Eu Sou o Cristo!

“EU SOU O CRISTO!”

Dárcio

A Verdade, quando expressa indiretamente, seja na Bíblia ou em qualquer tipo de aprendizado espiritual, precisa ser imediatamente transportada ao Ser que somos! Quantas vezes alguém não terá lido que “Cristo é Tudo em Todos”! Isto é verdadeiro? Claro que é! Entretanto, está em linguagem indireta, enquanto a direta seria: “O Cristo é tudo em VOCÊ; não há nada em VOCÊ que não seja o Cristo”.

A esta admissão por via direta chamamos de “identificação com a Verdade”. É quando uma Verdade revelada é entendida como “corporificada” pela nossa presença!

Há anos, enquanto eu fazia uma palestra, veio-me uma senhora, que as costumava frequentar, dizendo-me: “Veja o meu cartão de visita profissional; está o meu nome e demais dados, e veja, ao lado: “EU SOU O SER CRIADO À IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS!” . E, antes que eu fizesse qualquer comentário, outra pessoa, que estando ao lado, ouviu toda a conversa, disse a ela, energicamente: “Ainda VOCÊ não é! Somente poderá afirmar isto após ocorrer “algo” em seu interior , e que lhe dê esta conscientização!”

Que poderíamos deduzir, diante da fala desta pessoa, que corrigiu a outra que somente confirmava o que havia lido na Bíblia a seu respeito? Deduziríamos que ela ainda se achava sendo a ILUSÃO! Paulo, por exemplo, declarou que “Cristo é tudo em todos”. Que havia ele dito antes? Vejamos as frases todas: “Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com seus feitos. E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos” (Col. 3: 9-11).

A pessoa havia feito o seu cartão “se renovando para o conhecimento, segundo a imagem daquele que a criou”. Acreditou estar entre aqueles voltados para a mesma renovação, mas encontrou a outra que, “mentindo a si mesma”, se viu no direito e obrigação de a censurar e corrigir! Que lhe estava faltando? A IDENTIFICAÇÃO COM A VERDADE!

Jesus jamais fez sermão, dizendo: “Ouvi, ó benditos de meu Pai: “um dia” vós sereis deuses! Sereis também a Luz do mundo!” Jamais a Mente da Verdade dá poder ou realidade à ILUSÃO! Portanto, não deixe que as revelações se percam em suas colocações indiretas; tampouco acredite que elas revelem Verdades referentes ao seu futuro! Faça a identificação TOTAL com a Verdade! Exatamente AGORA! Mesmo que a “mente carnal”, de toda forma, o tente agredir, atirar pedras ou desmentir!

“EU SOU O CRISTO!”. Diga isso para SI MESMO, sem rodeios e sem dualidade! A Verdade revelada diz: “O Cristo é TUDO em TODOS”. Não perca tempo com “testemunho de homens”.

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“Aceitação Mental e Autorrevelação”

Há pessoas que entendem ser muito “esforço” meditar e se firmar nos “princípios espirituais”. Entretanto, não há esforço mental nenhum, sendo que os princípios são simplesmente colocados na mente para que haja o discernimento deles espiritualmente, mediante Autorrevelação divina. Jesus disse: “Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro. Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro” João, 5: 31-32). Estava explicando que o “aceitar mental” é  nosso posicionamento inicial unicamente para que Deus, sendo o nosso Eu, endosse cada princípio como experiências no Absoluto. Por isso, as meditações são feitas serenamente e sem esforços de qualquer espécie. Ao dizer que “outro testifica de mim”, Jesus estava apenas se anulando humanamente, para que sua Unidade com o Pai fosse discernida.

Ao meditar, tome um princípio absoluto como tema, por exemplo, “Eu Sou a Luz do Mundo”; e então, sem forçar nada, deixe que “outro dê o testemunho”, entendendo que, assim agindo, estará utilizando um artifício para que Deus, sendo seu Eu, seja discernido como a Verdade do tema escolhido, e sem que haja qualquer “intenção mental humana” de ajudá-Lo a se revelar. Em outras palavras, este “outro” é que é VOCÊ! Perceba isso claramente, em suas “contemplações”.

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“Andar na Luz” Significa “Ser a Luz”

Sob várias formas, a literatura espiritual de todos os tempos veio abordando a Existência com seu lado “luz” e seu lado “trevas”. A Bíblia diz: “Deus é Luz, e não há nele trevas nenhumas. Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I João, 1: 5-7).

Deus, sendo Tudo, é Luz onipresente. Quando o homem se identifica com a Luz, faz sua identificação com a Verdade: e, então, desperto, descobre que se parecia “andar em trevas”, estava “pecando”, isto é, vivendo uma mentira. Apesar de vários ensinamentos religiosos dizerem que o homem, vivendo em seu conceito material de vida, é “purificado de seus pecados”, tal colocação é falsa! Jamais o homem natural se purifica ou é perdoado! Além disso, jamais ele constitui o Ser de alguém! Misturar luz e trevas não é explicar a Verdade!

A Luz é onipresente; logo, se alguém se achar vivendo “em trevas”, é óbvio que este pensamento não é de Deus, e sim da “mente carnal”, chamada de “a inimizade contra Deus”. Desse modo, “viver na ilusão” significa “viver no pecado”, ou “em trevas”. Em outras palavras, traduz a pessoa ilusoriamente  vivenciando “mundo material” ou o “mundo do pai da mentira”. Quem se acha habitante “deste mundo” é aquele que “peca por ver trevas”, enquanto Deus, Luz infinita, é tudo!

Com suas revelações, não está João pretendendo inculcar-lhe a ideia de “ser pecador”; antes, explica que em Deus não há trevas e, se NELE você andar, estará “em comunhão com os outros e purificado de todo pecado”. Portanto, “estar purificado” não significa ter “mente humana arrependida”, e sim “não ter mente humana nenhuma”, uma vez que “estar na Luz” significa “ser a Luz” e “ser a Luz” é estar em unidade com Deus,  e estar com a Mente de Deus.

