Luz Que Desfaz a Ilusória Sombra

 Quando nos aprofundamos no reconhecimento da Verdade Absoluta, é comum ocorrerem mudanças na suposta “vida humana”, uma vez que ela  traduz em imagens a “ilusão em si”. A Verdade atua como um inseticida colocado ao redor de formigueiro, gerando uma movimentação estranha, inusitada e contínua, até que as imagens sejam novamente harmonizadas. O cuidado, nesses casos, está em permanecermos na Verdade de que DEUS É TUDO, sem cedermos espaço a análises da mente humana. Podemos e devemos tomar as atitudes visíveis que a situação requeira, mas sem nos permitirmos enredar por envolvimentos mentais.

Os princípios de O Caminho Infinito, “impersonalização e nadificação da ilusão”, são muito úteis em nosso lidar com estes quadros ilusórios, para que não fiquemos a considerá-los como realidades.

Quando a “sombra ilusória” se dissipa sob ação da Luz da Verdade, vemos o “mundo das aparências” se conturbar, pessoas podem parecer presentes na situação, ou como benéficas ou como maléficas, e é quando o cenário todo deve ser alvo da “impersonalização da ilusão”: “Isto não é pessoa, é a ILUSÃO se mostrando como pessoa, e a movimentação, no quadro, é efeito da Verdade, de forma que a “Vontade do Pai seja feita “assim na terra como no céu”. Este “autotratamento” é eficaz e impede que nos deixemos envolver com a ilusão. O princípio da “nadificação da ilusão” deve completar este “autotratamento”, com a nossa convicção de que “aparências” são o “nada”, enquanto imutavelmente DEUS É TUDO.

Somos seres espirituais em unidade com Deus. Unicamente o que Deus vivencia, nós vivenciamos. Esta identificação com a Realidade sobre nós é fundamental neste estudo, uma vez que “as aparências”, desmascaradas pela aplicação correta destes princípios, não poderão jamais nos iludir.

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Ilusão: Mera Crença Equivocada

Se alguém interpreta um fato de forma incorreta, o erro de interpretação não altera o fato. Lembro-me de uma pessoa que trabalhava na mesma firma que eu, que me contou o seguinte: ao acordar, pela manhã, olhou para o relógio, viu que estava em cima da hora para ir ao trabalho, levantou-se e preparou-se o mais rápido que pôde e saiu pelas ruas em desabalada carreira, para chegar o menos atrasado possível ao emprego. Ao se aproximar da empresa, viu o estacionamento vazio e foi quando se lembrou: era feriado! Todo aquele drama por ele vivido era oriundo de uma ILUSÃO! Era feriado e, para ele, era dia útil normal!

Quando um fato é desprezado, por nossa atenção se fixar numa interpretação falsa do mesmo, se não dermos fim à interpretação equivocada, viveremos a “mentira” sem que a verdade seja sequer cogitada! Foi o que aconteceu com a pessoa, que viveu um “sofrido dia útil” até que o “feriado” fosse lembrado e reconhecido!

Os princípios da Verdade não são para mudar “falso dia útil” em “feriado”, ou seja, não são para alterar “mundo material imperfeito” em “Paraíso”. Os princípios são “lembretes” do que JÁ É, e apenas nos levam a “despertar” das falsas interpretações para as corretas. Se meu conhecido tivesse colado, junto ao despertador, um bilhete escrito: “Feriado”, ao acordar, não teria sido iludido como foi! Teria, na hora, tirado da mente o “atraso ao trabalho” que o fez passar pela correria e dissabores desnecessários daquele dia.

O suposto “ser humano” é a “interpretação equivocada” oriunda da “mente humana”; desse modo, quando é revelado que o CRISTO É TUDO EM TODOS, o que ele deve fazer, e de imediato, é “despertar” para o FATO! “Ah, eu não sou  ser humano nem alguém deste mundo!” E este “despertar” precisa ser idêntico ao da pessoa, no exato instante em que pôde perceber com total clareza: “Ah, hoje é feriado!”. Ilusão é “interpretação equivocada”; portanto, empregue os “princípios da Verdade” corretamente, no sentido de “interpretar corretamente os fatos”, ou seja, reconhecer que DEUS É TUDO, e que TUDO É DEUS!

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O Agora e o Presente Temporal

“Olhos não viram o que Deus preparou aos que o amam”, disse Paulo. E o que está preparado é o Reino da Luz em que já vivemos. Se este Reino fosse discernido pelos olhos dos sentidos humanos, a perfeição absoluta seria testemunhada por eles e a noção de “momento presente temporal” sequer seria levada em conta por não ter realidade. Mas como a Natureza Imutável do Reino de Deus não pode ser captada pelos “sentidos falsos”, a ILUSÃO DE MUDANÇA aparenta existir, e é quando a crença em passado, presente e futuro nos é sugerida pela suposta “mente humana”. Em outras palavras, o “momento presente” é mera máscara que encobre o AGORA.

Mesmo que você diga recordar “um dia qualquer do passado”, esta lembrança será meramente da “máscara” a encobrir o AGORA do suposto “dia de hoje” ou de um esperado “dia de amanhã”. O AGORA É PERMANENTE! E o suposto “momento presente” é sempre a “máscara”. Todos os chamados “ontem”, “hoje” ou “amanhã” são IRREALIDADES, enquanto O AGORA é a REALIDADE. Por esse motivo, ensinamentos que dividem nossa atenção entre O AGORA é o “PRESENTE TEMPORAL” apenas PRESERVAM A ILUSÃO, dando-nos a impressão de que há “dois mundos”, que há algo ainda POR ACONTECER, e que a PERFEIÇÃO PERMANENTE não é a única Verdade evidenciada AGORA. E é assim que as chamadas “profecias” são levadas em conta, bem como teorias reencarnacionistas, e mesmo encarnacionistas, que colocam o nosso ser no “momento temporal” da ilusória aparência, e não onde SEMPRE SOMOS: NA UNIDADE COM DEUS! Enquanto você não expulsar tais ensinamentos, não entenderá o “Referencial da Luz” empregado por Jesus, quando afirmou: “Antes que Abraão existisse, EU SOU”.

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Identifique-se Com a Perfeição da Oniação

A Oniação é Deus agindo universalmente, sem que haja a mínima possibilidade de haver “outra atividade” paralela ou coexistente. A Oniação é a Onipresença em Atividade única e perfeita, que inclui a tudo; e é devido a esta Verdade que VOCÊ – inclusive tudo o que lhe diz respeito – já é a PERFEIÇÃO ABSOLUTA.

Como podem ser “constatadas” atividades imperfeitas, como, por exemplo, um órgão do corpo doentio, uma falcatrua política, etc.? Tais atividades somente podem receber um nome: ILUSÃO! São a “crença errônea” de que há, ao lado da Oniação, alguma atividade a mais! Portanto, em vez de alguém lutar para “corrigir” atividades imperfeitas, se ele estuda a Verdade deverá unicamente expulsar a “crença falsa”, que lhe puxa a atenção para “atividade que não existe”, de modo que a ONIAÇÃO PERFEITA, já presente, seja convictamente reconhecida. A mente que se deixa levar por essa “sugestão fraudulenta” nunca é a nossa mente verdadeira, mas tão somente a ilusória “mente carnal”, a “mente que sonha com inexistências” e que, de si mesma, é “nada”.

Contemple a presença da Mente divina em atividade perfeita universalmente; inclua a “sua” Mente individual nesta “Mente divina Onipresente”; e então, contemple a Mente infinita e perfeita Se manifestando integralmente como “perfeição absoluta”, universalmente e individualmente como a “Mente de Cristo” reconhecida como a SUA. Desvincule-se das “imagens falsas” e aceite que “as imagens verdadeiras” estão todas expressas AGORA, incólumes e perfeitas, por serem DEUS SENDO TUDO!

