Momentos Contemplativos e Momentos de Atitude Enérgica

Recentemente, postei no Blog do Facho de Luz um artigo em que Marie S. Watts associa as frases de Jesus, “Vai-te, Satanás” e “Tendes olhos, mas não vedes”. Ali ela diz: “Vai-te, Satanás” realmente significa: “Sai de minha visão; eu não posso ser compelido a ver algo que não existe!” A segunda, “Tendes olhos, mas não vedes”, significa que, por parecer estarmos vendo as coisas como elas de fato não são, ou como elas meramente aparentam ser, aparentemente falhamos em vê-las como realmente elas são.

O que eu gostaria de comentar é a forma com que Jesus lidava com as aparências, que não era somente através de “contemplações serenas”, mas também com enérgicas e vigorosas atitudes! Quando nos rebelamos contra as “miragens”, não significa estarmos lidando com elas como se fossem poderosas, mas sim no sentido de quebrarmos o “efeito hipnótico” com que elas aparentam nos incomodar! Em nosso dia-a-dia, há momentos em que devemos aplicar o “Vai-te, Satanás”, e com todo o vigor e firmeza, mas não dirigindo esta aplicação a “aparências externas”, e sim à “mente carnal”, que se mostra como cenário ilusório de todas elas! O sentido é percebermos o seguinte: “O que esta mente falsa me mostra, não existe!” O fato é que, verdadeiramente, tudo que os sentidos humanos afirmam existir, é ILUSÃO. E é por isso que esta firmeza, aliada às serenas “contemplações”, nos permite ficar “despertos”, reconhecendo que DEUS É TUDO, e que, “ao lado de Deus, nada existe!”

Na Bíblia, encontramos Jesus sempre agindo como se “falasse com a ilusão”, mandando-a se calar, a sair de cena, etc.. Estas atitudes precisam fazer parte de nossas vidas, para não ficarmos reconhecendo que “Deus é Tudo” apenas em nossos momentos de meditação e, depois, vivermos envoltos pelas “miragens” geradas pela “mente ilusória”, como se fossem imagens verdadeiras! Estejamos ou não “meditando”, o Fato permanente é sempre o mesmo: DEUS É TUDO! E esta firmeza ou vigor, frente aos quadros da ilusão, é-nos exigido, em momentos do dia em que aparentam nos incomodar, para que não nos deixemos arrastar por meras “aparências”, só por não estarmos, naquela hora, em “horário de contemplação”.

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Convença-se…

A confiança nos princípios espirituais é o ponto de partida para que reconheçamos a totalidade de Deus e a nulidade da ilusão. Não há duas existências, para desejarmos a perfeita e nos livrarmos da imperfeita! Jesus disse: “Eu venci o mundo”, e a Bíblia diz que “todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo”. O verbo “vencer” não implica batalhas, mas, simplesmente você se convencer de que “aparências são miragens”, imagens sem substância, que são levadas em conta quando o que é Realidade aparenta estar ausente.

Convença-se de que os sentidos humanos captam apenas “aparências”, olhando-as de frente e, de fato, fazendo este radical reconhecimento! Despenda o tempo que sentir ser o necessário, para que se sinta convencido! Nesta reavaliação consciente das “aparências”, vá tirando delas todo o seu suposto poder de iludir! Sinta-se como o faquir da ilustração hindu, que após ficar momentaneamente tapeado e assustado, por achar ter “visto uma cobra”,  reconheceu, logo em seguida, tratar-se, de fato,  apenas de uma inofensiva  “corda enrolada”. Desse modo a “ilusão” sumiu!

Pouco lhe adiantará ler vezes e mais vezes que “Deus é Tudo”, e que “aparências são falsidades”, se você não se permitir estar convencido interiormente do que estes princípios lhe dizem! É bom que o  reconhecimento de que “Deus é Tudo” seja feito associado ao reconhecimento de que “as aparências são miragens”.  São como dois lados da mesma moeda, isto é, quanto mais você se convencer de que “o visto”, pelos sentidos humanos, é “nada”, mais estará  convencido de que o “não visto” é TUDO!

Além disso, observe, também, que não tentará mudar coisa alguma! TUDO JÁ É! O chamado “mundo fenomênico”, de puras “aparências”, já é NADA, e o “Reino de Deus”, que é a Verdade permanente, já é TUDO! Voltando à ilustração do faquir, “este mundo” seria a “cobra”, e o “Reino de Deus” seria a “corda enrolada”. Convença-se disto!

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Só Ilusão Muda de Cor!

O “mundo das aparências” se mostra em constante mutação; enquanto isso é visto pela mente humana, as “obras de Deus continuam permanentes”, na Perfeição incólume da Natureza divina. Quando se diz, por exemplo, que um camaleão muda de cor, em conformidade com  o seu ambiente, o que está sendo visto não é a “ideia espiritual” que é vida real daquele ser, mas sim o que é pura  atividade da mente ilusória! Como saber a natureza real do camaleão, para não ficarmos sem poder dizer qual é sua forma verdadeira? Assim como a “mente humana” tem seu falacioso desenho mutável referente àquele ser, a Consciência divina tem a sua “permanência eterna” em Si mesma, tanto com relação ao camaleão como com relação ao nosso ser ou qualquer outra “Ideia Divina”, dentre as infinitas Formas que a Consciência abrange, é que Ela É!

