Ilusão: Mera Crença Equivocada
Se alguém interpreta um fato de forma incorreta, o erro de interpretação não altera o fato. Lembro-me de uma pessoa que trabalhava na mesma firma que eu, que me contou o seguinte: ao acordar, pela manhã, olhou para o relógio, viu que estava em cima da hora para ir ao trabalho, levantou-se e preparou-se o mais rápido que pôde e saiu pelas ruas em desabalada carreira, para chegar o menos atrasado possível ao emprego. Ao se aproximar da empresa, viu o estacionamento vazio e foi quando se lembrou: era feriado! Todo aquele drama por ele vivido era oriundo de uma ILUSÃO! Era feriado e, para ele, era dia útil normal!
Quando um fato é desprezado, por nossa atenção se fixar numa interpretação falsa do mesmo, se não dermos fim à interpretação equivocada, viveremos a “mentira” sem que a verdade seja sequer cogitada! Foi o que aconteceu com a pessoa, que viveu um “sofrido dia útil” até que o “feriado” fosse lembrado e reconhecido!
Os princípios da Verdade não são para mudar “falso dia útil” em “feriado”, ou seja, não são para alterar “mundo material imperfeito” em “Paraíso”. Os princípios são “lembretes” do que JÁ É, e apenas nos levam a “despertar” das falsas interpretações para as corretas. Se meu conhecido tivesse colado, junto ao despertador, um bilhete escrito: “Feriado”, ao acordar, não teria sido iludido como foi! Teria, na hora, tirado da mente o “atraso ao trabalho” que o fez passar pela correria e dissabores desnecessários daquele dia.
O suposto “ser humano” é a “interpretação equivocada” oriunda da “mente humana”; desse modo, quando é revelado que o CRISTO É TUDO EM TODOS, o que ele deve fazer, e de imediato, é “despertar” para o FATO! “Ah, eu não sou ser humano nem alguém deste mundo!” E este “despertar” precisa ser idêntico ao da pessoa, no exato instante em que pôde perceber com total clareza: “Ah, hoje é feriado!”. Ilusão é “interpretação equivocada”; portanto, empregue os “princípios da Verdade” corretamente, no sentido de “interpretar corretamente os fatos”, ou seja, reconhecer que DEUS É TUDO, e que TUDO É DEUS!
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O Agora e o Presente Temporal
“Olhos não viram o que Deus preparou aos que o amam”, disse Paulo. E o que está preparado é o Reino da Luz em que já vivemos. Se este Reino fosse discernido pelos olhos dos sentidos humanos, a perfeição absoluta seria testemunhada por eles e a noção de “momento presente temporal” sequer seria levada em conta por não ter realidade. Mas como a Natureza Imutável do Reino de Deus não pode ser captada pelos “sentidos falsos”, a ILUSÃO DE MUDANÇA aparenta existir, e é quando a crença em passado, presente e futuro nos é sugerida pela suposta “mente humana”. Em outras palavras, o “momento presente” é mera máscara que encobre o AGORA.
Mesmo que você diga recordar “um dia qualquer do passado”, esta lembrança será meramente da “máscara” a encobrir o AGORA do suposto “dia de hoje” ou de um esperado “dia de amanhã”. O AGORA É PERMANENTE! E o suposto “momento presente” é sempre a “máscara”. Todos os chamados “ontem”, “hoje” ou “amanhã” são IRREALIDADES, enquanto O AGORA é a REALIDADE. Por esse motivo, ensinamentos que dividem nossa atenção entre O AGORA é o “PRESENTE TEMPORAL” apenas PRESERVAM A ILUSÃO, dando-nos a impressão de que há “dois mundos”, que há algo ainda POR ACONTECER, e que a PERFEIÇÃO PERMANENTE não é a única Verdade evidenciada AGORA. E é assim que as chamadas “profecias” são levadas em conta, bem como teorias reencarnacionistas, e mesmo encarnacionistas, que colocam o nosso ser no “momento temporal” da ilusória aparência, e não onde SEMPRE SOMOS: NA UNIDADE COM DEUS! Enquanto você não expulsar tais ensinamentos, não entenderá o “Referencial da Luz” empregado por Jesus, quando afirmou: “Antes que Abraão existisse, EU SOU”.
