A Realidade do Cristo-2

– II-

O Cristo em nós é a nossa inteligência divina, a nossa sabedoria espiritual. Esta não é a sabedoria humana: a sabedoria humana pode cometer erros; a sabedoria humana pode ser enganada. Nossa sabedoria humana frequentemente se baseia em experiências passadas ou no senso comum; mas o Cristo (esta intuição espiritual, esta sabedoria, orientação e poder espirituais) nunca comete um erro; e Ele nos leva a fazer coisas que, humanamente, pensamos não serem sábias ou que, humanamente, nem mesmo poderíamos pensar em fazer. Nem mesmo podemos saber que passo devemos dar; mas este Cristo, ao abrir nossa consciência, dá o passo para nós, mesmo antes de estarmos cientes da necessidade. Cristo é uma realidade. Cristo é aquele de quem você pode depender: você pode ouvi-Lo e, através dEle, encontrar sua inspiração, sua orientação, sua direção. Cristo é uma consciência de cura. Quando nos pedem para curarmos a nós mesmos ou a outros, se tivermos tocado este Cristo, não há mais necessidade de depender de afirmações da verdade ou de qualquer atividade. Este “Algo”, chamado de Salvador, o Princípio salvador, a Presença de cura ou o Cristo que cura, toma conta. Ele recupera; Ele revivifica; Ele reconstrói; Ele edifica.

Cristo é uma realidade. Cristo não é simplesmente um nome, um termo para alguma coisa intangível. Não, Cristo é tão palpável em sua experiência como qualquer coisa que você possa ver ou tocar. Ele é tão real como seu professor ou como um livro – só que mais real. Se todos nós pudéssemos conhecer a realidade, a onipresença, a onipotência do Cristo, entenderíamos por que podemos colocar nEle toda a confiança; como Ele vai à nossa frente para fazer tudo o que temos de fazer. Mas, o Cristo é mais do que isso! É uma influência unificadora. Cristo é o cimento, a influência unificadora, que nos une em entendimento.

Cristo é um fio invisível, que nos une; mas não só a nós: Ele une todos os homens e mulheres, por todo o mundo, independentemente de religião, de credo ou de região. Todos aqueles que têm como objetivo ver o reino de Deus manifestado na Terra estão unidos conosco através deste fio do Cristo.

 

F I M

A Realidade do Cristo

O Cristo não é apenas um nome dado a alguma coisa intangível ou nebulosa. O Cristo é uma realidade divina, uma presença viva e onipresente. Ele está bem onde você está, e onde eu estou. Cristo não é uma pessoa. É um princípio. Ele é um princípio de vida. Ele é um princípio de Deus, que forma a realidade de seu ser. Mas, por causa da experiência do filho pródigo, entendemos o que é o poder físico, o que é o poder mental; sabemos o que é trabalhar arduamente com nós mesmos, mas não aprendemos ainda  como ficar tranquilos e deixar o Cristo trabalhar. Nós, na crença, nos tornamos separados do verdadeiro Cristo do nosso ser. É quase como se vivêssemos numa casa com as persianas fechadas e nos acostumássemos a andar na escuridão ou num quarto iluminado artificialmente. À medida que o tempo passasse, esqueceríamos realmente que havia algo como a luz solar e que fora de nossas sombras delineadas estava o sol radiante e quente. Sob nosso aspecto de seres humanos, fizemos exatamente isso. Fechamos as persianas – nossas persianas mentais. Isto é o que Jesus quis dizer, ao afirmar: “Tendo olhos, não vedes e tendo ouvidos, não ouvis”. Estas faculdades espirituais foram fechadas, de modo que não estamos cientes do fato de que apenas além do âmbito de nosso aspecto humano existe a divindade do nosso ser chamada Cristo, o Espírito de Deus no homem.

Em nosso estudo, em nossa prática, e na nossa associação com os outros, passo a passo desenvolvemos uma percepção deste Poder ou Presença infinita e invisível, chamada de Cristo. Descobrimos que há uma Presença real conosco, que desempenha nosso trabalho para nós; que o desempenha através de nós; que o desempenha como nós. Isto foi o que tornou possível aPaulo dizer: “Eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim”. Lembre-se de que Ele desempenhou aquilo que é dado para eu fazer; Ele aperfeiçoou aquilo que me ocupa, ou como o Salmista diz: “O Senhor aperfeiçoará o que me concerne”. Este é o Cristo, e este Cristo é o princípio ou o Espírito de Deus presente em você, como, digamos, sua integridade, sua lealdade, sua fidelidade, sua fidedignidade. Estas são as qualidades que você reconhece estarem presentes em você; e você as reconhece, não porque já as viu ou as ouviu, mas por causa de seu efeito em sua experiência. Sua honestidade e sua integridade conquistaram para você o respeito de seus sócios. A lealdade e a fidelidade fizeram de você bom cidadão, bom marido,ou esposa, bom filho. Estes são os efeitos da qualidade da integridade, da lealdade, da fidelidade, da honestidade e da fidedignidade. Mas há algo maior do que qualquer uma dessas, algo maior do que todas elas reunidas, e isso é a percepção consciente, o reconhecimento consciente deste Cristo, que pode criar e criará estas qualidades em nós, mesmo se e quando parecer que elas estão faltando.