Se você tem consciência de que um camaleão existe, a mente humana poderá gerar a “ilusão de mudança de suas cores”; entretanto, se você não se deixar levar pelas mudanças vistas nas “aparências”, para discernir espiritualmente que “o camaleão real”  é presença unicamente em sua Consciência iluminada, ele será entendido corretamente como sendo “um com você”, feito do Verbo, como você,  e sendo integrante imutável da Eternidade permanente, como VOCÊ!

Enquanto o camaleão for “visto” como passível de mudanças, inclusive em suas cores, ele estará sendo desconhecido, uma vez que esta “ilusão” jamais corresponderá à Verdade!

Quando você perceber que “só ilusão muda de cor”,  ao se lembrar do camaleão, irá se lembrar de achá-lo real e existente unicamente “dentro de você”, em sua Consciência, que é Deus!  Onde “acharmos”, em nós mesmos, a presença de algo, teremos achado “o Algo real”, que é Consciência aparecendo como aquela determinada Forma. Mas, quando “acharmos algo” nas “aparências”, que são a ILUSÃO COLETIVA, nada teremos achado, isto é, somente estaremos diante de irrealidades, componentes imaginários do “sonho”, puras miragens efêmeras, sem realidade e sem substância.

O que vale para o camaleão, em termos de estar sendo ou não realmente visto e conhecido, é válido igualmente para toda a Existência! Nada há que sofra mudanças! O que É, permanentemente está SENDO! E, o que é, é unicamente Deus, a Consciência iluminada e infinita, a Consciência que é a minha, a sua e a de todos!  Todas as Formas verdadeiras são esta própria Consciência dando Formas a Si própria, e constituindo o Reino divino onipresente, que é, por isso mesmo, o nosso Reino!

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O Universo é Paz!

O Universo da Realidade é expressão da Paz infinita, não “deste mundo”. Jesus já havia dito ter-nos deixado a Paz, não a que o mundo nos dá, mas a “Minha Paz”. O que o mundo chama de “paz” é um conceito, que pode se mostrar presente ou ausente. Mas, a “Minha Paz” é a Paz permanente que constitui o Universo da Realidade espiritual, e, como o “Eu” que somos, é o “Eu Universal”, o correto está em reconhecermos que “Eu Sou a Paz”.

Quando contemplamos a “Paz infinita”, não como “algo”  que buscamos, ou que temos, mas que “somos”, entendemos a UNIDADE do Universo, pois, o que é UM não tem “algo que possui”, mas sim o que É! Assim como não existe, por exemplo,  copo de vidro e o vidro, mas o “vidro sendo o copo”, numa unidade inseparável, não existe o “Eu” e a “Paz”, mas o “Eu sendo a Paz”. E é por isso que a Paz é inseparável de nossa Existência, podendo unicamente ser reconhecida e contemplada, mas jamais obtida!

Contemple esta Verdade: “O ‘Eu’ que Eu Sou,  é  a Paz infinita Se evidenciando”. Perceba, naturalmente, a Paz Universal Se expressando como o seu Ser, que é Deus!

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Você Jamais Nasce!

 A percepção da inexistência de ”vida nascida” revela a Vida de Deus sendo a Vida Eterna de todos nós, sem começo, mudança ou fim. No Evangelho de Tomé há o seguinte registro: Uma mulher da multidão disse-lhe: Bem-aventurado o ventre que Te gestou e os seios que Te amamentaram. Respondeu Jesus: Bem-aventurados os que ouviram a palavra do Pai e a conservaram em verdade. Porque virão dias em que dirão: Bem-aventurado o ventre que não concebeu e bem-aventurados os seios que não amamentaram.

A esse respeito, Marie S.Watts fez estes comentários: “Jesus sabia que esta mulher estava vendo-o como um homem nascido de mulher. Não estava preparada para ouvir que não existe nascimento algum. Ao dizer: “Bem-aventurados os que ouviram a palavra”, saibamos que esta “palavra” é a Verdade. A palavra é a Verdade de que não há nascimento algum. Jesus estava dizendo: “Vocês irão ver que não há nem criação nem Criador.” E prossegue dizendo: “Chegará o momento em que verão que não existe nascimento, quando irão despertar; e, permanecerão plena e completamente despertos”.

O reconhecimento absoluto de que “ninguém nasce” é chamado de “a pedra angular” do estudo da Verdade, uma vez que sua admissão radical edifica, em nosso entendimento, a “totalidade de Deus”. Como Deus é sem começo e sem fim, a crença em “vidas nascidas” é ilusória. E, é neste contexto absoluto, de que toda Realidade simplesmente É, que Deus deixa de ser encarado como “Criador”, para ser reconhecido como Perfeição Imutável. Ao contemplarmos a natureza de Deus como “Aquele que É”, ou como “Aquele que é TUDO”, estaremos sendo os bem-aventurados que ouvem a Palavra do Pai e a conservam em Verdade, ou seja, estaremos sendo aqueles que discernem a Verdade de que “jamais nascemos”.

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A Reinterpretação Desfaz a Ilusão!

Quando os textos dizem para “nos identificarmos” com a Verdade, ou “nos volvermos das aparências” rumo à Verdade, isto não significa nos desviarmos de fatos, mas sim da ilusória interpretação dos mesmos. Por exemplo, se a aparência for a interpretação de que “o Sol nasce pela manhã no horizonte”, quando este fato for reinterpretado em função do que já é a verdade, a ilusão estará desfeita, e a Terra estará sendo entendida como já girando em torno do Sol. Nunca o fato esteve sendo outro, com o Sol correspondendo à ilusão de que “nasce a cada dia no horizonte”.