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Identifique-se Com a Perfeição da Oniação
A Oniação é Deus agindo universalmente, sem que haja a mínima possibilidade de haver “outra atividade” paralela ou coexistente. A Oniação é a Onipresença em Atividade única e perfeita, que inclui a tudo; e é devido a esta Verdade que VOCÊ – inclusive tudo o que lhe diz respeito – já é a PERFEIÇÃO ABSOLUTA.
Como podem ser “constatadas” atividades imperfeitas, como, por exemplo, um órgão do corpo doentio, uma falcatrua política, etc.? Tais atividades somente podem receber um nome: ILUSÃO! São a “crença errônea” de que há, ao lado da Oniação, alguma atividade a mais! Portanto, em vez de alguém lutar para “corrigir” atividades imperfeitas, se ele estuda a Verdade deverá unicamente expulsar a “crença falsa”, que lhe puxa a atenção para “atividade que não existe”, de modo que a ONIAÇÃO PERFEITA, já presente, seja convictamente reconhecida. A mente que se deixa levar por essa “sugestão fraudulenta” nunca é a nossa mente verdadeira, mas tão somente a ilusória “mente carnal”, a “mente que sonha com inexistências” e que, de si mesma, é “nada”.
Contemple a presença da Mente divina em atividade perfeita universalmente; inclua a “sua” Mente individual nesta “Mente divina Onipresente”; e então, contemple a Mente infinita e perfeita Se manifestando integralmente como “perfeição absoluta”, universalmente e individualmente como a “Mente de Cristo” reconhecida como a SUA. Desvincule-se das “imagens falsas” e aceite que “as imagens verdadeiras” estão todas expressas AGORA, incólumes e perfeitas, por serem DEUS SENDO TUDO!
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Irrealidade é Nada
Viver a Verdade é viver a Realidade espiritual onipresente, consciente de que “Em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, como disse o apóstolo Paulo. Esta vivência é nossa permanência eterna na Onipresença, o que exclui toda suposta “existência mortal ou material”, chamada, em vista disso, de ILUSÃO DE MASSA.
Acreditar, porém, que “algo além de Deus” é ILUSÃO DE MASSA é acreditar em “ilusão de massa”, ou seja, se a mente se deixar prender a esta dualidade, sem entender que IRREALIDADE É NADA, as crenças falsas aparentarão estar em vigor e operando sobre cada um, sendo apenas batizadas de “ILUSÃO DE MASSA”. Quando é dito que DEUS É TUDO, e que o nosso “ponto de partida” é estarmos identificados com esta totalidade, o que precisa ser entendido, é que TUDO É REALIDADE INFINITA, ESPIRITUAL PERFEITA, e que todas as supostas “imagens hipnóticas”, que aparentam existir, não existem! São irrealidades! São “nada!”
Partir da TOTALIDADE da Realidade é partir da NULIDADE da irrealidade. As “contemplações da Verdade” são simplesmente cada um ser Deus, cada um se discernir sendo a Verdade absoluta, reconhecendo: “Não há outro ao lado de Mim”. Quando a “mente” que supostamente “vê” ILUSÃO DE MASSA” é descartada, pela admissão livre, suave, espontânea e radical de que “Temos a Mente de Cristo”, a palavra “ilusão” sumirá em sua nulidade. Ocupe-se, portanto, em “ter a mente de Cristo”, e a discernir unicamente o que esta Mente, que é divina, aceita como Fato real.
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Recuse Imagens Hipnóticas Insistentes
O modo de atuação da mente humana está em lançar sobre nós, como se fosse verdade, uma avalanche de crenças falsas na forma de “imagens hipnóticas”. Se acreditarmos em tais imagens, elas receberão o endosso e poder que lhe dermos; por outro lado, se desviarmos nossa atenção para Deus, para o Reino de Deus, para a Verdade eterna e perfeita, estas imagens tenderão a se amoldar ao “padrão divino”, onde nem bem nem mal existem, mas, existe unicamente o constante estado de perfeição.