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Irrealidade é Nada

Viver a Verdade é viver a Realidade espiritual onipresente, consciente de que “Em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, como disse o apóstolo Paulo. Esta vivência é nossa permanência eterna na Onipresença, o que exclui toda suposta “existência mortal ou material”, chamada, em vista disso, de ILUSÃO DE MASSA.

Acreditar, porém,  que “algo além de Deus” é ILUSÃO DE MASSA é acreditar em “ilusão de massa”, ou seja, se a mente se deixar prender a esta dualidade, sem entender que IRREALIDADE É NADA, as crenças falsas aparentarão estar em vigor e operando sobre cada um, sendo apenas batizadas de “ILUSÃO DE MASSA”. Quando é dito que DEUS É TUDO, e que o nosso “ponto de partida” é estarmos identificados com esta totalidade, o que precisa ser entendido, é que TUDO É REALIDADE INFINITA, ESPIRITUAL PERFEITA, e que todas as supostas “imagens hipnóticas”, que aparentam existir, não existem! São irrealidades! São “nada!”

Partir da TOTALIDADE da Realidade é partir da NULIDADE da irrealidade. As “contemplações da Verdade” são simplesmente cada um ser Deus, cada um se discernir sendo a Verdade absoluta, reconhecendo: “Não há outro ao lado de Mim”. Quando a “mente” que supostamente “vê” ILUSÃO DE MASSA” é descartada, pela admissão livre, suave, espontânea e radical  de que “Temos a Mente de Cristo”, a palavra “ilusão” sumirá em sua nulidade. Ocupe-se, portanto, em “ter a mente de Cristo”, e a discernir unicamente o que esta Mente, que é divina, aceita como Fato real.

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Recuse Imagens Hipnóticas Insistentes

O modo de atuação da mente humana está em lançar sobre nós, como se fosse verdade, uma avalanche de crenças falsas na forma de “imagens hipnóticas”. Se acreditarmos em tais imagens, elas receberão o endosso e poder que lhe dermos; por outro lado, se desviarmos nossa atenção para Deus, para o Reino de Deus, para a Verdade eterna e perfeita, estas imagens tenderão a se amoldar ao “padrão divino”, onde nem bem nem mal existem, mas, existe unicamente o constante estado de perfeição.

O cuidado deve haver em nossa permanência em Deus, sejam quais forem as supostas imperfeições, supostos conflitos ou problemas. Mesmo que estas imagens se mostrem insistentes, jamais dê poder a elas por reconhecer esta insistência aparente. Contemple Deus como TUDO e, olhando as “imagens hipnóticas” à sua frente, tire delas o poder de serem reais e também insistentes, usando pensamentos do seguinte tipo: “De nada adianta esta imagem tentar forçar-me a crer ser ela real; além de irreal, ela não tem poder algum para insistir em manter sua presença diante de mim como se fosse realidade. Deus é TUDO; portanto, unicamente a PERFEIÇÃO DIVINA está presente em todo o Universo, inclusive onde esta “imagem hipnótica” aparenta estar”.

Esse tipo de  Autotratamento é bastante útil, quando associado com as “contemplações absolutas da Verdade”, feitas através da “Prática do Silêncio”. Ajudam-nos a transcender as “aparências” para nos dedicarmos às “contemplações” propriamente ditas.

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Tudo Em Seu Agora

 

Há quem diga: “Tudo no tempo de Deus”, como se houvesse tempo em Deus; entretanto, o único “tempo de Deus” se chama “AGORA”. Um AGORA ETERNO, que expõe a TOTALIDADE da Perfeição divina em manifestação. Portanto, não admita “ESPERA PELO TEMPO DE DEUS”, ou estará “esperando uma ilusão”. Admita unicamente o AGORA PLENO, e, em seu dia a dia, faça unicamente o que AGORA você é capaz de fazer, e ao máximo de sua capacidade, sem se preocupar com suposto “tempo seguinte”.

Se a semente se visse “aguardando o tempo de Deus”, ficaria inerte ou apreensiva! Contudo, seu “projeto pronto agora”, já nela presente, é seu “FOCO ÚNICO”. Por esse motivo, ela AGE AGORA (aparentemente falando) para a concretização visível desse projeto. Se a atenção estiver no ramo, por exemplo, este ramo estará surgindo como “sombra” do ramo-essência que está consumado no “projeto invisível”, sem que a “flor”, que faz parte do mesmo projeto, seja levada em conta “POR ANTECIPAÇÃO”. Cada “agora” é vivificado pela atuação plena, e, desse modo, o que É, no ATEMPORAL AGORA, é “refletido” nesta “aparência de mundo”. A Vida é Deus em Expressão perfeita de Si mesmo! Viva com a Verdade de que a Vida de Deus é a SUA, trave o “mesmerismo” que o leva a se preocupar com “algo” que já É, ou que já ESTÁ em VOCÊ MESMO! Expulse a “crença” em “tempo de Deus”, e entenda TUDO EM SEU AGORA! Jesus foi claro, ao nos dizer: “Basta a cada dia o seu cuidado; o amanhã cuidará dele mesmo!”

Não apenas leia este texto em total concordância com ele! VIVA-O NA PRÁTICA! VIVA-O AGORA! “TUDO ESTÁ EM SEU AGORA!”

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A Realidade do Cristo-2

– II-

O Cristo em nós é a nossa inteligência divina, a nossa sabedoria espiritual. Esta não é a sabedoria humana: a sabedoria humana pode cometer erros; a sabedoria humana pode ser enganada. Nossa sabedoria humana frequentemente se baseia em experiências passadas ou no senso comum; mas o Cristo (esta intuição espiritual, esta sabedoria, orientação e poder espirituais) nunca comete um erro; e Ele nos leva a fazer coisas que, humanamente, pensamos não serem sábias ou que, humanamente, nem mesmo poderíamos pensar em fazer. Nem mesmo podemos saber que passo devemos dar; mas este Cristo, ao abrir nossa consciência, dá o passo para nós, mesmo antes de estarmos cientes da necessidade. Cristo é uma realidade. Cristo é aquele de quem você pode depender: você pode ouvi-Lo e, através dEle, encontrar sua inspiração, sua orientação, sua direção. Cristo é uma consciência de cura. Quando nos pedem para curarmos a nós mesmos ou a outros, se tivermos tocado este Cristo, não há mais necessidade de depender de afirmações da verdade ou de qualquer atividade. Este “Algo”, chamado de Salvador, o Princípio salvador, a Presença de cura ou o Cristo que cura, toma conta. Ele recupera; Ele revivifica; Ele reconstrói; Ele edifica.

Cristo é uma realidade. Cristo não é simplesmente um nome, um termo para alguma coisa intangível. Não, Cristo é tão palpável em sua experiência como qualquer coisa que você possa ver ou tocar. Ele é tão real como seu professor ou como um livro – só que mais real. Se todos nós pudéssemos conhecer a realidade, a onipresença, a onipotência do Cristo, entenderíamos por que podemos colocar nEle toda a confiança; como Ele vai à nossa frente para fazer tudo o que temos de fazer. Mas, o Cristo é mais do que isso! É uma influência unificadora. Cristo é o cimento, a influência unificadora, que nos une em entendimento.

Cristo é um fio invisível, que nos une; mas não só a nós: Ele une todos os homens e mulheres, por todo o mundo, independentemente de religião, de credo ou de região. Todos aqueles que têm como objetivo ver o reino de Deus manifestado na Terra estão unidos conosco através deste fio do Cristo.

