, pela primeira vez, sentiu-se encorajada pela possibilidade de libertação para sua filha também.
“Na Ciência o homem é o descendente do Espírito”, explica Ciência e Saúde. “O belo, o bom e o puro constituem sua ascendência” (p. 63). Que antídoto para uma sentença de condenação perpétua devido a um distúrbio genético! Na Ciência Cristã, o DNA perde seu terror como um árbitro de nossas capacidades e incapacidades. Por meio do raciocínio espiritual, podemos redefinir essa sigla em inglês como “Does Not Apply” (cuja tradução é “Não se aplica”) e em português talvez pudéssemos redefini-la como Deus Não Admite. Os filhos do Espírito não têm nenhum código material para limitá-los.
Será que isso significa que nós descartamos tudo o que recebemos dos nossos pais humanos? Se fizéssemos isso, correríamos o risco de violar o Quinto Mandamento: “Honra teu pai e tua mãe” (Êxodo 20:12). Ao contrário, o reconhecimento da herança espiritual de cada um de nós, incluindo nossos pais, concede-nos o maior tributo de todos. Ao levar avante o exemplo deles, ou seja, nada a não ser o melhor que sabemos deles, “o belo, o bom e o puro”, asseguramos um legado de honra duradoura, de geração a geração. Aquilo que não pertence primeiro a Deus, não pertence a eles também. Tem de ser deixado para trás sem nenhum nome e sem ninguém para reivindicá-lo agora … ou em alguma data futura.
Recebemos nossa herança diretamente de Deus
Aquelas árvores genealógicas, que traçam uma repetição interminável da vida humana e da morte, são substituídas pela árvore espiritual da única Vida. As folhas dessa árvore, explica o livro do Apocalipse: “são para a cura dos povos” (ver Apocalipse 22:2).
Tantos dos conflitos do mundo têm suas raízes em feudos tribais, ou seja, disputas entre famílias, e continuam ao longo dos séculos. Com um único Deus, uma única Origem ou Pai-Mãe, essas antigas disputas entre nós desaparecem. Recebemos nossa herança diretamente de Deus. Ela não fica diluída, deslocada nem desonrada, ao longo do caminho. Está intacta e não diminuída. Todos recebem a porção completa do Amor infinito, inexaurível.
A igreja cristã primitiva se deleitava com um senso de família não mais fundamentado no parentesco humano, na cidadania ou cultura. Os participantes se davam conta de que reivindicavam uma herança espiritual que os libertava de um extenso espectro de deficiências físicas, injustiças sociais e fraquezas morais. O Apóstolo Paulo escreveu exuberantemente: “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus. … Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gálatas 3:26–29).
Essa é a herança que não pode ser definida pelas gerações ou confinada pela genética. Ela oferece abundância espiritual ilimitada que libera todo o nosso potencial. Portanto, o que minha tia-avó Dorothy e eu realmente temos em comum é o mesmo Pai-Mãe, o Amor divino, e um legado em comum de Vida espiritual que individualiza para sempre cada um de nós como a expressão única do único Deus infinito!
DEUS É TUDO, MESMO QUE PAREÇA HAVER ALGUÉM PARA CONSCIENTIZAR ESTA VERDADE.
Dárcio
DEUS É TUDO! Sempre foi, é e será TUDO! Portanto, em vez de você acreditar “ter que conscientizar esta Verdade”, acredite que “não há quem possa fazer isto”. Não existe ninguém, senão DEUS existindo, e sendo! Enquanto você acreditar “ter de conscientizar esta Verdade”, estará, de fato, conscientizando a ILUSÃO! Estará se vendo como “mente humana em elevação”, em vez de perceber, e diretamente, que Deus é a sua Mente!
Mesmo que alguém aparente estar em ilusão, Deus é TUDO concernente a este “alguém”. É por isso que o Salmo 46:1 diz: “Aquieta-te, e sabe: Eu sou Deus”. Este “aquietar” é meramente “desaparecer”: é se ver num estado livre e verdadeiro que já É! Em outras palavras, você “conscientiza” a totalidade de Deus quando parte da inexistência de “alguém” que possa fazê-lo. DEUS É TUDO!
São Paulo refere-se ao novo nascimento como: “a espera da adoção, a redenção do nosso corpo”. O grande Profeta Nazareno disse: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”. (Mat. 5:8) nada que não seja a espiritualização—sim, a cristianização mais elevada—de pensamento e desejo, pode dar a verdadeira percepção de Deus e da Ciência divina, que resulta em saúde, felicidade e santidade.
O novo nascimento não é obra de um momento. Começa com momentos e prossegue por anos; momentos de submissão a Deus, de confiança como a de uma criança e de prazerosa adoção do bem; momentos de auto-abnegação, auto-consagração, esperança celestial e amor espiritual.
