“Nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus”.
I Coríntios 2: 12
“Olhos não veem, ouvidos não ouvem, e não sobe ao coração dos homens o que Deus faz àqueles que O amam”, e estas “obras divinas são permanentes”. Assim a Bíblia descreve o que é a Realidade subjacente a este “mundo de crenças”, a que denominamos “mundo material”. Quando Jesus revela que este “Reino mantido por Deus” é o que nos foi dado, e que devemos “vencer” este suposto “mundo de tribulações”, para desfrutarmos da “vida com abundância”, está, de fato, simplesmente nos dizendo que “unicamente existe a Realidade perfeita”,e que, deixando de “ver aparências” como fatos reais, abrimo-nos internamente para discernir espiritualmente “o que Deus faz”, tudo AQUI presente, mas que os supostos “sentidos humanos” não conseguem ver!
Apesar de Jesus ter declarado que “o príncipe deste mundo é o pai da mentira”, e que as pessoas deste mundo “têm olhos, mas não veem”, ainda hoje a maioria acredita e a tudo avalia segundo as “aparências”, como se realmente elas fossem realidades e fizessem parte das “obras de Deus”. “O meu Reino não é deste mundo”, disse taxativamente Jesus! Mesmo assim, o suposto ser humano, de fato, se deixa impressionar pelas imagens mentirosas sugeridas pela “mente carnal”, e padece sob o jugo ilusório de suas “sugestões hipnóticas”, acreditando em todo tipo possível e imaginável de “tribulação”. Jesus disse: “No mundo, tereis tribulações; mas tende bom ânimo: eu venci o mundo”. Estava nos dizendo que “tribulações” não fazem parte das “obras de Deus”, sendo meramente fantasias da “mente carnal”, ilusões geradas pelo “pai da mentira”. E, DIZENDO O PRINCIPAL: EU VENCI O MUNDO!
Você VENCE o mundo simplesmente se vendo FORA DELE! Estar “fora dele” significa ESTAR EM MIM – no “EU” único em expressão, que é DEUS. Por isso o chamado libertador de Jesus: “Vinde a MIM, vós que estais cansados e oprimidos – e EU VOS ALIVIAREI!” Este chamado seria para “irmos a Jesus”? Não! Ele também disse: “Quem crê em mim, crê não em mim, mas NAQUELE que me enviou!” Para Jesus, consciente de ser UM COM O PAI, o sentido de “vir a Mim” jamais poderia ser pessoal! Por isso, sabendo que o chamado poderia ser levado para lado pessoal, como infelizmente ocorreu e ainda ocorre com diversas religiões, tomou este cuidado de deixar bem claro que “ir a Mim” significa cada um de nós “ir ao Pai em nós”, que é o Cristo em nós, nosso “elo eterno” com o Infinito! O apóstolo Paulo reforçou ainda mais esta natureza impessoal de “ir a Mim”, dizendo: “Glorificai a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.
Viver orando para “resolver problemas do mundo” é atitude louvável e muitas vezes eficaz; entretanto, o que Jesus realmente nos revelou, é que SOMOS DEUSES, seres unicamente participantes das permanentes “obras divinas”. Por isso, se você vinha apenas orando para “resolver questões do mundo”, passe a orar para se discernir UNICAMENTE EM DEUS, desacreditando mais e mais deste ILUSÓRIO “mundo de tribulações”. “Vós, deste mundo, não sois”, disse Jesus! Orar para resolver “tribulações” é acreditar no “sonho de vida terrena”; orar para “se discernir em Deus” é acreditar que DEUS É TUDO! Portanto, ORE PARA SE VER ONDE VOCÊ AGORA ESTÁ – NO REINO DE DEUS! O REINO SEM PROBLEMAS E SEM A MENTE CARNAL GERADORA DE IMAGENS FALSAS DE PROBLEMAS.
Para “se ver em Deus”, disse Paulo, VOCÊ TEM A MENTE DE CRISTO! Portanto, em vez de orar com “mente carnal”, em sua ansiedade habitual de “querer soluções para problemas”, ORE COM A MENTE DE CRISTO! E, com ela, reconheça as VERDADES IMPESSOAIS reveladas por Jesus! ASSIM, VOCÊ ESTARÁ COM “O MUNDO VENCIDO”, POIS O “EU ÚNICO”, DEUS SENDO VOCÊ, JÁ VENCEU O MUNDO!
“Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu!”
João 21.22
Acreditar que “o mundo material não tem existência real” é algo imediato a quem tem esta informação pela via direta da revelação divina! O “sólido e incontestável mundo”, como ele se apresenta aos sentidos humanos, simplesmente some de cena, diante do esplendor e glória da Realidade divina e infinita! Não há como esta experiência ser descrita e ser entendida pelo intelecto. E nem isto precisaria ser feito, uma vez que esta “experiência de Deus” já é uma constância eterna na Consciência verdadeira de todos os seres, aqui e agora! “Batei e abrir-se-vos-á”, disse Jesus, garantindo acesso à Realidade divina a todo aquele que o priorizar, buscando efetivamente o Reino de Deus em PRIMEIRO LUGAR.
A “vinda do Cristo” é o que podemos chamar de “Percepção mediante a Onivisão”. É a Visão do “Olho Simples”, a Visão divina onipresente, portanto, já presente em todo Filho Deus, mesmo enquanto, aparentemente, alguém se julgue “homem natural” e distante de vislumbrar esta Verdade! Se formos tentar “convencer alguém” de que “este mundo é irrealidade”, veremos a “resistência” que as “crenças coletivas” aparentam exercer, seja no sentido de que “isso é absurdo”, que “é melhor não nos envolvermos com ensinamentos que pregam isto”, ou simplesmente estarmos diante de alguém a nos ouvir, mas sem dar crédito algum ao que estivermos lhe dizendo. Isso tudo pode ser resumido nas palavras do apóstolo Paulo: “as coisas de Deus são loucuras para os homens”.
A Luz divina não brilha pessoalmente, no sentido de ser faltante em qualquer Filho de Deus! Antes, é a Luz infinita e indivisível, presente e resplandecente de modo onipresente, de forma que, quando aceitamos que “Eu Sou a Luz do mundo”, damos o testemunho imediato desta Luz estando presente como a nossa Consciência iluminada; ao mesmo tempo, damos o testemunho da mesma Luz já Se evidenciando como toda a Existência. Por isso, encontramos Jesus declarando: “Eu sou a Luz do mundo” e, igualmente, “Vós sois a Luz do mundo”. Não julgava “pela carne”.
Em João, 21: 20-22, encontramos o seguinte: “E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: “Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu”. Cabe a cada um permanecer “em Mim”, ocupar-se mais e mais com esta sua própria permanência na Verdade, contemplando a Luz em Si mesmo e em toda a Existência. Este é o sentido de “Segue-me tu”. Se, aparentemente, vemos “alguém” sendo “traído pelo seu Judas” (personalidade), e passamos a julgá-lo pelas “aparências”, estaremos sendo a ILUSÃO: “Pedro enxergando Judas”; mas, se estivermos aderindo ao “Segue-me tu”, estaremos sendo a Luz contemplando a Luz, isto é, estaremos discernindo e sendo a VERDADE. Para isso, partimos do “Referencial Iluminado”, o referencial empregado por Paulo, aos nos revelar que: “Cristo é tudo em todos” (Col. 3: 11).
“Segue-me tu”, disse Jesus! Veja unicamente a sua Luz, contemplando-a como Verdade impessoal e onipresente! DEUS É LUZ! DEUS É TUDO! A LUZ É TUDO!
“Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai Celestial”
Mateus 5:48
Toda pregação da Verdade se fundamenta no ponto de vista divino sobre a Existência. Por isso Jesus disse que o Reino de Deus fosse discernido em primeiro lugar e que não julgássemos segundo as aparências! Não são conselhos, e sim REFERÊNCIAS, ou seja, aquele que se avaliar ou avaliar o mundo a partir do que as “aparências” lhe mostram, estará simplesmente lidando com “miragens”, imagens absurdas de imperfeições sem fim, sem contar com as orações mais absurdas ainda, daqueles que imploram a Deus para que Ele conserte alguma ILUSÃO!
“Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celestial”, disse Jesus! Que foram entender? Que somos todos imperfeitos, ou que somos “perfectíveis”, tendo por obrigação “nos tornarmos perfeitos” o quanto antes, caso desejemos “ser cristãos exemplares”. Seria este o ensinamento? Não! As REFERÊNCIAS BÁSICAS foram desconsideradas, e as “imperfeições” foram salientadas! Assim o mundo, uma vez mais, se viu na contingência de partir para a “missão impossível”: tornar perfeita uma “miragem” chamada “homem natural” ou “ser humano”.
A Bíblia, em Lucas 2: 52, diz que Jesus foi crescendo em sabedoria diante de Deus e diante dos homens! Que entenderam desta informação dada pelas Escrituras? Nada de valor espiritual ou universal, ou seja, a frase apenas veio sendo lida como se dissesse simplesmente um detalhe a mais sobre a vida de Jesus! Entretanto, o que ela diz, é de suprema importância! Explica que “crescer em sabedoria diante de Deus” nos faz “crescer em sabedoria diante dos homens”. Isto porque este “crescimento diante de Deus” é obtido pela “oração contemplativa”, quando reconhecemos nossa condição permanente como “obras perfeitas de Deus”, em unidade com Deus, desvinculando-nos “deste mundo” e, portanto, das “aparências” deste mundo”. Cada oração assim feita, remove nosso endosso ilusório das “falsas crenças” sobre nós mesmos; e, ao mundo, o “efeito” disso nas “aparências” é visto como “crescimento diante dos homens”. Este é o “processo” de “sermos perfeitos como Deus é perfeito”, ou seja, não conta com “reformas interiores” de um ilusório ser humano, não conta com “nobres intenções” deste ser-miragem, no sentido de “se aperfeiçoar” ou de se “aprimorar”, mas conta única e exclusivamente com CADA UM SE CONTEMPLANDO, exatamente como JÁ É, em sua PERFEIÇÃO ORIGINÁRIA ABSOLUTA, na “Unidade Perfeita”, empregando a “Mente de Cristo”, revelada como a SUA, e naturalmente consciente de que DEUS, SENDO PERFEITO, E SENDO TUDO, ESTÁ SENDO PERFEITO E SENDO TUDO COMO O EU QUE ELE É!
O estudo da Verdade exige total atenção e dedicação, ou seja, uma adoção radical do princípio absoluto: DEUS É TUDO! “Orar e vigiar sem cessar” são as recomendações de quem pôde discernir a totalidade do Espírito divino e a nulidade do suposto mundo material. Este radicalismo requerido nada tem a ver com fanatismo! Fanatismo é alguém, dentre inúmeras coisas que julga serem reais ou existentes, ficar com a mente presa obsessivamente a alguma delas, enquanto radicalismo é a alguém preso à ÚNICA presença real, ciente de que, sair dali, seria dar crédito ao que é NADA!
DEUS, ESPÍRITO, É TUDO! Quando Jesus explicava que “não podemos servir a dois senhores”, falava do radicalismo iluminado! A mente totalmente consciente do que é REALIDADE! E, quando alguém, nesta ilusão de mundo, acha que este radicalismo é fanatismo, mostra-nos, com este seu “julgamento pelas aparências”, o que de fato o fanatismo é: alguém acreditar erroneamente que há Espírito e matéria, e, em vista disso, ficar preso à “matéria”, que é inexistente! E não apenas às “formas materiais” propriamente ditas, mas também preso às emoções infundadas da suposta “mente carnal”, deixando-se mover internamente em função de sentimentos vãos, ilusórios, e completamente desconhecidos da Verdade.
No radicalismo vemos DEUS como TUDO! No fanatismo, vemos a ILUSÃO: um suposto ser na matéria, vendo outro também na matéria, com ele se achando “normal” enquanto julga o “outro” como fanático! Por quê? Porque a ILUSÃO é a crença de que DEUS NÃO SEJA TUDO! MAS DEUS É TUDO! Desse modo, quem não adota o radicalismo requerido pelos princípios absolutos, apenas se mostra vítima do ilusionismo de massa!
“Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não podeis suportar agora. Mas quando vier aquele Espírito da Verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso, vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis, porquanto vou para o Pai” (João, 16: 12-16).
O desmantelamento da “crença coletiva”, que nos diz “existir nascimento humano”, não ocorre por “declarações da Verdade”, mesmo sendo elas feitas por Krishna, Buda, Jesus ou algum outro que porventura tenha revelado à humanidade esta Verdade lapidar, considerada a “pedra angular” da revelação absoluta. Ao dizer que “muito tinha que nos dizer”, Jesus explicava que ir “além do que a mente humana pode suportar” é puríssima perda de tempo! Eu perdi a conta de quantas vezes pude constatar esta Verdade! A pessoa aparece, mostra-se- curiosa diante de algum tema espiritual, confunde aquela curiosidade com interesse verdadeiro, e, sem parar, faz indagações “profundas”, esperando que lhe demos respostas! Mesmo percebendo as respostas fluindo a partir de nós mesmos, se as começarmos expor a ela, sentiremos nossas palavras sendo “ditas às paredes”, porque, em lugar de elas encontrarem total receptividade, encontram apenas uma “curiosidade” que retém ou conserva a “barreira” do que ela pode mentalmente suportar! Qualquer letra a mais que for dita, “além daquele limite”, será desconsiderada! E é quando ouvimos frases do seguinte tipo: “Ah, disso eu já tinha conhecimento, o que estava lhe perguntando era outra coisa”, ou, “Eu só queria mesmo saber a sua opinião, porque eu já tenho uma ideia formada sobre o assunto!”, e assim por diante!
A Bíblia não diz: “Indagai sem cessar”, mas sim, “Orai e vigiai sem cessar”. Unicamente por revelação direta cada um terá o conhecimento do “muito que a Verdade tem que lhe dizer”. Por isso Jesus aqui disse: “Mas quando vier aquele Espírito da Verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir”. E então, a pessoa realmente sincera e interessada em ter as respostas completas, com abertura ou receptividade total a elas, e não apenas como aquelas que apenas as formulam por curiosidade, fechadas em suas limitadas aceitações religiosas, irá “recebê-las em si mesma”, diretamente da Fonte Crística, sempre a jorrar “do seu próprio ventre”.
“Um pouco, e não me vereis”, isto é, sua atenção estará sendo retirada de supostos “mestres externos”; e “outra vez um pouco, e ver-me-eis”, ou seja, sua atenção estará integralmente voltada ao “Mestre interno” – e então, o “Eu”, o Cristo em VOCÊ, lhe será revelado, por ser o seu “Eu” em unidade com o Pai – “porquanto vou para o Pai”.
“Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino”.
Lucas, 12: 32
Toda aparente dificuldade que alguém diz sentir, para vivenciar a Realidade Absoluta, se deve unicamente ao errôneo referencial adotado, o “referencial das aparências”, que além de mentiroso, transforma Fatos espirituais permanentes em “objetivos a serem alcançados”. Dá-se crédito à mente humana, como se ela realmente fosse real e confiável, e deixa-se de “vivenciar o que É”, ou seja, o Reino de Deus, que é a Verdade evidenciada e testemunhada pelo Eu infinito que somos, que é Deus!