Se alguém orasse para “escapar” da ilusão, orando e parando, de tempos em tempos, para verificar “se o Sol teria parado de nascer no horizonte”, teria entendido a verdade? Não. Estaria com a ilusão retida na mente e torcendo para que ela se transformasse em fato verdadeiro!  Isto não funciona! Estudar a Verdade é “conhecer o Fato já verdadeiro”, e o Fato, assim conhecido, desfaz a ilusão – mesmo diante da “aparência” contrária ao Fato! Seria como alguém “vendo o Sol nascer no horizonte”, mas CONVICTO DA VERDADE de que o Fato é “a Terra girando em torno do Sol”

A prática da Verdade se reduz a interpretarmos corretamente os Fatos, sem pretender mudar qualquer deles! Todos os Fatos da VERDADE são a ONIAÇÃO: DEUS SENDO! Orar para alterar alguma “atividade de Deus” seria tolice! Orar para alterar a “ilusão” seria outra tolice! Portanto, durante as “contemplações da Verdade”, fique com os Fatos perfeitos da Oniação conhecidos e aceitos como já evidenciados, sem jamais dar crédito à ilusão de que haja algum deles necessitado de “cura”, “melhoria”, “mudança”, ou algo parecido!

Conheça o Fato referente à pessoa ou condição como “Oniação”, e “permaneça” dando testemunho dessa VERDADE! Exemplificando, se a “aparência” for a de um “corpo com lepra”, o FATO permanece sendo a Verdade de que O CORPO É UM PERFEITO TEMPLO DE LUZ; e, ao ser assim CORRETAMENTE reinterpretado, a ILUSÃO estará desfeita, a menos que esta reinterpretação não tenha merecido crédito total! Por isso a biblia diz que “a oração da fé cura o enfermo”: a fé, em oração, é a reinterpretação do Fato segundo os princípios da Verdade, ou seja, é a pessoa estar CERTA DO NÃO VISTO, mesmo enquanto o “visto” se mostre como “aparência” de doentio!

DEUS É TUDO! O chamado “mal” nunca existiu! Assim como “o Sol jamais nasceu no horizonte”. Honrar a Deus como Oniação perfeita, sem nos dividirmos com “interpretações falaciosas” motivadas pela ILUSÃO, é a “prática da Verdade”,  e esta “prática” requer treinamento e  muita dedicação, e não somente leituras!

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COMENTÁRIOS

Dárcio

No texto “A libertação do Poder espiritual”,  Goldsmith explica realmente um dos princípios mais profundos e eficazes revelado por Jesus, que é o da “não resistência ao mal”. Na postagem anterior, escrevi que “a ilusão é inatingível pela realidade”, ou seja, onde aparenta existir trevas, existe, de fato, a Luz; e, se a Luz pudesse atingir trevas, não seria onipresente!

A exposição feita por Goldsmith sobre como deve ser encarado o Poder divino é bastante útil, pois, erradica a errônea crença comum de que “Deus reconhece ou enfrenta o mal”. Sabemos que o ensinamento de O Caminho Infinito não é absoluto,  pois leva também em conta a ilusória existência terrena. Talvez seja por isso que Goldsmith tenha dito que  Jesus deu o princípio da não-resistência sem nos ensinar como usá-lo. Isto não é verdade! Nem teria cabimento! Mas a forma de empregarmos este princípio está na prática do ensinamento absoluto, que é realmente “buscarmos o reino de Deus em primeiro lugar”, sem lutarmos com a ilusão.

Nossa identificação com a onipotência, que é este reconhecimento do Reino de Deus em nós, e de nós no Reino de Deus, é o modo de pormos em prática este princípio, ou seja, vivendo como Deus, e não como humano aprendendo a praticar o princípio divino. Não poderíamos admitir Deus como onipotente e, ao mesmo tempo, “resistirmos a outro poder”, supostamente visto como “poder maligno”.E não poderíamos admitir Deus como onipresente e, ao mesmo tempo, aceitarmos a nossa “presença”  como não sendo a DELE!

Como Deus é TUDO, e em Sua totalidade, está evidenciado como o “Ser que somos”, não existe “outro ser” para”criar na experiência diária” uma forma pessoal de se praticar a não-resistência! Da aceitação da dualidade pode surgir a crença de que Jesus “deu-nos o princípio, mas não o meio de empregá-lo”, mas o entendimento de que “somos o Um” é, em si, a sua própria “prática”.  

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A Libertação do Poder Espiritual

No Caminho Infinito, deixamos para trás a crença teológica em um Poder divino que faz as coisas por engano ou por mal, um Poder divino que combate o mal, o pecado ou a enfermidade, e aceitamos como verdade o princípio místico de que o Espírito é onisciente, onipotente e onipresente, além do qual não há mais nada. O que temos que demonstrar, portanto, é que na presença da força espiritual não há os poderes do pecado, enfermidade, necessidade, acidente, infelicidade ou qualquer outro tipo de miséria humana. Estas coisas negativas podem existir apenas na ausência da força espiritual.