O cuidado deve haver em nossa permanência em Deus, sejam quais forem as supostas imperfeições, supostos conflitos ou problemas. Mesmo que estas imagens se mostrem insistentes, jamais dê poder a elas por reconhecer esta insistência aparente. Contemple Deus como TUDO e, olhando as “imagens hipnóticas” à sua frente, tire delas o poder de serem reais e também insistentes, usando pensamentos do seguinte tipo: “De nada adianta esta imagem tentar forçar-me a crer ser ela real; além de irreal, ela não tem poder algum para insistir em manter sua presença diante de mim como se fosse realidade. Deus é TUDO; portanto, unicamente a PERFEIÇÃO DIVINA está presente em todo o Universo, inclusive onde esta “imagem hipnótica” aparenta estar”.
Esse tipo de Autotratamento é bastante útil, quando associado com as “contemplações absolutas da Verdade”, feitas através da “Prática do Silêncio”. Ajudam-nos a transcender as “aparências” para nos dedicarmos às “contemplações” propriamente ditas.
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Tudo Em Seu Agora
Há quem diga: “Tudo no tempo de Deus”, como se houvesse tempo em Deus; entretanto, o único “tempo de Deus” se chama “AGORA”. Um AGORA ETERNO, que expõe a TOTALIDADE da Perfeição divina em manifestação. Portanto, não admita “ESPERA PELO TEMPO DE DEUS”, ou estará “esperando uma ilusão”. Admita unicamente o AGORA PLENO, e, em seu dia a dia, faça unicamente o que AGORA você é capaz de fazer, e ao máximo de sua capacidade, sem se preocupar com suposto “tempo seguinte”.
Se a semente se visse “aguardando o tempo de Deus”, ficaria inerte ou apreensiva! Contudo, seu “projeto pronto agora”, já nela presente, é seu “FOCO ÚNICO”. Por esse motivo, ela AGE AGORA (aparentemente falando) para a concretização visível desse projeto. Se a atenção estiver no ramo, por exemplo, este ramo estará surgindo como “sombra” do ramo-essência que está consumado no “projeto invisível”, sem que a “flor”, que faz parte do mesmo projeto, seja levada em conta “POR ANTECIPAÇÃO”. Cada “agora” é vivificado pela atuação plena, e, desse modo, o que É, no ATEMPORAL AGORA, é “refletido” nesta “aparência de mundo”. A Vida é Deus em Expressão perfeita de Si mesmo! Viva com a Verdade de que a Vida de Deus é a SUA, trave o “mesmerismo” que o leva a se preocupar com “algo” que já É, ou que já ESTÁ em VOCÊ MESMO! Expulse a “crença” em “tempo de Deus”, e entenda TUDO EM SEU AGORA! Jesus foi claro, ao nos dizer: “Basta a cada dia o seu cuidado; o amanhã cuidará dele mesmo!”
Não apenas leia este texto em total concordância com ele! VIVA-O NA PRÁTICA! VIVA-O AGORA! “TUDO ESTÁ EM SEU AGORA!”
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Jamais a Ilusão Se Manifesta Externa à Mente humana
Assim como a “miragem”, aceita como presente à mente do andarilho alucinado no deserto, jamais se manifesta externamente, ou seja, no deserto, também com a “ilusão de existência terrena”, captada pela suposta mente humana, ocorre a mesma coisa. Não existe “ilusão” exteriorizada! O Reino de Deus cobre toda a Existência infinita como Luz e perfeição onipresentes! Entender que o “quadro ilusório” jamais existe “lá fora”, mas tão somente figura como “quadro hipnótico” na mente humana, em muito nos ajuda a reconhecer que DEUS É TUDO. É por esse motivo que os artigos comparam “este mundo” com o sonho: o sonhador, entretido com as imagens do sonho, deixa de discernir o quarto em que dorme; do mesmo modo, o suposto “ser humano”, sonhando com “existência terrena, deixa de discernir estar agora e sempre no Reino de Deus! O verbo “Despertar” é empregado por causa disso!
Uma vez entendido que a “ilusão” é mero “quadro mental”, sem a menor capacidade de se manifestar externo à mente humana, ficamos livres para “contemplar” nossa presença no Reino de Deus, sem nos associarmos com os “quadros hipnóticos” e muito menos com os supostos “seres humanos” presentes nos mesmos! Este desvínculo nosso destas “imagens humanas” corresponde ao que Jesus disse, quanto a “negarmos a nós mesmos” para segui-lo.
Estes conhecimentos precisam ser treinados, para que nãopermaneçam meramente como teoria guardada na mente. Sempre que alguma “aparência indesejável” surgir, de imediato reconheça-a como “imagem na mente”, sem poder algum de se exteriorizar; logo em seguida, reconheça que TUDO que está exteriorizado é DEUS E O REINO DE DEUS. Desse modo, a “ilusão” não mais o enganará!
