“Onde Estão Teus Acusadores”?

 A mente humana crê na alucinação imaginada por ela. Assim, uma inexistência chamada “vida terrena” ilude a maioria, através de quadros repletos de imperfeições, problemas e mudanças, enquanto ao mesmo tempo, e de modo contraditório, é reconhecido que “Deus é Onipresente”. A revelação absoluta de que Deus é a única Realidade, única Presença, para esta mente falsa, é pura “loucura”, conforme disse o apóstolo Paulo. E dentro deste dualismo, de se acreditar em Deus e nos “sonhos” da visibilidade, segue a humanidade deixando de desfrutar a própria herança divina de bem-aventuranças plenas. Sempre a expectativa de melhoria é vista como possibilidade futura, e nunca como ALGO AGORA PRESENTE!

 Enquanto a “alucinação coletiva” não ceder lugar à Realidade já manifesta, seus ilusórios frutos, exatamente como simples pesadelos, irão atormentar a todos. Qual é a “alucinação”? O suposto “mundo visível” ou o Reino de Deus? Para a mente humana, um Reino já perfeito e único, já disponível aqui e agora igualmente para todos, é visto como “alucinação” de místicos visionários! Já para os mestres de todos os tempos, a “alucinação” é exatamente tudo aquilo que é visto pela suposta mente humana!

 A Bíblia nos mostra um Jesus Cristo sempre sendo contestado pelo mundo. Mas a Verdade por ele revelada, desafiando todos os obstáculos, AQUI permanece, à espera de alguém disposto a deixar de lado puras MIRAGENS para realmente conhecer a Realidade já presente. Os fariseus disseram a Jesus: “Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro”. Como resposta, ouviram as palavras iluminadas: “Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou. Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo. E, se na verdade julgo, o meu juizo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou…se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”.

 O “julgamento divino” transcende os quadros deste mundo, desconsiderando completamente as “alucinações” aceitas como reais pela mente humana. Este julgamento, que a ninguém condena, é o do próprio Deus vendo a Si mesmo como sendo a TOTALIDADE da Existência. Nesta Visão absoluta da Realidade, quem seria acusado? Onde existiriam acusadores? Em lugar algum! Portanto, no lugar das culpas, condenações e recriminações que parecem existir, o que há, de fato, é a Verdade divina, amorosa e libertadora. Este é o “testemunho verdadeiro” que, segundo Jesus, não julga “segundo a carne”. No relato bíblico encontrado em João 8:11, podemos observar que no exato instante em que a mulher acusada reconheceu que “ninguém a acusava”, ficou LIBERTA! Reconhecer que “ninguém nos condena” é despertar para o fato de que Deus é Onipresença; é reconhecer que a Mente ÚNICA, exatamente por ser única, a NINGUÉM julga! Reconhecer que a Mente ÚNICA é a “nossa” Mente!

Sejam quais forem os chamados “erros”, do passado ou do presente, eles nunca realmente existiram nem existem, a não como ser como “alucinações” da mente humana. Este despertar, tido pelo ladrão ao lado de Jesus, permitiu-lhe ouvir as libertadoras palavras: “Hoje estarás comigo no paraíso”.

 Assim como uma “alucinação de incêndio” não pode ser combatida por bombeiros, a “alucinação” de problemas ou de imperfeições não pode ser desfeita mediante “ações deste mundo”. A “alucinação” é combatida pelo restabelecimento da “mente normal” da pessoa que, iludida, ali reconhecia um incêndio ilusório. De modo idêntico, quando as culpas e acusações deste mundo forem dissipadas pelo “restabelecimento” de nossa mente NORMAL, ou seja, a “Mente de Cristo”, teremos “conhecido a Verdade que nos torna livres”.

*

Curando O Que Não Foi Curado

 

Vezes sem conta, curas baseadas na confiança em Deus, iluminada pelos ensinamentos da Ciência Cristã*, têm sido rápidas e permanentes. Às vezes, porém, um seguidor devoto dos ensinamentos de Cristo Jesus talvez se encontre lutando durante meses para obter a cura de algum problema em particular que não tenha cedido à oração. Surge a pergunta: “Que mais poderá ser feito para provar o poder curativo de Deus?”

 

A resposta pode estar em aprofundar nossa capacidade de adorar “o Pai em espírito e em verdade”1, como Jesus indicou. Isso implica em fazer novas descobertas acerca da natureza incorpórea de Deus como Espírito infinito, e de Sua perfeição como Verdade todo-poderosa. Leva-nos a uma percepção ampliada da espiritualidade atual do homem como exata expressão de Deus – indestrutível, sadio e completo. Expandir dessa maneira nossa compreensão espiritual acerca de Deus e do homem leva-nos ao domínio dado por Deus sobre tudo quanto parece ser material.

 

Talvez a dificuldade esteja em que continuamos a procurar vida, saúde e felicidade na matéria, em vez de desenvolver a convicção de que o homem é desde já espiritual dentro da totalidade de Deus. Em vez de continuar a nutrir o ponto de vista popular de ser a vida material e limitada, de estar ela sujeita  à doença e à discórdia de toda espécie, e em vez de tentar mudar a coitada da matéria em matéria melhor, permaneçamos firmes e alegremente com a compreensão esclarecida de que a individualidade imortal e perfeita do homem está completamente fora da matéria.

 

Todos nós podemos adquirir esse ponto de vista mais elevado e científico que inevitavelmente traz a cura. Para isso talvez seja de proveito estudar a Bíblia novamente numa atitude mental atenta. Persista em se concientizar de que o ser verdadeiro, espiritual, do homem é de fato demonstrável. Jesus compreendia que o homem tem sua origem em Deus. Por isso ele estava certo da espiritualidade presente do homem. Essa compreensão da unidade do homem com Deus e de sua semelhança a Deus era o alicerce de seus notáveis trabalhos de cura. Sua ressurreição mostrou a natureza indestrutível do homem-Cristo.

 

Depois da ressurreição do Mestre, alguns dos seus seguidores ainda estavam tão convictos de que a materialidade é a base da vida, que deixaram de captar o significado espiritual das obras de Jesus. Maria, no entanto, a primeira a ver o Mestre depois da ressurreição, discerniu a condição perfeita de homem espiritual, pura e sem jaça, que Jesus estava demonstrando. Falando na fidelidade do ponto de vista espiritual de Maria e na materialidade dos inimigos de Jesus, Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, escreve em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “Esse materialismo perdeu de vista o verdadeiro Jesus; mas a fiel Maria o viu, e para ela Jesus  representava mais do que nunca a verdadeira ideia de Vida e de substância.”2

 

Apreciar mais profundamente as convicções espirituais que sublinham a obra da vida de nosso Mestre ajudar-nos-á a desenvolver convicções semelhantes acerca de nossa própria espiritualidade  no presente. Ajudar-nos-á a nos identificarmos com o Cristo, “a verdadeira ideia de Vida e de substância”, que traz cura.

 

A convicção que Jesus tinha de sua completa espiritualidade, ficou revelada nos seus ensinamentos, em magníficas obras de  cura que redimiram a humanidade das várias limitações do materialismo. Jesus mostrou desdém pela pretensão de que há poder na matéria, ao silenciar as tempestades, andar em cima das ondas, cirar os doentes desenganados e ressuscitar os mortos. Essas ações mostraram o elevado nível espiritual de seu pensamento e sua recusa em se deixar impressionar pelas pretensas leis da matéria.

 

Embora não fosse mundano, Jesus transformou o mundo. Sua lealdade a Deus e sua unidade com a Verdade infinita deram-lhe domínio sobre o que o rodeava. Deu prova do poder todo-poderoso de Deus e da substancialidade ilimitada do homem como ideia espiritual que representa exclusivamente a Deus.  Em vez de se desesperar diante de alguma suposta ameaça material à sua vida, Jesus calmamente seguiu avante, confiante no controle de Deus e na espiritualidade do homem, o que o exime de todas as discórdias da existência física.

 

Certo dia, na sinagoga, Jesus leu para o povo, o livro de Isaías. Depois de ter lido o trecho que profetizava a vinda do Cristo, profecia que se cumpria na sua própria experiência, começou a repreender a falta de receptividade deles. Então o povo se enfureceu. Agarraram-no, arrastaram-no para fora da sinagoga, levaram-no pela cidade até à beira

De um monte onde planejaram lançá-lo penhasco abaixo. O ódio do pensamento material que resistia ao Cristo, a Verdade, era tão grande que momentaneamente Jesus parecia estar sendo presa dos materialistas ao seu redor. A Bíblia conta-nos que “Jesus, passando por entre eles, retirou-se”3. É claro que Jesus nem sequer por um instante abandonou sua elevação espiritual de pensamento. Estava continuamente dando testemunho de Deus, insistindo em demonstrar a totalidade e o poder que tem Deus de libertar outros, de livrar a ele mesmo. O poder de sua confiança crística concretizou-se à beira do abismo para o qual o povo o havia levado, e Jesus foi libertado.

 

Às vezes uma condição física assustadora e desanimadora procuraria nos levar até à beira de um abismo, isto é, de uma situação material extrema, desde a qual parece que seremos lançados morro abaixo. Todavia, aí mesmo, num suposto precipício de materialidade, também nós podemos passar pelo meio das crenças materiais ao nosso redor. Podemos reconhecer nossa espiritualidade, reivindicar nosso domínio e nossa cura, e seguir nosso caminho – o caminho do Cristo – com alegria.

 

Há alguns anos sofri de um distúrbio físico grave que me causava grandes dores. Orei com fidelidade, e fui ajudado pelas orações de um consagrado praticista da Ciência Cristã. Mas o problema persistiu por muitos meses. Sua gravidade aumentou a ponto de me ser difícil caminhar ou ficar de pé.

 

Certa feita, durante essa experiência, fui tentado a procurar conselho médico. Entre meus colaboradores militares havia vários médicos. A tentação era a de pedir a opinião de um desses amigos quanto à natureza da doença. No entanto, recusei ceder a tal tentação, pois eu era capaz de discernir que seria impossível ao digagnóstico médico dar-me qualquer informação sobre uma idéia de Deus, espiritual e perfeita. E eu estava determinado a não remexer no entulho da materialidade à procura do verdadeiro ser do homem. Estava-me claro que o  único modo certo de achar e comprovar minha condição de homem em Cristo era o de adquirir compreensão melhor a respeito de Deus e desenvolver convicção mais sólida da indestrutível espiritualidade do homem.