 

F I M

A Realidade do Cristo

O Cristo não é apenas um nome dado a alguma coisa intangível ou nebulosa. O Cristo é uma realidade divina, uma presença viva e onipresente. Ele está bem onde você está, e onde eu estou. Cristo não é uma pessoa. É um princípio. Ele é um princípio de vida. Ele é um princípio de Deus, que forma a realidade de seu ser. Mas, por causa da experiência do filho pródigo, entendemos o que é o poder físico, o que é o poder mental; sabemos o que é trabalhar arduamente com nós mesmos, mas não aprendemos ainda  como ficar tranquilos e deixar o Cristo trabalhar. Nós, na crença, nos tornamos separados do verdadeiro Cristo do nosso ser. É quase como se vivêssemos numa casa com as persianas fechadas e nos acostumássemos a andar na escuridão ou num quarto iluminado artificialmente. À medida que o tempo passasse, esqueceríamos realmente que havia algo como a luz solar e que fora de nossas sombras delineadas estava o sol radiante e quente. Sob nosso aspecto de seres humanos, fizemos exatamente isso. Fechamos as persianas – nossas persianas mentais. Isto é o que Jesus quis dizer, ao afirmar: “Tendo olhos, não vedes e tendo ouvidos, não ouvis”. Estas faculdades espirituais foram fechadas, de modo que não estamos cientes do fato de que apenas além do âmbito de nosso aspecto humano existe a divindade do nosso ser chamada Cristo, o Espírito de Deus no homem.

Em nosso estudo, em nossa prática, e na nossa associação com os outros, passo a passo desenvolvemos uma percepção deste Poder ou Presença infinita e invisível, chamada de Cristo. Descobrimos que há uma Presença real conosco, que desempenha nosso trabalho para nós; que o desempenha através de nós; que o desempenha como nós. Isto foi o que tornou possível aPaulo dizer: “Eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo quem vive em mim”. Lembre-se de que Ele desempenhou aquilo que é dado para eu fazer; Ele aperfeiçoou aquilo que me ocupa, ou como o Salmista diz: “O Senhor aperfeiçoará o que me concerne”. Este é o Cristo, e este Cristo é o princípio ou o Espírito de Deus presente em você, como, digamos, sua integridade, sua lealdade, sua fidelidade, sua fidedignidade. Estas são as qualidades que você reconhece estarem presentes em você; e você as reconhece, não porque já as viu ou as ouviu, mas por causa de seu efeito em sua experiência. Sua honestidade e sua integridade conquistaram para você o respeito de seus sócios. A lealdade e a fidelidade fizeram de você bom cidadão, bom marido,ou esposa, bom filho. Estes são os efeitos da qualidade da integridade, da lealdade, da fidelidade, da honestidade e da fidedignidade. Mas há algo maior do que qualquer uma dessas, algo maior do que todas elas reunidas, e isso é a percepção consciente, o reconhecimento consciente deste Cristo, que pode criar e criará estas qualidades em nós, mesmo se e quando parecer que elas estão faltando.

Continua..>

Jamais a Ilusão Se Manifesta Externa à Mente humana

Assim como a “miragem”, aceita como presente à mente do andarilho alucinado no deserto, jamais se manifesta externamente, ou seja, no deserto, também  com a “ilusão de existência terrena”, captada pela suposta mente humana, ocorre a mesma coisa. Não existe “ilusão” exteriorizada! O Reino de Deus cobre toda a Existência infinita como Luz e perfeição onipresentes! Entender que o “quadro ilusório” jamais existe “lá fora”, mas  tão somente figura como “quadro hipnótico” na mente humana, em muito nos ajuda a reconhecer que DEUS É TUDO. É por esse motivo que os artigos comparam “este mundo” com o sonho: o sonhador, entretido com as imagens do sonho, deixa de discernir o quarto em que dorme; do mesmo modo, o suposto “ser humano”,  sonhando com “existência terrena, deixa de discernir estar agora e sempre no Reino de Deus! O verbo “Despertar” é empregado por causa disso!

Uma vez entendido que a “ilusão” é mero “quadro mental”, sem a menor capacidade de se manifestar externo à mente humana, ficamos livres para “contemplar” nossa presença no Reino de Deus, sem nos associarmos com os “quadros hipnóticos” e muito menos com os supostos “seres humanos” presentes nos mesmos! Este desvínculo nosso destas “imagens humanas” corresponde ao que Jesus disse, quanto a “negarmos a nós mesmos” para segui-lo.

Estes conhecimentos precisam ser treinados, para que nãopermaneçam meramente como teoria guardada na mente. Sempre que alguma “aparência indesejável” surgir, de imediato reconheça-a como “imagem na mente”, sem poder algum de se exteriorizar; logo em seguida, reconheça que TUDO que está exteriorizado é DEUS E O REINO DE DEUS. Desse modo, a “ilusão” não mais o enganará!

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COMENTÁRIOS

SOBRE O TEXTO “A INVERSÃO DE REFERENCIAL”

Dárcio

Aquele que emprega a “mente carnal”, julga a si mesmo e a todos pelas “aparências visíveis”. Por isso lhe é fácil ver defeitos no próximo e se achar no direito de reclamar deles, culpá-los ou corrigi-los. “Vá e não peques mais”, disse Jesus àquela que estava para ser apedrejada pela turba enfurecida a taxá-la de pecadora. Por que Jesus não a condenou? Por usar a MENTE DE CRISTO e, com ela, discernir a Luz divina sendo aquele ser. A Mente iluminada vê a Mente iluminada com que é unidade, e, desse modo, a percepção de Jesus foi discernida pelo Cristo na mulher e a crença em pecados e culpas se dissolveu. O alerta de Jesus foi para que “ela não voltasse a pecar”. Que é pecar? Significa “errar o alvo”, alguém deixar de se ver em Deus, uno com Ele, para se julgar “pelas aparências”, como faziam aqueles com pedras nas mãos para lançá-las sobre a suposta “adúltera”.  Como Jesus sabia que todos usavam a “mente carnal”, desafiou-os: “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra”; e, ninguém se viu em condições de atirá-la!

A crença fraudulenta de que “somos separados deDeus”, dotados da “mente humana” que a tudo julga pelas aparências, esta é o “pecado” a ser destruído! Quem se identifica com Deus e com a mente de Deus “não peca”, ou seja, não pode alimentar pensamentos dessemelhantes de Deus, todos eles ilusórios.

“Tende em vós a mesma Mente que houve em Cristo Jesus” (Fp. 2: 5). Aceitar esta Mente é aceitar Deus sendo o nosso Ser,  que é “inverter o referencial” para não mais nos identificarmos com “mente humana” e suas ilusões.

“Então não devemos tentar corrigir ou orientar os que aparentam agir mal? Devemos! A Bíblia nos mostra que Jesus fazia isto! Mas, primeiro, devemos praticar a Verdade, reconhecer a Mente divina sendo única e a Mente de todos; depois, sim, com a suposta mente humana  “influenciada” pela Verdade, podemos agir de modo inspirado e no sentido de fazer manifestar a harmonia e a justiça na visibilidade. Esta ação será o “agir pelo não agir”, uma vez que será atitude tomada não a partir do ego, mas inspirada por Deus. Esta “ação visível” nos será assim requerida até que todos estejam conscientes de ter a “mesma Mente que houve em Cristo Jesus”.

O mais importante, para quem estuda a Verdade, e dar mais atenção ao fato de que, se “vemos os erros de outrem”, estamos nós a merecer o Autotratamento, para assumirmos a Mente de Cristo que, “pela carne a ninguém julga”. Isto é o principal; só depois, devemos tomar as providências visíveis, advindas desta Verdade assim reconhecida.

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A Inversão do Referencial

Uma pessoa nos chega e diz: “Nós somos todos muito imperfeitos, temos muito a caminhar ainda!” O que devemos analisar é o seguinte:  “quem são” estes “nós”: mente humana? Seríamos mesmo a “mente humana”? Para usarmos os seus critérios, nos firmarmos neles e nos definirmos?