O tempo pode dar início ao novo nascimento, mas não pode completá-lo; isto é obra da eternidade, pois o progresso é a lei da infinidade. Só por meio de dolorosa agonia da mente mortal pode a alma, como sentido, ser acalmada, e o homem despertar à Sua semelhança. Que pensamento iluminado de fé! Que os mortais podem despojar-se do “velho homem”, até descobrir-se o homem como imagem do bem infinito que denominamos Deus, e apareça a plenitude da estrutura do homem em Cristo.
No homem mortal e material, a bondade parece estar só no embrião. Através do sofrimento, por causa do pecado e do gradual desaparecimento do sentido mortal e material do homem, o pensamento desenvolve-se em um cristianismo nascente, e, alimentando-se inicialmente com o leite da Palavra, ingere as doces revelações de uma nova Vida e um novo Amor mais espirituais. Estes alimentam a ávida esperança, satisfazem em grau elevado a ânsia por imortalidade e de tal forma consolam, alegram e abençoam o homem, que exclama: Nesta minha infância, isto é uma parcela suficiente do céu que desce à terra. Porém, a medida que alcancemos a maioridade no cristianismo, descobrimos quanto falta e que ainda é necessário para tornar-nos totalmente semelhantes a Cristo, que dizemos: O Princípio do Cristianismo é infinito; ele realmente é Deus; e este Princípio infinito requer infinitas exigências do homem, exigências que são divinas, não humanas; e a habilidade do homem para satisfazê-las provém de Deus, pois, sendo sua imagem e semelhança, o homem deve refletir o pleno domínio do Espírito—e com isto a sua supremacia sobre o pecado, a doença e a morte.
Isto significa, pois, o despertar do sonho da existência da vida na matéria, a grande realidade de que DEUS É A ÚNICA VIDA; em conseqüência do que, devemos admitir um conceito mais elevado tanto de Deus como do homem. Devemos reconhecer que Deus é infinitamente mais do que uma pessoa, ou uma forma finita, possa conter; que Deus é uma divina Totalidade, é tudo, uma oni-impregnada inteligência e Amor, um divino, infinito Princípio; e que o cristianismo é uma Ciencia divina. Esta recém-despertada consciência é totalmente espiritual; emana da Alma e não do corpo, e é o novo nascimento que começa na Ciência Cristã.
Agora, querido leitor, pausemos juntos por um instante para contemplarmos seriamente esta recém-nascida alteza espiritual, pois, esta afirmação requer demonstração.
Aqui estas frente a frente com as leis do Espírito, infinito, contemplando pela primeira vez o irreversível conflito entre a carne e o Espírito. Te encontras ante as horríveis detonações do monte Sinai. Ouves e registras os estrondos da lei espiritual da Vida que se opõe a lei material da morte; a lei espiritual do Amor, que se opõe ao sentido material do amor; a lei da harmonia e do bem onipotentes, oposta a qualquer suposta lei de pecado, doença ou morte. E, antes que se tenham extinguidas as chamas neste monte da revelação, te descalças, tal como o patriarca de antanho, — pões de lado os teus impedimentos materiais, opiniões e doutrinas humanas, renuncias à tua religião mais material, com os seus rituais e suas cerimonias, livras-te da tua “matéria médica” e higiene, por serem piores do que inúteis—para sentar-te aos pés de Jesus. Nesse caso, te inclinas humildemente ante o Cristo, a idéia espiritual que o nosso grande Mestre nos trouxe do poder de Deus para curar e salvar. Então acontece que contemplas pela primeira vez o Principio divino que redime o homem da maldição do materialismo, — pecado, doença e morte. Este nascimento espiritual revela à compreensão extasiada uma concepção mais elevada e mais sagrada da supremacia do Espírito, e do homem como Sua semelhança, por meio da qual o homem reflete o poder divino para curar os enfermos.
Um nascimento material ou humano é a aparição de um mortal, não da de um homem imortal. Este nascimento é mais ou menos prolongado e doloroso, de acordo com as circunstancias oportunas ou inoportunas, segundo às condições normais ou anormais que o acompanham.
Com o nascimento espiritual, a existência primitiva, impecável e espiritual do homem desponta no pensamento humano, — através da agonia da mente mortal, de uma esperança frustrada, do perecível prazer e das se acumulando dores dos sentidos, — mediante o qual se perde o conceito de si mesmo como matéria, e se adquire um sentido mais verdadeiro do Espírito e do homem espiritual.