 

Procurando pela luz divina, fui inspirado a tornar a ler o relato da vida de Jesus e suas curas, sua espiritualidade vital, sua firme obediência a Deus e sua capacidade de vencer todos os obstáculos. Certa noite meu estudo da Bíblia me levou ao Salmo 139, que diz em parte: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? (…) Se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares: ainda lá me haverá de guiar a tua mão e a tua destra me susterá.”4  De repente, fiquei convencido de que, apesar do que me acontecesse materialmente, eu nunca poderia ficar separado de Deus. Eu era de fato um idéia espiritual de Deus e nunca poderia ser detruído. Discerni que esta convicção espiritual de que a vida está em Deus, abandonando toda fé na assim chamada vida da matéria, era uma lei de restauração para o corpo físico – uma lei de cura. Embora não ocorresse mudança física imediata, eu sabia que estava curado.

 

A enfermidade física ainda continuou esporadicamente por mais ou menos dois meses;  mas a consciência, libertada pelo poder de Deus, desenvolvia melhor sentido de identidade, ou corpo. Foi-me muito proveitosa em relação a este caso uma referência que se encontra em Ciência e Saúde: “A consciência constrói um corpo melhor quando vencida a fé na matéria. Se corriges a crença material pela compreensão espiritual, o Espírito formar-te-á de novo. Nunca mais voltarás a ter medo, a não ser de ofender a Deus, e nunca mais acreditarás que o coração ou qualquer parte do corpo possa destruir-te.”5

 

Prossegui com intrepidez e alegria, na convicção de ter sido curado. Não levou muito tempo, todos os sintomas da doença desapareceram, para nunca mais voltar. Desde aquela ocasião até o presente tenho participado normal e vigorosamente de vários esportes — tênis, natação, caminhadas pelas montanhas, corridas — sem a menor dificuldade.

 

Dessa cura ficou claro que era preciso descartar-me do medo e da preocupação com aquilo que poderia acontecer a uma individualidade material. Quando o poder da presença contínua de Deus foi trazido à luz, viu-se que a materialidade é irreal. A dificuldade foi dominada pelo poder do Cristo, a Verdade, a transformar a consciência humana.

 

Em aditamento à própria cura, senti devoção mais profunda por melhor apreciar e compreender como as curas do Mestre do cristianismo transformavam a consciência, elevando-a de uma base material para uma espiritual. Jesus discernia que o controle todo-poderoso de Deus alcançava cada faceta da vida, subjugando a matéria. Podia dizer impunemente: “Destruí este santuário,  e em três dias o reconstruirei.”6

 

A identidade espiritual, proveniente de Deus, que Jesus viveu e ensinou, é o Cristo, a ideia divina da espiritualidade perfeita. Esta é a verdadeira natureza de cada um de nós. No entanto,  a influência divina do Cristo parecerá oculta enquanto basearmos nossa vida e nossas expectativas nas limitações da materialidade. A Ação libertadora do Cristo vem à luz na proporção em que raciocinarmos desde o ponto de vista de ser o homem verdadeiramente a expressão da totalidade do Espírito e da bondade, da onipresença e da onipotência da Mente. Que ânimo curativo se desenvolve quando raciocinamos com certeza que Deus é Espírito, e o homem é espiritual; que Deus é Vida, e o homem é imortal; que Deus é Amor, e o homem é desprendido e amoroso; que Deus é Verdade, e o homem é perfeito, ilimitado. Podemos insistir em que Deus – Mente, Espírito, Princípio, Verdade, Amor, Alma, Vida – é a lei irresistível do bem, que expulsa toda e qualquer pretensão da mortalidade. Finalmente, segue-se a gloriosa compreensão de que, sendo Deus e Sua ideia, o homem espiritual, inseparáveis, isso constitui-se em lei de cura e regeneração para toda necessidade humana específica. Satisfeitos e serenos nessas convicções, podemos ter confiança em que Deus está realizando Sua santa obra.

 

Ciência e Saúde declara: “A individualidade do homem não é menos tangível por ser espiritual e por não estar sua vida à mercê da matéria. A compreensão de sua individualidade espiritual torna o homem mais real, mais formidável na verdade, e o habilita a vencer o pecado, a moléstia e a morte.”7

 

Deixando de estar preocupados com a materialidade e de dela depender, ficamos cônscios de que o homem já é espiritual no presente. Podemos comprovar progressivamente, pela redenção e pela cura, “a verdadeira idéia de Vida e de substância”. Tal espiritualidade desenvolvida nos trará saúde, vigor e vitalidade — o reino do céu dentro de nós.

 

1João 4:23, 2Ciência e Saúde, p. 314, 3Lucas 4:30, 4Salmos 139:7, 9, 10, 5Ciência e Saúde, p. 425, 6João 2:19, 7Ciência e Saúde, p. 317.

A Páscoa Em Nossos Corações

 Após a noite escura vem o amanhecer dourado e silencioso. Após o inverno frio, irrompe a primavera, nunca deixando de causar admiração quando as flores esbeltas do croco abrem caminho através da neve congelada, e quando soam miríades de vozes alegres que do verde se levantam. Depois do fogo na floresta, folhas novas começam a brotar. Depois das bombas as cidades são reconstruídas. Depois que o coração sofreu profunda perda, um renovado amor começa. E após a crucificação, a hora mais negra do mundo, Cristo Jesus, não vencido pelo ódio e pela morte, foi caminhar no jardim da ressurreição.

A Páscoa dá prova consumada e gloriosa da renovação, e sua mensagem ecoa em um milhão de maneiras. A Ciência Cristã explica que aquilo que humanamente parece ser renovação é apenas um vislumbre da ordem divina –a criação do bem, sempre a se desdobrar, a brilhar através do cenário humano. A carreira de Jesus mostrou que sua vida era a consciência espiritual do bem interminável de Deus. Essa duradoura consciência divina de Jesus se evidenciou na cura de outras pessoas e na indestrutibilidade de sua própria vida. Sua consciência da pura bondade de Deus partilhou assim da eternidade. Ele orou por seus seguidores, dizendo: “A vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)

A decisão de procurar Deus de todo o nosso coração torna-se a resposta natural à mensagem da Páscoa, pois vemos em sua promessa de vida eterna o bem subjacente que aguarda nossa rendição completa ao Amor divino. E, de fato, compreendemos que não estaríamos procurando Deus se o Seu amor já não nos tivesse alcançado.

Mas, que é que parece se levantar entre nós e a eternidade do bem, o conhecimento de Deus? Que é a noite escura de nossa ignorância? No mundo, a evidência do bem parece crescer e minguar, desabrochar e nos ludibriar e então desabrochar outra vez. Por ignorância tomamos pela realidade a charada contínua do mundo em mutação. Olhamos à nossa volta e vemos objetos aprazíveis e a eles nos rendemos e nos afeiçoamos. E à proporção que nos afeiçoamos ao bem material, fugidio, do mundo, adiamos ficar afeiçoados ao bem eterno de Deus. A palavra grega traduzida na Bíblia como “pecado” também significa “errar” ou “sair do caminho que conduz à justiça”. O caminho que Jesus apontou revela a existência espiritual inteiramente separada de começos e fins, posta no bem eterno de Deus.

 Os pecados da vida mortal procuram nos desviar de nossa meta suprema: conhecer a Deus. Mas, se aquilo que fazemos é puro, contribuindo para uma compreensão espiritual de Deus e para amá-Lo, nisso não há pecado. Lembremo-nos de que o cristianismo, com sua interpretação científica, inclui grande amor pelos pecadores, ao passo que condena no pecado o beco sem saída que nos despojaria da herança de alegria eterna no amor do Pai.

Quanto mais perto de Deus chegamos, tanto mais longe do pecado ficamos. “A missão da Ciência Cristã não é unicamente a de curar o enfermo”, escreve a Sra. Eddy, “mas sim a de destruir o pecado no pensamento mortal.” Logo, existe um caminho que nos leva para fora do pecado e do egoísmo, um caminho para fora do ódio, da falsidade, da indiferença. A ressurreição de Jesus, de que os homens tomaram conhecimento naquela sagrada manhã de Páscoa, abre diante de nós uma vereda de ofuscante significação. Podemos tomar essa vereda e unir nosso coração a Deus. Cedemos àquilo que Deus requer de nós por toda a eternidade: sermos o reflexo de Seu próprio bem impecável.

A rendição ao que Deus requer eternamente de nós poderá desenvolver-se em nossos corações. Por vezes, a luz da Páscoa está quase imperceptível, e, de repente, irrompe em revivado esplendor. Como nos virá inexoravelmente a todos, que aqui quer no além, torna-nos humildes, remove o desespero, e nos enaltece infinitamente mais que o orgulho e, contudo, o faz sem arrogância. A luz da ressurreição revela o homem envolto no puro amor de Deus. E, em parte, a Páscoa significa o magnífico transformar do coração desde o que é terreno para o que é celestial, onde abundam paz e esperança indescritíveis.

Entregar tudo a Deus não significa que nos tornemos eremitas, ou que nos descuidemos da família e dos amigos, ou que abandonemos o que é bom: mas temos de nos apegar à fonte divina do bem em vez de àquilo que é humano. E essa fonte é muito mais maravilhosa, muito mais cheia de amor, do que qualquer coisa na terra que tenhamos conhecido. A Páscoa em nossos corações leva-nos para além dos conceitos de que a saúde e o amor e a justiça estão circunscritos humanamente. Capacita-nos a esperar e sentir a abundância espiritual, e a estarmos bem, não embaraçados pelas crenças mortais em hereditariedade, contágio e idade. Capacita-nos a abandonar o beco sem saída do pecado que nega Deus, e a sermos livres.;

 A Páscoa faz ecoar em nossos corações a esperança e a felicidade invulneráveis porque Cristo Jesus provou que a vida do homem é indestrutível. Seus símbolos de renovação nos levam a conhecer o próprio Amor infinito. A Páscoa abençoa nossa vida terrena e faz-nos sentir os ventos da eternidade. Em Ciência e Saúde a Sra. Eddy diz: “Um momento de consciência divina, ou compreensão espiritual da Vida e do Amor. é um antegozo da eternidade. Essa visão sublime, que se obtém e retém quando a Ciência do ser é compreendida, preencheria com a vida discernida espiritualmente o intervalo da morte, e o homem estaria na plena onisciência de sua imortalidade e harmonia eternas, onde o pecado, a doença e a morte são desconhecidos.” Essa pode ser a consequência gloriosa da Páscoa em nossos corações.