Em Lucas 12: 32, encontramos: “Não temais, ó pequenino rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino”. Que teriam pensado aqueles que tinham acabado de ouvir estas palavras de Jesus? Ou aqueles que as vieram lendo através dos tempos? Se ouvidas pela mente humana, no máximo teriam exercido a função de “dar conforto” às pessoas oprimidas e sofredoras mostradas pelas “aparências”. Mas, e se fossem levadas à percepção espiritual? Sendo interpretadas diretamente pela “Mente de Cristo” que, sabemos, é a Mente verdadeira que Se manifesta como a Mente de cada um de nós?Certamente, as pessoas “se entenderiam” estando no REINO DE DEUS! E, NAQUELE EXATO INSTANTE!
A intenção básica de Jesus, ao fazer a tremenda revelação de que DEUS SE AGRADOU EM DAR-NOS O REINO, era de promover a “troca de referencial”, e não meramente dar “esperança de conforto” a “fictícios cidadãos do mundo”. Em outras palavras, a ideia era a de exterminar a crença em “pequeno rebanho” para que cada ouvinte passasse a se identificar como Filho espiritual de Deus para se discernir “vivendo em Deus”.
Jamais alguém “buscará” o Reino de Deus, uma vez que “o Pai SE AGRADOU em dar-lhe o REINO! E por que está na Bíblia, em Mateus 6: 33, para “buscarmos em primeiro lugar” o Reino de Deus? Quando alguém recebe uma notificação de que deve ir aos Correios “buscar uma encomenda”, e que ela lhe fora dada com agrado pelo remetente, que teria a fazer? Ficaria de joelhos meditando anos a fio, ansioso por ver o presente? Ou já se veria dono dele e correria ao local indicado para tê-lo “em mãos”? Sabemos a resposta! Quem ficasse somente a meditar e orar, sem tomar a atitude cabível, estaria desprezando as instruções da notificação recebida! Assim ocorre com a maioria! Em Lucas, 17: 21, é dada a “Notificação do Alto” sobre “onde” e “como” cada um terá “em mãos” o Reino já ganho de Deus: “EM SI MESMO! Ao ser interrogado sobre “quando” viria o Reino de Deus, Jesus respondeu aos fariseus: “O Reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: “Ei-lo aqui! ou Ei-lo ali! Pois o Reino de Deus está dentro de vós”.
Enquanto não for aceito que “buscar o Reino de Deus em primeiro lugar” é, simplesmente, “VER-SE ESPIRITUALMENTE JÁ NELE”, ficará a humanidade clamando a Deus por melhorias de vida TERRENA, sempre se vendo pelo “referencial de inexistências”, acreditando num “Cristo” que não seja DEUS SENDO TUDO EM TODOS, e, aparentemente, amargando a ILUSÃO do “mundo do pai da mentira”. Por outro lado, tão logo a “Notificação do Alto” seja levada em consideração, cada um se verá repetindo Paulo, exatamente aqui e agora, confirmando por si mesmo: “Em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (Atos. 17: 28).
Das revelações de Jesus, uma das mais importantes é esta: “E eu lhes dei a glória para serem um”. Revela a divindade de cada Ser em Deus, livre das doutrinas, religiões, teologias e teorias humanas sobre a nossa real identidade! Como a “mente carnal” inventou mentiras! Inclusive a principal; a de que ela é mente verdadeira! E, aparentemente “imersa” nesta falsidade saturada de invencionices, veio a humanidade tentando viver o melhor que pôde conseguir!
O Cristo, o Ser que somos, é quem “nos dá a glória” para sermos “um com Deus”. Jesus, bem como diversos outros mestres, mostrou-nos o caminho a seguir, para que esta glória fosse aceita, reconhecida, vivenciada e discernida como a real experiência de viver! O Cristo revelador é distinto em cada um de nós! Não é pessoal nem separado do Todo, mas, é o Todo Se evidenciando como cada um de nós, razão pelas qual Jesus citou “a videira e os ramos tendo o Pai como Agricultor”! A natureza do Todo Se distribui igualmente pelos “ramos”, e é quando nos reconhecemos, não como humanos imperfeitos, carentes ou necessitados, mas como “deuses”, Seres que em expressões distintas de Deus, evidenciam pela graça e pela verdade toda a glória do Criador.
Para esta glória ser discernida, um passo radical lhe será requerido: trocar a mente povoada de mentiras de todo tipo e tamanho, pela Mente de Deus, onipresente, real e presente em VOCÊ. Paulo a chamou de Mente de Cristo. Se, de um lado, isto colaborou, por eliminar todo vínculo com a suposta “mente carnal”, de outro, gerou um desentendimento comum, ou seja, a pessoa ouvia esta revelação e logo perguntava: “Mas como eu posso ter a Mente de Jesus?” Por que esta dúvida sempre surgia? Pela incompetência dos instrutores espirituais “deste mundo” que, em vez de pregarem “a glória dada a nós todos, para sermos um com Deus”, pregaram que somente Jesus era o Cristo, enquanto todos os demais filhos de Deus eram “criaturas”, míseros mortais decaídos, e isto por causa de um “Adão” que ninguém jamais pôde conhecer! E estas lendas diabólicas conseguiram se fazer passar por realidades!
Quem poderia conhecer este Adão decaído? Ninguém! Deus não poderia, uma vez que, está revelado, as Suas obras são permanentes! A mente carnal também não poderia, pois tudo que ela conhece, ou nos dá a conhecer, é ILUSÃO! Mas, sem mesmo conhecer Adão, esta mente ilusória o desenhou e impregnou-se desta sua criação fictícia, com o que fundamentou todo o “ilusionismo de massa” que nos mostra sendo “dois com Deus”. Que veio Jesus fazer? Dar o testemunho da Verdade: somos UM COM DEUS! A crença de que “somos DOIS com Deus” é FALSA! É por esse motivo que não há “etapas de iluminação” e sim “desmantelamento de ilusão”, pela IDENTIFICAÇÃO TOTAL com a Verdade, como prega o ensinamento absolutista. .
A “glória” para SER UM COM DEUS lhe está dada, e permanentemente, pelo Cristo em VOCÊ”! Não será “glória a ser conquistada”, não será “glória a ser merecida”, e não será “glória a ser teorizada e compreendida pela mente ilusória”. Esta “glória”, que já é SUA GLÓRIA, é simplesmente O PAI GLORIOSO Se manifestando COMO SUA VIDA, COMO O CRISTO “EM VOCÊ”. Portanto, jamais pense em “se tornar um com Deus”; antes, contemple esta sua condição gloriosa de JÁ SER UM!
E eu lhes dei a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um;
eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, a fim de que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste a eles, assim como me amaste a mim.
Pai, desejo que onde eu estou, estejam comigo também aqueles que me tens dado, para verem a minha glória, a qual me deste; pois que me amaste antes da fundação do mundo.
O mundo de pecados, pecadores, culpas, autorrecriminações, com um Deus julgando tudo para punir ou recompensar, é um mundo que nunca existiu, a não ser como “ilusão da mente humana”. A solução, portanto, não está em se melhorar cada ser da inexistência, e sim, fazê-lo se enxergar na Realidade, em que sempre é perfeição absoluta! O suposto “mundo do bem e do mal” não é criação de Deus! Até hoje as pessoas se assustam ao ouvirem que “não existe Deus neste mundo”. É quando apontam as suas belas flores, suas belas paisagens, as chamadas maravilhas da natureza, do corpo humano, etc.. “Vendo tudo isso, você ainda não acredita que tenha as mãos de Deus?” Desta ingênua aceitação que aparentemente honra a Deus, está a abertura à crença no mal! Na alegoria do Gênesis, Adão se viu expulso do paraíso por ter comido do “fruto do conhecimento do bem e do mal”; esta “expulsão”, na verdade, é ilusória, uma vez que DEUS É TUDO! Entretanto, quem estiver hipnotizado para enaltecer “quadros do bem”, se verá obrigado a reconhecer “quadros do mal!” Isto é a “mente carnal” em operação, e nunca as “obras de Deus”.