Jamais “mente humana” é purificada! Não é “mente verdadeira”, por ser “mente que vê trevas”, que “discerne ILUSÃO” e nunca a Realidade! A suposta “mente que enxerga trevas”, ou que “capta ilusão”, não é mente verdadeira, e nunca poderia ser, uma vez que a Mente divina é única e onipresente. Portanto, “mente em trevas”, ou “mente que peca”, na verdade é “ausência da Mente verdadeira”, isto é, não passa de um “estado hipnótico” que aparentemente  passa a ideia de que há a possibilidade de haver “ausência da Luz” ou “ausência da “Mente divina” em alguma parte. O estudo do Absoluto desmantela esta possibilidade pela raiz, revelando que DEUS – LUZ – É TUDO, E,  COM ELE, SOMOS IMUTAVELMENTE UM.

Aceitar, reconhecer, considerar, contemplar e se identificar unicamente com esta UNIDADE PERFEITA ILUMINADA, significa admitir: “Eu Sou a Consciência Iluminada, Eu Sou a Luz do Mundo, Eu Sou a Verdade!”

Em resumo, o estudo é VOCÊ ENXERGAR A IMPOSSIBILIDADE DE HAVER AUSÊNCIA DE LUZ DIVINA, PELA ADMISSÃO DA VERDADE DE QUE DEUS, QUE É LUZ, É TUDO! Por isso os textos afirmam que é ILUSÃO o que supostamente é visto como “nascimento, pecado, imperfeição e morte”. Se fossem realidades, seriam “trevas verdadeiras”, significariam “ausência real de Luz”, ou “ausência real de Deus”, e isto é total impossibilidade! E foi exatamente se baseando nesta Verdade que Jesus, dirigindo-se ao povo, disse categoricamente: “Vós SOIS a Luz do mundo”, “colocai no alto a VOSSA Luz!”.

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Adequações Decorrentes das Contemplações

Aceitar que “tudo que os sentidos humanos captam” é  ILUSÃO, e que “DEUS é a Substância perfeita onipresente”, são as aceitações que sempre eu tenho dito serem “dois lados da mesma moeda”, neste estudo da percepção da Realidade eterna. Não devemos cultuar a “ilusão” só por ela aparentar existir!

Se, por exemplo, formos viver levando em conta supostos “estágios de evolução”, isto somente revelaria nosso envolvimento maior com “aparências” do que com a Verdade de que, em Deus, somos “perfeitos em unidade”.

Sempre aparece a “ilusão como pessoa”, tentando nos enganar! Se formos dar crédito a estados evolutivos, acabaremos endossando estas influências mesméricas! Quem seria mais evoluído? Aquele que, olhando outra pessoa, a avalia segundo sua própria régua, para afirmar: “Ela ainda não evoluiu a ponto de entender o que eu já entendi!”? Ou aquele que, olhando a si mesmo e ao próximo, discerne a Verdade: “Nem eu nem meu próximo somos estas aparências em evolução,  mostradas pela mente humana!”?

Não julgar pelas “aparências” é cada um estar de olho na Verdade Absoluta, discernindo Deus Se expressando como todos! Ao lidar com o mundo, você estará lidando através do “agir pelo não agir”, que é viver naturalmente cada momento do dia, E SEMPRE DEIXANDO FLUIR o que deve ser dito ou calado,  feito ou não feito! Se as “contemplações da Verdade” estiverem “em dia”, este fluir natural será a livre manifestação do “visto que procede do não visto”, ou seja, o desdobrar, na visão da crença, da atividade real que se dá em nossa Consciência iluminada, em que “tudo está feito”. Dessa forma, sem julgamentos, tudo correrá em natural adequação, com cada um sendo tratado como deveria ser, escutando o que deveria escutar, sem haver, de nossa parte, quaisquer preconceitos, preferências ou prevenções.

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A Partir da Totalidade de Deus

Quando a Bíblia diz que “no princípio era o Verbo – Deus – e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1,3), revela a totalidade imutável de Deus, sem levar em conta nada mais, além de Deus, como estando presente ou existindo. Assim como alguém pode acreditar em Papai Noel, a ponto de formar uma “crença coletiva” referente a um ser irreal, igualmente poderá acreditar que “deixou de ser o Verbo” para viver como mortal num suposto mundo material. Quando a criança “descobre” que o Papai Noel era fictício, mesmo se vir sua figura sendo estampada pelo mundo todo, não mais dará crédito a ele, a não ser como “personagem ilusório”. Em outras palavras, as “aparências” não mais a estarão iludindo!

Estudar a Verdade é ter a mesma visão correta sobre quem somos. A “crença coletiva”, que atuava hipnoticamente e nos induzia a crer em suas “imagens hipnóticas”, passa a ser entendida como irrealidade, e, em vista disso, o que sempre esteve sendo a Realidade – o Verbo sendo tudo – é naturalmente discernido. Por isso, na “Prática do Silêncio”, você não irá levar em consideração o “mundo das aparências ilusórias”: irá partir da Totalidade de Deus! Nunca “algo além do Verbo” esteve ou está existindo! Os chamados de Jesus, “vinde a MIM e Eu vos aliviarei”, e de Isaías, “olhai para MIM e sereis salvos”, dizem, de fato, o seguinte: “Venha à Verdade! Exclua qualquer outra aceitação, senão a aceitação da Presença única de Deus! Deus é Tudo! Deus é VOCÊ!”

Aquele que meditar a partir da totalidade de Deus, sem dividir atenção com mais nada, discernirá a Vida ETERNA E PERFEITA Se evidenciando em Si mesmo, e como sua própria Existência!

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“Não Peço Que os Tires do Mundo”

Numa de suas orações, Jesus disse: “Pai, não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal”. Quando sabemos que DEUS É TUDO, que passa a ser “o mundo”? Ele deixa de ser o que diz  a “mente humana” para ser discernido pelo que sempre é: o Reino de Deus! Nesse caso, o “mal” estaria sendo  esta visão incorreta da Realidade onipresente!

Quantos já não me perguntaram: “O que você acha que acontece depois que deixamos este corpo físico?” O que “acontece”, é o que permanentemente “já está acontecendo”: DEUS SER TUDO! Não existe “Filho de Deus”  encarnado ou em corpo físico! “Não chameis de pai a ninguém sobre a face da terra, pois um é o vosso Pai, o qual está nos céus” (Mateus 23: 9). Nunca encontramos Jesus falando sobre “vida após a morte” , e toda esta curiosidade vem da ILUSÃO que acredita em “nascimentos, mudanças e mortes”.