A purificação ou a repetido batismo pelo Espírito, desenvolve, passo a passo, a semelhança original do homem perfeito, e apaga o signo da besta. “O Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo filho a quem recebe” (Hebreus 12:6); portanto, regozije-se na tribulação e acolha com alegria estes sinais espirituais do novo nascimento sob a lei e o evangelho do Cristo, a Verdade.
As proeminentes leis que ativam o nascimento na divina ordem da Ciência, são estas: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3); e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mat. 19:19).
Traduzidos para a nova língua, ao seu sentido espiritual, estes mandamentos de infinita sabedoria significam: Amarás unicamente e Espírito, em toda a sua qualidade deifica, ainda que em substancia, e não o seu oposto; te reconhecerás unicamente como filho espiritual de Deus, e reconhecerás o verdadeiro homem e a verdadeira mulher, os todo harmoniosos “macho e fêmea”, como de origem espiritual, o reflexo de Deus, — portanto, como filhos de um mesmo Pai, — no qual e pelo qual Pai, Mãe e filho são o Princípio divino e idéia divina, sim, o divino “Nós”—um no bem e o bem em Um.
Com este reconhecimento, o homem jamais poderá separa-se do bem, Deus; e abrigará, necessariamente, um amor constante para com o seu próximo. Só quando admitimos o mal como sendo uma realidade, entrando consequentemente num estado de maus pensamentos, acreditamos poder separar o bem-estar de um homem daquele de toda a família humana e, desta forma, tentar separar a Vida de Deus. Este é o equívoco que nos causa muito arrependimento e que deve ser superado. Não saber o que nos está abençoando, mas acreditar que algo que Deus envia é injusto—ou que Ele ordena aos Seus emissários a causar-nos injustiça—está errado e é cruel. A inveja, os maus pensamentos, maledicência, a avareza, a luxúria, o ódio e a malícia sempre fazem mal, quebrarão a regra da Ciência Crista e impedirão a sua demonstração; mas a vara de Deus e a obediência exigida de Seus servidores, para levar a cabo o que Ele os ensina, jamais são inclementes, jamais imprudentes.
A tarefa de curar os doentes, é muito mais fácil do que ensinar o Princípio divino e as regras da Ciência Crista de tal forma que elevem os afetos e os motivos dos homens, para que aceitem estas regras e este Princípio e os demonstrem na vida diária. Aquele que escolheu o nome de Cristo, que virtualmente aceitou as exigências divinas da Verdade e do amor na Ciência divina, diariamente se afasta do mal; e todos os esforços iníquos de supostos demônios, jamais podem mudar o curso daquela vida que flui invariavelmente a Deus, sua fonte divina.
Porém, o mais espantoso pecado que os mortais podem cometer é usar o libre do céu para come ele cobrir a iniquidade. Eu teria mais confiança em um médico honesto que, com o seu tratamento atua de acordo com as suas declarações e seus conhecimentos, segundo o seu mais alto critério, para curar-me, do que poderia ou quereria Ter em um hipócrita lisonjeiro ou um mal-praticista mental.
Entre as forças mentais centrípetas e centrífugas de gravitações materiais e espirituais, nós entramos no ou saímos do materialismo, ou seja, do pecado, e escolhemos assim o nosso rumo e seus objetivos. Qual, então, será a nossa escolha: o pecaminoso, material e perecível, ou o espiritual, proporcionador de alegria e eterno?
O sentido espiritual da Vida e seus nobres propósitos são em si mesmo um benção que proporciona saúde e inspira regozijo. Este sentido da Vida ilumina a nossa senda com o esplendor do Amor divino; cura o homem espontaneamente, moralmente e fisicamente—exalando o aroma das palavras de Jesus: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11:28).
O “coração de menino”, exemplificado por Jesus, ao revelar de que modo poderemos discernir a Verdade, – o Reino do Absoluto e nossa própria Identidade eterna – é o estado de receptividade e, ao mesmo tempo, de iluminação que apresentamos quando meditamos. Aparentemente deixamos um mundo problemático e material para “retornar ao Reino de Deus”. Porém, uma vez conhecido que a chamada “existência humana” é puramente hipnótica, de imediato nos discerniremos como eternamente somos: sendo o Absoluto, o Verbo, expresso como Forma individual.
Mary Baker Eddy coloca a seguinte questão: “Qual quadro mental ou pensamento exteriorizado ser-te-á real – o material ou o espiritual?” E ela responde o seguinte: “Só um é que pode ser. Estás manifestando teu próprio ideal. Esse ideal ou é temporal, ou é eterno. Ou o Espírito ou a matéria é teu modelo. Se tentas ter dois modelos, então praticamente não tens nenhum. Qual um pêndulo de relógio, serás atirado de um lado para outro, indo de encontro à carcaça da matéria e oscilando entre o real e o irreal”.