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COMENTÁRIOS
SOBRE O TEXTO “A INVERSÃO DE REFERENCIAL”
Dárcio
Aquele que emprega a “mente carnal”, julga a si mesmo e a todos pelas “aparências visíveis”. Por isso lhe é fácil ver defeitos no próximo e se achar no direito de reclamar deles, culpá-los ou corrigi-los. “Vá e não peques mais”, disse Jesus àquela que estava para ser apedrejada pela turba enfurecida a taxá-la de pecadora. Por que Jesus não a condenou? Por usar a MENTE DE CRISTO e, com ela, discernir a Luz divina sendo aquele ser. A Mente iluminada vê a Mente iluminada com que é unidade, e, desse modo, a percepção de Jesus foi discernida pelo Cristo na mulher e a crença em pecados e culpas se dissolveu. O alerta de Jesus foi para que “ela não voltasse a pecar”. Que é pecar? Significa “errar o alvo”, alguém deixar de se ver em Deus, uno com Ele, para se julgar “pelas aparências”, como faziam aqueles com pedras nas mãos para lançá-las sobre a suposta “adúltera”. Como Jesus sabia que todos usavam a “mente carnal”, desafiou-os: “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra”; e, ninguém se viu em condições de atirá-la!
A crença fraudulenta de que “somos separados deDeus”, dotados da “mente humana” que a tudo julga pelas aparências, esta é o “pecado” a ser destruído! Quem se identifica com Deus e com a mente de Deus “não peca”, ou seja, não pode alimentar pensamentos dessemelhantes de Deus, todos eles ilusórios.
“Tende em vós a mesma Mente que houve em Cristo Jesus” (Fp. 2: 5). Aceitar esta Mente é aceitar Deus sendo o nosso Ser, que é “inverter o referencial” para não mais nos identificarmos com “mente humana” e suas ilusões.
“Então não devemos tentar corrigir ou orientar os que aparentam agir mal? Devemos! A Bíblia nos mostra que Jesus fazia isto! Mas, primeiro, devemos praticar a Verdade, reconhecer a Mente divina sendo única e a Mente de todos; depois, sim, com a suposta mente humana “influenciada” pela Verdade, podemos agir de modo inspirado e no sentido de fazer manifestar a harmonia e a justiça na visibilidade. Esta ação será o “agir pelo não agir”, uma vez que será atitude tomada não a partir do ego, mas inspirada por Deus. Esta “ação visível” nos será assim requerida até que todos estejam conscientes de ter a “mesma Mente que houve em Cristo Jesus”.
O mais importante, para quem estuda a Verdade, e dar mais atenção ao fato de que, se “vemos os erros de outrem”, estamos nós a merecer o Autotratamento, para assumirmos a Mente de Cristo que, “pela carne a ninguém julga”. Isto é o principal; só depois, devemos tomar as providências visíveis, advindas desta Verdade assim reconhecida.
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A Inversão do Referencial
Uma pessoa nos chega e diz: “Nós somos todos muito imperfeitos, temos muito a caminhar ainda!” O que devemos analisar é o seguinte: “quem são” estes “nós”: mente humana? Seríamos mesmo a “mente humana”? Para usarmos os seus critérios, nos firmarmos neles e nos definirmos?
Ao povo, a adúltera merecia ser apedrejada! Jesus, porém, não a condenou! “Vá e não peques mais” – disse a ela! Estaria recomendando que não mais agisse como adúltera? Não! Estava lhe dizendo que não mais se considerasse “mente humana”.
O estudo da Verdade é esta “inversão de referencial”, ou seja, em vez de nos julgarmos “pela carne”, julgamo-nos convictamente pelo “julgamento justo”. Qual é ele? O que nos leva a honrar a nós mesmos como honramos o Pai, uma vez que Deus, sendo TUDO, é a realidade eterna expressa como a Vida individual que temos e que somos.
Jamais se autoavalie segundo os parâmetros falaciosos da suposta “mente humana”, que desconhece a “permanência das Obras de Deus”. Antes, parta de seu Ser como sendo a Mente de Deus Se expressando como “Filho de Deus”; desse modo, assim “invertendo o seu referencial”, suas contemplações da Verdade contarão com o apoio do Universo infinito da Realidade perfeita, onde nada, além de Deus, existe para ser levado em conta.