(O Arauto da Ciência Cristã – abril 1983)

O Ponto de Partida Nas Contemplações

A Verdade eterna é sem começo e sem fim; assim, toda vez que nos dispusermos a contemplá-la, estaremos fazendo-o a partir de sua permanência, isto é, do fato perene de que a Verdade É!

Quando partimos do Fato de que a Verdade É, não teremos algo além de Deus para considerar, uma vez que esta Verdade é DEUS SENDO TUDO! E esta totalidade de Deus inclui, naturalmente, o “Eu” que somos, o que levou João a escrever: “Amados: agora somos filhos de Deus” (I João 3: 2). Se esta Verdade é vista ou não visivelmente, pouco importa! As “aparências” são imagens fugazes, sem substância ou realidade, e jamais servem como parâmetro de avaliação da Verdade que É,  que está além de todas elas, e de forma incólume. Jamais nossas contemplações levam em conta “aparências” deste mundo! Todas elas, boas ou más, são “imagens falsas”, pura ILUSÃO. O que somos AGORA, é o que realmente sempre somos, sem vínculo algum com “imagens” supostamente vistas pela mente humana.

Parta da Verdade, da Mente divina sendo a sua! Parta de sua PERFEIÇÃO mantida pela Consciência infinita! Mary Baker Eddy disse o seguinte: “Nada é real e eterno – nada é Espírito – a não ser Deus e Sua ideia. O mal não tem realidade. Não é pessoa, nem lugar, nem coisa, mas simplesmente uma crença, uma ilusão do sentido material”. Estes princípios devem reger nossas “contemplações da Verdade”, e aceitos sem contestação, com “coração de criança”, de modo que nosso “ponto de partida” seja realmente condizente com o “contemplar a Verdade”, e nunca com qualquer “participação” da ILUSÃO.

*

A Quietude da Oração, A Atividade do Cristo

 

Quando eu tinha oito anos, uma amorosa vizinha ficou sabendo que nada mais poderia ser feito para aliviar a intensa dor que eu sentia, provocada por mastoidite. Ela, no entanto, fez alguma coisa. Estendeu-nos a mão. Bateu à nossa porta e perguntou à minha mãe se podia orar por mim, de acordo com os ensinamentos da Ciência Cristã. Durante a noite a inflamação dos ouvidos drenou e eu fiquei completamente curada. O Cristo havia entrado em nossa casa.

O Cristo, a Verdade, está tão ativo na consciência hoje, como estava quando João registrou a mensagem do Cristo no livro do Apocalipse: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo”.

 Com frequência lembro-me dessa carinhosa vizinha que apresentou a Ciência Cristã a uma família que, há quatro gerações, vem recebendo suas bênçãos abundantes. Admiro sua confiança no poder sanador de Deus. Mais do que tudo, porém, tenho gratidão pela oração expectante que, sem dúvida, antecedeu sua visita corajosa e abriu caminho para o coração receptivo que aguardava portas adentro.

 Quantas vezes nós também somos confrontados com o anseio clamoroso de nosso próximo, quer seja um vizinho que more em nossa rua, ou alguém que viva do outro lado do globo! Nosso coração, em silêncio, chega até lá. Queremos ajudar. No entanto, somente se vestirmos o manto do Cristo, ou seja, se vivermos as qualidades crísticas de compaixão, pureza e dedicação à espiritualidade, é que poderemos ter certeza da receptividade que abrirá a porta ao Cristo sanador.

 Sem dúvida, é verdadeira a afirmação: “Precisas ser veraz, se a verdade queres ensinar./ Teu coração tem de extravasar, se o de outrem queres tocar.”

 Como, então, podemos ser de substancial auxílio ao coração faminto que clama por ajuda? Os problemas da atualidade são de tal monta que o mero esforço humano parece desconcertantemente inadequado. Incorremos no risco de nos desgastar, sem ao menos tocar a superfície do problema.

 Podemos, no entanto, nos sentir encorajados sabendo que há, na Ciência do Cristo, uma solução prática e eficaz para cada caso. Podemos estar certos de que a resposta para todos os males da humanidade é revelada pela Mente divina.

 Por meio de nossa silenciosa comunhão com Deus, a única Mente, na doce quietude da oração que se dispõe a ouvir, o pensamento torna-se receptivo à Mente divina, ou seja, ao que é divinamente verdadeiro. Discernimos, então, a ideia espiritual de Deus, o Cristo, que demonstra a presença e o poder do bem para curar e abençoar.

 Cultivemos, portanto, a confiança na quietude eloquente da oração. Precisamos estar atentos, porém, quanto à resistência à Verdade que tenta desviar nosso rumo com um anseio de fazer alguma coisa antes mesmo de estabelecer a oração, como base de nossos atos. A Ciência Cristã prova que a mera atividade humana, por si só, não realiza necessariamente muita coisa. A autodisciplina da oração põe em prática a superioridade da metafísica e prova que o ser é domínio e autoridade expressados. Regozijemo-nos por saber que nosso inato desejo de ajudar reflete o Amor divino, que é Deus.

 Esse Amor divino cinge e abrange a todos. Com a oração feita em silêncio, o pensamento se abre e se apercebe de que a voz da Verdade cobre todo o globo e abençoa toda a humanidade. Em sua própria quietude e disposição de ouvir silenciosamente, Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, ouviu o clamor de ajuda vindo da áfrica e dos mais remotos pontos da terra e atendeu a essa necessidade com suas próprias orações e com sua ativa espiritualidade. A Sra. Eddy sabia que a Verdade sobre Deus alcança o coração receptivo com a cura, onde quer que se encontre. Ela escreveu em Retrospecção e Introspecção: “Deus está em toda parte. Por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até aos confins do mundo; e esta voz é a Verdade que destrói o erro, é o Amor que lança fora o medo.” Esse fato demonstrável está à nossa disposição para ser comprovado com alegria.

 Não deveríamos nos surpreender coma descoberta de que a oração silenciosa é eficaz. Aprendemos, na Ciência Cristã, a raciocinar a partir da realidade espiritual da totalidade de Deus. Aprendemos a aceitar a perfeição de Deus como a única causa e encontramos, assim, a consequente perfeição do reflexo de Deus, o homem e o universo.

 A oração inaudível talvez seja a coisa mais preciosa que fazemos. Essa comunhão com Deus, a única Mente, não é pensamento sonhador, nem construção de castelos no ar. É, no entanto, a compreensão consciente do fato científico sobre Deus e Sua criação espiritual.

 É encorajador saber que a oração é substantiva e eficaz. Auxilia a minorar a carência e o infortúnio humanos. A luz do Cristo projetada na consciência dissipa as trevas do desalento e do desespero. A apurada sintonia da serena comunhão com Deus traz à luz a grandiosa harmonia do Amor.

 A oração e o amor que dedicamos a nosso próximo são, portanto, ativos e específicos: nossa oração expressa-se em atos, tal como nossos atos devem ser, inevitavelmente, o resultado da oração. A Sra. Eddy escreve em “Miscellaneous Writings”: “O Amor não pode ser mera abstração, nem é bondade em atividade e poder. Como qualidade humana, o glorioso significado do afeto inclui mais do que palavras: é o terno e abnegado gesto feito secretamente; é a oração silenciosa e incessante; é o coração abnegado, que transborda; é um vulto velado que desliza em segredo numa missão humanitária e sai sem se deixar ver; são os pequeninos pés saltitantes na calçada; é a terna mão que abre a porta diante da carência e do desespero, da doença e do pesar, iluminando assim os lugares tenebrosos da terra.”

 Sim, a oração do Amor envolve atividade. O Amor alcança e inclui a todos. E essa é a atividade do Cristo, que dá provas de que a Mente divina está aqui e em todo lugar.

 A onipresença da Mente divina não necessita de fios ou de eletricidade para comunicar-se. Todo coração receptivo ouve sua mensagem. O bem está fluindo constantemente, a partir de sua fonte divina, porque o bem está sempre presente e é imediato.

 A comunicação espontânea pelo rádio e pela televisão dá um vislumbre da presença imediata da Mente divina. Nossa oração silente auxilia a assegurar que os meios de comunicação sejam usados para o bem e que os pensamentos materialistas não manipulem o pensamento desavisado. A qualidade dos meios de comunicação deve ser uma preocupação de todas as pessoas de bom senso, principalmente do metafísico que dá valor ao poder da quietude espiritual. Quão importante é reprimir a desinformação, sob a forma de informações enganosas, falsa educação ou mero sensacionalismo. Todas as pessoas, em qualquer parte do mundo, têm o direito de saber a verdade sobre Deus e o homem e de se libertar da ignorância.

 Cada um de nós pode exercer papel importante nos acontecimentos palpitantes que estão ocorrendo no mundo. Nossas orações e nossas obras sempre coincidem em atividade produtiva. Podemos ajudar a abrir a porta do pensamento do Cristo sanador.

 Nossa oração de afirmação desafia a resistência, seja sob a forma de indiferença ingênua ou ódio declarado à Verdade. A compreensão da unidade e da totalidade da Mente divina protege nosso direito divino de usar nosso próprio raciocínio.

 O homem real, o filho de Deus, possui inteligência e habilidade inatas para usar sua compreensão, sua receptividade ao bem, divinamente outorgada. Nenhuma forma de sugestão sutil pode privá-lo dessa capacidade.

 Os metafísicos que compreendem as verdades sobre a Ciência Cristã são de vital importância. Eles conhecem o poder da espiritualidade. Sabem que a semente da Verdade, inerente a cada coração, tem potencial para propagar-se. Cada um de nós possui o inestimável privilégio de gozar de liberdade e de ter o senso de oportunidade.

 Não se trata, portanto, de admitir que aqueles que têm alguma coisa dão ou partilham a imensa bondade de Deus com os que não têm. Trata-se, isso sim, da tranquila compreensão de que o sagrado plano da bondade divina infinita está sendo revelado para que todos o percebam e reconheçam.