A suposta “mente humana” detesta receber esse tipo de resposta! E, quando a ouve, o faz com total ar de insatisfação! O que a pessoa deveria estar interessada, no caso de realmente desejar “conhecer a Verdade”,  é na “percepção do seu Ser que jamais nasce”, que é a “pedra angular” do conhecimento absoluto! Quando entender e discernir seu “Eu que não nasce” – que é Deus – , nunca mais desejará ampliar o “cabedal ilusório” da mente humana com mais crenças falsas sobre sua existência.

O que Jesus diz, em suas oração, é que “você não precisa ser tirado do mundo”, mas, sim, estar livre de todas as “crenças falsas”, isto é, livre do “hipnotismo de massa”. Sabemos como Buda se esforçou, antes de conhecer a Verdade, por tentar descobrir um modo de eliminar os males deste mundo, num período em que sequer poderia imaginar que “este mundo é Maya” – pura ILUSÃO! Tendo esta revelação, não foi “tirado do mundo”: apenas a ILUSÃO SE DESFEZ!

A oração de Jesus é neste sentido! Para que VOCÊ SE VEJA sem ILUSÃO! E, como se dá este acontecimento? Com VOCÊ SE VENDO EM DEUS, COMO DEUS, NO REINO DE DEUS! Com VOCÊ tendo a mente divina! Com VOCÊ discernindo a Onipresença INCLUINDO VOCÊ! E AGORA!

Não há algo mais lamentável do que um Ser, já iluminado e em Deus, alimentar a “mente cega” que o desvia desta VERDADE SUPREMA através de perguntas ou filosofias sobre “vida após a morte” ou sobre “planos de existência”. Esta “armadilha mesmérica” é que oculta, aparentemente falando, o CRISTO sendo agora TUDO em TODOS!

Já me disseram: “Mas Jesus disse que na casa do Pai há muitas moradas”. De fato, esta frase existe na Bíblia; entretanto, quem disse que são “moradas não absolutas”? Quem disse que são “planos fenomênicos temporais e imperfeitos?” Esta conclusão vem da “mente humana”, não de Jesus! Jamais ele disse que estivemos em “mundos” ou em “planos existenciais” relativos! Todas as “moradas verdadeiras” são a “nossa Consciência iluminada” em expressão!

Jamais vivemos em “mundo terreno” – e, enquanto esta “crença coletiva” não for expulsa, você não poderá se discernir sendo Consciência iluminada, já na UNIDADE PERFEITA , que é o seu Reino Eterno de Infinitas Moradas! Jesus disse que o REINO DE DEUS fosse buscado em PRIMEIRO LUGAR! Jamais nos direcionou a “pesquisas sobre existencialismo do ego”, que fazem parte da ILUSÃO, do “HIPNOTISMO DE MASSA”, do único “MAL” que aparentemente existe, e que é, no entendimento absoluto, puríssimo NADA!

Somente existe Deus! E, Deus está sendo Deus como o Ser que agora você é! Esta é a Realidade imutável,  permanente, evidenciada! Contemple-a!

 

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A Natureza Crística do Homem

O entrave único à percepção perfeita do que somos, e eternamente somos, – O CRISTO – se chama “dualidade”; a crença de que somos de natureza divina e humana, Espírito e matéria. Esta crença coletiva, falsa ou mentirosa, é a chamada ILUSÃO, a aceitação equivocada de que DEUS, ESPÍRITO, NÃO É TUDO!

As religiões tradicionais, que deveriam vir pregando a Onipotência e Onipresença de Deus, engrossaram ainda mais as crenças dualistas, falando em “pecadores”, “diabo”, “inimigo” e demais inexistências! Falando com uma evangélica, perguntei a ela: “Você não acredita que Deus é TUDO?” E ela me disse: “Claro que sim! Deus é TUDO!” E eu perguntei: “E você não acredita que Deus fez o homem perfeito, à Sua imagem e semelhança”?  Ela respondeu: “Claro que sim!” Fiz-lhe, então, outra pergunta: “E por que você acredita que o homem “precisa ser salvo”?  “Você precisa estudar a Bíblia” –  disse-me ela –  “e verá que “o homem pecou por ter desobedecido a Deus”. Perguntei a ela: “Como pode um ser criado perfeito, como você disse aceitar, ser desobediente a Deus?” Ela me respondeu: “Deus deu ao homem livre-arbítrio, para que ele possa viver com livre escolha!” E eu continuei a lhe perguntar: “Mas como pode um ser perfeito fazer escolha errada?” E então ouvi dela o seguinte: “Olhe, eu não discuto religião!”

Estas pessoas desconhecem a Verdade de que “somente existe Deus!”. Foram ensinadas na crença do bem e do mal, por ensinamentos que as ”julgam pelas aparências”, e que sequer imaginam que “todas as aparências são ilusórias”.

Jesus disse que “o Pai a ninguém julga”, e nem poderia fazê-lo! Quem Deus iria julgar, sendo ELE TUDO? Joel S. Goldsmith disse algo assim: “As crenças religiosas errôneas são as mais difíceis de serem erradicadas”. As pessoas foram ensinadas a se verem como carnais, pecadoras, sempre errando e pagando pecados ou se redimindo de erros do passado, e ainda acreditando ser este processo a “misericórdia de Deus”. Quando perguntamos se creem que Deus seja tudo, dizem que sim! Mas acreditam em pecadores e em demônios, sem noção alguma do sentido bíblico destas palavras! Sempre eu digo a elas: “Quando você acreditar na revelação de Paulo, que diz que “temos a mente de Cristo”, e não a “mente carnal”, nunca mais falará em pecadores e em demônios!”  Quando Jesus repreendia seus discípulos, bradava: “Cala-te, Satanás! Tu não entendes as coisas de Deus!”. Em outras palavras, mandava se calar a “mente carnal”, que aparentava ser a mente real deles!

A dualidade desaparece em seu “nada de sempre” quando, radicalmente, empregamos a “Mente divina” conscientemente! Enquanto a suposta “mente humana” for usada, a “crença no bem e no mal” permanecerá, pois, é esta mente ilusória quem engendra toda mentira.