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Sinta-se familiarizado Com o Reino de Deus
Muita gente medita, diz “buscar” o Reino de Deus, mas o faz como se estivesse em busca de um “sonho distante”, quase inatingível! Tais pessoas reclamam das dificuldades que as”crenças coletivas” criam para atrapalhar a chamada “busca”, e lidam com o “Reino de Deus” como se pudessem estar em qualquer “outro lugar”, menos onde elas já estão, ou seja, na Onipresença divina! Jesus disse: “Vosso Pai se agradou em dar-vos o Seu Reino”; portanto, meditar a partir de “dificuldade em buscar o Reino de Deus”, sem levar em conta que é da Vontade de Deus que nos vejamos donos dEle, é a ILUSÃO que cada um terá de descartar!.
Medite como Filho de Deus, como herdeiro do Reino de Deus, como dono do Reino de Deus! Contemple estar agora nesta Realidade infinitodimensional que olhos humanos não alcançam nem veem! Não é o que Paulo nos revelou, ao afirmar que “em Deus vivemos, nos movemos e existimos”? Sinta-se, pois, familiarizado ao máximo com o Seu REINO! Você o recebeu com agrado de Deus! Pare de considerar o Reino de Deus como intangível, misterioso, algo destinado a meia dúzia de supostos iluminados! Tais crenças ilusórias devem ser varridas de vez de sua aceitação! Deus é SEU PAI; já deu a VOCÊ o Seu Reino todo, além de lhe revelar que VOCÊ VIVE NELE! A única coisa que lhe resta fazer é “conhecer esta Verdade”, e a “Prática do Silêncio” é seu momento de perceber que VOCÊ JÁ A CONHECE! E mais, que VOCÊ É A PRÓPRIA VERDADE CONHECIDA!
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Dispense as Imagens Retidas na Mente
As “imagens hipnóticas” que a suposta mente humana nos apresenta são puras “miragens” a serem conscientemente dispensadas. DEUS É TUDO, mas estas “imagens hipnóticas” tentam nos fazer crer em sua veracidade, enquanto são, na verdade, puríssimo “nada”.
N a literatura espiritual da Unidade, sempre é repetido: “Deixe IR…e deixe DEUS!” O sentido é aceitarmos a presença única de Deus enquanto, ao mesmo tempo, dispensamos os “quadros ilusórios”. Esta atitude espiritual deve ser tomada de forma vívida, isto é, devemos contemplar que “estamos na totalidade de Deus” enquanto sentimos os “quadros hipnóticos” irem se soltando de nossa aceitação como nuvens de fumaça, até sumirem em sua própria nulidade! Não há substância nem lei nestas “aparências”; mas, por terem ficado gravadas como se fossem reais, precisamos assumir uma postura bem radical frente a elas, fazendo-as realmente se dispersarem, enquanto, ao mesmo tempo, aceitamos a Onipresença da Perfeição em seu lugar.
É importante tirarmos da mente as imagens fraudulentas, tanto mediante as contemplações absolutas quanto utilizando a Ciência Mental, com a qual negamos a realidade de tais imagens enquanto discernimos a presença da realidade divina sempre PERFEITA em lugar delas. DEUS É TUDO! E esta totalidade é Harmonia Perene! Aquele que, munido desta convicção, utilizar estas “armas da Luz”, sem esmorecer, verá o desmantelamento das falsidades apresentadas pela mente humana, todas elas integralmente ilusórias.
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Mensagens Radicais
As mensagens da Verdade Absoluta são radicais, diretas e de aplicação conjunta com a leitura. Não há revelação alguma para ser reconhecida num “depois”; sendo Verdade, é Verdade “Agora”! Como as “imagens visíveis” são ILUSÓRIAS, você não se baseará nelas para avaliar sua condição deste momento! Antes, fará uma abstração total destas “miragens” para aceitar que “Deus é o Ser individual que VOCÊ é!”