As trevas só podem existir na ausência da luz. A força espiritual é frequentemente descrita como Luz: a Luz do mundo, a Luz que ilumina o caminho, a Luz que ilumina nossos passos. Em toda literatura mística de qualquer parte, a Luz tem sido o símbolo da presença e da força espiritual. Esta força nunca combate as trevas. A Luz, que é o Cristo, nunca luta contra qualquer forma de discórdia.

Jesus nunca lutou contra o pecado , perdoou-o. Ele nunca combateu a doença, debateu com ela ou contra ela. Disse: “Levanta-te, e toma teu leito, e anda”. Só há um registro, na Bíblia, de sua resistência ao mal e que é quando ele expulsou os “cambistas” do templo. Minha crença pessoal é que foi essa a sua maneira de dizer a seus discípulos que nós temos que expulsar de nossa consciência todas as qualidades negativas e destrutivas. A consciência é o templo. As crenças negativas, supersticiosas, más, sensuais ou luxuriosas são os cambistas. Elas representam o sentido materialista que devemos banir de nossa consciência.

Afora o encontro de Jesus com os cambistas, o Mestre ensinou: “Não resistais ao mal”. “Mete no seu lugar a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão”. A Luz do mundo não debate com as trevas, não luta ou tenta de qualquer modo afastar as trevas. A Luz, sendo a Luz, não pode ser extinta por qualquer tipo de trevas.

“Onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade”. Não diz: onde há o Espírito do Senhor, “há uma batalha”, ou onde o Espírito do Senhor está, “há uma luta contra o pecado”. Pelo contrário, onde o Espírito do Senhor está, há paz, há liberdade. “Na tua presença há abundância de alegrias” (Salmos 16: 11). Certamente, isso não indica batalhar ou lutar ou qualquer sentido de conquista. Antes, indica que onde Deus é compreendido, há paz porque nada há a combater. A Luz não combate as trevas e na presença dela não há trevas, pecado, enfermidade, morte, necessidade, limitação, relacionamentos humanos infelizes. Se nós aceitamos isso como um princípio, demonstraremos força espiritual, a presença de Deus, e isso é tudo. Mas a elaboração deste princípio, em nossa experiência diária, é um assunto individual. Não há fórmulas, não há possibilidade de formular um meio específico de demonstrar isso.

O Mestre deu-nos o princípio da não-resistência, mas não nos mostrou como é feito. Depois que tivermos o princípio, cabe-nos ver como criá-lo na experiência diária e provar que na presença dessa força espiritual concebida, o poder temporal, quer de natureza material, mental, moral ou financeira, não é uma força. De fato, nem mesmo existe na presença dessa Luz espiritual que somos.

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A”Ilusão” é Inatingível pela Realidade!

A chamada “ilusão” é inatingível por qualquer Realidade, ou seja, não existe nada de Deus tendo acesso a inexistências. Quando alguém diz que estuda a Verdade para se livrar da ilusão, apenas atesta uma impossibilidade! DEUS É TUDO! O Eu que somos é o Eu único que há; portanto, acreditar em “outro eu” em ilusão, e desejoso de dela sair, é imaginar “caminho que leva a nada”.

Quando Jesus disse: “Eu Sou o Caminho”, disse também: “Eu Sou a Verdade e a Vida”. Já sabemos que este “Eu Sou” é impessoal e é o Eu Absoluto que Se expressa como todos nós! Este fato é a “Seiva Eterna” que, além de nutrir a Videira, nutre cada um de seus Ramos. A aceitação de que temos possibilidade de “nos iluminar”, sendo substituída pela aceitação de que “é impossível não estarmos iluminados”, desarma a “crença ilusória” e nos faz discernir estarmos “conscientes” de que “ilusão é nada”, ou melhor, que DEUS É TUDO!

 Por mais que alguém hipnotizado creia piamente nas sensações ilusórias geradas pela “sugestão hipnótica”, jamais ele terá, realmente, vivenciado quaisquer daquelas sensações! O seu ser não poderia jamais ter atingido a “situação irreal”. Ou então, ela seria real! É nesse sentido que podemos afirmar que a chamada “ilusão” é inatingível por qualquer Realidade “.

Na Parábola do Filho Pródigo, é relatada a saída dele da “casa do pai” para viver de si mesmo, e em “terra distante”; vivendo dissolutamente, afastado, e se vendo posteriormente em péssima situação, decidiu-se pela “volta ao pai”, que o recebeu de braços abertos! Como é a “volta” de cada Filho de Deus ao Pai? É o “conhecimento” de que “jamais dali poderia sair”. Impossível sairmos da Onipresença! Impossível acessarmos “ilusão”! Impossível “voltarmos” para uma posição de que jamais saímos! Por isso, partimos sempre de Deus como totalidade onipresente, e de nós mesmos como a “Presença de Deus”  onde estamos.

Contemple estas Verdades como Fatos consumados e permanentes,  e a “Luz do Cristo” estará sendo vista como “SUA LUZ”,  já colocada bem no alto do alqueire! Jamais saiu dali!

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A Dimensão Absoluta Onipresente

Todos os chamados “planos existênciais relativos” são ilusórios, sendo realidade unicamente o que é Deus e a permanência de Suas obras em oniatividade constante e perfeita. Por isso, seja o que for que supostamente possa ser percebido pela mente em ilusão, sendo mutável, transitório ou temporal, é “sombra”, sem nada possuir que seja de natureza substancial.

O estudo do Absoluto não admite um Deus que seja “fábrica de avisos”, no sentido de que utilize a suposta mente humana para nos dar alertas sobre o que é bom ou mau.