“Eu venci o mundo”, disse Jesus; É esta a nossa posição na Verdade Absoluta! A Bíblia diz: “Todo aquele nascido de Deus vence o mundo”, e, este “nascido de Deus” é o Cristo que somos! Pelo renascimento, a crença em humanidade é descartada! E leva junto consigo a “crença no bem e no mal”. “Não são do mundo, como eu, do mundo não sou”, disse Jesus. Isto significa que “imaginar-se no mundo de aparências” é uma ILUSÃO do tamanho do infinito! O referencial da Verdade absoluta está em Fatos permanentes e jamais em “quadros hipnóticos” desprovidos de vida e substância! É deste “ponto de partida” que nos colocamos para “contemplar” a Realidade do Universo e do Ser divino que somos! Tudo é puramente Espírito! Não existe matéria! Este “tornar-nos a MIM”, ensinado à humanidade em todos os tempos, significa estarmos voltados ao “Eu” que vence o mundo, não por entrar em combates com ele, e sim por não levá-lo em consideração, uma vez que, na Onipresença divina, não há espaço para “outro mundo”.
“Desfaço tuas transgressões como a névoa e teus pecados como a nuvem, quando tornas a Mim” (Isaías, 44: 22). Em outras palavras, volte-se ao Eu em si mesmo, que é o Cristo em unidade com Deus, e se verá SEM AS ILUSÕES DO MUNDO ILUSÓRIO!
Enquanto lhe parecer que há dois mundos, e que a Verdade é para “trazer” bênçãos divinas de um para o outro, para você, o mundo não estará vencido! Porém, “quando tornas a Mim”, nada haverá a ser desejado ou mudado! A Luz resplandecente da Realidade atemporal será reconhecida como a “sua” Luz, e, a VOCÊ, unicamente caberá viver o AGORA em Sua plenitude e graça! “A lei foi dada por Moisés”, ou seja, a forma de se viver humanamente bem para obter as coisas da vida; “mas a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo”, ou seja, VOCÊ VIVER UNIFICADO COM O TODO, através do Cristo que VOCÊ É!
Por mais que a mente humana dê testemunho de suas formas materiais em mutação, a Realidade permanente, testemunhada por Deus, é Deus mesmo Se vendo como o Cristo-Luz em todos. E ao nos contemplarmos segundo esta visão correta, estaremos sendo o Cristo “dando testemunho da Verdade”.
Quando “extraímos” esta Verdade dentre o nevoeiro ilusório que aparenta ser a visão dos sentidos humanos , “ressuscitamos os Lázaros” envoltos em suas ataduras mortais de crenças coletivas. Este estudo é de “ressurreição de mortos”, quando partimos da totalidade e unicidade de Deus para contemplar que “Cristo é tudo em todos”, e não apenas em nós mesmos ou em alguns mais! Se o Cristo-Luz é a Vida de Deus sendo todos os seres, quando assim contemplarmos o fato em nossa suposta vida cotidiana, estaremos abrindo a porta do “sepulcro de falsidades” para “erguer os mortos” à vida eterna!
Quando mente humana registra aparências de doente, pecador, desonesto, injusto, viciado, etc., o que ali está presente, e permanentemente, é o Cristo-Luz em manifestação perfeita!Igualmente, quando ela registra “pedreiros”, “médicos”, professores”, “motoristas”, etc., o que ali está realmente presente, é o Cristo-Luz! Por isso, se a “aparência” for aceita como realidade, ela parecerá requerer enorme trabalho na reabilitação de suposto seres imperfeitos ou mortais!
“Eu sei que Tu sempre me ouves!” – disse Jesus, na “ressurreição de Lázaro”. O que estava dizendo é que “as obras de Deus são permanentes”, Deus não precisa nos ouvir! Tudo está feito! E dentro da perfeição absoluta! Porém, o que é preciso ficar claro, é que “ressuscitar mortos” não significa reerguer defuntos, mas, sim, contemplar o SER CRÍSTICO, eternamente presente, mas que, como disse Goldsmith, está “todo envolto nas camadas de ideologias humanas”. Tais camadas, como neblina, não têm poder algum quanto a tocar a Realidade que somos ou que todos são! Daí a importância das “contemplações absolutas”, em que descartamos a “mente carnal”, com suas crenças todas, por nos identificarmos com a “Mente de Cristo”. É com esta Mente que sabemos que “o Pai sempre nos ouve!” Mas nunca para “remendar aparências”, e sim para revelar que todo o “bem”, que supostamente alguém porventura Lhe fosse pedir, já É!
É comum alguém estudar a Verdade retendo consigo a crença de “tudo pelo que já passei”. Está em contato com os princípios verdadeiros, absolutos, que revelam DEUS sendo o CRISTO em SI MESMO; entretanto, bastou ver uma oportunidade, e começa a desfiar o “tudo pelo que já passei”. Esta identificação com a ILUSÃO o faz relatar sofrimentos, dores e frustrações de seu suposto “passado”, e aquilo tudo é contado com riqueza de detalhes e emoções! A pessoa acredita piamente que “passou por tudo aquilo” , e há, ainda por cima, ensinamentos ditos “espirituais” que mais ainda a associam com as “imagens hipnóticas”.
O ensinamento absolutista revela DEUS SENDO TUDO! O que significa dizer que somente é REAL , na experiência de cada um de nós, AQUILO QUE É EXPERIÊNCIA DE DEUS!
De nada valeria alguém ler um livro todo sobre O AGORA PERFEITO, em que DEUS É TUDO, concordar superficialmente com o lido, e, depois, não perder oportunidade de “puxar a ILUSÃO de volta”, com a conhecida frase: “Você nem imagina o que eu já passei nesta vida!”
Emmet Fox escreveu um artigo dizendo que as pessoas “marcam o boi que não desejam em seu curral”. Parecem sentir enorme prazer em relatar sobre “minha dor de cabeça”, “minha perna dolorida”, etc.. E isto vai puxando em foco toda a ILUSÃO de que DEUS NÃO SEJA TUDO!
“Se eu lhe contar o que já tive de passar na vida!!!” – marque bem esta frase da MENTE CARNAL! E corte-a pela raiz!Interrompa-a com veemência! Não ofereça ouvidos o tempo todo a falas ilusórias! Não acredite que “ouvir desabafos da mente carnal” seja amor verdadeiro! O amor verdadeiro é Deus reconhecido em TUDO! Portanto, corte logo frases com este teor, estejam elas aparentemente vindo de seus lábios, ou dos de outrem! Não escute ILUSÃO de quem diz “estudar a Verdade”! Corte na hora o assunto, e com toda a sua energia! A ÚNICA EXPERIÊNCIA PELA QUAL TODOS PASSAMOS, É DEUS EXPERIENCIANDO A SI MESMO COMO O EU QUE SOMOS! O resto , é palha!