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Jamais a Ilusão Se Manifesta Externa à Mente humana

Assim como a “miragem”, aceita como presente à mente do andarilho alucinado no deserto, jamais se manifesta externamente, ou seja, no deserto, também  com a “ilusão de existência terrena”, captada pela suposta mente humana, ocorre a mesma coisa. Não existe “ilusão” exteriorizada! O Reino de Deus cobre toda a Existência infinita como Luz e perfeição onipresentes! Entender que o “quadro ilusório” jamais existe “lá fora”, mas  tão somente figura como “quadro hipnótico” na mente humana, em muito nos ajuda a reconhecer que DEUS É TUDO. É por esse motivo que os artigos comparam “este mundo” com o sonho: o sonhador, entretido com as imagens do sonho, deixa de discernir o quarto em que dorme; do mesmo modo, o suposto “ser humano”,  sonhando com “existência terrena, deixa de discernir estar agora e sempre no Reino de Deus! O verbo “Despertar” é empregado por causa disso!

Uma vez entendido que a “ilusão” é mero “quadro mental”, sem a menor capacidade de se manifestar externo à mente humana, ficamos livres para “contemplar” nossa presença no Reino de Deus, sem nos associarmos com os “quadros hipnóticos” e muito menos com os supostos “seres humanos” presentes nos mesmos! Este desvínculo nosso destas “imagens humanas” corresponde ao que Jesus disse, quanto a “negarmos a nós mesmos” para segui-lo.

Estes conhecimentos precisam ser treinados, para que nãopermaneçam meramente como teoria guardada na mente. Sempre que alguma “aparência indesejável” surgir, de imediato reconheça-a como “imagem na mente”, sem poder algum de se exteriorizar; logo em seguida, reconheça que TUDO que está exteriorizado é DEUS E O REINO DE DEUS. Desse modo, a “ilusão” não mais o enganará!

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COMENTÁRIOS

SOBRE O TEXTO “A INVERSÃO DE REFERENCIAL”

Dárcio

Aquele que emprega a “mente carnal”, julga a si mesmo e a todos pelas “aparências visíveis”. Por isso lhe é fácil ver defeitos no próximo e se achar no direito de reclamar deles, culpá-los ou corrigi-los. “Vá e não peques mais”, disse Jesus àquela que estava para ser apedrejada pela turba enfurecida a taxá-la de pecadora. Por que Jesus não a condenou? Por usar a MENTE DE CRISTO e, com ela, discernir a Luz divina sendo aquele ser. A Mente iluminada vê a Mente iluminada com que é unidade, e, desse modo, a percepção de Jesus foi discernida pelo Cristo na mulher e a crença em pecados e culpas se dissolveu. O alerta de Jesus foi para que “ela não voltasse a pecar”. Que é pecar? Significa “errar o alvo”, alguém deixar de se ver em Deus, uno com Ele, para se julgar “pelas aparências”, como faziam aqueles com pedras nas mãos para lançá-las sobre a suposta “adúltera”.  Como Jesus sabia que todos usavam a “mente carnal”, desafiou-os: “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra”; e, ninguém se viu em condições de atirá-la!

A crença fraudulenta de que “somos separados deDeus”, dotados da “mente humana” que a tudo julga pelas aparências, esta é o “pecado” a ser destruído! Quem se identifica com Deus e com a mente de Deus “não peca”, ou seja, não pode alimentar pensamentos dessemelhantes de Deus, todos eles ilusórios.

“Tende em vós a mesma Mente que houve em Cristo Jesus” (Fp. 2: 5). Aceitar esta Mente é aceitar Deus sendo o nosso Ser,  que é “inverter o referencial” para não mais nos identificarmos com “mente humana” e suas ilusões.

“Então não devemos tentar corrigir ou orientar os que aparentam agir mal? Devemos! A Bíblia nos mostra que Jesus fazia isto! Mas, primeiro, devemos praticar a Verdade, reconhecer a Mente divina sendo única e a Mente de todos; depois, sim, com a suposta mente humana  “influenciada” pela Verdade, podemos agir de modo inspirado e no sentido de fazer manifestar a harmonia e a justiça na visibilidade. Esta ação será o “agir pelo não agir”, uma vez que será atitude tomada não a partir do ego, mas inspirada por Deus. Esta “ação visível” nos será assim requerida até que todos estejam conscientes de ter a “mesma Mente que houve em Cristo Jesus”.

O mais importante, para quem estuda a Verdade, e dar mais atenção ao fato de que, se “vemos os erros de outrem”, estamos nós a merecer o Autotratamento, para assumirmos a Mente de Cristo que, “pela carne a ninguém julga”. Isto é o principal; só depois, devemos tomar as providências visíveis, advindas desta Verdade assim reconhecida.

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A Inversão do Referencial

Uma pessoa nos chega e diz: “Nós somos todos muito imperfeitos, temos muito a caminhar ainda!” O que devemos analisar é o seguinte:  “quem são” estes “nós”: mente humana? Seríamos mesmo a “mente humana”? Para usarmos os seus critérios, nos firmarmos neles e nos definirmos?

Ao povo, a adúltera merecia ser apedrejada! Jesus, porém, não a condenou! “Vá e não peques mais” – disse a ela! Estaria recomendando que não mais agisse como adúltera? Não! Estava lhe dizendo que não mais se considerasse “mente humana”.

O estudo da Verdade é esta “inversão de referencial”, ou seja, em vez de nos julgarmos “pela carne”, julgamo-nos convictamente pelo “julgamento justo”. Qual é ele? O que nos leva a honrar a nós mesmos como honramos o Pai, uma vez que Deus, sendo TUDO, é a realidade eterna expressa como a Vida individual que temos e que somos.

Jamais se autoavalie segundo os parâmetros falaciosos da suposta “mente humana”, que desconhece a “permanência das Obras de Deus”. Antes, parta de seu Ser como sendo a Mente de Deus Se expressando como “Filho de Deus”; desse modo, assim “invertendo o seu referencial”, suas contemplações da Verdade contarão com o apoio do Universo infinito da Realidade perfeita, onde nada, além de Deus, existe para ser levado em conta.