Como saber que empregamos a Mente divina? Quando vivemos segundo os princípios espirituais e não segundo a “justiça do mundo”. O estudo da Verdade oferece os “princípios absolutos” em que devemos nos basear, para que “não julguemos pelas aparências e sim pelo juízo justo”, como disse Jesus. Estes princípios devem ser reconhecidos através da “Prática do Silêncio” e, em nossa vida cotidiana, devem coordenar nosso pensar e agir. Se ouvirmos “notícias de tragédias”, iremos recordar que, como Deus é Tudo, não há tragédias em Deus e em lugar nenhum! Se vier alguma “notícia desagradável”, iremos recordar que já temos a notícia eternamente boa e irrevogável de que as “obras de Deus são permanentes”. Enfim, os estudos são para não vivermos como ateus, à mercê das flutuações das “miragens” deste mundo! DEUS É TUDO, E DEUS, SENDO O CRISTO, CONSTITUI O SER QUE NÓS SOMOS!

O apóstolo Paulo disse claramente: “CRISTO É TUDO EM TODOS” (Col. 3-11),  frase que erradica definitivamente a dualidade de que possamos, também, ter a chamada “parte humana”. Portanto, expulse esta crença dualista com vigor, principalmente se ela em você “formou ninho” em decorrência de supostos “ensinamentos religiosos”, pois, como já foi dito, vêm deles as piores crenças errôneas capazes de mesmerizar alguém e impedir que ele se veja TOTALMENTE SENDO O CRISTO, que é a VERDADE ABSOLUTA DESTE AGORA!

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“Veja a Placa!”

Há tempos, enquanto caminhava pela rua, um carro se aproximou da calçada e uma pessoa, mostrando-me um papel com um endereço, perguntou-me: “Você sabe onde fica esta rua?”  Eu apontei-lhe a placa da rua em que estávamos, e ele viu que era aquela. Enquanto sua atenção estava em “procurar”, não se dava conta de que “já estava nela”.

O estudo da Verdade é a “placa” que lhe mostra que você já é quem gostaria de ser, um Ser perfeito, e que você já se  encontra onde gostaria de estar,  no Paraíso. Nunca estas situações se alteraram! A Realidade é permanente! As meditações contemplativas, portanto, são somente para que você se dê conta dos fatos reais, parando em definitivo de “procurar uma rua” por saber “já estar nela”. Por isso, quanto menos esforço empreender, nestas contemplações, mais apto estará para discernir o que, de fato,  “já É!”.

Onde você poderá encontrar sua saúde? Você já está nela! Onde você poderá encontrar suprimento? Você já está nele! Onde você poderá encontrar Paz? Você já está nela! Onde você poderá encontrar Amor? Você já está nele!

“Veja a placa da Verdade”; assim, como o motorista, já se verá presente exatamente em seu próprio objetivo! “Em Deus vivemos, nos movemos e temos nosso ser” (Atos 17: 28). Que mais existiria, para  alguém poder procurar?

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Contemple Seu Corpo Glorioso

Uma pessoa que havia tirado chapa dos pulmões, ao buscar o resultado foi informada que não estava bem; iria precisar de cuidados médicos e  deveria evitar de fazer esforços físicos. Com o exame em mãos, retornou à sua casa bastante desanimada, e ali chegou já sentindo uma fraqueza tremenda, quando foi avisada de um telefonema da clínica: haviam trocado a chapa! O resultado era de outra pessoa! O dela estava tudo em ordem!

Quantos não estão gerando “fraquezas sem causa” unicamente por desconhecerem a informação correta sobre si mesmos! E não digo isso pensando em informantes humanos, mas nos divinos! Diante de um diagnóstico pessimista, lá vai a pessoa “trabalhar em sua fraqueza sem causa”, por acreditar mais na “mente humana” do que em Deus! Desconhece que Deus é a Causa única!  “Para Deus não há o impossível”, disse Jesus, justamente para tirar o ilusório poder das “aparências”. A “fraqueza” do cidadão mal informado sobre os resultados do exame de seus pulmões teve seu fim decretado assim que lhe deram a verdade de que aquela informação era improcedente! Que faz o estudo da Verdade? Dá a informação correta sobre a situação de alguém, jamais se baseando em “ilusões” da mente humana!

Quanto tempo o iludido pela “chapa trocada”  teria de aguardar para se livrar da fraqueza e do “mal” falsamente nele presentes? Apenas o tempo de ser informado da verdade e de a aceitar sem mais delongas!

Esta resposta imediata é a que se espera de alguém, quando se mostra preso à MENTIRA de doença, ou de outra situação negativa qualquer, e lhe chega a informação de que “o diagnóstico é falso”; não era o dele, nem poderia ser, uma vez que ele é o ESPÍRITO DE DEUS e não qualquer “outro” inventado pela ILUSÓRIA mente humana!

“Estique a mão!” – disse Jesus ao homem mal informado de que “tinha mão mirrada”. Não tinha! A matéria não existe, para se mostrar como “mão imperfeita”. Porém, se o “iludido” pela falsidade não se mostrar convencido da Verdade, de nada adiantará a ordem lhe ser dada! Muitos leem os artigos como se fossem Verdades referentes a “outra pessoa”; alguns tentam momentaneamente acreditar, “para  ver se conseguem se livrar da ilusão”, e, segundos depois, concluem que “a ilusão continuou”. Por quê? Por terem ido “testar” a revelação, e não VIVÊ-LA. Frente à Verdade revelada, o que deve ser feito nunca será “um teste”: “Ah, eu vou acreditar para ver se funciona!” Não funcionará! O referencial estará na MENTIRA, e, enquanto isto durar, a VERDADE lhe parecerá ausente!

Diante da revelação “Sois o Templo de Deus”, por exemplo, como deveria reagir alguém com a mente presa à ILUSÃO? Deveria assumir esta Verdade até sentir estar “irradiando LUZ DIVINA pelos poros”! Agir como o CRISTO que é, e não como um “mortal testando revelações”. A Verdade já é verdadeira e a mentira, por isso mesmo, não tem substância alguma! Não existe doença alguma no “Templo de Deus”, que é o nosso Corpo Glorioso! E este reconhecimento deve aflorar de uma convicção absoluta de que DEUS É TUDO!