Não dê corda a que lhe descrevam dramas, condições ou situações das “aparências”. AS APARÊNCIAS SÃO IRREALIDADES! Se, ao cortar a “fala da ILUSÃO”, a pessoa não concordar com o seu “corte”, deixe-a sozinha em sua identificação com o “nada”, sem que entre você junto no coletivo “esquema mesmérico”. Corte a ILUSÃO pela raiz, reconhecendo a DEUS como ÚNICO, e a EXPERIÊNCIA DE DEUS como ÚNICA! Quem se deixar a unicamente se identificar com a “Mente de Cristo”, verá, de si mesmo, o “sumiço das aparências” diante da Luz Onipresente reconhecida! Esta é a visão real do Universo! Só existe DEUS!
Jesus, negando a si mesmo como Jesus, disse: “Eu, de mim mesmo, nada faço; o Pai em MIM faz as obras’. Desse modo, livre da “crença em mais de um”, se viu sendo o TODO. E então, nesta “visão” do TODO, necessariamente teve de admitir “fazer parte DELE”, e, por sua vez, admitir SER ELE! “Aquele que me vê a MIM, vê O PAI”.
O apóstolo Paulo, seguidor do mesmo princípio crístico, e negando a si mesmo como Paulo, disse: “Não sou mais eu quem vive, Cristo vive em MIM”. O “despertar espiritual” é, na verdade, esta “negação material”. Nada há para acontecer com o “Cristo que somos”; mas há, para aparentar ocorrer, o sumiço do ilusório “eu ao lado de MIM”, tenha este “eu” o nome de Jesus, de Paulo, de João, de Maria, de Pedro, ou outro qualquer! Cada suposta “presença temporal” não passa de “sombra” sem substância alguma, enquanto de fato, em “seu lugar”, o Absoluto permanece sendo, evidenciado como TUDO, e, portanto, como o CRISTO em TODOS!
Certa vez, conversando com alguém que estudou, por seus caminhos, explicações sobre a vida, a existência e a Verdade, eu lhe disse: “A mim, só interessa a Verdade Absoluta”. Ele respondeu-me: “Não existe nada absoluto; tudo é relativo!” Como um raio, saltou-me à percepção a pergunta que fiz a ele: “Tudo é relativo A QUÊ?” E ele emudeceu! Por partirem de um ilusório referencial, sentem as pessoas dificuldade em vivenciar a Verdade que já são!
Quando repetidamente os textos dizem que devemos partir do “Referencial Iluminado”, e jamais dos “relativos”, todos fugazes e ilusórios, o suposto “outro eu” se rebela! Quer permanecer como “presença” e não admite ser “ausência”. Por esse motivo foi Jesus apedrejado! “Sendo homem, tu te fazes Deus”, disseram a ele como justificativa para o apedrejamento! Que deveriam fazer? Se não tivessem “coração endurecido”, para poderem anular a si mesmos, mostrando-se humanamente “ausentes” , estariam aceitando a VERDADE e se vendo como “deuses”. Pois foi o que ouviram de Cristo: “Sois deuses!”
Unicamente a Verdade Se evidencia permanentemente como TUDO! Quando falamos que “a premissa básica” do estudo diz que DEUS É TUDO, o que está sendo dito, é que os supostos “Jesus”, “Paulo”, e TODAS AS DEMAIS SUPOSTAS PERSONALIDADES, JAMAIS TIVERAM REALIDADE! Aquele que se discerne LIVRE da aceitação de si mesmo como humano, “acha”, e em SI MESMO, o CRISTO DESPERTO que sempre foi, é e será! Viverá esta PRESENÇA como única, sem jamais se identificar com AUSÊNCIAS. “Quem perder sua vida por MIM, a achará”, disse Jesus para “ressuscitar os mortos”. A Ciência Cristã, há décadas, vem revelando “não haver vida, inteligência nem substância na matéria”, e com o mesmo objetivo: revelar que o Ser é DEUS! E não há “outros”. Esta “negação” revela a GLÓRIA!
Captar o significado da palavra “ilusão” nos conduz naturalmente à Verdade de que DEUS É TUDO! Não poderia deixar de ser jamais! Por esse motivo, a palavra “ilusão” é somente um indicativo da Onipresença de Deus como tudo e todos. “Aquieta-te, e sabe: Eu Sou Deus”, diz o Salmo 46. Esta é a revelação absoluta dita pelo “Eu” que VOCÊ É! Unicamente seu “Eu” é realidade! Toda crença, ideia ou hipótese em contrário, é “ilusão”.
A maioria deve recordar a passagem bíblica em que Jesus disse à mulher hemorrágica que, tocando-lhe as vestes, se viu curada: “Tua fé te salvou”. Que estava ele dizendo a ela? Que ela retinha como verdade a mentira! Que retinha a “ilusão” como fato; e que, ao acreditar “tocar o Cristo”, aparentemente externo a ela, havia, de fato, tocado o Cristo internamente nela! Sua confiança no “tocar-lhe as vestes”, a fez se deslocar da “crença ilusória” para o Cristo, a Verdade, a sua real identidade, que assim foi “tocado”. “Tua fé te salvou!” – assim disse Jesus a ela, para explicar que “tocar vestes” jamais curaria inexistências, e, sim, que a fé incondicional no Cristo a teria livrado da “crença ilusória”, que aparentava existir na forma de hemorragia, e que parecia ter tido anos de duração temporal!
A Revelação absoluta é direta,e, nas palavras de Paulo, encontramos que “Cristo é tudo em todos” (Col. 3:11). Mas esta revelação deve contar com o seu total endosso! É quando VOCÊ diz, e para si mesmo, “O Cristo é TUDO em MIM”. Esta é a “fé que o salva”, e que traduz o sentido absoluto de se “tocar as vestes do Cristo”. Sem se despojar da crença material, que supostamente vincula alguém com alguma coisa “deste mundo”, faria com que este alguém, diante de qualquer aparente dificuldade, imaginasse como seria bom se pudesse “tocar em Jesus” e ser salvo! Entretanto, a Bíblia diz: “Jesus Cristo está em vós” (II Cor 13: 5). Foi por isso que Jesus não disse à mulher: “Por ter-me tocado, eu a curei!”; antes, imediatamente ele atribuiu a “cura instantânea” à fé que ela havia demonstrado! “De MIM – da VERDADE – saiu poder”, havia também dito! Eis por que é fundamental cada um reconhecer o Poder “em MIM”, no CRISTO que é TUDO em SI MESMO!
Todos os problemas ou dificuldades são puramente a “ilusão”, pretendendo ou querendo ser algo ao lado de Deus! E a chamada “cura espiritual” é simplesmente estarmos conscientes de que, ao tirarmos da “ilusão” o foco de atenção, para “tocarmos as vestes do Cristo, que é TUDO em NÓS”, estaremos realmente vivenciando a Verdade conscientemente. Este estudo se resume nisto: extrairmos TODA a atenção do suposto problema – que é sempre ILUSÃO -, focalizando-a total e convictamente no CRISTO que somos! Por isso, sem resquícios de dualidade, sem divisão de nossa existência com “aparências humanas”, cada um deverá “contemplar”, em SI MESMO, o Cristo Eterno que É! “O Cristo é TUDO em MIM”– sua “permanência” nesta Verdade constitui a própria Verdade, o que lhe possibilita dizer: “Eu Sou a Verdade”, vivendo a “vida pela Graça”, a “vida que flui livremente”, e que desconhece “grilhões”.
Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu.
E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho.
Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus.
E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.