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Sinta-se familiarizado Com o Reino de Deus

Muita gente medita, diz “buscar” o Reino de Deus, mas o faz como se estivesse em busca de um “sonho distante”, quase inatingível! Tais pessoas reclamam das dificuldades que as”crenças coletivas” criam para atrapalhar a chamada “busca”, e lidam com o “Reino de Deus” como se pudessem estar em qualquer “outro lugar”, menos onde elas já estão, ou seja, na Onipresença divina! Jesus disse: “Vosso Pai se agradou em dar-vos o Seu Reino”; portanto, meditar a partir de “dificuldade em buscar o Reino de Deus”, sem levar em conta que é da Vontade de Deus que nos vejamos donos dEle, é a ILUSÃO que cada um terá de descartar!.

Medite como Filho de Deus, como herdeiro do Reino de Deus, como dono do Reino de Deus! Contemple estar agora nesta Realidade infinitodimensional que olhos humanos não alcançam nem veem! Não é o que Paulo nos revelou, ao afirmar que “em Deus vivemos, nos movemos e existimos”? Sinta-se, pois, familiarizado ao máximo com o Seu REINO! Você o recebeu com agrado de Deus! Pare de considerar o Reino de Deus como intangível, misterioso, algo destinado a meia dúzia de supostos iluminados! Tais crenças ilusórias devem ser varridas de vez de sua aceitação! Deus é SEU PAI; já deu a VOCÊ o Seu Reino todo, além de lhe revelar que VOCÊ VIVE NELE! A única coisa que lhe resta fazer é “conhecer esta Verdade”, e a “Prática do Silêncio” é seu momento de perceber que VOCÊ JÁ A CONHECE! E mais, que VOCÊ É A PRÓPRIA VERDADE CONHECIDA!

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Dispense as Imagens Retidas na Mente

As “imagens hipnóticas” que a suposta mente humana nos apresenta são puras “miragens” a serem conscientemente dispensadas. DEUS É TUDO, mas estas “imagens hipnóticas” tentam nos fazer crer em sua veracidade, enquanto são, na verdade,  puríssimo “nada”.

N a literatura espiritual da Unidade, sempre é repetido: “Deixe IR…e deixe DEUS!” O sentido é aceitarmos a presença única de Deus enquanto, ao mesmo tempo, dispensamos os “quadros ilusórios”. Esta atitude espiritual deve ser tomada de forma vívida, isto é, devemos contemplar que “estamos na totalidade de Deus” enquanto sentimos os “quadros hipnóticos” irem se soltando de nossa aceitação como nuvens de fumaça, até sumirem em sua própria nulidade! Não há substância nem lei nestas “aparências”; mas, por terem ficado gravadas como se fossem reais, precisamos assumir uma postura bem radical frente a elas, fazendo-as realmente se dispersarem, enquanto, ao mesmo tempo, aceitamos a Onipresença da Perfeição em seu lugar.

É importante tirarmos da mente as imagens fraudulentas, tanto mediante as contemplações absolutas quanto utilizando a Ciência Mental, com a qual negamos a realidade de tais imagens enquanto discernimos a presença da realidade divina sempre PERFEITA em lugar delas. DEUS É TUDO! E esta totalidade é Harmonia Perene! Aquele que, munido desta convicção, utilizar estas “armas da Luz”, sem esmorecer, verá o desmantelamento das falsidades apresentadas pela mente humana, todas elas integralmente ilusórias.

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Mensagens Radicais

As mensagens da Verdade Absoluta são radicais, diretas e de aplicação conjunta com a leitura. Não há revelação alguma para ser reconhecida num “depois”; sendo Verdade, é Verdade “Agora”! Como as “imagens visíveis” são ILUSÓRIAS, você não se baseará nelas para avaliar sua condição deste momento! Antes, fará uma abstração total destas “miragens” para aceitar que “Deus é o Ser individual que VOCÊ é!”

Não deixe a “crença coletiva” dar opiniões! Faça-a concordar com a leitura no exato instante em que estiver lendo! Por exemplo, se houver uma sugestão de “dor muscular”, rejeite veementemente esta “crença falsa” impondo a Verdade que é permanente, ou seja, o seu Corpo não é matéria susceptível a dores, mas sim o TEMPLO ILUMINADO DE DEUS! Não deixe esta “troca essencial” para ser feita depois da leitura! Não acoberte a ILUSÃO pela sua crença no tempo! “Levanta-te, toma teu leito, e anda”, disse Jesus ao paralítico, que o obedeceu sem raciocinar! Aja segundo o que estiver lendo! Aceite-se segundo o que as revelações dizem que VOCÊ É! Aceite-se sendo sempre o Cristo, dotado do Poder divino de “ser a Verdade”, sem jamais se considerar um “humano” passível de ter problemas ou limitações. Exemplificando, Jesus disse que “deu-lhe a glória para ser um com Deus, exatamente como ele próprio é um” (João, 17: 22). Imprima de imediato esta Verdade na “crença falsa”, que aparentemente o vinha iludindo! Esta é a “Chave de Ouro”, disse Emmet Fox. A Verdade já está corporificada em seu Ser, que é Deus! Assuma atitudes condizentes com esta revelação, ou seja, como VOCÊ E DEUS SÃO UM, Deus age como VOCÊ age, livre e sem problemas, sofrimentos ou dificuldades, simplesmente sendo! Simplesmente “sendo Deus” como VOCÊ”.

