Precisamos todos reconhecer, creio, que foi o Cristo, em nosso íntimo, que fez de Jesus o que Ele foi; e o nosso poder, agora, reside em nossa compreensão da Verdade – porque é uma Verdade, quer nos capacitemos ou não disso – que o mesmo Cristo que vive em nós é o que vive em Jesus. É uma parte Dele próprio que Deus colocou em nosso íntimo, que vive sempre aí com inexprimível amor e desejo para assomar à periferia do nosso ser ou do nosso consciente como a nossa suficiência em todas as coisas. “O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para te salvar; ele se regozijará em ti com alegria, descansará no teu amor, exultará sobre ti com júbilo” (Sofonias 3:17). Cristo, em nosso íntimo, é o “bem-amado Filho”, o mesmo que habitava em Jesus. Ele é o “Eu em vós e vós em mim para que sejamos perfeitos” do qual Jesus falou.
Em toda essa explanação, em nada queremos diminuir de Jesus. Ele é ainda o nosso Salvador, pois que padeceu indescritíveis sofrimentos, na perfeita crucificação do ego, para que pudesse nos conduzir a Deus; para que pudesse nos mostrar a saída do pecado, da doença, e da aflição; para nos mostrar como esse mesmo Pai nos ama e vive em nós. Amamos a Jesus e devemos amá-Lo sempre com um amor que é maior do que todos os outros, e para provar o nosso amor seguiremos de perto os seus ensinamentos e a Sua vida. De nenhuma forma poderemos fazer isso perfeitamente, exceto tentando aprender o significado real de tudo o que Ele disse, e permitindo que o Pai opere através de nós, como Ele o fez, através Dele, nosso perfeito Irmão mais velho e Salvador.
Jesus algumas vezes falou da Sua parte mortal, mas Ele vivia quase completamente na parte crística Dele mesmo, tão conscientemente no centro do Seu ser, onde a verdadeira essência do Pai borbulhava em incessante atividade que Ele usualmente falava dessa parte.
Quando Ele disse: – “Vinde a mim que vos aliviarei” não quis dizer que convidava a humanidade a vir à Sua personalidade, Seu ego mortal, pois Ele sabia que milhões de homens e mulheres não poderiam jamais chegar até Ele. Estava falando do próprio Cristo Nele, não significando “Vinde a mim Jesus” mas “Vinde a mim o Cristo”, nem significou “Vinde ao Cristo habitando em mim”, porque comparativamente, pouquíssimos poderiam fazê-lo. Mas Ele disse: – “As palavras que vos digo não as digo de mim mesmo, mas do Pai que me enviou”. Assim, o Pai não dizia “Vinde a Jesus”, mas “Vinde a mim”, o que significa “deixai a vossa parte mortal, onde tudo é doença, tristeza e aflição, e vinde para o Cristo, onde habito e onde vos darei paz. Vinde à capacitação de que sois uno com o Pai, que estais cercados e cheios do amor divino, de que nada há no universo que é real, senão o bem, que todo o bem é vosso e vos dará descanso”.
“Ninguém vem ao Pai senão por mim” não significa que Deus é um Pai severo a quem devamos adular e pacificar indo a Ele através de Jesus, Seu mais terno e mais suplicado Filho. Não disse Jesus: – “Quem me vê a mim, vê o Pai?” Ou, em outras palavras, “Assim como sou, em amor, em gentileza e acessibilidade, assim é o Pai?” Essas palavras significam que ninguém pode ir ao Pai a não ser através da parte crística, em seu íntimo. Você não pode ter esta realização por meio de outra pessoa ou por qualquer caminho externo. Alguém poderá ensiná-lo como realizar e assegurar-lhe que tudo será seu se o fizer, mas você terá de recolher-se dentro de sua própria alma, encontrar ali o Cristo, e buscar o Pai através do Filho, para aquilo que você deseje.
Jesus estava constantemente tentando afastar a atenção do povo da Sua própria personalidade e fixá-la no Pai que habitava Nele, como a fonte de todo o Seu poder. E quando estavam apegados ao Seu eu mortal, porque seus olhos ainda não haviam sido abertos no entendimento sobre o Cristo no íntimo das suas próprias almas, Ele disse: – “Convêm-vos que eu vá. Pois se eu não for, não virá a vós o Paráclito, mas se eu for, enviar-vo-Lo-ei”, isto é, se Ele permanecesse onde pudessem continuar olhando para Ele todo o tempo, eles nunca compreenderiam que o mesmo Espírito de Verdade e de Poder habitava neles próprios.