Ao povo, a adúltera merecia ser apedrejada! Jesus, porém, não a condenou! “Vá e não peques mais” – disse a ela! Estaria recomendando que não mais agisse como adúltera? Não! Estava lhe dizendo que não mais se considerasse “mente humana”.

O estudo da Verdade é esta “inversão de referencial”, ou seja, em vez de nos julgarmos “pela carne”, julgamo-nos convictamente pelo “julgamento justo”. Qual é ele? O que nos leva a honrar a nós mesmos como honramos o Pai, uma vez que Deus, sendo TUDO, é a realidade eterna expressa como a Vida individual que temos e que somos.

Jamais se autoavalie segundo os parâmetros falaciosos da suposta “mente humana”, que desconhece a “permanência das Obras de Deus”. Antes, parta de seu Ser como sendo a Mente de Deus Se expressando como “Filho de Deus”; desse modo, assim “invertendo o seu referencial”, suas contemplações da Verdade contarão com o apoio do Universo infinito da Realidade perfeita, onde nada, além de Deus, existe para ser levado em conta.

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Sinta-se familiarizado Com o Reino de Deus

Muita gente medita, diz “buscar” o Reino de Deus, mas o faz como se estivesse em busca de um “sonho distante”, quase inatingível! Tais pessoas reclamam das dificuldades que as”crenças coletivas” criam para atrapalhar a chamada “busca”, e lidam com o “Reino de Deus” como se pudessem estar em qualquer “outro lugar”, menos onde elas já estão, ou seja, na Onipresença divina! Jesus disse: “Vosso Pai se agradou em dar-vos o Seu Reino”; portanto, meditar a partir de “dificuldade em buscar o Reino de Deus”, sem levar em conta que é da Vontade de Deus que nos vejamos donos dEle, é a ILUSÃO que cada um terá de descartar!.

Medite como Filho de Deus, como herdeiro do Reino de Deus, como dono do Reino de Deus! Contemple estar agora nesta Realidade infinitodimensional que olhos humanos não alcançam nem veem! Não é o que Paulo nos revelou, ao afirmar que “em Deus vivemos, nos movemos e existimos”? Sinta-se, pois, familiarizado ao máximo com o Seu REINO! Você o recebeu com agrado de Deus! Pare de considerar o Reino de Deus como intangível, misterioso, algo destinado a meia dúzia de supostos iluminados! Tais crenças ilusórias devem ser varridas de vez de sua aceitação! Deus é SEU PAI; já deu a VOCÊ o Seu Reino todo, além de lhe revelar que VOCÊ VIVE NELE! A única coisa que lhe resta fazer é “conhecer esta Verdade”, e a “Prática do Silêncio” é seu momento de perceber que VOCÊ JÁ A CONHECE! E mais, que VOCÊ É A PRÓPRIA VERDADE CONHECIDA!

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Dispense as Imagens Retidas na Mente

As “imagens hipnóticas” que a suposta mente humana nos apresenta são puras “miragens” a serem conscientemente dispensadas. DEUS É TUDO, mas estas “imagens hipnóticas” tentam nos fazer crer em sua veracidade, enquanto são, na verdade,  puríssimo “nada”.

N a literatura espiritual da Unidade, sempre é repetido: “Deixe IR…e deixe DEUS!” O sentido é aceitarmos a presença única de Deus enquanto, ao mesmo tempo, dispensamos os “quadros ilusórios”. Esta atitude espiritual deve ser tomada de forma vívida, isto é, devemos contemplar que “estamos na totalidade de Deus” enquanto sentimos os “quadros hipnóticos” irem se soltando de nossa aceitação como nuvens de fumaça, até sumirem em sua própria nulidade! Não há substância nem lei nestas “aparências”; mas, por terem ficado gravadas como se fossem reais, precisamos assumir uma postura bem radical frente a elas, fazendo-as realmente se dispersarem, enquanto, ao mesmo tempo, aceitamos a Onipresença da Perfeição em seu lugar.

É importante tirarmos da mente as imagens fraudulentas, tanto mediante as contemplações absolutas quanto utilizando a Ciência Mental, com a qual negamos a realidade de tais imagens enquanto discernimos a presença da realidade divina sempre PERFEITA em lugar delas. DEUS É TUDO! E esta totalidade é Harmonia Perene! Aquele que, munido desta convicção, utilizar estas “armas da Luz”, sem esmorecer, verá o desmantelamento das falsidades apresentadas pela mente humana, todas elas integralmente ilusórias.

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Mensagens Radicais

As mensagens da Verdade Absoluta são radicais, diretas e de aplicação conjunta com a leitura. Não há revelação alguma para ser reconhecida num “depois”; sendo Verdade, é Verdade “Agora”! Como as “imagens visíveis” são ILUSÓRIAS, você não se baseará nelas para avaliar sua condição deste momento! Antes, fará uma abstração total destas “miragens” para aceitar que “Deus é o Ser individual que VOCÊ é!”

Não deixe a “crença coletiva” dar opiniões! Faça-a concordar com a leitura no exato instante em que estiver lendo! Por exemplo, se houver uma sugestão de “dor muscular”, rejeite veementemente esta “crença falsa” impondo a Verdade que é permanente, ou seja, o seu Corpo não é matéria susceptível a dores, mas sim o TEMPLO ILUMINADO DE DEUS! Não deixe esta “troca essencial” para ser feita depois da leitura! Não acoberte a ILUSÃO pela sua crença no tempo! “Levanta-te, toma teu leito, e anda”, disse Jesus ao paralítico, que o obedeceu sem raciocinar! Aja segundo o que estiver lendo! Aceite-se segundo o que as revelações dizem que VOCÊ É! Aceite-se sendo sempre o Cristo, dotado do Poder divino de “ser a Verdade”, sem jamais se considerar um “humano” passível de ter problemas ou limitações. Exemplificando, Jesus disse que “deu-lhe a glória para ser um com Deus, exatamente como ele próprio é um” (João, 17: 22). Imprima de imediato esta Verdade na “crença falsa”, que aparentemente o vinha iludindo! Esta é a “Chave de Ouro”, disse Emmet Fox. A Verdade já está corporificada em seu Ser, que é Deus! Assuma atitudes condizentes com esta revelação, ou seja, como VOCÊ E DEUS SÃO UM, Deus age como VOCÊ age, livre e sem problemas, sofrimentos ou dificuldades, simplesmente sendo! Simplesmente “sendo Deus” como VOCÊ”.

Expulse a aceitação de problema, seja ele qual for! Suponha que a suposta dor lhe pareça real a ponto de impedi-lo de se mover; nesse caso, faça dela seu “treinamento do momento”: reconheça que não existe “dor na Onipresença”, e que a “sugestão hipnótica” de dor não é realidade e não dispõe de lei que a possa manter! ESTA ILUSÃO NÃO PODE EXISTIR! E NÃO EXISTE MESMO! Imprima estas Verdades sobre a “crença falsa” e se movimente já acreditando que “a dor não existe”. Seja radical! Seja decidido! Não diga que “a dor melhorou ou piorou”; mostre a si mesmo que a Verdade é a Verdade! E que, nem agora nem em tempo algum, DEUS deixou de ser VOCÊ! DEUS É TUDO! Esta Verdade requer de VOCÊ total aceitação, admissão, convicção e identificação! Afirme, portanto, que VOCÊ aceita, admite, e já está convicto e identificado com a VERDADE!

“Onde Estão Teus Acusadores”?

 A mente humana crê na alucinação imaginada por ela. Assim, uma inexistência chamada “vida terrena” ilude a maioria, através de quadros repletos de imperfeições, problemas e mudanças, enquanto ao mesmo tempo, e de modo contraditório, é reconhecido que “Deus é Onipresente”. A revelação absoluta de que Deus é a única Realidade, única Presença, para esta mente falsa, é pura “loucura”, conforme disse o apóstolo Paulo. E dentro deste dualismo, de se acreditar em Deus e nos “sonhos” da visibilidade, segue a humanidade deixando de desfrutar a própria herança divina de bem-aventuranças plenas. Sempre a expectativa de melhoria é vista como possibilidade futura, e nunca como ALGO AGORA PRESENTE!