Expulse a aceitação de problema, seja ele qual for! Suponha que a suposta dor lhe pareça real a ponto de impedi-lo de se mover; nesse caso, faça dela seu “treinamento do momento”: reconheça que não existe “dor na Onipresença”, e que a “sugestão hipnótica” de dor não é realidade e não dispõe de lei que a possa manter! ESTA ILUSÃO NÃO PODE EXISTIR! E NÃO EXISTE MESMO! Imprima estas Verdades sobre a “crença falsa” e se movimente já acreditando que “a dor não existe”. Seja radical! Seja decidido! Não diga que “a dor melhorou ou piorou”; mostre a si mesmo que a Verdade é a Verdade! E que, nem agora nem em tempo algum, DEUS deixou de ser VOCÊ! DEUS É TUDO! Esta Verdade requer de VOCÊ total aceitação, admissão, convicção e identificação! Afirme, portanto, que VOCÊ aceita, admite, e já está convicto e identificado com a VERDADE!

“Onde Estão Teus Acusadores”?

 A mente humana crê na alucinação imaginada por ela. Assim, uma inexistência chamada “vida terrena” ilude a maioria, através de quadros repletos de imperfeições, problemas e mudanças, enquanto ao mesmo tempo, e de modo contraditório, é reconhecido que “Deus é Onipresente”. A revelação absoluta de que Deus é a única Realidade, única Presença, para esta mente falsa, é pura “loucura”, conforme disse o apóstolo Paulo. E dentro deste dualismo, de se acreditar em Deus e nos “sonhos” da visibilidade, segue a humanidade deixando de desfrutar a própria herança divina de bem-aventuranças plenas. Sempre a expectativa de melhoria é vista como possibilidade futura, e nunca como ALGO AGORA PRESENTE!

 Enquanto a “alucinação coletiva” não ceder lugar à Realidade já manifesta, seus ilusórios frutos, exatamente como simples pesadelos, irão atormentar a todos. Qual é a “alucinação”? O suposto “mundo visível” ou o Reino de Deus? Para a mente humana, um Reino já perfeito e único, já disponível aqui e agora igualmente para todos, é visto como “alucinação” de místicos visionários! Já para os mestres de todos os tempos, a “alucinação” é exatamente tudo aquilo que é visto pela suposta mente humana!

 A Bíblia nos mostra um Jesus Cristo sempre sendo contestado pelo mundo. Mas a Verdade por ele revelada, desafiando todos os obstáculos, AQUI permanece, à espera de alguém disposto a deixar de lado puras MIRAGENS para realmente conhecer a Realidade já presente. Os fariseus disseram a Jesus: “Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro”. Como resposta, ouviram as palavras iluminadas: “Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou. Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo. E, se na verdade julgo, o meu juizo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou…se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”.

 O “julgamento divino” transcende os quadros deste mundo, desconsiderando completamente as “alucinações” aceitas como reais pela mente humana. Este julgamento, que a ninguém condena, é o do próprio Deus vendo a Si mesmo como sendo a TOTALIDADE da Existência. Nesta Visão absoluta da Realidade, quem seria acusado? Onde existiriam acusadores? Em lugar algum! Portanto, no lugar das culpas, condenações e recriminações que parecem existir, o que há, de fato, é a Verdade divina, amorosa e libertadora. Este é o “testemunho verdadeiro” que, segundo Jesus, não julga “segundo a carne”. No relato bíblico encontrado em João 8:11, podemos observar que no exato instante em que a mulher acusada reconheceu que “ninguém a acusava”, ficou LIBERTA! Reconhecer que “ninguém nos condena” é despertar para o fato de que Deus é Onipresença; é reconhecer que a Mente ÚNICA, exatamente por ser única, a NINGUÉM julga! Reconhecer que a Mente ÚNICA é a “nossa” Mente!

Sejam quais forem os chamados “erros”, do passado ou do presente, eles nunca realmente existiram nem existem, a não como ser como “alucinações” da mente humana. Este despertar, tido pelo ladrão ao lado de Jesus, permitiu-lhe ouvir as libertadoras palavras: “Hoje estarás comigo no paraíso”.

 Assim como uma “alucinação de incêndio” não pode ser combatida por bombeiros, a “alucinação” de problemas ou de imperfeições não pode ser desfeita mediante “ações deste mundo”. A “alucinação” é combatida pelo restabelecimento da “mente normal” da pessoa que, iludida, ali reconhecia um incêndio ilusório. De modo idêntico, quando as culpas e acusações deste mundo forem dissipadas pelo “restabelecimento” de nossa mente NORMAL, ou seja, a “Mente de Cristo”, teremos “conhecido a Verdade que nos torna livres”.

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O Ponto de Partida Nas Contemplações

A Verdade eterna é sem começo e sem fim; assim, toda vez que nos dispusermos a contemplá-la, estaremos fazendo-o a partir de sua permanência, isto é, do fato perene de que a Verdade É!

Quando partimos do Fato de que a Verdade É, não teremos algo além de Deus para considerar, uma vez que esta Verdade é DEUS SENDO TUDO! E esta totalidade de Deus inclui, naturalmente, o “Eu” que somos, o que levou João a escrever: “Amados: agora somos filhos de Deus” (I João 3: 2). Se esta Verdade é vista ou não visivelmente, pouco importa! As “aparências” são imagens fugazes, sem substância ou realidade, e jamais servem como parâmetro de avaliação da Verdade que É,  que está além de todas elas, e de forma incólume. Jamais nossas contemplações levam em conta “aparências” deste mundo! Todas elas, boas ou más, são “imagens falsas”, pura ILUSÃO. O que somos AGORA, é o que realmente sempre somos, sem vínculo algum com “imagens” supostamente vistas pela mente humana.