Conversando com uma pessoa, ela me disse: “Eu sempre sonho e recebo avisos de Deus, que me mostram as pessoas certas ou erradas que aparecerão em minha vida! Outro dia mesmo, eu havia tido um sonho e, chegando ao meu local de trabalho, apareceu uma pessoa me dizendo que gostaria muito de me prejudicar. Deus já me havia avisado em sonho! Por isso, eu sempre busco pesquisar meus sonhos para não perder estes avisos de Deus”. Eu disse a ela: “Deus nada tem a ver com isto; Deus não faz acepção de pessoas, para  avisar que há boas ou más pessoas na vida de ninguém! Tudo isso é armação do subconsciente, da mente carnal, e, em vez de viver em função de sonhos desta mente ilusória, você deveria estar discernindo o Universo Perfeito, com a Mente de Cristo, que, está revelado, é a sua Mente verdadeira. Enquanto você ficar dependente de sonhos que o “avisam” sobre boas ou más pessoas, sobre bons ou maus acontecimentos, você estará se vendo como “Adão com a maçã na boca”,  engolindo a “crença ilusória” no bem e no mal”.

Em resumo, foi esta a resposta que dei à pessoa, que continuou acreditando que  ter  seguidamente “sonhos-avisos de Deus” era, realmente,  um dom de Deus que possuía.

É dificil alguém se mostrar totalmente aberto unicamente à Presença de Deus! Apesar disso, DEUS É TUDO! A Luz divina é onipresente, e a Substância-Verbo é permanentemente perfeição absoluta, exatamente onde a suposta “mente humana” diz haver boas pessoas, más pessoas, bons acontecimentos, maus acontecimentos! Reconhecer a Dimensão Absoluta Onipresente significa, portanto, ver unicamente a Verdade de que a Mente divina é ÚNICA, o que equivale a  lançarmos fora a “maçã da árvore do conhecimento do bem e do mal”, pela nossa identificação total e única com o Reino de Deus. Não é possível honrarmos a Deus como Perfeição Onipresente e, logo em seguida, acreditarmos que Ele nos envie “visões”, “profecias” e demais tapeações mentais, boas e más,  ligadas a um ilusório mundo material! Estas visões ou profecias não fazem parte da Consciência iluminada de Deus! E, esta Consciência, por ser única, é a NOSSA!

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O “Fim do Mundo”

Nada em Deus ou de Deus é humano, mortal, material, irreal ou ilusório. Deus é o Inteiro, a Totalidade. Para assim ser, precisamos ser este UM. Deus é integral – o Integral, Deus é a Íntegra da Vida, Ser, Mundo e Existência. Nesta Integralidade, não há separação; nenhum sofrimento; nenhuma luta ou destruição; nenhuma morte. Nesta Integralidade existe Luz, Visão, Revelação – constante e infindável.

Aqueles que volverem seus corações a Deus, total e completamente – abandonando e abolindo todos os ensinamentos atuais, que prendem o mundo à crença de que estamos separados do Espírito, Deus, o Um (ou que somos algum outro, que não o Espírito) – saberão de Deus que o Espírito e a Existência espiritual são a única Presença. Eles viverão em sua própria Consciência ou Percepção perfeita e pura de que o Espírito é tudo, e de que nós nada podemos ser, senão Espírito.

O fim do mundo significa dar fim à diabólica crença de que somos mortais ou humanidade. Veremos este mesmo Eu, este mesmo Corpo, e este mesmo Mundo como o Real e Verdadeiro – verdadeiramente, o próprio Reino dos Céus. E então, não haverá doença, guerra, sofrimento nem morte; pois, a primeira crença em pecado e separação terá sido banida pela Luz e Revelação resplandecentes e gloriosas de que o EU SOU permanece Total e Único; de que “Eu” sou o único UM – não há ninguém além de “MIM”.

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“Noite e Dia São iguais para Ti”

“Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.”

Salmos, 139: 12

Para o Sol não há noite ou dia: há sua luz brilhando, constantemente. A Bíblia, citando a Realidade divina, diz que “noite e dia são iguais para Ti”. O Ser que somos é Luz constante! Não há vínculo com “aparências”, e todo apego a elas é fruto de uma ilusão. Por este motivo, nosso referencial de existência é o ILUMINADO e nunca o das “sombras mutáveis” supostamente captadas pela mente humana.

Os momentos de meditação contemplativa são aqueles especialmente destinados para nos posicionarmos corretamente diante de nosso Ser divino! É quando nos vemos sendo o Eu iluminado em sua manifestação esplendorosa e perfeita! Nada das “aparências” significa alguma coisa que nos diga respeito! É por isso que a aceitação radical de que DEUS é o EU QUE SOMOS, é vitalmente importante neste estudo! Quanto menos você se associar com “aparências visíveis”, mais estará no processo do “morrer diário” citado por Paulo, que culminou em sua declaração gloriosa de ser O CRISTO! Este processo de “renascimento” em nada altera o Eu que somos, e que é permanentemente o Cristo “oculto em Deus”; como ilustra a filosofia oriental, é um processo semelhante à remoção contínua das cascas de uma cebola – crenças falsas- que revela o Ser glorioso, que já está consumado, aparentemente oculto por todas elas.