Não deixe a “crença coletiva” dar opiniões! Faça-a concordar com a leitura no exato instante em que estiver lendo! Por exemplo, se houver uma sugestão de “dor muscular”, rejeite veementemente esta “crença falsa” impondo a Verdade que é permanente, ou seja, o seu Corpo não é matéria susceptível a dores, mas sim o TEMPLO ILUMINADO DE DEUS! Não deixe esta “troca essencial” para ser feita depois da leitura! Não acoberte a ILUSÃO pela sua crença no tempo! “Levanta-te, toma teu leito, e anda”, disse Jesus ao paralítico, que o obedeceu sem raciocinar! Aja segundo o que estiver lendo! Aceite-se segundo o que as revelações dizem que VOCÊ É! Aceite-se sendo sempre o Cristo, dotado do Poder divino de “ser a Verdade”, sem jamais se considerar um “humano” passível de ter problemas ou limitações. Exemplificando, Jesus disse que “deu-lhe a glória para ser um com Deus, exatamente como ele próprio é um” (João, 17: 22). Imprima de imediato esta Verdade na “crença falsa”, que aparentemente o vinha iludindo! Esta é a “Chave de Ouro”, disse Emmet Fox. A Verdade já está corporificada em seu Ser, que é Deus! Assuma atitudes condizentes com esta revelação, ou seja, como VOCÊ E DEUS SÃO UM, Deus age como VOCÊ age, livre e sem problemas, sofrimentos ou dificuldades, simplesmente sendo! Simplesmente “sendo Deus” como VOCÊ”.
Expulse a aceitação de problema, seja ele qual for! Suponha que a suposta dor lhe pareça real a ponto de impedi-lo de se mover; nesse caso, faça dela seu “treinamento do momento”: reconheça que não existe “dor na Onipresença”, e que a “sugestão hipnótica” de dor não é realidade e não dispõe de lei que a possa manter! ESTA ILUSÃO NÃO PODE EXISTIR! E NÃO EXISTE MESMO! Imprima estas Verdades sobre a “crença falsa” e se movimente já acreditando que “a dor não existe”. Seja radical! Seja decidido! Não diga que “a dor melhorou ou piorou”; mostre a si mesmo que a Verdade é a Verdade! E que, nem agora nem em tempo algum, DEUS deixou de ser VOCÊ! DEUS É TUDO! Esta Verdade requer de VOCÊ total aceitação, admissão, convicção e identificação! Afirme, portanto, que VOCÊ aceita, admite, e já está convicto e identificado com a VERDADE!
“Onde Estão Teus Acusadores”?
A mente humana crê na alucinação imaginada por ela. Assim, uma inexistência chamada “vida terrena” ilude a maioria, através de quadros repletos de imperfeições, problemas e mudanças, enquanto ao mesmo tempo, e de modo contraditório, é reconhecido que “Deus é Onipresente”. A revelação absoluta de que Deus é a única Realidade, única Presença, para esta mente falsa, é pura “loucura”, conforme disse o apóstolo Paulo. E dentro deste dualismo, de se acreditar em Deus e nos “sonhos” da visibilidade, segue a humanidade deixando de desfrutar a própria herança divina de bem-aventuranças plenas. Sempre a expectativa de melhoria é vista como possibilidade futura, e nunca como ALGO AGORA PRESENTE!
Enquanto a “alucinação coletiva” não ceder lugar à Realidade já manifesta, seus ilusórios frutos, exatamente como simples pesadelos, irão atormentar a todos. Qual é a “alucinação”? O suposto “mundo visível” ou o Reino de Deus? Para a mente humana, um Reino já perfeito e único, já disponível aqui e agora igualmente para todos, é visto como “alucinação” de místicos visionários! Já para os mestres de todos os tempos, a “alucinação” é exatamente tudo aquilo que é visto pela suposta mente humana!
A Bíblia nos mostra um Jesus Cristo sempre sendo contestado pelo mundo. Mas a Verdade por ele revelada, desafiando todos os obstáculos, AQUI permanece, à espera de alguém disposto a deixar de lado puras MIRAGENS para realmente conhecer a Realidade já presente. Os fariseus disseram a Jesus: “Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro”. Como resposta, ouviram as palavras iluminadas: “Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei donde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis donde venho, nem para onde vou. Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo. E, se na verdade julgo, o meu juizo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou…se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai”.