Parta da Verdade, da Mente divina sendo a sua! Parta de sua PERFEIÇÃO mantida pela Consciência infinita! Mary Baker Eddy disse o seguinte: “Nada é real e eterno – nada é Espírito – a não ser Deus e Sua ideia. O mal não tem realidade. Não é pessoa, nem lugar, nem coisa, mas simplesmente uma crença, uma ilusão do sentido material”. Estes princípios devem reger nossas “contemplações da Verdade”, e aceitos sem contestação, com “coração de criança”, de modo que nosso “ponto de partida” seja realmente condizente com o “contemplar a Verdade”, e nunca com qualquer “participação” da ILUSÃO.

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“Curar Doença” é Admitir Que “Doença Existe”

Se usarmos a expressão “cura de doença”, em textos metafísicos, há pessoas que perguntam: “Mas Deus não é tudo? Quem teria doenças para serem curadas?”. Se dissermos que o estudo da Verdade não é para “curar doenças”, há pessoas que perguntam: “Quer dizer que mesmo que eu estude a Verdade, não devo contar com isso para curar as doenças? É errado pensar em curar doenças com a Verdade”?

Assim trabalha a suposta “mente carnal”; sempre argumentando com a “sabedoria da serpente”; e, se lhe dermos corda, ficaremos discutindo com ela interminavelmente! A Verdade absoluta diz que DEUS É TUDO! Toda conversa sobre doença ou cura de doença não sai do patamar da ILUSÃO! Alguém se confunde com a “aparência”, que é mera “imagem hipnótica”, se julga “pela carne”, onde acredita constatar qualquer anomalia, admite estar “doente”, e, a partir disso, se envolve com toda a falaciosa teia de pensamentos ilusórios. Quando pessoas assim solicitam auxílio espiritual, estão convictas de que “existe uma doença” a ser eliminada, seja pela medicina, seja por Deus, ou por ambos! Entretanto, este ponto de vista é metafisicamente incorreto! Partimos da Verdade de que DEUS, sendo TUDO, constitui o Ser que SOMOS! Como não existe doença em Deus, não existe doença em nós, ou seja: a doença não existe!

As meditações contemplativas negam a presença de imperfeições neste Reino em que agora vivemos, que, apesar de não ser captado pela suposta “mente humana”, já é o Reino onipresente do Amor Divino! Que é o nosso Corpo? É o Amor Divino na Forma “Corpo”, sem quaisquer imperfeições! Não havendo “imperfeições” na Onipresença, não existe “algo a ser curado”, e a nossa “permanência” nestes princípios nos fará discernir espiritualmente a perfeição incólume que somos! Aquele preso à crença de que “precisa curar a doença” desconhece a Verdade de que “a doença não existe”; desse modo, acreditando em sua existência, endossa a ILUSÃO, dá a ela a realidade que nunca possui, e se faz de “tela” para que ali se projetem as “imagens hipnóticas” de doença, com as quais se sentirá convencido de que “doença existe”. Enquanto esse mecanismo ilusório não for destruído, a inexistente “doença” aparentará ter mesmo realidade.

A Bíblia diz: “Glorificai a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, que pertencem a Deus (I Cor. 6: 20). Esta “glorificação” equivale a honramos a Deus pela admissão radical de nossa PERFEIÇÃO IMUTÁVEL! Contemple o Amor Divino manifesto como “seu” Corpo, sem se deixar dividir pela crença em doença ou em cura de doença. Querer “cura” não é saber que a perfeição é permanente, não é saber que “não existe doença”; contudo, a verdade é esta: sua saúde é “Constância Eterna”, e a chamada “doença”, permanentemente, é INEXISTÊNCIA.

 

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A Verdade Que Somos

Sempre que alguém me pergunta: “Que é a Verdade”, respondo o seguinte: “A Verdade é VOCÊ sem  ego”. Jesus disse: “Se quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz, venha e me siga”. Que é seguir a Jesus? Por ele ter dito: “Eu sou a Verdade”, deduz-se que segui-lo, significa fazermos a mesma afirmação: “Eu sou a Verdade”. Como ele explica que esta frase é verdadeira se “negarmos a nós mesmos”, o que podemos entender, é que “seres humanos não são a verdade”. Que são eles? Aparências! Crenças ou imagens hipnóticas que, deixadas de lado, nos fazem discernir o Cristo, ou a Verdade que somos.

Se grafarmos o número 10 e perguntarmos o seu valor, ouviremos que ele vale 10; se grafarmos 01 e fizermos a mesma pergunta, ouviremos que vale 1. O zero à esquerda figuraria sem nada valer. Assim é o suposto “ser humano”; figura na “aparência de existência” sem que tenha qualquer valor! O valor está no “Cristo”, assim como em 01 o valor está no 1. A negação do valor do “zero à esquerda” não requer esforço algum! Nada é; nada vale! O mesmo se dá com o suposto “ser humano”, “ego” ou, em linguagem bíblica, “homem natural”: não é substancial: apenas figura como “zero à esquerda”, enquanto a Verdade Se manifesta como o Cristo- Substancial que somos. Você, exatamente agora, é a Verdade sem ego! “Despir-se do velho homem e seus feitos”, como disse Paulo, nada mais é que “negar-se a si mesmo” como alguém das aparências, assim como a nulidade do “zero à esquerda” já constitui o  fato presente e verdadeiro. Aquele que, apesar de “ver” sua “aparência” em suposto mundo material, puder descartá-lo, como  faria com o “zero á esquerda”, terá, como foco de sua atenção, unicamente a Verdade, o Cristo Eterno, sua Identidade perene, imutável e perfeita! Este terá seguido a Jesus, e terá conhecido a Verdade a ponto de dizer convictamente: “Eu Sou a Verdade”.