O estudo da Verdade parte do absoluto: Não há nada, senão Deus! Esta Verdade requer dedicação, radicalismo e identificação! Não por existir algo além desta Verdade; antes, justamente por a Verdade ser TUDO, esta permanência nos é requerida tão somente para nos impedir de ser iludidos por simples imagens mentais hipnóticas que pretendem se fazer passar por realidades.
Durante a “Prática do Silêncio”, lembre-se de que o “modelo” a ser admitido, e o único em existência, é o Espírito! Não existe matéria! A Sra. Eddy mostra o que acontece, quando Espírito e matéria são levados juntos em consideração: você ficará sendo jogado de um lado para o outro, sempre oscilando entre o real e o irreal! O ensinamento absoluto requer a admissão total deste princípio absoluto! Unicamente Deus, Espírito, é Realidade! Medite unicamente para reconhecer esta Verdade, e, ao mesmo tempo, discernir a “sua” presença sendo uma Unidade com Ela! Esta é a identificação que precisa ser feita e mantida com dedicação e radicalismo, mediante este estudo.
Em poucas oportunidades sentimos tanto nossa proximidade com Deus, como quando obtemos uma cura por meio da oração. Milhares de pessoas podem testificar que foram curadas pela oração. Como estudantes da Bíblia, que desejam aprender mais sobre essa oração que cura, talvez precisemos considerar a pergunta: “O que é que pedimos em nossa oração?”
Se nossa oração a Deus não passar de uma súplica para que Ele nos cure, não é muito diferente de pedir a um ser humano que nos dê alguma coisa que queremos. Mas, como aprendemos nas Escrituras que Deus e Espírito infinito, que Ele é a Mente divina que Cristo Jesus expressou, sabemos que Deus deve ser infinitamente diferente do mortal, da pessoa finita. Assim, para orar de acordo com as Escrituras, temos que orar a partir de um ponto de vista novo, realmente com um sentido espiritual acerca dEle, como o Deus único e infinito, que criou o homem à Sua própria imagem. No capítulo “A Oração”, do livro-texto da Ciência Cristã, Ciência e Saúde, a Sra. Eddy escreve: “O mero hábito de suplicar à Mente divina, assim como se suplica a um ser humano, perpetua a crença de que Deus seja humanamente circunscrito – erro que impede o desenvolvimento espiritual.” (Ciência e Saúde, p. 2)
Certa noite eu tentava curar-me de uma gripe que havia se agravado durante o dia. Orei diligentemente, afirmando a verdade aprendida na Ciência Cristã de que, por ser o Espírito, Deus, perfeito e harmonioso, eu deveria refletir essas qualidades naquele exato momento, como Sua imagem espiritual. Mas não obtive cura imediata. Estava grato por sentir alívio, e como antes já havia vencido pela oração uma enfermidade semelhante, tive fé e convicção de que poderia vencê-la também naquele momento. Continuei a estudar e a orar algum tempo e depois fui dormir. Acordei no meio da noite sentindo-me mal e então levantei-me para estudar a Bíblia e Ciência e Saúde.
Desta vez, orei para ver o que eu necessitava saber. A Bíblia fala-nos, nas palavras de nosso Mestre, Cristo Jesus: “Deus, o vosso Pai, sabe de que tendes necessidade, antes que lho peçais.” (Mateus 6:8) Eu sabia que a única Mente divina estava revelando a verdade espiritual que eu necessitava perceber. Tomei o livro Ciência e Saúde novamente, buscando as páginas iniciais sobre a oração, para esclarecer o meu pensamento. Li a citação já mencionada sobre “suplicar” a Deus e o que chamou minha atenção foi a advertência de que trata-se de um “erro que impede o crescimento espiritual”. Mais do que tudo, mais do que a própria cura, eu não queria que houvesse impedimento ao meu crescimento espiritual. Então li a citação novamente e, dessa vez perguntei: “Será que estou de alguma forma implorando a Deus para ser curado?” Honestamente, eu não achava que estivesse. De repente, percebi que, embora afirmasse a perfeição de Deus e do homem, como Sua imagem, eu estava, ao mesmo tempo, tão desejoso de livrar-me do sofrimento, que inconscientemente “suplicava” por alívio e cura.