O estudo absolutista nos conduz diretamente à Essência absoluta, ou seja, à cebola sem nenhuma casca! Por isso, não admite a “ilusão” como algo a ser removido, mas como o “nada” já ocupado pelo TUDO, que é Deus! Importa que nosso “ponto de partida” seja sempre a presença de Deus sendo o Eu que somos! “Eu Sou o Caminho”, disse Jesus, definindo com clareza que o foco ou referencial é divino e consumado!

Contemple-se como “cebola sem nenhuma pele”, concluindo que o que resta, em termos de percepção, é unicamente o “vazio” de crenças falsas, ou seja, Deus Se discernindo como seu o Eu!

“Conhecer a Verdade ” é “Desconhecer a Ilusão”

Se o Universo está consumado e preenchido por Deus, esta permanência da Existência divina exclui a possibilidade de haver “outra substância” como matéria-prima de algo real. É por isso que os estudos apontam o Verbo divino como única Substância já evidenciada, aqui e agora! Não existe “outra matéria-prima”, senão a espiritual. “Sem o Verbo, nada do que foi feito se fez”, diz o Evangelho de João.

Qualquer suposto sentido que capte “outra Substância”, sem que esta seja divina e perfeita, é fictício! Assemelha-se a uma “substância” supostamente percebida por um sonhador nas imagens ilusórias de seu sonho! Tal “substância” jamais esteve presente como realidade, e apenas lhe dava a impressão de ser existência verdadeira em virtude de ele não estar desperto.

Enquanto alguém acreditar nas “imagens deste mundo”, estará dando realidade à ilusão de que “um sonho é realidade”. É por esse motivo que as meditações contemplativas jamais levam em conta as “aparências”, em termos de estarmos meditando para melhorá-las ou adequá-las a vontades pessoais de “sonhadores”. “Desperta, tu que dormes, e a luz de Cristo em ti brilhará”, diz a Bíblia. Quando “este mundo” for entendido como “sonho sem substância”, as crenças em nascimentos, mudanças e mortes ficarão sem a sua sustentação ilusória, Deus será discernido como TUDO, a Substância única será vista como Evidência onipresente, e a Verdade estará conhecida! Em outras palavras, “conhecer a Verdade” significa simplesmente “desconhecer a ilusão”.

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Jamais separados de Deus!

A Verdade não pode ser revelada, a não ser quando você estiver desvinculado de crenças e ensinamentos que o associem com algum outro ser, que não o Espírito. Uma vez que você encare a Deus, e volte seu coração unicamente a Ele, deixando de lado todo pensamento de “outro mundo” de pessoas e coisas, você estará na Luz imediata, que lhe revela tudo o que deva saber. Como o Ser Único é sua Vida e seu Eu, e como não pode haver nenhum outro, deve haver, portanto, uma renúncia à sua crença nesse outro.

O Deus infinito é nosso próprio Ser infinito, Mente e Vida perfeita. Esta Egoidade exclui qualquer outro eu ou existência. A Onisciência exclui a presença de qualquer outra mente. A Onipotência exclui a presença de qualquer outro poder. O UM perfeito, Infinito, conhece a Si mesmo como o Infinito “Tudo em Tudo”.

A Resposta aos problemas do mundo não será achada na cura de doenças ou na superação de guerras. O profundo significado desta hora é o de que devemos volver nossos corações de tudo mais rumo a Deus diretamente, para que haja Luz, Visão e Revelação.

Nenhum tratamento ou demonstração será prova suficiente para esta hora crucial. A Luz, somente, poderá revelar o Caminho. Os velhos ensinamentos e crenças serão, aqui e agora, abolidos completamente. Eis que”Eu” faço NOVAS todas as coisas!

Esta Nova Luz vem bem abaixo da superfície. Ela atinge as próprias profundezas do coração, onde descobre a crença e o ensinamento profundamente arraigados de que somos mortais, ou seres humanos com corpos materiais, vivendo numa existência humana. Nada disso é verdadeiro. Precisa ser derrubado, abolido e banido.

O ensinamento e a crença básica de todas as religiões é que nós estamos agora separados de Deus: que Deus é Espírito, mas nós somos mortais ou humanidade. A Luz revela que não somos humanos ou mortais; que não há mortal algum para ser regenerado, nem corpo necessitado de cura, e nenhum mundo passível de ser destruído. A Luz revela que  jamais estivemos separados de Deus!

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Do “Visto” Para o “Não Visto”

Quando, inesperadamente, surge uma “aparência indesejável”, neste exato instante você deve evitar de se deixar levar por seus quadros, isolando-se deles internamente e ficando apenas de espectador. “Congele” a imagem ilusória internamente! É dessa forma que o “fluxo da ilusão” é cortado, e você fica em sintonia com a Harmonia da Realidade absoluta.

O apóstolo Paulo disse o seguinte: “O que se vê procede do que não se vê”. Por isso, se o que for “visto” for tirado de atenção, para ficarmos discernindo o “não visto”, as “aparências” não terão nutrientes fornecidos por nós para se conservarem desarmônicas!  A visão nossa, tirada delas e posta na “perfeição invisível”, equivalerá a “cortarmos o mal pela raiz”.

Portanto, sejam quais forem as “miragens”, apenas remova delas toda a atenção, serenize a mente e contemple o que “não se vê”, ou seja, a “Perfeição absoluta”, invisível para a ilusória mente humana. É desse modo que “o que não é visto” passará a “ser visto”, mas, a partir de então, como “aparências” de harmonia.