E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos. 1 João 5:10-15
Diante de “aparências ilusórias”, o que devemos fazer, é o que temos aqui sempre repetido: começar as “contemplações” a partir da aceitação da UNICIDADE e TOTALIDADE de Deus. Este é o “ponto de partida”. Entretanto, há casos em que as “sensações” da suposta mente humana insistem em nos atrapalhar neste reconhecimento em que somente estaríamos voltados a considerar a DEUS como Realidade! Ou somos puxados ao “problema”, ou somos incomodados por algum “sintoma desagradável”, pelo “latido do cão do vizinho”, etc.. Como agir? Nestes casos, precisamos reconhecer que TUDO, aparentemente se mostrando como tais “sensações”, são “percepções inexistentes”, puras “sensações ilusórias” tidas pela igualmente ilusória “mente humana”; assim, JAMAIS são percebidas ou sentidas pela Consciência iluminada que somos. Por isso mesmo é que tais “sensações” são chamadas de “sugestões hipnóticas”: apenas APARENTAM estar presentes, mas JÁ SÃO AUSENTES!
Este reconhecimento equivale a nos discernirmos “acordados durante um sonho”. O cenário completo é descartado como irrealidade, enquanto, simultaneamente, reconhecemos que UNICAMENTE o que DEUS PERCEBE, É REAL, E ESTÁ SENDO POR NÓS DISCERNIDO! Esta é a Verdade absoluta: somente DEUS existe! Somente Deus dá parecer sobre a Realidade! E Deus é o Ser que SOMOS!
Treine isto agora! De olhos bem abertos, aceite estar sendo a Consciência iluminada discernindo a Perfeição infinita! Ao mesmo tempo, em vez de se entreter com o “mundo visível”, olhe-o como “SONHO”, enquanto VOCÊ, sendo DEUS SENDO VOCÊ, não encontra como “enxergar” esta ILUSÃO. E então, reconheça que “este mundo” é um cenário IRREAL somente aparentando existir, sem que, de fato, exista! Reconheça que a suposta “mente” que o possa estar captando, ou dando realidade às suas “sensações”, é a ILUSÃO querendo dar realidade a si mesma! E que isso tudo unicamente APARENTA existir, sem que esteja, de fato, manifesto ou presente. Puro HIPNOTISMO!
Em suas obras, Joel S. Goldsmith coloca sempre um “Poodle branco”, supostamente presente no palco de um hipnotizador que fazia, com sua “sugestão hipnótica”, que uma pessoa, diante da plateia, “VISSE AQUELE POODLE ILUSÓRIO”. Unicamente a pessoa no palco acreditava na presença daquele cão, e ficava a cercá-lo, a tratá-lo, como se realmente HOUVESSE um “Poodle branco” ali! Goldsmith disse ter usado isto em muitas “curas espirituais”, lembrando, quando alguém lhe pedia ajuda como “praticista”: “Um ‘Poodle branco”! “Um NADA!”
É desta maneira que lidamos com “sugestões hipnóticas”, e é preciso achar tempo para ficarmos treinados dentro destes princípios. A única coisa que realmente vale a pena, dentre tudo mais, é “permanecermos em MIM”, para que esta “permanência” constitua, realmente, a Verdade que nos revela livres!
Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã, declarou o seguinte: “Esforcei-me por elevar o pensamento acima da personalidade física, ou a identidade na matéria, até alcançar a individualidade espiritual do homem em Deus, na mente verdadeira, onde o mal perceptível aos sentidos se perde no bem supersensível. Esse é o único modo de abandonar a falsa personalidade”. Desse modo, ela fala do cuidado que se tem de ter, quanto a nos identificarmos com o Cristo e com a Mente de Cristo. Cuidado que temos aqui comentado requerer oração e vigília, para detectarmos o “hipnotismo coletivo”, sempre que o notarmos querendo se passar pelo Eu que somos ou pela Mente que temos, e que são o próprio Deus.
Sem dedicação à prática, este estudo não revelará o “homem renascido” ou “crucificado”, para que o Cristo em Deus seja o foco vívido de nossa Identidade “acima da personalidade física”, como disse a Sra. Eddy. O estudo é absoluto: DEUS É TUDO! Precisamos realmente partir da nossa real identidade, que é unicamente Deus sendo, e não mais endossarmos a “falsa personalidade”, que, não apenas é falsa, mas irreal: uma ILUSÃO se fazendo passar por quem somos! Portanto, nossa “permanência” nos princípios revelados, pela expulsão das crenças no sentido de discernirmos o Ser que somos como JÁ ACIMA DELAS, na condição absoluta de SER O ABSOLUTO, nisto consiste a chamada “Ascensão”. Não deixaremos de notar as ideias e pensamentos do mundo; entretanto, estaremos ACIMA DELES, assim como o céu está acima dos oceanos, sem jamais se perturbar pelo constante agitar de suas águas.
Que é “elevar o pensamento acima da personalidade física”, a que se esforçou Mary Baker Eddy em fazer? É o reconhecimento radical e puro de que “somos o que Deus É”; e este reconhecimento precisa ser mantido com perseverança, com a profunda alegria de sabermos que não somos seres humanos, não somos dotados de mente humana, não acreditamos em “mente ilusória” e sempre somos “Aquele que era, é e está por vir”, ou seja, o permanente Eu Sou, que desconhece “algo” ou “alguém”, ao lado de SI MESMO, como realidade!
Outro cuidado que se deve ter, é quanto a leituras de ensinamentos com o “referencial na ilusão”. De que adiantaria alguém se dedicar em profundas “contemplações” de reconhecimento de que “Deus constitui sua real e única identidade”, para, em seguida, novamente voltar a oferecer “pulso a novos grilhões”? Voltar a se entulhar com ideias e pensamentos de autores que outra vez o coloquem de alguma maneira vinculado com a ilusória “vivência humana”? Esta “mania mesmérica” precisa ser detectada, ou a pessoa sempre estará anulando os próprios passos dados! Não será preciso ler quinhentas páginas de um “novo autor”, para verificar se o seu “referencial” é absoluto ou não! E, se não for, perder tempo com tais leituras seria dizer “amém” ao mesmerismo! DEUS É TUDO! “Eu Sou Consciência Iluminada!” Este é o “Referencial Iluminado”, o “ponto de partida” que é, também, nosso “ponto de chegada”. Diga a ele “Sim, Sim!”, e, ao fraudulento “Referencial da Ilusão”, diga imediatamente “Não! Não!”
As recomendações das Escrituras são para que “permaneçamos em Mim”, na percepção de que “o Eu, que Eu Sou, é Deus”, razão pela qual é dito: “Orai e vigiai sem cessar”. Isto não significa que iremos nos tornar monges, afastados de tudo e de todos, mas, pelo contrário, que praticaremos efetivamente a Verdade que estudamos e que somos. Para isso, já vimos que a “Prática do Silêncio” é fundamental, pois, é através dela que nos dedicamos ao reconhecimento de que “estamos em Deus” e jamais em “mundo material”. É preciso haver uma clara dedicação à percepção destas Verdades, uma vez que elas são realmente verdadeiras. Não existe matéria! Toda aceitação de que o “mundo material existe”, fará com que alguém aparentemente se deixe influenciar por esta falsa “crença coletiva”, e ela o fará agir mecânica e hipnoticamente em busca de supostas “realizações materiais”, em vez de ser “testemunha” do fluir espontâneo e livre da Verdade que ele já É. Em outras palavras, terá se esquivado de “permanecer em MIM”.
“Trabalhai pela comida que não perece”, disse Jesus. E este “trabalho” é nossa dedicação em praticar a Verdade de que DEUS É TUDO! A “Prática do Silêncio” é a parte “orai sem cessar”, da recomendação bíblica; o “agir pelo não agir” é a parte “vigiai sem cessar”. As contemplações precisam encontrar endosso em nosso dia a dia, para que não ocorra, por exemplo, de alguém “contemplar SER tudo que Deus é”, para, logo em seguida, se achar habitante de “mundo material”, e correndo atrás de emprego, dinheiro, pessoa, condição, cura, progresso, realização e demais “formas” do NADA! Não existe mundo material!