 A essência da questão é que o cicio tranquilo e suave da Verdade está cobrindo toda a terra. Apercebemo-nos dessa evidência pela oração. Com regozijo oramos pela serenidade que ouve a Mente divina. Deixamos que a oração faça esse trabalho sagrado. O que pode ser mais glorioso do que a alegria de estender a mão a nosso próximo por meio da quietude da oração silenciosa?

 

(De O Arauto da Ciência Cristã – agosto 91)

“Curar Doença” é Admitir Que “Doença Existe”

Se usarmos a expressão “cura de doença”, em textos metafísicos, há pessoas que perguntam: “Mas Deus não é tudo? Quem teria doenças para serem curadas?”. Se dissermos que o estudo da Verdade não é para “curar doenças”, há pessoas que perguntam: “Quer dizer que mesmo que eu estude a Verdade, não devo contar com isso para curar as doenças? É errado pensar em curar doenças com a Verdade”?

Assim trabalha a suposta “mente carnal”; sempre argumentando com a “sabedoria da serpente”; e, se lhe dermos corda, ficaremos discutindo com ela interminavelmente! A Verdade absoluta diz que DEUS É TUDO! Toda conversa sobre doença ou cura de doença não sai do patamar da ILUSÃO! Alguém se confunde com a “aparência”, que é mera “imagem hipnótica”, se julga “pela carne”, onde acredita constatar qualquer anomalia, admite estar “doente”, e, a partir disso, se envolve com toda a falaciosa teia de pensamentos ilusórios. Quando pessoas assim solicitam auxílio espiritual, estão convictas de que “existe uma doença” a ser eliminada, seja pela medicina, seja por Deus, ou por ambos! Entretanto, este ponto de vista é metafisicamente incorreto! Partimos da Verdade de que DEUS, sendo TUDO, constitui o Ser que SOMOS! Como não existe doença em Deus, não existe doença em nós, ou seja: a doença não existe!

As meditações contemplativas negam a presença de imperfeições neste Reino em que agora vivemos, que, apesar de não ser captado pela suposta “mente humana”, já é o Reino onipresente do Amor Divino! Que é o nosso Corpo? É o Amor Divino na Forma “Corpo”, sem quaisquer imperfeições! Não havendo “imperfeições” na Onipresença, não existe “algo a ser curado”, e a nossa “permanência” nestes princípios nos fará discernir espiritualmente a perfeição incólume que somos! Aquele preso à crença de que “precisa curar a doença” desconhece a Verdade de que “a doença não existe”; desse modo, acreditando em sua existência, endossa a ILUSÃO, dá a ela a realidade que nunca possui, e se faz de “tela” para que ali se projetem as “imagens hipnóticas” de doença, com as quais se sentirá convencido de que “doença existe”. Enquanto esse mecanismo ilusório não for destruído, a inexistente “doença” aparentará ter mesmo realidade.

A Bíblia diz: “Glorificai a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, que pertencem a Deus (I Cor. 6: 20). Esta “glorificação” equivale a honramos a Deus pela admissão radical de nossa PERFEIÇÃO IMUTÁVEL! Contemple o Amor Divino manifesto como “seu” Corpo, sem se deixar dividir pela crença em doença ou em cura de doença. Querer “cura” não é saber que a perfeição é permanente, não é saber que “não existe doença”; contudo, a verdade é esta: sua saúde é “Constância Eterna”, e a chamada “doença”, permanentemente, é INEXISTÊNCIA.

 

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A Verdade Que Somos

Sempre que alguém me pergunta: “Que é a Verdade”, respondo o seguinte: “A Verdade é VOCÊ sem  ego”. Jesus disse: “Se quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz, venha e me siga”. Que é seguir a Jesus? Por ele ter dito: “Eu sou a Verdade”, deduz-se que segui-lo, significa fazermos a mesma afirmação: “Eu sou a Verdade”. Como ele explica que esta frase é verdadeira se “negarmos a nós mesmos”, o que podemos entender, é que “seres humanos não são a verdade”. Que são eles? Aparências! Crenças ou imagens hipnóticas que, deixadas de lado, nos fazem discernir o Cristo, ou a Verdade que somos.

Se grafarmos o número 10 e perguntarmos o seu valor, ouviremos que ele vale 10; se grafarmos 01 e fizermos a mesma pergunta, ouviremos que vale 1. O zero à esquerda figuraria sem nada valer. Assim é o suposto “ser humano”; figura na “aparência de existência” sem que tenha qualquer valor! O valor está no “Cristo”, assim como em 01 o valor está no 1. A negação do valor do “zero à esquerda” não requer esforço algum! Nada é; nada vale! O mesmo se dá com o suposto “ser humano”, “ego” ou, em linguagem bíblica, “homem natural”: não é substancial: apenas figura como “zero à esquerda”, enquanto a Verdade Se manifesta como o Cristo- Substancial que somos. Você, exatamente agora, é a Verdade sem ego! “Despir-se do velho homem e seus feitos”, como disse Paulo, nada mais é que “negar-se a si mesmo” como alguém das aparências, assim como a nulidade do “zero à esquerda” já constitui o  fato presente e verdadeiro. Aquele que, apesar de “ver” sua “aparência” em suposto mundo material, puder descartá-lo, como  faria com o “zero á esquerda”, terá, como foco de sua atenção, unicamente a Verdade, o Cristo Eterno, sua Identidade perene, imutável e perfeita! Este terá seguido a Jesus, e terá conhecido a Verdade a ponto de dizer convictamente: “Eu Sou a Verdade”.

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Alegria que Aparências Não Tiram

DÁRCIO

O suposto “mundo material” aparenta existir; porém, ele não existe! Um sonhador, durante o sonho, também pensa lidar com aquele “mundo do sonho”, ou seja, aquele mundo aparenta existir para ele. Quando desperta, foi-se aquele mundo! De onde ele havia surgido? De lugar algum! Havia um “sonho” e não um “mundo”.

As pessoas que se alegram com algo “deste mundo” são as que acreditam no que “aparenta existir”, mas que não existe! Os discípulos de Jesus, por exemplo, se mostravam felizes, por terem expulsado demônios, mas, diante desta alegria ilusória por eles demonstrada, Jesus os corrigiu: “Alegrai-vos por vossos nomes estarem arrolados nos céus”, que, de fato, significa que “nosso nome” é “Eu Sou”,  o Nome de Deus.

Quando contemplamos esta “Alegria Verdadeira”, que não sofre os altos e baixos das crenças da “aparência, tornamo-nos imunes aos “pares de opostos” tais como “alegria e tristeza”. Isto porque o Fato de termos“o nosso nome arrolado nos céus”, é Verdade Absoluta! Fato permanente da Realidade eterna! Portanto, o que Jesus estava dizendo, realmente, aos seus discípulos, era que a “expulsão de demônios” era mera crença humana, a arcaica crença em “dois poderes”, enquanto a Verdade é a Onipotência expressa universalmente, sem flutuações, onde nossa “Alegria” é verdadeira! Verdadeira e perene!

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O Poder do Cristo e o Sofrer da Ilusão

A permanência das obras de Deus constitui o fundamento para que nos desvencilhemos das crenças em “existência terrena mutável”, que se alternam entre imagens de prazer e  dor. Não há sofrimentos em Deus, que é TUDO! Decorrente disso, podemos meditar e reconhecer a natureza falaciosa de tudo que a suposta mente humana nos mostra, onde problemas e sofrimentos sempre aparecem como “sugestões hipnóticas” para que as desmantelemos pelo reconhecimento do “Poder do Cristo,” que é a Onipotência sendo o “Poder de SER” que constitui nossa real Identidade eterna.

A prática da Verdade requer atitudes radicais, uma vez que, se aceitarmos as “sugestões hipnóticas” como realidades, o “sofrer da ilusão” parecerá contar com nossa presença, o que é um absurdo total! Deus é o Ser que somos! De modo geral, o estudo nos requer períodos contemplativos em que reconheceremos a Onipotência do Cristo que somos. “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp, 4: 13). Este “Poder” é o que somos, “sendo a Onipresença”, a qual exclui “outras presenças” a serem enfrentadas. “Não resistais ao maligno”, disse Jesus neste mesmo sentido.

As “contemplações” do Poder que nos fortalecem nos farão conscientemente discernir espiritualmente a totalidade de Deus. Em cada ponto de SI MESMO, Deus é Onipotente; desse modo, onde Eu Sou, Deus é! E esta Verdade universal, reconhecida, é a anulação da suposta “existência humana”. Afora os períodos contemplativos, estaremos vivendo naturalmente nosso dia-a-dia, e, caso nos surjam repentinamente as chamadas “sugestões mentais agressivas”, na forma de pensamentos negativos ou imagens desarmônicas, que sabemos serem apenas de natureza hipnótica e sem poder, imediata e rapidamente deveremos rechaçá-las pelo que são: o “nada” tentando se fazer passar por algo real.

Aquele que se dedicar a praticar a Verdade desta maneira “estará no mundo sem pertencer-lhe”, isto é, estará identificado com o Poder do Cristo e estará imune ao “sofrer da ilusão”. Como disse o apóstolo Paulo, “Cristo é tudo em todos” (Col. 3, 11). Nossa permanência nesta Verdade nos faz viver como “Obra Permanente de Deus”, sem que nos permitamos mover mentalmente em função de ILUSÓRIAS “imagens” exibidas pela chamada “mente humana”.

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A Onipresença do Amor Divino

Em “Ciência e Saúde”, à página 365, escreve a Sra. Eddy: “Se o Cientista Cristão alcançar seu paciente pelo Amor divino, a obra de cura se realizará numa só visita, e a moléstia se desvanecerá, voltando ao seu nada inicial, como o orvalho sob o sol da manhã. Se o Cientista tem bastante afeição cristã para conseguir seu próprio perdão e tal louvor como o que a Madalena recebeu de Jesus, então ele é bastante cristão para exercer a prática científica e tratar seus pacientes com compaixão; e o resultado corresponderá à intenção espiritual”.