Enquanto procurava saber quais as minhas necessidades reais, encontrei no mesmo capítulo sobre a oração estas linhas explicativas: “Aquilo de que mais necessitamos, é a oração motivada pelo desejo fervoroso do crescer em graça, oração que se expressa em paciência, humildade, amor e boas obras.” E adiante, na mesma página: “Pedir simplesmente que possamos amar Deus nunca nos fará ama-Lo; mas o anseio por sermos melhores e mais santos, expresso na vigilância diária e no esforço de assimilar mais do caráter divino, há de nos moldar e formar de novo, até que despertemos na Sua semelhança.” (C&S, p.4)
Ponderei sobre esses trechos e reafirmei a unidade do homem com Deus, desta vez com a grata compreensão de que eu realmente era aquele homem espiritual que expressava perfeita harmonia, bondade e Amor. De repente percebi que não sentia mais dor e não estava mais com o peito congestionado. Voltei para a cama livre e sereno, regozijando-me pela compreensão e pela inspiração que havia tido. No dia seguinte todos os vestígios da enfermidade desapareceram completamente. Eu sabia que tinha aprendido uma lição importante sobre a oração na Ciência Cristã.
O Universo real é ESPÍRITO, é DEUS. Não existe mais nada ao lado desta Verdade, ao lado do Um que é infinito. A totalidade de Deus abrange e é toda a Existência manifestada; ao meditar, a Verdade a ser por você contemplada deverá ser fundamentalmente esta: “Minha Totalidade é Deus”. Puxe sua atenção à dimensão real e absoluta, na qual VOCÊ VIVE, porque VOCÊ É DEUS. Uma névoa hipnótica aparenta gerar uma “consciência humana não iluminada”. Não se deixe levar por ela! Não se identifique com ela! É puro mesmerismo! A única Consciência em expressão é DEUS! E, sua CONSCIÊNCIA, portanto, é Consciência ILUMINADA! Reconheça serenamente esta Verdade, sem se identificar com o efeito mesmérico que lhe diz que “terá de alcançar Deus”, que “terá de se iluminar”, ou que “terá” de fazer qualquer outra coisa! O que este mesmerismo tenta lhe impor, é uma ILUSÃO! O estado mesmérico é NADA! Não altera em coisa alguma a Verdade de que DEUS É TUDO e que, portanto, a SUA TOTALIDADE É DEUS.
Na “Pratica do Silêncio”, parta sempre da Verdade absoluta! Jamais reconheça o “mesmerismo” para depois lutar contra ele! Este “ele” não existe! Parta da Verdade que exclui o mesmerismo! É desse modo que o “efeito hipnótico” se esvai! Sem receber parcela alguma de sua atenção! Permaneça na Verdade, entendendo que SUA TOTALIDADE é a Presença de Deus sendo a SUA CONSCIÊNCIA; e então, e reconheça que esta CONSCIÊNCIA É A VERDADE!
Quando Jesus cita os lírios do campo, que se vestem pela ação de Deus, e também os pássaros do céu, que são alimentados sem que semeiem nem ceifem, explica, na verdade, que Deus é a Vida de todo ser vivo, e que, portanto, ninguém necessita de carregar o fardo de preocupações com sua vida ou a de seus entes queridos. A noção de que cada ser vivo tem vida separada da Vida de Deus, ou que esteja vivendo outra Vida, que não a de Deus, é a ILUSÃO que Jesus busca erradicar, ao apontar estes exemplos.
Não existe matéria, e não existe, portanto, Vida (Deus) na matéria. “O meu reino não é deste mundo”, disse Jesus. O que é visto como vida do lírio, vida do pássaro, vida de seres humanos, ou de qualquer ser vivente, é um reflexo ou sombra da Vida real, que não é “deste mundo”.Assemelha-se à suposta “vida” de algum ser refletido num espelho! Quando você deixar de se preocupar com este “reflexo”, ele se mostrará harmonioso! Enquanto viver preocupado, estará atrapalhando e distorcendo a formação livre daquele reflexo! Isto porque não será a vida que estará sendo vista, mas sim a ação distorcida da mente preocupada! A Vida é Deus sendo tudo! Não se altera com preocupações, ou com a falta delas! Jesus está somente explicando esta Verdade: a Vida é Deus! E, o que você enxerga, usando a suposta mente humana, é meramente uma “sombra”, que, pelo seu livre agir despreocupado, reflete a Verdade subjacente a ela.
Se você vive em estado de alegria inexplicável, isto é prova de que seu “contato com Deus” foi bem feito, em seus momentos contemplativos. Por outro lado, se você é sempre visto pelos outros de cara amarrada, tenso e preocupado, saiba que sua meditação ficou muito a desejar! A alegria não é somente alguém sair pela vida dando risada à toa, mas, sim, um estado constante da alma, que transparece sem qualquer esforço, quando a nossa “unidade com Deus” é eficazmente reconhecida.