Quando é revelado que DEUS É TUDO, deve ser entendido que DEUS É TUDO! Quem meditar e logo sair atrás da “comida que perece”, estará unicamente iludindo a si mesmo! O que não significa inatividade! A semente não corre atrás de frutos “deste mundo”; porém, ela “contempla” a árvore que essencialmente ela já É, e “vigia” para que haja o seu “desabrochar” a partir de si mesma!Desse modo, podemos dizer que “a semente permanece NELA MESMA”, sem se iludir em buscar “partes” de seu projeto no ilusório “mundo da materialidade”. Assim como a árvore que “ela deseja ser” já é a árvore pronta em si mesma, o Deus Absoluto, que supostamente “alguém deseja ser”, já é o DEUS PRONTO em Si mesmo! E se alguém somente se der conta disso após ler estas linhas, significa que, mesmo dizendo já ter lido e concordado com a premissa básica, de que DEUS É TUDO, não teria ERRADICADO a ilusória crença de que “tem alguma coisa a encontrar ou buscar no NADA MATERIAL! Não teria ainda acreditado, de fato, que “este mundo é do pai da mentira”, um tremendo “trote”, aceito coletivamente como se fosse realidade!
Enquanto você não desmantelar a “crença” em “mundo material”, não romperá os grilhões que hipnoticamente o levam a se apegar a NADAS!
“Deus está mais próximo do que nosso fôlego, mais perto do que nossas mãos e nossos pés” – escreveu um poeta místico. De fato, Deus é quem somos, a Consciência que temos de existir e de simplesmente “ser”. Esta noção de estarmos próximos mais de Deus do que de nosso “fôlego”, de fato, é mesmo um toque poético revelador de nossa real e única identidade. Há uma crença coletiva de que estamos separados, apartados e mesmo distantes de Deus, crença FALSA que veio sendo ampliada pelas próprias religiões, através de suas pregações a respeito de “pecados”, de “queda do homem”, de “salvação do homem” etc.. Entretanto, resumindo tudo, há uma ILUSÃO de que “DEUS NÃO SEJA TUDO”. Por isso, nossa premissa básica parte desta Verdade, descartando como possibilidade toda ideia que possa nos levar aos ilusórios pensamentos da suposta mente humana.
Os princípios que “impersonalizam” e “nadificam” a ILUSÃO nos auxiliam a entender esta nossa “proximidade com Deus” – UNIDADE – durante a “Prática do Silêncio”. Eles trabalham em conjunto com a direta percepção de que “somos Consciência iluminada”. Que fazemos, durante as contemplações da Verdade? Reconhecemos a natureza de Deus como sendo TUDO, incluímos nesta totalidade o Ser individual que somos, que é a nossa “proximidade” absoluta de Deus, enquanto descartamos todo envolvimento com a ILUSÃO, vendo-a “DISTANTE DE NÓS”, assim como distante do observador, em nossa analogia, estavam as “nuvens” que dele ocultavam a luz e o brilhar do Sol. Isto seria a “impersonalização”. E a “nadificação” seria reconhecermos que as “nuvens ilusórias” eram “miragens” e jamais “nuvens verdadeiras”, uma vez que, em Deus – que é TUDO – não há “trevas”, não há “nuvens” que Lhe encubram a Luz onipresente, e que, portanto, as supostas “nuvens ilusórias” jamais existiram! É desta maneira que estes princípios de O Caminho Infinito podem ser empregados em nossas “contemplações”. Por isso aqui vem sendo repetido que “Deus é o Observador, é o Observado, e é TUDO que há entre Observador e Observado”! DEUS É TUDO! ILUSÃO É NADA!
Todo este estudo está fundamentado na “Prática do Silêncio”. Já foi dito que o tempo livre que dispusermos, afora as atividades cotidianas comuns, deverá ser empregado na “contemplação dos princípios absolutos”, caso alguém realmente deseje vivenciar o Absoluto. Jesus disse: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus”, e, aquele que assim fizer, em dedicadas contemplações daquilo que sempre É, notará que sempre disporá de tempo para se dedicar ao estudo, pois, verá refletido, em suas atividades comuns, a ordem e a harmonia como “bens acrescentados”, que substituirão os atropelos e confusões mostrados na “ vida das aparências” daqueles que pouco meditam.
Nas contemplações, o ponto de partida é nosso reconhecimento da unicidade e totalidade de Deus. E também a aceitação plena de que “tudo que Deus É, é permanente”. Em vista disso, vale reconhecer, logo de início, que estaremos começando a meditar já estando em Deus, e nunca “saindo do mundo” para “entrarmos em Seu Reino”. Tão logo iniciemos as contemplações, devemos reconhecer que “estamos no Reino de Deus e que, por esse motivo, o início e o término da “Prática do Silêncio” contam com Deus sendo a nossa Presença, sem que nada se altere, cure ou se modifique! Em outras palavras, não meditaremos a partir de alguma “condição imperfeita” para encerrarmos a meditação acreditando em “outra condição” supostamente “corrigida”. Somente existe Deus!E isto significa dizer que “somente existe a Perfeição permanente! Partimos da Perfeição e unicamente a contemplamos, chegando ao final da contemplação entendendo que unicamente esta Realidade existe e está presente sempre.
Como Deus é TUDO, temos visto que “somos Consciência iluminada”. Consciência é Substância concreta, ou seja, a Consciência, sendo a Substância perfeita onipresente, discerne a Si mesma como Perfeição absoluta em toda parte. Isto precisa ser reconhecido! Não nos basta apenas afirmar que “Eu Sou Consciência Iluminada”; por outro lado, como já vimos anteriormente, também não há sentido em dizer que “algo precisa acontecer” para que esta afirmação seja verdadeira! Já É! Porém, precisamos reconhecer os fatos presentes, sem nos prendermos ao que a ILUSÃO chama de “acontecimentos”. Só dando um exemplo, já me perguntaram se eu acreditava “haver vida em outros planetas”. E a pergunta vinha de quem já tinha conhecimento de que a Vida é Deus, e, portanto, onipresente! Mas o “fato ilusório” de que há “mundo material” prevaleceu, dando origem à descabida pergunta! Consciência é Vida onipresente! Onde quer que nossa atenção se fixe, em termos de Realidade espiritual, ali há Deus, a Substância inteligente VIVA, perfeita e permanente! Portanto, tal pergunta é totalmente absurda, e revela que a sua autora somente poderia ser a “mente ilusória”.
“Eu Sou Consciência iluminada” – eis o “ponto de partida” nas contemplações absolutas, fundamentado na unicidade e totalidade de Deus! Iremos contemplar que a Consciência é a Substância universal infinita, que é a Substância inteligente de todas as Formas espirituais e permanentemente perfeitas; e, em caso de nossa analogia do “Sol em dia nublado”, seria reconhecermos que a Consciência iluminada que somos, é a Substância inteligente que imutavelmente Se contempla como Observador, como o Observado e como o “espaço” entre os dois. É desse modo que descartamos a “nuvem de ilusão” que aparenta existir na forma de “condição imperfeita”. Não há divisão na Consciência iluminada infinita! Esta Consciência é Deus sendo Tudo! Está sendo seu Eu, está sendo o Eu que aparentemente “lhe pediu ajuda”, e está sendo o que há “entre os dois”, uma vez que TUDO, DE FATO, É INDIVISIVELMENTE UM!