Deus é Amor e Deus é Tudo. Assim, “alcançar o paciente pelo Amor divino” significa estarmos “sem ego” e totalmente envolvidos com a Onipresença do Amor divino. Estar “sem ego” significa nos vermos “despidos do homem natural e seus feitos”, renascidos como “nova criatura em Cristo”. Este estado de graça é o estado atual do verdadeiro Ser do homem, que é Deus. Não é a suposta “mente humana” o agente curativo, mas sim o Cristo que somos, a Verdade manifesta como o Filho de Deus que somos. Portanto, a dedicação não está em empregarmos poderes mentais humanos, mas sim em empregarmos a Mente de Cristo que temos, contemplando-a já no lugar das ilusória “mente carnal”.

O “arrependimento” verdadeiro não está em meramente trocarmos o conteúdo mental humano errôneo por outro supostamente “arrependido”. Não somos “mente humana”, mas sim o Filho de Deus que é sumamente perfeito em sua unidade com o Pai perfeito. Esta “troca essencial” é nosso posicionamento radical em Deus, no Amor divino, em que nos contemplamos “perdoados” pelo Cristo em nós, ou seja, o nosso reconhecimento pleno de que a Verdade é a totalidade da Existência, que nos inclui a todos, praticistas e pacientes, na Expressão única do Deus único.

Durante a “Prática do Silêncio”, contemple o Amor divino alcançando o Universo infinito, parte a parte, sem exceção; em seguida, contemple o Amor divino alcançando a “sua” existência por inteiro, e, igualmente, alcançando a existência do suposto “paciente”. Reconheça que não há ponto algum fora do alcance do Amor divino, que é Amor onipresente. Além disso, como diz a “Chave de Ouro”, de Emmet Fox: não reconheça Deus e algum problema, mas sim Deus no lugar do problema, isto é, o Amor divino no lugar de qualquer que seja a ilusória alegação de imperfeição.

A Verdade deve ser praticada desta forma, ou seja, acima das palavras e pensamentos, e exatamente onde espiritualmente discernimos a Onipotência onipresente do Amor divino.

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O Infinito Se Expressa Sem Desejos

 DEUS É TUDO – quantas vezes esta premissa veio sendo repetida em diversos textos sobre a Verdade! A expressão “DEUS É TUDO” pode ser traduzida como sendo o “Infinito Se expressando sem desejos”, ou seja, a Plenitude É! Este é o “Referencial da Luz”, o enfoque absoluto da Verdade, que parte da Onivisão e jamais da limitada e fraudulenta “percepção humana”.

Muitos deixam de desfrutar a “Glória da Unidade” por se deixarem prender às supostas “carências” que a mente humana apresenta como fatos verdadeiros, mas que não passam de “hipnotismo”. Joel S. Goldsmith disse o seguinte: Desejar alguma coisa ou alguma pessoa significa permanecer na roda da existência humana. O que você deveria querer, e tudo que pode legitimamente demonstrar, é uma maior percepção consciente do Cristo. Se você tivesse a compreensão da presença de Deus, você possuiria um bem infinito; mas quando você busca uma demonstração que não é a presença de Deus, você está meramente tentando demonstrar a limitação, e é exatamente o que conseguirá fazer. Se, contudo, você estiver vivendo segundo os princípios de O Caminho Infinito, compreenderá a natureza infinita da vida. Neste caso o homem deixa de estar sob a influência da lei, mas vive em estado de graça, um modo ilimitado de viver.

Não se deixe fisgar pela “crença hipnótica”, que o limita e o faz  desejar “pedacinhos de aparência”, enquanto você é UM COM O INFINITO! Rompa qualquer vínculo aparente com a suposta “mente humana”, que dá cobertura às ilusórias influências mesméricas de falta ou limitação; então, meditando corretamente, contemple o Infinito Se expressando sem desejos; o lugar em que VOCÊ ESTÁ, é onde o Infinito Se expressa como VOCÊ!

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Transcender é Simplesmente Ser

Há pessoas que ficam confusas diante de palavras que os textos metafísicos apresentam como “algo a fazer”. Se for dito, por exemplo, que “aquele que transcende a matéria conhece a Verdade”, se a pessoa se enroscar no “ter de transcender”, ela ficará agarrada à “missão impossível”, ou seja, à errônea ideia de que “mente humana gera iluminação espiritual”. O verbo “transcender” significa, neste estudo, cada um “simplesmente ser”. Deus É; assim, Eu Sou!” E fim! A Mente única é este processo “desperto”, que constitui o “verdadeiro Ser” do homem.

Masaharu Taniguchi escreveu o seguinte: “O que pretendo dizer é que transcendi a “teoria da formação do Universo pela Verdade Absoluta”, a “advertência de Deus”, a “cura de doença por Deus”, a “criação de doença por Deus”, a “treva sagrada”, a “luz pálida” etc. e alcancei o mundo onde não existe nem doença, nem infelicidade, nem “treva sagrada”, nem “luz pálida”. Não vou agora comentar em detalhes, porque discorri sobre isso no 20º volume (A VERDADE DA VIDA), sob o título de “Negação do corpo carnal e da matéria”, do qual transcrevo uma parte: Finalmente encontrei Deus e também o meu Eu verdadeiro. Compreendi que o meu Eu verdadeiro era a própria Vida Eterna, que transcende não só o mundo fenomênico, que é projeção da mente, como também a mente que o projeta”. Dessa forma, finalmente toquei a Vida que flui eternamente. Eu me encontrei no mundo em que não existe doença”.

Que está aqui sendo dito? Que “transcender” é “simplesmente SER”. Durante as “contemplações da Verdade”, solte-se neste Fato eterno de que VOCÊ existe, de que DEUS existe como seu Eu. Estar “solto” e, ao mesmo tempo, “imerso” neste Fato eterno, significa “transcender” o irreal “mundo de aparências” para “ser” quem VOCÊ JÁ É!

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A Missão Sanadora da Verdade

Como praticistas da Ciência Cristã, que fazer para curar com mais eficácia a nós mesmos, as pessoas de nossa família, nossos amigos e todas as pessoas que nos pedem ajuda? As respostas a essa pergunta encontram-se nos livros-texto da Ciência Cristã: a Bíblia e Ciência e Saúde, de autoria da Sra. Eddy. Esses livros fornecem as regras que nos capacitam a pôr em prática a missão sanadora da Verdade.

A obediência aos Dez Mandamentos e ao Sermão do Monte, proferido por Cristo Jesus, é fundamental para a cura na Ciência Cristã. Jesus também falou de um Consolador que viria para nos ensinar a seguir o Cristo de forma mais completa. A esse Consolador a Sra. Eddy denominou Ciência do Cristianismo, ou Ciência Divina. Essa Ciência é a Ciência de Deus, do homem e do Cristo. A Sra. Eddy recebeu a Ciência Divina de Deus e através das Escrituras. Ela a praticou, comprovou e explicou em Ciência e Saúde. Essas leis de Deus nos ensinam a viver para Deus, a conviver com nosso semelhante como filhos de Deus e amenizar o sofrimento da humanidade.

Para fortalecer nossa missão de cura devemos começar compreendendo o que Deus é. Nossos livros-texto revelam Deus como único, infinito e tudo. A Sra.Eddy nos fornece vários sinônimos para Deus, que nos ajudam a compreender Sua natureza. Entre eles temos Princípio, Mente, Espírito. Verdade e Amor. A Ciência de Deus mostra-nos que o Amor divino inspira e apoia nossas demonstrações da missão sanadora da Verdade, tal como fez com Cristo Jesus e seus seguidores ao longo dos séculos.

Também fortalecemos a nós mesmos e à nossa missão de cura, quando compreendemos o que é o homem. As Escrituras e Ciência e Saúde revelam que o homem perfeito, criado por Deus, ou seja, nossa verdadeira identidade, é feito à imagem e semelhança do Espírito perfeito. A Ciência do homem prova que a ideia de Deus, o homem, é o reflexo de Deus, genuinamente espiritual, santo e semelhante a Deus.

Para aperfeiçoar a prática da cura também precisamos compreender o que vem a ser o Cristo. Nossos livros-texto ensinam que o Cristo é a mensagem eterna da Verdade que nos é enviada por Deus, que desperta o pensamento humano para o que Deus é – a Mente única, o Espírito infinito. A Ciência do Cristo faz com que percebamos a nossa santidade, saúde e imortalidade, qualidades que têm origem em Deus e por Ele são mantidas. Esta compreensão, moldada pelo Cristo, cura.

O Cristo também ajuda o praticista a discernir e a negar o que Deus, a Verdade, não é. Portanto, o fortalecimento da missão de cura também requer que compreendamos “aquilo que não é”, ou seja, “aquilo que não existe”. E o que é “que não existe”? O erro, a ausência da Verdade. É o que não está ocorrendo na realidade espiritual. O erro é basicamente um desvio da exatidão e daquilo que é correto: é o pecado. Ciência e Saúde explica que por trás de todo pecado está a crença falsa de que a matéria tem inteligência, substância ou vida. O erro é trazido à tona e destruído de forma científica pelo Cristo, a Verdade.

 Em primeiro lugar, o praticista põe a descoberto e destrói, em seu próprio pensamento e em seu viver diário, as crenças “daquilo que não é”. O praticista, por assim dizer, limpa continuamente seu terreno mental ao analisar e purificar seu pensamento e comportamento, fazendo um autoexame diário e mantendo o pensamento voltado àquilo que é espiritual. Algumas das crenças sutis relacionadas com “aquilo que não é”, e a respeito das quais o praticista deve estar atento, são: medo ou timidez, prática desonesta ou antiética, falta de fidelidade ou consagração, além de tentações como orgulho, paixão ou sentido pessoal.

Detectamos e destruímos em nossos pensamentos e em nossa vida “aquilo que não é”, e para isso nos dedicamos ao estudo da Bíblia e das obras da sra. Eddy, à comunhão silenciosa com Deus e ao crescimento espiritual. Então o erro é discernido e destruído pelo Cristo, a Verdade, com maior facilidade e rapidez também em nossa prática pública. Cristo Jesus disse: “Tira primeiro a trave do teu olho e então verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mateus 7:5).

De que forma “aquilo que não é” se apresenta em nosso trabalho de cura? O erro pode manifestar-se como uma crença de medo, ignorância, PECADO, DOENÇA E ATÉ DE MORTE. A LUZ DA Verdade, no entanto, penetra e dispensa a névoa do pensamento, para que possamos ver a Deus perfeito, assim como Sua ideia perfeita, o homem espiritual e livre de pecado. A luz do Cristo revela que “aquilo que não é”, ou seja, o erro ou matéria, em realidade não é nada, porque aquilo que é – a Verdade, o Espírito – é Tudo-em-tudo. A compreensão da totalidade da Verdade e da nulidade do erro resulta em cura.