Citei, no artigo anterior, a Meditação Shinsokan, ensinada pela Seicho-no-Ie, na parte que nos fala: “Estou no Oceano do Infinito Amor de Deus”. Neste artigo, eu quero ressaltar uma outra parte daquela meditação, que diz: “Aqui, onde estou, é o Oceano da Infinita Alegria de Deus”. Ache tempo para reconhecer esta ALEGRIA ONIPRESENTE, e se veja “formando-a” com a SUA Alegria absoluta. A Realidade divina é um estado de Alegria permanente, e esta Se manifesta como sua Alma individual! Portanto, sem qualquer esforço mental, simplesmente admita ser um Filho de Deus formado de Alegria divina, e, após a admissão, contemple este Fato espiritual. Lembre-se: quanto mais você reconhecer a Verdade, menos se sujeitará às crenças mentirosas deste mundo! Trabalhe, realmente, pela percepção de sua Alegria permanente, e poderá notar que o Universo inteiro lhe responderá em mesma frequência. Lembro-me de um ditado japonês, que a Seicho-no-ie costuma difundir: “Borboleta na cara que ri; vespa na cara que chora”. Também a Bíblia, em Neemias, 8: 10, diz: “A alegria do Senhor é a sua força”.
Descarte todos os pensamentos ilusórios de tristeza, preocupação, medo e ansiedade, e entre na “Prática do Silêncio” unicamente com esta frase: “Aqui, onde estou, é o Oceano da Infinita Alegria de Deus”. Contemple esta Verdade até com ela se sentir integralmente unificado!
No estudo da Verdade são reconhecidas a Natureza de Deus como TUDO e a natureza das “sugestões mentais” como NADA. Desse modo, as meditações são voltadas basicamente a estes dois pontos, quando Deus é glorificado como REALIDADE e o que aparenta existir “ao lado de Deus” é admitido como ILUSÃO.
A ILUSÃO, como o próprio nome diz, é “nada”; apesar disso, algo dissonante da harmonia aparenta atuar na mente humana, razão pela qual a Ciência Cristã foi levada a chamar de “sugestão mental agressiva” esta suposta influência. Note bem: ela é ilusória! Apenas aparenta existir, quando, pelas concessões que fazemos ao lidar com o mundo, aparentemente fazemos uso da mente humana. Isto precisa ficar bem claro, para que não nos sintamos pressionados pelo “nada” quando formos à “Prática do Silêncio”. DEUS É TUDO! Esta é a Verdade imutável! Desse modo, caso formos meditar e ainda estivermos nos sentindo influenciados por estas chamadas “sugestões mentais agressivas”, devemos puxar imediatamente toda a atenção a Deus e à Sua totalidade. Onipotência é Amor divino! Reconheça, portanto, que Deus é Amor, que a Onipotência é Amor divino onipresente, e serenamente contemple a natureza do Universo infinito sendo este Amor divino em expressão! Não lute com “sugestões mentais”: somente permaneça na percepção consciente de que o Amor divino é TUDO!
Na Meditação Shinsokan, ensinada pela Seicho-No-Ie, há uma parte dedicada a este reconhecimento: “Aqui, onde eu estou, é o Oceano do Infinito Amor de Deus”. Faça meditações focando unicamente este aspecto da Verdade! Tome somente esta frase e fique nela o tempo que julgar necessário, em meditação, até que possa discernir espiritual e efetivamente o seu conteúdo pleno! O Amor divino, reconhecido e discernido como Onipotência, acaba por nos revelar que, de fato, todas as “sugestões mentais agressivas” são o puríssimo NADA! Medite objetivando perceber claramente este Fato, que “já É!”.
Alguém que desconheça a Verdade acorda, pela manhã, e vê-se diante de um novo dia, sem saber ao certo como ele será; desse modo, coloca-se à mercê do acaso e, se tiver fé em Deus, até torcerá para que este dia lhe seja ótimo… Por que a maioria segue este referencial falso do mundo? Porque a suposta “mente humana” capta dessa forma o Universo! Como imagens em desfile! Não consegue enxergar o que, aos olhos de Deus, é a Realidade gloriosa aqui presente! Esta Realidade, apesar de já manifestada, só pode ser discernida espiritualmente, pela Mente divina em cada ser; porém, a maioria sequer sabe disso, e, às vezes, até já sabe, mas apenas teoricamente!
O estudo da Verdade está na prática deste saber, transformando-o de simples conhecimento intelectual em Verdade realmente discernida. A informação mental vem através da exposição dos princípios básicos que correspondam ao que de fato é verdadeiro, eterno e permanente (batismo com água). Assim, se a pessoa realmente estiver desejosa de vivenciar a Verdade, irá se dedicar, a partir destes princípios, para não mais acreditar na “visão mental humana” de Universo, e sim acreditar na “visão espiritual ” do Universo, buscando “vê-Lo” com olhos espirituais (batismo com fogo). Não há dois! Há unicamente um Universo, que é o Reino de Deus, razão pela qual “já estamos todos nele”, e imutavelmente. Isto entendido, claro ficará com que objetivo nos dedicamos às “contemplações” : para discernirmos que unicamente o Universo iluminado, espiritual e perfeito é REALIDADE!