O “julgamento divino” transcende os quadros deste mundo, desconsiderando completamente as “alucinações” aceitas como reais pela mente humana. Este julgamento, que a ninguém condena, é o do próprio Deus vendo a Si mesmo como sendo a TOTALIDADE da Existência. Nesta Visão absoluta da Realidade, quem seria acusado? Onde existiriam acusadores? Em lugar algum! Portanto, no lugar das culpas, condenações e recriminações que parecem existir, o que há, de fato, é a Verdade divina, amorosa e libertadora. Este é o “testemunho verdadeiro” que, segundo Jesus, não julga “segundo a carne”. No relato bíblico encontrado em João 8:11, podemos observar que no exato instante em que a mulher acusada reconheceu que “ninguém a acusava”, ficou LIBERTA! Reconhecer que “ninguém nos condena” é despertar para o fato de que Deus é Onipresença; é reconhecer que a Mente ÚNICA, exatamente por ser única, a NINGUÉM julga! Reconhecer que a Mente ÚNICA é a “nossa” Mente!
Sejam quais forem os chamados “erros”, do passado ou do presente, eles nunca realmente existiram nem existem, a não como ser como “alucinações” da mente humana. Este despertar, tido pelo ladrão ao lado de Jesus, permitiu-lhe ouvir as libertadoras palavras: “Hoje estarás comigo no paraíso”.
Assim como uma “alucinação de incêndio” não pode ser combatida por bombeiros, a “alucinação” de problemas ou de imperfeições não pode ser desfeita mediante “ações deste mundo”. A “alucinação” é combatida pelo restabelecimento da “mente normal” da pessoa que, iludida, ali reconhecia um incêndio ilusório. De modo idêntico, quando as culpas e acusações deste mundo forem dissipadas pelo “restabelecimento” de nossa mente NORMAL, ou seja, a “Mente de Cristo”, teremos “conhecido a Verdade que nos torna livres”.
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O Ponto de Partida Nas Contemplações
A Verdade eterna é sem começo e sem fim; assim, toda vez que nos dispusermos a contemplá-la, estaremos fazendo-o a partir de sua permanência, isto é, do fato perene de que a Verdade É!
Quando partimos do Fato de que a Verdade É, não teremos algo além de Deus para considerar, uma vez que esta Verdade é DEUS SENDO TUDO! E esta totalidade de Deus inclui, naturalmente, o “Eu” que somos, o que levou João a escrever: “Amados: agora somos filhos de Deus” (I João 3: 2). Se esta Verdade é vista ou não visivelmente, pouco importa! As “aparências” são imagens fugazes, sem substância ou realidade, e jamais servem como parâmetro de avaliação da Verdade que É, que está além de todas elas, e de forma incólume. Jamais nossas contemplações levam em conta “aparências” deste mundo! Todas elas, boas ou más, são “imagens falsas”, pura ILUSÃO. O que somos AGORA, é o que realmente sempre somos, sem vínculo algum com “imagens” supostamente vistas pela mente humana.
Parta da Verdade, da Mente divina sendo a sua! Parta de sua PERFEIÇÃO mantida pela Consciência infinita! Mary Baker Eddy disse o seguinte: “Nada é real e eterno – nada é Espírito – a não ser Deus e Sua ideia. O mal não tem realidade. Não é pessoa, nem lugar, nem coisa, mas simplesmente uma crença, uma ilusão do sentido material”. Estes princípios devem reger nossas “contemplações da Verdade”, e aceitos sem contestação, com “coração de criança”, de modo que nosso “ponto de partida” seja realmente condizente com o “contemplar a Verdade”, e nunca com qualquer “participação” da ILUSÃO.
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“Curar Doença” é Admitir Que “Doença Existe”
Se usarmos a expressão “cura de doença”, em textos metafísicos, há pessoas que perguntam: “Mas Deus não é tudo? Quem teria doenças para serem curadas?”. Se dissermos que o estudo da Verdade não é para “curar doenças”, há pessoas que perguntam: “Quer dizer que mesmo que eu estude a Verdade, não devo contar com isso para curar as doenças? É errado pensar em curar doenças com a Verdade”?