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Alegria que Aparências Não Tiram

DÁRCIO

O suposto “mundo material” aparenta existir; porém, ele não existe! Um sonhador, durante o sonho, também pensa lidar com aquele “mundo do sonho”, ou seja, aquele mundo aparenta existir para ele. Quando desperta, foi-se aquele mundo! De onde ele havia surgido? De lugar algum! Havia um “sonho” e não um “mundo”.

As pessoas que se alegram com algo “deste mundo” são as que acreditam no que “aparenta existir”, mas que não existe! Os discípulos de Jesus, por exemplo, se mostravam felizes, por terem expulsado demônios, mas, diante desta alegria ilusória por eles demonstrada, Jesus os corrigiu: “Alegrai-vos por vossos nomes estarem arrolados nos céus”, que, de fato, significa que “nosso nome” é “Eu Sou”,  o Nome de Deus.

Quando contemplamos esta “Alegria Verdadeira”, que não sofre os altos e baixos das crenças da “aparência, tornamo-nos imunes aos “pares de opostos” tais como “alegria e tristeza”. Isto porque o Fato de termos“o nosso nome arrolado nos céus”, é Verdade Absoluta! Fato permanente da Realidade eterna! Portanto, o que Jesus estava dizendo, realmente, aos seus discípulos, era que a “expulsão de demônios” era mera crença humana, a arcaica crença em “dois poderes”, enquanto a Verdade é a Onipotência expressa universalmente, sem flutuações, onde nossa “Alegria” é verdadeira! Verdadeira e perene!

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O Poder do Cristo e o Sofrer da Ilusão

A permanência das obras de Deus constitui o fundamento para que nos desvencilhemos das crenças em “existência terrena mutável”, que se alternam entre imagens de prazer e  dor. Não há sofrimentos em Deus, que é TUDO! Decorrente disso, podemos meditar e reconhecer a natureza falaciosa de tudo que a suposta mente humana nos mostra, onde problemas e sofrimentos sempre aparecem como “sugestões hipnóticas” para que as desmantelemos pelo reconhecimento do “Poder do Cristo,” que é a Onipotência sendo o “Poder de SER” que constitui nossa real Identidade eterna.

A prática da Verdade requer atitudes radicais, uma vez que, se aceitarmos as “sugestões hipnóticas” como realidades, o “sofrer da ilusão” parecerá contar com nossa presença, o que é um absurdo total! Deus é o Ser que somos! De modo geral, o estudo nos requer períodos contemplativos em que reconheceremos a Onipotência do Cristo que somos. “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp, 4: 13). Este “Poder” é o que somos, “sendo a Onipresença”, a qual exclui “outras presenças” a serem enfrentadas. “Não resistais ao maligno”, disse Jesus neste mesmo sentido.

As “contemplações” do Poder que nos fortalecem nos farão conscientemente discernir espiritualmente a totalidade de Deus. Em cada ponto de SI MESMO, Deus é Onipotente; desse modo, onde Eu Sou, Deus é! E esta Verdade universal, reconhecida, é a anulação da suposta “existência humana”. Afora os períodos contemplativos, estaremos vivendo naturalmente nosso dia-a-dia, e, caso nos surjam repentinamente as chamadas “sugestões mentais agressivas”, na forma de pensamentos negativos ou imagens desarmônicas, que sabemos serem apenas de natureza hipnótica e sem poder, imediata e rapidamente deveremos rechaçá-las pelo que são: o “nada” tentando se fazer passar por algo real.

Aquele que se dedicar a praticar a Verdade desta maneira “estará no mundo sem pertencer-lhe”, isto é, estará identificado com o Poder do Cristo e estará imune ao “sofrer da ilusão”. Como disse o apóstolo Paulo, “Cristo é tudo em todos” (Col. 3, 11). Nossa permanência nesta Verdade nos faz viver como “Obra Permanente de Deus”, sem que nos permitamos mover mentalmente em função de ILUSÓRIAS “imagens” exibidas pela chamada “mente humana”.

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A Onipresença do Amor Divino

Em “Ciência e Saúde”, à página 365, escreve a Sra. Eddy: “Se o Cientista Cristão alcançar seu paciente pelo Amor divino, a obra de cura se realizará numa só visita, e a moléstia se desvanecerá, voltando ao seu nada inicial, como o orvalho sob o sol da manhã. Se o Cientista tem bastante afeição cristã para conseguir seu próprio perdão e tal louvor como o que a Madalena recebeu de Jesus, então ele é bastante cristão para exercer a prática científica e tratar seus pacientes com compaixão; e o resultado corresponderá à intenção espiritual”.

Deus é Amor e Deus é Tudo. Assim, “alcançar o paciente pelo Amor divino” significa estarmos “sem ego” e totalmente envolvidos com a Onipresença do Amor divino. Estar “sem ego” significa nos vermos “despidos do homem natural e seus feitos”, renascidos como “nova criatura em Cristo”. Este estado de graça é o estado atual do verdadeiro Ser do homem, que é Deus. Não é a suposta “mente humana” o agente curativo, mas sim o Cristo que somos, a Verdade manifesta como o Filho de Deus que somos. Portanto, a dedicação não está em empregarmos poderes mentais humanos, mas sim em empregarmos a Mente de Cristo que temos, contemplando-a já no lugar das ilusória “mente carnal”.