Deus, a Verdade todo-inteligente, não tem conhecimento “daquilo que não é”. Deus compreende apenas aquilo que fica acima do sentido material. Ele conhece somente aquilo que é espiritual. Por sua vez, o homem real, que reflete a Verdade imortal, também não é afetado por nenhum falso senso material. Portanto, quando detectamos o erro em nosso trabalho de cura, é importante que compreendamos a nulidade dessa falsa crença. O Cristo traz o erro à tona e o elimina, sabendo que se trata de uma mentira, aquilo que não está ocorrendo; e o substitui com a Verdade daquilo que está ocorrendo – a bondade de Deus.

A importância dessa atitude é destacada em Ciência e Saúde: “Põe o erro a descoberto, e ele volta a mentira contra ti. Até que apareça a verdade acerca do erro – ou seja, sua nulidade – a exigência moral não será cumprida,e tua habilidade para reduzir o erro a nada será insuficiente. Deveríamos envergonhar-nos de chamar real àquilo que não passa de engano. Os fundamentos do mal assentam, numa crença em alguma coisa separada de Deus. Essa crença tende a sustentar dois poderes opostos, em vez de insistir unicamente nas reivindicações da Verdade. O engano de pensar que o erro possa ser real, quando é meramente a ausência da verdade, leva-nos a crer na superioridade do erro.”

A “crença na superioridade do erro” pretende impedir que demonstremos a missão sanadora da Verdade. “Aquilo que não é” não vem a ser alguma coisa real, exterior ao pensamento mortal. O Cristo detecta todos os métodos secretos ou ocultos do erro que reside no pensamento mortal e mostra que o erro não passa de uma falsa crença subjetiva. O Cristo expulsa de nosso pensamento “aquilo que não é”, quando conhecemos a nós mesmos e pomos em prática a honestidade, a humildade, o amor, o arrependimento, a regeneração e a compreensão do que é verdadeiro e bom – Deus e Sua ideia. A compreensão e a demonstração da totalidade do Amor desvendam e destroem o erro. Além disso, cada cura que obtemos e cada passo de crescimento que damos preparam nosso caminho para demonstrações mais amplas da missão sanadora da Verdade.

Há situações que envolvem a família, o trabalho, a igreja, ou o governo, em que às vezes é preciso pôr a descoberto algo errado e corrigi-lo. Que fazer nesses casos? A sabedoria instruiu Moisés a pegar a serpente. Jesus, por sua vez, teve a coragem de odiar a iniqüidade. Também nós adquirimos sabedoria divina e coragem moral quando nossos pensamentos e ações estão em sintonia com a Mente de Cristo. O Cristo poderá nos orientar para que falemos a Palavra de Deus com mansidão ou com energia, para pôr a descoberto o que está errado.

“Aquilo que não é” pode apresentar-se de forma sutil ou agressiva. Nossos livros-texto, no entanto, nos ensinam que um engano precisa ser trazido à luz no abstrato – sem referência a pessoas, lugares ou coisas, como numa parábola; ou então, de forma direta – com franqueza, honestidade e sinceridade; ou de forma enérgica, ou seja, com força, energia e poder espirituais; mas sempre sob o impulso do Amor divino. Em todos os casos, porém, precisamos deixar de acreditar no erro, precisamos desarmá-lo e destruí-lo com a compreensão da Verdade, provando que o mal se vence com o bem.

Por outro lado, será que existem ocasiões em que seria mais aconselhável não apontar um erro? Sim. Por exemplo, no caso de alguém que porventura possa reagir de forma violenta contra si mesmo ou contra outrem. Também não nos sentiremos inclinados a trazer um erro à tona enquanto ele parecer real para nós. Em alguns casos a sabedoria divina talvez leve o praticista a manter silêncio e deixar que a crença “daquilo que não é” se destrua a si mesma. Houve momentos em que Jesus permaneceu em silêncio, permitindo que a mensagem sanadora do cristo falasse por si mesma. Se o praticista deve ou não apontar o erro de forma audível, será determinado por uma honesta demonstração da Verdade e do Amor. É evidente que o praticista estará sempre afirmando a verdade, mesmo que não a expresse de viva voz. A palavra de Deus somente pode ser expressa com autoridade, quando for proferida com base na sabedoria, compreensão espiritual e na demonstração. Um praticista tem o poder de dar voz à Verdade divina de forma eficaz na prática, quando ele compreende o que Deus sabe e quando demonstra a Verdade em sua própria vida. É então que a voz do Cristo se faz ouvir.

O que cura não é o que se sabe de uma pessoa ou de um problema, sob o ponto de vista humano, mas o que se compreende da totalidade de Deus e da perfeição do homem como Sua ideia. Quando a Verdade divina inunda o pensamento do praticista com o amor e a bondade da criação espiritual e pura de Deus, o erro inevitavelmente cede. O importante é não aceitar essa crença, não temer e tampouco lutar contra “aquilo que não é”, como se fosse uma realidade. Quando tranquila e firmemente substituímos o erro pela realidade da perfeição de Deus, a lei da Verdade desmascara o erro como sendo o nada e o destrói.

A história bíblica da cura de uma mulher que tinha uma hemorragia ilustra a ação da Ciência da cura cristã. Depois de sofrer doze anos e de haver despendido todos os seus recursos com os médicos de sua época, essa mulher procurou com toda a sua fé tocar Cristo Jesus em busca de cura.

A Sra. Eddy escreve esse incidente: “Quando Jesus voltou-se e perguntou “Quem me tocou? Ele deve ter sentido a influência do pensamento da mulher; pois está escrito que ele reconheceu que dele saiu poder. Sua consciência pura discernira o que havia acontecido e proferiu o veredicto infalível; no entanto, ele não aceitou o erro da mulher por afinidade nem por enfermidade, pois ele o detectou e destruiu.” Jesus atendeu à exigência da Verdade e deixou que o Cristo detectasse “aquilo que não é” e o destruísse. A consciência do Cristo, que Jesus expressava, sabia que Deus é a única perfeita e o Princípio da Perfeição que a tudo governa. Jesus não associou o erro à mulher nem a si mesmo, pois a lei do Amor na destruição do erro manda que despersonalizemos o erro, considerando-o nada e ninguém, ao mesmo tempo que destruímos o pecado. A mulher foi curada.

Nosso Mestre mostrou-nos, e Ciência e Saúde nos explica, como deixar que o Cristo, a Verdade, detecte e destrua “aquilo que não é”, para que aquilo que é – a bondade e a harmonia espirituais – brilhe para todos. Mesmo que estejamos apenas iniciando na prática da Ciência Cristã, podemos discernir e expressar a sabedoria, a verdade e o amor de Deus, que fortalecem e protegem nossa demonstração da missão sanadora da Verdade.

 

(Extraído de O Arauto da Ciência Cristã – Dezembro 1994)

“Ouvi Agora Isto”

Em Jeremias, 5: 21, 22, encontramos: “Ouvi agora isto, ó povo louco e sem coração, que tendes olhos e não vedes, que tendes ouvidos e não ouvis. Não me temereis a mim? – diz o Senhor, não temereis diante de mim, que pus a areia por limite ao mar, por ordenança eterna, que, ele não traspassará? Ainda que se levantem as ondas, não prevalecerão; ainda que bramem, não a traspassarão”.

As revelações são dadas em forma de símbolos, sem jamais retratarem algo terreno ou de natureza material, que é ilusão. A “areia” representa a Consciência iluminada que somos, que constitui o limite ao “mar” de crenças materiais. Ainda que se “levantem as ondas”, não prevalecerão. As “ondas” são os aparentes problemas ou males que saltam das crença falsas e ameaçam nos atingir. Que são elas? Meras “imagens hipnóticas” que, “ainda que bramem”, não têm realidade ou poder para avançar os limites divinos em que vivemos livres como “Emanações de Deus”. Em outras palavras, a ILUSÃO pode se mostrar ruidosa e ameaçadora, mas é puríssimo “nada”, e é assim que deve ser encarada de frente, e de forma radical.

O povo “cego e surdo” é o povo “sem coração”, aquele que desconhece o Sentido Espiritual e se deixa levar pelas ilusões dos supostos “sentidos materiais”. A Verdade é que a Realidade está além do alcance da suposta “mente humana”. A Seicho-No-Ie diz: “A Realidade transcende os cinco sentidos, transcende inclusive o sexto sentido e não se projeta à percepção do homem”. Enquanto alguém se apegar ao que os “sentidos humanos” captam, estará sendo “cego e surdo”, ou seja, estará no Reino de Deus e, apesar disso, vendo unicamente “miragens” em lugar das reais existências eternas! Volte-se a “Mim”, à sua Consciência iluminada! Esquive-se das “imagens hipnóticas”, todas falsas e insubstanciais, e contemple o Fato eterno, que é DEUS SENDO TUDO!

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O Poder de Ser Que Você É

Unicamente no sentido de que Deus é todo Poder, o Poder pertence a Deus. Contudo, esta Onipotência não é poder sobre algo ou alguém. Sendo inseparavelmente Tudo, ela é simplesmente o Poder de SER. Deus, a Mente infinita, é o Poder de “ver”, “perceber”, “ser”. Onipotência é todo Poder. Ela é onipresente constante e universalmente, e ela é eterna. Acima de tudo, ela é indivisível e igualmente presente em toda parte e eternamente. Este, Amado, é o Poder de SER.

Sabemos que somos unicamente o que Deus é, e nada mais. Isto é verdadeiro porque não há mais nada que pudéssemos ser. Contudo, sabemos que somos o único Poder. Assim, sabemos que somos o Poder de “ver”, “perceber”, e de “ser” aquilo que estamos vendo. Não vemos nações e pessoas fora de nosso Ser, ou que fossem “outros”. Desse modo, sabemos que aquele que vemos, é o mesmo e exato Poder que nós somos, e que este Poder não é investido em qualquer pequenino “eu” pessoal.