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Contemple Sua Perfeição Absoluta

A revelação de que Deus Se manifesta como o Ser individual que somos, requer que contemplemos este fato eterno em nós mesmos! A crença universal diz que não há ninguém perfeito; por outro lado, Jesus disse: “Sede perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito”. É evidente que o testemunho divino sobre nós é o que vale, e jamais o testemunho dos homens, que a todos julga pelas aparências e mediante o emprego da ilusória mente humana!

Contemple-se sendo o Cristo! A perfeita e eterna emanação do Verbo! Não tente entender o sentido de “perfeição” com a mente humana, pois, jamais ela o conseguirá! Contente-a com a frase “Sois deuses”; em seguida, entre na “Prática do Silêncio” com pensamentos com o seguinte teor:

“A Consciência, que é Deus, sabe o que significa a perfeição em mim. Esta Consciência é a própria Perfeição Absoluta que aqui Se evidencia como a perfeição que EU SOU”.

Entretenha-se com estas ideias e permaneça aberto e receptivo à sua Consciência iluminada! Deixe-a totalmente livre, para que sua perfeição seja discernida espontaneamente!

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Não Troque a Verdade Por “Linhas de Pensamento”

Alguém que supostamente diz não vivenciar a Verdade , devido a antigos condicionamentos, desconhece o poder da Verdade e a natureza da ilusão. Dar justificativas, em vez de reconhecer sua própria presença como sendo Deus, é como  adubar irrealidades! Seja o que for que a “mente ilusória” articule ou engendre, para tirar-lhe a confiança e a certeza de que VOCÊ , exatamente aqui e agora ,já É Deus sendo a sua totalidade, é pura ilusão! E ilusão não é verdadeiramente um condicionamento, embora colocações desse tipo sejam encontradas na literatura espiritual, mas unicamente com propósitos didáticos. Ilusão é “nada”!

 A uma pessoa adepta do Espiritismo, que se mostrava cheia de problemas de saúde e diante de uma pilha de remédios a serem consumidos em seus tratamentos, eu disse: “Você é o Templo de Deus! Esta é a revelação! Sem ter abertura à Verdade, e sempre enfatizando doenças e tratamentos, a ilusão ficará tomando conta de sua existência!” Ao que ela me respondeu: “Fazer o quê? Tantos anos seguindo uma” linha de pensamento”, mudar, agora, é praticamente impossível!” Eu disse a ela: “Eu também havia passado “tantos anos seguindo uma linha de pensamento”, só que uma “experiência em Deus” pôs fim à mentirada toda!” No meu caso específico, era a “linha de pensamento do Catolicismo”, que enxerga pecados e pecadores até no Papa! Uma linha que a todos  “julga pela carne”, algo inteiramente condenado por Cristo Jesus!

Quando a pessoa não demonstra o menor interesse pela Verdade, a “experiência de Deus”, que já é a experiência real do próprio Deus sendo todos, passa despercebida! A pessoa não tem por meta meditar e discernir esta Presença em si mesma! O poder é dado aos “condicionamentos”, e a pessoa ali permanece, iludida e dando justificativas para a ilusão, mostrando total desinteresse pelo assunto! O Espiritismo ensina que Deus criou a todos como “espíritos simples e ignorantes”, enquanto a Verdade é que o Espírito de Deus, único e onipresente, é o Espírito de cada Filho de Deus, aqui e agora. “Deixar a linha de pensamento” em troca do “Referencial Iluminado” colocaria a pessoa diretamente aberta à Onipotência da Presença de Deus nela própria, mas, se a intenção for a de manter “a linha de pensamento”, este “coração endurecido” atuará como um verdadeiro “filtro”a qualquer Verdade que ali possa ser dita!

O nosso Espírito sempre foi, é, e será o próprio Espírito de Deus, como disse Paulo: “Sois o templo de Deus e o Espírito de Deus habita em vós” (I Cor. 3: 16). Qualquer um que esteja acreditando em contrário, seja adepto de qualquer que possa ser sua “linha de pensamento”, estará negando a Verdade que o tornaria livre! Livre de quê? Da ilusão! Da crença falsa de que AGORA não somos o Espírito de Deus! “Glorificai a Deus no vosso corpo e no vosso Espírito, que pertencem a Deus” (I Cor 6: 20).

Verifique sua “linha de pensamento”, e, se notar que ela conflita com esta Verdade absoluta, não a justifique! Não dê a ela o nome de “condicionamento”; veja-a como figurante da “mente humana”, que é falsa, e assuma que “tem a Mente de Cristo” (I Cor 2: 16). Sua decisão em permanecer nas revelações equivale a dar fim à ILUSÃO!

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Momentos Contemplativos e Momentos de Atitude Enérgica

Recentemente, postei no Blog do Facho de Luz um artigo em que Marie S. Watts associa as frases de Jesus, “Vai-te, Satanás” e “Tendes olhos, mas não vedes”. Ali ela diz: “Vai-te, Satanás” realmente significa: “Sai de minha visão; eu não posso ser compelido a ver algo que não existe!” A segunda, “Tendes olhos, mas não vedes”, significa que, por parecer estarmos vendo as coisas como elas de fato não são, ou como elas meramente aparentam ser, aparentemente falhamos em vê-las como realmente elas são.

O que eu gostaria de comentar é a forma com que Jesus lidava com as aparências, que não era somente através de “contemplações serenas”, mas também com enérgicas e vigorosas atitudes! Quando nos rebelamos contra as “miragens”, não significa estarmos lidando com elas como se fossem poderosas, mas sim no sentido de quebrarmos o “efeito hipnótico” com que elas aparentam nos incomodar! Em nosso dia-a-dia, há momentos em que devemos aplicar o “Vai-te, Satanás”, e com todo o vigor e firmeza, mas não dirigindo esta aplicação a “aparências externas”, e sim à “mente carnal”, que se mostra como cenário ilusório de todas elas! O sentido é percebermos o seguinte: “O que esta mente falsa me mostra, não existe!” O fato é que, verdadeiramente, tudo que os sentidos humanos afirmam existir, é ILUSÃO. E é por isso que esta firmeza, aliada às serenas “contemplações”, nos permite ficar “despertos”, reconhecendo que DEUS É TUDO, e que, “ao lado de Deus, nada existe!”