O “arrependimento” verdadeiro não está em meramente trocarmos o conteúdo mental humano errôneo por outro supostamente “arrependido”. Não somos “mente humana”, mas sim o Filho de Deus que é sumamente perfeito em sua unidade com o Pai perfeito. Esta “troca essencial” é nosso posicionamento radical em Deus, no Amor divino, em que nos contemplamos “perdoados” pelo Cristo em nós, ou seja, o nosso reconhecimento pleno de que a Verdade é a totalidade da Existência, que nos inclui a todos, praticistas e pacientes, na Expressão única do Deus único.

Durante a “Prática do Silêncio”, contemple o Amor divino alcançando o Universo infinito, parte a parte, sem exceção; em seguida, contemple o Amor divino alcançando a “sua” existência por inteiro, e, igualmente, alcançando a existência do suposto “paciente”. Reconheça que não há ponto algum fora do alcance do Amor divino, que é Amor onipresente. Além disso, como diz a “Chave de Ouro”, de Emmet Fox: não reconheça Deus e algum problema, mas sim Deus no lugar do problema, isto é, o Amor divino no lugar de qualquer que seja a ilusória alegação de imperfeição.

A Verdade deve ser praticada desta forma, ou seja, acima das palavras e pensamentos, e exatamente onde espiritualmente discernimos a Onipotência onipresente do Amor divino.

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O Infinito Se Expressa Sem Desejos

 DEUS É TUDO – quantas vezes esta premissa veio sendo repetida em diversos textos sobre a Verdade! A expressão “DEUS É TUDO” pode ser traduzida como sendo o “Infinito Se expressando sem desejos”, ou seja, a Plenitude É! Este é o “Referencial da Luz”, o enfoque absoluto da Verdade, que parte da Onivisão e jamais da limitada e fraudulenta “percepção humana”.

Muitos deixam de desfrutar a “Glória da Unidade” por se deixarem prender às supostas “carências” que a mente humana apresenta como fatos verdadeiros, mas que não passam de “hipnotismo”. Joel S. Goldsmith disse o seguinte: Desejar alguma coisa ou alguma pessoa significa permanecer na roda da existência humana. O que você deveria querer, e tudo que pode legitimamente demonstrar, é uma maior percepção consciente do Cristo. Se você tivesse a compreensão da presença de Deus, você possuiria um bem infinito; mas quando você busca uma demonstração que não é a presença de Deus, você está meramente tentando demonstrar a limitação, e é exatamente o que conseguirá fazer. Se, contudo, você estiver vivendo segundo os princípios de O Caminho Infinito, compreenderá a natureza infinita da vida. Neste caso o homem deixa de estar sob a influência da lei, mas vive em estado de graça, um modo ilimitado de viver.

Não se deixe fisgar pela “crença hipnótica”, que o limita e o faz  desejar “pedacinhos de aparência”, enquanto você é UM COM O INFINITO! Rompa qualquer vínculo aparente com a suposta “mente humana”, que dá cobertura às ilusórias influências mesméricas de falta ou limitação; então, meditando corretamente, contemple o Infinito Se expressando sem desejos; o lugar em que VOCÊ ESTÁ, é onde o Infinito Se expressa como VOCÊ!

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Transcender é Simplesmente Ser

Há pessoas que ficam confusas diante de palavras que os textos metafísicos apresentam como “algo a fazer”. Se for dito, por exemplo, que “aquele que transcende a matéria conhece a Verdade”, se a pessoa se enroscar no “ter de transcender”, ela ficará agarrada à “missão impossível”, ou seja, à errônea ideia de que “mente humana gera iluminação espiritual”. O verbo “transcender” significa, neste estudo, cada um “simplesmente ser”. Deus É; assim, Eu Sou!” E fim! A Mente única é este processo “desperto”, que constitui o “verdadeiro Ser” do homem.

Masaharu Taniguchi escreveu o seguinte: “O que pretendo dizer é que transcendi a “teoria da formação do Universo pela Verdade Absoluta”, a “advertência de Deus”, a “cura de doença por Deus”, a “criação de doença por Deus”, a “treva sagrada”, a “luz pálida” etc. e alcancei o mundo onde não existe nem doença, nem infelicidade, nem “treva sagrada”, nem “luz pálida”. Não vou agora comentar em detalhes, porque discorri sobre isso no 20º volume (A VERDADE DA VIDA), sob o título de “Negação do corpo carnal e da matéria”, do qual transcrevo uma parte: Finalmente encontrei Deus e também o meu Eu verdadeiro. Compreendi que o meu Eu verdadeiro era a própria Vida Eterna, que transcende não só o mundo fenomênico, que é projeção da mente, como também a mente que o projeta”. Dessa forma, finalmente toquei a Vida que flui eternamente. Eu me encontrei no mundo em que não existe doença”.

Que está aqui sendo dito? Que “transcender” é “simplesmente SER”. Durante as “contemplações da Verdade”, solte-se neste Fato eterno de que VOCÊ existe, de que DEUS existe como seu Eu. Estar “solto” e, ao mesmo tempo, “imerso” neste Fato eterno, significa “transcender” o irreal “mundo de aparências” para “ser” quem VOCÊ JÁ É!

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“Ouvi Agora Isto”

Em Jeremias, 5: 21, 22, encontramos: “Ouvi agora isto, ó povo louco e sem coração, que tendes olhos e não vedes, que tendes ouvidos e não ouvis. Não me temereis a mim? – diz o Senhor, não temereis diante de mim, que pus a areia por limite ao mar, por ordenança eterna, que, ele não traspassará? Ainda que se levantem as ondas, não prevalecerão; ainda que bramem, não a traspassarão”.