 Enquanto a “alucinação coletiva” não ceder lugar à Realidade já manifesta, seus ilusórios frutos, exatamente como simples pesadelos, irão atormentar a todos. Qual é a “alucinação”? O suposto “mundo visível” ou o Reino de Deus? Para a mente humana, um Reino já perfeito e único, já disponível aqui e agora igualmente para todos, é visto como “alucinação” de místicos visionários! Já para os mestres de todos os tempos, a “alucinação” é exatamente tudo aquilo que é visto pela suposta mente humana!

 A Bíblia nos mostra um Jesus Cristo sempre sendo contestado pelo mundo. Mas a Verdade por ele revelada, desafiando todos os obstáculos, AQUI permanece, à espera de alguém disposto a deixar de lado puras MIRAGENS para realmente conhecer a Realidade já presente. Os fariseus disseram a Jesus: “Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro”. Como resposta, ouviram as palavras iluminadas: “Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou. Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo. E, se na verdade julgo, o meu juizo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou…se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”.

 O “julgamento divino” transcende os quadros deste mundo, desconsiderando completamente as “alucinações” aceitas como reais pela mente humana. Este julgamento, que a ninguém condena, é o do próprio Deus vendo a Si mesmo como sendo a TOTALIDADE da Existência. Nesta Visão absoluta da Realidade, quem seria acusado? Onde existiriam acusadores? Em lugar algum! Portanto, no lugar das culpas, condenações e recriminações que parecem existir, o que há, de fato, é a Verdade divina, amorosa e libertadora. Este é o “testemunho verdadeiro” que, segundo Jesus, não julga “segundo a carne”. No relato bíblico encontrado em João 8:11, podemos observar que no exato instante em que a mulher acusada reconheceu que “ninguém a acusava”, ficou LIBERTA! Reconhecer que “ninguém nos condena” é despertar para o fato de que Deus é Onipresença; é reconhecer que a Mente ÚNICA, exatamente por ser única, a NINGUÉM julga! Reconhecer que a Mente ÚNICA é a “nossa” Mente!

Sejam quais forem os chamados “erros”, do passado ou do presente, eles nunca realmente existiram nem existem, a não como ser como “alucinações” da mente humana. Este despertar, tido pelo ladrão ao lado de Jesus, permitiu-lhe ouvir as libertadoras palavras: “Hoje estarás comigo no paraíso”.

 Assim como uma “alucinação de incêndio” não pode ser combatida por bombeiros, a “alucinação” de problemas ou de imperfeições não pode ser desfeita mediante “ações deste mundo”. A “alucinação” é combatida pelo restabelecimento da “mente normal” da pessoa que, iludida, ali reconhecia um incêndio ilusório. De modo idêntico, quando as culpas e acusações deste mundo forem dissipadas pelo “restabelecimento” de nossa mente NORMAL, ou seja, a “Mente de Cristo”, teremos “conhecido a Verdade que nos torna livres”.

*

Curando O Que Não Foi Curado

 

Vezes sem conta, curas baseadas na confiança em Deus, iluminada pelos ensinamentos da Ciência Cristã*, têm sido rápidas e permanentes. Às vezes, porém, um seguidor devoto dos ensinamentos de Cristo Jesus talvez se encontre lutando durante meses para obter a cura de algum problema em particular que não tenha cedido à oração. Surge a pergunta: “Que mais poderá ser feito para provar o poder curativo de Deus?”

 

A resposta pode estar em aprofundar nossa capacidade de adorar “o Pai em espírito e em verdade”1, como Jesus indicou. Isso implica em fazer novas descobertas acerca da natureza incorpórea de Deus como Espírito infinito, e de Sua perfeição como Verdade todo-poderosa. Leva-nos a uma percepção ampliada da espiritualidade atual do homem como exata expressão de Deus – indestrutível, sadio e completo. Expandir dessa maneira nossa compreensão espiritual acerca de Deus e do homem leva-nos ao domínio dado por Deus sobre tudo quanto parece ser material.

 

Talvez a dificuldade esteja em que continuamos a procurar vida, saúde e felicidade na matéria, em vez de desenvolver a convicção de que o homem é desde já espiritual dentro da totalidade de Deus. Em vez de continuar a nutrir o ponto de vista popular de ser a vida material e limitada, de estar ela sujeita  à doença e à discórdia de toda espécie, e em vez de tentar mudar a coitada da matéria em matéria melhor, permaneçamos firmes e alegremente com a compreensão esclarecida de que a individualidade imortal e perfeita do homem está completamente fora da matéria.

 

Todos nós podemos adquirir esse ponto de vista mais elevado e científico que inevitavelmente traz a cura. Para isso talvez seja de proveito estudar a Bíblia novamente numa atitude mental atenta. Persista em se concientizar de que o ser verdadeiro, espiritual, do homem é de fato demonstrável. Jesus compreendia que o homem tem sua origem em Deus. Por isso ele estava certo da espiritualidade presente do homem. Essa compreensão da unidade do homem com Deus e de sua semelhança a Deus era o alicerce de seus notáveis trabalhos de cura. Sua ressurreição mostrou a natureza indestrutível do homem-Cristo.

 

Depois da ressurreição do Mestre, alguns dos seus seguidores ainda estavam tão convictos de que a materialidade é a base da vida, que deixaram de captar o significado espiritual das obras de Jesus. Maria, no entanto, a primeira a ver o Mestre depois da ressurreição, discerniu a condição perfeita de homem espiritual, pura e sem jaça, que Jesus estava demonstrando. Falando na fidelidade do ponto de vista espiritual de Maria e na materialidade dos inimigos de Jesus, Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, escreve em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “Esse materialismo perdeu de vista o verdadeiro Jesus; mas a fiel Maria o viu, e para ela Jesus  representava mais do que nunca a verdadeira ideia de Vida e de substância.”2

 

Apreciar mais profundamente as convicções espirituais que sublinham a obra da vida de nosso Mestre ajudar-nos-á a desenvolver convicções semelhantes acerca de nossa própria espiritualidade  no presente. Ajudar-nos-á a nos identificarmos com o Cristo, “a verdadeira ideia de Vida e de substância”, que traz cura.

 

A convicção que Jesus tinha de sua completa espiritualidade, ficou revelada nos seus ensinamentos, em magníficas obras de  cura que redimiram a humanidade das várias limitações do materialismo. Jesus mostrou desdém pela pretensão de que há poder na matéria, ao silenciar as tempestades, andar em cima das ondas, cirar os doentes desenganados e ressuscitar os mortos. Essas ações mostraram o elevado nível espiritual de seu pensamento e sua recusa em se deixar impressionar pelas pretensas leis da matéria.

 

Embora não fosse mundano, Jesus transformou o mundo. Sua lealdade a Deus e sua unidade com a Verdade infinita deram-lhe domínio sobre o que o rodeava. Deu prova do poder todo-poderoso de Deus e da substancialidade ilimitada do homem como ideia espiritual que representa exclusivamente a Deus.  Em vez de se desesperar diante de alguma suposta ameaça material à sua vida, Jesus calmamente seguiu avante, confiante no controle de Deus e na espiritualidade do homem, o que o exime de todas as discórdias da existência física.