Apesar de não existir uma fórmula ou receita para a “Prática do Silêncio”, o que podemos considerar é como dar início a elas, a partir de princípios absolutos que nos auxiliem a cortar o suposto envolvimento com o “mundo de aparências”, que é uma ILUSÃO. Desse modo, ficamos livres para nos ater à Realidade eterna através de uma identificação total com Deus. A Bíblia explica que “vivemos com o Cristo oculto em Deus”, isto é,sempre somos “expressões individuais” de Deus no próprio Deus, como cada gota é “expressão individual” do oceano no próprio oceano.
Somos Consciência iluminada, por sermos “o Cristo oculto em Deus”. A Consciência Crística, portanto, não é outra, senão a própria Consciência divina, única e infinita, discernida como Oniação em cada Ser individual. Quem acha difícil afirmar “Eu Sou a Consciência iluminada”, pode afirmar esta Verdade de outra maneira: “O Pai em MIM é a Consciência iluminada que Eu Sou”. Este é um artifício para driblar a “mente ilusória”, que resiste à Verdade e nos apresenta sua “lógica mesmérica” de que “afirmações mentais” são sem valor, sem que “algo aconteça em nosso interior”. TUDO JÁ ESTÁ ACONTECENDO EM NOSSO INTERIOR! DEUS É TUDO!
Como já escutei esse tipo de argumento! “Não afirme uma Verdade sem a ter experienciado!”, ou, “De nada adianta você afirmar que é Deus, sem ter tido esta experiência!” De inúmeras formas já ouvi esta “fala da ilusão”, e, infelizmente, ela aparece inclusive na voz de muitos autores renomados! Autores que dizem que “Deus é Tudo”, mas que não adianta afirmarmos que “Eu Sou Deus” sem experienciar o fato! A pergunta é: Se Deus é Tudo, QUEM não está experienciando o fato? Jesus disse; “Aquele que me negar diante dos homens, eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus”. Estava nos prevenindo justamente quanto a isto! Quanto ao falso julgamento pelas aparências, onde “sugestões hipnóticas” acabam sendo aceitas como fatos verdadeiros, enquanto o tempo inteiro, unicamente DEUS estaria sendo a Atividade onipresente!
Aquele que parte do “Referencial da Ilusão” , realmente, achará um absurdo afirmar “Eu Sou Consciência Iluminada”; mas aquele que parte do “Referencial Iluminado”, por sua vez, achará uma blasfêmia alguém afirmar não ter a Consciência de Deus! Seria uma negação da Onipresença da Consciência perfeita! Por isso, é de vital importância conhecer os princípios absolutos e neles nos firmarmos, sem jamais darmos ouvidos à “voz da ilusão”. Quando Jesus disse: “Eu, pela carne, a ninguém julgo”, expunha um princípio universal, isto é, “se alguém o avalia segundo a mente carnal, fuja de sua avaliação!” Este “alguém” é a ILUSÃO!
DEUS É TUDO, razão pela qual está revelado que “o Pai a ninguém julga!”. A “quem” julgaria? Cabe, àquele que estuda a Verdade, partir da totalidade de Deus, partir da Consciência infinita sendo a dele, e partir do “julgamento justo”, honrando a SI MESMO como honra o Pai. Este é o enfoque absolutista empregado por Jesus, ao afirmar taxativamente: “Aquele que me vê a MIM, vê o Pai”. Desse modo, a primeira coisa a ser feita, em suas “contemplações, é VOCÊ dizer a si mesmo: “Aquele que me vê, vê o Pai! Desse modo, vê em MIM a Consciência iluminada que EU SOU! E não existe NINGUÉM que não me veja assim!”.
O nosso cenário real e permanente é sempre o Reino de Deus. Não existe “mundo material”. Por isso, é muito importante que todos os passos da analogia do Sol sejam profundamente compreendidos. E que também você disponha de tempo suficiente para dedicar à “transferência” dos elementos da analogia para os ilusórios problemas da “aparência”. Não poderá fazer isso em segundos, a não ser que seja um dedicado “praticista de cura espiritual” , já conscientemente vivendo ininterruptamente no “Referencial iluminado”. Nesse caso, a solução poderá até ser instantânea! Porém, se sua vida for dividida entre estes estudos e demais atividades profissionais comuns, certamente as várias concessões obrigatoriamente feitas ao mundo novamente o envolverão com suas “nuvens ilusórias”. Daí a importância de aproveitarmos ao máximo o tempo livre que tivermos, e também a importância de bem sabermos o conteúdo dos princípios a serem usados, pois, desse modo, tão logo entremos na “Prática do Silêncio”, já nos lembraremos de “subir de cima para baixo”, isto é, de partir de DEUS como TUDO e da Verdade suprema de que SOMOS CONSCIÊNCIA ILUMINADA! Esta Verdade é nosso “ponto de partida”: “EU SOU CONSCIÊNCIA ILUMINADA!”
Já vimos a diferença entre as “nuvens” da ilustração, que surgiram entre o observador e o sol por ele observado, em dia ensolarado, e as “nuvens ilusórias”, que somente aparentam surgir e nublar a visão da Realidade divina resplandecente. Foi dito que, se na ilustração, as nuvens eram presenças, no caso real, em que elas “aparentam existir”, tais “nuvens” são, de fato, “ausências”, uma “ilusão”, uma vez que Deus é TUDO e, por instante algum, deixaria de ser TUDO. Esta percepção, de que a “ilusão é nada”, praticada durante as “contemplações”, é o que Goldsmith chama de “Princípio de nadificação do erro”. Ele atua juntamente com o “Princípio de impersonalização do erro”, e o entendimento pleno desta analogia do Sol em dia nublado faz com que estes princípios possam realmente ser empregados eficazmente, deixando de apenas serem lidos teórica e intelectualmente, o que, no caso, não teriam valor algum!
Há autores absolutistas que não aceitam estes princípios, afirmando que “não existe erro”, e, portanto, nada há para se “impersonalizar” ou “nadificar”. No meu entender, apesar de estarem eles corretos, uma vez que DEUS É REALMENTE TUDO, estes princípios somente endossam o Absoluto, pois, em instante algum dão a entender que “ilusão” não seja “ilusão”. Pelo contrário, diante da “ilusão” – e que é ilusão mesmo – eles facilitam-nos a fazer este reconhecimento, conduzindo-nos serenamente à prática da Verdade Absoluta de que “somente existe Deus”. É evidente que, se alguém encontra facilidade em descartar a “ilusão” sem precisar destes princípios, não haverá razão alguma para utilizá-los. Mas, em minha opinião, acho fundamental conhecê-los e entendê-los a fundo, principalmente quando estamos realmente decididos a resolver as questões da vida por meios espirituais.
Voltando à nossa analogia, se as “nuvens” deste mundo deixam o “dia nublado”, as “nuvens da ilusão” não têm o mesmo efeito, no que diz respeito ao “Dia Absoluto”, que é eterna e constantemente LUZ! Nós vivemos sempre o “Dia absoluto”, invisível aos supostos sentidos humanos. Que faz “parecer” que as “nuvens da ilusão” escondam-nos a Perfeição permanente, levando-nos a crer que “imperfeições existam”? NADA! Esta é a resposta! Por que O Caminho Infinito diz para jamais levarmos às meditações nomes de pessoas, de supostas doenças ou de problemas? Porque seria “arrastar nuvens inexistentes” à nossa percepção, enquanto o que deveríamos fazer seria “contemplar” a presença de DEUS sendo o Eu que somos, o Eu que o suposto “outro” igualmente é, e o que existe” entre os dois – que na verdade são um – como temos visto aqui. Em outras palavras, deveríamos contemplar a ONIPRESENÇA DIVINA, a UNIDADE , única Realidade permanente em expressão indivisível, iluminada e infinita!