Aquilo que Deus é, nós somos. Aquilo que Deus não é, nós não podemos ser. Como Deus é o Poder de Discernir, o Poder de Ser, decorre que nós também somos unicamente o Poder de Ser. Entretanto, nós não usamos o Poder infinito que nós somos. Nós não temos poder. Porém, nós somos o Poder Universal em Si. O Poder que nós somos não é um Poder sobre algo ou alguém. Antes, ele é a Onipotência universal indivisível que é TODO PODER. Unicamente um conceito ilusório de poder pode fazer parecer que há um poder passível de ser usado para dominar, ou para escravizar, os chamados “outros”.

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Uma Solução Duradoura…

Ao longo dos anos, aprendi duas coisas importantes sobre a solidão: 1) que estar com pessoas não é a solução e 2) que ser forte e independente sozinho, também não resolve o problema.

A única solução é alcançar um senso sólido e profundo de que vivemos no universo de Deus, somos acalentados pelo Amor divino e mantidos em relacionamentos harmoniosos com os outros.

Quando Deus deu domínio à Sua criação “sobre toda a terra”, não foi apenas sobre forças físicas, doenças ou sobre as surpresas de uma economia humana. O domínio inclui também autoridade sobre nossos sentimentos.

 

Deus abençoa a vida com o bem que satisfaz ao coração

Por mais que cada dia pareça um convite a nos deixar levar de roldão pelos devaneios do pensamento humano, nossos sentimentos verdadeiros correspondem ao amor benevolente e onipresente de Deus. Deus abençoa a vida com o bem que satisfaz ao coração. A Ciência Cristã ensina que temos a liberdade para desafiar as emoções destrutivas, assim como nos ensina que temos o domínio sobre as outras sensações físicas.

A solidão pode se manifestar sob a forma de uma tristeza sutil, que faz com que a pessoa se retraia, ou sobrevir como um touro indomável, induzindo-nos, de forma imprudente, a todo tipo de ação errônea. Mas, seja qual for sua forma, a solidão deve ser expurgada, a fim de que se descubra a paz verdadeira da vida.

A decepção, que repete em nossa mente as razões para sermos infelizes, está muito distante do espírito de louvor e adoração que revela nosso relacionamento com Deus e os outros. É a partir do ponto de vista da gratidão e da satisfação que podemos trazer a paz aos relacionamentos, sabendo que temos algo a oferecer, ao invés de ficar na expectativa, aguardando que alguém nos dê aquilo de que pensamos necessitar.

 

Fiquei surpresa diante do grande ajuste emocional que essa mudança exigia

Uma das maiores batalhas contra a solidão que travei surgiu logo depois que meu filho mais novo aprendeu a dirigir. Meus filhos cresceram com interesses amplos, o que, para uma pessoa que é mãe e viúva, e que os criava sozinha, significava que quando eu não estava trabalhando, ocupava a maior parte do meu tempo em levá-los a reuniões, aulas de música, ensaios e eventos sociais. Estava pronta para deixar de ser a motorista da família, mas fiquei surpresa diante do grande ajuste emocional que essa mudança exigia.

Repentinamente, precisava encontrar algum tipo de companheirismo fora da companhia dos meus próprios filhos. Para mim, foi uma enorme mudança passar longas horas sozinha, à noite, principalmente, nos finais de semana. Sentia-me muito constrangida e confusa, e orei para saber como fazer um melhor uso do meu tempo. Mas, muito frequentemente, a escuridão mental e a ociosidade interferiam em minhas orações.

O momento decisivo veio em uma noite de sexta-feira, enquanto cochilava na sala; um sono estranho que acompanha o tédio. De repente, estava de pé e quase gritando: “Solidão, vá embora!”

Fiquei surpresa com a veemência das minhas palavras, mas sabia que não poderia ficar sentada nem mais uma hora afundada em autopiedade e me sentindo inútil. Em pé, no meio da sala, orei para compreender a autoridade inerente ao meu ser.

 

Deus, o Espírito, definia o meu ser

Percebi que, ao pensar sobre mim mesma como solitária, eu não estava compreendendo quem eu era. Minha identidade real não era a de uma “mulher sozinha, com o ninho vazio e um calendário social vazio também”. Minha unidade com Deus me colocava em um perfeito e correto relacionamento com cada um dos filhos dEle. O Espírito, Deus, definia o meu ser, não uma localização física. O Espírito divino preenchia cada hora com bondade, propósito e alegria.

Pude constatar que o sentimento de solidão era uma ilusão imposta pelos sentidos físicos. Não era diferente de nenhuma outra atração sensual que direciona o pensamento de forma excessiva para o corpo. Da mesma maneira que minha identidade não depende dos padrões variáveis das condições climáticas, minha felicidade não dependia das alterações das circunstâncias humanas.

O firme fundamento da felicidade estava em saber que minha expressão da natureza de Deus era ininterrupta. Da mesma maneira que eu esperava que meus filhos buscassem novos horizontes de pensamento e experiência, eu também precisava cultivar uma expectativa maior a respeito do próximo capítulo de minha vida.

 

Aquela foi a última vez em que aceitei sentimentos de solidão

Não tenho certeza do que aconteceu depois que saí da sala naquela noite, se liguei para uma amiga ou se saí para fazer uma caminhada, mas aquela noite ainda permanece como a última vez em que aceitei sentimentos de solidão. O sentimento havia se tornado crônico e me entregava a ele facilmente. Depois daquela noite, ele se tornou raro e rapidamente descartado por meio da oração. Eu não era mais enganada por sentimentos hipnóticos que argumentavam contra a plenitude do Amor divino em minha vida.

Logo após aquela cura, uma amiga da igreja e eu estávamos comentando sobre um filme ao qual havíamos assistido separadamente. Ela me perguntou quem estava comigo no cinema. Respondi-lhe que havia encontrado a liberdade de ir ao cinema sozinha.

Ela me repreendeu e disse: “É absurdo você ir ao cinema sozinha. Você tem alguma ideia de quantas pessoas gostariam de sair com você”? Fiquei surpresa com o tom forte que ela usou e compreendi que tinha de trabalhar meu pensamento um pouco mais.

Será que eu realmente concordava com seu ponto de vista, o de que eu poderia ser uma boa companhia? Haveria um sentimento sutil de baixa autoestima que me impedia de acolher outras pessoas em minha vida? Com um senso mais seguro de identidade, firmado nas qualidades espirituais que Deus expressa em mim, não seria natural ver as qualidades de Deus nos outros?

De imediato constatei que precisava de um sentimento maior de hospitalidade em minha casa. Refeições simples se tornaram oportunidades para incluir vizinhos e amigos. Algumas pessoas diziam não aos meus convites, mas isso não me desencorajou. Outras ideias surgiram para incluir pessoas nas caminhadas e nas idas ao cinema. Despertei para uma confiança crescente de que eu podia oferecer um companheirismo que era genuíno e divertido.

 

Estava sendo preparada para amar de uma forma mais universal

De maneira geral, podia me sentir como se estivesse sendo preparada para amar a humanidade de uma forma mais universal. Logo alguém me pediu para representar minha igreja em um conselho ecumênico local, o que levou a um envolvimento ativo na distribuição de sopa em minha comunidade.

Em seguida, outra amiga na igreja comentou sobre um viúvo que estava com dificuldades de colocar sua vida em ordem. Senti que tinha algo a compartilhar do período de quase uma década desde o falecimento do meu marido. Começamos como amigos e depois tivemos um namoro adorável por quase três meses. Então, ficou claro para ambos que nosso relacionamento devia terminar, pois havíamos dito tudo o que precisávamos dizer um ao outro.

Ao longo dos cinco anos seguintes, houve outras oportunidades de companheirismo e descobri que tinha muito a aprender com pessoas da minha faixa etária, tanto com homens como com mulheres. Tendo descoberto o ritmo e o equilíbrio de ser sozinha e feliz, fiquei surpresa quando conheci um homem notável na igreja, de quem logo me tornei noiva e com quem me casei. Estamos agora aprendendo a compartilhar juntos nosso novo lar com outras pessoas.

O casamento, no entanto, não é a solução para a solidão. Na verdade, há momentos em que pessoas casadas estão tão distantes de seus cônjuges, que precisam lutar contra a solidão, tanto quanto se não fossem casadas. Parte do exercício de se manter mentalmente ativo sobre relacionamentos significa cultivar um senso de acolhimento e aprovação, ou seja, valorizar a bondade de cada homem e mulher da criação de Deus. Não é possível praticar essas qualidades a partir do ponto de vista da autoabsorção, do egotismo.

 

Jesus nos mandou amar a Deus e ao nosso próximo

Aprendi que o principal a respeito da experiência humana é que ela é um laboratório para se descobrir o quão perfeitamente estamos encaixados na criação de Deus e como nos relacionamos uns com os outros dentro dessa criação. Jesus nos legou dois grandes mandamentos: amar a Deus e ao nosso próximo.

A disciplina espiritual na oração e no estudo exige que encontremos a paz de estarmos sozinhos com nossos pensamentos. Essa disciplina tem o efeito colateral natural de nos lançar em relacionamentos construtivos que abençoam, inspiram e curam.

Mary Baker Eddy escreveu sobre a luta para “entrar no perfeito amor de Deus e do homem” e nos encorajou a alcançar este equilíbrio na vida: “O infinito não será enterrado no finito; o pensamento verdadeiro escapa do interior para o exterior, e esta é a única atividade correta, por meio da qual alcançamos nossa natureza mais elevada” (The First Church of Christ, Scientist, and Miscellany, [A Primeira Igreja de Cristo, Cientista, e Vários Escritos], p. 159).

É poderosamente reconfortante saber que, como filhos de Deus, “o pensamento verdadeiro escapa do interior para o exterior”. A promessa de encontrar nossa libertação espiritual é que estaremos cada vez menos retraídos e conscientes de nós mesmos, e cada vez mais centrados em Deus, de maneira que preservamos nossa paz, bem como nossos relacionamentos com os outros.

Artigo originalmente publicado na edição de 2 de janeiro de 2006 do Christian Science Sentinel.

O Princípio da Individualidade

A Verdade do ensinamento Absoluto é que: Deus é tudo! E Deus é o único Criador. O Universo de Deus está pronto. Tudo o que foi criado por Deus é Deus! Porque não há, em absoluto, separação alguma entre Deus e Sua criação ou entre Deus e o homem. A única diferença que há entre Deus e o homem é a seguinte: o homem é a manifestação de Deus individualizada, enquanto Deus – a Consciência – é a imagem do próprio Ser infinito.