 

Certo dia, na sinagoga, Jesus leu para o povo, o livro de Isaías. Depois de ter lido o trecho que profetizava a vinda do Cristo, profecia que se cumpria na sua própria experiência, começou a repreender a falta de receptividade deles. Então o povo se enfureceu. Agarraram-no, arrastaram-no para fora da sinagoga, levaram-no pela cidade até à beira

De um monte onde planejaram lançá-lo penhasco abaixo. O ódio do pensamento material que resistia ao Cristo, a Verdade, era tão grande que momentaneamente Jesus parecia estar sendo presa dos materialistas ao seu redor. A Bíblia conta-nos que “Jesus, passando por entre eles, retirou-se”3. É claro que Jesus nem sequer por um instante abandonou sua elevação espiritual de pensamento. Estava continuamente dando testemunho de Deus, insistindo em demonstrar a totalidade e o poder que tem Deus de libertar outros, de livrar a ele mesmo. O poder de sua confiança crística concretizou-se à beira do abismo para o qual o povo o havia levado, e Jesus foi libertado.

 

Às vezes uma condição física assustadora e desanimadora procuraria nos levar até à beira de um abismo, isto é, de uma situação material extrema, desde a qual parece que seremos lançados morro abaixo. Todavia, aí mesmo, num suposto precipício de materialidade, também nós podemos passar pelo meio das crenças materiais ao nosso redor. Podemos reconhecer nossa espiritualidade, reivindicar nosso domínio e nossa cura, e seguir nosso caminho – o caminho do Cristo – com alegria.

 

Há alguns anos sofri de um distúrbio físico grave que me causava grandes dores. Orei com fidelidade, e fui ajudado pelas orações de um consagrado praticista da Ciência Cristã. Mas o problema persistiu por muitos meses. Sua gravidade aumentou a ponto de me ser difícil caminhar ou ficar de pé.

 

Certa feita, durante essa experiência, fui tentado a procurar conselho médico. Entre meus colaboradores militares havia vários médicos. A tentação era a de pedir a opinião de um desses amigos quanto à natureza da doença. No entanto, recusei ceder a tal tentação, pois eu era capaz de discernir que seria impossível ao digagnóstico médico dar-me qualquer informação sobre uma idéia de Deus, espiritual e perfeita. E eu estava determinado a não remexer no entulho da materialidade à procura do verdadeiro ser do homem. Estava-me claro que o  único modo certo de achar e comprovar minha condição de homem em Cristo era o de adquirir compreensão melhor a respeito de Deus e desenvolver convicção mais sólida da indestrutível espiritualidade do homem.

 

Procurando pela luz divina, fui inspirado a tornar a ler o relato da vida de Jesus e suas curas, sua espiritualidade vital, sua firme obediência a Deus e sua capacidade de vencer todos os obstáculos. Certa noite meu estudo da Bíblia me levou ao Salmo 139, que diz em parte: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? (…) Se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares: ainda lá me haverá de guiar a tua mão e a tua destra me susterá.”4  De repente, fiquei convencido de que, apesar do que me acontecesse materialmente, eu nunca poderia ficar separado de Deus. Eu era de fato um idéia espiritual de Deus e nunca poderia ser detruído. Discerni que esta convicção espiritual de que a vida está em Deus, abandonando toda fé na assim chamada vida da matéria, era uma lei de restauração para o corpo físico – uma lei de cura. Embora não ocorresse mudança física imediata, eu sabia que estava curado.

 

A enfermidade física ainda continuou esporadicamente por mais ou menos dois meses;  mas a consciência, libertada pelo poder de Deus, desenvolvia melhor sentido de identidade, ou corpo. Foi-me muito proveitosa em relação a este caso uma referência que se encontra em Ciência e Saúde: “A consciência constrói um corpo melhor quando vencida a fé na matéria. Se corriges a crença material pela compreensão espiritual, o Espírito formar-te-á de novo. Nunca mais voltarás a ter medo, a não ser de ofender a Deus, e nunca mais acreditarás que o coração ou qualquer parte do corpo possa destruir-te.”5

 

Prossegui com intrepidez e alegria, na convicção de ter sido curado. Não levou muito tempo, todos os sintomas da doença desapareceram, para nunca mais voltar. Desde aquela ocasião até o presente tenho participado normal e vigorosamente de vários esportes — tênis, natação, caminhadas pelas montanhas, corridas — sem a menor dificuldade.

 

Dessa cura ficou claro que era preciso descartar-me do medo e da preocupação com aquilo que poderia acontecer a uma individualidade material. Quando o poder da presença contínua de Deus foi trazido à luz, viu-se que a materialidade é irreal. A dificuldade foi dominada pelo poder do Cristo, a Verdade, a transformar a consciência humana.

 

Em aditamento à própria cura, senti devoção mais profunda por melhor apreciar e compreender como as curas do Mestre do cristianismo transformavam a consciência, elevando-a de uma base material para uma espiritual. Jesus discernia que o controle todo-poderoso de Deus alcançava cada faceta da vida, subjugando a matéria. Podia dizer impunemente: “Destruí este santuário,  e em três dias o reconstruirei.”6

 

A identidade espiritual, proveniente de Deus, que Jesus viveu e ensinou, é o Cristo, a ideia divina da espiritualidade perfeita. Esta é a verdadeira natureza de cada um de nós. No entanto,  a influência divina do Cristo parecerá oculta enquanto basearmos nossa vida e nossas expectativas nas limitações da materialidade. A Ação libertadora do Cristo vem à luz na proporção em que raciocinarmos desde o ponto de vista de ser o homem verdadeiramente a expressão da totalidade do Espírito e da bondade, da onipresença e da onipotência da Mente. Que ânimo curativo se desenvolve quando raciocinamos com certeza que Deus é Espírito, e o homem é espiritual; que Deus é Vida, e o homem é imortal; que Deus é Amor, e o homem é desprendido e amoroso; que Deus é Verdade, e o homem é perfeito, ilimitado. Podemos insistir em que Deus – Mente, Espírito, Princípio, Verdade, Amor, Alma, Vida – é a lei irresistível do bem, que expulsa toda e qualquer pretensão da mortalidade. Finalmente, segue-se a gloriosa compreensão de que, sendo Deus e Sua ideia, o homem espiritual, inseparáveis, isso constitui-se em lei de cura e regeneração para toda necessidade humana específica. Satisfeitos e serenos nessas convicções, podemos ter confiança em que Deus está realizando Sua santa obra.

 

Ciência e Saúde declara: “A individualidade do homem não é menos tangível por ser espiritual e por não estar sua vida à mercê da matéria. A compreensão de sua individualidade espiritual torna o homem mais real, mais formidável na verdade, e o habilita a vencer o pecado, a moléstia e a morte.”7

 

Deixando de estar preocupados com a materialidade e de dela depender, ficamos cônscios de que o homem já é espiritual no presente. Podemos comprovar progressivamente, pela redenção e pela cura, “a verdadeira idéia de Vida e de substância”. Tal espiritualidade desenvolvida nos trará saúde, vigor e vitalidade — o reino do céu dentro de nós.

 

1João 4:23, 2Ciência e Saúde, p. 314, 3Lucas 4:30, 4Salmos 139:7, 9, 10, 5Ciência e Saúde, p. 425, 6João 2:19, 7Ciência e Saúde, p. 317.

A Páscoa Em Nossos Corações

 Após a noite escura vem o amanhecer dourado e silencioso. Após o inverno frio, irrompe a primavera, nunca deixando de causar admiração quando as flores esbeltas do croco abrem caminho através da neve congelada, e quando soam miríades de vozes alegres que do verde se levantam. Depois do fogo na floresta, folhas novas começam a brotar. Depois das bombas as cidades são reconstruídas. Depois que o coração sofreu profunda perda, um renovado amor começa. E após a crucificação, a hora mais negra do mundo, Cristo Jesus, não vencido pelo ódio e pela morte, foi caminhar no jardim da ressurreição.