Antes de dar início à “Prática do Silêncio”, procure relembrar estes princípios: “Apesar de a mente humana enxergar um Universo à sua maneira de perceber, eu sei que este único Universo é espiritual e discernido unicamente pela Mente de Cristo que eu sou! Assim, em vez de acreditar em dois mundos, eu aceito esta Mente divina sendo a minha, e, com ela, medito e aceito estar no Universo de Deus!” Se você começar suas meditações a partir da Realidade, e não das “aparências”, rememorando bem estes princípios, terá maior facilidade em se livrar do “conceito de Universo” gerado pela suposta “mente humana”, e se sentirá bem mais à vontade para intuir a SUA presença já no Reino do Absoluto!
A Inteligência suprema, infinita, todo-sapiente, emana de Si, e em Si mesma, a “sua” existência. Esta Inteligência é a que Se revelou a Jesus, dizendo: “Tu és o meu Filho amado em quem me comprazo”. Que faz a suposta mente humana? Gera um conceito visivel, uma imagem hipnótica em três dimensões, e praticamente tenta impor-nos este conceito, como se fosse ele o que realmente somos! Porém, podem ser gerados infinitos conceitos falsos sobre VOCÊ, o que prevalece, ou o que permanece intacto, é o Fato, é a VERDADE: você é emanação da Inteligência Infinita! Ou, como dizem as Escrituras, VOCÊ É FILHO DE DEUS!
Munido desta informação, você se capacita a desprezar todos os conceitos, ideias ou avaliações feitas sobre o seu ser, e que estejam sendo de natureza inferior ou diferente da Natureza de Deus. Por isso é preciso partir da Verdade: Deus e Você são UM! Aceitando com “coração de menino” esta revelação, você ficará na posição real e absoluta de “estar sendo Emanado da Inteligência Infinita”! Permaneça nesta simples e absoluta posição, durante a “Prática do Silêncio”: dê testemunho claro deste Fato espiritual! Sem mais nada a lhe tirar a atenção, dê testemunho de que VOCÊ está vivendo por estar sendo vivificado pela Inteligência Infinita, e que Ela o conhece tal como VOCÊ permanentemente É! Mantenha-se por alguns instantes nesta simples contemplação! Acima da percepção do mundo, ou da suposta mente humana, a Inteligência Infinita Universal já está SENDO! E, onde VOCÊ está, exatamente AGORA, esta Inteligência está sendo “VOCÊ”! Medite, contemple e vivencie esta Verdade!
Enquanto as aparências “deste mundo” se mostram em constante mutação, ora em harmonia, ora em desarmonia, nenhuma delas anula o Fato permanente de que a Harmonia Absoluta É! Medite e reconheça a Harmonia perene em que sempre estamos vivendo e sendo! Esta Harmonia é a Onisciência na forma de atividade, ou seja, é a Oniação divina. Feche os olhos para os “quadros da aparência”, sem pensar em mudá-los,e sem acreditar serem eles reais. Desligue-se por completo de todo o cenário visível, para que possa discernir espiritualmente a Harmonia que É!
O Universo infinito é Harmonia total! Contemple este Fato universal; em seguida, puxe a atenção para a sua Presença específica. Reconheça que TUDO que lhe diz respeito está sendo a Harmonia infinita perene; compreenda que o Universo somente pode ser “Harmonia Absoluta” porque TUDO que lhe diz respeito já está sendo esta Harmonia em unidade com o todo! Reconheça que a Harmonia universal abrange a Harmonia individual, e, que esta, de seu lado, compõe a Harmonia infinita. Contemple estas verdades até sentir-se de fato desvencilhado de quaisquer envolvimentos com as imagens mentais ilusórias captadas pela suposta mente humana! Desse modo, a sua natureza divina será nitidamente vivenciada conscientemente.
Quando meditamos e contemplamos a Verdade da totalidade e unicidade de Deus, somente o que dura perpetuamente fica recebendo nossa total atenção e sendo observado. Este cuidado faz com que deixemos de nos identificar com a mente humana para nos integrarmos conscientemente à Mente divina, universal e onipresente. É por esse motivo que ensinamentos como O Caminho Infinito dizem que jamais devemos levar pessoas, doenças ou problemas às nossas meditações. A ilusão é barrada logo de início, quando passamos a contemplar unicamente o que “É” – sem deixar que a “casa se divida” entre Verdade e mentira.