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A Concepção Verdadeira do Ser

Lutar contra as imperfeições captadas pela chamada “mente humana” seria o mesmo que endossá-las. Por isso é necessário conhecer os princípios espirituais da Verdade absoluta, para que esta batalha empreendida contra o erro deixe de ser vista como real, quando o real é unicamente Deus e Sua perfeição onipresente.

“As concepções do pensamento mortal, que erra, têm de ceder ao ideal de tudo o que é perfeito e eterno. Através de muitas gerações as crenças humanas alcançarão concepções mais divinas, e o modelo imortal e perfeito da criação de Deus será finalmente reconhecido como a única concepção verdadeira do ser”, disse Mary Baker Eddy em Ciência e Saúde.  Cada um que estuda o Absoluto já parte desta “única concepção verdadeira do ser”, pois, partir de quaisquer outras concepções será admitir o erro e nele permanecer!

A Verdade é a Evidência da Perfeição infinita exatamente agora, e esta é a “concepção de Deus” sobre o que Ele próprio É como TUDO! Quando repudiamos as “imagens ilusórias” de modo radical, contemplando a perfeição perene evidenciada no lugar das “aparências”, obrigamos o pensamento mortal errôneo a “ceder ao ideal de tudo o que é perfeito e eterno”, que é o que nos diz a citação sobre o que precisa ser feito.

Para colocarmos em prática o que dizem os princípios, precisamos ter a certeza de que A PERFEIÇÃO já está evidenciada e assim mantida por Deus. É quando olhamos as “aparências” de frente, munidos da seguinte certeza:

“Isto não é o que a “aparência” diz ser; isto é Deus evidenciado como permanente perfeição absoluta”.

Desse modo, removendo todo poder das “imagens ilusórias”, contemplamos a Onipotência já  evidenciada – a única concepção verdadeira do ser.

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O Paraíso é Aqui

As Verdades que contemplamos e reconhecemos durante a “Prática do Silêncio”, obviamente, continuam plenamente  válidas em nosso dia-a-dia, apesar de a mente humana nos sugerir o contrário, ou que “estamos na matéria”. Jamais estivemos, estamos ou estaremos em “mundo material”, uma vez que a Onipresença é ESPÍRITO em Autoexpressão permanente.

Entender que “vivemos num Universo espiritual” é a prática da mensagem de Jesus revelada no Sermão da Montanha. Em outras palavras, este estudo se reduz a aceitarmos que vivemos permanentemente  no Paraíso. Ficando este ponto bem compreendido, ficaremos aptos a olhar as “aparências” como ilusórias, sempre que elas aparecerem dando ares de serem verdadeiras! Por esse motivo, durante as meditações contemplativas, precisamos ser extremamente radicais!

“EU ESTOU NO PARAÍSO!” – esta admissão sem esforço, com “coração de menino”, é a admissão da Verdade absoluta! A partir disso, sejam quais forem as “aparências” dissonantes da perfeição imutável, estando você convicto de “estar no Paraíso”,  saberá lidar com elas com  total desprezo e não envolvimento! Mesmo com os sentidos humanos dando testemunho da mentira, a Consciência divina, reconhecida como  a sua, permanecerá impassível em Si mesma, testemunhando a Oniação da Realidade Perfeita,  sem se deixar  mover pelas “sugestões ilusórias” deste mundo.

Nossa permanência no “Referencial Verdadeiro” se compara a alguém que, olhando um lago com as águas agitadas pelo vento, vê-se em terra firme, sem permitir que a agitação o inclua como se do lago ele participasse. Ele poderá até “ver” a agitação, mas, saberá que não faz parte dela!

Todas as “aparências” de imperfeição, problemas ou conflitos são “o lago agitado”, com você fora dele! Este é também o sentido da “Arca de Noé, quando o “dilúvio” das aparências não a consegue inundar! A “Arca” representa o Paraíso em que vivemos como “Consciência iluminada”, enquanto o “dilúvio” representa o amontoado de agitações ilusórias supostamente vivenciadas pela “mente em ilusão”. Desse modo, saber que estamos sempre em Deus, e jamais na matéria – que não existe – é  “praticar” a Verdade de que o Paraíso é AQUI!

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“O Pai Sabe o Que Vos é Necessário”

Quando Jesus disse que “o Pai conhece nossas necessidades antes que Lho peçamos”, esta revelação tem seu valor e importância suprema  em termos de “conhecermos a Verdade”. Em geral, a frase é vista como Deus sabendo do que precisamos como meios de sobrevivência pessoal “neste mundo”; porém, este enfoque dualista, que acredita que Deus vê seres humanos, não é o real conteúdo da frase de Jesus.

Quando meditar, parta desta citação entendendo claramente o seguinte:   DEUS sabe Se revelar como sendo o seu EU. Somente isto é o que importa! DEUS está permanentemente consciente de ser VOCÊ! Não será preciso pensar em “esforço humano” para esta Verdade ser conhecida! Uma, porque jamais “mente ilusória” conhecerá a Verdade; e outra, porque a Mente que é Deus, é a sua!

Por esse motivo, “antes que um ego ilusório” pense em pedir algo a Deus, o próprio Deus já sabe de tudo e, simplesmente por serTUDO, o Pai glorifica todo Filho com a glória de ser UM COM ELE. Conhecer o Fato permanente de que Deus é perfeitamente Autossuprido, e que somos um com Ele, nos faz discernir naturalmente  que “de nada, jamais, necessitamos”.