Na Bíblia, encontramos Jesus sempre agindo como se “falasse com a ilusão”, mandando-a se calar, a sair de cena, etc.. Estas atitudes precisam fazer parte de nossas vidas, para não ficarmos reconhecendo que “Deus é Tudo” apenas em nossos momentos de meditação e, depois, vivermos envoltos pelas “miragens” geradas pela “mente ilusória”, como se fossem imagens verdadeiras! Estejamos ou não “meditando”, o Fato permanente é sempre o mesmo: DEUS É TUDO! E esta firmeza ou vigor, frente aos quadros da ilusão, é-nos exigido, em momentos do dia em que aparentam nos incomodar, para que não nos deixemos arrastar por meras “aparências”, só por não estarmos, naquela hora, em “horário de contemplação”.

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Convença-se…

A confiança nos princípios espirituais é o ponto de partida para que reconheçamos a totalidade de Deus e a nulidade da ilusão. Não há duas existências, para desejarmos a perfeita e nos livrarmos da imperfeita! Jesus disse: “Eu venci o mundo”, e a Bíblia diz que “todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo”. O verbo “vencer” não implica batalhas, mas, simplesmente você se convencer de que “aparências são miragens”, imagens sem substância, que são levadas em conta quando o que é Realidade aparenta estar ausente.

Convença-se de que os sentidos humanos captam apenas “aparências”, olhando-as de frente e, de fato, fazendo este radical reconhecimento! Despenda o tempo que sentir ser o necessário, para que se sinta convencido! Nesta reavaliação consciente das “aparências”, vá tirando delas todo o seu suposto poder de iludir! Sinta-se como o faquir da ilustração hindu, que após ficar momentaneamente tapeado e assustado, por achar ter “visto uma cobra”,  reconheceu, logo em seguida, tratar-se, de fato,  apenas de uma inofensiva  “corda enrolada”. Desse modo a “ilusão” sumiu!

Pouco lhe adiantará ler vezes e mais vezes que “Deus é Tudo”, e que “aparências são falsidades”, se você não se permitir estar convencido interiormente do que estes princípios lhe dizem! É bom que o  reconhecimento de que “Deus é Tudo” seja feito associado ao reconhecimento de que “as aparências são miragens”.  São como dois lados da mesma moeda, isto é, quanto mais você se convencer de que “o visto”, pelos sentidos humanos, é “nada”, mais estará  convencido de que o “não visto” é TUDO!

Além disso, observe, também, que não tentará mudar coisa alguma! TUDO JÁ É! O chamado “mundo fenomênico”, de puras “aparências”, já é NADA, e o “Reino de Deus”, que é a Verdade permanente, já é TUDO! Voltando à ilustração do faquir, “este mundo” seria a “cobra”, e o “Reino de Deus” seria a “corda enrolada”. Convença-se disto!

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Só Ilusão Muda de Cor!

O “mundo das aparências” se mostra em constante mutação; enquanto isso é visto pela mente humana, as “obras de Deus continuam permanentes”, na Perfeição incólume da Natureza divina. Quando se diz, por exemplo, que um camaleão muda de cor, em conformidade com  o seu ambiente, o que está sendo visto não é a “ideia espiritual” que é vida real daquele ser, mas sim o que é pura  atividade da mente ilusória! Como saber a natureza real do camaleão, para não ficarmos sem poder dizer qual é sua forma verdadeira? Assim como a “mente humana” tem seu falacioso desenho mutável referente àquele ser, a Consciência divina tem a sua “permanência eterna” em Si mesma, tanto com relação ao camaleão como com relação ao nosso ser ou qualquer outra “Ideia Divina”, dentre as infinitas Formas que a Consciência abrange, é que Ela É!

Se você tem consciência de que um camaleão existe, a mente humana poderá gerar a “ilusão de mudança de suas cores”; entretanto, se você não se deixar levar pelas mudanças vistas nas “aparências”, para discernir espiritualmente que “o camaleão real”  é presença unicamente em sua Consciência iluminada, ele será entendido corretamente como sendo “um com você”, feito do Verbo, como você,  e sendo integrante imutável da Eternidade permanente, como VOCÊ!

Enquanto o camaleão for “visto” como passível de mudanças, inclusive em suas cores, ele estará sendo desconhecido, uma vez que esta “ilusão” jamais corresponderá à Verdade!

Quando você perceber que “só ilusão muda de cor”,  ao se lembrar do camaleão, irá se lembrar de achá-lo real e existente unicamente “dentro de você”, em sua Consciência, que é Deus!  Onde “acharmos”, em nós mesmos, a presença de algo, teremos achado “o Algo real”, que é Consciência aparecendo como aquela determinada Forma. Mas, quando “acharmos algo” nas “aparências”, que são a ILUSÃO COLETIVA, nada teremos achado, isto é, somente estaremos diante de irrealidades, componentes imaginários do “sonho”, puras miragens efêmeras, sem realidade e sem substância.

O que vale para o camaleão, em termos de estar sendo ou não realmente visto e conhecido, é válido igualmente para toda a Existência! Nada há que sofra mudanças! O que É, permanentemente está SENDO! E, o que é, é unicamente Deus, a Consciência iluminada e infinita, a Consciência que é a minha, a sua e a de todos!  Todas as Formas verdadeiras são esta própria Consciência dando Formas a Si própria, e constituindo o Reino divino onipresente, que é, por isso mesmo, o nosso Reino!

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O Universo é Paz!

O Universo da Realidade é expressão da Paz infinita, não “deste mundo”. Jesus já havia dito ter-nos deixado a Paz, não a que o mundo nos dá, mas a “Minha Paz”. O que o mundo chama de “paz” é um conceito, que pode se mostrar presente ou ausente. Mas, a “Minha Paz” é a Paz permanente que constitui o Universo da Realidade espiritual, e, como o “Eu” que somos, é o “Eu Universal”, o correto está em reconhecermos que “Eu Sou a Paz”.

Quando contemplamos a “Paz infinita”, não como “algo”  que buscamos, ou que temos, mas que “somos”, entendemos a UNIDADE do Universo, pois, o que é UM não tem “algo que possui”, mas sim o que É! Assim como não existe, por exemplo,  copo de vidro e o vidro, mas o “vidro sendo o copo”, numa unidade inseparável, não existe o “Eu” e a “Paz”, mas o “Eu sendo a Paz”. E é por isso que a Paz é inseparável de nossa Existência, podendo unicamente ser reconhecida e contemplada, mas jamais obtida!