Assim trabalha a suposta “mente carnal”; sempre argumentando com a “sabedoria da serpente”; e, se lhe dermos corda, ficaremos discutindo com ela interminavelmente! A Verdade absoluta diz que DEUS É TUDO! Toda conversa sobre doença ou cura de doença não sai do patamar da ILUSÃO! Alguém se confunde com a “aparência”, que é mera “imagem hipnótica”, se julga “pela carne”, onde acredita constatar qualquer anomalia, admite estar “doente”, e, a partir disso, se envolve com toda a falaciosa teia de pensamentos ilusórios. Quando pessoas assim solicitam auxílio espiritual, estão convictas de que “existe uma doença” a ser eliminada, seja pela medicina, seja por Deus, ou por ambos! Entretanto, este ponto de vista é metafisicamente incorreto! Partimos da Verdade de que DEUS, sendo TUDO, constitui o Ser que SOMOS! Como não existe doença em Deus, não existe doença em nós, ou seja: a doença não existe!
As meditações contemplativas negam a presença de imperfeições neste Reino em que agora vivemos, que, apesar de não ser captado pela suposta “mente humana”, já é o Reino onipresente do Amor Divino! Que é o nosso Corpo? É o Amor Divino na Forma “Corpo”, sem quaisquer imperfeições! Não havendo “imperfeições” na Onipresença, não existe “algo a ser curado”, e a nossa “permanência” nestes princípios nos fará discernir espiritualmente a perfeição incólume que somos! Aquele preso à crença de que “precisa curar a doença” desconhece a Verdade de que “a doença não existe”; desse modo, acreditando em sua existência, endossa a ILUSÃO, dá a ela a realidade que nunca possui, e se faz de “tela” para que ali se projetem as “imagens hipnóticas” de doença, com as quais se sentirá convencido de que “doença existe”. Enquanto esse mecanismo ilusório não for destruído, a inexistente “doença” aparentará ter mesmo realidade.
A Bíblia diz: “Glorificai a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, que pertencem a Deus (I Cor. 6: 20). Esta “glorificação” equivale a honramos a Deus pela admissão radical de nossa PERFEIÇÃO IMUTÁVEL! Contemple o Amor Divino manifesto como “seu” Corpo, sem se deixar dividir pela crença em doença ou em cura de doença. Querer “cura” não é saber que a perfeição é permanente, não é saber que “não existe doença”; contudo, a verdade é esta: sua saúde é “Constância Eterna”, e a chamada “doença”, permanentemente, é INEXISTÊNCIA.
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A Verdade Que Somos
Sempre que alguém me pergunta: “Que é a Verdade”, respondo o seguinte: “A Verdade é VOCÊ sem ego”. Jesus disse: “Se quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cruz, venha e me siga”. Que é seguir a Jesus? Por ele ter dito: “Eu sou a Verdade”, deduz-se que segui-lo, significa fazermos a mesma afirmação: “Eu sou a Verdade”. Como ele explica que esta frase é verdadeira se “negarmos a nós mesmos”, o que podemos entender, é que “seres humanos não são a verdade”. Que são eles? Aparências! Crenças ou imagens hipnóticas que, deixadas de lado, nos fazem discernir o Cristo, ou a Verdade que somos.
Se grafarmos o número 10 e perguntarmos o seu valor, ouviremos que ele vale 10; se grafarmos 01 e fizermos a mesma pergunta, ouviremos que vale 1. O zero à esquerda figuraria sem nada valer. Assim é o suposto “ser humano”; figura na “aparência de existência” sem que tenha qualquer valor! O valor está no “Cristo”, assim como em 01 o valor está no 1. A negação do valor do “zero à esquerda” não requer esforço algum! Nada é; nada vale! O mesmo se dá com o suposto “ser humano”, “ego” ou, em linguagem bíblica, “homem natural”: não é substancial: apenas figura como “zero à esquerda”, enquanto a Verdade Se manifesta como o Cristo- Substancial que somos. Você, exatamente agora, é a Verdade sem ego! “Despir-se do velho homem e seus feitos”, como disse Paulo, nada mais é que “negar-se a si mesmo” como alguém das aparências, assim como a nulidade do “zero à esquerda” já constitui o fato presente e verdadeiro. Aquele que, apesar de “ver” sua “aparência” em suposto mundo material, puder descartá-lo, como faria com o “zero á esquerda”, terá, como foco de sua atenção, unicamente a Verdade, o Cristo Eterno, sua Identidade perene, imutável e perfeita! Este terá seguido a Jesus, e terá conhecido a Verdade a ponto de dizer convictamente: “Eu Sou a Verdade”.
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