A Páscoa dá prova consumada e gloriosa da renovação, e sua mensagem ecoa em um milhão de maneiras. A Ciência Cristã explica que aquilo que humanamente parece ser renovação é apenas um vislumbre da ordem divina –a criação do bem, sempre a se desdobrar, a brilhar através do cenário humano. A carreira de Jesus mostrou que sua vida era a consciência espiritual do bem interminável de Deus. Essa duradoura consciência divina de Jesus se evidenciou na cura de outras pessoas e na indestrutibilidade de sua própria vida. Sua consciência da pura bondade de Deus partilhou assim da eternidade. Ele orou por seus seguidores, dizendo: “A vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17:3)

A decisão de procurar Deus de todo o nosso coração torna-se a resposta natural à mensagem da Páscoa, pois vemos em sua promessa de vida eterna o bem subjacente que aguarda nossa rendição completa ao Amor divino. E, de fato, compreendemos que não estaríamos procurando Deus se o Seu amor já não nos tivesse alcançado.

Mas, que é que parece se levantar entre nós e a eternidade do bem, o conhecimento de Deus? Que é a noite escura de nossa ignorância? No mundo, a evidência do bem parece crescer e minguar, desabrochar e nos ludibriar e então desabrochar outra vez. Por ignorância tomamos pela realidade a charada contínua do mundo em mutação. Olhamos à nossa volta e vemos objetos aprazíveis e a eles nos rendemos e nos afeiçoamos. E à proporção que nos afeiçoamos ao bem material, fugidio, do mundo, adiamos ficar afeiçoados ao bem eterno de Deus. A palavra grega traduzida na Bíblia como “pecado” também significa “errar” ou “sair do caminho que conduz à justiça”. O caminho que Jesus apontou revela a existência espiritual inteiramente separada de começos e fins, posta no bem eterno de Deus.

 Os pecados da vida mortal procuram nos desviar de nossa meta suprema: conhecer a Deus. Mas, se aquilo que fazemos é puro, contribuindo para uma compreensão espiritual de Deus e para amá-Lo, nisso não há pecado. Lembremo-nos de que o cristianismo, com sua interpretação científica, inclui grande amor pelos pecadores, ao passo que condena no pecado o beco sem saída que nos despojaria da herança de alegria eterna no amor do Pai.

Quanto mais perto de Deus chegamos, tanto mais longe do pecado ficamos. “A missão da Ciência Cristã não é unicamente a de curar o enfermo”, escreve a Sra. Eddy, “mas sim a de destruir o pecado no pensamento mortal.” Logo, existe um caminho que nos leva para fora do pecado e do egoísmo, um caminho para fora do ódio, da falsidade, da indiferença. A ressurreição de Jesus, de que os homens tomaram conhecimento naquela sagrada manhã de Páscoa, abre diante de nós uma vereda de ofuscante significação. Podemos tomar essa vereda e unir nosso coração a Deus. Cedemos àquilo que Deus requer de nós por toda a eternidade: sermos o reflexo de Seu próprio bem impecável.

A rendição ao que Deus requer eternamente de nós poderá desenvolver-se em nossos corações. Por vezes, a luz da Páscoa está quase imperceptível, e, de repente, irrompe em revivado esplendor. Como nos virá inexoravelmente a todos, que aqui quer no além, torna-nos humildes, remove o desespero, e nos enaltece infinitamente mais que o orgulho e, contudo, o faz sem arrogância. A luz da ressurreição revela o homem envolto no puro amor de Deus. E, em parte, a Páscoa significa o magnífico transformar do coração desde o que é terreno para o que é celestial, onde abundam paz e esperança indescritíveis.

Entregar tudo a Deus não significa que nos tornemos eremitas, ou que nos descuidemos da família e dos amigos, ou que abandonemos o que é bom: mas temos de nos apegar à fonte divina do bem em vez de àquilo que é humano. E essa fonte é muito mais maravilhosa, muito mais cheia de amor, do que qualquer coisa na terra que tenhamos conhecido. A Páscoa em nossos corações leva-nos para além dos conceitos de que a saúde e o amor e a justiça estão circunscritos humanamente. Capacita-nos a esperar e sentir a abundância espiritual, e a estarmos bem, não embaraçados pelas crenças mortais em hereditariedade, contágio e idade. Capacita-nos a abandonar o beco sem saída do pecado que nega Deus, e a sermos livres.;

 A Páscoa faz ecoar em nossos corações a esperança e a felicidade invulneráveis porque Cristo Jesus provou que a vida do homem é indestrutível. Seus símbolos de renovação nos levam a conhecer o próprio Amor infinito. A Páscoa abençoa nossa vida terrena e faz-nos sentir os ventos da eternidade. Em Ciência e Saúde a Sra. Eddy diz: “Um momento de consciência divina, ou compreensão espiritual da Vida e do Amor. é um antegozo da eternidade. Essa visão sublime, que se obtém e retém quando a Ciência do ser é compreendida, preencheria com a vida discernida espiritualmente o intervalo da morte, e o homem estaria na plena onisciência de sua imortalidade e harmonia eternas, onde o pecado, a doença e a morte são desconhecidos.” Essa pode ser a consequência gloriosa da Páscoa em nossos corações.

(O Arauto da Ciência Cristã – abril 1983)

O Ponto de Partida Nas Contemplações

A Verdade eterna é sem começo e sem fim; assim, toda vez que nos dispusermos a contemplá-la, estaremos fazendo-o a partir de sua permanência, isto é, do fato perene de que a Verdade É!

Quando partimos do Fato de que a Verdade É, não teremos algo além de Deus para considerar, uma vez que esta Verdade é DEUS SENDO TUDO! E esta totalidade de Deus inclui, naturalmente, o “Eu” que somos, o que levou João a escrever: “Amados: agora somos filhos de Deus” (I João 3: 2). Se esta Verdade é vista ou não visivelmente, pouco importa! As “aparências” são imagens fugazes, sem substância ou realidade, e jamais servem como parâmetro de avaliação da Verdade que É,  que está além de todas elas, e de forma incólume. Jamais nossas contemplações levam em conta “aparências” deste mundo! Todas elas, boas ou más, são “imagens falsas”, pura ILUSÃO. O que somos AGORA, é o que realmente sempre somos, sem vínculo algum com “imagens” supostamente vistas pela mente humana.

Parta da Verdade, da Mente divina sendo a sua! Parta de sua PERFEIÇÃO mantida pela Consciência infinita! Mary Baker Eddy disse o seguinte: “Nada é real e eterno – nada é Espírito – a não ser Deus e Sua ideia. O mal não tem realidade. Não é pessoa, nem lugar, nem coisa, mas simplesmente uma crença, uma ilusão do sentido material”. Estes princípios devem reger nossas “contemplações da Verdade”, e aceitos sem contestação, com “coração de criança”, de modo que nosso “ponto de partida” seja realmente condizente com o “contemplar a Verdade”, e nunca com qualquer “participação” da ILUSÃO.

*

A Quietude da Oração, A Atividade do Cristo

 

Quando eu tinha oito anos, uma amorosa vizinha ficou sabendo que nada mais poderia ser feito para aliviar a intensa dor que eu sentia, provocada por mastoidite. Ela, no entanto, fez alguma coisa. Estendeu-nos a mão. Bateu à nossa porta e perguntou à minha mãe se podia orar por mim, de acordo com os ensinamentos da Ciência Cristã. Durante a noite a inflamação dos ouvidos drenou e eu fiquei completamente curada. O Cristo havia entrado em nossa casa.

O Cristo, a Verdade, está tão ativo na consciência hoje, como estava quando João registrou a mensagem do Cristo no livro do Apocalipse: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo”.

 Com frequência lembro-me dessa carinhosa vizinha que apresentou a Ciência Cristã a uma família que, há quatro gerações, vem recebendo suas bênçãos abundantes. Admiro sua confiança no poder sanador de Deus. Mais do que tudo, porém, tenho gratidão pela oração expectante que, sem dúvida, antecedeu sua visita corajosa e abriu caminho para o coração receptivo que aguardava portas adentro.