Jesus orava e pedia ao Pai que o glorificasse; isto quer dizer o seguinte: nossas contemplações partem de Deus Se revelando como o Ser que somos, quando, então, a suposta mente humana fica aquietada e sem fazer qualquer esforço no sentido de que conheçamos a Verdade. É comum iniciarmos as meditações acreditando que a fraudulenta e ilusória mente humana seja a nossa. Assim, estas colocações, aparentemente dualistas empregadas no início delas, são úteis nesse sentido: evitam que achemos que somos mente humana ou que ela irá atuar de algum modo para que a meditação transcorra dentro da meta almejada: a percepção de que Deus e Filho são UM. O que “dura perpetuamente” é o que Deus faz, o que é Realidade, o que é Verdade. Dessa forma, quando meditamos a partir disso, pedindo que “o Pai nos glorifique”, estaremos, de fato, retirando toda a atenção daquilo que “não É”, e que apenas aparenta ser, para o que de fato “É”: o Reino de Deus onipresente, do qual fazemos parte agora e eternamente.
Faça das contemplações momentos de puro reconhecimento das Verdades absolutas! Permaneça aquietando a suposta “mente humana” e deixando que “o Pai o glorifique”. Isto evitará esforços mentais vãos, e fará com que suas contemplações realmente lhe sirvam para que possa se conhecer como já estando “revestido do Poder do Alto”. Você é glorificado discernindo espiritual e diretamente a Presença Gloriosa do Pai sendo exatamente a SUA Presença!
Jamais meça “graus de percepção de Deus” tomando por base a suposta mente humana. Os efeitos das “contemplações” na mente são puramente de anulação de crenças falsas e coletivas, e nunca um suposto “grau de percepção”. O seu “grau de percepção de Deus” é total e absoluto! Sua Consciência única é Deus consciente de ser tudo e de ser VOCÊ! Portanto, não medite para “receber na mente a ação de Deus”, mas, sim, para discernir direta e intuitivamente que VOCÊ É DEUS! Enquanto a dualidade ilusória não for banida, com a mente humana sendo reconhecida como presente e, ainda por cima, como instrumento de avaliação de sua percepção da Verdade, o seu referencial estará sendo ela, e não o da Verdade! E, enquanto este referencial estiver sendo usado e acreditado como verdadeiro, a ILUSÃO estará presente.
A Verdade é o que VOCÊ JÁ É! O entendimento absoluto é o que a SUA CONSCIÊNCIA ILUMINADA sabe! Não existe mente humana! Não existem “graus de percepção”. E esta ILUSÃO, que é NADA, assim lhe será mostrada, tão logo VOCÊ se identifique unicamente com a Verdade. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, disse Jesus para ensinar o “Referencial da Luz”. Sabia que jamais a suposta mente humana poderia emitir parecer sobre o que já somos!
Quando partimos da Verdade de que DEUS É TUDO COMO TUDO, o ponto importante a ser lembrado é o da invisibilidade de Deus. Se o todo é invisível, toda percepção verdadeira deve se basear em fatos não vistos pela mente humana! Apesar de ser óbvio que Deus é invisível aos olhos carnais, continuamos a enxergar as coisas ditas “visíveis” e dando a elas todo o crédito!
A Bíblia diz que “as coisas visíveis são passageiras, mas as invisíveis são eternas”, para que deixemos de ser levados pela “fumaça” dos supostos acontecimentos visíveis! O INVISÍVEL É PERMANENTE! O INVISÍVEL É BEM IMUTÁVEL ABSOLUTO! Quem se firmar nesta verdade estará “edificando sua casa sobre rocha”.
O segredo para manter nossa harmonia está nesse ponto: olharmos espiritualmente a imutabilidade benéfica, permanente e invisível! Se não nos deixarmos mover em função das mudanças visíveis, e fizermos do “projeto CONSUMADO divino” o foco de nossa atenção, os “bens visíveis” surgirão como desdobramento natural desse projeto no campo da percepção humana!
Deixe de lado as preocupações com as aparências visíveis! Saiba que Deus, invisível, está presente como a sua própria Consciência de Existir! Este é o “Pai em mim, que realiza as obras”, citado por Cristo! Faça o mesmo! Fique inabalável diante das sombras mutáveis deste mundo, ciente de que SOMOS INVISÍVEIS, UM COM O PAI! Se assim fizer, entenderá realmente o sentido da frase “O meu reino não é deste mundo”! Somos Deus! Somos Imutabilidade perfeita, somos “Invisibilidade”. E, por nos aprofundarmos nesta percepção interior, é que vivenciaremos que, por sermos UM com Deus, somos “o Alfa e o Ômega”: a constante INVISIBILIDADE ETERNA! E PERFEITA!