As revelações são dadas em forma de símbolos, sem jamais retratarem algo terreno ou de natureza material, que é ilusão. A “areia” representa a Consciência iluminada que somos, que constitui o limite ao “mar” de crenças materiais. Ainda que se “levantem as ondas”, não prevalecerão. As “ondas” são os aparentes problemas ou males que saltam das crença falsas e ameaçam nos atingir. Que são elas? Meras “imagens hipnóticas” que, “ainda que bramem”, não têm realidade ou poder para avançar os limites divinos em que vivemos livres como “Emanações de Deus”. Em outras palavras, a ILUSÃO pode se mostrar ruidosa e ameaçadora, mas é puríssimo “nada”, e é assim que deve ser encarada de frente, e de forma radical.

O povo “cego e surdo” é o povo “sem coração”, aquele que desconhece o Sentido Espiritual e se deixa levar pelas ilusões dos supostos “sentidos materiais”. A Verdade é que a Realidade está além do alcance da suposta “mente humana”. A Seicho-No-Ie diz: “A Realidade transcende os cinco sentidos, transcende inclusive o sexto sentido e não se projeta à percepção do homem”. Enquanto alguém se apegar ao que os “sentidos humanos” captam, estará sendo “cego e surdo”, ou seja, estará no Reino de Deus e, apesar disso, vendo unicamente “miragens” em lugar das reais existências eternas! Volte-se a “Mim”, à sua Consciência iluminada! Esquive-se das “imagens hipnóticas”, todas falsas e insubstanciais, e contemple o Fato eterno, que é DEUS SENDO TUDO!

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O Poder de Ser Que Você É

Unicamente no sentido de que Deus é todo Poder, o Poder pertence a Deus. Contudo, esta Onipotência não é poder sobre algo ou alguém. Sendo inseparavelmente Tudo, ela é simplesmente o Poder de SER. Deus, a Mente infinita, é o Poder de “ver”, “perceber”, “ser”. Onipotência é todo Poder. Ela é onipresente constante e universalmente, e ela é eterna. Acima de tudo, ela é indivisível e igualmente presente em toda parte e eternamente. Este, Amado, é o Poder de SER.

Sabemos que somos unicamente o que Deus é, e nada mais. Isto é verdadeiro porque não há mais nada que pudéssemos ser. Contudo, sabemos que somos o único Poder. Assim, sabemos que somos o Poder de “ver”, “perceber”, e de “ser” aquilo que estamos vendo. Não vemos nações e pessoas fora de nosso Ser, ou que fossem “outros”. Desse modo, sabemos que aquele que vemos, é o mesmo e exato Poder que nós somos, e que este Poder não é investido em qualquer pequenino “eu” pessoal.

Aquilo que Deus é, nós somos. Aquilo que Deus não é, nós não podemos ser. Como Deus é o Poder de Discernir, o Poder de Ser, decorre que nós também somos unicamente o Poder de Ser. Entretanto, nós não usamos o Poder infinito que nós somos. Nós não temos poder. Porém, nós somos o Poder Universal em Si. O Poder que nós somos não é um Poder sobre algo ou alguém. Antes, ele é a Onipotência universal indivisível que é TODO PODER. Unicamente um conceito ilusório de poder pode fazer parecer que há um poder passível de ser usado para dominar, ou para escravizar, os chamados “outros”.

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Pequeno Roteiro da Vida Espiritual

1.

A Vida espiritual parte da premissa de que TUDO É DEUS e que somos “um” com Ele.

2.

Pela manhã, ao meio-dia e à noite, reserve alguns minutos para reconhecer que sua UNIDADE COM DEUS já está consumada.

3.

Aguarde o desenrolar do dia a dia crendo piamente que a Fonte ÚNICA de suprimento (em qualquer setor) é Deus que está UNO com você. Os canais de suprimento não são a Fonte. “A Graça divina nos basta”.

4.

Viva cada momento como sendo o ÚNICO, sem deixar a mente se voltar ao passado ou a apreensões quanto ao futuro. TUDO É AGORA, e é AGORA que Deus está UNO com você.

5.

Não pretenda doutrinar quem está desinteressado na Verdade. Viva a Verdade você mesmo, permanecendo como Luz à espera de quem o procura. A Verdade é para ser buscada por alguém; jamais deve ser empurrada para os outros. O interesse vem de dentro de cada um, e todos são UM COM DEUS, o que garante o suprimento natural de todos, sem que você tenha responsabilidades humanas para com alguém.

6.

Saiba que “nada acontece por acaso”. Ao reconhecer sua UNIDADE COM DEUS, estará confiando que tudo se dá para que o melhor lhe aconteça, MESMO que aparentemente as coisas não estejam muito claras e compreendidas, em termos de raciocínio humano.

7.

Saiba que uma SABEDORIA INFINITA controla o Universo mediante uma LEI IMUTÁVEL DE HARMONIA que a tudo abrange. Basta-lhe entrar em sintonia com Ela, e sentir o sentido da UNIDADE ESPIRITUAL também em sua vida prática.

8.

Elimine ideias de autocondenação. “O Pai a ninguém julga”. Você merece tudo pela Graça divina, pela sua natureza espiritual, e  pela Verdade de que realmente DEUS É TUDO.

9.

A percepção de ser UM COM DEUS o deixa em ampla atividade, sem que se sinta responsável pelas coisas “deste mundo”. A Vida pela Graça é aquela em que “o Pai em MIM faz as obras”.

10.

Viva consciente de que o Universo real é “obra consumada” e também permanente de Deus, e que “permanecer em Mim”, em sua UNIDADE COM DEUS, é “conhecer a Verdade que o torna livre”.

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