 Quantas vezes nós também somos confrontados com o anseio clamoroso de nosso próximo, quer seja um vizinho que more em nossa rua, ou alguém que viva do outro lado do globo! Nosso coração, em silêncio, chega até lá. Queremos ajudar. No entanto, somente se vestirmos o manto do Cristo, ou seja, se vivermos as qualidades crísticas de compaixão, pureza e dedicação à espiritualidade, é que poderemos ter certeza da receptividade que abrirá a porta ao Cristo sanador.

 Sem dúvida, é verdadeira a afirmação: “Precisas ser veraz, se a verdade queres ensinar./ Teu coração tem de extravasar, se o de outrem queres tocar.”

 Como, então, podemos ser de substancial auxílio ao coração faminto que clama por ajuda? Os problemas da atualidade são de tal monta que o mero esforço humano parece desconcertantemente inadequado. Incorremos no risco de nos desgastar, sem ao menos tocar a superfície do problema.

 Podemos, no entanto, nos sentir encorajados sabendo que há, na Ciência do Cristo, uma solução prática e eficaz para cada caso. Podemos estar certos de que a resposta para todos os males da humanidade é revelada pela Mente divina.

 Por meio de nossa silenciosa comunhão com Deus, a única Mente, na doce quietude da oração que se dispõe a ouvir, o pensamento torna-se receptivo à Mente divina, ou seja, ao que é divinamente verdadeiro. Discernimos, então, a ideia espiritual de Deus, o Cristo, que demonstra a presença e o poder do bem para curar e abençoar.

 Cultivemos, portanto, a confiança na quietude eloquente da oração. Precisamos estar atentos, porém, quanto à resistência à Verdade que tenta desviar nosso rumo com um anseio de fazer alguma coisa antes mesmo de estabelecer a oração, como base de nossos atos. A Ciência Cristã prova que a mera atividade humana, por si só, não realiza necessariamente muita coisa. A autodisciplina da oração põe em prática a superioridade da metafísica e prova que o ser é domínio e autoridade expressados. Regozijemo-nos por saber que nosso inato desejo de ajudar reflete o Amor divino, que é Deus.

 Esse Amor divino cinge e abrange a todos. Com a oração feita em silêncio, o pensamento se abre e se apercebe de que a voz da Verdade cobre todo o globo e abençoa toda a humanidade. Em sua própria quietude e disposição de ouvir silenciosamente, Mary Baker Eddy, a Descobridora e Fundadora da Ciência Cristã, ouviu o clamor de ajuda vindo da áfrica e dos mais remotos pontos da terra e atendeu a essa necessidade com suas próprias orações e com sua ativa espiritualidade. A Sra. Eddy sabia que a Verdade sobre Deus alcança o coração receptivo com a cura, onde quer que se encontre. Ela escreveu em Retrospecção e Introspecção: “Deus está em toda parte. Por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até aos confins do mundo; e esta voz é a Verdade que destrói o erro, é o Amor que lança fora o medo.” Esse fato demonstrável está à nossa disposição para ser comprovado com alegria.

 Não deveríamos nos surpreender coma descoberta de que a oração silenciosa é eficaz. Aprendemos, na Ciência Cristã, a raciocinar a partir da realidade espiritual da totalidade de Deus. Aprendemos a aceitar a perfeição de Deus como a única causa e encontramos, assim, a consequente perfeição do reflexo de Deus, o homem e o universo.

 A oração inaudível talvez seja a coisa mais preciosa que fazemos. Essa comunhão com Deus, a única Mente, não é pensamento sonhador, nem construção de castelos no ar. É, no entanto, a compreensão consciente do fato científico sobre Deus e Sua criação espiritual.

 É encorajador saber que a oração é substantiva e eficaz. Auxilia a minorar a carência e o infortúnio humanos. A luz do Cristo projetada na consciência dissipa as trevas do desalento e do desespero. A apurada sintonia da serena comunhão com Deus traz à luz a grandiosa harmonia do Amor.

 A oração e o amor que dedicamos a nosso próximo são, portanto, ativos e específicos: nossa oração expressa-se em atos, tal como nossos atos devem ser, inevitavelmente, o resultado da oração. A Sra. Eddy escreve em “Miscellaneous Writings”: “O Amor não pode ser mera abstração, nem é bondade em atividade e poder. Como qualidade humana, o glorioso significado do afeto inclui mais do que palavras: é o terno e abnegado gesto feito secretamente; é a oração silenciosa e incessante; é o coração abnegado, que transborda; é um vulto velado que desliza em segredo numa missão humanitária e sai sem se deixar ver; são os pequeninos pés saltitantes na calçada; é a terna mão que abre a porta diante da carência e do desespero, da doença e do pesar, iluminando assim os lugares tenebrosos da terra.”

 Sim, a oração do Amor envolve atividade. O Amor alcança e inclui a todos. E essa é a atividade do Cristo, que dá provas de que a Mente divina está aqui e em todo lugar.

 A onipresença da Mente divina não necessita de fios ou de eletricidade para comunicar-se. Todo coração receptivo ouve sua mensagem. O bem está fluindo constantemente, a partir de sua fonte divina, porque o bem está sempre presente e é imediato.

 A comunicação espontânea pelo rádio e pela televisão dá um vislumbre da presença imediata da Mente divina. Nossa oração silente auxilia a assegurar que os meios de comunicação sejam usados para o bem e que os pensamentos materialistas não manipulem o pensamento desavisado. A qualidade dos meios de comunicação deve ser uma preocupação de todas as pessoas de bom senso, principalmente do metafísico que dá valor ao poder da quietude espiritual. Quão importante é reprimir a desinformação, sob a forma de informações enganosas, falsa educação ou mero sensacionalismo. Todas as pessoas, em qualquer parte do mundo, têm o direito de saber a verdade sobre Deus e o homem e de se libertar da ignorância.

 Cada um de nós pode exercer papel importante nos acontecimentos palpitantes que estão ocorrendo no mundo. Nossas orações e nossas obras sempre coincidem em atividade produtiva. Podemos ajudar a abrir a porta do pensamento do Cristo sanador.

 Nossa oração de afirmação desafia a resistência, seja sob a forma de indiferença ingênua ou ódio declarado à Verdade. A compreensão da unidade e da totalidade da Mente divina protege nosso direito divino de usar nosso próprio raciocínio.

 O homem real, o filho de Deus, possui inteligência e habilidade inatas para usar sua compreensão, sua receptividade ao bem, divinamente outorgada. Nenhuma forma de sugestão sutil pode privá-lo dessa capacidade.

 Os metafísicos que compreendem as verdades sobre a Ciência Cristã são de vital importância. Eles conhecem o poder da espiritualidade. Sabem que a semente da Verdade, inerente a cada coração, tem potencial para propagar-se. Cada um de nós possui o inestimável privilégio de gozar de liberdade e de ter o senso de oportunidade.

 Não se trata, portanto, de admitir que aqueles que têm alguma coisa dão ou partilham a imensa bondade de Deus com os que não têm. Trata-se, isso sim, da tranquila compreensão de que o sagrado plano da bondade divina infinita está sendo revelado para que todos o percebam e reconheçam.

 A essência da questão é que o cicio tranquilo e suave da Verdade está cobrindo toda a terra. Apercebemo-nos dessa evidência pela oração. Com regozijo oramos pela serenidade que ouve a Mente divina. Deixamos que a oração faça esse trabalho sagrado. O que pode ser mais glorioso do que a alegria de estender a mão a nosso próximo por meio da quietude da oração silenciosa?

 

(De O Arauto da Ciência Cristã – agosto 91)