Contemple esta Verdade: “O ‘Eu’ que Eu Sou,  é  a Paz infinita Se evidenciando”. Perceba, naturalmente, a Paz Universal Se expressando como o seu Ser, que é Deus!

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Você Jamais Nasce!

 A percepção da inexistência de ”vida nascida” revela a Vida de Deus sendo a Vida Eterna de todos nós, sem começo, mudança ou fim. No Evangelho de Tomé há o seguinte registro: Uma mulher da multidão disse-lhe: Bem-aventurado o ventre que Te gestou e os seios que Te amamentaram. Respondeu Jesus: Bem-aventurados os que ouviram a palavra do Pai e a conservaram em verdade. Porque virão dias em que dirão: Bem-aventurado o ventre que não concebeu e bem-aventurados os seios que não amamentaram.

A esse respeito, Marie S.Watts fez estes comentários: “Jesus sabia que esta mulher estava vendo-o como um homem nascido de mulher. Não estava preparada para ouvir que não existe nascimento algum. Ao dizer: “Bem-aventurados os que ouviram a palavra”, saibamos que esta “palavra” é a Verdade. A palavra é a Verdade de que não há nascimento algum. Jesus estava dizendo: “Vocês irão ver que não há nem criação nem Criador.” E prossegue dizendo: “Chegará o momento em que verão que não existe nascimento, quando irão despertar; e, permanecerão plena e completamente despertos”.

O reconhecimento absoluto de que “ninguém nasce” é chamado de “a pedra angular” do estudo da Verdade, uma vez que sua admissão radical edifica, em nosso entendimento, a “totalidade de Deus”. Como Deus é sem começo e sem fim, a crença em “vidas nascidas” é ilusória. E, é neste contexto absoluto, de que toda Realidade simplesmente É, que Deus deixa de ser encarado como “Criador”, para ser reconhecido como Perfeição Imutável. Ao contemplarmos a natureza de Deus como “Aquele que É”, ou como “Aquele que é TUDO”, estaremos sendo os bem-aventurados que ouvem a Palavra do Pai e a conservam em Verdade, ou seja, estaremos sendo aqueles que discernem a Verdade de que “jamais nascemos”.

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A Reinterpretação Desfaz a Ilusão!

Quando os textos dizem para “nos identificarmos” com a Verdade, ou “nos volvermos das aparências” rumo à Verdade, isto não significa nos desviarmos de fatos, mas sim da ilusória interpretação dos mesmos. Por exemplo, se a aparência for a interpretação de que “o Sol nasce pela manhã no horizonte”, quando este fato for reinterpretado em função do que já é a verdade, a ilusão estará desfeita, e a Terra estará sendo entendida como já girando em torno do Sol. Nunca o fato esteve sendo outro, com o Sol correspondendo à ilusão de que “nasce a cada dia no horizonte”.

Se alguém orasse para “escapar” da ilusão, orando e parando, de tempos em tempos, para verificar “se o Sol teria parado de nascer no horizonte”, teria entendido a verdade? Não. Estaria com a ilusão retida na mente e torcendo para que ela se transformasse em fato verdadeiro!  Isto não funciona! Estudar a Verdade é “conhecer o Fato já verdadeiro”, e o Fato, assim conhecido, desfaz a ilusão – mesmo diante da “aparência” contrária ao Fato! Seria como alguém “vendo o Sol nascer no horizonte”, mas CONVICTO DA VERDADE de que o Fato é “a Terra girando em torno do Sol”

A prática da Verdade se reduz a interpretarmos corretamente os Fatos, sem pretender mudar qualquer deles! Todos os Fatos da VERDADE são a ONIAÇÃO: DEUS SENDO! Orar para alterar alguma “atividade de Deus” seria tolice! Orar para alterar a “ilusão” seria outra tolice! Portanto, durante as “contemplações da Verdade”, fique com os Fatos perfeitos da Oniação conhecidos e aceitos como já evidenciados, sem jamais dar crédito à ilusão de que haja algum deles necessitado de “cura”, “melhoria”, “mudança”, ou algo parecido!

Conheça o Fato referente à pessoa ou condição como “Oniação”, e “permaneça” dando testemunho dessa VERDADE! Exemplificando, se a “aparência” for a de um “corpo com lepra”, o FATO permanece sendo a Verdade de que O CORPO É UM PERFEITO TEMPLO DE LUZ; e, ao ser assim CORRETAMENTE reinterpretado, a ILUSÃO estará desfeita, a menos que esta reinterpretação não tenha merecido crédito total! Por isso a biblia diz que “a oração da fé cura o enfermo”: a fé, em oração, é a reinterpretação do Fato segundo os princípios da Verdade, ou seja, é a pessoa estar CERTA DO NÃO VISTO, mesmo enquanto o “visto” se mostre como “aparência” de doentio!

DEUS É TUDO! O chamado “mal” nunca existiu! Assim como “o Sol jamais nasceu no horizonte”. Honrar a Deus como Oniação perfeita, sem nos dividirmos com “interpretações falaciosas” motivadas pela ILUSÃO, é a “prática da Verdade”,  e esta “prática” requer treinamento e  muita dedicação, e não somente leituras!

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COMENTÁRIOS

Dárcio

No texto “A libertação do Poder espiritual”,  Goldsmith explica realmente um dos princípios mais profundos e eficazes revelado por Jesus, que é o da “não resistência ao mal”. Na postagem anterior, escrevi que “a ilusão é inatingível pela realidade”, ou seja, onde aparenta existir trevas, existe, de fato, a Luz; e, se a Luz pudesse atingir trevas, não seria onipresente!

A exposição feita por Goldsmith sobre como deve ser encarado o Poder divino é bastante útil, pois, erradica a errônea crença comum de que “Deus reconhece ou enfrenta o mal”. Sabemos que o ensinamento de O Caminho Infinito não é absoluto,  pois leva também em conta a ilusória existência terrena. Talvez seja por isso que Goldsmith tenha dito que  Jesus deu o princípio da não-resistência sem nos ensinar como usá-lo. Isto não é verdade! Nem teria cabimento! Mas a forma de empregarmos este princípio está na prática do ensinamento absoluto, que é realmente “buscarmos o reino de Deus em primeiro lugar”, sem lutarmos com a ilusão.