Cada ser existente é uma expressão distinta, genuína e autêntica do Divino. O Todo é infinito e gosta de Se manifestar de maneiras distintas/individuais. E, mesmo ao Se manifestar distinta ou individualizadamente, não perde a qualidade de ser infinito. Em qualquer situação, o Infinito continua sendo o Infinito.

Há uma importante frase no Caminho Infinito e que Joel Goldsmith diz ser um dos maiores e mais básicos princípios do ensinamento: “Deus se manifesta como o Ser individual”. Essa declaração expressa o que Deus é: um Ser individual e ao mesmo tempo universal.

No ensinamento cristão, Deus enquanto Ser Universal é designado como “Pai”. Ao passo que, enquanto Ser Individual, Deus é chamado de “Filho”. A individualização de cada Ser (a sua e a minha) existe em Deus, e cada individualidade é UNA com o Deus-Universal-Infinito. Em outras palavras: o Pai e o Filho são UM. Esse princípio absoluto, que diz “ser a individualidade UNA com o Pai”, assegura o fato de que cada individualidade é una com todas as outras individualidades existentes, e pelas quais o Pai Se expressa. E cada individualidade, por ser una com Deus, é infinita e suficiente em si mesma. Cada individualidade é o próprio Deus.

Para conhecer a Totalidade, você deve primeiramente conhecer a “parte”, que não é “parte” em absoluto, mas é a própria Totalidade. Conheça a “parte”, e você terá conhecido a Totalidade. Conheça o seu Ser Individual, e você terá conhecido o Ser Universal. Conheça o Filho, e você também terá conhecido o Pai. Jesus, que sabia ser o Filho de Deus, nos confirmou isso, dizendo: “Ninguém vai ao Pai senão por Mim.”. Este “Mim” é o Filho de Deus. Por isso, cada homem e mulher deverá entrar em contato com o Cristo do seu próprio ser. Se o ser humano não entrar em contato profundo com o próprio Ser Individual que ele constitui, não conhecerá o esplendor infinito e divino que já existe dentro de si, ou seja, não poderá conhecer Deus. Esse é o significado de “voltar-se para dentro”: contatar a própria individualidade e constatar o quão vasta ela é, o quão Infinita ela é. A individualidade é o Todo-Universal.

Nenhum ser humano consegue conhecer Deus tentando buscá-Lo exteriormente em “algo” ou “alguém”. Não busque ser como Buda ou Jesus; ao invés disto, perceba o seu Ser Individual (o Cristo, o Filho de Deus em você), e permita que Ele Se revele e Se expresse, e seja você mesmo. Foi por isso que Jesus incentivou que todos buscassem o Reino de Deus dentro deles próprios, dizendo: “Se eu não me for, o Consolador não virá até vós”. Se Jesus não tivesse ido, as pessoas ficariam dependendo da figura externa do “mestre” que viam em Jesus, e jamais entrariam em contato profundo com suas próprias individualidades-Filhos-de-Deus enquanto não eliminassem a dependência de algo ou alguém exterior.

Deus quer se manifestar como o Ser individual que (eu e você) somos. E cada ser individual será o Divino Se expressando. É necessário buscar, despertar para a própria individualidade, e cultivá-la até que floresça completamente. E, uma vez florescida, a própria individualidade divina que somos (o Cristo, o Filho de Deus) cuidará de Se expressar, Se revelar e Se manifestar de maneira genuína e autêntica a cada um de nós. Será diferente para cada um. Por isso, de nada adiantará alguém tentar se valer de figuras externas para alcançar em si “Aquilo” que somente dentro de si pode ser alcançado. Deus sabe como fazer as coisas. O melhor caminho a ser trilhado é o “Caminho-de-cada-um”.

Masaharu Taniguchi disse:

A Grande Vida Universal alojou-se em seu ser e tornou-se “você”. Portanto, “você” é um ser “individual” e, ao mesmo tempo, “universal”. Na verdade, você é uma existência autossuficiente que nada precisa buscar em “outras partes”. Ao mesmo tempo que você se apresenta como “parte”, você é o “todo”, e dentro do “todo” já se alojam todas as coisas. Por isso, se compreender esta Verdade, não terá mais necessidades de buscar coisa alguma em outros lugares. O “todo” possui todas as coisas dentro de si, encerra o infinito dentro de si. Portanto, somente quando “der” é que você sentirá a alegria da Vida dentro de si, pois somente “dando” é que se torna possível a circulação do “infinito” e nasce a alegria de viver. O amor provém de Deus e, como Deus é infinito, o amor é inesgotável.

Pequeno Roteiro da Vida Espiritual

1.

A Vida espiritual parte da premissa de que TUDO É DEUS e que somos “um” com Ele.

2.

Pela manhã, ao meio-dia e à noite, reserve alguns minutos para reconhecer que sua UNIDADE COM DEUS já está consumada.

3.

Aguarde o desenrolar do dia a dia crendo piamente que a Fonte ÚNICA de suprimento (em qualquer setor) é Deus que está UNO com você. Os canais de suprimento não são a Fonte. “A Graça divina nos basta”.

4.

Viva cada momento como sendo o ÚNICO, sem deixar a mente se voltar ao passado ou a apreensões quanto ao futuro. TUDO É AGORA, e é AGORA que Deus está UNO com você.

5.

Não pretenda doutrinar quem está desinteressado na Verdade. Viva a Verdade você mesmo, permanecendo como Luz à espera de quem o procura. A Verdade é para ser buscada por alguém; jamais deve ser empurrada para os outros. O interesse vem de dentro de cada um, e todos são UM COM DEUS, o que garante o suprimento natural de todos, sem que você tenha responsabilidades humanas para com alguém.

6.

Saiba que “nada acontece por acaso”. Ao reconhecer sua UNIDADE COM DEUS, estará confiando que tudo se dá para que o melhor lhe aconteça, MESMO que aparentemente as coisas não estejam muito claras e compreendidas, em termos de raciocínio humano.

7.

Saiba que uma SABEDORIA INFINITA controla o Universo mediante uma LEI IMUTÁVEL DE HARMONIA que a tudo abrange. Basta-lhe entrar em sintonia com Ela, e sentir o sentido da UNIDADE ESPIRITUAL também em sua vida prática.

8.

Elimine ideias de autocondenação. “O Pai a ninguém julga”. Você merece tudo pela Graça divina, pela sua natureza espiritual, e  pela Verdade de que realmente DEUS É TUDO.

9.

A percepção de ser UM COM DEUS o deixa em ampla atividade, sem que se sinta responsável pelas coisas “deste mundo”. A Vida pela Graça é aquela em que “o Pai em MIM faz as obras”.

10.

Viva consciente de que o Universo real é “obra consumada” e também permanente de Deus, e que “permanecer em Mim”, em sua UNIDADE COM DEUS, é “conhecer a Verdade que o torna livre”.

*

 

 

 

O Bem Que é Constância Eterna

“Buscar o Reino de Deus em primeiro lugar”, em termos absolutos, é não admitirmos “outra existência” ao lado do Infinito que é Mente inteligente. A Inteligência divina cobre toda a Realidade, e esta Inteligência é amor e perfeição imutáveis.

Tudo que é real é a Inteligência divina Se expressando “como”, ou seja, se VOCÊ é real, VOCÊ é a Inteligência infinita Se expressando “como” VOCÊ, e assim se dá com toda a Existência.

Mary Baker Eddy escreveu o seguinte: “Desde o começo até o fim, a suposta coexistência da Mente com a matéria e a mistura do bem com o mal resultaram da filosofia da serpente. As demonstrações de Jesus separam a palha do trigo e revelam a unidade e a realidade do bem, ou seja, a irrealidade, a nulidade, do mal”.

O que Jesus fez, foi desprezar o pretenso poder das supostas evidências materiais, contando com o “testemunho de Deus” para interpretar os fatos verdadeiros. “O Pai em mim faz as obras”, dizia. O mesmo cabe a cada um de nós fazer: diante das crenças no bem e no mal, deixamos “o Pai em nós”, – a Consciência iluminada sendo a nossa – traduzir corretamente os fatos de cada agora como a absoluta expressão do Bem que é Constância Eterna, o Bem que desconhece opostos, o Bem que somente “coexiste consigo mesmo”, por ser TUDO!

Não lute com as “evidências” mostradas pela suposta mente humana! Aceite a presença do Bem permanente no âmago de todas elas! Deixe Deus, que é a Inteligência infinita expressa como VOCÊ, livremente dar a real tradução dos fatos,  o testemunho da Verdade de que o Bem absoluto, a despeito de quaisquer aparências em contrário,  está sempre presente.

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O Que é Nada Não Perdura

 A ilusão, mesmo aparentando existir, não existe! Sendo assim, não pode perdurar! A permanência das obras de Deus é a garantia de que toda ilusão, que parece perdurar, é NADA!

Estudar a Verdade é saber  lidar com a Realidade e com a ilusão, ou seja, não confundir a mentira com o que é verdadeiro. O Sol aparenta nascer no horizonte a cada manhã; porém, esta visão do fato é ilusória! O fato é que a Terra é que gira ao redor do Sol. Dizer que “a ilusão perdura” é desconhecer o fato real. Teria sentido alguém esperar que o Sol deixasse de nascer no horizonte? Jamais este fato ocorreu ou ocorre! Acreditar nele é ilusão! E dizer que “ela perdura”, é dizer que uma ocorrência que é “nada” persiste em permanecer! É comum alguém afirmar: “Eu medito sempre, emprego os princípios corretamente, MAS A ILUSÃO PERDURA!” Seria realmente possível ocorrer algo assim?

A ilusão se desfaz “dentro de você”, isto é, no instante em que você, tendo o conhecimento da Verdade, tira a atenção total da ocorrência inexistente, – o Sol nascendo no horizonte – para serenamente “contemplar” o fato real – a Terra girando em torno do Sol.

Quando o ensinamento absoluto diz que devemos “descartar a ilusão” e nos volvermos à TOTALIDADE DE DEUS, o sentido é exatamente este: deixarmos de dar crédito a “acontecimentos falsos” para honrarmos a Deus, reconhecendo Sua Presença como Oniação onipresente, ou FATO VERDADEIRO, sem nos prendermos a mais nada! Não há mais nada ao lado de Deus!

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