Seja objetivo nestas “contemplações”, aceitando que “toda a Natureza iluminada” é manifesta AGORA como o Ser que VOCÊ É! O que Jesus pretende, com esta revelação, é que você “suba ao Pai”, vendo-se NELE, e não mais  nas “aparências”, meras ilusões flutuantes entre crenças de estar ora carente, e  ora suprido. Tiago já nos havia alertado: “Toda boa dádiva vem do Alto , do Pai das Luzes, em quem não há variação nem sombra de mudança”. A principal delas, evidentemente, é dádiva da “iluminaçao espiritual”. Aceite-a pela graça, sem jamais negá-la ou pedi-la: já lhe é concedida! “Vosso Pai se agradou em dar-vos o Seu Reino”, disse Jesus!

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“”Eu Sou o Único”

      

Buda disse: “Eu sou o único iluminado em todo o Universo”. Jesus disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Excluamos as falsas noções de separatividade, ou seja, as crenças de que “há Buda” separado  do Ser que somos, ou “há Jesus” separado do Ser que somos: com que ficaremos? Ficaremos com a nossa inclusão no “único iluminado” citado por Buda e ficaremos sendo” o Caminho, a Verdade e a Vida”, da citação de Jesus!

Nunca houve “outro eu” para “sair do único” e ter vida “nascida”,  apartada, errada, pecaminosa e passível de ser salva! Por isso Jesus disse: “Quem perder a sua vida, achá-la-á”, ou seja, tão logo você descarte a ILUSÃO de que possui vida pessoal humana ou terrena, o que eternamente VOCÊ É, será discernido!

Jamais medite com a intenção de “mudar algo em seu Ser”; antes, descarte a possibilidade de “haver outro Ser”,  que não seja o “Eu Único Iluminado”, o Eu que é “o Caminho, a Verdade e a Vida”, o “Eu que é DEUS sendo seu EU”. Tome estes princípios como Verdades absolutas e contemple-os serenamente!

Lillian DeWaters disse o seguinte: “A crença religiosa aceita hoje, é de que pela evolução, regeneração, evangelização, transformação, a mente ou consciência humana será transmutada em Divina. Nada poderia estar mais longe da Verdade. Não há nenhuma existência, senão a Totalidade do Único”.

Como disse Jesus (Evangelho de Tomé), “há muitos rodeando a cisterna, mas não há nenhum na cisterna”. Falava desta enorme perda de tempo com a ILUSÃO, enquanto, o tempo todo, o EU ÚNICO esteve, e está, sendo o  único  EU que todos somos!

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Volte-se à Própria Luz!

Tentar “se aquecer” tocando a chama de uma vela refletida num espelho assemelha-se a alguém querer “se iluminar” olhando sua suposta existência neste “mundo de aparências”. Assim como luz e calor já estão na chama verdadeira, e não na imagem refletida, VOCÊ JÁ ESTÁ ILUMINADO, em seu Ser verdadeiro. “Negue-se a si mesmo, tome sua cruz e me siga” – disse Jesus. Que estava nos dizendo? Estava explicando que “não somos aparências” refletidas na tela da suposta mente humana!

As “contemplações absolutas” partem do “Eu Infinito Iluminado” sendo a presença de tudo e de todos, exatamente agora! Sem “estágios de evolução”, sem “expectativas de iluminação”, sem crenças  em “ego-redenção”!

No Blog Absolutista deixei alguns comentários sobre a “Substância Indivisível” que está, aqui e agora, plenamente EVIDENCIADA, de modo onipresente, perfeito e permanente. Neste estudo não pode haver olhos para “mundo material”, que não passa de uma representação ilusória e temporal de “crenças falsas”. Em Sua amorfia infinita, Deus Se expressa como Formas infinitas de Si e em Si mesmo; desse modo, deixarmos de reconhecer esta Oniação divina, que nos inclui, para acreditarmos em “aparências visíveis”,  equivale, realmente, a alguém ficar sem tirar os olhos da “chama no espelho”, sem noção alguma de que não há, ali, substância alguma! Um tiro naquele espelho e a “chama ilusória” se reduzirá ao “nada originário”.

O “tiro no espelho” que faz desaparecer em sua nulidade o suposto “homem nascido na carne” se chama “renascimento”, ou seja, a “troca de referencial”: deixarmos de acreditar em mente humana para assumir a Mente divina!  Tire sua atenção de “mundo exterior”, onde aparenta existir um “eu com corpo físico”, e volte-se a “Mim”, à Consciência iluminada sendo a sua! Primeiramente, veja-se sendo a Consciência que é Substância espiritual infinita – seu Eu Universal -, em seguida, veja-se sendo a Consciência que é Substância espiritual especificada como – seu Eu Individual. Fazendo uma analogia, seria o Brasil ser visto como País e um de seus estados ser visto como País especificado como “aquele estado”, sem perder a UNIDADE.

Estes princípios não são difíceis de serem praticados, mas precisam ser praticados, para que não sejam somente teorias aprendidas! É preciso haver a decisão absoluta de descartarmos a chama na imagem refletida no espelho, para que toda a atenção esteja voltada  à “chama verdadeira”, existente fora dele! Em outras palavras, é preciso que nos identifiquemos com a Luz que já somos, deixando de olhar  suposto “eu” desejoso de “se iluminar”. Volte-se à própria Luz!

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