Nossa identificação com a onipotência, que é este reconhecimento do Reino de Deus em nós, e de nós no Reino de Deus, é o modo de pormos em prática este princípio, ou seja, vivendo como Deus, e não como humano aprendendo a praticar o princípio divino. Não poderíamos admitir Deus como onipotente e, ao mesmo tempo, “resistirmos a outro poder”, supostamente visto como “poder maligno”.E não poderíamos admitir Deus como onipresente e, ao mesmo tempo, aceitarmos a nossa “presença”  como não sendo a DELE!

Como Deus é TUDO, e em Sua totalidade, está evidenciado como o “Ser que somos”, não existe “outro ser” para”criar na experiência diária” uma forma pessoal de se praticar a não-resistência! Da aceitação da dualidade pode surgir a crença de que Jesus “deu-nos o princípio, mas não o meio de empregá-lo”, mas o entendimento de que “somos o Um” é, em si, a sua própria “prática”.  

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A”Ilusão” é Inatingível pela Realidade!

A chamada “ilusão” é inatingível por qualquer Realidade, ou seja, não existe nada de Deus tendo acesso a inexistências. Quando alguém diz que estuda a Verdade para se livrar da ilusão, apenas atesta uma impossibilidade! DEUS É TUDO! O Eu que somos é o Eu único que há; portanto, acreditar em “outro eu” em ilusão, e desejoso de dela sair, é imaginar “caminho que leva a nada”.

Quando Jesus disse: “Eu Sou o Caminho”, disse também: “Eu Sou a Verdade e a Vida”. Já sabemos que este “Eu Sou” é impessoal e é o Eu Absoluto que Se expressa como todos nós! Este fato é a “Seiva Eterna” que, além de nutrir a Videira, nutre cada um de seus Ramos. A aceitação de que temos possibilidade de “nos iluminar”, sendo substituída pela aceitação de que “é impossível não estarmos iluminados”, desarma a “crença ilusória” e nos faz discernir estarmos “conscientes” de que “ilusão é nada”, ou melhor, que DEUS É TUDO!

 Por mais que alguém hipnotizado creia piamente nas sensações ilusórias geradas pela “sugestão hipnótica”, jamais ele terá, realmente, vivenciado quaisquer daquelas sensações! O seu ser não poderia jamais ter atingido a “situação irreal”. Ou então, ela seria real! É nesse sentido que podemos afirmar que a chamada “ilusão” é inatingível por qualquer Realidade “.

Na Parábola do Filho Pródigo, é relatada a saída dele da “casa do pai” para viver de si mesmo, e em “terra distante”; vivendo dissolutamente, afastado, e se vendo posteriormente em péssima situação, decidiu-se pela “volta ao pai”, que o recebeu de braços abertos! Como é a “volta” de cada Filho de Deus ao Pai? É o “conhecimento” de que “jamais dali poderia sair”. Impossível sairmos da Onipresença! Impossível acessarmos “ilusão”! Impossível “voltarmos” para uma posição de que jamais saímos! Por isso, partimos sempre de Deus como totalidade onipresente, e de nós mesmos como a “Presença de Deus”  onde estamos.

Contemple estas Verdades como Fatos consumados e permanentes,  e a “Luz do Cristo” estará sendo vista como “SUA LUZ”,  já colocada bem no alto do alqueire! Jamais saiu dali!

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A Dimensão Absoluta Onipresente

Todos os chamados “planos existênciais relativos” são ilusórios, sendo realidade unicamente o que é Deus e a permanência de Suas obras em oniatividade constante e perfeita. Por isso, seja o que for que supostamente possa ser percebido pela mente em ilusão, sendo mutável, transitório ou temporal, é “sombra”, sem nada possuir que seja de natureza substancial.

O estudo do Absoluto não admite um Deus que seja “fábrica de avisos”, no sentido de que utilize a suposta mente humana para nos dar alertas sobre o que é bom ou mau.

Conversando com uma pessoa, ela me disse: “Eu sempre sonho e recebo avisos de Deus, que me mostram as pessoas certas ou erradas que aparecerão em minha vida! Outro dia mesmo, eu havia tido um sonho e, chegando ao meu local de trabalho, apareceu uma pessoa me dizendo que gostaria muito de me prejudicar. Deus já me havia avisado em sonho! Por isso, eu sempre busco pesquisar meus sonhos para não perder estes avisos de Deus”. Eu disse a ela: “Deus nada tem a ver com isto; Deus não faz acepção de pessoas, para  avisar que há boas ou más pessoas na vida de ninguém! Tudo isso é armação do subconsciente, da mente carnal, e, em vez de viver em função de sonhos desta mente ilusória, você deveria estar discernindo o Universo Perfeito, com a Mente de Cristo, que, está revelado, é a sua Mente verdadeira. Enquanto você ficar dependente de sonhos que o “avisam” sobre boas ou más pessoas, sobre bons ou maus acontecimentos, você estará se vendo como “Adão com a maçã na boca”,  engolindo a “crença ilusória” no bem e no mal”.

Em resumo, foi esta a resposta que dei à pessoa, que continuou acreditando que  ter  seguidamente “sonhos-avisos de Deus” era, realmente,  um dom de Deus que possuía.

É dificil alguém se mostrar totalmente aberto unicamente à Presença de Deus! Apesar disso, DEUS É TUDO! A Luz divina é onipresente, e a Substância-Verbo é permanentemente perfeição absoluta, exatamente onde a suposta “mente humana” diz haver boas pessoas, más pessoas, bons acontecimentos, maus acontecimentos! Reconhecer a Dimensão Absoluta Onipresente significa, portanto, ver unicamente a Verdade de que a Mente divina é ÚNICA, o que equivale a  lançarmos fora a “maçã da árvore do conhecimento do bem e do mal”, pela nossa identificação total e única com o Reino de Deus. Não é possível honrarmos a Deus como Perfeição Onipresente e, logo em seguida, acreditarmos que Ele nos envie “visões”, “profecias” e demais tapeações mentais, boas e más,  ligadas a um ilusório mundo material! Estas visões ou profecias não fazem parte da Consciência iluminada de Deus! E, esta Consciência, por ser única, é a NOSSA!

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